Por Amauri Nolasco Sanches Júnior
Quando comecei meu curso de
bacharelado de filosofia, me sentir realizado por ser o curso que sempre quis fazer
e nunca fui encorajado em fazer. Primeiro, por viver em uma cultura que não valoriza
a intelectualidade e acha isso um modo de ser vagabundo sofisticado, depois,
por não achar cursos acessíveis que poderia pagar. No Brasil, com esse monte de
putaria e coisas inúteis dentro de qualquer mídia, fomos educados em ver só isso
e achar que vídeos sempre serão algo para se entreter. A interação das redes
sociais escrita, acaba sendo ofuscada por idolatria religiosa e política.
Sempre fui um sujeito
curioso e a filosofia – desde meu primeiro livro de Sócrates da coleção da Folha
de 1997 – me fez saber investigar e ser muito mais curioso. Porém, senti que a
grande maioria não gosta na intelectualidade quando ao contar o que lia na
internet (bem no começo) para meus amigos da AACD em um deposito de deficientes
mais velhos, a coordenadora me dizia: “você vai confundir a cabeça deles”. Como
assim? Não podia escrever meus pensamentos em um jornalzinho que eu bancava
(porque se eu cobrasse mais caro, ninguém comprava), não podia falar o que
tinha descoberto, não tinha pessoas que pudessem discutir comigo ideias além do
que eu poderia discutir. Não gostava de futebol, não gostava de programas
televisivos e não gostava nem das músicas que tocavam (na sua maioria, Roberto Carlos).
Fui procurar fóruns, chats
e outros meios de comunicação para discuti e descobri que há uma questão muito
forte aqui binaria que, por razões de nosso povo não poder falar de política
por muito tempo e nossas escolas vagabundas que não tem matéria nenhuma de
senso crítico, foi sempre muito forte na internet. Ou você estava no lado da
direita “for in american” olavista e o comunismo lulopetista onde nada era
discutido, só tinha meios de interação. Claro, quando tinha uma coisa
interessante eu pesquisava, mas, nessas alturas e a ansiedade de discuti o
assunto, muitas vezes eu não lia. Piorou com o começo das redes sociais, onde
as pessoas não ligavam muito para as fontes. Por que? As pessoas, por causa da
sua mediocridade, acham muito mais cômodo gravar vídeos ou gravar áudio (no
caso hoje dos podcast).
Na verdade, quando fiz um
ano e meio de publicidade (depois terminei em um curso online), minha maior decepção
foi a questão dos alunos. Hoje, com a pós-modernidade como aprendi depois, as
pessoas não estudam para se educar ou para ter o conhecimento, elas estudam
para ter um diploma e trabalharem. Ou seja, com o binarismo do capitalismo
liberal verso socialismo comunista, se propagou o discurso que você poderia
conhecer aquilo que vai trabalhar e se você não estudar (obter conhecimento) você
não vai ser “nada na vida”. Daí ficava me perguntando: por que universitários não
tem postura universitária de obter e ter o conhecimento? Não em uma postura elitista,
mas, não deveríamos tratar a cultura e os meios de comunicação, como tratamos antes
do curso. Você tem o conhecimento da comunicação, sabe como as coisas funcionam
e sabe como as coisas funcionam. Cheguei a conclusão que, de um modo ou de
outro, a maturidade faz falta. Enquanto as pessoas faziam universidade depois
dos 30 anos, agora começam com 17 anos.
Mas há uma última questão: o
por que ao fazer medicina um médico é um médico, ao fazer engenharia um
engenheiro é um engenheiro e fazendo filosofia um filosofo não pode ser um
filosofo? A questão da humildade em deixar claro que não sabemos quase nada da
realidade – e não sabemos mesmo – mas isso não significa que não somos filósofos
e poderemos dizer que na filosofia, há espaço público. Vendo minha noiva dizer que
fiz o curso com vontade, sim, fiz com vontade e sou sim um filosofo.