Por Amauri Nolasco Sanches Júnior
Quando fazia publicidade, eu sempre ouvia de um
professor meu de publicidade – porque era o curso de comunicação social de
publicidade e propaganda – que o jornalismo era primo irmão da publicidade. Se um
colhia dados e informa o que esta acontecendo no mundo – hoje em tempo real – o
outro colhe dados para fazer uma propaganda que atrai o publico de comprar. Porém,
o que vimos no jornalismo de hoje, tanto da “máfia das letrinhas” e de cabelo
azul com piercing na sobrancelha, é que há muito mais militância do que dar uma
opinião sem viés. Intelectuais por estudarem a sociedade e a história do Brasil
e o mundo, deveriam ser mais céticos na questão de política.
E por falar em comunicação, sábado dia 17 perdemos
um dos maiores comunicadores de todos os tempos no Brasil que foi Silvio Santos
aos seus 93 anos. E no mesmo dia, artigos começaram a circular dentro da mídia demonizando
e militarizando o apresentador. Os jornalistas militantes se esqueceram que se
antigamente existiam só eles – como a VEJA que soltou esse tipo de artigo primeiro
– criticando a posição de Silvio Santos diante do governo militar. Já outras
postagens falavam de um “suposto” apoio do apresentador e empresário diante da
ditadura. Que teve sim, uma ditadura que se preocupou mais em caçar os
comunistas do que melhorar o Brasil, estatizou empresas inchando o estado
brasileiro e por causa da impressão de dinheiro e a dívida externa crescendo, tivemos
hiperinflação.
O que empresários e donos de tv e radio poderiam
fazer? Apoiar a ditadura do proletariado que queria o socialismo e perder suas
empresas de comunicação? Sejamos racionais. Dizer “verdades” está acima de
qualquer militância e não tem como “verdades” aquilo que interessa ou gosta de
ouvir. E sabemos que, Aristóteles dizia que a ética era a arte da pratica e não
só da teoria, pois, as democracias modernas esqueceram desses ensinamentos por
terem ficado nas mãos dos fracos (burgueses que eram apenas comerciantes das
vilas romanas e depois, na idade media, eram os que forneciam especiarias e
ferravam os cavalos do rei e nobres daquele feudo), dos ressentidos (todo “ismo”
tem uma carga de ressentimento) que querem o poder.
Nietzsche (porque sou nietzschiano) dizia que todo
“ismo” eram modo dos fracos convencerem que os fortes eram culpado do fracasso
de todo mundo. Mas, a aristocracia moderna sempre foi produto de um
cristianismo (calcado dentro de nobres que tinham que ser padres, minorias que
tinham que se submeter a religião para sobreviverem) que disse ao mais pobre
que deveriam se conformar. Afinal, o que vimos em toda a história humana? Niilistas
contra a vida tomarem o poder e relativizar a ética – distorcendo a virtudes
nobres da alma – e a verdadeira nobreza do espírito? A superação desse niilismo
seria o Übermensch que é o homem sair do estado de espírito de rebanho que o
homem moderno (uma farsa) se encontra.
Ou seja, a alma de rebanho seria um conceito de Nietzsche
que dizia, haver no comportamento humano puramente submisso e irrefletido sobre
os valores da civilização. O filosofo criticava essa submissão – da burguesia,
do cristianismo e do poder – e incentivava a busca por uma vida mais autêntica
e individual (sem modinhas e ir na onda dos outros) ao contrário a conformidade
passiva com normas e costumes estabelecidos sem uma maior reflexão. Para ele, a
verdadeira conquista envolve superar o que nos foi dado e criar ativamente
nossos próprios princípios e valores. E isso, quem é o verdadeiro nobre, tem
muito.
A questão da Ditadura Militar nunca foi por causa
da liberdade democrática – que não tínhamos muito antes do militarismo – mas quem
tomaria o poder. O verdadeiro jornalismo deveria olhar mais em temas além do humano
(que, muitas vezes, cansam) e olhar em um modo muito além dos “ismos”.