
Por Amauri Nolasco Sanches Jr
filosofia-pensamento


Vamos pensar no momento que estamos dentro de nosso país que não mudou muito dês de quando foi explorado, que alias, continua sendo. Mas vamos lá! Num país que pensa-se que uma pessoa que ganha mil reais por mês é de classe media não é de estranhar a distorção de tantas coisas que na sua importância, não deveriam ser distorcidas. Algumas remanescentes idéias ainda vigoram como classes especiais ou lugares que só abrigam a pessoa com deficiência como se ele ouve-se de ser acometido de uma doença grave, como aqui em São Paulo existem classes especiais da AACD e o estabelecimento estadual (dirigido pela esposa do governador Serra), Estação Especial da Lapa. Onde nada mais é do que depósitos de pessoas, e no caso da Estação Especial da Lapa, são tratados como crianças, mas o caso é um pouco mais grave.
Acabo de ler um artigo em um blog intitulado “APARTHEID CONTRA A PESSOA COM DEFICIÊNCIA” escrito por “Ana Paula Crosara de Resende”, que fala muito bem em uma Apartheid dentro da sociedade com a pessoa com deficiência. Para quem não sabe, Apartheid é uma palavra africana que quer dizer “vida separada” que foi usada pelo regime que os homens brancos detinham o poder e os povos restantes deveriam viver separados dos verdadeiros cidadãos na África do Sul. É o que a autora argumenta, podemos ter leis que regulamentam rampas e portas especiais, mas ao chegar uma pessoa com deficiência para usar ou a rampa ou a porta não existe e ninguém sabe onde enfiaram a chave. Ainda pior, sim caros será pior ler isto, igrejas que pregam a igualdade e as palavras de Jesus Cristo.
Com tudo isso ainda a própria sociedade ignorante e ignóbil, sim para votar num presidente deste só pode, ela mesma faz o papel de exclusão quando olham de cara feias quando um ônibus pára no ponto e demora; o carro de trás começa a buzinar com pressa e ainda ficam os “cochichos” do alem tipo “coitado! Não queria esta assim...”. Eu já ouvi de tudo nesta vida e sinceramente não dei a mínima, porque sei e a prova está no governo, o povo em sua maioria é ignorante. Mas não ignorante de conhecimento, existem mendigos sábios, o que digo é ignorante de entendimento, pois se podem ler milhares de livros e, no entanto, se você não entender o que esta escrito, é e sempre será um ignorante no assunto. Por isso que sempre falo, não existe intelectuais no Brasil, isso é uma afirmação falsa, existe pseudos-intelectuais que repetem o que outros sempre dizem como um bando de papagaios. Ainda pior, onde pensei que encontraria muita inteligência e conhecimento diversos, existe um dos maiores preconceitos que já vi o preconceito acadêmico; não só no que posso ou não fazer, mas eles excluem pessoas religiosas por não terem base cientifica, mas escreverei um artigo sobre isto em breve.
Eu como liderança de uns dos movimentos importante dentro do segmento, Fraternidade Cristã de Pessoa com Deficiência, ouvi muitas coisas e vi muitas coisas. Pessoas sendo acorrentadas por serem deficientes, por terem apenas seus corpos diferentes, que os próprios pais tiram seus filhos dentro da sociedade, tiram do convívio por serem iludidos com religiões medievais que não cabem mais no século vinte e um. Assim, muitos de nós somos excluídos pelos pais que no ápice de sua ignorância e do desespero, se agarram em medos e crenças infundadas. Não deixam seus filhos namorarem, não deixam seus filhos viverem por medo que eles sofram e, no entanto, sofrem com essa atitude. Não é uma forma incoerente de se viver e pensar? Não que não se tenha uma opinião, mas essas pessoas não têm opiniões próprias e vivem se preocupando o que os outros vão dizer, o que os outros vão pensar e para mim, isso não é vida.
Diante disso tudo tenho duas soluções: primeira solução seria fazer uma avaliação psicológica dos pais quando eles recebem a noticia, pois se esses ficarem desesperados diante disto tudo, pode internar que vão sub-proteger essa criança. Entrar numa neurose e conceber qualquer idéia religiosa como se aquela criatura seria castigo divino, ou seja, vai culpar o próprio filho de seus erros do passado; então haveria instituições que ficariam cuidando da pessoa com deficiência, mas como sei que estamos no Brasil e sei que tudo é distorcido, vamos repensar para onde mandaríamos essas pobres almas. Segunda solução seria leis mais rígidas diante desses casos, pois aqui as leis são brandas e até muito fracas diante dessas coisas, levando até quem sabe e num denuncia como cúmplice.
Mas não evoluímos tanto assim dos espartanos para cá, pois quem não sabe, os espartanos jogavam as crianças imperfeitas por não poderem guerrear e serem soldados e não só eles, muitas nações achavam que a imperfeição era castigo dos deuses e matavam seus imperfeitos. Hoje em dia, esses mesmos imperfeitos são escondidos, são acorrentados, trancados em seus quartos por não serem agradáveis ao olharem, por não ser agradável saber que nós temos excitação, que nós também temos fome e vontades. Muitos são como “cachorrinhos”, se dá comida, se dá roupas, e tudo fica bem e ele fica feliz no seu mundinho de faz de conta, mas é apenas mais uma caverna entre muitas outras.
Por que então nossos antepassados lutaram contra se aqui no Brasil ainda temos o preconceito velado? Por que nações morreram para lutar contra o nazismo se seu pensamento é a mais pura essência humana velada na hipocrisia cristã, um preconceito velado dentro do paternalismo cristão? Sabe o que a gestapo, policia nazi, fazia com pessoas como nós? Eles encontravam pessoas com deficiência e nem se davam o trabalho de levar para o campo de concentração, jogavam elas pela janela para terem uma morte digna como determinou o Firher. Só que não evoluímos além disso , nem podemos julgar eles, porque é muito fácil falar dos outros, mas sempre fazemos igual; não é que não se mata, que trancar não seja uma morte, sim o é, uma morte da essência humana que é o sentimento. Nós não podemos sentir nada, porque sentir é motivo de sofrimento, motivo de dar a pessoa com deficiência limitações que ela não pode enfrentar. Ótimo! Estamos ainda vivendo o século dezenove no Brasil, uma religiosidade ainda medieval, onde os senhores feudais limitam o pensar humano.
Hoje tive um sonho que na noite anterior (pois fiz uma pergunta para o Criador), 22 de setembro, que me deixou muito calmo perante o que sou e o meu papel em uns dos núcleos de um movimento que cuida da luta das pessoas com deficiência. Primeiro me vi dentro de um avião onde não era bem um avião comum, mas parecia uma sala de convenções toda branca que voava e todos estavam de branco, havia muitas crianças dentro desse avião (ou sala, como queiram), e eu me via numa cadeira de rodas. Eu ia entrar numa sala onde havia pintura e modelagem, recebi um código para entrar nessa sala, mas ela num tinha algum acesso e não passava no degrau, tinha que empurrar algumas estantes para eu entrar. Bem, Lá dentro tinha muitas crianças pintando e modelando, quando olhei para o lado vi nosso presidente olhando e no segundo momento, vi ele dançando e seu rosto mudando de forma.
Era uma pergunta simples que foi respondida simplesmente, ou seja, temos que ver que cada figura de um sonho é uma imagem refletida que o seu inconsciente faz do que pensamos ou agimos. Como podemos ver a imagem do avião? Muitas pessoas ficam no simbolismo junguiano, mas não posso deixar de salientar que cada ser humano é um ser, um individuo, portanto não podemos padronizar um simbolismo. Mas geralmente, um avião é um transporte rápido de grandes distancias que transporta grandes quantidades, nesse especificamente, estava uma sala de convenções muito grande e com uma coluna. Para quê uma coluna segurando um teto numa sala dentro de um avião? Temos que ter esta sustentação dentro de um transporte que pode balançar e cair, então essa coluna sustenta a sala que é a parte social, simplesmente, o avião (provavelmente o rumo que tomei) deve ser sustentado. Tudo branco, inclusive a coluna, então o rumo que tomei deve ser sustentado pela harmonia em todas as áreas sociais. Bem, tinha uma senha para entrar na sala e com características gregas, pois gosto de filosofia e pode ser (não tenho certeza), uma palavra que traduz meus conhecimentos ou uma senha para entrar neles. Tive que ter ajuda a entrar nessa sala, pois havia obstáculos que me impediam. Um degrau impossibilitava minha entrada junto a estante que estava na frente, tenho que ter ajuda para transpor os obstáculos que me levara para lá, para onde esta onde se modela e onde se pinta as imagens. Crianças têm muito a ver com futuro das coisas, futuro de algo que podemos mudar para melhor no futuro.
Não há em toda história da humanidade registrada, um rei ou governante que realmente tenha um caráter de líder, passou por esse conflito e chegou a conclusão que deveriam lutar pelos seus cidadãos. Lembro do filme sobre os 300 Espartanos que o rei Leônidas liderou sozinho junto ao estreito de Termópilas contra os persas, onde conseguiu matar alguns homens e repeliu outros; teve que deixar tudo para parar a invasão persa e salvar sua terra. Hoje sabemos que é uma forma romântica de contar a historia, mas é interessante que ele teve que tomar uma decisão até mesmo contra a religião vigente, ser contra e deixar até mesmo seu amor. Mas será que ser um líder é deixar todo seu sentimento e sua fé de lado? Bom, penso hoje e sempre pensei, que temos que fortalecer primeiro nós para ajudarmos a quem necessita que esse tipo de herói é logicamente, uma imagem que fazemos do cara que se “sacrifica” por outros. Claro, que pode existi como foi Leônidas, que teve que ser Rei e general numa batalha que lutou pela Grécia (eram estados separados). Talvez mostre sobre ideais e valores que temos que buscar, sempre acreditando que a luta vale a pena.
Quando falamos de ideais não estamos falando de tradicionalismo hipócrita, pois o que atrasa uma nação é parar o pensamento no passado e não enxergar o futuro. Não temos de maneira nenhuma ter que ficar presos no futuro também, então ficamos no equilíbrio de viver o presente, que alias, única certeza que temos. Mas a sociedade cristã, que se diz ter fé nas coisas e nas pessoas, fica presa no passado sempre temendo o futuro e isso atrapalha o presente e trás a dor e a insegurança. Por exemplo, pessoas como eu que contem certa deficiência, as pessoas ainda tem uma visão que nós temos limitações e não podemos certas coisas, somos assexuados e outras balelas. O mundo ocidental, um pouco do oriental também, se apegou um pouco na beleza física como foco de vigor; os gregos davam valor ao porte físico “belo” que predominavam na antiguidade clássica, tanto é, que muitos defeituosos e sem vigor e uma saúde perfeita eram descartados ou deixados em cestos ao relento para morrer. No filme isso é muito bem mostrado, pois Esparta era uma cidade/estado que era guerreira, então não tinha lugar para defeituosos. Éramos mortos jogados em abismos sem remorso, sem piedade. Hoje temos muito mais direitos, porque mesmo achando que não somos capazes de fazer muitas coisas, nos matar seria um ato de desumanização (acorrentar e prender também, mas uma cultura de “ignorante” isso é regra e não exceção). Aprendi que ser uma liderança é muito mais do que conhecer, é saber usar o que lhe conhece e usar corretamente, pois há a diferença de pratica e teoria muito grande. Mas é um assunto para outro momento, o que quero agora é falar sobre ser humano e seu senso comum.
Como vi no filme, o rei Leônidas teve que quebrar tradições graças ao misticismo ancestral, então, teve que ir sozinho com sua guarda pessoal para essa guerra. Pois eram tempo da Carneia e Esparta não podia ir lutar e defender e ajudar Atenas. Assim, ele negou o misticismo e foi defender o que acreditava e deixou os outros falarem sem negar alguma fé, mas os cidadãos e irmãos espartanos eram mais importantes. Temos que às vezes negar o misticismo para dar valor a pessoa humana, a própria fé supre ao misticismo que hoje, junto com a industrialização, “coisificação” do ser humano; a existência fica a cargo de algo superficial e ilusório de tradições que só dominaram o ser humano e sua própria idéia da criação, porque a fé não esta numa imagem de argila, mas em seu próprio coração. Ser líder, liderar pessoas, é acima de tudo enxergar um bem maior do que misticismo e tradições dominantes, de ver políticas e idéias filosóficas são muitas vezes, distorcidos por interesses escusos. Podem corromper religiões, mas se temos a fé verdadeira, não se pode corromper, pois o Criador não quer altares e sim, um ser humano feliz.
Tais concepções me assustam porque as pessoas se prendem em crenças e esquecem de pessoas, o mais importante não é a parte externa, mas a parte interna. Foi isso que mostrou o filme, a historia humana nos mostrou que a religião e a política sempre se corromperam e tanto uma como a outra, não se preocuparam com as pessoas. Tanto fazia se ia morrer milhões ou iriam ser escravos, eles vendiam seus súditos para o bem de seus bolsos, para o bem material. Nesses tempos de coordenação, aprendi que mesmo não concordando com alguns aspectos da tradição do movimento tenho que respeitar a vontade da maioria e muitas situações “engolir sapos” enormes! Sinto que amadureço a cada dia, tanto nesse aspecto, como no aspecto pessoal, no meu namoro, na minha família. Você aprende a se conhecer e traçar seu limite dentro de cada área da sua vida e isso que se faz um bom líder, um que se preocupa muito mais com pessoas do que ideologias e místicas religiosas sem fundamento.
Já dizia o grande pensador Rambo em seu segundo filme: “numa guerra você tem que viver a guerra…”. Ora, se você segue algo tem que viver esse “algo”, se você acredita então você tem que acreditar nessa crença, se você vive um namoro tem que viver a essência desse namoro. Até mesmo dentro do movimento, algumas pessoas dizem que na teoria é muito bonita, mas na prática as pessoas são o que elas são. O que seria pratica? O movimento não é “pratica”? O que estou fazendo então tendo o maior trabalho de arrumar todo mês uma reunião se as pessoas não deixam o maldito senso comum? Daí vem o pensamento que essas pessoas não querem deixar o “senso comum” por causa da acomodação de não sair da rotina que estão acostumadas, de achar que suas “crenças” populares cheias de preconceitos e outras coisas mais, estão certas. Tradicionalismo me lembra coisas antigas, idéias antigas, mas não vamos matar uma idéia rápido demais; é um processo demorado, é um processo que demorara muito, pois temos que ter o respeito necessário sim, mas temos que ter um certo equilíbrio, como dizem, nem muito ao mar nem muito a terra.
Então como fazer para trabalhar no senso comum cheio de preconceitos e tudo mais de mal? Eu acredito que as pessoas não são o que elas são, elas foram moldadas para o bem de poucos, tanto na religião quanto na política. Enquanto não deixarem o senso comum de lado, enquanto não deixarem seus preconceitos, não vai fazer com que as pessoas assumam suas próprias ações. As escolhas são nossas e essas escolhas que Jesus nos ensinou com a parábola da arvore dos frutos, que aliás, muitos desses mestres nos ensinaram que só recebemos o que damos.
Penso que minha idéia de unidade seja igual as falanges espartanas, pois o amigo sempre erguer o escudo para defender o companheiro da esquerda. Se um não consegue, a falange se despedaça como uma muralha que um tijolo não foi posto direito, então dessa forma era imbatível. O que acontece onde eu coordeno? A falange se despedaça muito fácil por interesses diversos, por motivos pessoais que muitos cultivam por ser muito mais cômodo a eles. Mas para manter a unidade é essencial ter em mente os desígnios daquilo que chamamos de ideal, de motivo para tal união.
O pensamento de Sartre remete a nata do pensamento existencialista de fazer escolhas, porque sempre fazemos do outro nosso próprio inferno, mas nosso próprio inferno é feito de nossas próprias escolhas. A celebre frase mostra que vamos criar ao longo de nossa existência uma mascara social que remete tudo que é moralmente aceito, como que roupa vestir, como se portar, como amar, como aceitar e toda essa conduta mecanicista. Nesse inferno que o próprio ser humano faz sempre tem que culpar de fora para dentro e não de dentro para fora, porque sim, somos responsáveis pelos nossos atos.
Nesse ato segundo o filosofo: "Tu és metade vítima, metade cúmplice, como todos os outros", ou seja, somos responsáveis pelo que nos vitima; não adianta ter um ar de vitima, pois somos parte vitima e parte cúmplice com tudo que nos acontece. Isso é um ato de escolher o que se deve escolher, ou um ato de ser o que se deve ser, parte do principio de toda causa consiste em um efeito; pois toda dor é uma escolha de se ficar com ela, ou jogá-la fora. Mas têm antes do nosso ato de escolha a certeza que somos vitima e cúmplice ao mesmo tempo juiz e réu de seus próprios “crimes” de si mesmos.
O precursor do existencialismo Kierkegaard, dizia que o ser humano é levado a angustia porque nas escolhas sempre teremos uma ponta de angustia. A angustia vem de querer fazer escolhas e essas escolhas nos fazem escolher o nosso caminho e o caminho nem sempre é bom. Mas essa procura é a existência da procura de Deus, alcançar seu poder e seu espírito e isso só podem ser alcançados com a fé; mas nem sempre temos fé naquilo que não vemos, temos que ter uma visão e ai acontece a angustia, a procura do espírito universal fora de nós, mas ele esta em si mesmo e esse espírito que nos faz escolher, nos faz amar ou odiar uma pessoa ou outra coisa.
Erich Fromm, psicanalista alemão, diz que esse amor que tanto procuramos é nossa separação com a natureza que esta muito bem escrita nos Gêneses onde o homem comeu o fruto da ciência do conhecimento e saiu da condição de animal no meio de todos, para integrar a cadeia evolutiva de homo sapiens sapiens. Mas essa separação causou uma grande perda dentro de si e uma grande angustia como existe a polaridade masculina e feminina, existe um querer integrar um ao outro; daí essa procura desenfreada da chamada “alma gêmea” e integrar-se mutuamente; esse outro ser humano vai suprir essa perda, mas esse integrar e querer conhecer o outro ser humano ele se torna um sádico. Por que o sadismo? Uma criança para conhecer tem que quebrar, tem que destruir, porque assim ela vê o objeto por inteiro; mesmo um animal, pensamos que está judiando, mas ela esta conhecendo. Mas o conhecer é machucar o individuo porque estamos desmontando ele para conhecer, para ver se é igual o que pensamos que era; muitas vezes não é, mas queremos que fosse.
Mas até onde podemos se submeter a vontade alheia para preservar nossa integridade social? Quando vivemos em sociedade, vivemos com mascaras sociais diversas e de todo tipo, para enquadrar dentro de nossa sociedade. Muitas dessas mascaras foram forjadas para a manipulação social junto com o meio que predomina, como por exemplo, nos Estados Unidos da America predomina o pensamento protestante pela maioria o ser. No mundo grego antigo predominava a escultura bela, o corpo belo por causa do deus Eros, tanto que a palavra erótica vem desse deus e há uma diferença significativa com pornografia; pois uma imagem erótica é uma imagem que dá uma idéia apenas no ato sexual, mas a pornografia é a imagem clara. Não entramos em detalhes, mas o que predominava era o belo na perfeição que foi distorcido pelos nazistas na predominância da raça dita ariana; mesmo o porquê, toda raça de pele branca veio dos arianos, mas é um assunto para outro artigo. Quando uma sociedade predomina uma mascara social, como vimos nos estudanenses e os gregos antigos, tendem a determinar que aquela imagem tenha que ser a comum que para ter uma real convivência social. Hoje predomina a educação de submissão por causa da vergonha, porquanto as pessoas devem dar tudo pelas amizades e nada para si, porque o que conta é o agrado e a boa convivência dos outros. Não se trata de egoísmo.
O egoísta não tem respeito nem com ele por isso não pode ter amor próprio, não pode agradar ninguém porque ele mesmo não se agrada porque ele vive seu próprio mundo; o narcisismo freudiano é diferente, porque ele não tem nem respeito próprio e nem egoísmo, ele tem a libido pra ele próprio. É até estranho, mas ele tem uma atração por ele próprio e somente ele será belo. Como a lenda de Narciso que ao olhar seu reflexo no rio fica hipnotizado, que cai dentro do lago e morre afogado, é o que acontece com uma pessoa narcisista ele fica hipnotizada e não vê mais nada. Mas o respeito em si próprio é a predominância de si sem ser egoísta e nem narcisista, apenas respeitar as vontades de si próprio e deixar bem claro.
Mas a maioria não deixa tão claro assim e fica na premissa que devemos achar que os outros têm que perceber o que sentimos o que amamos o que achamos e não é verdade. Quando fazemos uma escolha temos que deixar bem claro para quem e para que aquela escolha sirva, não ficar querendo que o outro descubra isso, mas a grande maioria quer assim. O grande erro do ser humano, isso é conseqüência de uma sociedade neurótica industrial, é a insegurança de seus próprios atos graças à imposição de séculos inquisitória, que levou o ser humano a se recolher para dentro de si mesmo e não falar o que pensa e o que sente; parece exagero, mas toda obra de psicologia e psicanálise, fala de um inconsciente que vem dês de nossos ancestrais que foram podados na idade media. Já as pessoas orientais têm outro mecanismo de mecanizar o ser humano, como se ele pensar por si mesmo, sairá do controle.
O controle social é muito importante para o capitalismo predominante, não só o capitalismo como também nos ditos países socialistas e nos países com outros regimes, que controlam a massa. Nietzsche dizia que a massa tem espírito de rebanho, pois se deixava levar para o matadouro. Mas é muito complexo hoje em dia, tal afirmação requer uma analise minuciosa para entendermos essa predominância pacifica, pois três fatores impedem a rebelião da massa. Primeiro existe o interesse, por ter o que para alguns, interessa a massa não se rebela e assim, para eles tudo é muito cômodo. Segundo, está de alguma maneira ligada a primeira questão, que é por muito tempo feita pelos governantes e que veio de Roma antiga, a política de “pão e circo”, ou melhor, dizendo “pane circus”, que consiste em dar ao povo o que ele quer: que em Roma dava-se pão e shows de gladiadores para agradar e divertir os súditos, ou cidadãos. O que acontece hoje com a predominância capitalista, se dá o divertimento levado pelo futebol, pelo automobilismo, pela propaganda que para sermos saudáveis temos que fumar, beber e ir a balada, que sexo se deve fazer e é saudável, mas use camisinha (que lógico enriquece as industrias que mencionei), de uma forma clara é o ponto chave de alienar a grande massa. Terceiro, a educação familiar e não a escolar, pode deixar a massa pacifica e conformista já que se todos podem evoluir, mas não querem por achar que nunca vão alcançar uma melhor condição; isso é agravado com as religiões que pregam a paz de espírito, que nada mais é do que pacificar a massa.
Por falar em religião, já que tanto pregam dar a outra face, tanto Jesus como outros mensageiros do “EU SOU” (porque assim disse a Moises), disseram que devemos amar-nos para assim amar ao próximo. A arte de amar, como toda arte, tem que ser aprendida com pratica, amar é a pratica de fazer escolhas e mesmo amar a si mesmo é uma pratica, a pratica de respeitar a si mesmo. Dizer que ama uma pessoa ou a si mesmo é muito fácil, porque palavras são ditas todas as horas e todos os dias, mas fazer amar e amar é muito difícil pelo ser humano ainda não diferenciar suas escolhas. As escolhas são as ações de ficar ou ir, de escrever ou ler, de comer ou não, de amar ou odiar; pois temos ainda a idéia romântica que não escolhemos quem ficamos, mas realmente escolhemos, por inúmeras associações. Essas associações são o que idealizamos como uma escolha são as culturas e o que uma comunidade pensa.
Tudo isso é apenas o mundo em que o grande mal do século XX é a solidão porque a arte de se amar e de amar outros ficou desconsiderado, ficou uma coisa subjetiva, uma coisa desconsiderada, ficou uma coisa associada apenas no sexo. Mas como eu disse, temos idealizações que associamos ao ser que queremos ao nosso lado, muito porem, que muitas delas são ilusões. Essas ilusões (como li no livro do historiador Pedro Paulo Funari, Grécia e Roma, uma definição de publicitário ótima, que são os sofistas de agora por vender um mundo ideológico e ilusório. Apesar de fazer um ano e meio de publicidade e propaganda, posso dizer que o problema é da universidade que negou me dar bolsa de estudos, assim, nada tenho com os novos sofistas e posso fazer também essa associação), são criadas dentro da publicidade deixando um mundo de fantasia e um amor cheio de sorrisos, um respeito próprio artificial e fazendo o ser humano um misero produto. Ele se torna a medida de todas as coisas dês que ele compre, ele consuma, o amor próprio e o respeito é ser descolado, é ter um sorriso de comercial de pasta de dente. Será que eu escolher comprar algo porque isso me trás status é um direito de escolha ou uma ilusão que criaram em minha mente? Será que o menino que quer uma calça da moda ou um tênis para ter status para aparecer é uma escolha ou uma medida da ditadura do sofista publicitário, que pode sim ser responsáveis por inúmeros crimes e amores ilusórios? Mas ai voltamos a Sartre, porque embora temos uma ditadura ideológica e estética dos sofistas publicitários, temos uma parte vitima e uma parte culpado.
Vitima por ainda não tirarmos, ou, não temos mecanismos para nos livrar de todas as ilusões que somos expostos. Culpados porque temos o habito de aceitação de tudo que ouvimos ou vemos, como se aquilo fosse à maior verdade de todos os tempos. Imagine agora um motorista bêbado, mesmo ele escolher consumir bebida alcoólica para se autodestruir, será inevitável ele ou se matar (uma escolha dele), ou colidir com um e a escolha só irá interferir a si mesmo. Mas se colidir com outro automóvel e matar ou ferir outra pessoa, vai interferir na escolha dela e interferir a outrem; então as escolhas podem muito bem interferir a si ou a outrem, mas que nos dois casos, existem os fatos e suas causas. Portanto, muitas escolhas são reflexos de ilusões que ao longo da vida são nos dados em pautas.
Talvez a grande dificuldade é assumir o que somos, o que nossa natureza compota de si, a existência de nossas próprias vontades; se não temos autonomia e nem eles para desfrutar, então é melhor nem fazer nada e ficar vendo as sombras da caverna. Isso mesmo, a caverna platônica que somos acorrentados olhando sombras em uma parede onde pensamos ser verdade, é mera projeção daquilo que nos fazem pensar que seja uma verdade. A verdade nos liberta e nessa liberdade sabemos nos respeitar e respeitar o outrem, assim sendo, somos condenados a ser livres por conter nessas escolhas particulares e que reflete dentro da historia humana, pois reflete dentro da sociedade como um todo.