<<Preconceito é opinião sem conhecimento>>
(Voltaire, Dicionário filosófico (1764))
Voltaire enfrentou vários desafios sobre o preconceito defendendo o caso Callas - e muitos outros - e sabia que na maioria das vezes, muitas acusações eram de cunho preconceituoso e de interesses escusos. Dentro da história humana, vimos muitas crenças e muitos relatos de acusações feitas por pessoas por preconceito de desconhecer aquele povo, aquela condição ou aquele lugar. Até o século dezenove, tínhamos os “circos dos horrores” que pessoas com síndromes, com anomalias genéticas e deficiências eram mostradas como se fossem monstros. Herança romana. Diz a tradição, que a mãe do imperador Claudius - que tinha paralisia cerebral - o chamava de monstro, mas, mesmo assim, foi um dos melhores generais e um imperador forte e destemido. Talvez, a ideia de sofrimento de pessoas com deficiência seja propagado pelo ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana), por causa da ideia da caridade demonstrada nos evangelhos.
A questão teve seu cume na Alemanha nazista onde houve um decreto que mataria milheres de pessoas com deficiência, porque Hitler dizia (dizem que assinou chorando) que “eram sofredores eternos”. Hoje a coisa não melhorou muito, porque há leis que convenceram mães pelo terror e um discurso medicalista (positivista-utilitário), que uma pessoas com certas síndromes seriam criaturas sofredoras e que não podem nascer. Na verdade, o Estado estaria se eximindo de sua responsabilidade de deixar cidades e o ambiente mais acessível. A eugenia pós-nazismo se transforma em bem-estar e um mundo mais perfeito e feliz, só que tudo não passa de retórica para conseguir convencer uma parcela das mulheres que são livres para fazerem o que quiserem. Será mesmo? Liberdade de não ter um filho que só conta com a probabilidade de nascer com alguma deficiência?
Prefiro pensar que o preconceito é uma opinião sem nenhum embasamento que tem muito de senso comum, não vem de cima para baixo como diz Foucault, e sim, de baixo para cima. A deficiência tem uma coisa pior: a questão da deficiência tem a ver com a utilidade, a produção enquanto ser humano útil. Dai dava para irmos ao assunto do texto, pois, tem a ideia de acomodação e uma “pitada” de pirraça por parte dos universitários. Porque desde que vi um professor fã da Joelma (oi?) dançando no meio de uma escola músicas sem sentido nenhum, pude ver que o conhecimento não é a porta de pessoas mais críticas. Crítica que estamos falando não é “falar mal”, mas, no sentido filosófico em fazer uma análise muito mais profunda do que estou gostando ou do que nos impõe como gosto. A maioria acaba se tornando mais um na multidão.
Do mesmo modo, um professor acusar um menino com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de homofobia e que a escola - nem a prefeitura de Ibaté - não colocar professores auxiliares para ajudar o menino (e outros), nos dá margem a análise. Como o professor fã de Joelma, o professor acusador não tem um senso crítico de achar que um menino de 8 anos de idade, nem tem discernimento de saber o que é homofobia. Será ele um educador? Será que temos educadores que têm um senso crítico? Não. Mesmo com seu conhecimento, é mais um na multidão.
E se você ouvisse um comentário do tipo em um vídeo: “deficiente deveria se inscrever na AACD”? Poderia pensar: “ora, é só mais uma piada de um jovem ignorante”, mas há por trás dessa piada uma forte tendência capacitista. Lugar de pessoas com deficiência não é em uma universidade, é em institutos e entidades beneficentes como a Associação a Assistência à Criança Deficiente (AACD). A meu ver, essa nova geração não sabe expandir a discussão porque é movido pela emoção - como todo jovem - e porque foram criados a ler as coisas ao pé-da-letra (educação evangélica). Uns falam em um “empobrecimento da linguagem”, outros dizem que com o avanço de certas tecnologias (visuais) as pessoas só querem ver a imagem e não estudam, não lêem e nem fazem o esforço de entenderem o vídeo que estão vendo.

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