
Por Amauri Nolasco Sanches Jr
filosofia-pensamento


Vamos pensar no momento que estamos dentro de nosso país que não mudou muito dês de quando foi explorado, que alias, continua sendo. Mas vamos lá! Num país que pensa-se que uma pessoa que ganha mil reais por mês é de classe media não é de estranhar a distorção de tantas coisas que na sua importância, não deveriam ser distorcidas. Algumas remanescentes idéias ainda vigoram como classes especiais ou lugares que só abrigam a pessoa com deficiência como se ele ouve-se de ser acometido de uma doença grave, como aqui em São Paulo existem classes especiais da AACD e o estabelecimento estadual (dirigido pela esposa do governador Serra), Estação Especial da Lapa. Onde nada mais é do que depósitos de pessoas, e no caso da Estação Especial da Lapa, são tratados como crianças, mas o caso é um pouco mais grave.
Acabo de ler um artigo em um blog intitulado “APARTHEID CONTRA A PESSOA COM DEFICIÊNCIA” escrito por “Ana Paula Crosara de Resende”, que fala muito bem em uma Apartheid dentro da sociedade com a pessoa com deficiência. Para quem não sabe, Apartheid é uma palavra africana que quer dizer “vida separada” que foi usada pelo regime que os homens brancos detinham o poder e os povos restantes deveriam viver separados dos verdadeiros cidadãos na África do Sul. É o que a autora argumenta, podemos ter leis que regulamentam rampas e portas especiais, mas ao chegar uma pessoa com deficiência para usar ou a rampa ou a porta não existe e ninguém sabe onde enfiaram a chave. Ainda pior, sim caros será pior ler isto, igrejas que pregam a igualdade e as palavras de Jesus Cristo.
Com tudo isso ainda a própria sociedade ignorante e ignóbil, sim para votar num presidente deste só pode, ela mesma faz o papel de exclusão quando olham de cara feias quando um ônibus pára no ponto e demora; o carro de trás começa a buzinar com pressa e ainda ficam os “cochichos” do alem tipo “coitado! Não queria esta assim...”. Eu já ouvi de tudo nesta vida e sinceramente não dei a mínima, porque sei e a prova está no governo, o povo em sua maioria é ignorante. Mas não ignorante de conhecimento, existem mendigos sábios, o que digo é ignorante de entendimento, pois se podem ler milhares de livros e, no entanto, se você não entender o que esta escrito, é e sempre será um ignorante no assunto. Por isso que sempre falo, não existe intelectuais no Brasil, isso é uma afirmação falsa, existe pseudos-intelectuais que repetem o que outros sempre dizem como um bando de papagaios. Ainda pior, onde pensei que encontraria muita inteligência e conhecimento diversos, existe um dos maiores preconceitos que já vi o preconceito acadêmico; não só no que posso ou não fazer, mas eles excluem pessoas religiosas por não terem base cientifica, mas escreverei um artigo sobre isto em breve.
Eu como liderança de uns dos movimentos importante dentro do segmento, Fraternidade Cristã de Pessoa com Deficiência, ouvi muitas coisas e vi muitas coisas. Pessoas sendo acorrentadas por serem deficientes, por terem apenas seus corpos diferentes, que os próprios pais tiram seus filhos dentro da sociedade, tiram do convívio por serem iludidos com religiões medievais que não cabem mais no século vinte e um. Assim, muitos de nós somos excluídos pelos pais que no ápice de sua ignorância e do desespero, se agarram em medos e crenças infundadas. Não deixam seus filhos namorarem, não deixam seus filhos viverem por medo que eles sofram e, no entanto, sofrem com essa atitude. Não é uma forma incoerente de se viver e pensar? Não que não se tenha uma opinião, mas essas pessoas não têm opiniões próprias e vivem se preocupando o que os outros vão dizer, o que os outros vão pensar e para mim, isso não é vida.
Diante disso tudo tenho duas soluções: primeira solução seria fazer uma avaliação psicológica dos pais quando eles recebem a noticia, pois se esses ficarem desesperados diante disto tudo, pode internar que vão sub-proteger essa criança. Entrar numa neurose e conceber qualquer idéia religiosa como se aquela criatura seria castigo divino, ou seja, vai culpar o próprio filho de seus erros do passado; então haveria instituições que ficariam cuidando da pessoa com deficiência, mas como sei que estamos no Brasil e sei que tudo é distorcido, vamos repensar para onde mandaríamos essas pobres almas. Segunda solução seria leis mais rígidas diante desses casos, pois aqui as leis são brandas e até muito fracas diante dessas coisas, levando até quem sabe e num denuncia como cúmplice.
Mas não evoluímos tanto assim dos espartanos para cá, pois quem não sabe, os espartanos jogavam as crianças imperfeitas por não poderem guerrear e serem soldados e não só eles, muitas nações achavam que a imperfeição era castigo dos deuses e matavam seus imperfeitos. Hoje em dia, esses mesmos imperfeitos são escondidos, são acorrentados, trancados em seus quartos por não serem agradáveis ao olharem, por não ser agradável saber que nós temos excitação, que nós também temos fome e vontades. Muitos são como “cachorrinhos”, se dá comida, se dá roupas, e tudo fica bem e ele fica feliz no seu mundinho de faz de conta, mas é apenas mais uma caverna entre muitas outras.
Por que então nossos antepassados lutaram contra se aqui no Brasil ainda temos o preconceito velado? Por que nações morreram para lutar contra o nazismo se seu pensamento é a mais pura essência humana velada na hipocrisia cristã, um preconceito velado dentro do paternalismo cristão? Sabe o que a gestapo, policia nazi, fazia com pessoas como nós? Eles encontravam pessoas com deficiência e nem se davam o trabalho de levar para o campo de concentração, jogavam elas pela janela para terem uma morte digna como determinou o Firher. Só que não evoluímos além disso , nem podemos julgar eles, porque é muito fácil falar dos outros, mas sempre fazemos igual; não é que não se mata, que trancar não seja uma morte, sim o é, uma morte da essência humana que é o sentimento. Nós não podemos sentir nada, porque sentir é motivo de sofrimento, motivo de dar a pessoa com deficiência limitações que ela não pode enfrentar. Ótimo! Estamos ainda vivendo o século dezenove no Brasil, uma religiosidade ainda medieval, onde os senhores feudais limitam o pensar humano.
Hoje tive um sonho que na noite anterior (pois fiz uma pergunta para o Criador), 22 de setembro, que me deixou muito calmo perante o que sou e o meu papel em uns dos núcleos de um movimento que cuida da luta das pessoas com deficiência. Primeiro me vi dentro de um avião onde não era bem um avião comum, mas parecia uma sala de convenções toda branca que voava e todos estavam de branco, havia muitas crianças dentro desse avião (ou sala, como queiram), e eu me via numa cadeira de rodas. Eu ia entrar numa sala onde havia pintura e modelagem, recebi um código para entrar nessa sala, mas ela num tinha algum acesso e não passava no degrau, tinha que empurrar algumas estantes para eu entrar. Bem, Lá dentro tinha muitas crianças pintando e modelando, quando olhei para o lado vi nosso presidente olhando e no segundo momento, vi ele dançando e seu rosto mudando de forma.
Era uma pergunta simples que foi respondida simplesmente, ou seja, temos que ver que cada figura de um sonho é uma imagem refletida que o seu inconsciente faz do que pensamos ou agimos. Como podemos ver a imagem do avião? Muitas pessoas ficam no simbolismo junguiano, mas não posso deixar de salientar que cada ser humano é um ser, um individuo, portanto não podemos padronizar um simbolismo. Mas geralmente, um avião é um transporte rápido de grandes distancias que transporta grandes quantidades, nesse especificamente, estava uma sala de convenções muito grande e com uma coluna. Para quê uma coluna segurando um teto numa sala dentro de um avião? Temos que ter esta sustentação dentro de um transporte que pode balançar e cair, então essa coluna sustenta a sala que é a parte social, simplesmente, o avião (provavelmente o rumo que tomei) deve ser sustentado. Tudo branco, inclusive a coluna, então o rumo que tomei deve ser sustentado pela harmonia em todas as áreas sociais. Bem, tinha uma senha para entrar na sala e com características gregas, pois gosto de filosofia e pode ser (não tenho certeza), uma palavra que traduz meus conhecimentos ou uma senha para entrar neles. Tive que ter ajuda a entrar nessa sala, pois havia obstáculos que me impediam. Um degrau impossibilitava minha entrada junto a estante que estava na frente, tenho que ter ajuda para transpor os obstáculos que me levara para lá, para onde esta onde se modela e onde se pinta as imagens. Crianças têm muito a ver com futuro das coisas, futuro de algo que podemos mudar para melhor no futuro.
Não há em toda história da humanidade registrada, um rei ou governante que realmente tenha um caráter de líder, passou por esse conflito e chegou a conclusão que deveriam lutar pelos seus cidadãos. Lembro do filme sobre os 300 Espartanos que o rei Leônidas liderou sozinho junto ao estreito de Termópilas contra os persas, onde conseguiu matar alguns homens e repeliu outros; teve que deixar tudo para parar a invasão persa e salvar sua terra. Hoje sabemos que é uma forma romântica de contar a historia, mas é interessante que ele teve que tomar uma decisão até mesmo contra a religião vigente, ser contra e deixar até mesmo seu amor. Mas será que ser um líder é deixar todo seu sentimento e sua fé de lado? Bom, penso hoje e sempre pensei, que temos que fortalecer primeiro nós para ajudarmos a quem necessita que esse tipo de herói é logicamente, uma imagem que fazemos do cara que se “sacrifica” por outros. Claro, que pode existi como foi Leônidas, que teve que ser Rei e general numa batalha que lutou pela Grécia (eram estados separados). Talvez mostre sobre ideais e valores que temos que buscar, sempre acreditando que a luta vale a pena.
Quando falamos de ideais não estamos falando de tradicionalismo hipócrita, pois o que atrasa uma nação é parar o pensamento no passado e não enxergar o futuro. Não temos de maneira nenhuma ter que ficar presos no futuro também, então ficamos no equilíbrio de viver o presente, que alias, única certeza que temos. Mas a sociedade cristã, que se diz ter fé nas coisas e nas pessoas, fica presa no passado sempre temendo o futuro e isso atrapalha o presente e trás a dor e a insegurança. Por exemplo, pessoas como eu que contem certa deficiência, as pessoas ainda tem uma visão que nós temos limitações e não podemos certas coisas, somos assexuados e outras balelas. O mundo ocidental, um pouco do oriental também, se apegou um pouco na beleza física como foco de vigor; os gregos davam valor ao porte físico “belo” que predominavam na antiguidade clássica, tanto é, que muitos defeituosos e sem vigor e uma saúde perfeita eram descartados ou deixados em cestos ao relento para morrer. No filme isso é muito bem mostrado, pois Esparta era uma cidade/estado que era guerreira, então não tinha lugar para defeituosos. Éramos mortos jogados em abismos sem remorso, sem piedade. Hoje temos muito mais direitos, porque mesmo achando que não somos capazes de fazer muitas coisas, nos matar seria um ato de desumanização (acorrentar e prender também, mas uma cultura de “ignorante” isso é regra e não exceção). Aprendi que ser uma liderança é muito mais do que conhecer, é saber usar o que lhe conhece e usar corretamente, pois há a diferença de pratica e teoria muito grande. Mas é um assunto para outro momento, o que quero agora é falar sobre ser humano e seu senso comum.
Como vi no filme, o rei Leônidas teve que quebrar tradições graças ao misticismo ancestral, então, teve que ir sozinho com sua guarda pessoal para essa guerra. Pois eram tempo da Carneia e Esparta não podia ir lutar e defender e ajudar Atenas. Assim, ele negou o misticismo e foi defender o que acreditava e deixou os outros falarem sem negar alguma fé, mas os cidadãos e irmãos espartanos eram mais importantes. Temos que às vezes negar o misticismo para dar valor a pessoa humana, a própria fé supre ao misticismo que hoje, junto com a industrialização, “coisificação” do ser humano; a existência fica a cargo de algo superficial e ilusório de tradições que só dominaram o ser humano e sua própria idéia da criação, porque a fé não esta numa imagem de argila, mas em seu próprio coração. Ser líder, liderar pessoas, é acima de tudo enxergar um bem maior do que misticismo e tradições dominantes, de ver políticas e idéias filosóficas são muitas vezes, distorcidos por interesses escusos. Podem corromper religiões, mas se temos a fé verdadeira, não se pode corromper, pois o Criador não quer altares e sim, um ser humano feliz.
Tais concepções me assustam porque as pessoas se prendem em crenças e esquecem de pessoas, o mais importante não é a parte externa, mas a parte interna. Foi isso que mostrou o filme, a historia humana nos mostrou que a religião e a política sempre se corromperam e tanto uma como a outra, não se preocuparam com as pessoas. Tanto fazia se ia morrer milhões ou iriam ser escravos, eles vendiam seus súditos para o bem de seus bolsos, para o bem material. Nesses tempos de coordenação, aprendi que mesmo não concordando com alguns aspectos da tradição do movimento tenho que respeitar a vontade da maioria e muitas situações “engolir sapos” enormes! Sinto que amadureço a cada dia, tanto nesse aspecto, como no aspecto pessoal, no meu namoro, na minha família. Você aprende a se conhecer e traçar seu limite dentro de cada área da sua vida e isso que se faz um bom líder, um que se preocupa muito mais com pessoas do que ideologias e místicas religiosas sem fundamento.
Já dizia o grande pensador Rambo em seu segundo filme: “numa guerra você tem que viver a guerra…”. Ora, se você segue algo tem que viver esse “algo”, se você acredita então você tem que acreditar nessa crença, se você vive um namoro tem que viver a essência desse namoro. Até mesmo dentro do movimento, algumas pessoas dizem que na teoria é muito bonita, mas na prática as pessoas são o que elas são. O que seria pratica? O movimento não é “pratica”? O que estou fazendo então tendo o maior trabalho de arrumar todo mês uma reunião se as pessoas não deixam o maldito senso comum? Daí vem o pensamento que essas pessoas não querem deixar o “senso comum” por causa da acomodação de não sair da rotina que estão acostumadas, de achar que suas “crenças” populares cheias de preconceitos e outras coisas mais, estão certas. Tradicionalismo me lembra coisas antigas, idéias antigas, mas não vamos matar uma idéia rápido demais; é um processo demorado, é um processo que demorara muito, pois temos que ter o respeito necessário sim, mas temos que ter um certo equilíbrio, como dizem, nem muito ao mar nem muito a terra.
Então como fazer para trabalhar no senso comum cheio de preconceitos e tudo mais de mal? Eu acredito que as pessoas não são o que elas são, elas foram moldadas para o bem de poucos, tanto na religião quanto na política. Enquanto não deixarem o senso comum de lado, enquanto não deixarem seus preconceitos, não vai fazer com que as pessoas assumam suas próprias ações. As escolhas são nossas e essas escolhas que Jesus nos ensinou com a parábola da arvore dos frutos, que aliás, muitos desses mestres nos ensinaram que só recebemos o que damos.
Penso que minha idéia de unidade seja igual as falanges espartanas, pois o amigo sempre erguer o escudo para defender o companheiro da esquerda. Se um não consegue, a falange se despedaça como uma muralha que um tijolo não foi posto direito, então dessa forma era imbatível. O que acontece onde eu coordeno? A falange se despedaça muito fácil por interesses diversos, por motivos pessoais que muitos cultivam por ser muito mais cômodo a eles. Mas para manter a unidade é essencial ter em mente os desígnios daquilo que chamamos de ideal, de motivo para tal união.