terça-feira, outubro 28, 2014

Karma Yuga






Por Amauri Nolasco Sanches

A Lei do Karma prega que responsabilidade para as ações nasce da pessoa que os comete. Nem bom nem ruim, o karma é neutro, um constante equilíbrio de forças entre nós mesmos e o mundo em que vivemos. É um sistema dinâmico, autoajustável no qual existe um feedback constante de acordo com a maneira com a qual nós aceitamos ou recusamos nossas experiências a cada momento. Nossa reação e atitudes diante da experiência é mais importante que a própria experiência. Pois KARMA significa 'ação'. Literalmente, alguma coisa 'que inicia um movimento 'em algum tempo no passado' tem um efeito em algum outro tempo.”(Lakshmi Lobato)



Lendo esse pensamento da minha amiga Lak Lobato, eu fico pensamento em tudo que anda acontecendo dentro do cenário politico e do próprio ser humano. Há um erro muito grande que o ocidental ainda alimenta graças a religião judaico-cristã – que tem uma leitura literal tanto do livro sagrado dos judeus, o velho testamento, quanto o livro sagrado dos cristãos, o novo testamento – aonde é colocado como um castigo na mesma proporção da saída do homem do paraíso por causa do fruto do conhecimento. Não é nenhum castigo. Na verdade, “karma” é um termo sânscrito que quer dizer “ação” e toda ação há de ter uma causa para aquela ação, porque tudo que fazemos de bom e de ruim, em um outro momento dentro das leis do universo, voltarão para você. Como a minha amiga disse, toda a responsabilidade da ação que todo ser humano comete, em um outro momento, se voltara ao mesmo ser humano como um bumerangue. Não tem nada de castigo, só é o efeito de uma causa. Se matamos alguém, de alguma maneira o universo se deve equilibrar o tempo e a permanência do espaço que não tem mais o indivíduo que está morto, foi arrancado de sua existência. Outro exemplo, para ficar mais fácil, um pendulo de um relógio que os dois lados devem se equilibrar para um não ir além do que o outro e haver um equilíbrio. A bondade espiritual nem sempre é a mesma bondade humana, porque a bondade espiritual é pura e sincera e não trata uns melhores do que os outros.

Yashua (Jesus), vai nos dizer que o reino dos céus são dos “pequeninos” por causa da pureza do pensamento e a ação sincera sem a bondade que quer algo em troca – que o filósofo Sócrates combateu com sua maiêutica – que muitas vezes, não é o que precisamos de fato. Nem sempre o que as pessoas pregam como moral ou como espiritual é realmente uma mensagem pura, porque já está contaminada com os valores morais que recebeu, isso não é vivido muitas vezes, em algumas crianças. Quer pergunta mais sincera do que uma pergunta de um “pequenino”? Yashua não disse diferente da lei do karma, pois tudo aquilo que fizer para o outro, voltará na mesma proporção e não é castigo. Então, poderemos dizer que a liberdade só se faz valer quando temos dentro de nós mesmos serenidade para perceber algumas comunicações, junto com essa serenidade vamos ter dentro de si a consciência que nos mostra a pureza. Pois em outro momento, Yashua nos diz que não devemos dizer para o outro para tirar as travas do seu olho se não tirarmos as nossas, não adianta aceitar sua palavra ou seu ensinamento e não refletir julgando o outro a partir de seus valores que recebeu. Temos varias passagens de cunho espiritual que podemos analisar mais a fundo sobre o karma, mas por hora, ficamos na reflexão como algo a ser percebido e repensado. Como a mais conhecida de todas as passagens que defende a mulher de ser apedrejada e Yashua no final diz “...vá mulher e não peques mais,”. O pecado é o distanciamento de toda a lei karmica que pode ser resumida em um só pensamento, não faça aos outros o que não quer que façam com você, assim toda a ação não consequência em um efeito e vice e versa.

Buda Sidharta Gautama procurou a causa de todo o sofrimento, mas meditando em um rio – assim se conta – ele viu uma tigela flutuar dentro de um encontro de dois rios. Viu que não ia nem de um lado e nem no outro e ai ele pensou no equilíbrio, na vida equilibrada que poderia dar ao seres humanos um equilíbrio e serenidade para não sofrer. O budismo nos diz que o karma é a ação egoica que só pensa em si mesmo – que podemos dizer que é um pensamento de tirar vantagem sempre – e ilusório porque no momento aquilo existe, no outro momento aquilo não existe. Todos os fatos e tudo que existe são passageiros, o que realmente existe, é a ação e o efeito dessa ação como consequência de nossos atos e a ilusão é achar que tudo que fizemos, tudo que passamos, é culpa do outro e nem percebemos que toda a ação deve ter uma reação. Será que a maioria das dificuldades que temos na vida, as doenças que levam a um estado de depressão, um estado de ansiedade não é fruto de nossas próprias ações? Se hoje vivemos em uma ilusão onde o ser humano ainda insiste em dizer que somos condicionados por informações e religiões que enganam – muitas vezes se deixam enganar – são a ação do próprio homem que tem como meta não o desenvolvimento de si, mas a sobrevivência de um mundo que só muda o paradigma politico, no entanto, a essência da ilusão é a mesma. O budismo diz que o karma é somente um evento que existe que foi somente causado pelo primeiro, sendo, que toda causa por ordem e por uma lei irrevogável, tem seu efeito.

Ora, toda ação que acontece dentro do nosso movimento é movido por nossa vontade, porque mesmo que essa vontade seja condicionada pela ilusão, mesmo assim, a ação que levou a nós fazer o que fazemos é pela nossa vontade. Mas tudo é energia – mesmo que não acreditamos em assuntos metafísicos – a física comprova isso em escala universal, porque tudo depende dessa energia e mesmo a minha vontade depende dessa energia. Se agora estou escrevendo esse texto e estou pensando o que irei escrever é energia criada em um campo de ação (karma) e vai resultar em um texto e esse texto uma reflexão (dharma), o dharma é a lei natural e podemos chamar de realidade – não a realidade ilusória que todo ser humano acredita em estar – mas a realidade natural que um dia poderemos conhecer. Dai com o conhecimento e o método (método vem do grego “methodos” que quer dizer caminho) certo, poderemos achar o caminho ao equilíbrio universal e esse equilíbrio universal e a quebra do que o budismo chama de samsara, ou a roda do destino. Curiosamente, o filósofo alemão Nietzsche vai dizer que estamos num eterno retorno, porque tudo que não assumimos que a vida nos desafia, vamos sempre viver aquilo até tomarmos uma atitude. É o que muitos não entenderam, as ações geram conflitos entre o que é e o que se pode ser, só que o que se pode é uma ilusão, porque estar na hipótese e o que foi é apenas o que ficou de lembrança. Então, aquilo é o que ele é hoje, no agora, nesse instante verdadeiro e único. Ao escrever esse texto eu não quero que ele termine, porque estou feliz de escrever esse tema, mas um dia ele tem que acabar e terei que passar pela morte desse momento, esse prazer quando é superado é um sofrimento e se é sofrimento não é o prazer. Talvez essa seja a ilusão, tratar as coisas e os prazeres como se fosse eternos e não são, são momentâneos. A eternidade é a consciência e a responsabilidade de nossos atos.

Então, podemos nos ater em sempre fazer o melhor para progredir sem “muletas” conceituais e sem se apegar ao outrem como um meio, mas se apegamos em nosso próprio meio. Se nasci com deficiência, não foi um castigo porque a própria bíblia dizia que Yashua (Jesus) disse que o “pai” é amor e não castiga ninguém e sim, dá cada um a oportunidade para cada um viver feliz. Μas minha deficiência é decorrente a uma ação de algo que meu espirito assumiu, ou algo que tenha que viver para obter certo aprendizado, porque meu espirito assumiu esse desafio e posso obter muitos aprendizados. A ideia de castigo, tem a ver com a ideia do perfeito, a ideia que só as pessoas perfeitas tem condições da felicidade e esse conceito é um conceito único dentro dos inúmeros que são conceitos ilusórios, porque nem o universo se comporta assim.


O que é certo ou errado? O que é livre e o que não é? São perguntas que devem ser respondidas em nosso coração, pois cada coração é um universo. Cada um faz do universo e seu infinito, assim, construímos nosso próprio karma.   

Essa musica tem a ver com o tema do texto



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