Por Amauri Nolasco Sanches Junior
Vendo
o video do Pirulla – recomendo bastante – sobre o incidente entre
o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr (tenho minhas duvidas ele como
professor) e a jornalista ancôra do SBT Rachel Shaherazade, me fez
refletir muito sobre o que ele (o Pirulla) falou em polarizar a
politica aqui no Brasil. Entre esquerda e direita os simpatizantes
escolhem um lado e adotam um discurso para defender esse lado, como
times de futebol que exigem torcida (apesar que com torcida ou não,
o time que tem que ganhar, irá ganhar de qualquer jeito). Esse o
problema do Brasil e seu povo, futebolizaram (inventei um termo) tudo
até a politica que nada mais é do que o extremo da mesma moeda.
Claro
que todos acompanharam a polêmica que foi o post do Ghiraldelli
dizendo que a Sheherazade tinha que ser estuprada e num outro post,
que ela abraça-se um tamanduá. No topo da polêmica não quis
escrever sobre porque é desnecessario escrever sobre na mesma época,
mesmo o porque, milhões escreveram e disseram “bobagens” e mais
“bobagens” sem a menor noção do que estavam dizendo. Ano
passado escrevi sobre a Lya Luft em meu blog Ser um Deficiente, onde
denuncio que não há esquerda e nem direita, mas que temos que nos
ater a fato em si. O que ocorre é que rotularam o Ghiraldelli de
esquerda e a Sheherazade de direita e fica uma batalha entre as
forças da luz e as forças das trevas. Ghiraldelli postou isso
porque todo cara de esquerda é violênto e que apóia estuprador –
sendo eu anarquista, acredito que entro nesse balaio – só que
independente dele ser de esquerda (inúmeras vezes ele mesmo disse
que não acredita mais em ser de esquerda ou direita) ele é
idependente se acredita ou não nessas ideologias. Ele é livre e ele
é um ente exclusivo, então, ele pensa e tem sua opinião
independente dele ser ou não de esquerda, ou da direita, ou sendo
budista, ou sendo católico, ou sendo evangélico, ou sendo
mulçumano, ou sendo até um mendigo. Ele é Paulo e vai continuar
Paulo independente se a esquerda ou não existir, ponto. Temos que
aprender a julgar a ação do indivíduo e não se é ou não de
ideologias, religiões e afins. Depois o Paulo tem um histórico
longo onde há xingamentos, estupides e até, bloqueamento do
Facebook, eu e meu irmão que o diga, se discordamos dele ele nos
bloqueia ou exclui. Então, o desbanalizar dele e doutrinar sua ideia
a todo custo como um religioso medieval, se precisar dar uma
chibatada tenha certeza que ele dará verbalmente.
Rachel
Sheherazade é jornalista e tem opiniões que não agradam a maioria
– isso os esquerdistas atribuem ao patrão, o sr Abravanel – e
assim sendo, ela entra na turminha da direita que quer dominar o
mundo e escravizar o ser humano a com seus pézinhos, amassar as uvas
para fazerem seus champanhes e vinhos caros. O capitalista usa a
dominação de massa da propaganda para enganar e escravizar o ser
humano a comprar o que não precisa – o desejo é inerente ao ser
humano – mas a maioria tem o seu computador, assiste a novela
favorita, assiste especial do Roberto Carlos, joga Candy Crush saga e
é contra o lanchinho do McDonald. Sheherazade é o protótipo do
velho medo que o comunismo dominará o mundo e escravizará o ser
humano a comer criancinha – igual o lanchinho do MacDonald – e
teremos um tipo de cadeira de rodas para escolher porque os “outros”
tem o direito de ter cadeira de rodas também. Ou não leram Karl
Marx, ou estão tirando uma da minha cara.
A
polaridade na politica sempre dará dois extremos e isso é uma
herança muito mal paga da politica e cultura iluminista, onde se
você acredita em Deus é um teísta, se não acredita é um ateu. Se
você acredita num progresso e que o desenvolvimento tecnológico trará beneficios a humanidade então acabamos de entrar para o
direita club, com direito a ser xingado e dizer que é uma
contradição um ser humano vivendo no meio da periferia, pobre,
sendo manipulado pela midia e se tornando um escravo capitalista.
Utopias sempre houveram e sempre haverá de ter e quem sabe de
história, sabe que sem esses 10% a sociedade nem teria o que comer
porque não haveria trabalho nenhum. Fato. Se isso é exloraçao ou
não, devemos analisar em uma outra ótica e numa outra perspectiva –
colocar Thomas Hobbes como um direitista e a favor da monarquia,
coloca alguns empecilhos para uma analise mais aprofundada da
sociedade e seu contrato social – onde há as pessoas que contratam
o trabalho e aqueles que vendem o trabalho. O brasileiro num modo
geral, aiinda não entendeu que ele vende o trabalho e é de acordo
do que ele sabe, o que ele estuda, não cai do céu. Mas, enquanto
não aceitarmos o fato que somos animais sociais e de alguma maneira
precisamos nos manter para sobreviver e não tem nada de errado em
ganhar dinheiro – como no caso do “rei do camarote” - vai ficar
dificil e não chegaremos em um momento propicio para esse tipo de
discussão.
O
problema maior é com quem estudou, porque quem estudou já tem
dentro de si uma especie de “couraça” ideológica, vimos muito
isso em nossos intelectuais. Dos que podemos pegar como exemplo –
não irei pegar nem o Paulo Ghiraldelli e nem o Olavo de Carvalho por
motivos óbvios – o Leonardo Sakamoto que visivelmente é um
jornalista e de esquerda e o Reinaldo de Azevedo como de direita.
Ambos tem discursos inflamados sobre suas posições, mas por
incrivel que pareça, sem conteúdo nenhum, sem um aprofundamento sobre o que está falando. O Sakamoto acredita em um mundo cor de
rosa, mas não discute como é que vamos pintar esse mundo e o porque
do rosa, já o Reinaldo de Azevedo, não trabalha muito bem a questão
de ser contra o PT e seus aliados, fica um discurso vazio. Na verdade
quando defendemos a não matança de bandidos por eles serem seres
humanos, ou a superlotação dos presídios por falta de verba ou
outras questões afins, temos que defender uma posição sem exageros
e sem sermos desonesto intelectualmente. Fica vazio o Sakamoto dizer
que é contra a frase “tá com dó? Leva pra casa!” e não
trabalhar a ideia em argumento, mesmo é o Reinaldo de Azevedo ficar
postando textos imuteis que só dizem que o governo é currupto, isso
já sabemos.
Esse
é o problema da polerização politica, dão brechas para
ghiraldellis da vida ou sheherazades da vida, ficarem com esses
discursos vazios e sem propósito nenhum. Esse é o problema no
Brasil, muito estudioso e pouco entendido, porque se não entendemos
aquela situação não vamos saber expor o que pensamos. Somos um
povo muito no “maria-vai-com-as-outras” e muito poucos, poucos
mesmo, tem opinião própria e podem expressar essa opinião que
muitas vezes são chamados de “reacionários”. Não existe
direita e nem esquerda, porque não existe uma fidelidade ideológica,
uma fidelidade das suas origens. Tanto um empresário pode ser de um
partido de esquerda, quanto um sindicalista ter uma posição de
direita, não há um consenso quando não temos regras definidas
dentro do nosso conceito. Realmente, pouco me importa que o Paulo
Ghiraldelli seja da velha esquerda, eu analiso o ato dele dizer que
uma mulher merece ser estuprada em si. Como todos seus conceitos
“machistas” de uma educação pobre de componentes analiticos e
criticos, vejo que mesmo ele lendo Platão, Aristóteles entre outros
grandes pensadores, não deixou o senso comum do homem do interior
que foi educado como todo brasileiro o foi, mulher é um objeto do
desejo e só pode expor suas ideias quando é a mesma do homem, senão
merece apanhar e ser estuprada. Tanto é que quando uma mulher nega a
investida de um homem ela é chamada de vagabunda,
sendo se ela não deu nenhum beijo ou outas coisas com esse homem,
por ele se achar sinhorzinho
graças
a sua mãe, ela é uma mulher qualquer. Por outro lado vendo como o
Paulo se comporta a cada discussão, ele realmente fica preso no
conceito de professor e aluno e solta essas baboseiras para impor sua
opinião.
Já
a Rachel Sheherazade é a combatente fervorosa contra os “maus”
comunistas que querem dominar o mundo – lógico que tem a ideologia
do canal onde trabalha, mas para mim não é um fator determinante –
onde muitas de suas opiniões são tão contra o senso comum que ela
mexe com o ódio humano. Enquanto todos eram contra o Pr Feliciano,
Rachel disse que ele tem o direito de se expressar sem se incomodar
com as criticas que isso iriam trazer, isso não foi com certeza uma
opinião do “patrão”, já que ele é judeu. Mas o fato é que
nada pode ser analisado sem antes temos pesquisado sobre, podemos ser
injusto com alguém, mesmo o porque, não sabemos como alguém pensa
de fato. Não estamos isentos de conceitos e opiniões, mas devemos
analisar por si mesmo e não porque o outro nos disse. Tanto na
politica, quanto na democracia, nós temos escolhas a seguir e elas são determinantes para construir um conceito, uma linha de
pensamento que pode mudar ou não, depende onde chegaremos com esse
conceito. A liberdade é muito mais do que conceitos do senso comum.
O
“professor” Ghiraldelli esqueceu de duas grandes lições da
filosofia, a de Sócrates de Atenas que disse “quando um não quer,
dois não briga” e outro é do grande Aristóteles que dizia que
temos que ponderá tudo. A filosofia é ousar, mas também, é
respeitar o outro.
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