"Eu nunca quis agradar as multidões, pois aquilo que eu sei elas não aprovam. E aquilo que elas aprovam eu não sei!"
Epicuro
Concordo com Epicuro, eu nunca quis agradar ninguém por ter um espírito rebelde e não gostar de agradar as pessoas. Acho gostoso dizer um “não”. Acho que quando dizemos “não” para a grande maioria, colocamos um limite na questão social da individualização. Admiro quem tem essa coragem e nem escolhe lados, pois o lado transforma em uma luta legítima em mero discurso ideológico. Um “não” bem dado é uma revolução da “velha ordem”, quando todas as forças são canalizadas dentro de um propósito: mudança. Revolta, é uma irracionalidade canalizada só para a destruição sem construir nada de volta que possa ajudar o crescimento da humanidade.
A Revolução tem a ver com uma transformação muito mais abrangente, que visa promover mudanças estruturais em um sistema social, político ou econômico. E tem uma questão bem mais ampla: pode envolver um grande número de pessoas e geralmente se estende por um certo tempo que significa essa mudança. O objetivo dessa revolução sempre foi a criação de uma ordem social, substituindo a antiga. Ou melhor, a “velha ordem”, onde os que se interessam por ela e ganham com isso, sempre vão dizer que outras ideias não são filosofia, que outras ideologias são utópicas e as pessoas são iludidas por causa de discursos que o iludem. Talvez, essa infantilização tenha causado uma alienação muito mais porque ela tem a ver em olhar uma realidade que, talvez, nem exista.
Já a revolta é uma transformação bem mais específica, pois se concentra em uma questão ou problema específico e busca uma mudança mais limitada. Também seria um movimento momentâneo que tem curta duração, geralmente de característica por explosões de violência popular. E tem um objetivo muito mais focado,pois, é um movimento que busca corrigir problemas muito mais específicos dentro de um sistema existente, sem necessariamente derrubá-lo completamente. Ou seja, se revoltar é se indignar com algo que, moralmente, não tem como se aceitar, como enganar alguém, matar alguém por coisa fútil etc.
A questão se sobrepõem assim: o que é mais danoso para uma sociedade? Uma revolução pode colocar a sociedade em uma situação que pode levar a pior forma de conduta etica, no mais, pode causar profundas desigualdades dentro de uma sociedade. Por outro lado, quem garante que as pessoas irão ser prejudicadas? Porém, como vimos dentro da história humana, as revoluções colocaram seres humanos em um limiar das mudanças. O período moderno (e pós-moderno) colocou revolução como mudança como se períodos da história - em todo período humano - não houvesse essas mudanças. Mudar é adaptar-se a um período histórico. As mudanças assustam por vir de crises (estagnação social) e crises tem a ver com uma importância de refletir problemas importantes, momentos de reflexão.
Um “não” pode ser muito mais revolucionário do que partir de uma pessoa revoltada, porque uma pessoa revoltada não pode olhar para esse “não” de forma abrangente. Porque ir contra a multidão, muitas vezes, é preciso.
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