"Quantos ataques ao meu filho vou aguentar calada?"
Gritos de desespero de uma mãe como esse, mostra que ter um filho marginalizado pela sociedade - por causa de uma deficiência - deve sentir a exclusão e o esquecimento dos outros perante seu filho. Minha mãe me criou nos anos 80, junto em uma sociedade onde não tinha nada para pessoas com deficiência. Muitos eram “largados” em hospitais ou entidades como a AACD (Associação a Assistência das Crianças Deficientes, que era defeituosa nesse tempo), porque os pais não tinham dinheiro para bancar essa luta. Minha mãe tinha que pegar muitos ônibus, muitos não davam o lugar e mesmo com meus irmãos, as pessoas não eram simpáticas com aquilo. A história dos deficientes no Brasil - existe um livro, mas como tudo que envolve deficiência não é divulgado - tendem a ser como foi na era cristã: piedade e internação, fora os mendicantes.
As coisas não mudaram muito com medidas que só beneficiam nichos dentro do segmento das pessoas com deficiência. O que um deficiente que nem pode estudar vai trabalhar onde? Isenção de IPVA beneficia pessoas que não podem comprar uma cadeira de rodas? Quem se beneficia nessas medidas populistas que as pessoas acham grande coisa? Eu sempre defendi que se deveria ter prioridades e não ficar achando que isso aqui é um lugar superacessível ou que está tudo bem e vou pensar no meu, pois não vai ter seu, se não houver acessibilidade no Brasil inteiro. E para piorar, somos um povo reacionário por natureza cultural. Somos filhos de uma colonização medieval, uma modernização positivista-marxista, ignorantes de educação e o pior, somos uma nação pobre em cultura e em escolarização.
Um menino de apenas 8 anos, autista ser acusado de homofobia pelo professor podemos ver o nível da nossa escolarização universitária do nosso país, pois, se um universitário não tem uma postura de universitário, detém o conhecimento e tem comportamento como todo mundo, não merecia ser professor. Olhar um menino e não conversar com ele e dizer que aquilo que disse não pode, não poderia ser uma atitude de um docente preparado e estudado. A questão não é “mimar” o menino, eu trato todo mundo igual e não acho que tem que diferenciar, mas, há formas de se falar com crianças autistas que devem ser respeitadas. Ainda, segundo o blog Vencer Limite (do jornalista Luiz Alexandre Souza Ventura), há ainda determinações da justiça que a prefeitura de Ibaté (interior de São Paulo) disponibiliza professores auxiliares para alunos com deficiência e aprendizado diferenciado.
A mãe - como outras mães - Samara Vizzotto (37), uma mulher negra que trabalha como funcionária da faxina não tem nem acesso ao boletim de ocorrência do professor (um absurdo) ainda tem medo de perder o emprego por causa da luta pelo direito do seu filho. Quantas mães que conheço tiveram de “puxar o saco” por causa do simples direito do seu filho? Não devemos bajular, porque com a bajulação criamos uma cultura da bajulação e agora nossa cultura foi impregnada com isso. E o pensamento é simples: para que vou me prestar a contrariar os “poderosos” que podem tirar o pouco que meu filho tem.
Por isso, há algum tempo atrás, escrevi um dos últimos artigos no Prensa, onde disse que cachorrinhos tem muito mais direitos e podem passear no shopping do que seres humanos com deficiência. Quando vou com minha noiva no shopping, somos atropelados, as pessoas não tem noção de banheiro para cadeirante, as pessoas passar de repente na frente da cadeira motorizada e quando minha noiva esta saindo do banheiro, as pessoas passam e nem querem saber. Não respeitam ninguém e nem nada. Mas, no exterior, formas eugênicas são impostas para abordar crianças com deficiência.
Ainda é um longo caminho.
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