sábado, junho 01, 2024

BOYCETA E A CULTURA WOKE

 


Termo “boyceta” viralizou na internet depois que o rapper Jupitter Pimentel falou sobre o assunto no podcast "Entre Amigues". (Foto: Reprodução/Redes sociais)


Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

 

Jeager diz na sua obra <<Paideia- o nascimento do espírito grego>> que ETHOS poderia ser definido como o espirito daquela época e tem a ver como o grego via sua realidade. assim, se definiu hoje, que ETHOS poderia ser definido como algo que a cultura e crenças de uma época pode ser definida como totalizante. Segundo a professora Luciene Felix diz:

 

<<segundo o Filósofo Henrique C. De Lima Vaz, todas as coisas são physis (numa tradução ainda insatisfatória: natureza). Nosso modo de ser (modus vivendi, modus operandi) é transformá-la e a isso chamamos ethos (do grego "habitat", hábito, costume, caráter). Sendo nossa conduta construto cultural, é no ethos que se alinhava toda história da humanidade, em constante mudança (novamente Heráclito), sempre em processo de vir-a-ser.>>

(o texto

Depois de analisar a grande polemica da vez do <boyceta>, onde uma transsexual se sente homem com órgão feminino (segundo ele mesmo no podcast, ele se sente uma lésbica meio “bichinha”), e ver como as nomenclaturas vão surgindo de um modo bastante estranho e sem achar se aquilo faz ou não sentido. Dai vamos fazer uma analise sobre o estruturalismo e como Foucault analisa a questão referida. Poderemos dizer, em linhas gerais, o estruturalismo é uma corrente de pensamento que busca identificar as estruturas que sustentam todas as coisas. Ora, segundo a teoria, os fenômenos da vida poderiam ser identificados através de suas inter-relações. Ou seja, o estruturalismo pode analisar as partes e avaliar um tudo.

O pós-estruturalismo – com nomes como Foucault – vai surgir como uma critica ao estruturalismo por causa da sua estruturação de significado dos termos. Ou seja, esse movimento critica o estruturalismo na questão de significado, pois, essa crítica é sobre as estruturas determinantes de um complemento do significado. Porque, enquanto o estruturalismo buscava padrões universais, o pós-estruturalismo enfatizou a contingência, a diferença e a pluralidade. Indo mais além – chegando em Derrida – questionou a estabilidade dos significados e a hierarquia das palavras. Poderemos fazer breve ligação da cultura woke (acorda) dizendo que, os “wokes” também valorizam a diversidade de perspectivas e questiona narrativas dominantes. Ou seja, o Dj Juppiter, poderia se definir como “boyceta” porque o pós-estruturalismo tira as definições universais e as pessoas podem se definir como quiserem.

Mesmo porque, a cultura woke é um movimento ativista que busca conscientizar as pessoas sobre questões sociais, como racismo, desigualdade e discriminação. Eles compartilham com o pós-estruturalismo a preocupação em despertar a sociedade para problemas e promover mudanças. O problema é a radicalização dessa suposta conscientização que “patrulha” coisas que nem ajudam nesse intuito, nem fazem jus com nomes como Michel Foucault em denuncias sobre preconceito e discriminação. A própria esquerda tradicional, digamos assim, não gosta da cultura woke e nem dá crédito como um movimento legitimo.

Qual é o problema? Os nomes das coisas (substantivo comum) e os nomes próprios (substantivo próprio), sempre nos foi ensinado, na gramatica, como algo importante dentro da linguagem. Do mesmo modo, os significados que existem e o porquê eles existem, eles são parâmetros para seguir uma singularidade. Você pode se definir como um cavalo – como muitas pessoas se definem – mas, ao olhar para a pessoa, você vai enxergar um ser humano que tem “vontade” de ser um cavalo. Poderemos ate definir uma outra discussão entre fantasia e realidade que, por muito tempo, você pode ver nos fãs de filmes como Star Wars (criando até estruturas religiosas jedis) e ate mesmo, Star Trek (como uniformes) que simulam um ambiente igual. Talvez, indo além ainda, poderemos colocar a cultura woke como uma estrutura de simulação e simulacro dentro de estruturas do possado que não existem (como o movimento reacionário), pois, colocar um Aquiles negro, por exemplo, não vai conscientizar nada e não vai representar nada. Porque sabemos que Aquiles era branco e grego (podendo ser até loiro).

Poderemos colocar assim, que não é questão de universalizar Aquiles, como vimos do exemplo, mas demarcar aquilo que já se caracterizou. Existe uma diferença de caracterização com o conceito, ou seja, as características são aquilo que se parece e o conceito é aquilo que se explica aquilo que existe. A característica e o conceito, a meu ver, é a realidade em um todo. Outro fator que se deu, não menos importante, foi a questão da pós-modernidade ter colocado tudo em uma grande narrativa. Por exemplo, se você pegar e olhar uma árvore, você está vendo uma narrativa que te colocaram (tecnicamente, você foi condicionado) como fosse uma verdade que aquilo é uma arvora. Dai temos que voltar em Nietzsche e dizer, sem duvida nenhuma, que a frase <não existe fatos eternos e nem verdades absolutas>, ele estava se referindo em verdades morais. Ou melhor, existem verdades que são relativas (verdades subjetivas) e realidades objetivas (objetos concretos).

Mas Nietzsche nunca negou a realidade objetiva, mas negou a verdade moralista de universalizar questões de crenças religiosas (de fé) e de moralismo religioso (moral teológica). Essa diferença entre moral religiosa e moral social levou os “estados laicos” a existirem.

quarta-feira, maio 29, 2024

ROMANTIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E SE ESQUECERAM DA ESCOLARIZAÇÃO






 Amauri Nolasco Sanches Júnior

 – Bacharel em filosofia 


<<Não, ela não é uma professora de verdade. Isso é desvio de função, isso é romantizar a miséria, isso é sobrecarregar o professor. Parem de achar que professor tem que cuidar de criança como se a criança fosse dela, pq não é. O professor é pago (muito mal pago) pra alfabetizar e ensinar, não pra cuidar das crianças.>>

Essa é a resposta da minha irmã sobre a notícia que postei no meu stories onde uma professora costura as roupas dos alunos, que, realmente, é um desvio de função. Realmente, as professoras não têm nenhuma obrigação de arrumar roupas de alunos, mesmo porque, se arruma todas as roupas não haverá tempo de dar aulas. Por outro lado, venho sempre dizendo – e o Alexandre Links do Quadrinhos da Sarjeta – que a esquerda parou no discurso do século dezoito e se tem aquela soberba de achar que o povo não sabe o que esta fazendo ou que, o outro lado não tem capacidade de responder a altura. Nessa discussão, o que me incomoda na esquerda é uma tentativa de tutelar o ser humano como se todo mundo não soubesse o que escolhe. 

Logico que concordo com minha irmã, a professora não é a mãe do “alecrim dourado”, isso deveria ser feito pela mãe da criança. Mas vão dizer: “ah Amauri, e se a mãe não tem tempo?”. A resposta é meia obvia: mãe deve arranjar tempo para seu filho, pois a responsabilidade das crianças são dos pais delas e não da professora e ate acho, que nem da avó é. Minha mãe criou três filhos e o mais velho com deficiência (eu no caso) sozinha e ainda, tinha um negócio de costura com sociedade com meu pai que financiava. E ela cuidava das nossas roupas e das nossas lições e até mesmo, nossas amizades. Participava porque era ela a educadora, pois, as professoras tinham o dever de ensinar matérias e a escolas tem o dever de socializar crianças e adolescentes. Educar é um dever dos pais ou tutores. Mas, como se começou essa confusão entre educar e escolarizar?

Podemos dizer que, são essas as principais dimensões de formação do indivíduo, pois, a educação fica no espaço privado (família) e a escolarização fica no espaço público (escola). A problemática – não só na escolarização e educação – a cultura brasileira foi distanciando dessa noção cada vez mais dessas duas dimensões. Se perdeu a essência daquilo que é publico, daquilo que é privado. O que isso quer dizer? O brasileiro, em sua maioria, hoje não sabe mais diferenciar o que é publico e o que é privado por milhares de fatores quem sim, vieram da mídia e temos que falar disso. Mas, a cultura desde minha infância, já se encontrava meio assim quando vizinhas adentravam em nossas casas sem pedir permissão. Ou, as pessoas conheciam uma pessoa ontem, no outro dia estavam na sua casa. Indo muito mais longe, existem músicas altas e sem nenhum respeito social de usar fones, ou ouvir de modo baixo. 

Quando traçamos diferenças significativas dentro do privado e o público, queremos demonstrar uma quebra do direito de individualização da vontade e a deficiência de uma educação que deveria ser eficiente, e uma formação de um cidadão crítico e de repertorio político. E sabemos que os discursos é para confundir mesmo, porque um povo estudado é um povo crítico e nossa cultura odeia o crítico. Quantos governantes ligaram para TVs e rádios, pediam as “cabeças” de quem criticava seus governos? E não fica só os governantes, programas que defendem consumidores também são agredidos, há perseguições (stalkers) de pessoas que não concordam ou criticam aquilo que a pessoa acredita. 

O que vimos? Jovens que não tem a capacidade de acreditar nele mesmo, não tem autocritica e não tem capacidade de entender conceitos. A educação libertaria (de esquerda), falhou no sentido de colocar parâmetros errados segundos estudos de comportamentos. Só que existe uma questão: os traumas só acontecem com crianças cuja os pais foram mal-educados, o vicio continua com o erro. Daí o que fazer? Melhorar a educação para temos uma sociedade melhor ou achar que pobre não deve ser educado adequadamente? Nos resta a dúvida. 


segunda-feira, maio 27, 2024

O ESTOICISMO DOS COACHs

 


Amauri Nolasco Sanches Júnior 

Bacharel de Filosofia

 

“Tudo é vaidade.”

(Eclesiastes 1-2)

 

Li um artigo da Mirian Goldenberg chamado, <<Como dominar os monstros interiores>> - através de um vídeo do filosofo Paulo Ghiraldelli Jr mostrando supostos erros da escritora e antropóloga – e ela fala da questão da filosofia e o estoicismo como se fosse uma autoajuda para viver bem. Ora, vamos esclarecer uma coisa aqui, nada tenho contra os coachs ou os livros de autoajuda – que para mim, fica claro serem os sofistas de hoje – e até defendo que uma leitura inicial, pode ser sim um exercício de hábito de leitura. Já disse e repito: não sou a favor de uma filosofia não acessível e que eu tenha que ter pares para fazê-la. Em uma análise mais profunda – como uma crítica nos moldes kantianos – há de evoluir o modo de filosofar brasileiro e de analisar melhor obras clássicas não no que achamos, mas achar conceitos que cabem nesse contexto clássico dessas obras.

Por exemplo, a frase que coloquei ali, onde o autor de Eclesiastes – que muitos atribuem ao rei Salomão – diz que “tudo é vaidade”, mas, temos que entender o contexto no que ele disse. O “dizer algo” implica muito na questão das crenças e valores que trazemos dentro de si e tem muito das questões existenciais dentro do próprio estoicismo. Porque não pensar, que o rei Salomão não estaria autoexaminando a si mesmo e dizendo que tudo não passa de uma grande vaidade, mesmo porque, a questão da existência e das coisas que não podemos dominar (mesmo o ser humano tentar com a tecnologia), porque os fatos tem a ver com as circunstancias que ele acontece. Os seres humanos se “envaidecem” com sua ciência ou teologias etc, como se fosse grande descobertas de um animal acima dos outros. Em ter inteligência, os cetáceos e os polvos também têm, porque conseguem comunicar e resolver problemas práticos. E ai? E os animais que conseguem captar sentimentos ou animais que resolvem certas dificuldades?

Coisas para serem refletidas e não jogadas ao vento. Assim como não existe explicações fáceis sobre versículos bíblicos – porque devem ser submetidos a hermenêuticas teológicas – não existem modos de facilitar nem filósofos clássicos e nem escolas filosóficas dentro da questão da existência. Isso que Goldemberg diz ser superação de “monstros interiores”, não tem a ver com a filosofia e nem os filósofos que citou (muito menos os estoicos), mas a descoberta de um modo de ver dentro da perspectiva da realidade que não podemos mudar. Como ela perdeu o pai para o câncer, minha mãe também se foi por causa dele e o que me fez superar foi o modo que eu encarei uma única certeza que temos: a morte. Um filosofo – muito menos um psicólogo – nunca vai dizer que deveríamos superar a falta daqueles que amamos e ser autoanalisado, mas, faria a pergunta: o que é a morte?

Isso mesmo amiguinho...um filósofo não afirmar nada e se afirmar um ponto, não passa de um coach que já tem uma fórmula pronta (como alguns sofistas tinham). Não existe essa de “filosofo fisiológico” (sim, estou refutando o filosofo Pondé), porque afirmações não são de “fisiologia filosófica”, mesmo porque, a filosofia não é fisiológica e sim, mental. O que Goldemberg faz é dar justificativas para seu texto dizendo que viu um vídeo no YouTube citando filósofos que, com certeza, viu um vídeo também. Como os neovikings das redes sociais – com maquiagem e creme no cabelo – os neoestoicos são apenas pessoas que viram a filosofia estoica de forma bem superficial dentro daquilo que entenderam. Como costumo falar, um yoge das redes vão meditar e dizer que devemos focar no agora, mas o Yoga não é uma autoafirmação de querer ser, ou você faz os exercícios e a prática yogue, ou você é apenas “modinha” (como dizem por ai). Aliás, os exercícios são uma parte inicial para chegar à meditação.

Como o Yoga, a Filosofia, não pode ser “pincelada” em um vídeo do YouTube onde só a superfície é checada. E falando em estoicismo, seu fundador Zenão de Citio, depois de um naufrágio de um navio, ele se encontra em Atenas onde se deparou com um livreiro e lendo “Memorabilia” de Xenofonte e se encanta. Aí temos duas situações que hoje não se aguentaria: um naufrágio e um encontro com obra filosófica. Logo depois, perguntou ao livreiro onde poderia encontrar homens como Sócrates, o homem mostrou o cínico Crates de Tebas, que estava passando por ali. Foi discípulo de Crates, mas abandonou o mestre por não se adaptar ao modo cínico. E consultando o Oraculo – sim, filósofos consultavam Oráculos – e perguntando como viver, provavelmente dentro do modo filosófico, o oraculo respondeu “igualar-se aos mortos”. Ele começa a estudar os filósofos antigos e começa a ensinar no Pórtico Pintado (ou Stoá Poikile) de Atenas e assim, se chama estoicos.

Eu queria chegar no “igualar-se aos mortos” que quer dizer o estudo dos clássicos e não olhar superficialmente um item só. Lembramos que Zenão para ensinar teve que aprender e ele se encanta com Sócrates, porque a filosofia como conhecemos começa com Sócrates. Só que nem “uma vida não examinada, não vale ser vivida” ou “conhece-te a ti mesmo” não é uma introspecção, porque os gregos não tinham ideia da subjetividade moderno, eles viam a realidade como um todo (cosmos). Exame da vida  é a felicidade com o todo social e aceitar a realidade, como os estoicos seguiram ao aceitar o destino (amor fati). Não largar o Lexotan, mas aceitar o Lexotan na sua vida. Do mesmo modo, não tirar a dor da gente, mas senti-la com força, para passar rápido. Hoje as pessoas não querem sofrer, não querem sentir dor, não querem ser frustradas ou passar por lutos.  Mas, vamos ter que passar por vários.

domingo, maio 26, 2024

A MORTE DE PCDs E O CAPACITISMO BRASILEIRO (FOUCAULT E DELEUZE)

 



Foucault e Deleuze 


Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

Habib ainda disse que “20% das vendas de carro é para deficiente físico. O governo podia acabar com deficiente físico e você baixa o preço dos carros em cinco por cento. Você pode baixar a carga porque esses aí não pagam imposto e aí todo mundo ia comprar carro mais barato” (PcD, 2024)

(o texto na integra

 

Essa fala do presidente da Jac Motors do Brasil, Sérgio Habib, mostra a problemática brasileira da questão das pessoas com deficiência e como a sociedade vê as várias questões que abordam essa temática. Nesse blog mesmo, trouxe uma verdade que assola a Europa em abortos de crianças que “podem” nascer com Síndrome de Down. Aí podemos lançar a questão: qual o limite da deficiência? Pois, a “humanidade perfeita” tem um viés de eliminação daquilo que chamamos de eugenia. Todos que estudam história – seriamente – sabe que a teoria da eugenia já foi uma ciência, hoje – pelo menos na teoria – esta classificada como pseudociência. Quando Habib diz que “o governo tem que acabar com o deficiente físico”, ele é refém de uma coisa maior que deve ser classificado de discurso dizendo que “deficientes não são uteis”.

Ora, duas questões devem estar claras antes de entrarmos em Foucault e Deleuze: o que seria utilidade e o que seria deficiência? Primeiro, utilidade tem a ver com aquilo que é útil em uma comunidade ou, num modo geral, aquilo que é útil dentro de uma sociedade em um todo. Ou seja, uma pessoa com deficiência só será útil em uma sociedade quando, ou sofre uma reabilitação dentro de um padrão médico, ou quando participa de forma passiva a tutoração de suas escolhas. Exemplo é que quando olhamos todos os serviços destinados para as pessoas com deficiência, há um sentimento de “fazer favor” as pessoas com deficiência. Assim, a utilidade do corpo “diferente” tem o preço de se tornar invisíveis, se tornar algo secundário para os “atores” sociais terem como atuar dentro de uma sociedade.

Agora a deficiência é uma outra problemática, porque tem a ver com as origens do termo dentro da nossa cultura latina (que está no meu livro de 2015). Deficiência tem duas origens, uma é grega e tem a ver com “síndrome” (conjunto de sintomas) tem sua raiz em “syndromos” que significa “o que corre junto”. O termo se forma por “syn” (junto) e “dromos” (corrida). Ora, mesmo que estava ligada indiretamente com a deficiência por causa das classificações – como a Síndrome de Down – a ideia de sintomas tem a ver com a questão de imobilidade que caracteriza uma deficiência. Já a deficiência tem a ver com o termo latino “deficiens” é uma declinação do verbo “deficiere”. Esse verbo significa “desertar”, “revoltar-se” ou “falhar”. A raiz “de” quer dizer fora, e “facere” quer dizer “fazer” ou “realizar”. Assim sendo, o termo deficiência está relacionado a ausência ou disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica.  

A questão seria: qual o conceito de deficiência? ora, podemos dizer que são pessoas que apresentam algumas limitações dentro da sua capacidade (daí o nome capacitismo) de realizar algumas atividades cotidianas devido a diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou psicossociais. Em um modelo médico, historicamente, esse modelo de deficiência enfatizava as limitações individuais e considerava a deficiência como uma condição patológica. Nesse modelo, o foco estava na “cura” ou na minimização dos sintomas. Já no modelo social de deficiência, mais recentemente, se reconhece que as barreiras sociais, atitudinais e ambientais desempenham um papel fundamental na experiencia das pessoas com deficiência.

Agora temos que entender quais os modos de discursos que se pode dizer, levaram Habib dizer para o “governo acabar com os deficientes físicos” para baratear o carro. E não, não tem a ver com o capitalismo ou a “metafisica da esquerda” chamada, neoliberalismo. Tem a ver o que Foucault chamou de governamentalidade e isso tem a ver com relações de poder e como as instituições moldam os indivíduos. Podemos dizer que, a sua noção de “governamentalidade” envolve uma análise das práticas pelas quais o poder é exercido sobre os sujeitos. Ora, Habib como empresário (que, provavelmente, não estudou administração) é escravo do sistema onde a instituição faz um discurso (através da nossa cultura medievalista positivista), que pessoas com deficiência tem o direito, no máximo, em participar do Teleton. Uma mentalidade que nós devêssemos ser tutelados e devem submeter aos membros sociais “uteis”. Ora, a ideia de Foucault era incluir gestão das populações, a regulação dos corpos e a normalização dos corpos e comportamentos.

No contexto da deficiência, poderíamos dizer ou considerar como políticas públicas, as instituições de saúde e as práticas de inclusão ou exclusão podem afetar as pessoas com deficiência. Foucault nos convida a questionar algumas dessas políticas como manifestações do poder, como acontecia um tempo atras quando pedíamos tratamento nos indicavam a AACD como referência. Como se a instituição “governamentalizasse” uma maneira de pensar medicalista onde só ele poderia nos “curar e dizer o que seria uma deficiência. e isso pode moldar as vidas das pessoas com deficiência capacitadas.

Já Deleuze propõe uma filosofia que valoriza a diferença e a multiplicidade, pois, ele rejeitou que houvesse uma identidade fixa e enfatizou a singularidade de cada sujeito. Assim, poderemos trazer no modo do contexto da deficiência, como uma aplicação a filosofia da diferença para questionar as categorizações tradições. Deleuze nos lembra que não devemos reduzir as pessoas com deficiência em uma única definição, como seria logica a capacidade de ver que cada pessoa com deficiência teria uma característica. Ou seja, cada indivíduo teria sua própria singularidade e experiencia.

Ao analisar a frase de Habib, nem tem sentido você dizer que “o governo deveria acabar com o deficiente físico”, porque cada deficiência tem cada caracterização. Daí, qual “deficiente físico” tem que acabar? Todos ou só aqueles que compram carros?