quarta-feira, outubro 28, 2015

Ninguém sabe o que é filosofia, muito menos Simone de Beauvoir






Uns dos maiores problemas do Brasil é a educação em todos os níveis possíveis e isso reflete dentro do que o brasileiro pensa saber como politica, mas politica também envolve ideologias e ideologias, queremos ou não, são teorizados dentro do pensamento filosófico. A extrema polemica que se teve na questão do ENEM – que esse ENEM foi muito bom para refletir – envolvendo algumas questões e envolvendo a filosofa feminista e existencialista Simone de Beauvoir (nunca acerto escrever seu sobrenome) que o conservadorismo tacanha do brasileiro – exatamente por não saber filosofia e não saber o que é educação – fica escrevendo coisas que não fazem sentido dentro da filosofia e dentro da própria filosofia. Qual filosofia temos? Como podemos entender de uma coisa que não fazemos a mínima questão que existe? Vamos entender o que é filosofia para entender o que Beauvoir quis dizer com a frase que está no seu livro parte 2 do Segundo Sexo.
Filosofia não foi usado (o termo) como uma disciplina em si mesma, foi uma resposta meio que “revoltada” de Pitágoras por ser chamado de sábio, a tradição vai dizer que o pensador de Samos, dirá que ele é um “philosophós”. Por que Pitágoras vai dizer isso? Porque ele não sentia diferente dos outros seres humanos, outros iguais a ele, foi um ato de rebeldia com o rei local que lhe colocaria como a mais de todos que estavam ali. O “philosophós” de Pitágoras era uma junção do termo “philia” (amor amizade) e “sophia” (sabedoria), ou seja, “amigo da sabedoria” como um companheiro que aprende com uma amiga. Dali por dante, “philia/sophia”, se torna uma forma de seguimos a sabedoria (sophia) numa eterna amizade (philia) que derivou o termo “philosophia” que é uma tentativa de romper com aquilo que não se cabia mais naquele momento. Assim como Diógenes, o cínico (cão, era uma escola socrática liderada por Leucipo), disse para Alexandre Magno sair do seu Sol após o soberano da Grécia inteira falar para pedir algo, Pitágoras vai desafiar também a imagem do soberano dizendo que não era sábio e sim, seu amigo. Não um amigo qualquer, era uma amizade intima com a sabedoria. Mas ao mesmo tempo, a sabedoria dava ao “philosophós”, uma revolta constante daquilo que a tradição fazia como verdade absoluta, mas que era um refugio para não mostrar sua ignorância. Todo fanatismo é a ignorância daquilo que temos medo, aliás, o fanatismo é gerado pelo medo e a incompreensão de certos fenômenos. Antigamente se inventavam deuses para explicar os fenômenos climáticos, o surgimento do mundo e até mesmo do ser humano, hoje em dia, esses deuses tomaram outra forma (como se a ciência tivesse dado outro rumo a hermenêutica da realidade), e essas formas são dentro do discurso hoje, como o fenômeno UFO ou vários fenômenos paranormais. Não que não existam, não é esse rumo quero chegar a discussão, mas tudo é aquilo que nossos conceitos acham real e esse é o problema, um ideal virar um fanatismo religioso. Isso levou a morte muitas pessoas inocentes e levou a morte Sócrates que num ato de revolta, aceitou essa morte e honrou as leis que levaram Atenas a submissão anos depois. A filosofia como pensamento é rebelde, pode ter uma espiritualidade, mas ainda sim é rebelde.
Com essa explicação sobre o que é filosofia podemos fazer a seguinte pergunta: qual filosofia vai construir a filosofia portuguesa e logo após a filosofia brasileira? O catolicismo. O espiritismo brasileiro é católico. O protestantismo brasileiro é católico. As religiões afro-brasileiras são de base católica. A filosofia brasileira, se acredita ou não em algum deus, é de base da moral católica. Não se pode negar isso dentro de pensamentos dos mais variados pensamentos dos pensadores brasileiros, nós ainda somos vitimas do fruto do pecado e devemos sair disso com a redenção deles. Mas antes disso a filosofia vem da patrística (agostiniana) e a escolástica (tomista) e consequentemente, nosso modo de pensar é um platonismo aristotélico, ou seja, nós só vamos ser felizes no paraíso (mundo das ideias) onde tudo vem e para onde tudo vai. Mas essa felicidade só se dará com a ética (que muitas vezes não temos), de sempre ter amigos por sermos animais sociais. Nisso tudo é uma educação extremamente machista (onde as mulheres devem sim servir o homem por causa da sedução de Eva ao oferecer a fruta do pecado a Adão) onde muitas vezes, as mulheres são submetidas as vontades do homem e o que é mais alarmante, mesmo um ato de liberdade (como acontece no funk pancadão), a mulher ainda é um objeto do homem em satisfazer seu desejo, seja objetivamente (pessoalmente corpo a corpo) ou subjetivamente (do mesmo modo das revistas masculinas). Somos ainda uma nação conservadora – no caso, moralista, por achar que o discurso é prioridade do que a pratica – ao ponto de achar que nem futebol, nem religião e muito menos, sexo, se discute.
Mas por que nenhuma dessas coisas não se discute? Porque nosso conservadorismo não entende e nem quer ser dialético e se impõem como uma moral, que em pleno seculo XXI, não cabe mais ao mundo e ao pensamento globalizado. Um estrangeiro iria rir muito a essa critica a prova do ENEM que configurou a critica a frase de Simone de Beauvoir, porque – mesmo em Portugal – se educa incentivando crianças a lerem filosofia dês de cedo, aqui, muito raramente. Estamos com 30 anos de democracia – o povo adora colocar a culpa na ditadura – e a educação (a grade curricular) não mudou, são as mesmas coisas inúteis, são as mesmas coisas que só agradam a industria, são ensinadas. Quando na sua vida você vai usar o Teorema de Pitágoras? Quando na sua vida você vai usar o Teorema Cartesiano? Existe 60% de tudo que você aprende na matemática e em outras matérias, que se você não for biólogo, engenheiro ou engenheiro espacial, isso dai só foi perca de tempo, gasto desnecessário do dinheiro publico, ainda, pega o tempo em matérias necessárias como português, filosofia, sociologia, ciência e historia, a matemática é uma matéria que deveria ser dado só o básico. Por isso ninguém escreve direito, ninguém interpreta um texto direito (já vi pessoas que pensaram que o texto era serio, mas era de blog de humor), não sabe as teorias cientificas, não sabem a pensar por si mesmo (por isso que existem pessoas seguindo fanaticamente religiões ou repetindo pessoas sem saber) e não sabem escrever nada, o mundo para ele é um lugar estranho. O que adianta um aluno saber o que é a raiz quadrada, se não sabe nem historia e muito menos escrever?
Outra coisa que muito jornalista de revistas que não informam e querem vender, muitos que causam polemicas desnecessárias não sabem é a sutil diferença entre o socialismo e comunismo. Primeiro, o socialismo e o comunismo – do mesmo modo o liberalismo, anarquismo, liberalismo democrático, etc – são construções ideológicas dentro de um panorama histórico, não foi Karl Marx que inventou o socialismo e depois, idealizou o comunismo, mas deu o viés cientifico. Assim como nem Prondhon e muito menos Bakunin, inventaram o anarquismo, mas deram uma arrumada para quem seguisse, não ficasse perdido numa infinita gama de vertentes. Na verdade o socialismo e o comunismo e se quisermos ser radicais, o anarquismo, são construções de filosofias humanistas que viam o homem dentro de uma perspectiva, mais ou menos, senhor das suas escolhas. Começa com Rousseau que nos dirá que o homem nasce bom, mas a sociedade que o faz ser malvado por causa dos inúmeros papeis que ele tem que exercer e outra, todo aquele que cerca um punhado de terra e diz ser seu, é um ladrão. Na verdade, Rousseau vai dizer o primeiro homem que fez isso e disse ser seu, inventou a propriedade privada e assim, levou o homem a luta constante. Voltaire, que era progressista, achava que o filósofo genovês estava exagerando, que o homem deve cada vez mais evoluir com a ciência. A grosso modo, o povo era pobre e explorado por causa desse primeiro homem, essa exploração por causa desse primeiro ato. Ora, se Rousseau estava certo ou não é outra historia, mas demonstra que o socialismo e o comunismo, já estava em andamento e graças a filosofia de Rousseau e Kant, depois, vai se acontecer a revolução francesa. Essa construção histórica ela é baseada no trabalho, no direito que tem o trabalhador dentro de uma fabrica, dentro de qualquer meio de produção. Essa construção vai desencadear varias vertentes que não se entenderão e cada um vai acreditar em um ideal, dai que Karl Marx vai dar rumo ao socialismo e ao comunismo como algo idealizado para estudo, pois a implantação seria e é difícil pela ganancia humana e os interesses de algumas instituições. Por que nações como Cuba e a URSS nunca deixaram de ser socialistas? O socialismo é uma maneira de se governar após a revolução, para ensinar a ética e a moral necessária para a implantação do comunismo, mas uma coisa essas nações erraram, não se pode fechar a economia e nem achar que tudo que se gasta, não precisa entrar nada. Não conseguiram porque os países ficaram pobres, ficaram países que o governo só, tem o dinheiro e o nivelamento foi para baixo e não de classe media.
Marx não era adepto ao ensino, mesmo o porque, o marxismo sempre visou as matérias básicas dentro das escolas e falar em uma “doutrinação comunista” numa prova do ENEM, é ignorância demais e só levara o Brasil numa escuridão e atraso, evidente. Ora, podemos nos perguntar: Paulo Freire em todo seu escopo de livros é comunista? O freirismo não é nem de longe comunista e nem visava uma doutrinação, porque Paulo Freire sempre dizia – e está registrado em video no YouTube para quem quiser ver – que o aluno aprende com uma construção do conhecimento, não adianta, por exemplo, ensinar a moral de Kant na maneira clássica que um adolescente que ouve rap ou funk, vai achar aquilo “chato” e até não vai querer aprender. O freirismo combate exatamente que a esquerda stalinista prega, a doutrinação de massa, porque para o freirismo, cada indivíduo é um universo. De onde tiraram que a obra de Paulo Freire é comunista, não tenho a menor ideia, mas se tratando de jornalista de revista falida, imagino que as universidades de jornalismo não estão ensinando direito ou simplesmente, é sem-vergonhice. Então, começamos a entender que a Dialética marxista – que vai usar a dialética hegeliana do senhor e do escravo – é uma construção de estudo e não uma doutrinação como aconteceu com o nazifascismo ou o próprio fascismo. O que fizeram depois, dai beira muto mais de um fascismo socialista e comunista, do que um marxismo propriamente dito. Só para deixar claro, não apoio e nem concordo com o socialismo, porem não se deve ser vigarista intelectual e inventar um monte de baboseiras para ganhar adeptos.
Sabemos que existe questões muito mais complexas e muito antes do advento do capitalismo que o socialismo não conseguiu combater, não conseguiu dar ao ser humano uma condição de ser que pensa e um ser que sente. Mas nem de longe, a busca de direitos da minoria é uma busca dentro do socialismo e o comunismo, pois o comunismo vai tratar o ser humano como só um animal social e politico, mas não um ser em constante construção moral e ética. Moral dentro de uma ideologia politica, deve seguir os designo daquela ideologia, pois o ideal não pode ser quebrado. A moral – que vem de mos que quer dizer, relativo aos costumes – é quase um modo de perpetuar um costume de um povo e de um ideal. Qual moral tem nosso povo? Qual linha de raciocínio tem um povo que não sabe o que sente? Vamos então entender a questão da critica.
Em todos os tempos sempre houve as minorias que eram e são discriminadas e sempre serão dominados. As mulheres sempre foram espolio de guerra, os homossexuais sempre foram mortos ou coisa pior, os deficientes sempre foram jogados na sarjeta, os negros sempre foram vistos como povos estranhos ao nosso, muito antes do capitalismo liberal, só se continuou a exploração. Foi o capitalismo que matou os índios? Não, foi o mercantilismo do absolutismo. Foi o capitalismo que escravizou os negros? Não, foi o mercantilismo absolutista. Não nada de errado em juntar o seu capital fruto do seu trabalho, o problema é a exploração que isso se leva com o mando e desmando de famílias que dominam a América Latina a seculos com seu populismo e a perpetuação doutrinaria. Com o advento da primeira guerra mundial – que os homens iam para a guerra – e a segunda guerra mundial, as mulheres tiveram que trabalhar. Numa dessas fabricas norte-americanas – os yanques adoram dar showzinho a parte – houve uma greve que o dono colocou fogo, matando muitas mulheres (como fossem animais, era essa a ideia de Max Weber de ética protestante?). Após esse advento, após outros adventos de preconceito e abuso de poder, as mulheres começaram a cobrar os seus direitos e isso ganhou força nos anos 60 do seculo XX, com força para romper certos paradigmas. Na verdade encurtei ao máximo por não caber, mas assim como o socialismo, comunismo, liberalismo, e etc, o feminismo é uma construção histórica de uma parcela que não mais podia permitir que homens tratassem elas como se fossem animais. Nesse momento do cume libertário cultural que se encontrava, quebra de paradigmas que estavam querendo voltar (com a morte de Kennedy e as varias ditaduras e o pior, a guerra do Vietnã), surge varias obras e umas delas é O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir.
O que Beauvoir fez com o companheiro Sartre não me interessa, estamos discutindo a obra e elevando um pouco mais o debate, os “bacanais” ou a sexualidade de cada pessoa deve ser respeitada, afinal, a maioria dos homens brasileiros são traídos por incompetência e eu não falo nada e nem me interessa. Continuando. A principal frase dessa obra é “Não se nasce mulher, se torna mulher.” e foi ela que gerou todo esse ataque, hora como doutrinação da ideologia de gênero, hora como uma tentativa de doutrina comunista (como se o comunismo defendesse alguma mulher, as russas e as alemãs estupradas no final da segunda guerra mundial, que o digam), como se o comunismo se preocupasse com frases e doutrinações num ENEM. Ideologia do gênero prega que todo homem e toda mulher é uma construção social – estão errados? – no sentido de não poderem fazer suas próprias escolhas. Claro que exagero. Uma mulher que mesmo numa cultura mais ou menos liberal, vai se sentir mulher ao se deparar para sua identidade individual de mulher, o homem com as facilidades que o gênero permite (porque o mundo ainda insiste ser machista), vai se identificar muito mais fácil com sua identidade masculina. Mas quando a homossexualidade em jogo? Quando a mulher é ensinada a ser mulher porque “mocinhas” devem se “comportar” e os “mocinhos” tem que sair por ai “galinhando”? Mas quando deixamos as crianças escolherem sua religião, sua ideologia, sua carreira e quem e onde casar? Eu fui criado que não é porque sou menino que vou “galinhar” por ai, não xingar nenhuma mulher de “vagabunda” mesmo que ela me agredir, e o mais interessante, que homens e mulheres são iguais. Cada um escolheu seu cainho, escolhi o meu em ser heterossexual, publicitário e TI, ser noivo de uma linda mulher e ainda ser anarco-libertário. E como disse Zakk Wyde, não tenho religião, sou um soldado de Jesus Cristo.
A construção de um caráter (ética), não é uma construção psicossocial dentro de uma etnia que estamos inseridos? Você não nasce negro, não nasce mulher, não nasce deficiente, não nasce pobre ou rico, não nasce homem e tão pouco, nasce brasileiro, europeu, norte-americano e etc, você torna a partir de imposições socioculturais que foram construídas dentro de seculos. Como sei que sou homem, brasileiro, deficiente (cadeirante), caucasiano (italo-hispano-basco) e que sou anarco-libertário? Pela identidade que foi construída dentro desses estereótipos que formaram meu caráter (ética) ao longo dos seculos e talvez, existe fatores ainda espirituais que as pessoas não gostam muito de colocar (principalmente no academismo). Esse é o discurso do poder que nos escraviza e nos faz pensar que somos providos de liberdade para tal escolha, mas existe liberdade quando somos e pensamos diferente? Simone de Beauvoir certamente, quis chamar atenção as outras mulheres que não são obrigadas a acatar os estereotipo que a sociedade acabam lhe pondo, como frágil, como que não sabe o que faz, como se dependesse do homem para tudo e hoje em dia, não é bem assim. Talvez isso gerou ódio mortal das mulheres – a educação daqui, muitos homens tem ódio mesmo das mulheres como se elas tivessem culpa do fracassado que alguns homens são – esse ódio vem do medo de perder tudo aquilo que se tem, perder os privilegias, perder a dominação e a religião cristã (Pelo menos a protestante), odeia esse discurso porque Eva tentou Adão a comer o fruto, as mulheres (que na cabecinha são descendentes de Eva) devem paga por isso por toda a eternidade. A pergunta é: isso que Jesus Cristo pregava? Não li nada disso nos quatro evangelhos que foram canonizados e em nenhum apocrifos que a igreja, claro, não reconhece. O que li é que sempre as mulheres eram defendidas por Cristo e ainda, o seguiam, principalmente, Maria sua mãe e irmãs e Maria de Magdala (Madalena num modo latino). Lógico que no velho testamento a mulher era submetida, estamos falando de uma cultura hebraica machista e nessa cultura foi construída as religião judaica, mas estamos falando do cristianismo e isso as teologias inúmeras não entendem, ou você é judeu, ou você é cristão.
Para concluir vamos refletir. Por que houve esse alarde dentro das alas mais conservadoras? Porque nosso povo brasileiro – seja esquerda, direito, corintiano ou palmeirense – odeia mudança por ser um povo acomodado, não temos a cultura de sair da nossa zona de conforto para mudar alguma coisa. Outra ala dentro do nosso povo, usa isso como 5 minutos de fama e é isso, querem fama e reconhecimento. Alguém acha que um intelectual que mora nos EUA ou em outro lugar, vai está preocupado com o Brasil? Claro que não. Querem ficar em evidencia, querem vender revista, querem pagar de revolucionários, quem sua parcela de fama. Isso é evidente. Claro que há exagero e posso dar uma de advogado do diabo e dizer que por um lado a mulher quer ser independente, quer ter sua vida, quer escolher o seu caminho, mas existe coisas que ela não abre mão. Como o homem pagar a lanchonete. Como o homem tomar as decisões difíceis. O homem defender sua honra. O homem ser protegido e ela bater na “outra” e etc. Como há homens criados para terem ódio mortal de mulher, como se elas fossem culpadas de sua desgraça de vida, nunca vão esquecer do pecado original. Não é uma construção social? Sim, claro. Mas se aceita essa construção como algo que aceitamos como verdade absoluta, mas não há verdades absolutas dentro de um prognostico social e isso não podemos negar. As varias teorias e utopias que prometeram tirar o ser humano das “correntes” – que mesmo Rousseau não conseguiu sair – que o aprisionaram (alguns querem ficar nessa prisão) e não conseguiram, porque é uma coisa cultural e não uma coisa que se pode mudar em uma hora para outra. Na verdade, não é as utopias ideológicas que vão salvar o ser humano, mas ele mesmo com o conhecimento e a construção do seu próprio ideal. Não é o poder que nos doutrinam, mas nós mesmos.


Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, publicitário, TI e filósofo.


quinta-feira, abril 02, 2015

O “astrólogo” e A Onda









por Amauri Nolasco Sanches Junior.


Quando leio que alguém chama o suposto filósofo Olavo de Carvalho de professor, instintivamente, me leva ao filme A Onda. Para quem não viu o filme é uma produção alemã que conta a historia de um professor que trabalha num colégio que ministra curso de uma semana, ele é escalado a ministrar o curso de autocracia, mas preferia o curso de anarquismo cuja o professor não quer trocar. Dando aula ele explica como funciona o fascismo e um dos alunos disse que hoje não existiria ninguém que aderisse ao regime, por causa da era da informação e tudo mais. Ele disse que sim, existiriam meios para que o fascismo se manifestasse. Resumindo, a classe inventou o movimento A Onda e criou uma especie de seita, onde até houve opositores e é claro, no final, um rapaz que acreditou cegamente no movimento ameaçou um colega e se suicidou quando o professor viu que estava indo longe demais e mandou parar. Era tarde demais, o professor de educação física foi preso.

Não sei o porque, mas existe pessoas que acreditam cegamente nesse sujeito que pode sim, criar uma ideologia cruel e que pode nos levar a uma extrema direita fascista nos moldes direitistas de ultraconservantismo. Ora, vocês acham mesmo que um sujeito entre 10 palavras 9 são palavrões, chingos entre outras coisas, pode ser chamado de filósofo e professor? Sera que um cara que acredita que o petróleo não existe, que acredita que ainda há um perigo comunista, que existe outras coisas das diversas teorias da conspirações, deve se chamado de pensador ou algo do tipo? A corrupção é “uma velha senhora” sim e não foi o atual governo que a inventou, ele somente institui essa corrupção ao nível federal, mas a própria burocracia fez o brasileiro ser corrupto, mentiroso e criar meios para chegar a um fim. O que ocorre é o perigo de um “olavismo” chegar as raias da loucura onde um sujeito que ninguém nunca ouviu falar, acha que pode ser chamado de filósofo ou algo do gênero.

Como sou meio seguidor da filosofia nietzschiana, não gosto muito dos diversos “ismos” que existem por ai, pois não existe fatos eternos e muito menos verdades absolutas, não há verdades absolutas que podem sustentar uma ideia todo o tempo. O PT viu isso de perto, outros viram isso de perto, até mesmo o catolicismo no tempo da reforma protestante viu isso, porque o tempo e os fatos não são eternos e as verdades nunca são absolutas. Até mesmo a teoria do big bang está sendo questionada hoje e já se trabalha que o universo é um emaranhado de informações, tudo se renova, tudo evoluiu dentro do universo graças a informação que esse universo se sustenta. E não está fora do evangelho, pois o apostolo joão dizia que tudo veio do verbo e o verbo está com Deus. A informação só é feita com o verbo, a palavra, os código que se fizemos um exame minucioso, está em tudo que tocamos no mundo. Como disse um dia Heráclito, não pisamos numa mesmo água duas vezes num rio, pois tudo flui e nada pode ser conservado eternamente. A eternidade é um numero que ainda não imaginamos, não sabemos, não calculamos e não podemos nem ao certo, idealizar. Então, o erro do conservador que gosta das coisas comodas, nunca quer mudar, é não aceitar as mudanças para melhor evoluirmos e nos conservar como especie. A milênios eramos nômades, certamente houve quem resistisse que fixasse em aldeias, mas isso foi importante para a evolução que hoje somos uma civilização.

Vários regimes caíram porque não se sustentam farsas por muito tempo, a informação dá ao ser humano o melhor meio para se fazer suas escolhas por si mesmo. No outro lado, com tantas pessoas despreparadas e com uma escola fraca que nem ensina a ter uma visão critica e de maior abrangência, isso vira uma seita ou um movimento ideológico, construído envolta do medo de coisas que muitas vezes, não existe. Não existe mais um perigo comunista – que perigo nunca existiu – como não existe mais perigo nenhum, são farsas ideológicas que vão minando uma real necessidade de mudar alguns paradigmas que se tem inevitavelmente, que mudar. Não se pode ficar em uma ideia ou ideologia por muito tempo, não podemos achar que algo ou alguém pode salvar uma coisa que só nós podemos salvar. O que esse pessoal fica achando que uma “celebridade” virtual é realmente um professor de filosofia e sabe que tudo que está fazendo, levará a resultados desastrosos no final? Por que não está nem ai? Porque ele mora nos EUA e não aqui. Tanto faz para o cara o que vai acontecer aqui, o cara como qualquer escritor, quer vender livros e nada mais. Mas o nosso povo ainda insistem em querer um “messias”, um salvador de almas e de homens, um líder que nunca vai existir, porque um verdadeiro líder é aquele que instrui outros lideres e isto, ainda não existiu e se esse paradigma egoísta, velho, podre e que já não serve mais, não acabar, nunca vai existir. E concordo com Deleuze, não existe governo de esquerda, porque todo governo exige a não mudança para melhor governar, o que existe é a pressão popular que faz parte da verdadeira democracia, mas uma pressão baseada em ideias muito bem construídas dentro da sua própria visão. E não um bando de pessoas seguirem um doido qualquer e achar que o cara é o “fodão” porque o cara é contra o governo, só porque o cara diz o que varias pessoas querem ouvir, isso não é cidadania, isso é insanidade.

Aqui as pessoas infelizmente, por sermos um povo ainda ingenuo politicamente, acreditam na sinceridade de outras pessoas ou de instituições e acabam fazendo com que esse “eco” ressonante seja ouvido em muitos lugares, mas que não faz nenhum sentido. Há problemas muito antes desse governo, aliás, muito desses problemas são problemas vindo já na proclamação da republica – onde vários fazendeiros e donos de engenhos (vulgos coronéis), convenceram o marechal Deodoro da Fonseca, sabe se lá como por vingança da lei áurea – e que o governo de agora, que sempre prometeu uma mudança e que prometeu ética, nunca cumpriram essa promessa. A ética nunca foi uma matéria muito bem ensinada, seja na nossa escolarização, seja na nossa educação moral porque já vem da nossa cultura a falta dela.

O problema é que nossos intelectuais e filósofos não analisam as coisas num modo de debate, pois parece que eles ainda são professores e nós os alunos. Alguns até se nós contestarmos ou corrigimos algo, nos deletam ou nos bloqueia como se nós não devêssemos contestar eles, contestar seus escritos ou fazer dos seus textos ou ideias, um ponto para o debate. Só sei que se não tomarmos cuidado, com certeza muitos serão os que farão eco e assim, começou os fascistas, porque o povo não é democrático.


quinta-feira, março 26, 2015

Politização dos “idiotas uteis”.






Por Amauri Nolasco Sanches Junior.


''Qual é a face de um covarde? É a nuca, quando ele foge de uma briga!''
Frank Underwood (House Of Cards)


Essa frase de Frank Underwood (Kevin Spacey) quer explicar o covarde, porque a face de um covarde sempre é a nuca e lembrei de um monte de pessoas que “agitam”, falam e depois, caem fora. Isso acontece em todos os níveis e é bem o retrato do nosso “amado” povo, porque a covardia se transveste de interesses ou vantagens. Dai lancei uma pergunta ao meu Facebook: nosso povo é politizado ou é uma demonstração (mais uma delas) de “modinha”? Ou é só uma maneira de sermos aceitos em uma das “turminhas”? Na verdade, nosso povo é maquiavélico, porque sempre justifica qualquer meio para se chegar a um fim e nem sempre esse meio, é o meio reto de se fazer as coisas.

Quando o pessoal repete aquela famosa frase de Aristóteles que o homem é um animal politico, não entende o contexto que essa frase foi escrita e nem o que acontecia no cenário politico nessa época. Quando Aristóteles escreveu essa frase, o cenário politico grego era de “politikons” que eram os homens que pensavam no bem publico, eram altruístas e eram ativos para dar a “polis” a grandeza sempre, agora existia o inverso, o “idiotices” eram homens que pensavam em si mesmo, só pensavam no seu próprio bem. Então, quando ler ou ouvir algo, pesquise e leia sobre isso e não publique coisas que nunca existiram. Porque a frase tem um significado muito mais profundo do que esses pseudos-pensadores que não passam de doutrinadores para levar, hora uma ideia que não existe, hora ideias para a doutrinação de uma ideologia que a massa deve apoiar e isso também é a politização dos “idiotas uteis”. Mas o que deve ser um idiota útil?

Muito provavelmente, isso não sei ao certo, Lenin deve ter usado o termo “idiota” como um ser que não tem as facilidades mentais normais e precisa de tutores, é o que os governantes populistas fazem, eles criam uma imagem de tutelado. É o que o próprio Marx vai chamar de “alienação”, ou seja, o capitalismo (industrialização), vai colocar a cultura e os meios culturais para doutrinar os meios do ensino para que o trabalhador não questione a maneira que ele é tratado e que existe a mais valia (o pagamento do trabalhador muito menos do que o produto que ele produz), e também, dar mais serviço para ele não refletir. Isso não podemos negar que a industrialização fez e depois o capitalismo, o que houve e isso algumas pessoas contra o comunismo socialista – muitas delas nem leram Karl Marx e nem sabem o que é o verdadeiro marxismo – confunde a deturbação soviética do marxismo e o marxismo em si mesmo. Lógico que muitas ideias de Marx chegam a ser utópicas e sem fundamento – a suposta guerra de classes que não existe porque não existe dois seres humanos iguais, entre outras coisas – mas não são nem 1% do que ele próprio escreveu e sim, um comunismo que não existe nas obras marxistas. Só por analisar essa ínfima falha do pensamento daqui, nós já sabemos como a maioria analisa, sempre o que os outros dizem. Isso é perigoso, tanto do lado a favor, quanto o lado contra.

O lado a favor ainda tem um discurso contraditório, porque dizem que o “bolsa-família” tirou muitas pessoas da miséria, mas ao mesmo tempo, diz que existem muitas pessoas que não tem estudo por exatamente o que comer. Ora, ou uma coisa ajudou ou não ajudou, desculpas para justificar um fim não são meios para justificar um fim que é o fim politico, pois a politica não é o que “Fulano” fez no quintal da minha casa, mas numa nação em geral. Outra coisa, quem disse que o PSDB (Partido Social Democrata Brasileiro) é de direita? Até aonde sabemos – pelos menos aqueles que acompanham de modo neutro a politica – eles sempre tiveram uma politica de centro-esquerda é só ver as entrevistas do FHC. Mas não estou dizendo que o PSDB está certo ou está errado, estou dizendo o que é certo e o que é a verdade, porque aqui se separaram muito as coisas de modo perigoso como se todo cara de esquerda tivesse que ser comunista e todo cara que fosse de direita tivesse que ser capitalista. O Brasil não entendeu ainda que ser politizado não é falar mal do partido do governo ou apoiar o partido do governo, não é ser de esquerda e de direita, não é porque o “filosofo” disse que o partido do governo vai dominar o mundo que ele é o máximo, jornalistas que falam contra o governo é o máximo, ou quem defende os pobres e oprimidos. Politica tem a ver com condutas sociais de um indivíduo com o corpo social, pois queremos ou não, a sociedade querendo ou não, somos uma comunidade e comunidade tem suas regras politicas, morais e éticas. Reflexo disso estamos assistindo no meio politico (no executivo) hoje. Não é porque um partido faz o que gostamos que ela está certo sempre e nem o que não gostamos ele está errado sempre, há no meio politico verdadeiro uma critica neutra dos fatos, sem no modo sentimental da coisa, sem interferir na nossa empatia ou simpatia.

O problema de toda analise, pelo menos aqui, sempre passa pelo crivo da emoção e não no crivo da razão e fica uma discussão rasa e pobre. Fica apenas criticas vazias de uma analise que não se tem base de informação para acontecer, ninguém que é contra o comunismo leu nenhuma obra comunista (talvez nem uma obra politica) e quem é a favor também nem leu obras comunistas, obras liberais e nada que faz uma critica a favor ou contra o regime comunista. Poque uma critica nem sempre é para julgar algo, mas sim, uma analise muito mais aprimorada daquilo que se propõe e isso é importante dentro de uma analise dentro de qualquer doutrina – seja o modo ideológico ou o modo religioso – porque a critica pode ser sim construtiva em base das propostas e soluções. Os termos adjetivos como “coxinha”, “reaça”, “milico”, “petralha”, são só modos infantis de analise rasa e que em se tratando de politica, fica um debate muito mais de “bate boca” do que um debate serio e sem premissas pouco analíticas. Então, cheguei ao ponto que deveríamos chegar, ou seja, um contra o outro para instalar o caos e depois dar a solução e a solução sempre é a ideologia que o partido prega.


Quando temos prioridades além das diversas ideologias que vimos por ai, vimos a politica um pouco mais além do que o senso comum consegue enxergar. Não vou deixar de ser cadeirante por ser de esquerda, não vou deixar de ser cadeirante por ser de direita, mas a lei e os benefícios devem ser para todos. Acontece que nunca os governos com uma proposta liberal (que o pessoal chama de direita), faz promessas de mudar alguma coisas no que algumas correntes dizem ser a “minorias”. Acontece que o governo que se diz de esquerda – que nem sempre é comunista, socialista ou de satã – prometem e nem sempre cumprem como no caso do governo que defende politicas sociais, mas quando se questiona essas politicas (quando não feitas) fazem “corpo mole” e não fazem mesmo. Sera que a grande maioria não enxerga isso? Sera que o povo vai realmente pensar direito? Até lá, só iremos ver nucas

terça-feira, março 17, 2015

“...filósofos suicidas, agricultores famintos...”.





Aos 17 anos eu ganhei meu primeiro livro de filosofia. Nesse momento minha critica ficou cada vez voraz, não só em matéria da deficiência e das politicas publicas para pessoas como eu, mas até mesmo tive uma visão politica mais acentuada. Confesso que até pouco tempo não conseguia escrever sobre politica, mesmo admirando filósofos que desafiava o poder – de alguma maneira até mesmo Jesus, Buda e outros – mas achava que eu não teria uma carga de fatores que eu poderia dar no meio politico como opinião e como um conhecedor do assunto. O que estou vendo é que perto de muita gente eu sou acadêmico e uma pessoa acadêmica não pode, pelo menos eu sempre achei isso, ter parcialidade e não é isso que eu vejo.

A filosofia é o “amor a sabedoria”. Ela fala grego e tem sangue grego e tem a liberdade grega. Heidegger dizia que a filosofia deveria ser dita “philosophia” porque a “phlia” (amor) é um amor de amizade, um amor que temos pelos nossos amigos e não uma indiferença ou empatia com o pensar do outro, o pensar é livre e a liberdade (eletheia) era algo que poucos tinham direito e então, esses poucos eram os “politikons”. Mas qual a razão (logos) de uma liberdade (eletheia) a não ser, a procura da felicidade (eudaimonia)? Muitos desses “amantes da sabedoria”, os “philosophós”, eram analíticos e procuravam essa origem de nosso ser e onde poderíamos nos ater na felicidade (eudaimonia). Mas o que podemos chamar como felicidade (eudaimonia)? Os gregos tinham outra visão da felicidade (eudaimonia) porque para eles era uma procura onde entra onde viemos – que poderiam ser explicados pelos mitos – e sermos bons e temos o “ethos” para alcançar a sublime satisfação de viver da “polis”. Na verdade o “ethos” era muito diferente o que hoje temos como ética, pois depois de 2.500 amos, o mundo mudou muito como vimos a sociedade e como essa mesma sociedade se comporta. Mas, a velha filosofia tem o DNA grego, a “philosophia” como amor pela “sophia” (sabedoria), levou o homem a acordar a sua irmã a “democratia” que adormecida em um leito de seculos pelo sonífero “absolutismo” e pela “idolatria”, foi acordada e a “res-publica” (coisa publica) renasceu com a Revolução Burguesa, ou a revolução francesa.

Aqui a democracia é muito recente, não tivemos nenhum período que chamaríamos de princípios democráticos, pelo simples fato de não sermos democráticos, não somos um povo que respeita as “cidades-estados” como se vivêssemos em sociedade. Ainda não paramos para pensar que estamos no século xxi e não somos mais uma sociedade medievalista e nem uma sociedade que pode se chamar de socialista, somos uma sociedade perdida, porque ainda esperamos um “salvador da pátria”. Não gostamos da democracia, porque nossa maneira de dizer e falar tem que prevalecer e não não queremos tirar a “bunda” do sofá para nada, porque somos trabalhadores ou porque somos a favor da democracia social (vulgo populismo), onde o governo tem que dar algo a alguém, sendo que, o governo nos dá “oportunidade”. Não podemos negar a importância de Karl Marx numa conjuntura social. Mas espera ai, antes mesmo que os “esquerdistas” (sim, há uma diferença entre “esquerdista” e pessoas a favor da esquerda, pois um esquerdista é um militante numa guerrilha verbal e panfletaria, uma pessoa a favor da esquerda usa argumentação seria. Isso também existe na direita), usem meu texto para justificar o injustificável, Marx só fez uma analise conceitual da sociedade quanto ao industrialismo, a pratica de sua filosofia seria insana com uma sociedade consumista e hipócrita dos dias de hoje. Mesmo o porque, você dando mil reais para um, não vai ser o mesmo de dar mil reais para outro. Pessoas não são iguais, pessoas não são robôs feitos em serie e nem acho, quando tivermos tecnologia para isso, os robôs serão iguaizinhos. Não. Temos diferenças corporais, neurológicas, espirituais. Então, por mais justa que uma filosofia pareça ser, nunca irá ser o bastante para criar um conceito de igualdade que só deverá ser alcançado com a mudança de nós mesmos, mudanças intimas. Assim, a “philosophia” chama a uma reflexão muito profunda para essas questões e algumas – que são inúmeras – que veio muito mais antes que o marxismo aparecesse e que o marxismo não resolveu. Quem estuda filosofia e é catedrático em filosofia, sabe muito bem disso, mas muitos aqui fazem ouvidos moucos. E deveria e muito, saber o fator histórico de todos os regimes que se passaram dentro do século XX, principalmente, o fascismo e o nazismo e o porque todos os países tem classe media, alta e baixa. Sempre achei que “philosophós” deveriam ser “neutros” para analisar as coisas “de cima das montanhas” como o velho Zaratustra de Nietzsche.

Mas parece que aqui no Brasil – como as maioria das coisas mundiais que vem para cá – os “philosophós” são um pouco diferentes, são pessoas que tomam lados e esquecem da conjuntura da analise critica que até Marx, defendeu com tanta veemência. Até mesmo nosso marxismo tupiniquim é diferente. Nossa esquerda é diferente. Nossa direita é diferente. Nossos filósofos com “s” e não “ph” como defendia Heidegger, fazem uma leitura superficial daquilo que nossa sociedade realmente necessita, pois necessitamos de um pouco de neutralidade para uma analise muito mais acima do que a maioria o fazem. Nós, os “philosophós”, não podemos analisar algo de superficialidade duvidosa ou que temos a “philia” a “sophia”, temos que amá-la incondicionalmente e dizer as pessoas que há uma analise politica muito além do que aquela que mostram os jornais ou que mostram a mídia em geral. Não podemos ter lados, não podemos ser parciais, porque sabemos um pouco de historia. Agora quando “filosofas” e professoras universitária começam a gritar “bloqueando os fascistas” ou que “odeia a classe media”, para mim, são mais militantes do que “amantes” da “sabedoria” e isso eu confesso ser socrático. Ter um posicionamento critico, não é ter um posicionamento reacionário ou de extrema-esquerda ou extrema-direita, é ter um posicionamento acima disso, ter um posicionamento além para se chegar a “sabedoria” e essa “sabedoria” não tem polos. Mas parece que não há uma analise, não há uma imparcialidade nem ao menos entre nossos filósofos, porque escolheram posições e muito poucos quiseram fazer analises “imparciais”. Parece que a “imparcialidade” é uma coisa ruim aqui, coisa de covarde, coisa de “criancinhas”, como disse um certo rockeiro para uma certa rockeira por ela ser imparcial. Mas a politica é uma só, a corrupção é dos dois lados, aliás, falando em Brasil a corrupção é cultural, infelizmente. Então, por que sermos “parciais”?

O debate fica um pouco interessante, quando eu coloco essa pequena frase de uma musica do Legião Urbana, Petróleo do Futuro, onde o Renato Russo diz: “filósofos suicidas, agricultores famintos, desaparecendo de baixo dos arquivos.”, numa alusão clara da ditadura militar. Podemos ampliar muito mais, porque essa frase, logicamente, cabe em qualquer tipo de ditadura, seja de governos socialistas (que se dizem de esquerda), sejam de regime de direita (que são fascistas). O socialismo não gosta de “philosophós”, porque questionam suas metas para chegar a um fim, os fascistas por motivos óbvios sempre mataram e torturaram os “philosophós”. Por que apoiar esse tipo de regime? Por que apoiar ideias que não cabem mais? Por que analisar algo acima do que realmente é precisamos de alguma ideologia? É uma idiocrasia do nosso povo, uma particularidade que não tem no resto do mundo, porque todas as pessoas não sabem aqui serem neutras, ainda mais pessoas estudadas. O ser humano desce na sua mediocridade.



Amauri Nolasco Sanches Júnior – escritor/filosofo 



quarta-feira, março 04, 2015

Cor sim, cor não – o vestido quântico.

Credito: tumblr




Houve a polemica do vestido se era dourado ou branco, ou branco ou preto. A maioria acertou e a minoria acertou também porque chegamos a duas teorias quando nos deparamos com essas polemicas, as pessoas veem aquilo que são levadas a ver. Uma parte pela linguagem – porque tudo aquilo que conhecemos temos um termo – e a teoria quântica que diz que o observador e o objeto observado não são separados. Aliás, isso é o que acontece quando vimos qualquer opinião, qualquer figura, qualquer coisa que mexa com nosso conceito e a nossa mais intima maneira de pensar.

Primeiro a linguagem, pois na linguagem temos os termos que designamos algo como um objeto que pode ou não, ser o objeto do nosso desejo. Algumas pessoas, por exemplo, viram o vestido branco e azul por causa da reflexo da luz, que na verdade, é o mais importante nessa experiencia. Por que? Vimos as cores graças as vibrações dos fótons, porque quando a luz estava fraca e há uma escuridão, as pessoas viram azul e branco, quando estava mais claro, branco e dourado. Mas estávamos falando na linguagem. No momento que chamo ou dou uma qualidade, estou dando um termo para aquilo como se esse termo (ou nome) fosse referencia para designar aquilo, afinal como disse Wittgenstein, o nosso mundo é feito da nossa linguagem e dessa mesma linguagem e feito de fatos e não de coisas. Mas voltaremos depois com isso na parte da física. Por hora a linguagem faz parte em tudo que fazemos, tudo que somos, tudo que desejamos e tudo que vimos e sentimos no mundo fisicamente e sentimentalmente. Por isso o filósofo austríaco não estava errado, de fato nosso mundo é feito de nossa linguagem e tudo que dissemos é algo para demonstrar algo. Se pedimos maçãs vermelhas é uma designação para algo especifico como qualidade (vermelho/cor), quantidade (fruta/objeto). Se sei que aquilo é uma maçã é porque muitas gerações aprenderam que aquela fruta se chama maçã – os termos são paradigmas que fazemos sem olhar muito de onde vem ou para quê servem – assim como a cor vermelha, mesmo, por exemplo, que no inglês chamamos de “red”, ela continua vermelha. Na verdade a diferença de linguagem pode dar uma noção bastante interessante quanto a isso, porque a cor vermelha e a fruta maçã muda de nome (signo) no inglês e passa se chamar “apple red” que seria a mesma coisa, mas em termos diferentes.

Quando passamos a dizer que o vestido é branco e dourado, estamos dizendo que a característica do vestido é branco e dourado, porque aprendemos o que é branco e dourado e por aprender que só tem isso na foto, nada mais. Mas outra pessoa está vendo preto e azul, que é o que está vendo naquele momento, porque é o que está enxergando como algo verdadeiro e que é um aspecto da mente. Mas como sabemos se é mesmo dourado ou azul? Como sabemos que aquilo é mesmo preto ou branco? Porque aprendemos que aquilo que reflete como cor tem um termo (ou signo) que dizemos para designar um objeto ou um objetivo (qualidades são objetivas para designar um estereótipo padrão), assim sendo, quando dissermos que algo é dourado estamos dizendo que tudo que parece aquela cor é dourado, então, aquela cor amarelo escuro, passa a ser dourado. O ouro é dourado por ter essa cor, como existem também simbologias que dizem que o dourado é a cor da sabedoria, assim como o branco por ser uma cor suave (que são todas as cores juntas), é a cor espiritual, a cor angelical que designa tudo que é da mesma cor, como o leite, por exemplo. São associações que fazemos para designar o estereótipo do branco, pois aquele vestido parece o leite e o ouro, então é branco e dourado. Quando associamos algo azul e preto, como a noite ou algo que vimos na escuridão da noite, então, o preto é a escuridão que nos amedronta e o azul ali, é o que se aproxima e não sabemos. Arrisco, talvez eu esteja errado, que são estereótipos da nossa ancestralidade, pois uns viram uma coisa, outros viram outra, remontando nosso campo de visão.

Não é difícil enxergar, vendo que essas coisas tem significado para a historia e evolução humana, que o ser humano enxerga tudo aquilo que é importante e a importância é construída dentro dos seus valores. Aliás, voltando ao jogo de linguagem, toda palavra expressa em sua natureza algo que está embutido dentro do que carregamos como valores que aprendemos. Então, se vimos o vestido branco e dourado é porque estamos vendo já com o conceito de branco e dourado, se estamos vendo preto e azul, é porque estamos vendo com o conceito de preto e azul. Mas na verdade o que estamos vendo é a luz refletindo sobre o vestido e a não luz refletir o vestido, que na essência, não existe porque nós fazemos dele um objeto para um objetivo que é uma roupa feminina. Eu, pessoalmente, vi apenas um vestido porque não coloquei nenhum valor na imagem, na verdade, nem me interessei em saber a cor do vestido. Por que? Porque os meus valores estão muito mais no que esta além desse vestido, pois ele para mim nesse momento não existe, não importa, não é algo que a vida minha precisa dele. Eu não quero saber mais do que o outro, não quero saber a cor dele, não quero me envolver aquilo que as pessoas estão condicionadas em sempre competir. Dai vi que na verdade o vestido tinha listas douradas, azuis e o contorno preto enquanto o resto é branco, porque não estou na competição para saber mais ou menos, estou só vendo uma imagem, nesse momento no agora, sou o vestido que a minha mente faz a leitura das cores e a imagem se funde com minha realidade. Então, o observador (eu) e o observado (objeto) são um só naquele instante. Todos os valores, todos os conceitos, todas as crenças, se fundem numa imagem só. Por isso que toda denuncia de injuria ou de preconceito, temos sempre que enxergar tanto os valores quem observa, quanto aquele que escreve ou diz.

Se uma pessoa diz que toda pessoa tem dentes, todo mundo vai concordar porque é uma realidade para todo mundo, mas se a mesma pessoa diz que certa etnia não tem o dente molar e assim, são seres humanos inferiores, todos irão dizer que aquele pessoa tem um preconceito quanto aquela etnia. Na verdade, a pessoa pode ter o direito legitimo de poder dizer aquilo e aguentar depois as pessoas darem a sua opinião da opinião dela (a pessoa em questão), mas que isso foi forjado dentro dos valores que essa pessoa aprendeu e muitas vezes, não disse isso para ofender, mas fez isso de forma natural. Ela está alienada (ignora a realidade), daquilo que realmente é e ainda está naquilo que era ou que pode ser, mas aquilo só é, existe naquele momento porque aquilo é o que é e não o que pode ou não pode ser. A não aceitação de uma realidade ou uma condição – não confundamos conformismo ou passividade – não aceitaremos opiniões ou a realidade como ela é sem julgar aquilo desnecessariamente ou fazer daquela realidade algo que ela não é. É o que ocorre com qualquer fanático, seja ideológico ou religioso, só vê aquilo que acredita ser a verdade (a sua própria realidade). Mas como disse Jesus e outros avatares, “conheceis a verdade e ela vos libertarás!”, ou seja, a verdade é o agora dentro da realidade única do universo, porque a verdade somos nós e toda nossa alma e conceito. Se vimos branco e dourado, aquilo não é a verdade, porque são imagens já fabricadas dentro de um conceito estereotipado que nossa sociedade fabrica.

A “verdade” é tudo que acreditamos e o que vimos, porque a verdade quer dizer “aquilo que é real” e aquilo que é real ou realidade, é construída dentro dos valores que nos ensinaram. Se você é cristão, na sexta feira santa não se come carne – por causa do sofrimento de Jesus no calvário – quem não é religioso e nem acredita no cristianismo, só é mais um feriado qualquer. Criamos nossa realidade naquilo que acreditamos ser a verdade, mas verdades se dissolvem a partir de algum conceito que muda, os paradigmas mudam, as coisas que foram discutidas já não estão mais em voga. Então, por que ainda acreditar em verdades que não ajudarão em nada nossas vidas? O agora é a verdade e ela nos liberta porque não esperamos nada além daquilo que possamos prever como realidade, aliás, muitas dessas verdades são apenas o medo do desconhecido, medo da incerteza e medo de uma crença que não existe. O vestido só existe porque há um termo para a vestimenta, como há um termo para as cores e naquele momento aquela imagem nos torna a real, a realidade da foto que estamos observando se funde com o observador e tudo que ele enxerga é a sua própria realidade. O branco de dourado é a cores coletivas, a verdade coletiva que muitas vezes não existe, não é a realidade de fato. Então, a verdade só há lá fora, quando não vimos como os outros, não nos interessamos como os outros, não temos as regras e nem os “porquês” dos outros. Transcendemos o vestido e vamos muito além dele, muito além daquilo que está na imagem, do sol que bate e pode refletir cores que não vimos, pode mostrar a nós que a realidade pode ser outra. A pessoa pode não ser o que pensamos ou a pessoa pode nem ter reparado que tiraram uma foto, mas a essência disso tudo é que não existe uma realidade, mas muitas realidades em uma só e essa é a única parte que não devemos nos apegar, a uma só realidade.


Amauri Nolasco Sanches Júnior

 (Publicitário, Técnico de Informática e estudante de Filosofia)

terça-feira, fevereiro 17, 2015

Os “deuses” do seu ego






Umas das coisas que sempre me intrigaram, foi que sabíamos que um ser humano não poderia abrigar toda a energia de um Deus supremo, e o criador não pode ficar preso em sua criação. Então, a minha noiva deu a solução, que sempre divinizamos as pessoas que Deus usa para satisfazer nosso próprio ego. Ou seja, dizemos que os sábios, profetas, espíritos superiores são “deus” encarnado para satisfazer nosso próprio ego. Mas o ser humano faz isso por natureza quando nós sempre colocamos alguém como exemplo de alguma coisa, para satisfazer meu “ego” de sempre me colocar como “vitima” do universo. Na verdade, o universo não está nem ai com o você.

O “ego” que nós colocamos é o falso “eu” que é fabricado pela cultura social no qual vivemos, porque não nascemos como determinada pessoa, vamos moldando nossa personalidade conforme vamos vivendo a sociedade e os costumes que essa sociedade nos transmite. Isso chamamos de moral (modo de costumes), onde as pessoas são moldadas conforme o costume que ela aprende, como por exemplo, se você nasce em uma família hindu vai referenciar Krishna, se você nascer numa família cristã você vai referenciar Jesus Cristo, se você nascer numa família judia vai seguir os dez mandamentos mosaicos e vai reverenciar Moisés por ter trazido a terra prometida. O mesmo vai ser com o budismo, com o islamismo e por ai vai, mas essa reverencia só é uma parte para satisfazer seu próprio ego de satisfazer aquilo que aprendemos como cultura, para alimentar nossas próprias “verdades”. Essas “verdades” moldam os nossos “egos” deixando sempre nos enveredar nas ilusões que pensamos ser o caminho, afinal, Jesus disse que estreita é a porta e só quem a vê pode atravessá-la.

O ego que coloquei não é o “eu” como ser que existe (que seria o minha personalidade verdadeira), mas o “eu” falso que desejo aquilo que não se é. Não sou, por exemplo, o que as pessoas pensam, porque eu sou o que eu próprio sou enquanto ser existente. A ilusão faz parte do tempo, porque as pessoas imaginam que sou algo ou alguém, porque não olham nas atitudes do Agora, mas olham nas atitudes do ontem e do amanhã que nem existe ainda. Também não podemos moldar uma personalidade por causa de uma atitude, porque as vezes, aquela mesma atitude foi feita por causa das circunstancias que foram preciso ser feitas. Por outro lado, as pessoas são o que elas são, elas renegam o presente porque se iludem com que a cultura nos ensinam, o futuro não é mais como antigamente, as pessoas mudam, o progresso humano não pára porque a evolução biológica e espiritual não vai parar nesse momento.

Por que não prestar atenção em detalhes que não prestamos atenção normalmente? Um exemplo é que a maioria não presta atenção nem mesmo nas musicas que cantam, porque até vão contra as convicções que eles mesmos acreditam. As musicas que dizem harmoniosas – aqui no Brasil harmonia não quer dizer alegria, pois somos um povo levado a cultuar a tristeza – são letras que acabam com a alto estima do cidadão e muitas vezes, não colabora com uma analise mais detalhada do intuito. Qual cidadão em sua sã consciência, com seus valores conservadores (que muitas vezes são contra o funk carioca), iria cantar uma musica onde o chefe está fazendo um assedio a secretaria? Ou que a noiva vai casar, mas escreve uma carta para o ex, dizendo que o grande amor da vida dela é ele? Isso é traição, não só das pessoas envolvidas, mas traição dos seus próprios sentimentos de sempre usar uma mascara social para agradar o outro. Não ouço musicas que todos ouvem, nem fico preocupado com a harmonia (só quando estou em estado de meditação), ouço o que gosto e o que me agrada porque não estou preocupado em agradar a maioria, estou preocupado em agradar meu prazer de ouvi o que me faz bem, o que vai me trazer a alegria daquele momento. O ídolo (endeusação do ser humano) fascina as mentes viciadas em colocar algo além daquilo que elas acreditam não ser, o mundo se torna algo “monstruoso” onde o outro faz e você é a vitima sempre.

Isso vem do “endeusamento” do ser que não pode ser tocado, não pode ser alcançado porque divinizamos o nosso próprio ego. A humildade que todos pregam, é uma falsa modéstia daquilo que é produto de nossa arrogância de não admitir que somos ignorantes diante de alguns assuntos e alguns saberes. Por isso o filósofo Sócrates sempre dizia que nada sabia, porque realmente, nada sabemos de concreto, porque sempre estamos mudando o que sabemos e o como podemos transformar aquilo em informação. Mas se nós não se livrarmos de velhos conceitos, não vamos rever e construir conceitos novos, construir até algo melhor daquilo que pensamos no passado. Mas isso só pode ser feito no agora, nesse momento, nesse instante. Dai que as filosofias orientais vão dizer para interiorizarmos nosso “eu”, que temos que olhar sempre o agora, sempre nesse momento, nesse instante, não a toa, que no budismo não existe nenhum “deus”, porque a interiorização é a base para conhecer nosso espirito (reflexo da nossa energia vital e consciência personalizada que é o que somos, corpo incorruptível) e interligar com nossa origem que chamamos de criador (força motriz que se manifestou em tudo que existe). Mas ao saber falsas sabedorias (o fruto da falsa ciência), apegamos a ilusão que nos cerca de falsas realidades e a consciência dessas falsas realidades, que fazem de nós construir falsos egos. Não nascemos com nosso nome, não nascemos com os milhares de estereótipos que povoam a sociedade de hoje.

Estereótipos são imagens que nos apresentam com termos para tal exteriorização da sua crença. Por exemplo, muitas vezes eu não exponho minha deficiência ou para mim não é uma coisa diferente porque convivo com ela a todo instante dês de quando nasci, pois para mim a cadeira onde estou sentado é só um meio para se locomover. Mas por alguns que não aceitam ou falam tanto nessa condição de maneira sofredora, que muitas vezes, isso vira algo padronizado. A não aceitação é a ilusão daquilo que poderia ser e não é, porque o que é não é aceito, mas não pode mudar, temos deficiência nesse exato momento. Se existir uma cura, se existir um tratamento, ele pode existir, mas não existe nesse momento, nesse instante e só existe minha deficiência, só existe minha existência numa cadeira de rodas e isso que não vai mudar. Podemos aceitar e sempre evoluir nesse proposito de adaptar nossa vida melhor possível, mas não “achar” que um dia vai ser curado, que um dia vai existir tratamento, agora somos deficientes. Mas a sociedade – graças as pessoas que não se aceitam – criaram uma imagem de sofredora, de que somos vitimas da sociedade e nem sempre somos, só alguns se sentem assim e não a maioria. Mas se criou um tipo de “divinação” da condição da deficiência que não deixa temos uma vida como qualquer pessoa, não deixa nós temos nossas vontades serem saciadas porque não somos humanos, somos “anjos”.


Então é o alimento do seu próprio ego de sempre colocar como superiores, sempre com a colocação que somos “anjos” e a falsa modéstia e a demagogia de querer aceitar o que no intimo não se aceita, em ajudar alguém que você “acha” que é inferior, mas não é inferior, é humano. O ser humano precisa ver, precisa ter uma imagem para sentir a existência porque o ego (eu falso), padronizou que se não há uma imagem real, se não há uma imagem que nos coloca um estereótipo e algo sagrado, não temos como sagrado. A não aceitação que os avatares (seres que trouxeram a consciência da energia cósmica ou além dela, que criou tudo, o Divino), são seres humanos e não Deus, deu ao ser humano o poder de controlar o outro ser humano, a satisfazer seu próprio ego. O meu ser divino (que eles chamam de deus) é melhor do que o seu, a minha religião (religação) é melhor que a sua, então se cria uma barreira entre coisas que não são separadas, mas coisas juntas. Não existe duas ou mais energia, mas uma só, um só poder que leva o ser humano ao proposito da criação. Buda, Jesus (Yeshua), entre outros, eram humanos que se deixaram ser usados pela energia divina para levar o mundo o verdadeiro caminho, a verdade que liberta. Para eles o importante não era o futuro, mas o agora, não o passado, mas o agora, não o que não somos, mas o que somos. Não somos cristãos, budistas, hinduístas, entre outros, somos seres espirituais querendo estar ligado ao proposito e sentir o sagrado, nossa origem. Então por que separar? Por que vestir mascaras que não existem ou existem para o controle humano? Não somos nada, somos seres em busca da nossa origem e essa origem se alcança dentro de nós mesmos. O resto, é só aparência. 

terça-feira, janeiro 13, 2015

Entre a ética e a “devassa” hipocrisia












Eu estou lendo vários comentários sobre o massacre da revista Charlie Hebbo e vejo um pouco de hipocrisia, tanto da parte liberal (que se coloca pra direita), tanto quanto os socialistas (que se coloca pra esquerda). Eu sempre tive o pensamento igual do filósofo francês Gllles Deleuze, não existe nenhum governo de esquerda e isso é verdade, porque ser de esquerda é mudança e nenhum governo pode mudar a situação que obedece o interesse de muitos. Não é isso que acontece quando partidos de esquerda tomam o poder, não se muda os paradigmas, se coloca outra roupagem. Então não tente me convencer que tal governo faz isso, tal governo faz aquilo que não faz e ainda arranja os idiotas uteis para se matarem por ele. Quem em sua sã consciência se mataria por um governo – tirando é claro o soldado porque ele é obrigado a morrer pelo governo – que não quer saber de você, um “zézinho ninguém” no meio do nado sendo coisa nenhuma? Ou o sujeito é um safado que enxerga o que lhe interessa, ou é ingenuo o bastante para enxergar algum beneficio na miséria disfarçada em ganhos.

O que vimos é a pouca vergonha de não se respeitar o outro, nem do lado da revista (que pelas imagens é um “lixo”), nem por parte dos radicais que não entenderam que podem fazer o terror, o ocidente continuará cristão e dane-se suas metralhadoras. Mas será que Deus não é um só ou não é isso que pregam? Pode ser uma energia sutil e não pode interferir com a vida de ninguém, é apenas uma energia primordial, ou existe uma grandiosidade tão infinita da existência dele que não podemos medir com as medidas humanas. Porque somos falhos ainda em questões de grandezas infinitas – apesar que percebo que tudo que o ser humano não consegue medir ele coloca como infinito – porque nossa consciência não alcança tal grandeza. Então, para mim não interessa nem quem morre por religiões que nada explicam e nem quem negam, porque a ciência não é detectora de toda a verdade do universo. Nem mesmo sabe o que há em baixo do mar, muito menos, o que existe além das fronteiras entre a vida e a morte. Não sabemos nem em que solo está a nossa própria casa, se o Sol – após oito minutos – vai explodir e levar todo o sistema de planetas junto com ele, ou o núcleo da Terra esfriar e levar o planeta a deriva no universo, ou que Marte pode escapar da sua gravidade e bater no nosso planeta. Onde fica nossas verdades? Sinceramente, uma revista que não respeita a cultura e crença alheira não pode existir e nem mesmo aqueles que se acham “porta vozes” de Deus ou Alá, para dizer o que temos ou que não temos que acreditar.

É totalmente infantil um fazer “pirraça” para o outro como se isso fosse resolver todos os males do mundo. Aliás, nem venha “estuprar minha consciência” dizendo que se Deus existisse não haveria miséria, como se Deus tivesse obrigação suprema de fazer você rico, de fazer o mundo justo, mas ele mandou vários fazerem as mudanças. O que o ser humano fez? Crucificou, envenenou, matou em facada, foi apedrejado, foi morto a tiro e muito mais por causa da pobreza de espirito de muitos e se deixou manipular por causa de poucos. O interessante é que não há “coitado” nessa historia toda, pois os dois lados não vão parar e o ser humano entra na crise ética, a crise ética é a crise dos valores humanitários e a cultura superior.


A humanidade se distanciou do “ethos” para alcançar algo que não está ao seu alcance, como o voou de Ícaro, voou tão alto que derreteu suas asas de cera. As “asas” são seus conceitos e sua ciência que lhe fez sair da prisão, mas lhe fez também cair de lá de cima com suas guerras, sua ideologias que mais são ideologias comparadas a uma ética prostituída e pobre. Por que prostituída? Porque infelizmente, a ética moderna e pós-moderna atende interesses diversos de ideologias, de ideais, de crenças, de poder, de gloria e etc. Poder de dominar? Gloria de ficar famoso? Se você tiver o poder perde a liberdade, se você tem a gloria da fama você perde sua individualidade e o que resta é um zumbi, um nada, um coisa nenhuma e o que adiantou alar o que quis, entrou num buraco como os outros. De repente, kant na sua superioridade filosófica estava certo em dizer que a humanidade desejava a sua minoridade – não de idade e sim, de conceitos – porque ainda não demarcamos onde começa a minha liberdade e termina do outro e vice e versa, como uma sociedade mais ou menos, ética. Ter opinião é uma coisa, ser idiota é outra bem diferente. 

sábado, janeiro 10, 2015

O Fogo de Prometheus e o Destino das Górgonas








A imagem de Prometheus e o fogo da sabedoria 


por Amauri Nolasco Sanches Junior.


O que esses dois personagens da mitologia grega, tem a ver um com o outro e o que eles tem a ver com os acontecimentos que se seguiram nesta semana? Sabedoria e humanidade. Ora, o titã – pré deus olimpiano antes da guerra que deu supremacia a Zeus – Prometheu, era um grande defensor da humanidade e deu ao ser humano, o fogo da sabedoria e não a toa, foi castigado pelos deuses por tal feito em uma água comeria seu figado eternamente. Estranhamente, nós ocidentais criados dentro das escrituras do Velho Testamento, nos deparamos com o fruto do conhecimento do bem e o mal e os “elohim” dizendo que ficaríamos iguais a eles. Sera que esse conhecimento – diga-se esclarecimento do bem e do mal – deu ao homem o poder de decidir seu destinos e os “deuses” não poderiam ser contrariados? Certamente, nós reles mortais, não poderíamos ser iguais aos “deuses” porque os mesmos não poderiam perder o trono do conhecimento e sabedoria e então, puniram aqueles que defendiam uma maior sabedoria e conhecimento para a humanidade. Não esquecemos que a serpente também vem do mito da sabedoria – a religião institucionalizada cristã esconde esse significado – que dá ao ser humano o discernimento entre o bem e o mal, e está claro, que não é Deus que condena e sim os “elohim” que é os “deuses”. Ora, quem são esses “deuses” que não queriam que o ser humano tomasse posse de sua sabedoria e do conhecimento? Sera que o poder e outras gamas de coisas são esses “deuses”?

Certamente a sabedoria é o fogo que apagamos ao longo de nossa historia. Na mitologia grega tardia, havia o mito das górgonas que eram Medusa “a impetuosa”, Esteno “a que oprime” e Euriale “o que está ao largo”. Se olhássemos para o rosto da Medusa (a impetuosa) seremos transformados em pedra, petrificados pela aparecia da impetuosidade da humanidade consigo mesma diante do que não concorda e a opressão diante daquilo que não age como. Então, existia mais duas que era Esteno “o que oprime” e Euriale “a que está no largo, ou aquela que que dá a volta ao mundo”. As grandes górgonas estão nas sociedades humanas sempre quando a sabedoria e o conhecimento nos liberta da superstição que sempre rodou o ser humano. Mas cuidado, há diferenças enormes entre superstição e mistica, que pode confundir numa analise mais detalhada dentro das razões que construíram a cultura humana ao longo desses milhões de anos. O que vimos é que sempre quando a ordem mundial está fragilizada com a dicotomia entre bem e o mal, como se estivéssemos sempre em um eterno filme ou historias mitológicas que o mocinho sempre luta com o monstrinho do mal. Mas algumas vezes, muitas vezes aliás, nem sempre o que restou das tradições são importantes hoje e sim, na época que esse tipo de cultura foi criada ou posta em pratica.

O que estamos vendo é o fim de um mundo que se evolui e se torna algo muito além do que as culturas da crença – não confundamos mistica – onde se acredita no que o líder disse, não o que há dentro da tradição filosófica daquela religião ou daquele segmento doutrinário filosófico. Mas o que podemos acreditar como verdade? O que podemos acreditar numa cultura que gosta de impor o que acredita e não sabe, por meio de discurso, levar a convencer de suas ideias? Prova está em todo segmento religioso ou ideológico, onde a verdade se transforma em um pilar para construir dentro da cultura ocidental, uma crença que vem dês de quando sairmos das cavernas e colocamos as vidas das antigas famílias nômades (clãs) nas mãos de um só líder.

O que vimos na França é o reflexo de crenças medievalistas que levam o ser humano ao extremo em matar por causa de uma crença, mas há por trás do islamismo uma mistica muito além do que armas, há uma ligação muito forte dentro de muitas misticas. O islã está conquistando muitos ocidentais – também brasileiro – pelo que é em sua essência, uma causa a ser seguida que o ocidente simplesmente, matou e não matou só as crenças, matou Deus e tudo que ele significava antes lá trás. A ciência levou ao ser humano inventar varias novas técnicas – como eu estou me locomovendo na minha cadeira de rodas e escrevendo no meu notebook – mas as ciências também são para responder as perguntas que tanto permearam dentro da filosofia. De onde viemos? Qual o destino do universo? São perguntas que as respostas dependem de pesquisas serias que muitas vezes, não são respondidas. Por que? A ciência se dogmatizou e criou dentro de si uma indumentaria que de repente, não pode ultrapassar dali. Então, se matou um dogma da crença cega – que não é e nunca foi o intuito da religião – para colocar em outro dogma cego que acabou matando um ideal e criando milhares de preconceitos. Como desenhar charges pornográficas usando imagens sagradas das pessoas ou de repente, chamar as pessoas negras de macaco e tudo mais. Lógico, que não justifica mortes por causa disso, mas se você se expressou, haverá sempre reações adversas aquilo que você disse ou desenhou, é humano isso. Mas esse desdem ao que é sagrado é completamente, acadêmico e Nietzsche em meados do século dezenove, alertou sobre isso.

Quando Descartes formulou seu pensamento em meados do século quinze para o dezesseis, não era para o ser humano deixar em acreditar, era para o ser humano duvidar de tudo. O método cartesiano, não é um método onde qual as pessoas deveriam duvidar das coisas, mas ter a certeza que eu existo porque a partir do meu pensamento eu vejo que sou um ente no mundo. Ou seja, a única coisa que eu tenho certeza é o que eu penso, o eu sou é a única certeza que tenho. Mas isso foi pelo fato de Descartes ser teísta – ele era católico devoto – disse isso aos céticos, se eu tenho que duvidar do que eu não vejo (metafisica) – por não conter base cientifica e nem empírica – então devo duvidar de tudo que existe (física) porque não temos certeza de nada. Ou seja, se temos que duvidar de um ritual de milagre de uma igreja evangélica, temos que duvidar da ida do homem até a lua, porque estão na mesma proporção de crença, porque não estamos lá. E outra, quem garante que aquele abacateiro do meu quintal existe mesmo? O existir e não existir se tornam algo subjetivo e quando se torna coletivo numa causa nobre, é claro, se torna algo objetivo porque vai além do que uma mera crença e vira um ideal. Isso também funciona nas ideologias politicas e nas ideologias filosóficas e até mesmo, na ciência seria.

O escarnio daqueles que buscam a liberdade, não passa de fascismo disfarçado de ideal libertário, mas esses são só escravos do preconceito e das amarras de conceitos que ainda pensam ser de livre expressão, mas não são e ainda, cometem suicídio ideológico provocando a “besta”. Podemos até arriscar o que Thomas Hobbes disse, o homem é o lobo do próprio homem? Sera da natureza humana ter dentro de si, que não respeita e quer competir com a cultura do outro pela supremacia da sua própria? A democracia não fez do ser humano melhor nem na Grécia antiga e muito menos agora – mesmo eu tendo a certeza de ser um regime ótimo – pois não deu ao ser humano o real conhecimento, o outro é importante e não a si e de onde viemos. Se distanciamos da nossa origem por causa de uma liberdade de mentira, forjamos uma liberdade que nos prende (paradoxal, não?) que se você sai disse é um imaturo, um prisioneiro das crenças que não mostram a verdade. Mas cadê a verdade? Cadê a realidade que nos liberta das amarras do que nos prendem? As prisões foram construídas ao extremo ao outro extremo, pois os dois são militantes e estão em eterno conflito porque o ser humano não criou dentro de si um equilíbrio entre a duvida e a certeza. A duvida é o intuito da pureza, porque é inútil ter alguma certeza, como se fossemos superiores por não acreditar naquilo.

Como disse, não confundamos mistica com crença, porque a mistica vem de você mesmo, pois um mistico vai perceber as coisas sagradas muito além do que mera crença. Crença é só acreditar sem entender, o mistico entende aquilo como algo a ser alcançado sendo único. Mas como chegar em uma total unidade com o TODO se o mundo nos engana com suas ilusões? Ter ideias e convicções se deve sim expressar, mas sempre com maturidade e respeito, sempre acreditando que o mais importante sempre é o ser humano. Quem sou eu para tirar a fé das pessoas? Quem sou eu para mudar sempre o pensamento do outro? Ideias sempre são compartilhadas, com respeito e honestidade intelectual sempre. Afinal, as pessoas devem repensar as amarras intelectuais para não ferir o outro, não ferir aqueles que não querem ser esclarecidos e tem esse direito. Mesmo que você pense ser um absurdo aquilo, é de direito as pessoas acreditarem como é de direito as pessoas respeitarem a vida, porque quando uma crença não respeita a vida das pessoas, perde o valor.


A mistica do fogo é sempre sermos sábios. 

A mais conhecida das górgonas é a Medusa (a impetuosidade) que sua cabeça foi arrancada por Perseu e seu corpo deu vida ao Cavalo alado Pegasus.