Por Amauri Nolasco Sanches
“ A Lei do Karma prega que responsabilidade para as ações nasce da pessoa que os comete. Nem bom nem ruim, o karma é neutro, um constante equilíbrio de forças entre nós mesmos e o mundo em que vivemos. É um sistema dinâmico, autoajustável no qual existe um feedback constante de acordo com a maneira com a qual nós aceitamos ou recusamos nossas experiências a cada momento. Nossa reação e atitudes diante da experiência é mais importante que a própria experiência. Pois KARMA significa 'ação'. Literalmente, alguma coisa 'que inicia um movimento 'em algum tempo no passado' tem um efeito em algum outro tempo.”(Lakshmi Lobato)
Lendo
esse pensamento da minha amiga Lak Lobato, eu fico pensamento em tudo
que anda acontecendo dentro do cenário politico e do próprio ser
humano. Há um erro muito grande que o ocidental ainda alimenta
graças a religião judaico-cristã – que tem uma leitura literal
tanto do livro sagrado dos judeus, o velho testamento, quanto o livro
sagrado dos cristãos, o novo testamento – aonde é colocado como
um castigo na mesma proporção da saída do homem do paraíso por
causa do fruto do conhecimento. Não é nenhum castigo. Na verdade,
“karma” é um termo sânscrito que quer dizer “ação” e toda
ação há de ter uma causa para aquela ação, porque tudo que
fazemos de bom e de ruim, em um outro momento dentro das leis do
universo, voltarão para você. Como a minha amiga disse, toda a
responsabilidade da ação que todo ser humano comete, em um outro
momento, se voltara ao mesmo ser humano como um bumerangue. Não tem
nada de castigo, só é o efeito de uma causa. Se matamos alguém, de
alguma maneira o universo se deve equilibrar o tempo e a permanência
do espaço que não tem mais o indivíduo que está morto, foi
arrancado de sua existência. Outro exemplo, para ficar mais fácil,
um pendulo de um relógio que os dois lados devem se equilibrar para
um não ir além do que o outro e haver um equilíbrio. A bondade
espiritual nem sempre é a mesma bondade humana, porque a bondade
espiritual é pura e sincera e não trata uns melhores do que os
outros.
Yashua
(Jesus), vai nos dizer que o reino dos céus são dos “pequeninos”
por causa da pureza do pensamento e a ação sincera sem a bondade
que quer algo em troca – que o filósofo Sócrates combateu com sua
maiêutica – que muitas vezes, não é o que precisamos de fato.
Nem sempre o que as pessoas pregam como moral ou como espiritual é
realmente uma mensagem pura, porque já está contaminada com os
valores morais que recebeu, isso não é vivido muitas vezes, em
algumas crianças. Quer pergunta mais sincera do que uma pergunta de
um “pequenino”? Yashua não disse diferente da lei do karma, pois
tudo aquilo que fizer para o outro, voltará na mesma proporção e
não é castigo. Então, poderemos dizer que a liberdade só se faz
valer quando temos dentro de nós mesmos serenidade para perceber
algumas comunicações, junto com essa serenidade vamos ter dentro de
si a consciência que nos mostra a pureza. Pois em outro momento,
Yashua nos diz que não devemos dizer para o outro para tirar as
travas do seu olho se não tirarmos as nossas, não adianta aceitar
sua palavra ou seu ensinamento e não refletir julgando o outro a
partir de seus valores que recebeu. Temos varias passagens de cunho
espiritual que podemos analisar mais a fundo sobre o karma, mas por
hora, ficamos na reflexão como algo a ser percebido e repensado.
Como a mais conhecida de todas as passagens que defende a mulher de
ser apedrejada e Yashua no final diz “...vá mulher e não peques
mais,”. O pecado é o distanciamento de toda a lei karmica que pode
ser resumida em um só pensamento, não faça aos outros o que não
quer que façam com você, assim toda a ação não consequência em
um efeito e vice e versa.
Buda
Sidharta Gautama procurou a causa de todo o sofrimento, mas meditando
em um rio – assim se conta – ele viu uma tigela flutuar dentro de
um encontro de dois rios. Viu que não ia nem de um lado e nem no
outro e ai ele pensou no equilíbrio, na vida equilibrada que poderia
dar ao seres humanos um equilíbrio e serenidade para não sofrer. O
budismo nos diz que o karma é a ação egoica que só pensa em si
mesmo – que podemos dizer que é um pensamento de tirar vantagem
sempre – e ilusório porque no momento aquilo existe, no outro
momento aquilo não existe. Todos os fatos e tudo que existe são
passageiros, o que realmente existe, é a ação e o efeito dessa
ação como consequência de nossos atos e a ilusão é achar que
tudo que fizemos, tudo que passamos, é culpa do outro e nem
percebemos que toda a ação deve ter uma reação. Será que a
maioria das dificuldades que temos na vida, as doenças que levam a
um estado de depressão, um estado de ansiedade não é fruto de
nossas próprias ações? Se hoje vivemos em uma ilusão onde o ser
humano ainda insiste em dizer que somos condicionados por informações
e religiões que enganam – muitas vezes se deixam enganar – são
a ação do próprio homem que tem como meta não o desenvolvimento
de si, mas a sobrevivência de um mundo que só muda o paradigma
politico, no entanto, a essência da ilusão é a mesma. O budismo
diz que o karma é somente um evento que existe que foi somente
causado pelo primeiro, sendo, que toda causa por ordem e por uma lei
irrevogável, tem seu efeito.
Ora,
toda ação que acontece dentro do nosso movimento é movido por
nossa vontade, porque mesmo que essa vontade seja condicionada pela
ilusão, mesmo assim, a ação que levou a nós fazer o que fazemos é
pela nossa vontade. Mas tudo é energia – mesmo que não
acreditamos em assuntos metafísicos – a física comprova isso em
escala universal, porque tudo depende dessa energia e mesmo a minha
vontade depende dessa energia. Se agora estou escrevendo esse texto e
estou pensando o que irei escrever é energia criada em um campo de
ação (karma) e vai resultar em um texto e esse texto uma reflexão
(dharma), o dharma é a lei natural e podemos chamar de realidade –
não a realidade ilusória que todo ser humano acredita em estar –
mas a realidade natural que um dia poderemos conhecer. Dai com o
conhecimento e o método (método vem do grego “methodos” que
quer dizer caminho) certo, poderemos achar o caminho ao equilíbrio
universal e esse equilíbrio universal e a quebra do que o budismo
chama de samsara, ou a roda do destino. Curiosamente, o filósofo
alemão Nietzsche vai dizer que estamos num eterno retorno, porque
tudo que não assumimos que a vida nos desafia, vamos sempre viver
aquilo até tomarmos uma atitude. É o que muitos não entenderam, as
ações geram conflitos entre o que é e o que se pode ser, só que o
que se pode é uma ilusão, porque estar na hipótese e o que foi é
apenas o que ficou de lembrança. Então, aquilo é o que ele é
hoje, no agora, nesse instante verdadeiro e único. Ao escrever esse
texto eu não quero que ele termine, porque estou feliz de escrever
esse tema, mas um dia ele tem que acabar e terei que passar pela
morte desse momento, esse prazer quando é superado é um sofrimento
e se é sofrimento não é o prazer. Talvez essa seja a ilusão,
tratar as coisas e os prazeres como se fosse eternos e não são, são
momentâneos. A eternidade é a consciência e a responsabilidade de
nossos atos.
Então,
podemos nos ater em sempre fazer o melhor para progredir sem
“muletas” conceituais e sem se apegar ao outrem como um meio, mas
se apegamos em nosso próprio meio. Se nasci com deficiência, não
foi um castigo porque a própria bíblia dizia que Yashua (Jesus)
disse que o “pai” é amor e não castiga ninguém e sim, dá cada
um a oportunidade para cada um viver feliz. Μas minha deficiência é
decorrente a uma ação de algo que meu espirito assumiu, ou algo que
tenha que viver para obter certo aprendizado, porque meu espirito
assumiu esse desafio e posso obter muitos aprendizados. A ideia de
castigo, tem a ver com a ideia do perfeito, a ideia que só as
pessoas perfeitas tem condições da felicidade e esse conceito é um
conceito único dentro dos inúmeros que são conceitos ilusórios,
porque nem o universo se comporta assim.
O
que é certo ou errado? O que é livre e o que não é? São
perguntas que devem ser respondidas em nosso coração, pois cada
coração é um universo. Cada um faz do universo e seu infinito,
assim, construímos nosso próprio karma.
Essa musica tem a ver com o tema do texto
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