quarta-feira, março 04, 2015

Cor sim, cor não – o vestido quântico.

Credito: tumblr




Houve a polemica do vestido se era dourado ou branco, ou branco ou preto. A maioria acertou e a minoria acertou também porque chegamos a duas teorias quando nos deparamos com essas polemicas, as pessoas veem aquilo que são levadas a ver. Uma parte pela linguagem – porque tudo aquilo que conhecemos temos um termo – e a teoria quântica que diz que o observador e o objeto observado não são separados. Aliás, isso é o que acontece quando vimos qualquer opinião, qualquer figura, qualquer coisa que mexa com nosso conceito e a nossa mais intima maneira de pensar.

Primeiro a linguagem, pois na linguagem temos os termos que designamos algo como um objeto que pode ou não, ser o objeto do nosso desejo. Algumas pessoas, por exemplo, viram o vestido branco e azul por causa da reflexo da luz, que na verdade, é o mais importante nessa experiencia. Por que? Vimos as cores graças as vibrações dos fótons, porque quando a luz estava fraca e há uma escuridão, as pessoas viram azul e branco, quando estava mais claro, branco e dourado. Mas estávamos falando na linguagem. No momento que chamo ou dou uma qualidade, estou dando um termo para aquilo como se esse termo (ou nome) fosse referencia para designar aquilo, afinal como disse Wittgenstein, o nosso mundo é feito da nossa linguagem e dessa mesma linguagem e feito de fatos e não de coisas. Mas voltaremos depois com isso na parte da física. Por hora a linguagem faz parte em tudo que fazemos, tudo que somos, tudo que desejamos e tudo que vimos e sentimos no mundo fisicamente e sentimentalmente. Por isso o filósofo austríaco não estava errado, de fato nosso mundo é feito de nossa linguagem e tudo que dissemos é algo para demonstrar algo. Se pedimos maçãs vermelhas é uma designação para algo especifico como qualidade (vermelho/cor), quantidade (fruta/objeto). Se sei que aquilo é uma maçã é porque muitas gerações aprenderam que aquela fruta se chama maçã – os termos são paradigmas que fazemos sem olhar muito de onde vem ou para quê servem – assim como a cor vermelha, mesmo, por exemplo, que no inglês chamamos de “red”, ela continua vermelha. Na verdade a diferença de linguagem pode dar uma noção bastante interessante quanto a isso, porque a cor vermelha e a fruta maçã muda de nome (signo) no inglês e passa se chamar “apple red” que seria a mesma coisa, mas em termos diferentes.

Quando passamos a dizer que o vestido é branco e dourado, estamos dizendo que a característica do vestido é branco e dourado, porque aprendemos o que é branco e dourado e por aprender que só tem isso na foto, nada mais. Mas outra pessoa está vendo preto e azul, que é o que está vendo naquele momento, porque é o que está enxergando como algo verdadeiro e que é um aspecto da mente. Mas como sabemos se é mesmo dourado ou azul? Como sabemos que aquilo é mesmo preto ou branco? Porque aprendemos que aquilo que reflete como cor tem um termo (ou signo) que dizemos para designar um objeto ou um objetivo (qualidades são objetivas para designar um estereótipo padrão), assim sendo, quando dissermos que algo é dourado estamos dizendo que tudo que parece aquela cor é dourado, então, aquela cor amarelo escuro, passa a ser dourado. O ouro é dourado por ter essa cor, como existem também simbologias que dizem que o dourado é a cor da sabedoria, assim como o branco por ser uma cor suave (que são todas as cores juntas), é a cor espiritual, a cor angelical que designa tudo que é da mesma cor, como o leite, por exemplo. São associações que fazemos para designar o estereótipo do branco, pois aquele vestido parece o leite e o ouro, então é branco e dourado. Quando associamos algo azul e preto, como a noite ou algo que vimos na escuridão da noite, então, o preto é a escuridão que nos amedronta e o azul ali, é o que se aproxima e não sabemos. Arrisco, talvez eu esteja errado, que são estereótipos da nossa ancestralidade, pois uns viram uma coisa, outros viram outra, remontando nosso campo de visão.

Não é difícil enxergar, vendo que essas coisas tem significado para a historia e evolução humana, que o ser humano enxerga tudo aquilo que é importante e a importância é construída dentro dos seus valores. Aliás, voltando ao jogo de linguagem, toda palavra expressa em sua natureza algo que está embutido dentro do que carregamos como valores que aprendemos. Então, se vimos o vestido branco e dourado é porque estamos vendo já com o conceito de branco e dourado, se estamos vendo preto e azul, é porque estamos vendo com o conceito de preto e azul. Mas na verdade o que estamos vendo é a luz refletindo sobre o vestido e a não luz refletir o vestido, que na essência, não existe porque nós fazemos dele um objeto para um objetivo que é uma roupa feminina. Eu, pessoalmente, vi apenas um vestido porque não coloquei nenhum valor na imagem, na verdade, nem me interessei em saber a cor do vestido. Por que? Porque os meus valores estão muito mais no que esta além desse vestido, pois ele para mim nesse momento não existe, não importa, não é algo que a vida minha precisa dele. Eu não quero saber mais do que o outro, não quero saber a cor dele, não quero me envolver aquilo que as pessoas estão condicionadas em sempre competir. Dai vi que na verdade o vestido tinha listas douradas, azuis e o contorno preto enquanto o resto é branco, porque não estou na competição para saber mais ou menos, estou só vendo uma imagem, nesse momento no agora, sou o vestido que a minha mente faz a leitura das cores e a imagem se funde com minha realidade. Então, o observador (eu) e o observado (objeto) são um só naquele instante. Todos os valores, todos os conceitos, todas as crenças, se fundem numa imagem só. Por isso que toda denuncia de injuria ou de preconceito, temos sempre que enxergar tanto os valores quem observa, quanto aquele que escreve ou diz.

Se uma pessoa diz que toda pessoa tem dentes, todo mundo vai concordar porque é uma realidade para todo mundo, mas se a mesma pessoa diz que certa etnia não tem o dente molar e assim, são seres humanos inferiores, todos irão dizer que aquele pessoa tem um preconceito quanto aquela etnia. Na verdade, a pessoa pode ter o direito legitimo de poder dizer aquilo e aguentar depois as pessoas darem a sua opinião da opinião dela (a pessoa em questão), mas que isso foi forjado dentro dos valores que essa pessoa aprendeu e muitas vezes, não disse isso para ofender, mas fez isso de forma natural. Ela está alienada (ignora a realidade), daquilo que realmente é e ainda está naquilo que era ou que pode ser, mas aquilo só é, existe naquele momento porque aquilo é o que é e não o que pode ou não pode ser. A não aceitação de uma realidade ou uma condição – não confundamos conformismo ou passividade – não aceitaremos opiniões ou a realidade como ela é sem julgar aquilo desnecessariamente ou fazer daquela realidade algo que ela não é. É o que ocorre com qualquer fanático, seja ideológico ou religioso, só vê aquilo que acredita ser a verdade (a sua própria realidade). Mas como disse Jesus e outros avatares, “conheceis a verdade e ela vos libertarás!”, ou seja, a verdade é o agora dentro da realidade única do universo, porque a verdade somos nós e toda nossa alma e conceito. Se vimos branco e dourado, aquilo não é a verdade, porque são imagens já fabricadas dentro de um conceito estereotipado que nossa sociedade fabrica.

A “verdade” é tudo que acreditamos e o que vimos, porque a verdade quer dizer “aquilo que é real” e aquilo que é real ou realidade, é construída dentro dos valores que nos ensinaram. Se você é cristão, na sexta feira santa não se come carne – por causa do sofrimento de Jesus no calvário – quem não é religioso e nem acredita no cristianismo, só é mais um feriado qualquer. Criamos nossa realidade naquilo que acreditamos ser a verdade, mas verdades se dissolvem a partir de algum conceito que muda, os paradigmas mudam, as coisas que foram discutidas já não estão mais em voga. Então, por que ainda acreditar em verdades que não ajudarão em nada nossas vidas? O agora é a verdade e ela nos liberta porque não esperamos nada além daquilo que possamos prever como realidade, aliás, muitas dessas verdades são apenas o medo do desconhecido, medo da incerteza e medo de uma crença que não existe. O vestido só existe porque há um termo para a vestimenta, como há um termo para as cores e naquele momento aquela imagem nos torna a real, a realidade da foto que estamos observando se funde com o observador e tudo que ele enxerga é a sua própria realidade. O branco de dourado é a cores coletivas, a verdade coletiva que muitas vezes não existe, não é a realidade de fato. Então, a verdade só há lá fora, quando não vimos como os outros, não nos interessamos como os outros, não temos as regras e nem os “porquês” dos outros. Transcendemos o vestido e vamos muito além dele, muito além daquilo que está na imagem, do sol que bate e pode refletir cores que não vimos, pode mostrar a nós que a realidade pode ser outra. A pessoa pode não ser o que pensamos ou a pessoa pode nem ter reparado que tiraram uma foto, mas a essência disso tudo é que não existe uma realidade, mas muitas realidades em uma só e essa é a única parte que não devemos nos apegar, a uma só realidade.


Amauri Nolasco Sanches Júnior

 (Publicitário, Técnico de Informática e estudante de Filosofia)

terça-feira, fevereiro 17, 2015

Os “deuses” do seu ego






Umas das coisas que sempre me intrigaram, foi que sabíamos que um ser humano não poderia abrigar toda a energia de um Deus supremo, e o criador não pode ficar preso em sua criação. Então, a minha noiva deu a solução, que sempre divinizamos as pessoas que Deus usa para satisfazer nosso próprio ego. Ou seja, dizemos que os sábios, profetas, espíritos superiores são “deus” encarnado para satisfazer nosso próprio ego. Mas o ser humano faz isso por natureza quando nós sempre colocamos alguém como exemplo de alguma coisa, para satisfazer meu “ego” de sempre me colocar como “vitima” do universo. Na verdade, o universo não está nem ai com o você.

O “ego” que nós colocamos é o falso “eu” que é fabricado pela cultura social no qual vivemos, porque não nascemos como determinada pessoa, vamos moldando nossa personalidade conforme vamos vivendo a sociedade e os costumes que essa sociedade nos transmite. Isso chamamos de moral (modo de costumes), onde as pessoas são moldadas conforme o costume que ela aprende, como por exemplo, se você nasce em uma família hindu vai referenciar Krishna, se você nascer numa família cristã você vai referenciar Jesus Cristo, se você nascer numa família judia vai seguir os dez mandamentos mosaicos e vai reverenciar Moisés por ter trazido a terra prometida. O mesmo vai ser com o budismo, com o islamismo e por ai vai, mas essa reverencia só é uma parte para satisfazer seu próprio ego de satisfazer aquilo que aprendemos como cultura, para alimentar nossas próprias “verdades”. Essas “verdades” moldam os nossos “egos” deixando sempre nos enveredar nas ilusões que pensamos ser o caminho, afinal, Jesus disse que estreita é a porta e só quem a vê pode atravessá-la.

O ego que coloquei não é o “eu” como ser que existe (que seria o minha personalidade verdadeira), mas o “eu” falso que desejo aquilo que não se é. Não sou, por exemplo, o que as pessoas pensam, porque eu sou o que eu próprio sou enquanto ser existente. A ilusão faz parte do tempo, porque as pessoas imaginam que sou algo ou alguém, porque não olham nas atitudes do Agora, mas olham nas atitudes do ontem e do amanhã que nem existe ainda. Também não podemos moldar uma personalidade por causa de uma atitude, porque as vezes, aquela mesma atitude foi feita por causa das circunstancias que foram preciso ser feitas. Por outro lado, as pessoas são o que elas são, elas renegam o presente porque se iludem com que a cultura nos ensinam, o futuro não é mais como antigamente, as pessoas mudam, o progresso humano não pára porque a evolução biológica e espiritual não vai parar nesse momento.

Por que não prestar atenção em detalhes que não prestamos atenção normalmente? Um exemplo é que a maioria não presta atenção nem mesmo nas musicas que cantam, porque até vão contra as convicções que eles mesmos acreditam. As musicas que dizem harmoniosas – aqui no Brasil harmonia não quer dizer alegria, pois somos um povo levado a cultuar a tristeza – são letras que acabam com a alto estima do cidadão e muitas vezes, não colabora com uma analise mais detalhada do intuito. Qual cidadão em sua sã consciência, com seus valores conservadores (que muitas vezes são contra o funk carioca), iria cantar uma musica onde o chefe está fazendo um assedio a secretaria? Ou que a noiva vai casar, mas escreve uma carta para o ex, dizendo que o grande amor da vida dela é ele? Isso é traição, não só das pessoas envolvidas, mas traição dos seus próprios sentimentos de sempre usar uma mascara social para agradar o outro. Não ouço musicas que todos ouvem, nem fico preocupado com a harmonia (só quando estou em estado de meditação), ouço o que gosto e o que me agrada porque não estou preocupado em agradar a maioria, estou preocupado em agradar meu prazer de ouvi o que me faz bem, o que vai me trazer a alegria daquele momento. O ídolo (endeusação do ser humano) fascina as mentes viciadas em colocar algo além daquilo que elas acreditam não ser, o mundo se torna algo “monstruoso” onde o outro faz e você é a vitima sempre.

Isso vem do “endeusamento” do ser que não pode ser tocado, não pode ser alcançado porque divinizamos o nosso próprio ego. A humildade que todos pregam, é uma falsa modéstia daquilo que é produto de nossa arrogância de não admitir que somos ignorantes diante de alguns assuntos e alguns saberes. Por isso o filósofo Sócrates sempre dizia que nada sabia, porque realmente, nada sabemos de concreto, porque sempre estamos mudando o que sabemos e o como podemos transformar aquilo em informação. Mas se nós não se livrarmos de velhos conceitos, não vamos rever e construir conceitos novos, construir até algo melhor daquilo que pensamos no passado. Mas isso só pode ser feito no agora, nesse momento, nesse instante. Dai que as filosofias orientais vão dizer para interiorizarmos nosso “eu”, que temos que olhar sempre o agora, sempre nesse momento, nesse instante, não a toa, que no budismo não existe nenhum “deus”, porque a interiorização é a base para conhecer nosso espirito (reflexo da nossa energia vital e consciência personalizada que é o que somos, corpo incorruptível) e interligar com nossa origem que chamamos de criador (força motriz que se manifestou em tudo que existe). Mas ao saber falsas sabedorias (o fruto da falsa ciência), apegamos a ilusão que nos cerca de falsas realidades e a consciência dessas falsas realidades, que fazem de nós construir falsos egos. Não nascemos com nosso nome, não nascemos com os milhares de estereótipos que povoam a sociedade de hoje.

Estereótipos são imagens que nos apresentam com termos para tal exteriorização da sua crença. Por exemplo, muitas vezes eu não exponho minha deficiência ou para mim não é uma coisa diferente porque convivo com ela a todo instante dês de quando nasci, pois para mim a cadeira onde estou sentado é só um meio para se locomover. Mas por alguns que não aceitam ou falam tanto nessa condição de maneira sofredora, que muitas vezes, isso vira algo padronizado. A não aceitação é a ilusão daquilo que poderia ser e não é, porque o que é não é aceito, mas não pode mudar, temos deficiência nesse exato momento. Se existir uma cura, se existir um tratamento, ele pode existir, mas não existe nesse momento, nesse instante e só existe minha deficiência, só existe minha existência numa cadeira de rodas e isso que não vai mudar. Podemos aceitar e sempre evoluir nesse proposito de adaptar nossa vida melhor possível, mas não “achar” que um dia vai ser curado, que um dia vai existir tratamento, agora somos deficientes. Mas a sociedade – graças as pessoas que não se aceitam – criaram uma imagem de sofredora, de que somos vitimas da sociedade e nem sempre somos, só alguns se sentem assim e não a maioria. Mas se criou um tipo de “divinação” da condição da deficiência que não deixa temos uma vida como qualquer pessoa, não deixa nós temos nossas vontades serem saciadas porque não somos humanos, somos “anjos”.


Então é o alimento do seu próprio ego de sempre colocar como superiores, sempre com a colocação que somos “anjos” e a falsa modéstia e a demagogia de querer aceitar o que no intimo não se aceita, em ajudar alguém que você “acha” que é inferior, mas não é inferior, é humano. O ser humano precisa ver, precisa ter uma imagem para sentir a existência porque o ego (eu falso), padronizou que se não há uma imagem real, se não há uma imagem que nos coloca um estereótipo e algo sagrado, não temos como sagrado. A não aceitação que os avatares (seres que trouxeram a consciência da energia cósmica ou além dela, que criou tudo, o Divino), são seres humanos e não Deus, deu ao ser humano o poder de controlar o outro ser humano, a satisfazer seu próprio ego. O meu ser divino (que eles chamam de deus) é melhor do que o seu, a minha religião (religação) é melhor que a sua, então se cria uma barreira entre coisas que não são separadas, mas coisas juntas. Não existe duas ou mais energia, mas uma só, um só poder que leva o ser humano ao proposito da criação. Buda, Jesus (Yeshua), entre outros, eram humanos que se deixaram ser usados pela energia divina para levar o mundo o verdadeiro caminho, a verdade que liberta. Para eles o importante não era o futuro, mas o agora, não o passado, mas o agora, não o que não somos, mas o que somos. Não somos cristãos, budistas, hinduístas, entre outros, somos seres espirituais querendo estar ligado ao proposito e sentir o sagrado, nossa origem. Então por que separar? Por que vestir mascaras que não existem ou existem para o controle humano? Não somos nada, somos seres em busca da nossa origem e essa origem se alcança dentro de nós mesmos. O resto, é só aparência. 

terça-feira, janeiro 13, 2015

Entre a ética e a “devassa” hipocrisia












Eu estou lendo vários comentários sobre o massacre da revista Charlie Hebbo e vejo um pouco de hipocrisia, tanto da parte liberal (que se coloca pra direita), tanto quanto os socialistas (que se coloca pra esquerda). Eu sempre tive o pensamento igual do filósofo francês Gllles Deleuze, não existe nenhum governo de esquerda e isso é verdade, porque ser de esquerda é mudança e nenhum governo pode mudar a situação que obedece o interesse de muitos. Não é isso que acontece quando partidos de esquerda tomam o poder, não se muda os paradigmas, se coloca outra roupagem. Então não tente me convencer que tal governo faz isso, tal governo faz aquilo que não faz e ainda arranja os idiotas uteis para se matarem por ele. Quem em sua sã consciência se mataria por um governo – tirando é claro o soldado porque ele é obrigado a morrer pelo governo – que não quer saber de você, um “zézinho ninguém” no meio do nado sendo coisa nenhuma? Ou o sujeito é um safado que enxerga o que lhe interessa, ou é ingenuo o bastante para enxergar algum beneficio na miséria disfarçada em ganhos.

O que vimos é a pouca vergonha de não se respeitar o outro, nem do lado da revista (que pelas imagens é um “lixo”), nem por parte dos radicais que não entenderam que podem fazer o terror, o ocidente continuará cristão e dane-se suas metralhadoras. Mas será que Deus não é um só ou não é isso que pregam? Pode ser uma energia sutil e não pode interferir com a vida de ninguém, é apenas uma energia primordial, ou existe uma grandiosidade tão infinita da existência dele que não podemos medir com as medidas humanas. Porque somos falhos ainda em questões de grandezas infinitas – apesar que percebo que tudo que o ser humano não consegue medir ele coloca como infinito – porque nossa consciência não alcança tal grandeza. Então, para mim não interessa nem quem morre por religiões que nada explicam e nem quem negam, porque a ciência não é detectora de toda a verdade do universo. Nem mesmo sabe o que há em baixo do mar, muito menos, o que existe além das fronteiras entre a vida e a morte. Não sabemos nem em que solo está a nossa própria casa, se o Sol – após oito minutos – vai explodir e levar todo o sistema de planetas junto com ele, ou o núcleo da Terra esfriar e levar o planeta a deriva no universo, ou que Marte pode escapar da sua gravidade e bater no nosso planeta. Onde fica nossas verdades? Sinceramente, uma revista que não respeita a cultura e crença alheira não pode existir e nem mesmo aqueles que se acham “porta vozes” de Deus ou Alá, para dizer o que temos ou que não temos que acreditar.

É totalmente infantil um fazer “pirraça” para o outro como se isso fosse resolver todos os males do mundo. Aliás, nem venha “estuprar minha consciência” dizendo que se Deus existisse não haveria miséria, como se Deus tivesse obrigação suprema de fazer você rico, de fazer o mundo justo, mas ele mandou vários fazerem as mudanças. O que o ser humano fez? Crucificou, envenenou, matou em facada, foi apedrejado, foi morto a tiro e muito mais por causa da pobreza de espirito de muitos e se deixou manipular por causa de poucos. O interessante é que não há “coitado” nessa historia toda, pois os dois lados não vão parar e o ser humano entra na crise ética, a crise ética é a crise dos valores humanitários e a cultura superior.


A humanidade se distanciou do “ethos” para alcançar algo que não está ao seu alcance, como o voou de Ícaro, voou tão alto que derreteu suas asas de cera. As “asas” são seus conceitos e sua ciência que lhe fez sair da prisão, mas lhe fez também cair de lá de cima com suas guerras, sua ideologias que mais são ideologias comparadas a uma ética prostituída e pobre. Por que prostituída? Porque infelizmente, a ética moderna e pós-moderna atende interesses diversos de ideologias, de ideais, de crenças, de poder, de gloria e etc. Poder de dominar? Gloria de ficar famoso? Se você tiver o poder perde a liberdade, se você tem a gloria da fama você perde sua individualidade e o que resta é um zumbi, um nada, um coisa nenhuma e o que adiantou alar o que quis, entrou num buraco como os outros. De repente, kant na sua superioridade filosófica estava certo em dizer que a humanidade desejava a sua minoridade – não de idade e sim, de conceitos – porque ainda não demarcamos onde começa a minha liberdade e termina do outro e vice e versa, como uma sociedade mais ou menos, ética. Ter opinião é uma coisa, ser idiota é outra bem diferente. 

sábado, janeiro 10, 2015

O Fogo de Prometheus e o Destino das Górgonas








A imagem de Prometheus e o fogo da sabedoria 


por Amauri Nolasco Sanches Junior.


O que esses dois personagens da mitologia grega, tem a ver um com o outro e o que eles tem a ver com os acontecimentos que se seguiram nesta semana? Sabedoria e humanidade. Ora, o titã – pré deus olimpiano antes da guerra que deu supremacia a Zeus – Prometheu, era um grande defensor da humanidade e deu ao ser humano, o fogo da sabedoria e não a toa, foi castigado pelos deuses por tal feito em uma água comeria seu figado eternamente. Estranhamente, nós ocidentais criados dentro das escrituras do Velho Testamento, nos deparamos com o fruto do conhecimento do bem e o mal e os “elohim” dizendo que ficaríamos iguais a eles. Sera que esse conhecimento – diga-se esclarecimento do bem e do mal – deu ao homem o poder de decidir seu destinos e os “deuses” não poderiam ser contrariados? Certamente, nós reles mortais, não poderíamos ser iguais aos “deuses” porque os mesmos não poderiam perder o trono do conhecimento e sabedoria e então, puniram aqueles que defendiam uma maior sabedoria e conhecimento para a humanidade. Não esquecemos que a serpente também vem do mito da sabedoria – a religião institucionalizada cristã esconde esse significado – que dá ao ser humano o discernimento entre o bem e o mal, e está claro, que não é Deus que condena e sim os “elohim” que é os “deuses”. Ora, quem são esses “deuses” que não queriam que o ser humano tomasse posse de sua sabedoria e do conhecimento? Sera que o poder e outras gamas de coisas são esses “deuses”?

Certamente a sabedoria é o fogo que apagamos ao longo de nossa historia. Na mitologia grega tardia, havia o mito das górgonas que eram Medusa “a impetuosa”, Esteno “a que oprime” e Euriale “o que está ao largo”. Se olhássemos para o rosto da Medusa (a impetuosa) seremos transformados em pedra, petrificados pela aparecia da impetuosidade da humanidade consigo mesma diante do que não concorda e a opressão diante daquilo que não age como. Então, existia mais duas que era Esteno “o que oprime” e Euriale “a que está no largo, ou aquela que que dá a volta ao mundo”. As grandes górgonas estão nas sociedades humanas sempre quando a sabedoria e o conhecimento nos liberta da superstição que sempre rodou o ser humano. Mas cuidado, há diferenças enormes entre superstição e mistica, que pode confundir numa analise mais detalhada dentro das razões que construíram a cultura humana ao longo desses milhões de anos. O que vimos é que sempre quando a ordem mundial está fragilizada com a dicotomia entre bem e o mal, como se estivéssemos sempre em um eterno filme ou historias mitológicas que o mocinho sempre luta com o monstrinho do mal. Mas algumas vezes, muitas vezes aliás, nem sempre o que restou das tradições são importantes hoje e sim, na época que esse tipo de cultura foi criada ou posta em pratica.

O que estamos vendo é o fim de um mundo que se evolui e se torna algo muito além do que as culturas da crença – não confundamos mistica – onde se acredita no que o líder disse, não o que há dentro da tradição filosófica daquela religião ou daquele segmento doutrinário filosófico. Mas o que podemos acreditar como verdade? O que podemos acreditar numa cultura que gosta de impor o que acredita e não sabe, por meio de discurso, levar a convencer de suas ideias? Prova está em todo segmento religioso ou ideológico, onde a verdade se transforma em um pilar para construir dentro da cultura ocidental, uma crença que vem dês de quando sairmos das cavernas e colocamos as vidas das antigas famílias nômades (clãs) nas mãos de um só líder.

O que vimos na França é o reflexo de crenças medievalistas que levam o ser humano ao extremo em matar por causa de uma crença, mas há por trás do islamismo uma mistica muito além do que armas, há uma ligação muito forte dentro de muitas misticas. O islã está conquistando muitos ocidentais – também brasileiro – pelo que é em sua essência, uma causa a ser seguida que o ocidente simplesmente, matou e não matou só as crenças, matou Deus e tudo que ele significava antes lá trás. A ciência levou ao ser humano inventar varias novas técnicas – como eu estou me locomovendo na minha cadeira de rodas e escrevendo no meu notebook – mas as ciências também são para responder as perguntas que tanto permearam dentro da filosofia. De onde viemos? Qual o destino do universo? São perguntas que as respostas dependem de pesquisas serias que muitas vezes, não são respondidas. Por que? A ciência se dogmatizou e criou dentro de si uma indumentaria que de repente, não pode ultrapassar dali. Então, se matou um dogma da crença cega – que não é e nunca foi o intuito da religião – para colocar em outro dogma cego que acabou matando um ideal e criando milhares de preconceitos. Como desenhar charges pornográficas usando imagens sagradas das pessoas ou de repente, chamar as pessoas negras de macaco e tudo mais. Lógico, que não justifica mortes por causa disso, mas se você se expressou, haverá sempre reações adversas aquilo que você disse ou desenhou, é humano isso. Mas esse desdem ao que é sagrado é completamente, acadêmico e Nietzsche em meados do século dezenove, alertou sobre isso.

Quando Descartes formulou seu pensamento em meados do século quinze para o dezesseis, não era para o ser humano deixar em acreditar, era para o ser humano duvidar de tudo. O método cartesiano, não é um método onde qual as pessoas deveriam duvidar das coisas, mas ter a certeza que eu existo porque a partir do meu pensamento eu vejo que sou um ente no mundo. Ou seja, a única coisa que eu tenho certeza é o que eu penso, o eu sou é a única certeza que tenho. Mas isso foi pelo fato de Descartes ser teísta – ele era católico devoto – disse isso aos céticos, se eu tenho que duvidar do que eu não vejo (metafisica) – por não conter base cientifica e nem empírica – então devo duvidar de tudo que existe (física) porque não temos certeza de nada. Ou seja, se temos que duvidar de um ritual de milagre de uma igreja evangélica, temos que duvidar da ida do homem até a lua, porque estão na mesma proporção de crença, porque não estamos lá. E outra, quem garante que aquele abacateiro do meu quintal existe mesmo? O existir e não existir se tornam algo subjetivo e quando se torna coletivo numa causa nobre, é claro, se torna algo objetivo porque vai além do que uma mera crença e vira um ideal. Isso também funciona nas ideologias politicas e nas ideologias filosóficas e até mesmo, na ciência seria.

O escarnio daqueles que buscam a liberdade, não passa de fascismo disfarçado de ideal libertário, mas esses são só escravos do preconceito e das amarras de conceitos que ainda pensam ser de livre expressão, mas não são e ainda, cometem suicídio ideológico provocando a “besta”. Podemos até arriscar o que Thomas Hobbes disse, o homem é o lobo do próprio homem? Sera da natureza humana ter dentro de si, que não respeita e quer competir com a cultura do outro pela supremacia da sua própria? A democracia não fez do ser humano melhor nem na Grécia antiga e muito menos agora – mesmo eu tendo a certeza de ser um regime ótimo – pois não deu ao ser humano o real conhecimento, o outro é importante e não a si e de onde viemos. Se distanciamos da nossa origem por causa de uma liberdade de mentira, forjamos uma liberdade que nos prende (paradoxal, não?) que se você sai disse é um imaturo, um prisioneiro das crenças que não mostram a verdade. Mas cadê a verdade? Cadê a realidade que nos liberta das amarras do que nos prendem? As prisões foram construídas ao extremo ao outro extremo, pois os dois são militantes e estão em eterno conflito porque o ser humano não criou dentro de si um equilíbrio entre a duvida e a certeza. A duvida é o intuito da pureza, porque é inútil ter alguma certeza, como se fossemos superiores por não acreditar naquilo.

Como disse, não confundamos mistica com crença, porque a mistica vem de você mesmo, pois um mistico vai perceber as coisas sagradas muito além do que mera crença. Crença é só acreditar sem entender, o mistico entende aquilo como algo a ser alcançado sendo único. Mas como chegar em uma total unidade com o TODO se o mundo nos engana com suas ilusões? Ter ideias e convicções se deve sim expressar, mas sempre com maturidade e respeito, sempre acreditando que o mais importante sempre é o ser humano. Quem sou eu para tirar a fé das pessoas? Quem sou eu para mudar sempre o pensamento do outro? Ideias sempre são compartilhadas, com respeito e honestidade intelectual sempre. Afinal, as pessoas devem repensar as amarras intelectuais para não ferir o outro, não ferir aqueles que não querem ser esclarecidos e tem esse direito. Mesmo que você pense ser um absurdo aquilo, é de direito as pessoas acreditarem como é de direito as pessoas respeitarem a vida, porque quando uma crença não respeita a vida das pessoas, perde o valor.


A mistica do fogo é sempre sermos sábios. 

A mais conhecida das górgonas é a Medusa (a impetuosidade) que sua cabeça foi arrancada por Perseu e seu corpo deu vida ao Cavalo alado Pegasus. 






domingo, dezembro 28, 2014

Teologia “Barata”1

Um busto de Nietzsche branco com um fundo preto. O ultimo grande cristão, morreu na loucura da solidão. 


Por Amauri Nolasco Saches Junior
[publicitário, técnico de informática e filósofo]–




«A palavra 'Cristianismo' é um equívoco - no fundo existiu somente um único cristão e esse morreu na cruz. O 'Evangelho' morreu na cruz.»
[Nietzsche, O Anticristo, § 39. °].


 O filósofo Nietzsche (1844-1900), foi um dos filósofos mais incompreendidos ao longo da historia do século vinte. Não por aqueles que realmente gostavam de uma pesquisa séria de filosofia, mas aqueles que são alienados ou se auto alienam por causa de religiões que nada tem a ver com o real proposito do Criador. Pois religião vem de “religare” que é um termo latim e quer dizer “religar”, então o proposito é uma religação com a Divindade, uma religação biológica e espiritual. Ela foi quebrada porque muitos se perderam nas explicações e nada fizeram ao entendimento, que a vida é apenas uma passagem e que ao certo, existe um infinito que nos aguarda. Tanto que Jesus (yeshua) Sindharta Gautama (Buda= “o iluminado”), Krishna entre outros, sempre foram orientais, pois a teologia ocidental sempre foi voltada ao seus interesses e ao seus propósitos de guerra e dominação popular. Somente entre as gregos, que aparecem homens como Sócrates e outros, que colocam em tese um deus maior que era desconhecido, seu nome não poderia ser mencionado. Não é a toa, que o apostolo Paulo (Saulo), vai convencer os epicuristas que aquele deus é o verdadeiro, porque eles já tinham uma ideia desse deus dês de Sócrates que não deixava de cultuar os deuses, mas que sempre falava em um deus desconhecido.  

A palavra Cristo não é o verdadeiro nome de Jesus (Yeshua) e sim, um termo que veio do grego “Khristós” que que dizer “ungido” que é uma tradução do hebraico “Māšîaḥ” que por sua vez deu origem a palavra messias. Unção é uma consagração com substancias oleosas que fazem aquele que foi untado, ou seja, o escolhido para levar a “boa nova” ao que precisam, porque no começo, o cristianismo primitivo não se distinguia do judaísmo e sim, era uma maneira diferente e muito mais espiritual de conceber o judaísmo. Mas ao passar dos séculos, se esqueceram de varias coisas que no passado distante eram sagradas, pois a consagração era muito mais do que falar varias línguas (como acontece nas religiões pentecostais e neo pentecostais) ou apenas no material, mas aceitar a unção no meio espiritual e foi isso que Jesus fez, aceitou no meio espiritual. Como o filósofo Nietzsche estudou teologia, era de uma família inteira de pastores protestantes, sabia de tudo isso, sabia que Jesus era muito mais sublime e sincero do que muitos que se dizem seus seguidores, porque dentro do real jesuísmo2 não há nada que o império romano colocou posteriormente, mas sim, uma mensagem totalmente espiritual.

Aliás, essa frase é teológica (vem de teologia theos=Deus logos=estudo), porque há sim um equivoco bastante notório do cristianismo que devemos salientar, porque as pessoas são batizadas e é, uma primeira tentativa de tirar do espirito algo que possa não ter esquecido já que a água é algo sagrado, importante para a vida – Jesus foi batizado pelo seu primo joão batista, porque deveria mostrar que posteriormente ele iria dizer, que não veio mudar nenhuma virgula da lei, mas confirmá-la – mas não é untado como manda o espiritualismo de varias vertentes e isso torna o cristianismo, uma religião que não tem nenhum cristão de corpo e alma. Untar não é só jogar óleo na cabeça, ou dizer em “sangue de Jesus” tem ou não poder (mesmo o porque o seu poder veio de um modo espiritual), e sim, um meio de aceitação de corpo e de alma e muitos não entendem isso. Não é apenas dizer ser cristão, mas ser realmente um ser que segue todos os designo e ensinamentos que estão escritos dentro dos evangelhos canônicos e apócrifos, mas que nos dão uma ideia referida ao que realmente seguimos e em que caminho trilhar. Talvez, isso é fácil de dizer, Nietzsche nos remete a essência espiritual e a senda de cada um seguir aquilo que realmente é, pois todos seguem sem realmente tivesse seguindo sua real essência. Na verdade essa único pensamento é a essência teológica que muitos teólogos se esqueceram, pois Jesus era a própria unção em espirito e o messias que governaria nossa estada até o verdadeiro proposito de estarmos aqui. Mas o verdadeiro intuito e o verdadeiro proposito de todo evangelho – quando ele disse que deixaria com Pedro a “pedra” que se ergueria a “ekklesia”, ou seja, uma reunião de escolhidos para serem verdadeiros untados – morre na cruz, morre o que é sagrado como um rei que levaria a um outro reino, um reino que não traria tudo que trouxe depois o cristianismos institucional. A ekklesia nada mais era do que disse em umas das passagens, muitos são chamados, poucos os escolhidos. Mas quem seriam os escolhidos que Jesus se referia em seus dizeres? Quem realmente, seria digno de ser untado não só para serem “messias”, mas para serem seres que realmente fariam uma real religação com o Divino?

O filósofo com essa obra separa o homem Jesus, que trouxe um rompimento de tudo que estava deturpado e o está ainda, para um outro nível que não podemos explicar. Nosso entendimento só alcança o entendimento de seguir algo, não nos colocamos a pensar, raciocinar e enxergar que a verdadeira espiritualidade está no seu coração. O rei Salomão disse isso nos Provérbios: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”, ou seja, tudo que temos que ser, sejamos com o coração e não seguindo cegamente. Porque dentro do coração está a fonte da vida e a fonte de tudo que somos. Então, Cristo é diferente de Jesus, porque Jesus não queria ser Cristo, mesmo o porque, ele não precisava ser untado porque nasceu com a certeza de cumprir a missão de religar o ser humano a aquilo que esqueceu. Ele é o “caminho”, a porta que o Divino abriu e o homem insiste em fechar, com ensinamentos profundos que não é qualquer um que entende. Ele é o “caminho a verdade e a vida” porque ninguém vai até o “pai” senão através dele, isso diz muito, pois o caminho a uma realidade da vida é a coligação com que temos de melhor, a vida em seu coração. Jesus viu a realidade e deu outra para sermos seres humanos em certeza que iria buscar o melhor, íamos ser unidos, e o mundo iria ter outra cara. O Cristo não é a realidade, ensinou a covardia, o ressentimento de não tolerar aqueles que o renegam e precisam ser eliminados, exorcizados porque ninguém pode ser mais poderoso que ele. O cristo da igreja ostenta o ressentimento de carregar a cada momento a cruz que vai sentenciar o ser humano a uma morte daquilo que ele é por natureza, o que ele é em alegria e bondade. Não se pode ser alegre, ele morreu na cruz, não se pode ter prazer, porque ele teve a dor. Na verdade Cristo representa todo um império romano que ao mesmo tempo que crucifica Jesus em essência, mata aquele que se rebela ao seu poderio, ele renasce cristo para dominar o ocidente, pois com armas o império não mais domina. Usam a imagem de Jesus morto, mas domina o que era material, o que não tem a ver com o que Jesus pregou. A ekklesia é diferente da igreja, a ekklesia é pra fora, a igreja coloca para dentro.

Antes mesmo Nietzsche já dizia que Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós!”, porque mataram a essência que nos religava ao que era verdadeiro, o que era da essência de um ritual que era muito mais do que mero “utensílios” de ouro, ou dizer que aquilo era ou não era de Satanás. É muito mais profundo do que meras palavras ao vento como se essas palavras salvassem, mas não salvam, dominam e escravizam. Cruz em grego é “xylon” que quer dizer também arvore, pois o “deus” abraâmico nasce porque o homem pega o fruto do conhecimento na arvore da vida, ele morre a partir que seus escolhidos matam o cristo, ressuscitando em um deus orgulhoso e ostentador. Nós o matamos na cruz, matamos porque deveríamos erguer um império em seu nome, deveríamos fazer guerras em seu nome, deveríamos subdividir em muitas seitas porque cada um tem sua própria visão daquele corpo, sangrando, com pregos em uma simples, cruz. Não! Aquele é Jesus, filho de um carpinteiro (dizem estudiosos que José também era escriba no templo) que tinha um espirito muito sublime, pois não foi só untado em corpo, ele foi untado em espirito. A ressurreição só é a confirmação que existe um mundo além, que somos iludidos por uma cultura dominadora, um pensamento condicionado. Ou acreditamos nesse cristo ou em nada, ou vamos seguir essas religiões que nada tem a ver com Jesus porque não ensinam a verdade, ensinam a ilusão ou não vamos em nada. Na verdade ensinam o ódio e nada fazem para religar nós ao Divino. Mas quem é esse Divino? Quem é esse que se ergue no meio de tantas catástrofes e mortes? Somos seres, após duas guerras mundiais, niilistas que não acreditamos em mais nada. Acreditamos um cristo cego que só vê o que existe em seu próprio poder.
Mas o niilismo em Nietzsche era a degeneração da moral, a decadência de uma moral de rebanho que tudo nasce para poder servir muitos, para ser mais servos do que nunca. Para Nietzsche não existe nenhuma liberdade considerável dentro de qualquer “ismo” e não pensem que a anarquia o agradava, pois dizia que a anarquia cientifica era a irmã mais nova do socialismo. O niilismo moral estaria em tudo, nas democracias, nas monarquias, nas ciências, nas religiões, em tudo que é dominação pela ideia, pela razão. O homem como ser racional se perdeu no “logos” para ser só mais um animal de rebanho, aquele que segue o “pastor” e não questiona se o caminho está certo, o caminho da servidão que ao mesmo tempo lhe dá um meio de provir a vida, lhe dará também o caminho do matadouro. Quantas pessoas se matam por causa desses “cães pastores” que mostram o caminho de morte? Quantas pessoas não gastam até o que não tem por causa das ilusões que elas próprias se enfiam, por causa desses “cães pastores”? E não pensem que esses “ cães pastores” estão somente nas religiões, eles estão nas ciências, eles estão no poder, eles estão em todos os lugares ditando regras e esses caminhos. Jesus de uma maneira muito mais sutil, não disse isso? Varias passagens dentro dos evangelhos são isso ai que escrevi, dar a César o que é de César e o que é de Deus dar a Deus, a casa do meu pai não é mercado, cuidado com os falsos profetas e também sermos críticos, pois temos que ter a doçura de uma pomba e a malicia de uma serpente. Essa decadência, para Nietzsche, é uma doença social que se alastra como um vírus que contamina o que está moralmente correto, para se impregnar nas entranhas de um poder corrupto e que domina. Essa mesma decadência moral social matou o verdadeiro Deus e colocou um cristo, o mesmo fizeram com Nietzsche que no mais intimo dos pesares, foi o mais fervoroso dos cristãos e morreu na sua loucura solitária, morreu trancado no seu próprio mundo, mataram ele também.

1.Esse termo tem dois sentidos, uma é que é barata e todos podem comprar a ideia e no outro, a maioria é covarde igual o inseto barata e ainda fica fazendo brigas, intrigas e depois foge como se não fosse a pessoa.   


2.Esse termo foi designado e escrito por mim para dizer que deveria existir uma pureza nos ensinamentos de Jesus.

O Grande rabi era negro, mas isso não anula a sua devoção ao verdadeiro Deus puro. 
   

terça-feira, dezembro 02, 2014

Religião e Religiosidade.




Jesus pregando aos seus seguidores e os escribas atrás conspirando contra ele. Jesus aponta para o céu numa demonstração que ele foi enviado para mostrar o verdadeiro caminho. 

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Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

(
João 8:31-32)


Como Jesus mesmo disse, se conhecemos a verdade (os ensinamentos) a verdade vai nos libertar da ignorância da religião cega e sim da espiritualidade verdadeira. A bíblia tem um esquema de leitura assim, antes mesmo de abrir a cada versículo se deve ter Jesus no coração, essa deviria ser uma regra básica. Mas o que deve ser essa “verdade” que é importante para a espiritualidade? Quando eu digo espiritualidade, não me refiro a uma doutrina, mas a substância que define a essência humana e que essa essência que define o que somos. Mas também essa espiritualidade é a “anima” que faz a vida acontecer e que é o “sopro” divino que a bíblia, nos Gêneses, explica que o Divino nos colocou para reter a vida. Lógico que é uma metáfora e não pode ser levado ao pé da letra, quer dizer que somos a essência divina que saiu dessa energia que nos faz ter a vida.

Como a bíblia foram livros escritos em grego e que temos que analisar as três conotações que trazem a esse versículo. No grego a verdade tem o termo “alethéia” que quer dizer “o não oculto”, algo que vai ser revelado como uma realidade e então, já que ele vai ser revelado, ele já é. Então na conotação grega, esse versículo fala para conhecer algo que é revelado como realidade e ela vai trazer a liberdade. Liberdade em grego quer dizer poder, também liberdade de movimento, que se você conhecer a realidade revelada ela te dará o poder de ir e fazer o que quiser e ter liberdade de seguir a doutrina de Jesus. Só que o significado e a tradução que temos, na sua maioria é ensinada, e da Vulgata latina que tem o termo “veritas” que é algo com rigor, com exatidão e essa exatidão e esse rigor é uma realidade exata. Mas Jesus com certeza não disse uma realidade exata, a verdade que ele disse é uma revelação que sai do véu e entra em uma realidade que ainda não conhecemos, pois a verdade sera revelada. Em hebraico quer dizer “emunah” que era uma promessa que deveria se cumprir, então, podemos supor que conhecer (iluminar, esclarecer) seja esclarecer aonde está a promessa a se cumprir. Então, esse libertar é conhecer essa promessa em uma espiritualidade muito mais verdadeira, muito mais voltada ao divino em sua real pureza. Tanto que Jesus diz que se seguir a sua “palavra” verdadeiramente, seriam seus discípulos. Palavra em grego é logos que era o Verbo, com o passar do tempo e com Heráclito de Efeso, logos teve uma conotação muito mais ampla e também quer dizer razão. Teologicamente, no evangelho de João, coloca Jesus como o logos, o Verbo encarnado que já existia antes da criação. Então, se seguir a palavra é seguir o Verbo e seguir o Verbo, seguirá a real promessa a se cumprir.

O evangelho de joão é o mais mistico e transforma a imagem de Jesus e seus ensinamentos, como uma promessa muito mais voltada a espiritualidade e não ao que ele aqui na Terra. Vários estudos espiritualistas seguem um estudo – se é ou não verdade não me é direito julgar – que realmente Jesus é um espirito vindo de outra orbe, que ele aprendeu e evoluiu o mesmo que nós estamos evoluindo dentro da nossa realidade. E ajudou mesmo a formar tudo que existe dentro do amor, de um espirito evoluído, a nos trazer para aprender na mesma proporção que estamos inseridos a aprender. Talvez João esteve muito mais ligado a Jesus em inspiração se deixando levar ao sentimento realmente espiritual e não só preocupado em fundar uma seita, ou edificar uma igreja física. De repente também, foi o único que entendeu o real significado da vinda de Jesus a esse mundo, porque ele veio retificar a real espiritualidade e terminar o comercio dos ensinamentos rabínicos da época – hoje está o mesmo o cristianismo – que vendiam esse ensinamento em forma de favores ou barracas de “lembranças”. Tanto que existe uma passagem que diz que Jesus chuta tudo e diz que “a casa do meu pai não é comercio”, ou seja, a espiritualidade não é uma coisa que se compra ou que se troca, mas é um caminho verdadeiro para a espiritualidade ao Divino. 

Quando Jesus diz “pai” é uma conotação universal, porque assim dizem vários estudiosos, que no velho testamento se apresentou como Yaveh que era em hebraico, mas no novo testamento, se reservou como pai “abbá” para cada um dizer em sua própria língua e dar um ar de parentesco. No ensinamento de Jesus isso fica mais do que claro e isso é realmente um retrato universalista que seus ensinamentos deveriam ser passados. Mas nessa passagem reforça que o ensinamento deve ser levado como uma promessa revelada, uma quebra do paradigma que o judaísmo trouxe como algo materialista e sem uma conotação espiritual verdadeira, pois trouxeram uma explicação terrena para explicar os sacrifícios e os pecados do mundo. Porque para o judaísmo o pecado é uma negação ao Torá e essa negação seria inaceitável – como disse que para o judaísmo a verdade (emunah) era uma promessa a ser cumprida – o pecado era a quebra da fé dessa promessa e que isso era inadmissível dentro das conotações religiosas judias. Talvez isso tenha levado, isso é bem claro, a crucificação de Jesus, a quebra da promessa judia como uma promessa única dentro de um contexto universal que levará ao ser humano dentro da espiritualidade plena e a ligação dele com o TODO universal.

Quando ele (Yeshua/jesus) disse para os judeus que acreditavam em seus ensinamentos para segui-lo, ele não estava em pecado porque não estava em erro, mas edificando que os ensinamentos estavam indo num caminho errado. Porque o Divino como uma entidade fora do tempo (onipresente) e fora dos sentimentos e percepções humanas (onisciente), não se pode julgar olho no olho dente por dente, porque existe um livre arbítrio dentro da alma humana que o próprio Divino deixou como prova do seu amor. O mal é só a ignorância humana para com o outrem e o outrem deve respeitar o que se é, pois a cada um cabe o caminho a seguir e o que quer seguir como prova da sua percepção e de seu aprendizado. Erra muito quem quer converter o outro a sua maneira, porque a pedra (petra/kefás) é a verdadeira fé em algo maior que não podemos explicar como algo material e sim algo que nos liga até a criação e a energia ou o ente que criou. Então, conhecer a verdade é esclarecer uma realidade muito maior do que realmente essa realidade se transforma e se identifica como a única realidade que não prende, mas liberta. A verdade (como algo não oculto ou uma promessa a cumprir) deve ser esclarecida para libertar o ser humano e só quando libertar o ser humano, ela vai cumprir a promessa de fato. Se lemos o Sermão da Montanha isso fica claro, então para selar seus ensinamentos, Jesus cumpriu a promessa de que a morte não é o fim e na cruz (em grego xylom “arvore” ou “madeira”) confirmou a quebra do pecado (o erro ou distanciamento) que não há um fim e sim um proposito dentro da vida. O interessante é que o pecado começa numa “arvore” e termina em outra “arvore”, a arvore de vida deu a Adão (homem) o fruto do bem e do mal e assim o ser humano escolheu o mau a seguir como algo que distanciou – que para mim é uma alegoria como o ser humano se distanciou da verdadeira religiosidade pura que também está no novo testamento, quando Jesus disse que só os corações puros vão para o reino dos céus – e a morte de Jesus numa cruz para aproximar de novo de tudo que é espiritual em sua pureza (que o império romano se apropriou e deu o que deu).

Religião (que vem do latim religare) é uma ligação e como ligação deve ligar algo a alguma coisa, porque há um meio de chegar aquilo que não pode ser quebrado, encontrar algo que te liga a aquilo. Religar é se ligar novamente a algo que se desligou e se desligou é porque se quebrou o elo, talvez isso seja a causa da queda, onde as almas se distanciaram do Divino e caíram. Então, quando essa religação nos chama temos que sair para fora do que é preso, porque para nos religar, temos que sair daquilo que nos prende. Igreja vem do grego ekklesia que é a junção de dois radicais ek que é “para fora” e kaleo “chamar”, ou seja, ekklesia é “chamar para fora” porque essa religação tem que ser para fora, aquilo que você leva como uma “boa nova”. A história da ekklesia ou igreja, sempre foi um colocar para dentro e as pessoas esqueceram que interiorizando o Divino, recriamos a ligação e nos religamos o que é verdadeiro. A meditação, a interiorização, o encontro de si mesmo se conhecendo para conhecer Deus e todo o universo, se perdeu porque passamos a nos prender em balelas litúrgicas que nada, absolutamente nada, tem a ver com uma real ligação. E tudo fica fascinação, um encanto que te fecha de ver algo a mais daquilo que realmente é e talvez, pelo simples fato de ser fascinado por algo, esse raciocínio de se interiorizar se perde. Tanto que quando Jesus diz a Pedro que edificava a pedra da sua igreja, poderia ser muito bem, que ele edificava a sua palavra para fora do templo, porque Jesus nunca ficou preso em um só lugar e em uma só comunidade. Mas ele ensinava a quem quisesse ouvi, seja homem ou mulher, velho ou criança, doente ou são.

Religiosidade é o jeito mais seguro para viver uma espiritualidade verdadeira, uma espiritualidade plena em que percebemos o mundo em nossa volta. O religioso se fecha em seu próprio conceito de pensar, a religiosidade faz o sujeito ver varias formas de se chegar até o Divino é a verdadeira ligação acontece. Enquanto, a religião é uma religação com o Divino, com o puro espirito e com a pura sinceridade, a religiosidade entende que essa ligação já acontece e é iludida com o meio religioso que se fecha em seu próprio conceito. Acima demostrei que quando Jesus diz a Pedro Simão que deixaria a primeira pedra e com ele edificaria sua igreja, era que com a sua palavra, seu ensinamento, colocamos para fora tudo que não estava de acordo a sua verdadeira religiosidade. A religiosidade é a compreensão de tudo que é sagrado sem esquecer do mundo e demostrar que o mundo não é separado do espiritual, não somos mal por natureza e sim, somos iludidos com falsas interpretações seja por ignorância – biológica/corporal ou até mesmo espiritual – e pela má intenção de levar algo para si mesmo. Mas mesmo quando isso acontece ele é iludido ou por forças espirituais ignorantes que te arrastam para essa ilusão, ou pelo seu próprio conceito de ser assim porque carrega dentro da sua própria essência o que não é bom, é danoso para o outro, é danoso até mesmo para si. E na maioria das vezes – como demostra o grande ditado popular que uma fruta podre estraga as outras sã no mesmo cesto – essa cultura se impregna com esse tipo de pensamento e se faz com que a maioria se arraste a esses pensamentos que nada tem de religiosidade e sim, de vantagem, de seguir aquilo que não se deve seguir.

Portanto, o espirital não precisa de matéria para ser sentido, não precisa ser o que vimos ou que enxergamos, mas acima de tudo é o que sentimos. A demostração de amor, a demostração de carinho, a demonstração de afeto, já te liga ao Divino porque acima de qualquer religião, somos imagem e semelhança dele em espirito.

sábado, novembro 29, 2014

“O rapaz do numero oito”









Varias gerações assistiram 


por Amauri Nolasco Sanches Junior


Quem nunca assistiu o seriado Chaves? Não adianta negar, todos nós assistimos até mesmo aqueles que não gostam ou que criticam hoje, teve seu momento na TV assistindo o seriado. A morte do ator Roberto Bolaños nessa sexta dia 28 deixou muitas pessoas tristes porque realmente crescemos assistindo o seriado do Chaves e acabamos assimilando o personagens. Bom, o que acontece que essa comoção mexeu com o esquerdismo brasileiro – um movimento que Nietzsche diria ser os ressentidos – e jornalistas começaram a dizer que o seriado é machista e que os mexicanos protestaram pela imagem que o programa passa dos mexicanos, e que Cantinflas passaria mais o que é o povo mexicano. Então os brasileiros ainda, em pleno século XXI, que o povo acostumado em tecnologia, acostumado em viver na cidade gostar de um caipira que não tem graça, não representa em nenhum momento a juventude e que se faz de coitado como todo latino americano ser reverenciado? É isso?

O nome verdadeiro do seriado Chaves era “el Chavo del ocho” que a tradução é o nome do texto, porque “chavo” é uma gíria nos países que falam espanhol, como se fosse “pivete” ou “moleque” e não se sabe o verdadeiro nome dele. Há muito uma critica social dentro do seriado que pessoas que vê de forma literal não viram, há no seriado uma critica muito forte social e é tem sim machismo, tem sim violência contra criança, tem sim um universo todo que eles disseram, mas é uma forma caricaturada para exatamente fazer essa critica e as pessoas não enxergam. O Chispirito – era o apelido de Bolaños que era um diminutivo de Shakespeare por ele ser baixinho – quis retratar um garoto da cidade, um menor abandonado que não tinha nada, nem um nome tinha. Realmente não fica atrás de nenhum pensador social porque ele faz uma critica a raiz do problema, pois a culpa não era o Sr Barriga que era dono da vila, porque ele deixava o “chavo” morar lá e ser amigo do Nhonho (aliás ele deixava as crianças do bairro ser amigo do seu filho). A culpa não era do Sr Madruga (que no original era Don Ramon o nome do ator mesmo) que batia no “chavo” ou da Dona Florinda que esnobava entre outras coisas, porque viviam dentro de um sistema que faziam que a educação era daquele jeito e que era exatamente esse sistema, que eles viviam daquele jeito. Era uma forma inocente de fazer critica ao sistema e mostrar que cada lugar da América latina tinha um “chavo”.

E de uma forma ou de outra, o “chavo” vive e convive com o pessoal da vila, tanto que quando ele tinha os ataques que deixavam ele paralisado, todo mundo sabia o que fazer que era jogar água em seu rosto. Isso mostra a solidariedade que o pessoal tinha com o “chavo” e queiram ou não, não teriam coragem de se desfazer nem mesmo do barril. As características são enormes dentro do contexto que não foi compreendido, porque ninguém se esforça para entender, ninguém se esforça para ver que o Chaves (chavo) é na verdade, o sistema e o sistema é ridículo até mesmo quem é contra ele. O Bolaños pouco se importa em colocar os personagens em contextos “vitimistas”, mas colocou os personagens como se convivessem e faziam o melhor mesmo sendo pobres e morando numa vila. O “chavo” até estudava dentro da mesma escola que todas as crianças estudavam, então dai que dizem que é uma utopia, uma fantasia. O que acontece que se identifica muito mais com um garoto pobre do que com um caipira dos anos 30 ou 40 do século XXI que mostra o atraso do desenvolvimento e não o que realmente a juventude se identifica.

Como disse no meu Facebook é que existe uma diferença entre o esquerdista e o sujeito que é de esquerda. O sujeito que é de esquerda, ele tem uma critica ao sistema que não agrada o seu modo de ver o mundo, então, ele critica a origem do problema que nem sempre é econômico e sim, social. Porque não adianta querer mudar o sistema econômico sem mudar a consciência das pessoas, ninguém consegue ficar parado e ter que trabalhar com justiça daquilo que ele trabalhou e merece ganhar e quem se deu o trabalho de ler verdadeiramente Marx e Engels, vai entender que eles falam de justiça e não em de igualdade. Acabar com as classes que afligem o capitalismo, é dar ao trabalhador o que é de justo e não ganhar igual, porque nenhum ser humano é igual e o capital financeiro tem que rodar, senão o país pára e todos ficam pobres e a falência. Um sujeito de esquerda de verdade (da inteligente), não propriamente é socialista ou comunista, o cara da esquerda pode ser um anarquista ou um libertário, porque não concordam com o sistema e não querem que esse sistema perdure e o Estado acabe. O esquerdista (uma forma extremada da esquerda) ele segue porque achou que assim poderia mudar a sua vida, ele quer fumar sua maconha, ele quer ter liberdade, ele quer igualdade, mas não quer abrir mão do seu conforto para resolver o problema social. Podemos ter milhares de exemplos dentro dessa militância que não nos deixa mentir, como proteção a um menor e muitos não adotam um menor ou dar uma coisa para comer. Criticam a homofobia, mas lógico que não deixariam seu filho ser um, e por ai vai, porque é um tipo de militância cega.


E nessa militância cega sai asneiras do tipo que o seriado é machista. Essa pessoa não viu realmente os episódios, porque também há movimento feminista que coloca a mulher em pé de igualdade com os homens. Aonde o seriado é machista se a Dona Florinda dava um baita tapa no Seu Madruga? A Dona Clotilde paquera o Seu Madruga toda hora? A Chiquinha ficava dando indireta para o “Chavo” a todo momento? Essas pessoas antes de escrever abobrinha, como de costume, deveriam pesquisar mais sobre a realidade dos episódios ou fazerem uma forcinha para assisti. Querem ser do contra? Por que não criticam o funk carioca que coloca a mulher como uma escrava sexual do homem? Ou criticam o machismo das igrejas, ou o machismo das novelas? Não querem, só são do contra.