E,
chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos,
dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?
E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?
E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.
Mateus 16:13-17
E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?
E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.
Mateus 16:13-17
Há muito tempo que venho observado que o nosso povo gosta de
agradar os outros e sempre se rendem a religiões vigentes ou não, ou ideologias
que nada tem a ver com o que gosta ou que faz. Ora, existe a mentira e a
verdade, o que você é como ente que pensa e percebe a realidade e aquele que
não é, se transveste de um ser social que não é. Na realidade, nem podemos
saber o que é verdade ou que não seja verdade, porque não sabemos qual a
natureza da nossa própria natureza do nosso eu (ego). Há um erro muito grave em
dizer que o ego que o budismo – em parte os ensinamentos de jesus também – é o
eu que emana da natureza da nossa consciência. Não é. O ego que o budismo quer
que dissolvemos é o ego falso, o ego que é fabricado com as regras sociais que
ao invés de colocar o ser humano no caminho da verdadeira evolução, coloca no
caminho onde o poder quer que ele fique. Afinal, será que vale a pena seguir
multidões por causa de uma religião ou uma simples ideologia e deixar nossa
natureza e a nossa opinião?
Nietzsche – filósofo alemão do século dezenove – dizia que a
verdade era uma questão de linguagem, que era apenas um discurso para todos não
ficarem brigando um com os outros. Igual a filosofia de Hobbes quando ele dizia
que há um contrato, leis e o ESTADO para controlar a natureza humana como seres
que estão sempre em conflito. Mas, há um erro grave, se a verdade é só uma
questão de linguagem para o poder dominar, então, tudo seria uma subjetividade?
Uma maçã, por exemplo, que podemos estar vendo, nada mais é, do que um objeto
que estamos vendo e sabemos que se chama maçã. O verdadeiro, aquilo que achamos
ser a realidade, nada mais é do que o conceito do objeto (que daremos um nome)
e o objetivo (que daremos uma colocação dessa realidade). Portanto, a realidade
(como verdade) são os valores que damos ao objeto dando a ele, o objetivo
necessário para ele ser real. Quem estuda e gosta de exatas (como lógicos e
matemáticos), vão dizer que a verdade é 2+2, mas, se fomos muito além da
operação de soma, 4 pode ser varias coisas. 1, 50 + 1,50 dará na mesma forma,
4. A verdade ali se fragmentou em uma outra verdade, porque tanto 2+2, quanto
1,50+1,50, são 4 e a verdade que era única, ficou como duas verdades.
Se, realmente, a verdade seja como Nietzsche colocou como
algo que depende de um discurso, a maçã sé um nome vago de um objeto que
definimos como maçã. Assim como, 4 seja apenas um algarismo que são valores que
demos a varias coisas. Por que não, numa outra galáxia, pode ter seres
inteligentes que tem outras mecânicas de contagem? Então, o 4 é um caractere
para designar um certo numero de objetos e, afinal, é um meio de linguagem para
explicar aquilo. Assim, Nietzsche teria razão que é uma questão de dominação
linguística, pois, alguém de um passado remoto imaginou um caractere que
designava 4 e esse caractere dominou todo o entendimento do numero quatro. Por
outro lado, podemos escrever “neve” ou “snow” e acabara designando o elemento
neve como uma realidade. Porque a linguagem acaba sendo algo subjetivo dentro
de uma certa ordem cultural, porém, a neve é neve acima do termo designado.
Nietzsche, talvez, pensou em termos e uma linguagem mais cotidiana e menos
formal ou ate mesmo, uma linguagem religiosa e racional (no sentido de
racionalismo), que nos limita a obedecer a certas sentenças que são
moralizantes e moralistas.
Ser você mesmo é buscar o nosso ego transcendental de ser
você mesmo dentro dos fenômenos da realidade objetiva, sem ser dominado, por
uma linguagem dominante. Ou seja, existem certas marcas de dominação social
dentro da própria linguagem. Por exemplo, minha mãe nunca ensinou a nós – eu e
meus irmãos – pedir “benção” para ela e meu pai (mesmo o porquê, nunca fez questão
de nenhuma religião e levar seus filhos para uma), mas, por outro lado, pedia
para meus avós. O “pedir benção” é um meio para se educar um filho para a dominação
social, porque ele vai aprender a ser domesticado e a seguir a religião dominante.
Assim, o “pedir benção” é a expressão clara da opressão social, pois, eu posso não
querer “pedir” e vou ser julgado como um desrespeitoso. Mas, o “pedir benção” não
é garantia nenhuma de respeito. Ter ou não respeito não tem o mesmo significado
de amor, você ama e dentro desse amor já há respeito e consideração e se você precisa
de provas desse amor, você está dominando. Não é porque não pedia “benção” para
minha mãe, que não respeitava ela (como respeito como espirito). Na verdade,
talvez, o “pedir benção” para ela, era apenas palavras que não demonstravam
nada e ela não precisava disso para saber do amor e do respeito dos seus filhos.
Talvez, Suzana von Richthofen poderia sempre “pedir benção” para seus pais, que
não impediu que matasse eles. Portanto, até aqui, Nietzsche tem uma certa razão
de desconfiar que certas colocações linguísticas são dominadoras.
Mas, o que seria o mentiroso? Ora, o mentiroso é aquele que
usa os termos para definir uma realidade é, sendo que, ela não é. Por exemplo,
ele pode dizer que “gosta” de alguém e na verdade, não gostar dessa pessoa,
pois, se coloca como uma pessoa que cria uma personalidade que não é dele. Mesmo
o porquê, como Nietzsche, também acho que o problema não está na ilusão para o sujeito
comum, mas os efeitos negativos que ela pode deixar dentro de uma linguagem. Como
no exemplo do mentiroso, ele dizer que “gosta” de certa pessoa e na verdade,
ele não “gosta”, não é o problema, porque isso só vai acarretar uma desconfiança
nele. O problema é a massificação desse tipo de vicio na linguagem, como se
todo mundo “tem que” dizer que gosta, porque começa a ser uma tradição cultural.
A massificação da mentira. Essa massificação da mentira é apenas o que Kant colocou
em seu imperativo categórico, ou seja, faça de suas atitudes coisas que possam
ser universais. Então, quando colocamos que existem questões linguísticas dentro
da ética e da moral (embora dicionários e enciclopédias dizem ser a mesma
coisa, não são não), dizemos que há um interesse dominador dentro de carapaças moralizadoras.
Mas, cuidado, existem certas linguagens que tentam quebrar as amarras de linguagens
dominantes, que de certa forma, são também atitudes e uma linguagem dominante
do mesmo modo.
Podemos usar o funk carioca como exemplo. Suas musicas
tentam quebrar a linguagem dominante da moralidade, mas, cai exatamente, na massificação
da mentira. Mesmo o porquê, a essência do funk é sempre questionar a moralidade
vigente e a cultura burguesa. A questão é: quando você diz que vai “passar o
rodo na novinha” – estou dando um exemplo bem mais leve – você não está incentivando
anda mais a questão machista de ser o “macho” da espécie? Não seria invasão do
corpo da “novinha”? Aí vamos voltar ao caso do mentiroso, porque a música diz que
questiona uma certa opressão, mas, acaba, ao mesmo tempo, oprimindo a “novinha”
à ceder ao “machinho” copular e invadir o seu corpo (que é uma propriedade
dela). Como a questão religiosa dominante do “pedir benção”, a questão da liberdade
é uma questão de questionar os questionamentos de uma massificação linguística de
certos nichos que tem uma visão ilusória que estão questionando uma opressão. A
liberdade tem o mesmo problema da verdade. Vamos colocar dessa forma: a “novinha”
(aquilo que se deseja) esteja apenas ali para dançar e não para outras coisas
(sexo?), mas, existe o objeto e o objetivo, o objeto é a “novinha” e o objetivo
é “passar o rodo”. Qual a liberdade existe nesse caso? Pode a “novinha” não ter
nenhuma escolha a não ser ceder?
Podemos definir como liberdade uma condição de ação e reação
dos atos humanos, porque só o ser humano tem a consciência da sua realidade. Sartre
– filósofo francês contemporâneo – dizia que o homem nasceu livre, ou seja,
existe uma condição de escolha e dessa escolha vai definir o que é ou não. Então,
temos duas definições: uma de Nietzsche de linguagem e outra de Sartre ontológica.
Mas, todas as duas, desemboca da verdade e na liberdade. Liberdade dois
aspectos: primeiro é o aspecto de conhecer quem você mesmo é e isso torna a consciência,
de dentro para fora. O eu cogito (que podemos colocar como eu transcendental), se
vê primeiro do que a realidade em volta de si e ai sim, se volta ao objeto
externo. Ou seja, o ser se encontra como ser, pensante para perceber o outro
como objeto e o objetivo desse objeto. Segundo perceber que se eu existo como
base de minha própria consciência de uma realidade única e minha (porque até
mesmo a consciência é algo individual) e assim, perceber nossa própria existência.
Ai começa minha própria filosofia do NÃO (ou como passei a chamar, A Tese do
Individualismo Consciente). Pois, quando você nega coisas que você não tem
vontade ou nega fazer as vontades alheiras sem ter vontade, você faz escolhas e
essas escolhas vão filtrando até chegar a tua verdade construindo a sua
realidade. Chegamos ao subjetivismo? Não. Ainda o subjetivismo vai aceitar
algumas amarras sociais e vai despertar algumas ilusões daquilo que aceitou
como verdade posta, sem ver, que há verdades espontâneas.
Como na passagem que coloquei no começo do texto, Jesus quis
saber o que as pessoas diziam dele e Pedro disse o que ele era realmente e
Jesus disse que Pedro tinha visto não só a aparência física e sim, o seu
verdadeiro eu (ego). Quando somos nós mesmos, não precisamos de religião para
religar nós ao divino, nem governos que só alienam e nada nos ajudam, mas, se
autogovernamos e percebemos que a liberdade que nos “vendem” é uma liberdade ilusória.
Não diferente do filme Matrix.
Amauri Nolasco Sanches
Junior
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