terça-feira, agosto 20, 2024

O JORNALISMO DE VERDADE E O FASCISMO DAS REDES SOCIAIS

 





Por Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

Quando fazia publicidade, eu sempre ouvia de um professor meu de publicidade – porque era o curso de comunicação social de publicidade e propaganda – que o jornalismo era primo irmão da publicidade. Se um colhia dados e informa o que esta acontecendo no mundo – hoje em tempo real – o outro colhe dados para fazer uma propaganda que atrai o publico de comprar. Porém, o que vimos no jornalismo de hoje, tanto da “máfia das letrinhas” e de cabelo azul com piercing na sobrancelha, é que há muito mais militância do que dar uma opinião sem viés. Intelectuais por estudarem a sociedade e a história do Brasil e o mundo, deveriam ser mais céticos na questão de política.

E por falar em comunicação, sábado dia 17 perdemos um dos maiores comunicadores de todos os tempos no Brasil que foi Silvio Santos aos seus 93 anos. E no mesmo dia, artigos começaram a circular dentro da mídia demonizando e militarizando o apresentador. Os jornalistas militantes se esqueceram que se antigamente existiam só eles – como a VEJA que soltou esse tipo de artigo primeiro – criticando a posição de Silvio Santos diante do governo militar. Já outras postagens falavam de um “suposto” apoio do apresentador e empresário diante da ditadura. Que teve sim, uma ditadura que se preocupou mais em caçar os comunistas do que melhorar o Brasil, estatizou empresas inchando o estado brasileiro e por causa da impressão de dinheiro e a dívida externa crescendo, tivemos hiperinflação.

O que empresários e donos de tv e radio poderiam fazer? Apoiar a ditadura do proletariado que queria o socialismo e perder suas empresas de comunicação? Sejamos racionais. Dizer “verdades” está acima de qualquer militância e não tem como “verdades” aquilo que interessa ou gosta de ouvir. E sabemos que, Aristóteles dizia que a ética era a arte da pratica e não só da teoria, pois, as democracias modernas esqueceram desses ensinamentos por terem ficado nas mãos dos fracos (burgueses que eram apenas comerciantes das vilas romanas e depois, na idade media, eram os que forneciam especiarias e ferravam os cavalos do rei e nobres daquele feudo), dos ressentidos (todo “ismo” tem uma carga de ressentimento) que querem o poder.

Nietzsche (porque sou nietzschiano) dizia que todo “ismo” eram modo dos fracos convencerem que os fortes eram culpado do fracasso de todo mundo. Mas, a aristocracia moderna sempre foi produto de um cristianismo (calcado dentro de nobres que tinham que ser padres, minorias que tinham que se submeter a religião para sobreviverem) que disse ao mais pobre que deveriam se conformar. Afinal, o que vimos em toda a história humana? Niilistas contra a vida tomarem o poder e relativizar a ética – distorcendo a virtudes nobres da alma – e a verdadeira nobreza do espírito? A superação desse niilismo seria o Übermensch que é o homem sair do estado de espírito de rebanho que o homem moderno (uma farsa) se encontra.

Ou seja, a alma de rebanho seria um conceito de Nietzsche que dizia, haver no comportamento humano puramente submisso e irrefletido sobre os valores da civilização. O filosofo criticava essa submissão – da burguesia, do cristianismo e do poder – e incentivava a busca por uma vida mais autêntica e individual (sem modinhas e ir na onda dos outros) ao contrário a conformidade passiva com normas e costumes estabelecidos sem uma maior reflexão. Para ele, a verdadeira conquista envolve superar o que nos foi dado e criar ativamente nossos próprios princípios e valores. E isso, quem é o verdadeiro nobre, tem muito.

A questão da Ditadura Militar nunca foi por causa da liberdade democrática – que não tínhamos muito antes do militarismo – mas quem tomaria o poder. O verdadeiro jornalismo deveria olhar mais em temas além do humano (que, muitas vezes, cansam) e olhar em um modo muito além dos “ismos”.



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