sábado, janeiro 11, 2014

Computadores pensam?












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Por Amauri Nolasco Sanches Junior




Essas palavras foram referidas pelo “filosofo” Olavo de Carvalho em seu perfil do Facebook:


Perguntar se um computador pode pensar é tão idiota quanto perguntar se um ábaco pode fazer contas ou se um lápis pode escrever. Todo instrumento faz aquilo que foi construído para fazer, com a condição de que um ser humano o construa e coloque em ação. Mas pior ainda é perguntar se um computador pode pensar MELHOR do que nós. Se pensasse pior, seria melhor não usá-lo. Os computadores pensam melhor que nós pela mesma razão que os carros são mais velozes que nós e que é melhor pregar um prego com um martelo do que com o dedo. Ninguém jamais construiu um equipamento para fazer o que quer que fosse pior do que fazia sem ele.




O computador pensa e essa não é uma pergunta idiota como Olavo de Carvalho diz, erra, erra feio porque não fez o que Nietzsche disse que temos que filosofar como filólogos, porque temos saber a origem do termo usado. O computador pensa porque ele tem a instrução, o ábaco também, mas faz de uma forma mecânica porque não julga a informação que recebe, porque não reflete. A consciência é feita a partir do refletir, nosso cérebro reflete por causa do nosso julgar, nossa maneira sentimental/espiritual que nos remete a questionar o porque daquilo, o computador não faz isso. Pensar é mecânico, o refletir é a consciência.

No dicionario Aulete, o pensar é um sinônimo de refletir, mas não se enganem. Por exemplo, uma calculadora não precisa saber o que é o 1 da operação e se esse 1 é um numero de algum objeto, ela mecanicamente faz a operação e pronto. Mas existe o algoritmo que dará o comando para esse e outros cálculos, cálculos esses que são comandos automáticos. Só que também somos levados a comandos lógicos que são os algoritmos, por exemplo, se quero escrever esse texto, tenho que ligar o computador, ligar o programa de texto e só depois escrevo minhas ideias. Até o ligar o redator de texto foi uma atitude automática, mas a partir que estou escrevendo o texto já não é mais uma atitude automática e sim um julgamento das ideias que li e refletir sobre essas ideias. Por que isso? Um calculo é uma informação que damos a calculadora e ela retorna com o resultado, o resultado é a resposta e é outra informação que é automática. O nosso cérebro depende de vários comandos para enxergar qualquer tipo de reação, se pegamos uma bola, temos que saber que aquela bola é real. A informação que vem de alguém não é o bastante – há pessoas que vão pegar porque “pensam” que a pessoa lhe dá essa informação de boa fé – mas o refletir e o julgamento lógico, vai explorar as possibilidade e vai fazer as escolhas.

A diferença é essa, não é pensar de modo automático, pensar de modo a fazer escolhas e perceber a existência do agente pensante. Não importa muito se o passarinho que estou vendo na minha janela voando existe ou não, ele está voando envolta de um abacateiro por causa da chuva, essa realidade pode ser uma ilusão, mas eu fiz a escolha de olhar o passarinho e olhar seu voou. Um computador com uma câmera acoplada, pode analisar e fazer uma analise digital da mesma realidade, mas essa analise é automática e não tem uma analise mais de escolha e liberdade. O cogito cartesiano não é automático como muitos dizem, mas ele reflete sobre meu existir, porque eu percebo a mim como uma unidade dentro dessa realidade, não é só uma analise automática da mesma. Essa é a questão, fazemos uma leitura da realidade graças a adaptação que o nosso cérebro nos faz dessa realidade. Eu vejo a realidade conforme meu consciente é melhor adaptado – para mim o consciente é a mascara social e o inconsciente é os nossos desejos reprimidos por essa máscara social que Jung diz ser nossa sombra – e essa adaptação faz o ser humano ver a realidade que somos condicionados, porque eu admiro a visão do passarinho voando envolta do abacateiro porque aprendi que aquela visão é bela, é um julgamento a partir de conceitos que fui exposto.

Temos também um pensar mecânico e muitas vezes não reflexivo, mas o que nos difere é tomar em si as escolhas que façamos nossas realidade. Mas podemos também não achar que o passarinho voando envolta do abacateiro bonito, posso achar esse momento não prazeroso e até chato. Daí fiz a reflexão que aquele momento não serviria para meu desejo de sentir algum prazer, alguma beleza. Essa é a diferença, as escolhas que fazemos que fazem de nós seres que racionamos, seres que podemos escolher a partir de nossos conceitos, crenças, ideologias e etc, porque foi assim que nossa mente se adaptou a realidade no qual vivemos. Nós temos cultura, nós construirmos conceitos morais, nós programamos e damos ordens aos computadores. Talvez esse é o paradigma, o computador pode fazer cálculos, pode obedecer ordens, mas não pode escolher e ter essa escolha uma reação sentimental, uma reação até espiritual que fazem de nós, seres que interagimos com o ambiente. Mas ao fazer certas operações, ele pensa e pensar tem um caminho lógico que refaz uma trajetória de caminhos a um fim, esse fim é o efeito dessa causa. Mas de maneira nenhuma – não ainda nessa 4º geração que ainda estamos engatinhando na informática – os computadores não fazem escolhas no intuito de refletir a essas tarefas, não há uma reflexão com o melhor caminho a faze-la.

O que o Olavo nos colocou na verdade – como sempre sem perceber – é um paradoxo que muitos já o colocaram em pauta. Será que o computador com seu software, poderá algum dia pensar? Se trilharmos o caminho cartesiano do cogito então chegaremos ao impasse que o computador não percebe sua existência e portanto não pensa, mas – porque nessas horas sempre tem um “mas” - o computador pode trilhar caminhos lógico sem ter um “duende” para mostrar a ele a cada operação que ele tiver que fazer dentro do seu gabinete. O software tem milhões de linhas algorítmicas que vão fazer ele saber o caminho daquela tarefa, se isso não for um argumento sustentável, não saberei dizer o que é, porque assim desse modo, ele pensa e faz as suas tarefas. Mas o que o Olavo talvez se confundiu foi em torno na consciência, em torno da liberdade de escolha, em torna da capacidade de escolher o melhor caminho. Como sei programação, sei que um bom programador pode sim fazer muitos caminhos para uma mesma tarefa. E ai ficamos como? Se o computador tem vários caminhos a trilhar para fazer aquela tarefa, então, ele pode ser programado para fazer essa escolha; existe até algoritmos que a variável pode ser escolhida em duas tarefas, mas que sempre haverá uma linha mostrando como fazer isso. Assim o computador pensa, faz a tarefa, só que ele não discute sobre essa tarefa.

A reflexão que estou querendo expor, começa com essa discussão, discuti qual o papel util dessa tarefa e isso que faz uma consciência, ela julga o papel real e produtivo dessa e de outras tarefas. Por que que 1+1=2? Qual é o valor de b e por que devo dar valor ao b? Por que que existe o ângulo reto se posso fazer curvas? Como o Olavo mesmo disse, um carro é mais veloz que o ser humano e isso é obvio e essa tecnologia construirmos para melhor nos servir para carregar objetos e nos carregar com maior conforto e é mais veloz porque implica em ter mais energia. Espera ai! O carro anda mais rapido que um ser humano porque contem mais energia? Sim e não é só isso, porque um leopardo pode atigir até 80 km h e ser um animal, existe o fator energia e aderência que o sr poderia ter estudado antes de falar bobagem. Um leopardo pode andar 80 km porque ele tem patas dianteiras que dão o impulso necessário e energia o bastante para impulsionar essa força e andar até 80 km h. Um carro tem um motor que contém energia de combustão de maior proporção que é medida por cavalos – graças as carruagens que eram puxadas por cavalos e continha energia animal – que dará maior impulso na hora de andar no trajeto escolhido. O carro e nem o leopardo é superior ou inferior, eles são a medida que acumulam energia centrípeta o bastante para ter energia de manter a velocidade inercial para alcançar o objetivo. O ser humano talvez não tenha energia o suficiente para manter essa velocidade – teríamos que acumular enormes estoques de carboidratos e teríamos que andar em quatro patas para acelerar e colocar essa energia somente para ter essa velocidade para caça ou outro fim – mas essa energia é usada para inventar e construir formas artificiais que nos dão essa velocidade para alcançarmos esse fim. A criatividade nos faz os únicos animais que fazem instrumentos para esse fim, para adaptarmos e irmos a grandes distancias. Será que essa diferença é na parte da criatividade?


A criatividade faz a diferença e foi graças a ela que saímos da caverna, criamos culturas e instrumentos para melhor vivemos. Isso ninguém vai negar e isso talvez faça diferença entre o pensar do computador e o nosso pensar, porque ele não cria nenhum meio para fazer algo que difere daquilo que ele foi programado a fazer. Os meios produtivos, seja qual for, foram inventados para melhor nos alimentar, melhor nos carregar, melhor nos fazer as nossas necessidades. O computador e seu software só é mais um instrumento dessa criatividade que, talvez, poderá fazer escolhas e poderá criar outros cérebros artificiais. Mas não quer dizer que ele hoje não pense, só não refrete ou crie, e isso só nós temos o poder. 

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