domingo, setembro 21, 2014

“Transcender” digitalmente.






Por Amauri Nolasco Sanches Junior.


O filme “Transcendence: A Revolução” trás uma discussão sobre Inteligencia Artificial  e qual o fundamento da transcendência de uma autoconsciência humana.  O filme trata de um casal de programadores e pesquisadores que pesquisam a inteligencia artificial, mas o único problema é que a inteligencia artificial não teria uma autoconsciência como acontece com o ser humano ( em partes ). Nesse período tem os radicais anti- tecnologia – sempre tem radicais que querem mudar o mundo pela força – que envenenaram o pesquisador Will Caster (Jhonny Depp) com radiação em uma bala, sua esposa então descobre uma pesquisa do seu marido de dar uplaud em consciências de macacos e tenta ela mesma fazer isso com ele e dá certo. Bom, encurtando a historia, ele vira uma inteligencia artificial pesquisando tudo pela internet, curando pessoas, fazendo construções graças a nanotecnologia e claro, o governo não gosta daquilo e se junta com os radicais jogam um vírus que destrói tudo. Um fator foi o medo do desconhecido, outro fator foi se não é meu, não vai ser de mais ninguém e todo o mundo fica sem nenhuma tecnologia ficando um mundo pré-histórico. O governo americano ferra o mundo e deixa ele sem nada. 

Uma ideia que tive é que de repente de um misero ser humano, programador, pesquisador, casado, envolvido em uma pesquisa de inteligencia artificial (no intuito de descobrir onde essas pesquisas dariam), cercado de radicais que querem salvar o mundo daquilo que “acham” que escraviza a humanidade (como se eles não estariam escravizados pela suas próprias ideias) e é claro, o governo que quer controlar esse tipo de pesquisa por motivos óbvios; se torna um tipo de consciência transcendente dentro de um hardware e operando com o software aprende sem a limitação cognitiva corporal, o limite não existe em cálculos e em conhecimento. A historia também entra na discussão da etimologia (estudo do conhecimento) que parte do principio que o limite de qualquer conhecimento é acreditar ou não naquilo, são as emoções que nos fazem seres ainda limitados. Mas o ser humano é um animal que exige muito mais do que raciocínio, o real é medido graças ao medo ou ao que acreditamos e fazemos com os valores que nos regem. Então, não importa muito se o ser humano é ou não um ser que percebe, porque ele além de ter uma consciência daquilo que percebe, ele tem a capacidade de construir a realidade daquilo. Mas estamos falando de transcendência do conhecimento, uma autoconsciência que são perguntadas duas vezes dentro do filme. 

Transcendência vem da filosofia metafisica que a igreja utilizou dentro de sua teologia, que Deus seria um ser que estaria além do tempo e do espaço e transcendia toda a matéria. De alguma maneira, como toda obra literária e cinematográfica, o filme trás essa discussão como base da inteligencia de um homem conter em um computador, a consciência começa a se expandir. O conhecimento sempre leva outro e a consciência sempre se expande dentro da sua capacidade – até dá para discuti a restrição de nosso cérebro aguentar ou não a expansão dessa consciência – mas que ela procura a novas ligações, isso é fato. Será que nossa limitação é nosso próprio cérebro? Há varias teorias sobre isso, também há varias teorias sobre a transcendência – que muitos insistem em só analisar o ponto de vista religioso e não, possivelmente, num ponto de vista também subjetivo e mental – onde o ser vai além da sua capacidade mental, subjetiva e cognitiva da realidade onde estamos condicionados. 

Quando analisamos ou nos perguntamos o que seria a realidade, sempre ficamos a merce de opiniões do tipo que a realidade é tudo que vimos e tocamos. Mas já paramos para analisar que nossa realidade é apenas átomos que dão forma a objetos ou formas de vida? Se batemos em uma mesa, o som que vai vibrar em nossos ouvidos são apenas vibrações dos átomos da minha mão que se chocam nos átomos da mesa. São vibrações que dão a energia o bastante para se vibrarem a ponto de surtir um som e se for muito forte, pode romper a tal ligação, quebrando a mesa. Então, na melhor da hipótese, a realidade é um amontoado de moléculas que vibram e escondem algo muito mais essencial, algo que a fez vibrar e formar tudo que existe ao nosso redor. Ao enxergar isso, em certo sentido, fazemos uma analise transcendendo a realidade que todos acreditam ser real e colocamos a realidade que vai muito além do senso comum. A realidade não passa de energia que dá aos átomos vibrações o  bastante para sermos o que somos – isto quebra um pouco o existencialismo sartreano que diz que a existência procede a essência, porque mesmo numa forma física, somos feito de energia e dentro dessa energia pode conter nossa essência, além da consciência -   e ser o que somos é o proposito da transcendência, quando nos perguntamos o porque dela. Dai “desembocamos das águas cartesianas” ao dizer que se sabemos da essência é porque estamos pensando e sei ou presumo saber, que a consciência humana é sua essência por fazê-lo perceber a sua existência, ou seja, se sei que existo é por causa da minha consciência da minha existência e essa consciência é a prova irrefutável da minha existência enquanto ser consciente. Tanto é: que tenho plena consciência do que estou escrevendo e que esse texto contem, tenho plena consciência do passarinho que esta cantando no meu abacateiro, porque percebo a realidade que esta em minha volta. Mas toda essa percepção tem um limite cognitivo, porque não dá para saber o que acontece fora do perímetro onde estou. Não dá para perceber a televisão na casa do vizinho, posso até perceber por causa do som alto ou imaginar e saber, que ele tem uma televisão, mas não dá para perceber o que ele está assistindo. Há até uma ou algumas teorias que no futuro nós, seres humanos, possamos evoluir o bastante para ter telepatias e até ter um aumento na audição – coisa bem dentro da logica da própria evolução humana dentro dos avanços tecnológicos – mas tudo não passa de especulação (embora acredita até certo ponte ter uma base dentro da biologia e na física) ou, ainda temos a limitação cognitiva e não sabemos que nosso vizinho está assistindo. 

Podemos pegar uma hipótese e colocar uma consciência dentro de um computador com a capacidade para tal – seja qual for a consciência – e ligar ele dentro da rede, será que essa consciência iria se expandir ao ponto de construir outras consciência dentro da virtualidade? Sera que o universo é uma virtualização ( potência ) ou uma pratica ( ato )? São perguntas que vão ao encontro, de repente, dentro das teorias dentro da física que permeiam o meio cientifico e as vezes, existem filmes que nos chamam para essas questões. Porque se o universo é pratica, ou seja, ato de existir, ele é uma realidade por ele mesmo e não pode ser refutado e pode-se até perguntar onde e o porque desse ato. Se o universo seja uma virtualização, ou seja, um potencial objeto a existir, então ele é um pensamento e nós junto com tudo que existe é apenas um pensamento de uma inteligencia maior. Se for um potencial, estamos presos em uma dimensão que tem atos prontos a nos comandar, mas se for ato, somos livres para escolher o que fazer e descobrir o que é o universo.  Só que há a incerteza dentro da física que diz que a realidade e o átomo – essa incerteza está dentro da relatividade geral e dentro da física quântica – e tudo que existe não tem uma certeza de suas leis e como existem, depende do seu observador. Mas tanto uma virtualização ( potência ), quanto a pratica ( ato ), o universo é incerto dentro do ato em si no surgimento – que se fez no big bang – e sua finalidade e como não sabemos sua finalidade ( talvez conter vida inteligente ), não poderemos medir seu fim. De repente também esse começo e fim nos limite em algumas ideias que ainda insistimos como “certezas absolutas”, como se o universo tivesse uma certa obrigação de ter uma finalidade, e talvez, não contem nenhuma que nossa lógica ou nossa percepção limitada possa pensar. A “finalidade ultima” é uma questão teológica e não lógica na essência, prefiro a “fronteira final” que seria uma nova etapa dentro da evolução humana e talvez, um nascimento de uma psicologia transcendente. 

Voltando a questão da consciência dentro de um computador: poderemos até entrar, isso é importante, na questão ética. Sera que essa consciência, com a expansão do conhecimento, teria a mesma ética que o ser humano tem? Porque ele teria todas as vias para chegar a alguma pessoa que não obedecesse ou que quisesse descobrir algo, dai de repente, o modo ético deve ser pensado. Mas há até a questão de se ter ou não o direito de fazer o “upload” dessa consciência, porque não se sabe a reação da consciência dentro dessa maquina. E porque não, de repente, voltarmos a velha discussão sobre a alma humana e se esse “upload” da consciência, não daria certo por causa da alma humana. Há um erro lamentável em querer analisar a alma na filosofia e a alma na religião, que de repente, colocar essa analise muito semelhante e não nos dará o foco que precisamos nesse caso. Mas podemos tentar desmistificar a alma, mas não negando a sua total essência ( não concordo em analisar nada pelo viés de lógica, principalmente, quando se trata de analises metafisicas  ). Se irmos pelo caminho platônico, que naturalmente chegaremos ao seu mestre Sócrates no qual nunca negou, que a alma tem uma substância simples ( não compota ) que não contem matéria ( imaterial ) e que não tem fim, ou seja, imortal. Outros, muitos deles contemporâneos, colocam a alma como um conjunto de sentimentos e sensações que nos fazem humanos. Claro que somos a única espece primata que tem esse tipo de consciência – o porque é motivo de discussão a séculos – então podemos dizer, sem medo de errar, que nossa alma seja sentimentos e sensações que construímos dentro de nossas leituras subjetivas e morais. Não é diferente da religiosa, onde “deus” coloca no primeiro homem ( no caso ocidental, Adão, que vem do hebraico adam que quer dizer “homem” que alguns estudiosos dizem que tem origem em sânscrito “adi-aham” que “adi” significa “primeiro” e “aham” significa “ego”, ou seja, “o primeiro ego” a primeira personalidade) seu sopro ( pneuma ) e ele se tornou humano graças a alma divina. Daí dizemos que somos a imagem e semelhança de Deus – no ponto de sermos uma centelha divina – porque carregamos parte da energia da criação em nós, e isso é dito em muitas religiões e filosofias, porque temos a escolha e a vontade de construir nossa realidade e as potenciais realidades possíveis. Só nos prendemos na nossa incapacidade corporal de entender certos princípios dessa realidade ( possível ou não ), mas pesquisas já nos trazem realidades que não sabíamos que existimos. De repente, com toda essa reflexão, tivermos mesmo chegado na fronteira da ética moral da consciência, pois com ela e através dela, que poderíamos construir inúmeras realidades e se é ético colocá-la ali dentro do computador. 

Se tivemos razão e a alma é como a teoria socrática- platônica que a alma é algo imortal e imaterial, até mesmo nossos sentimentos e sensações, sera que essa consciência não iria rejeitar ficar nesse computador? Sera que somos fortes o bastante para deixar a realidade onde nos encontramos? Na verdade, como se existisse alguma “verdade”,  não sabemos que a realidade é a realidade e nem que alguma realidade exista. Podemos viver em uma simulação, como o “jogo da vida” fabricado a alguns anos, ou podemos ser uma realidade do nosso próprio cérebro e circunstancias que levam a essa realidade. Ou, muito pior, estamos fadados a uma dimensão que leva a essa realidade e leva a sermos o que somos. De repente, como nos dizem as teorias recentes, pode ter em outras dimensões um Amauri que não tem nenhuma deficiência, ou que não esta escrevendo esse texto, ou está em outro ambiente, ou nem exista e está em outra consciência. O fato de sentimos o que estamos sentindo, não explica a existência, porque o que estou sentindo ou pensando é construído dentro dos valores subjetivos que estão em meu ambiente e está em minha memória. E se talvez, num modo ou de outro, nossas fantasias são na verdade, memorias de uma outra Terra que pode ter tido tais criaturas? E se na verdade, somos uma consciência só vivendo em diversas dimensões, que ao dormir sonha estar em outra? Nossas reflexões chegam até o surreal – estou achando esse texto surreal – mas a essência da filosofia não é contestar os mitos? Mitos são só mitologias ou também são imagens fantasiosas da realidade? Poderemos ser um produto de um sonho de uma outra inteligencia, sendo assim, existimos potencialmente e não em um ato. Interessante é que muitas religiões e filosofias orientais chegam a tal contestação e é um pensamento razoável para não se prender em nada – por causa da negação dessa realidade – então não poderíamos se preocupar com a realidade e com as coisas irrelevante. 

Mas o que é relevante ou irrelevante? O que é certo ou errado? As emoções nos comanda ou nossa racionalidade? A consciência é feita de sentimentos ou racionalismo? E uma pergunta que nos intriga a séculos a fio: o que é o ser humano? Se não sabemos o que somos e o principio de nossa realidade, que a evolução não acontece por causa da estagnação humana, como poderemos fazer um “uplaud” da consciência em um computador? Nem mesmo sabemos o que é a consciência e qual o papel para o ser humano dessa consciência, a essência e para que serve ela para   a evolução humana. Poderemos só ter lembranças vazias de algo que são apenas ondas cerebrais – como se guardássemos um filme em um CD – mas não haveriam emoções que colocassem nessas lembranças, valores. Mas por que colocamos valores? Quais os objetivos desses valores? Uns dizem que são culturais, outros que são inatos. Se são culturais, por que modificam? Se são inatos, por que não evoluem esses valores? Serão perguntas que talvez serão respondidas ou não, mas ainda estaremos muito longe dessa “fronteira final” ao encontro de uma consciência única. 

segunda-feira, setembro 15, 2014

Machismo ou molecagem?





Recebi isso de um amigo que acabou deletando:

regras para namorar minha filha:
1 - arrume um emprego.
2 - entenda que eu não gosto de você.
3 - jamais venha a minha casa com a cueca para fora das calças.
4 - não use brincos, percingi ou costure a calça no corpo, tipo; Gustavo lima.
5 - se você
machucá-la eu vou te machucar "muito"
6 - traga ela de volta antes do horário combinado.
7 - faça um plano funerário.
8 - se você mentir para mim eu vou descobrir.
9 - ela é a minha princesa, não sua conquista.
10 - encontros apenas em lugares públicos, se quer um romance leia um livro.
11 - o que você fizer com ela eu farei com você.


Qual deveria ser a cabeça de uma pessoa que escreve um negocio desse? Primeiro o cara faz de tudo com a irmã e a filha dos outros e depois fica escrevendo isso para o hipotético namorado da sua filha, mostrando é claro, um machismo latente de quem realmente não sabe se colocar no lugar do outro. Já passou da hora das pessoas pararem de viver no seculo 19 e acharem isso normal, não é normal, é apenas pessoas que aprendem uma vida muito complicada e que os moços da vila são iguais aos que você foi em sua juventude. Não. Homem não é o “macho” da especie porque até onde eu sei, somos a especie “homo sapiens” e se somos os homens pensantes, porque não paramos para refletir que filhos não são nossa propriedade e não vai mudar se você tiver um rifle nas mãos. Só vai mostrar que seu lado imaturo e inseguro de deixar sua filha gostar e experimentar os momentos legais da vida e se isso te incomoda, desculpa meu amigo, você continua sendo aquele “moleque” que gastava horas dentro de qualquer lugar, só, e tão somente, para dar um “cata” nas filhas dos outros.


Nunca perdi tempo com ciumes da minha irmã, além disso, se tivesse uma filha, avaliava o que realmente vale a pena. 

segunda-feira, setembro 08, 2014

Planeta dos humanos – a origem da ilusão.





Imagem do filme, César e seu filho. 




Gostaria de continuar a discussão que comecei com meu texto “Macacos e Homens – ilusões culturais”, porque houve um acréscimo após eu assistir o filme “Planeta dos Macacos – o confronto” que me deu muito mais material para reflexão. No filme, podemos ver que existe um líder que foi modificado geneticamente – não me lembro bem – que idealizou um lugar só para os macacos que foram libertados e foram cobaias por muito tempo. O nome desse líder é César e não seria outro – não li o livro, mas está obvio a escolha do nome – do que o nome de Júlio Caio César o maior general romano que existiu e quando instaurou o império por causa da corrupção da republica, mesmo assassinado injustamente pelos seus inimigos políticos por fazer uma reforma geral em Roma, seu nome deu origem ao imperadores que usaram seu nome. Dai então, todos os imperadores eram chamados de “cesares” e virou um titulo até o fim do império (mesmo com a mudança do cristianismo como religião oficial). Não longe, César do filme, reina diante dos outros com pulso forte e não muito ditador, mas pensa no bem estar na sua comunidade e da sua família. Também tinha uma grande amizade com Koba, seu fiel comandante que foi extremamente judiado quando foi cobaia e talvez nos faça refletir sobre o sentimento animal – que no andar dos dois filmes, é muito questionado – e que o sentimento de ódio e querer se vingar, são partes humanas dentro da origem símia/hominoidea. Mas certamente, Koba se vinga dos humanos por uma questão humana e racional que ele também desenvolveu, porque a 3 macacos que poderiam ter consciência e esses 3 eram César, Koba e uma especie de professor que não me lembro o nome, mas Koba é o segundo nome a liderar.

Koba guarda dentro de si mesmo a questão não resolvida de ser uma cobaia, de ser judiado e de ser subjugado por questões de desenvolvimento de vacinas. No filme também é questionado se esse desenvolvimento de vacinas não criariam novas doenças – que no filme foi criado a gripe símia que dizimou muitos humanos em pouco tempo – e que a ciência pode criar seres que estarão nos mesmos níveis de consciência que nós e pode ser símios como nós somos. Como disse, Koba é um ressentido que guarda dentro de si uma vontade de vingança e com a certeza – mesmo César não dizendo coisas do tipo – que os macacos eram seres superiores e que monstra que tinham consciência. Os lideres e os sábios faziam a sociedade viver tranquilo até humanos quererem usar a hidroelétrica – por causa de uma cidade reconstruída – e começam os confrontos, só que Koba com seu ódio (medo escondido) não confia nos humanos e pega as armas dos humanos na cidade e tenta matar César por dar um voto de confiança aos humanos. Mas Koba usa a regra básica que César coloca na comunidade deles “macacos não matam macacos”, por causa do senso de comunidade que eles tem, e é uma regra a ser seguida. Ora, qual o limite de um ódio infundado de coisas que aconteceram a tanto tempo e qual a origem do ódio? Vamos lembrar – quem assistiu – que Koba começa a mentir e querer tomar o lugar de César e fazer sua vingança para mostrar sua superioridade dele e dos macacos (ele só deixa solto os que apoia ele e mata os que não lhe obedece). Ditadores são assim, são os oprimidos que querem oprimir e tudo é uma analise hegeliana, porque dentro da história do mundo que sempre foi assim. Tanto o filme, quanto o livro (que repito não li), tem uma severa critica social sobre a sociedade humana sua cultura. A critica da historia é um questionamento e uma reflexão se esses sentimentos humanos são realmente sentimentos inatos do nosso lado animal (e consequentemente, um lado dominador e violento), um lado que deveríamos neutralizar por racionalizarmos e enxergarmos nossa realidade (ambientes onde vivemos).

César é o lado humano que nos comenda na senda do que é melhor para nós e os nossos iguais, Koba é o lado animal que vem do nosso medo e consequentemente, com esse medo, vem o ódio de querer não só se libertar, mas dominar. César e Koba é o dois lados de um mesmo ser – racional e não racional – que se confrontam para dominar e para hora trazer a paz, hora trazer a guerra. Isso pode ser verificável em todas as culturas e os zilhões de impérios que existiram – na maioria das vezes eram oprimidos que oprimiram – que foram forjados a custa do medo, do querer não evoluir junto, mas dominar o outro como meio para conseguir dominar e acuar. Talvez, esse lado que temos de oprimir seja restos de um tempo que fomos caça e muitos animais, devoravam os seres humanos. De repente esse lado caçador, seja seguramente um lado nosso que teve que adaptar e dominar, tivemos que dominar e desenvolver rápido nossas habilidades para não sermos mortos. Os oprimidos acabam sendo opressores – essa opressão tem a ver com o desenvolvimento da cadeia evolutiva – que levaram o ser humano ao seu apogeu nessa cadeia evolutiva e tem a ver com nossa capacidade de viver e de ter consciência de tudo que nos rodeia.

Daí fazemos a clássica pergunta filosófica: de onde viemos para termos essa capacidade de criarmos e nos adaptarmos diante de milhares ambientes em todo o planeta? Sim! Porque o César do filme foi geneticamente “produzido” e se transformou em um chipanzé consciente e entende todo o ambiente e as situações que os fatos trazem. Por que, de repente, não somos produto de uma raça alienígena que por algum motivo, acelerou a evolução ou nos deu parte deles? Ou por que não poderemos ser produto de uma raça evoluída que a muito desapareceu ou de repente, saiu de nosso planeta para outro ou até, são povos intraterrestres? Não podemos nunca descartar nada, porque são perguntas que mexem com o que nos temos como realidade, porque muitas delas são forjadas como realidades virtuais. Então entramos numa questão que a anos, e porque não, a seculos nos fazem refletir, o teorema da caverne de Platão que cabe muito bem em nossa discussão. Ele coloca na “boca” do seu mestre Sócrates um teorema assim: existia um povo que nascia dentro de uma caverna sempre acorrentado e vivendo olhando uma parede, essa parede se viam sombras graças a chamas atrás desse povo e somente eram homens carregando caixas, mas as sombras produziam outra realidade. Mas um desses seres humanos se soltou dessas correntes e vai em direção da entrada da caverna, então em um primeiro momento a luz do sol de ofusca a visão, mas num segundo momento essa luz lhe mostra uma outra realidade que não via, era uma realidade que não enxergava e era muito mais ampla. Lembrando que aquela realidade é forjada e essa realidade é natural – Platão talvez, colocou em questão o pensamento analítico e o pensamento sintético – a realidade forjada é fruto da sombra que vimos o que queremos ver e a realidade natural, é aquilo que é o que é. Mas ao retornar para dizer o que viu e libertar os demais eles começam a dar risada e “caçoar” dele, o homem insisti e é morto pelos demais (alguns historiadores e filósofos, dizem que Platão falava exatamente do seu mestre). O que podemos tirar dessa passagem que nos forçara a analisar um conjunto de consciências e indagação dos meios culturais e ideológicos dos nosso tempo?

Se viemos de outra raça avançada, seja extraterrestre ou intraterrestres, então somos produto de uma outra cultura e se somos produto de outra cultura, somos um meio dessa cultura. Ser um meio dessa cultura nos fazem ir atrás dessa cultura evoluindo cada vez mais em torno de procurar uma resposta – talvez a resposta não esteja apenas o que vimos – e sempre entramos em perguntas básicas e extremamente, em torno do espanto filosófico. Só que, diferente dos pensadores gregos e os inúmeros pensadores ao longo da historia humana, estou analisando as coisas muito amplamente. Quando pensamos em existência pensamos no ato da percepção de tudo que está a nossa volta e pesquisas dizem que tudo veio num amontoado de ácidos, poeira estrelar (descobriram que nosso sistema solar está numa bolha de poeira cósmica de uma supernova) e uma explosão que originou o tempo e o espaço. Então houve um ato e esse ato – o primeiro – foi romper algo para libertar algo dentro de uma potencialidade dentro do existir, depois de bilhões de anos, talvez até mais, houve uma nova explosão em uma supernova e mais uma vez se fez o ato de criar o sistema solar, depois houve uma colisão entre planetas e mais uma vez, se criou algo como a lua. Até mesmo o ato e potencialização aristotélica, se criou a vida a partir de ácidos – podem ter vindo de fora ou podem ter tido um processo aqui mesmo – que criou células e essas células deram forma de seres simples a seres complexos, desses seres com inúmeras extinções, se criou a criatura que deu origem ao símios e dos símios ao ser humano. Mas você pode estar perguntando: onde você quer chegar? Ora, se somos símios que de alguma maneira criamos consciência, de outra nos modificamos demais de nossos parentes evolucionário com tanto pouco tempo, então só nos resta indagar se não somos produto de algo além do que chamamos de real. Ainda mais longe: por que temos necessariamente acreditar que somos produto de sorte, como alguns insistem, e por que somos produto do meio da evolução? Porque somos muito diferentes e muito além do que podemos dizer “filhos da Terra”. Dai podemos chegar dentro do que Platão diz dentro do teorema da caverna, toda realidade que pensamos ser um fato, muitas vezes, não é um fato real e sim, um fato ilusório.

Quando o ser humano saiu da caverna, ele se deparou com outra realidade e descobriu que aquela realidade não era a verdadeira, mas também, aquela de fora da caverna é uma extensão da realidade como um todo. Então, podemos concluir que o “cogito” cartesiano só é uma analise do sair da caverna platônico – alguns não vão concordar – porque o ser humano se descobriu e começou a enxergar por si mesmo. Quando o ser humano saiu da caverna ele se espantou com outra realidade e essa outra realidade lhe espantou – como todo mundo que se depara com outra realidade – porque era uma extensão daquela realidade com outro viés dessa realidade. O espanto foi da incerteza que pairou na mente dele que tudo não pode ser determinado, pois essa determinação de um fato concreto era apenas uma ilusão que se cria a partir de símbolos de status social. E para sair das “sombras” de uma realidade construída a partir de ilusões históricas e morais, o primeiro sintoma é o espanto, e não é a toa que Immanuel Kant vai dizer que o primeiro passo do “amor ao saber” é o espanto de não ter uma realidade. É o que trata esse simples teorema, uma simples historia para um simples pensamento, não há certeza da nossa realidade e de tudo que vivemos, mas há a certeza do “eu sou, eu existo” porque se eu estou pensando naquela realidade, então estou percebendo primeiro a minha existência. Santo Agostinho – antes de Descartes que provavelmente pegou carona nesse pensamento – vai dizer que mesmo errando, nós somos, como se não existisse algo perfeito e não existe determinismo de nada que chamamos real, mas eu ainda continuo sendo o que sou. Descartes vai mais longe para provar que o cético – nome dos antigos ateus e que não acreditavam em algum fenômeno mistico – também eram levados a algumas crenças disse a famosa frase “eu penso, logo eu existo” num contexto que se eu penso e sei da minha existência, nenhuma realidade é definida e podemos duvidar de todas as realidades e fatos (mesmo os científicos empíricos) que não são o que são. Se somos a imagem e semelhança de um Ser Divino que pensa, ele é sem ligar para as realidades transitórias e ele sabe que ele mesmo existe. Ou seja, não importa se discutamos se esse Ser existe ou não, por ele mesmo já é um fato ele existir e ele vai existir você acreditando ou não, ele já é um conceito. Se temos que duvidar, temos que duvidar de tudo e o pensamento cartesiano (o nome de Renê Descartes em latim era Renatus Cartesius) nos mostra que não é possível, porque não podemos duvidar de nós mesmos.

Voltando ao filme, podemos ver que César é consciente do que ele é e que não poderia ser, porque ele sabe que sendo macaco tinha suas próprias limitações. Sendo um líder consciente, ele sabia que numa guerra não se teria chance de ganho e só poderia saindo perdendo, pois numa guerra só os “mesmos” saem ilesos e os outros, são mortos e esses mortos só serão números. Koba, cego pelo seu ódio, cria a ideologia que os macacos são superiores e que por serem “pacíficos” - nesse momento fica claro a critica e a contradição – são muito melhores que os humanos e que os humanos devem ser eliminados. Fica claro a critica (não julgadora, mas analítica porque vai afundo na questão) social que vai desembocar dentro das ideologias que “cegam” e os seus adeptos, seguem sem discuti ou perguntar o porque daquilo. As ideologias são apenas a “sombra” platônica, Koba está envolvido em uma realidade dentro da “sombra” que ele vê e não enxerga por causa da sua ilusão ideológica. Vimos isso inúmeras vezes dentro da historia humana e vamos ver muito mais, se o ser humano não enxergar essa ilusão que somos superiores, não somos, somos consciências que estamos aprendendo a nos encontrar e só quando nos encontraremos, encontraremos a razão de tudo. César é o ser consciente, o ser que mostra a verdadeira liderança, o rei filosofo que se vê diante da ideologia e ilusão.

O filme nos mostra nosso lado humano e ao mesmo tempo, nosso lado símio que ainda é latente naqueles que não sabem que podem pensar, e que ainda, estão acorrentados sem enxergar outras realidades. Aqueles que não pensam só existe uma realidade entre muitas...



Amauri Nolasco Sanches Junior

sexta-feira, setembro 05, 2014

Politica e Religião.





Umas das minhas imagens favoritas, 
Jesus em posição de lótus dentro de uma flor de lótus. 






Quando falamos de politica – pelo menos nos meus artigos – estou falando da politica grega e que fez Aristóteles escrever sua maior obra. Politica vem do grego “politikós” que é o “cidadão da polis” porque a arte politica era vivenciada por qualquer cidadão livre e que poderia dar sugestões e participar das discussões do Ágora. Da Revolução Francesa para cá, poucos ficaram a cargo das decisões executivas de uma nação Estado – esse processo começa na idade média e muito antes com o império romano, onde só poucos poderiam ser preparados para governar e a maioria era preparada para produzir – e assim, as Republica (res publica “coisa publica”) foi moldada para serem governada por pessoas da burguesia que eram preparados para isso. A revolução francesa teve grande impacto dentro da politica ocidental, tanto é, que logo depois teve a Libertação dos Estados Unidos da América já como republica e já com uma constituição. Claro que isso foi feito junto com a reforma protestante que muito ajudou para romper varias amarras dentro de um certo proselitismo dentro dos governos absolutistas onde os reis eram apoiados pelos papas dentro dos interesses da igreja católica – hoje em alguns casos e principalmente no Brasil, a coisa se inverteu - porque para o protestantismo, o dinheiro não é pecado porque ser rico faz parte da prosperidade dentro da graça recebida para se viver no mundo. O catolicismo prega que a riqueza é avareza e vaidade e deve ser punido graças a uma passagem de Jesus (Yashua) que diz que é mais fácil um camelo passar num buraco da agulha do que um rico ir ao reino dos céus, que vários historiadores dizem, que varias passagens foram manipuladas para reter e segurar o pessoal na idade media. Verdade ou não, essa são as duas teologias baseadas dentro do que acreditam.

Nisso tudo os sacerdotes protestantes – chamados de pastores – eram muito distantes que são agora, para ter uma ideia, Lutero estudou muito e tudo para chegar a conclusão que a igreja católica fugiu dos seus princípios e João Calvino não seria diferente. Lógico que a religião protestante – aqui nós chamamos de movimento evangélico – tem todo seu pensamento voltado ao cristianismo e si mesmo, não tem interpretações e não tem outra forma de ler a bíblia. Esse pensamento é uma reação contra o pensamento escolástico (a filosofia grega embutida) dentro da igreja cristã e é uma reação de uma interpretação a favor de certos interesses – que hoje também permeia as igrejas evangélicas – em usar isso para beneficio próprio e ao poder politico. Lembramos que no mundo grego, a politica era o cidadão grego participando das decisões da “polis” - tanto é que Aristóteles vai dizer que o homem é um animal politico (zoon politikos) – e hoje, com a herança romana e medieval, poucos detêm o direito de comandar e participar da administração do Estado. Nossa herança é muito mais enraizada – digo nós latinos americanos que viemos da cultura ibérica tanto na parte do absolutismo (só a pouco a Espanha tomou a posição da monarquia legislativa), quanto na religião cristão que era radical nesse período das navegações que culminou a colonização das Américas – no absolutismo e dentro das raízes da fé cristã dentro do catolicismo. Até mesmo religiões que nada tem dentro do catolicismo, acabaram absorvendo muitas características dentro de suas próprias teologias como acontece no protestantismo (vulgo religião evangélica) brasileiro.

A religião foi construída a partir do pensamento e a necessidade humana de estabelecer uma certa ligação ao divino (ad infinitum), a politica foi feita para estabelecer regras para melhor administrar a comunidade onde se vive e separar os direitos e os deveres. O que devemos preocupar – isso é perigoso e se provou um congelamento evolucionário – quando certa religião começa a querer tomar o poder para reprimir e censurar outras ou, censurar escolhas de cada ser humano em nome de uma fê que não é dele. Então aparecem pseudos-pastores – isso está no apocalipse que haveria falsos profetas – que querem manipular de qualquer jeito e de qualquer maneira o seu candidato com pressões usando suas crianças e usando de sua autoridade para defender a sua loucura. É o que acontece com o psicologo pastor Silas Malafaia líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que essa semana mandou 4 mensagem para a candidata Marina Silva (PSB) para voltar atrás na questão do casamento igualitário. Ou seja, a candidata não teve pulso firme em se dizer convicta e compromissada com todos os brasileiros, mudou de ideia em nome de um pensamento dentro da igreja evangélica, que nem de Jesus é e sim, um pensamento de Paulo (Saulo de Tarso) que queria reprimir alguns cultos pagãos para assegurar a fê cristã. Disse que Deus fez macho e fez fêmea para procriar e se unirem sem prevaricações e etc. Como disse, eram pensamentos que nada tinham com a verdadeira religião e sim, reprimir certos ritos e certas atitudes que ele (Paulo), acreditava ser errado e colocava em suas pregações. Seculos depois, Constantino I ordenou que as cartas paulinas fossem colocadas nos cânones dos evangelhos. Então, por que quem se diz cristão (que na sua essência segue Jesus Cristo (iluminado)), segue cartas que nada tem a ver com que ele pregou ou fez? Um budista não segue ensinamentos de cartas de monges, segue aos ensinamentos de Buda, um islâmico, não segue os ensinamentos de cartas de um xeique, eles seguem o Alcorão de Maomé Muhammad. A pior coisa que se faz em uma religião é distorcer o que se é verdadeiro por causa de interesses e é o que acontece dentro da religião jesuitística (não gosto de chamar de cristã por motivos óbvios e nem tem a ver com os jesuítas). Perseguições aos homossexuais, aos que tem outra divindade, e etc, eram condenados por Jesus? Se eram me mostrem dentro onde Jesus prega e não em nenhuma outra carta. O senhor pseudo-pastor não saberia responder a essa pergunta, porque a essa pergunta existe somente uma resposta, não há em nenhuma pregação de Jesus (não de Paulo) que tenha nenhum desses condenados. Muito pelo contrario, existe sim o ensinamento da tolerância através da fê e da ligação com a vontade divina. O sermão da montanha tá lá para mostrar:



Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os Defensores da Paz, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.”
(Mateus, 5:3-12)




Os “bem-aventurado” que Jesus disse, não são só aqueles que só entram em uma igreja e oram – na verdade oram na igreja e falam mal de todo mundo fora dela – os “bem-aventurados” são aqueles que será consolados porque terão aquilo que almejam porque trilharam o caminho do bem. Aventurar é aquele que arrisca, e o “bem-aventurado” é aquele que arrisca ir aonde é o bem, aquilo que é bom para si e para todos em convivência pacifica. E está lá “os humildes de espirito” que nada mais é do que aquele que não julga, aquele que não faz apologia de nada que possa obrigar as pessoas a fazerem o que não querem, e Jesus disse isso, aquele que não julgar e respeitar a vontade do outro será aquele que arriscou na trilha dos bons modos, da verdadeira paz de espirito, o verdadeiro religar com o divino. Como disse acima, não adianta quererem orar e depois sair quebrando santo, sair xingando a mulher porque ela é católica, sair julgando melhores que todo mundo. Os pastores estão iguais aqueles bispos das igrejas primitivas – igual o bispo Cirilo de Alexandria que incitou os “cristãos” a matarem a filosofa e matemática Hipátia por causa do seu neoplatonismo e sua crença aos deuses (e por ser mulher?), foi morta a pedrada e sua carne foi esfolada e queimada (cristãos?) - onde incitavam o ódio e a destruição de templos que não faziam parte de seu escopo de crenças, eles não queriam conquistar fieis, eles queriam e querem impor as suas crenças. De repente por poder, de repente por simples ignorância de não lerem outras coisas (certamente, Jesus não aprovaria isso, pois defendeu a prostituta – que não era Maria de Magdala - que iria ser apedrejada), mas não seguiram nunca a essência do que Jesus ensinou. Seguiram cartas, seguiram regras e ensinamentos secundários, para fundamentar uma moral que era quem escreveu essas cartas, pensava.

E se provou que é perigosa essa relação religião e politica, tanto pela via politica – alienando os fieis – quanto na parte do próprio poder que é uma tentação muito grande. Vamos lembrar quando Jesus em uma das suas meditações no deserto – sim, Jesus meditava – ele teve varias tentações mostradas pelo demônio para desistir de sua missão. Podemos ver esse tipo de tentação enfrentada por todos os mestres espirituais e aqueles que tinham como meta, colocar a humanidade no caminho certo, como o caminho da verdadeira ligação até a expulsão do paraíso (consciência do TODO). A religião é hoje levada a fins errôneos, onde nada está ligando com o divino, apenas está ligando a ignorância ao poder. O próprio Jesus disse ao ser indagado pelo valor de seus impostos – uma das coisas que o levou ser crucificado – para nós darmos de César o que é de César, e o que é de Deus para Deus. O resto? É tudo manipulação, usando cartas....


Amauri Nolasco Sanches Junior

Filosofo/escritor, Formado em Publicidade e Informática, palestrante. 

terça-feira, agosto 12, 2014

“Animus”











Há mistérios que nunca serão desfeitos senão por muita insistência do ser humano e sua capacidade mental e curiosa. No blog da Laura Botelho (aqui) – pesquisadora e palestrante sobre assuntos metafísicos – na postagem do dia 24 de julho, nos mostra a sua opinião sobre o filme italiano “6 giorni sella Terra” a tradução ficaria “6 dias sobre a Terra” porque foi 6 dias que um extraterrestre tomou o corpo de uma herdeira de uma família condessa metade humana e metade extraterrestre por muitos séculos. São coisas para refletimos e causa alguns questionamentos quando a ufologia séria – a séria não descarta uma vinda extraterrestre para manipulação humana e essa manipulação ser um conflito também no meio espiritual – que não foram respondidas e será difícil respondê-las precisamente. Eu sou cético nas questões que dizem que existe um governo secreto que quer controlar a humanidade, pois ainda estamos lhe dando com aspectos dualistas de bem e de mau como a cultura e as religiões tratam. O que acredito que há sim questões que não podemos descartar e nem desprezar, como se deveríamos dar crédito sem um certo ceticismo. 

O nome do artigo não é a toa, “animus” vem do latim e quer dizer “alma pura” e tem a ver um pouco com o filme, pois o pesquisador dizia que essas abduções são por casa de alma (anima) humana e seu desenvolvimento. Acontece que não é diferente quando lemos as escrituras cristãs quando dizem que Lúcifer (Satanás para alguns que quer dizer inimigo), quer provar que ele estava certo e que a raça humana é um erro, sendo que Deus e seus anjos, criaram o homem a sua semelhança. Nas interpretações modernas – sendo muitos séculos e com a descoberta, uma meia comprovação, que evoluímos de outro animal como os primatas – dizem que Satã sempre condenou que o Criador (como se fosse uma energia) desse alma a macacos. Os ufólogos dizem que é uma analogia a essas pesquisas e que na verdade, tanto anjos, quanto demônios, são duas raças alienígenas diferentes. Há muito para e pensar e refletir sobre o caso, pois se irmos muito mais a fundo – isso envolve até a Kaballa – ha mistérios sobre nossa origem que intrigam ainda os maiores biólogos que estudam a área genética. Por que perdemos pelos? Por que razão somos a única especie que consegue falar? São perguntas sem ainda nenhuma resposta. Mas temos uma pista quando alguns pesquisadores encontraram o genes alienígena, o único genes que existe só na raça humana e em nenhum outro animal. Não somos os únicos, claro, a ter consciência, pesquisas mostram que as Orcas e os Golfinhos também provem de uma certa consciência. Se é um mito ou não, o fato é que mesmo essas especies terem consciência, somos os únicos a falar. 

Papagaio tem uma certa memoria para poder imitar certos sons e certas falas, além de ter o formato da língua para poder fazer isso. Mas o ser humano expressa o que ele sente e pensa, sem imitar (se imita é porque foi condicionado para tal sobre o viés dos valores e costumes) e sem fazer o que o outro faz, tem o poder de errar e aprender com esse erro. Isso de repente, despertou o interesses em certas “forças” que não sabemos de onde vem e o porque vem, mas há mistérios que ainda não desvendamos. Na verdade quem se apega muito no “cientificismo” (uma crença fanática pela ciência empírica), são pessoas não incrédula de alguma crença e tem como a ciência como argumento, e sim, tem medo dessas mesmas “forças” que misteriosamente existem nesta realidade ou em outra realidade (uso realidade para me referi as muitas dimensões). Depois que Albert Einstein nos disse que tudo é energia – confirmando alguns pensamentos da filosofia oriental – a física não foi a mesma e poderíamos até que nossa realidade não passa de vibração dessa própria realidade. Para falar da realidade teremos fazer a seguinte pergunta: o que é a realidade? Sera que tudo que vimos é a realidade de fato? Não sabemos e os cientistas que fecham essa questão é porque tendem ao medo de ir muito mais além, não se atualizam e tem medo de pesquisar essa realidade onde nenhum homem esteve. 

Acredito muito no pensamento de Fredrich Nietzsche que diz não haver fatos eternos e nem verdades absolutas, inspirado na filosofia heraclitiana, onde tudo flui e nada permanece no mesmo estado, as verdades e os fatos mudam conforme nossas escolhas. Não é porque existe essas “forças” que o ser humano haverá de não poder escolher o caminho que quiser, nós temos o que hoje fazemos. Não sejamos tão radicais e colocar o pensamento existencialista de Sartre em questão, a existência sem a essência seria como se nós se torna-se maquinas e não teríamos consciência de nossos atos; a existência não procede a essência, ela convive totalmente a essência do ser humano. Sem a alma (anima) não teríamos a capacidade de escolher e nem de progredir em seres conscientes que somos, a essência faz parte da nossa consciência da percepção do ambiente e a percepção de nossa existência, como Descartes disse no seu “cogito”. A mente é muito além do que a razão, a razão (logos) é apenas o ponto onde devemos fazer a reflexão dessas escolhas, mas a mente é muito mais do que mero fato concreto. Buda descobriu isso e disse que tudo está da mente e isso é real, todos os sentimentos possíveis estão na mente. A razão pode nos dar uma ideia que 3+2 é = a 5, mas esquece que 5 também é 2 e meio + 2 e meio que torna a logica mais ou menos, relativa como Einstein mesmo previu em sua teoria. Nada no universo tem uma arquitetura e nem uma determinação, mas também nada vem do nada, tudo vem de uma origem e essa origem é desconhecida ainda. O filosofo da linguagem Wittgenstein, disse que o que não sabemos não podemos dizer, ou seja, o ser humano não pode dizer termos que não pode expressar, tudo tem um termo e tudo se expressa. 

Mas o mesmo filosofo dizia que fazemos o mundo conforme a nossa linguagem e essa linguagem é construída a partir do que podemos expressar. Deus, por exemplo, já existe como termo e se tentam negá-lo, é porque a sua existência já consiste em determinado lugar dentro do coletivo. Não é diferente quando pegamos a teoria platônica do “mundo das ideias”, porque tudo é mera copia daquilo que está originalmente nesse mundo, porque todas as ideias circulam no “éter” e nesse “éter” pode inspirar alguém. Só que não existe só isso nas coisas e sim nos termos, termos esses que o próprios Wittgenstein disse que eram um incógnita dentro da própria filosofia, e que, o mundo não é feitos de coisas e sim de fatos. Agora fica fácil entender que se o mundo num modo linguístico dos termos não é feito de coisas – talvez objetos que damos os nomes – e sim fatos, esses mesmos fatos não são eternos e esses objetos mudam de nomes e o tempo continua relativo. Ou seja, todo termo muda conforme os valores e os costumes envolvidos e esses termos tem o mesmo viés de comunicar o que a pessoa vê. Talvez assim, Platão tenha colocado o “Mundo das Ideias” - essa ideia foi tirada de Parmênides (doxa) como o único caminho do ser humano ao conhecimento e esse conhecimento era essencial para a felicidade (eudaimonia), junto com com a o pensamento socrático da imortalidade da alma e como alcançarmos a virtude com atos corretos que seculos mais tarde, o cristianismo iria se apropriar – como se fosse dimensões diferentes onde vinham as ideias que inventamos os objetos, ou talvez ainda, tenha sido uma maneira de explicar onde vinham os termos apenas. Então quando lemos termos bíblicos ou termos antigos como “Carruagem de Fogo” ou outros, são termos que são usados naquela época onde não se entendiam que existiam motores a propulsão e talvez seres que tivessem uma tecnologia avançada, poderiam ter ela e atravessar o universo e vim pesquisar nosso planeta. O ser humano quer fazer isso, seres conscientes tendem a serem curiosos para aprender e registrar o que aprenderam, faz parte da nossa natureza constante. 

Linguagens e visões, fazem parte da natureza do mundo que fabricamos com termos, termos esses que podem ser modificados. Por isso que muitos pensamentos orientais – primeiramente a filosofia hindu – vão nos dizer que tudo é mera ilusão (maya), porque toda a realidade conhecida é feita dos termos (nomes) que damos a elas. Esses termos são construídos dentro dos valores que predominam na cultura da época – como as linguagens bíblicas e dos muitos livros sagrados que só são linguagens herméticas por causa das inúmeras perseguições – então, tudo muda graças a essas inúmeras linguagens e termos. Por que Aristóteles era a favor da escravidão, por exemplo? Por que sua época era comum ter escravos das nações que iam sendo conquistadas? Então, conceitos e respostas mudam conforme suas premissas, conforme suas ideias.

Quando dissemos e estudamos mitos – há um erro muito grande quando colocamos a filosofia (amor a sabedoria) como destruidora de mitos, porque ela não destrói nada e sim analisa esses mitos – vamos verificar que os mitos tem as características do que queremos expressar. Mas antes disso, muito importante, vamos analisar dentro da ótica psicológica (psique = alma) o que se define um mito. Quando o doutor Freud separou os três itens que controlam nossa mente, usou alguns mitos para descrever o que acontece como o mito de Édipo pelo amor da própria mãe – em querer matar o pai para ficar soberano – e assim se fez o rumo. Além disso, o medico austríaco, separou três bases para se estuda a consciência que é o ego, id e o superego. O ego é o que mostramos aos outros, é a tão aclamada “mascara”, que torna o que somos e fica entre as regras do superego e os desejos do id, então, somos sempre um conflito dentro de nós e isso nos faz seres humano. Só que a parte que disse é a parte material, humana e corporal, mas existe muito mais além que nos fez evoluir e sempre retornar a Terra, nossa alma, nosso espirito que nada mais é, aquilo que somos e é isso que deixa intrigado esses seres que querem descobrir onde está essa essência.

Amauri Nolasco Sanches Junior 

quinta-feira, agosto 07, 2014

Critica a “banalização” Pura










Aristóteles em sua obra Politica (Sobre a Politica no original), nos diz que o homem é um animal politico e porque ele se torna sábio (sophos) quando ele está em sociedade. Lembramos que quando o filósofo de Estagira diz que o ser humano é politico ele não está dizendo em políticos profissionais, mas o “politikon” grego que quer dizer “morador da polis” e como morador da Polis, ser levado a também discutir problemas da polis. Só que o grego se preocupava muito com a finalidade das coisas e não no principio, para o homem moderno o ser humano existe dês de concepção do seus pais com o ato reprodutivo, para o grego, o homem só era homem por causa do aprendizado que recebeu. Para o moderno o principio é importante, o grego o importante era a finalidade que podemos ver em sua arte e que o filosofo Aristóteles vai tomar como base, porque para ele, o homem como morador da polis era capacitado de aprender varias técnicas e varias finalidades. Ao contrario do moderno que derrubou mais ou menos essa tese por outra que diz que o homem consegue ser sábio só quando se isola, Aristóteles demostra que cada vez que o homem se envolve com a polis, ele se torna mais sábio. 

Ora, se somos animais que somos sociáveis e cada vez mais, com a polis, adquirimos sabedoria, como homens pré-históricos, isolados e nômades, descobriram tantas coisas e ficaram cada vez mais sábios? Então, não é que o homem em sociedade fica mais sábio, mas seus erros lhe torna em principio, mais perceptivo com que não pode fazer, superando e aperfeiçoando. Ao longo das eras, foram inúmeras, que o ser humano saiu da caverna e construiu cidades e essas cidades se tornaram reinos e esses reinos se tornaram impérios imensos, o ser humano usava esse principio como o principio para o aperfeiçoamento. Hoje em dia – que é um paradoxo muito estranho, já que estamos na era da informação – não se usa mais e se comete o mesmo erro milhares de vezes e nunca o ser humano aprende, porque o principio básico da racionalidade é sair do erro e entrar no acerto seja na vida afetiva, seja na vida espiritual, seja na vida profissional e até, naquilo que tem vontade. Mas voltamos de novo a um paradoxo, porque o que vai definir como certo e errado é a leitura daquilo que fazemos como conceitos a partir dos valores que recebemos, porque a principio, o ser humano é construído pelos valores sociais recebidos pela própria família. Assim construirmos culturas e e aperfeiçoamos leis a partir dos valores regidos em cada época e isso se faz com a ética (ethos) que nada mais é do que costumes. 

A Critica vem do grego “kritikê” que seria a arte de “julgar, “separar” e “discernir” algo ou alguma situação que fere a moral de algum jeito. Na filosofia moderna – diferente do senso comum que só julga sem discernir o que é certo ou errado – a critica é uma analise sistemática sobre as condições e consequências de um conceito, de uma teoria ou uma disciplina. Um exemplo é a critica ao regime nazifascista que não julga, mas deve ser feita em uma analise sistemática de algo muito mais profundo do que um simples julgamento. A Critica deveria ser uma analise muito mais definida do que argumentar se aquele lado está certo ou aquele lado esta errado e sim, analisar do ponto se é o não é importante para aquele momento. Se queremos criticar o site da UOL, por exemplo, temos que fazer uma analise sistemática ao conteúdo que o site nos trás como informação e não um julgamento fútil que é apenas a “banalização” de uma opinião e do próprio conceito da critica. Então, por que não analisar o conteúdo daquilo e dizer o que pesa sobre o conceito daquilo? Por que não analisar a fala de certo candidato e não o partido no qual pertence? Aliás, a pessoa só usa o partido aqui como suporte eleitoral porque não se pode concorrer sem nenhum, então, não podemos fazer essa analise. 

Vimos muito isso nos comentários de grandes sites, se julga mais pelos valores que somos expostos do que a noticia em si mesmo e que muitas vezes, como diz um tio meu, se ouve o galo cantar e não se sabe onde esse galo está cantando. Ou seja, não se analisa a informação e já se repete essa mesma informação, banalizando a própria informação dada no seguinte momento. Banalizar algo é desgastar a imagem daquilo como sendo algo inútil e que pode ou não ser importante, como a banalização da violência nas grandes cidades, se tornou algo desgastado e normal (que não é). isso ocorre em todos os setores e em tudo que fazemos, devemos ter uma critica para sairmos da minoridade e analisar aquilo a partir do que é o mais importante, se é ou não útil para uma vida mais plena e a procura de elevar-se acima dos princípios básicos que é, evoluir. 

Evoluir para onde e por que? Essa é a questão primordial dentro da filosofia, porque hoje a critica se tornou algo banalizado – certamente banalizaram até a Critica como um julgamento apenas – porque não se analisa as finalidades. Se enxerga muito a importância em se falar em futebol – lembrando que a importância é o surgimento do assunto futebol – mas não se analisa a finalidade que o futebol pode ter na vida de cada ser humano e é essa finalidade que vai tornar o futebol algo de bom ou algo que apenas é um assunto corriqueiro que todo mundo sai falando. Nem sempre o que todo mundo sai falando é o certo de se fazer – ninguém em sua sã consciência, vai escutar determinado tipo de musica por causa de que todo mundo sai por ai ouvindo – mas também o certo e errado depende como os valores agregam em nossas vidas. Muitas pessoas acharam que o tigre não deveria ser sacrificado só por causa dá conduta do pai de querer colocar o menino mais próximo dos animais expondo o menino ao perigo, outros disseram que deveria porque o tigre atacou por maldade (lembrando que maldade e bondade são valores agregados dentro da cultura humana apenas). Immanuel Kant que viveu no final do seculo dezoito, diria que temos que olhar a conduta do pai e fazer uma Critica da sua ação, lembrando que é a analise sistemática de algo ou alguma ação, tendo como base o que levou ele a fazer isso sem olhar que seu filho poderia (como aconteceu) se ferir. 

Mesmo se alguma celebridade que não era muito noticia, por razões obvias que a fama pode trazer e levar esse mesma fama, hoje em dia aparece falando algo que causa polemica. Por que será? A Critica deve ter a profundidade da analise verdadeira e não a analise somente julgadora, porque uma analise julgadora é uma analise dos valores agregados e não uma analise dos fatos ocorridos, são juízos sintéticos que só enxergam o que são contidos em uma certa moral. Quando dissermos que aquela pessoa com deficiência não está apta a trabalhar por causa da sua cadeira de rodas, é uma critica do senso comum e também um juízo sintético, mais popularmente chamado de juízo de valor (como todo preconceito o é). Porque o empregador usa a imagem vitimizada da cultura religiosa das pessoas com deficiência que mesmo se esse empregador ou funcionário do RH não seja religioso, nossa cultura ocidental herdou a imagem religiosa que mil anos dominou nossa cultura – os orientais equilibraram isso, mas é assunto para outro texto – então eles irão julgar não pela finalidade, mas pelo principio que é a cadeira de rodas e a deficiência. Aliás, foi um grande erro levado ao pensamento moderno. 

Só podemos concluir que o pensamento Critico não deve ser levado para o lado dos valores contidos em uma cultura, mas ampliar essa visão analisando o que os gregos faziam, ao invés de olhar o principio, temos que olhar a finalidade e a finalidade é o ideal para uma vida mais ou menos sem cair nas teias da aranha Midiã e as informações manipuladoras. 


Amauri Nolasco Sanches Junior 


Liberdade em Aristóteles e Santo Agostinho




segunda-feira, julho 14, 2014

terça-feira, julho 01, 2014

Marxistas fora da história





Descrição da foto: No lado esquerdo Adolf Hitler com a bandeira com a suástica nazistas atrás dele e no lado direito Karl Marx com a bandeira da foice e o martelo na suas costas e o vermelho faz uma só. 

por Amauri Nolasco Sanches Junior


nesses dias eu estive lendo o caso de uma aluna de direito que acusa um dos professores de assedio ideológico por ser marxista e ele ser liberal e o advogado posta uma asneira contra o feminismo que não tem tamanho. Sobre o movimento feminista – todo seu viés histórico e politico – ainda está sendo estudado por mim e talvez lá para frente irei publicar textos sobre. É estranho os marxistas – aqueles que leram mesmos Karl Marx e assimilaram o que ele dizia – não admitirem que o partido de Adolf Hitler e os seus NAZI sejam um partido de esquerda e isso no nome já se enxerga. Seu nome era Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, o socialista já diz que o partido era de esquerda e o nazismo na época, podem dizer o que quiserem, mas visavam mudanças dentro da politica alemã. Por que estou dizendo isso? Porquê ela se incomodou que o professor disse que o nazismo era de esquerda. (Leia aqui)
O filósofo Karl Marx (1818-1883), estudou direito e era de origem judia onde seu pai era um advogado conselheiro da justiça – carreira que o próprio Marx vai estudar, mas pouco seguiu – e foi casado com filha de um industrial na Alemanha. Mas deixamos sua biografia para quem aprecia escrever elas e entrar em suas teorias que, numa visão mais aprofundada, não está totalmente errada. Que o ser humano é explorado pela força do trabalho e recebe muito menos que vale, isso sem duvida nenhuma, pois muitos não ganham na mesma proporção para comprar um carro que produzem. Isso se chama mais valia – embora muita coisa mudou no mundo que Marx viveu (seculo XIX) e os dias de hoje sendo que quem é bem sucedido é aquele que faz a manutenção de seus conhecimentos diante do que trabalha – onde se ganha muito menos para comprar aquilo que produz. Não concordo com muitas premissas de Marx pelo simples fato de que o marxismo já foi implantado, nos moldes dos que detinham o conhecimento na União Soviética, e não funcionou e não vai funcionar graças ao poder. Mas também, não pode dar certo, pelo simples fato que não há igualdade nem mesmo na natureza – Marx foi muito contrario a teoria de Darwin - onde o leão precisa comer o servo para sobreviver, os animais sociais terem um lider para seguir e outros fatores que se olharmos, será logica demais. Mas na exploração trabalhadora, isso sem duvida, mas temos que nos ater nos dias de hoje que o niilismo – doutrina que há uma negação aquilo que chamamos de metafisica, ou seja, a negação daquilo que sentimos como forma espiritual e a essência de tudo que o ser humano concebe como crença e ideologia – impera como a razão, e não é a razão. A razão é muito mais do que conceber uma realidade como realidade única e sim, a realidade depende de cada realidade que cada um carrega dentro dos valores passados pela sua educação. Isso tem nada a ver com a classe que está inserido e sim, ao que lhe é ensinado.
Percebo que o socialismo comunista cientifico se tornou uma doutrina do “coitadismo” e se lemos honestamente as obras de Marx, não era essa a proposta que tinha em mente e não era tudo que nos é passado. Nem tudo é de ordem social e politica – as classes se modificam conforme a desenvoltura da economia em cada país – e sim, as classes se transformam conforme os valores que cada um enxerga diante ao mundo, não adianta ganhar dinheiro, se não tem um pensamento que amanhã pode faltar ou pode juntar para comprar ainda mais coisas. No mesmo modo podemos dizer das várias formas do socialismo comunista cientifico, pode até se tornar algo bom, mas se deve não ter a revolução em imposição sócio-cultural, mas uma mudança de mentalidade que talvez seja-se algo complementar a doutrina igualitária religiosa cristã. Ora, se analisarmos bem fundo a doutrina socialista comunista cientifica, não é muito diferente da proposta dos cristãos e o que está no novo testamento junto com os ensinamentos de Jesus. Os únicos erros – e são os mais profundos dessa doutrina socialista comunista – é sempre frisar algo externo e não é, a vontade de progredir vem do seu intimo, não pode ser avaliada por “coisas”. As coisas passam, são conseguecias de muito trabalho e dedicação e depende de nós, o governo não pode ser tutor de cada cidadão porque por natureza desse poder, ele é repressor por questões da própria administração e não tem muito a ver com os inúmeros regimes que já se teve. O socialismo comunista cientifico se contrapõem dentro do seu próprio discurso, Marx deu aos seus opositores a melhor arma nos debates que levou o próprio filósofo anarquista Prondhon a ter uma briga feia; se o socialismo comunista visa a igualdade, como sociedades poderiam ser administradas por cooperativas e essas cooperativas sendo administradas esses administradores iria ser detectores do poder a mesma coisa, então não seria uma ditadura do proletariado como vimos na URSS? Nem mesmo Marx sabia como levar sua filosofia ao poder, o que ele formulou foi apenas inúmeras teorias econômicas e sociais que levou muitas pessoas a concordarem com essas teorias.
Os marxistas não usam sua própria filosofia – não que sou totalmente contra sua filosofia, sendo eu, um estudioso e militante nas causas sociais – porque não enxergam suas próprias falhas históricas. Esses erros podem ser vistos em documentários muito fáceis na internet e não precisa ser nenhum catedrático para enxergar que o erro está justamente no materialismo dialético, porque enxerga o ser humano como construtor do mundo onde há uma construção daquilo que fazemos do mundo e seus elementos. Mas se irmos um pouco mais além dessa dialética materialista, cada objeto já estava inserido no mundo muito antes que o ser humano pudesse perceber esse elemento. Podemos perceber uma pedra, essa pedra está lá a milhões de anos sem o homem (ser humano) pudesse perceber diante de suas faculdades sensoriais. Daí construirmos termos que tem a ver com o objeto – construções que muitos filósofos lógicos, como Wittgenstein, vão dizer que são jogos de linguagem – para construirmos uma ideia daquilo que estamos diante da percepção. Daí entramos na fenomenologia – esse termo vem do grego phainesthai, que quer dizer aquilo que se mostra, e logos, que é aquilo que se estuda – que foi escrito por Edmunt Husserl (1859-1939), que visava um estudo aquilo que enxergamos no mundo como fenômeno da consciência. Então, a pedra é apenas a ideia que fazemos da pedra enquanto objeto que enxergamos e temos que designar algum nome para analisar esse objeto. O objeto é apenas um meio para temos a consciência do ambiente onde estamos, porque graças a isso temos a melhor maneira de fazer nossas escolhas.
Sendo nós detectores de nossas escolhas e no próprio socialismo comunista cientifico, tudo é uma decisão social e faz parte da cultura onde estão inseridas, mas isso derruba por terra o próprio socialismo comunista. Por que? Porque temos as nossas próprias escolhas e essas escolhas não podem der feitas por causa de um regime ou por causa de um grupo, tem a ver com nossas percepções subjetivas que vão definir nossa vontade com aquele objeto. Mas podemos sim pensar com o coletivo – o homem como um animal politico – porque vivemos numa sociedade e como sociedade podemos ajudar a ela ser mais justa possível para um convívio harmonioso, mas isso depende da leitura subjetiva das coisas que enxergamos em nossa volta. Isso tem nada a ver com regimes, isso tem a ver com educação familiar.
Mas por que o socialismo erra nos seu materialismo histórico? Quando lemos o nome do partido NAZI, lemos Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou seja, esse “socialismo” é o mesmo socialismo que os marxistas tanto adoram dizer e o “nacional” é o “socialismo” alemão que dá uma identidade em cada país. Como teve o bolchevismo russo, como teve o maoismo chines e o castrismo cubano, o nacional socialismo caracteriza um tipo de socialismo racista (xenofóbico) que caracterizou na época. O nazismo é um socialismo radical xenofóbico – que não está muito longe do que ensina Marx em seus livros, que se para o bem da maioria uma minoria morrer, deveriam ser eliminados – que caracteriza como um regime social que exalta o nacionalismo, hoje os neonazistas transcendem as características  xenofóbicas e a pureza racial, para pregar o nacionalismo radical. Não importa se o cara é umas das etnias que os nazistas rejeitavam, isso não importa, mas a soberania do cidadão daquela país Estado. E não é diferente do que Josef Stalin fez ou Mao Tsé Tung, porque ambos mataram muitas etnias para o bem de uma maioria (sempre escolhida por eles). A característica xenofóbica é devido o nacionalismo radical que rejeita o direito de um estrangeiro morar em seu país, como se esse estrangeiro tirasse as chances de emprego e uma vida melhor, que no fundo, é uma tremenda bobagem porque uma vida digna se faz cada um trabalhando em prol da humanidade. Mas dizer que os nazistas não são de extrema-esquerda, é uma bobagem pior ainda, porque só passaram a matar comunistas quando Stalin declarou guerra a os alemães.

Essa juventude deveria estudar mais para não dizer tanta bobagem, essa aluna – com seus 20 anos – deveria pesquisar mais e não deveria se incomodar com isso que o nazismo foi mesmo de esquerda (os neonazistas são modinha e não devem ser levados a sério), porque no fim o poder em si mesmo é já repressão. Não existe liberdade. 

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