domingo, junho 15, 2014

Copa das Coxinhas com catupiry ou com katshup?










Por Amauri Nolasco Sanches Junior


quando comecei a ler filosofia, me deparei com o principio socrático que deveríamos conhecer a si mesmo, porque só descobriríamos quem somos, conhecendo nossa própria natureza. Depois descobri que Sócrates de Atenas, tinha tomado emprestado a frase na entrada do Oráculo de Delfos que honrava o deus Apolo de Piton, que era o deus solar da morte súbita, das curas de doenças e pragas, também era o deus da harmonia, beleza e perfeição que assegurava o equilíbrio e a razão. Mas no Oraculo, chamava a atenção que dizia que quando conhecêssemos a nós mesmos, conheceríamos os deuses e o universo e por isso era tão importante. Conheceríamos nossa parte espiritual (deuses) e nossa parte material da terceira dimensão (universo) que nos fez existir e viver aqui nesse planeta e nesse momento. Depois eu li Heráclito de Éfeso que disse que tudo flui, não entramos na mesma água do rio duas vezes, porque o tempo vai mudando os fatos e os fatos não são eternos e nem as verdades são absolutas como disse Nietzsche muitos séculos após Heraclito, mas baseado nesse mesmo principio. Ora, se tudo flui e nada é absoluto e se nos conhecemos sabemos da nossa força e garra e conhecemos mais coisas que poderíamos conhecer, por que apoiar uma esquerda brasileira que se agarrou em estereótipos e uma direita que se agarrou em verdades absolutas?

Michel Foucault, grande nome da filosofia do século XX, disse que há uma figura dentro da normalidade – aquilo que se enfiou nas culturas ocidentais dês do século dezoito – em que aquilo que entra como aceitável dentro de um programa efetivo dentro de uma sociedade “governável”. É o que alguns vão chamar de sociedade padrão, um controle de comportamento onde o cidadão deve seguir, uma maquina óptica universal de controle humana. Isso se chama Panóptico e foi idealizado no século dezoito para criar uma imagem de ser humano que pudesse serem prisioneiros em delimitações morais e sociais, muitas vezes, levados ao interesses governamentais. Se repararmos bem – isso é uma visão muito acima daquilo que chamamos de direita ou esquerda – todas as ideologias foram formadas com base desse panóptico depois do século dezoito e isso, nenhum indivíduo que estude filosofia de verdade, pode negar. Por que isto? Porque para ser um cidadão respeitado, devemos saber todas as artimanhas de todo tipo para enxergar coisas que a sociedade determina como “certa”. Esse “certo” é sempre determinado com algum interesse daquilo que a sociedade determina diante da imagem que a informação procura mostrar, se mostrar que determinada pessoa não faz e não é o protótipo daquilo que a moral determina, ele é rejeitado como algo fora do normal. Mas essa informação sempre é dada para determinar esse tipo de fronteira entre um e outro e não a nos conhecer como ensinou a sabedoria antiga, porque o modo pós-moderno de pensamento, se conhecer é determinar o ultimo motivo de nossas vidas.

Não pararmos para olharmos nosso interior e olharmos aquela informação com um ar critico, não com um olhar dos valores que carregamos da ética e moral da cultura que vivemos ou pensamos ser verdade, mas com um olhar com que razão aquela informação nos é dada. Dai chegamos a nossa própria visão dos fatos que levaram aquela informação e o porque ela foi disseminada. Tudo nesse momento que vivemos aqui, é transformado em espetáculo porque sempre pende a um dos lados possíveis sendo ou de um lado, ou de outro e a analise sempre fica pobre e desqualificada. Quando falamos em vaias e xingamentos da presidenta Dilma Rousseff, não devem ser analisadas nem como um protesto da direita porque muitas vezes, varias vezes, muitos desses cidadãos votaram nela e ela é presidenta de toda a nação, queiramos ou não. Para entendemos melhor, vamos dizer que os cidadãos não respeitaram nada porque além das ideologias e opiniões, ela é a chefe de Estado e nada vai mudar isso (nas urnas isso deve ser mudado). Por outro lado, sem a menor duvida, é uma ação legitima e democrática, para expressar uma indignação daquilo que se viu em todo o tempo que a Copa foi preparada, onde escolas não foram construídas, hospitais não foram construídos, obras estão inacabadas, sempre visando o populismo flagrado e quase já engendrado na cultura sul americana. Porque nascemos da ganancia europeia e não temos uma cultura solida e ainda herdamos esse panóptico que o filosofo Foucault alertou no seculo passado.

O termo “coxinha” nasce de uma esquerda brasileira cheia de estereótipos infantis – concordo com Frei Beto quando diz que há cidadãos de esquerda e cidadãos esquerdistas, porque o esquerdista sempre é o cara que fica com “apelidos” igual que damos nas escolas e pode sim ser chamado de um discurso de uma sociedade padronizada na cultura esquerdista – que quer dizer (além daquilo que sabemos que eram os guardas que achavam que poderiam comer coxinha de graça), são pessoas que se fecham em uma ideia só, porque a coxinha não tem outro recheio a não ser aquele. Outra característica é que ele se fecha num mundo que acredita ser o que ele pensa ser justo, não o mundo que milhares de pessoas podem sentir outra coisa ou podem pensar outra coisa. Ora, se pensarmos nessa linha de raciocinio, todos tendem a isso e não só o indivíduo que é mimado, que o pai paga tudo, até tem uma certa consciência social, mas não quer perder a “boquinha” e sim, também o indivíduo que tem consciência social, mas inventa estereótipos diversos para desqualificar a discussão. Por isso inventei a designação de coxinha com catupiry (direitista) e a coxinha com katshup (esquerdista), mas tem o mesmo recheio de frango (interesses). Ou seja, os dois lados usam a sociedade padrão – a sociedade disciplinar – para moldar o que está em volga ideologicamente e o que está em voga o interesse onde esse panóptico leva o discurso e para onde a informação deve ir. Tudo isso sempre visando não olharmos dentro de si mesmos e isso, muito claramente, é levado a ser projetado dentro da religião e os meios para colocar o ser humano como servo (a vontade de sempre estar protegido por um pai) de um tutor que vai lhe dizer que você não é capaz de pensar ou agir por si mesmo. O comunismo e as ideologias desse tipo, também visam isso e colocam sempre o povo como um ser dependente do governo, como ele fosse um pai ou ideologias liberais, que você dependem das coisas. Sempre dependemos de algo e nunca vamos fazer algo porque sabemos que somos uma determinada maneira, ou por nossa própria vontade de fazer.

As pessoas sempre tendem a querer tutores como o filosofo Immanuel Kant disse num artigo dele, que as pessoas tem preguiça ou não querem sair da sua menoridade porque sempre querem ser tutorados. A menoridade, nesse caso, não é a idade e sim, o esclarecimento para sair desses tutores morais ou ideológicos. Esse fenômeno se dá no processo da dependência do ser humano – seja homem ou mulher – de um fator que possa tirar ele dessa situação, seja uma imagem divina, seja um herói ou uma ideologia politica, mas tenha um papel determinante em tudo aquilo que vai tira-lo, em tese, de sua pobreza. Por isso muitos ainda acreditam em religiões que prometem rios de coisas, porque a redenção de seus pecados – sempre o pecado é aquilo que a sociedade condena graças ao maquinario moral e cultural do ensino – e não mais, religa nós com seres ou o ser divino como eram as religiões do passado. Muitas delas, se capitalizaram com a promessa que todos vão ter o que querem quando se redimirem de seus pecados. Lembramos que o pecado é a imagem de tudo que o poder não pode enfrentar para dominar, porque se não for iliminada esses fatores, os fatores serão um “entrave”, um virus no corpo são. Por que temos que viver humildes e sempre aceitar as coisas que as pessoas (no caso o sacerdote) nos dizem? O mesmo ocorre dentro das ideologias politicas, você não pode sair do ensinamento que trazem a cartilha, você tem que seguir o estereótipo da esquerda quando quer uma mudança e tem que seguir o estereótipo da direita quando você não quer nenhuma mudança e é conservador. Mas e quando você não esta de acordo nem com as ideias de um ou com as ideias do outro? Muitos dizem serem anacocapitalistas (os libertários são chamados anarcocapitalistas, mas não tem nada a ver porque sua raiz é capitalista democrata), outros dizem ser apartidários, outros dizem serem pessoas que não se encontraram e outros ainda, chamam de coxinha enrustida. Sair da menoridade é olhar acima daquilo que nos é dito – talvez sem querer, o filosofo Nietzsche tenha sintetizado isso em sua filosofia de “olhar o ser humano em cima de uma montanha” - sempre olhando além dos símbolos que nos é ensinado.

Quando se olha acima de ideologias e das diversas religiões que nos cercam, levamos sempre o estereótipo de pessoas que não são serias, pessoas que só querem tumultuar e ficam desmoralizando nossas ideias como se elas não valessem. Mas são apenas imagens que nos querem colocar, porque saímos da realidade vedada daquilo que nos querem colocar como “verdades absolutas”. Não quero acreditar que há um trabalho social serio aqui, porque não adianta ter rendas inúmeras e não ter infraestrutura para usufruir dessa renda, não adianta o povo ter como comprar ou ter luz para usar, se a infraestrutura das hidroelétricas não aguentam. Não adianta meu Estado crescer e não ter água, não ter escolas, não ter hospitais, não ter casas para morar mesmo quando se quer pagar. A infraestrutura faz parte sim de um país e ela é sim social, a criminalidade está ai porque criamos um panóptico perigoso, porque botamos culpa na escolaridade (educação é o que aprendemos no berço), mas é a consciência social que é culpada, porque ensinamos aos jovens que o importante é o MEU. Aquele pai que buscou o filho na manifestação é a prova disso, o filho é MEU, o indivíduo é sustentado por mim e ele pertence a mim e não ao mundo e a ele próprio, porque essa é a ideia da escolaridade governamental, o filho pertence aqueles que os sustenta. Antes do império romano, os filhos já eram criados para serem cidadãos e não algo ou alguma coisa, a coisificação foi alastrada com o império romano. Mas que ficou mais acentuada com o capitalismo onde os burgos tomaram o poder e isso se enxerga muito quando um indivíduo “compra” a ideia da coisificação do individuo, a estatização começando no núcleo familiar. Começa com os pais dizendo ser MEU e depois o Estado dizendo ser NOSSO e não importa muito a ideologia, porque na essência é tudo o mesmo prognóstico. A coxinização não está apenas na direita conservadora que quer dinheiro a todo custo, é também da esquerda infantilizada (esquerdismo), que coloca um modelo que não deu certo como um modelo único e fica inventando termos e estereótipos inúmeros para desqualificar a discussão, porque não querem ver que o que está ai é muito longe do ideal.

Não temos que vaiar ou falar coisas improprias a dona presidenta, temos que não votar nos mesmos, porque ainda, estamos numa democracia. Mas votar não é uma partida de futebol que tem torcida e tudo, mas tem que ter uma consciência social, uma consciência que o indivíduo vai governar pela sociedade inteira de um Estado, cidade ou país. O resto, bem, o resto é só a humanidade.

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