Infelizmente seu crescimento na atualidade nos trouxe, entre outras coisas, epidemias de doenças extintas, a volta do terraplanismo e um império de notícias falsas e agressões virtuais contra aqueles que “ousarem” discordar.
(Anti-intelectualismo e o diagnóstico do subjetivo)
Sempre me interessei em aprender novas coisas e com a internet, li bastante sobre a história do mundo e a nossa (do Brasil). Mas, como separar aquilo que é pesquisado, estudado e são fatos (o veritas latino onde somos herdeiros) ou não é verídico e é só um “achismo” (doxa)? O “achar alguma coisa” tem a ver de juntar todos seus valores para se fazer um pré-conceito dentro da realidade, ou porque não concorda (é a minha opinião), ou porque quer sustentar suas crenças. Mas há um problema: Platão (que viveu no terceiro século antes de Cristo) sempre dizia que opinião (doxa) não era um conhecimento e podemos complementar, não sei se o filósofo disse isso em seus diálogos, que a opinião sempre é um impulso de defesa daquilo que se acredita como verdade.
Nós dentro da filosofia sempre perguntamos: o que seria a verdade? nossa verdade (do ocidente) vem de três bases: aletheia dos grego quer dizer não-oculto (agora entendemos a caverna de platão), depois vem veritas dos romanos que queria dizer, “relatar um fato”, e emunah que em hebraico quer dizer “a palavra de Deus” que foi realizada. Ou seja, no fundo temos sempre aquela sensação de uma coisa não-oculta que deve ser revelada e que tem que mostrar, realmente, os fatos por causa da promessa de revelar a suposta verdade. Ai que existe uma questão muito tênue entre verdade e realidade, porque verdade são aquilo que podemos ver ou perceber, enquanto a realidade é algo que existe independente da nossa consciência.
Na minha cabeça - pelo menos na minha concepção - não faz muito sentido o termo “pós-verdade”, porque “depois da verdade” vem a questão subjetiva se é o fato (veritas) ou é apenas o “acreditar”. Mas, de onde vem o “acreditar”? O termo “acreditar” tem a ver com crer, e se você crer em algo é porque você tem confiança de outras pessoas, mesmo que esse “acreditar” não tenha nenhuma comprovação (daí nossa origem no veritas). Como comprovar que políticos norte-americanos são “reptilianos”? Como comprovar que existem 13 famílias que podem, supostamente, mandar no mundo? Como comprovar que a Terra é plana? Não existe, de fato, nem mesmo argumentos lógicos e seguros que comprovem que as vacinas fazem mal, que existe um complô (seja lá que turminha) em conquistar o mundo e instalar o império do mal.
E o problema não é só a extrema-direita, tem a ver com a esquerda também que apoia o identitarismo como se fosse a solução. Se só a mulher tiver lugar de fala, como vai se discutir o problema feminino? Se só os deficientes têm lugar de fala, como vai se discutir o problema do capacitismo? Poderemos se estender para todo grupo dos ditos excluídos e marginalizados que são assim, muitas vezes, porque são reforçados para isso. Porque se fez uma aura em torno da favela, em torno de músicas que nada trazem, das besteiras que viram cultura para dizer que o brasileiro tem uma cultura própria. A favela é ruim e é péssimo morar em uma (a esquerda antiga sentiria vergonha da de agora), a música péssima que só tem duplo sentido ou fala de sexo toda hora, ou conteúdos duvidosos e sem sentido nenhum.
A questão do funk carioca fica bem mais estranho na esquerda, porque o funk se torna o que a Escola de Frankfurt chamaria de a Indústria cultural que é a massificação da expressão popular. Quem insiste em colocar como cultural só está reforçando o problema da falta de educação, a falta de uma intelectualização e nem conteúdo.
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