Por Amauri Nolasco Sanches Junior
quando comecei a ler filosofia, me
deparei com o principio socrático que deveríamos conhecer a si mesmo,
porque só descobriríamos quem somos, conhecendo nossa própria
natureza. Depois descobri que Sócrates de Atenas, tinha tomado
emprestado a frase na entrada do Oráculo de Delfos que honrava o
deus Apolo de Piton, que era o deus solar da morte súbita, das curas
de doenças e pragas, também era o deus da harmonia, beleza e
perfeição que assegurava o equilíbrio e a razão. Mas no Oraculo,
chamava a atenção que dizia que quando conhecêssemos a nós mesmos, conheceríamos os deuses e o universo e por isso era tão importante. Conheceríamos nossa parte espiritual (deuses) e nossa parte material
da terceira dimensão (universo) que nos fez existir e viver aqui
nesse planeta e nesse momento. Depois eu li Heráclito de Éfeso que
disse que tudo flui, não entramos na mesma água do rio duas vezes,
porque o tempo vai mudando os fatos e os fatos não são eternos e
nem as verdades são absolutas como disse Nietzsche muitos séculos
após Heraclito, mas baseado nesse mesmo principio. Ora, se tudo flui
e nada é absoluto e se nos conhecemos sabemos da nossa força e
garra e conhecemos mais coisas que poderíamos conhecer, por que
apoiar uma esquerda brasileira que se agarrou em estereótipos e uma
direita que se agarrou em verdades absolutas?
Michel Foucault, grande nome da filosofia do século XX, disse que há uma figura dentro da normalidade – aquilo que se enfiou nas culturas ocidentais dês do
século dezoito – em que aquilo que entra como aceitável dentro de
um programa efetivo dentro de uma sociedade “governável”. É o
que alguns vão chamar de sociedade padrão, um controle de
comportamento onde o cidadão deve seguir, uma maquina óptica universal de controle humana. Isso se chama Panóptico e foi
idealizado no século dezoito para criar uma imagem de ser humano que
pudesse serem prisioneiros em delimitações morais e sociais, muitas
vezes, levados ao interesses governamentais. Se repararmos bem –
isso é uma visão muito acima daquilo que chamamos de direita ou
esquerda – todas as ideologias foram formadas com base desse
panóptico depois do século dezoito e isso, nenhum indivíduo que
estude filosofia de verdade, pode negar. Por que isto? Porque para
ser um cidadão respeitado, devemos saber todas as artimanhas de todo
tipo para enxergar coisas que a sociedade determina como “certa”.
Esse “certo” é sempre determinado com algum interesse daquilo que
a sociedade determina diante da imagem que a informação procura
mostrar, se mostrar que determinada pessoa não faz e não é o
protótipo daquilo que a moral determina, ele é rejeitado como algo
fora do normal. Mas essa informação sempre é dada para determinar
esse tipo de fronteira entre um e outro e não a nos conhecer como
ensinou a sabedoria antiga, porque o modo pós-moderno de pensamento,
se conhecer é determinar o ultimo motivo de nossas vidas.
Não pararmos para olharmos nosso
interior e olharmos aquela informação com um ar critico, não com
um olhar dos valores que carregamos da ética e moral da cultura que
vivemos ou pensamos ser verdade, mas com um olhar com que razão
aquela informação nos é dada. Dai chegamos a nossa própria visão
dos fatos que levaram aquela informação e o porque ela foi
disseminada. Tudo nesse momento que vivemos aqui, é transformado em espetáculo porque sempre pende a um dos lados possíveis sendo ou de
um lado, ou de outro e a analise sempre fica pobre e desqualificada.
Quando falamos em vaias e xingamentos da presidenta Dilma Rousseff,
não devem ser analisadas nem como um protesto da direita porque
muitas vezes, varias vezes, muitos desses cidadãos votaram nela e
ela é presidenta de toda a nação, queiramos ou não. Para
entendemos melhor, vamos dizer que os cidadãos não respeitaram nada
porque além das ideologias e opiniões, ela é a chefe de Estado e
nada vai mudar isso (nas urnas isso deve ser mudado). Por outro lado,
sem a menor duvida, é uma ação legitima e democrática, para
expressar uma indignação daquilo que se viu em todo o tempo que a
Copa foi preparada, onde escolas não foram construídas, hospitais
não foram construídos, obras estão inacabadas, sempre visando o
populismo flagrado e quase já engendrado na cultura sul americana. Porque nascemos da ganancia europeia e não temos uma cultura solida
e ainda herdamos esse panóptico que o filosofo Foucault alertou no
seculo passado.
O termo “coxinha” nasce de uma
esquerda brasileira cheia de estereótipos infantis – concordo com
Frei Beto quando diz que há cidadãos de esquerda e cidadãos
esquerdistas, porque o esquerdista sempre é o cara que fica com
“apelidos” igual que damos nas escolas e pode sim ser chamado de
um discurso de uma sociedade padronizada na cultura esquerdista –
que quer dizer (além daquilo que sabemos que eram os guardas que
achavam que poderiam comer coxinha de graça), são pessoas que se
fecham em uma ideia só, porque a coxinha não tem outro recheio a
não ser aquele. Outra característica é que ele se fecha num mundo
que acredita ser o que ele pensa ser justo, não o mundo que milhares
de pessoas podem sentir outra coisa ou podem pensar outra coisa. Ora,
se pensarmos nessa linha de raciocinio, todos tendem a isso e não só
o indivíduo que é mimado, que o pai paga tudo, até tem uma certa
consciência social, mas não quer perder a “boquinha” e sim,
também o indivíduo que tem consciência social, mas inventa estereótipos diversos para desqualificar a discussão. Por isso
inventei a designação de coxinha com catupiry (direitista) e a
coxinha com katshup (esquerdista), mas tem o mesmo recheio de frango
(interesses). Ou seja, os dois lados usam a sociedade padrão – a
sociedade disciplinar – para moldar o que está em volga
ideologicamente e o que está em voga o interesse onde esse
panóptico leva o discurso e para onde a informação deve ir. Tudo
isso sempre visando não olharmos dentro de si mesmos e isso, muito
claramente, é levado a ser projetado dentro da religião e os meios
para colocar o ser humano como servo (a vontade de sempre estar
protegido por um pai) de um tutor que vai lhe dizer que você não é
capaz de pensar ou agir por si mesmo. O comunismo e as ideologias
desse tipo, também visam isso
e colocam sempre o povo como um ser dependente do governo, como ele
fosse um pai ou ideologias liberais, que você dependem das coisas.
Sempre dependemos de algo e nunca vamos fazer algo porque sabemos que
somos uma determinada maneira, ou por nossa própria vontade de
fazer.
As pessoas sempre tendem a querer
tutores como o filosofo Immanuel Kant disse num artigo dele, que as
pessoas tem preguiça ou não querem sair da sua menoridade porque
sempre querem ser tutorados. A menoridade, nesse caso, não é a
idade e sim, o esclarecimento para sair desses tutores morais ou ideológicos. Esse fenômeno se dá no processo da dependência do ser
humano – seja homem ou mulher – de um fator que possa tirar ele
dessa situação, seja uma imagem divina, seja um herói ou uma
ideologia politica, mas tenha um papel determinante em tudo aquilo
que vai tira-lo, em tese, de sua pobreza. Por isso muitos ainda
acreditam em religiões que prometem rios de coisas, porque a
redenção de seus pecados – sempre o pecado é aquilo que a
sociedade condena graças ao maquinario moral e cultural do ensino –
e não mais, religa nós com seres ou o ser divino como eram as
religiões do passado. Muitas delas, se capitalizaram com a promessa
que todos vão ter o que querem quando se redimirem de seus pecados.
Lembramos que o pecado é a imagem de tudo que o poder não pode
enfrentar para dominar, porque se não for iliminada esses fatores,
os fatores serão um “entrave”, um virus no corpo são. Por que
temos que viver humildes e sempre aceitar as coisas que as pessoas
(no caso o sacerdote) nos dizem? O mesmo ocorre dentro das ideologias
politicas, você não pode sair do ensinamento que trazem a cartilha,
você tem que seguir o estereótipo da esquerda quando quer uma
mudança e tem que seguir o estereótipo da direita quando você não
quer nenhuma mudança e é conservador. Mas e quando você não esta
de acordo nem com as ideias de um ou com as ideias do outro? Muitos
dizem serem anacocapitalistas (os libertários são chamados
anarcocapitalistas, mas não tem nada a ver porque sua raiz é
capitalista democrata), outros dizem ser apartidários, outros dizem
serem pessoas que não se encontraram e outros ainda, chamam de
coxinha enrustida. Sair da menoridade é olhar acima daquilo que nos
é dito – talvez sem querer, o filosofo Nietzsche tenha sintetizado
isso em sua filosofia de “olhar o ser humano em cima de uma
montanha” - sempre olhando além dos símbolos que nos é ensinado.
Quando se olha acima de ideologias e
das diversas religiões que nos cercam, levamos sempre o estereótipo
de pessoas que não são serias, pessoas que só querem tumultuar e
ficam desmoralizando nossas ideias como se elas não valessem. Mas
são apenas imagens que nos querem colocar, porque saímos da
realidade vedada daquilo que nos querem colocar como “verdades
absolutas”. Não quero acreditar que há um trabalho social serio
aqui, porque não adianta ter rendas inúmeras e não ter
infraestrutura para usufruir dessa renda, não adianta o povo ter
como comprar ou ter luz para usar, se a infraestrutura das hidroelétricas não aguentam. Não adianta meu Estado crescer e não
ter água, não ter escolas, não ter hospitais, não ter casas para
morar mesmo quando se quer pagar. A infraestrutura faz parte sim de
um país e ela é sim social, a criminalidade está ai porque criamos
um panóptico perigoso, porque botamos culpa na escolaridade
(educação é o que aprendemos no berço), mas é a consciência
social que é culpada, porque ensinamos aos jovens que o importante é
o MEU. Aquele pai que buscou o filho na manifestação é a prova
disso, o filho é MEU, o indivíduo é sustentado por mim e ele
pertence a mim e não ao mundo e a ele próprio, porque essa é a
ideia da escolaridade governamental, o filho pertence aqueles que os
sustenta. Antes do império romano, os filhos já eram criados para
serem cidadãos e não algo ou alguma coisa, a coisificação foi
alastrada com o império romano. Mas que ficou mais acentuada com o
capitalismo onde os burgos tomaram o poder e isso se enxerga muito
quando um indivíduo “compra” a ideia da coisificação do individuo, a estatização começando no núcleo familiar. Começa com
os pais dizendo ser MEU e depois o Estado dizendo ser NOSSO e não importa muito a ideologia, porque na essência é tudo o mesmo
prognóstico. A coxinização não está apenas na direita
conservadora que quer dinheiro a todo custo, é também da esquerda
infantilizada (esquerdismo), que coloca um modelo que não deu certo
como um modelo único e fica inventando termos e estereótipos inúmeros para desqualificar a discussão, porque não querem ver que
o que está ai é muito longe do ideal.
Não temos que vaiar ou falar coisas
improprias a dona presidenta, temos que não votar nos mesmos, porque
ainda, estamos numa democracia. Mas votar não é uma partida de
futebol que tem torcida e tudo, mas tem que ter uma consciência
social, uma consciência que o indivíduo vai governar pela sociedade
inteira de um Estado, cidade ou país. O resto, bem, o resto é só a
humanidade.
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