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domingo, março 01, 2020

Ser você mesmo num país da 'manadas'



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E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?
E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?
E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.

Mateus 16:13-17

Há muito tempo que venho observado que o nosso povo gosta de agradar os outros e sempre se rendem a religiões vigentes ou não, ou ideologias que nada tem a ver com o que gosta ou que faz. Ora, existe a mentira e a verdade, o que você é como ente que pensa e percebe a realidade e aquele que não é, se transveste de um ser social que não é. Na realidade, nem podemos saber o que é verdade ou que não seja verdade, porque não sabemos qual a natureza da nossa própria natureza do nosso eu (ego). Há um erro muito grave em dizer que o ego que o budismo – em parte os ensinamentos de jesus também – é o eu que emana da natureza da nossa consciência. Não é. O ego que o budismo quer que dissolvemos é o ego falso, o ego que é fabricado com as regras sociais que ao invés de colocar o ser humano no caminho da verdadeira evolução, coloca no caminho onde o poder quer que ele fique. Afinal, será que vale a pena seguir multidões por causa de uma religião ou uma simples ideologia e deixar nossa natureza e a nossa opinião?

Nietzsche – filósofo alemão do século dezenove – dizia que a verdade era uma questão de linguagem, que era apenas um discurso para todos não ficarem brigando um com os outros. Igual a filosofia de Hobbes quando ele dizia que há um contrato, leis e o ESTADO para controlar a natureza humana como seres que estão sempre em conflito. Mas, há um erro grave, se a verdade é só uma questão de linguagem para o poder dominar, então, tudo seria uma subjetividade? Uma maçã, por exemplo, que podemos estar vendo, nada mais é, do que um objeto que estamos vendo e sabemos que se chama maçã. O verdadeiro, aquilo que achamos ser a realidade, nada mais é do que o conceito do objeto (que daremos um nome) e o objetivo (que daremos uma colocação dessa realidade). Portanto, a realidade (como verdade) são os valores que damos ao objeto dando a ele, o objetivo necessário para ele ser real. Quem estuda e gosta de exatas (como lógicos e matemáticos), vão dizer que a verdade é 2+2, mas, se fomos muito além da operação de soma, 4 pode ser varias coisas. 1, 50 + 1,50 dará na mesma forma, 4. A verdade ali se fragmentou em uma outra verdade, porque tanto 2+2, quanto 1,50+1,50, são 4 e a verdade que era única, ficou como duas verdades.

Se, realmente, a verdade seja como Nietzsche colocou como algo que depende de um discurso, a maçã sé um nome vago de um objeto que definimos como maçã. Assim como, 4 seja apenas um algarismo que são valores que demos a varias coisas. Por que não, numa outra galáxia, pode ter seres inteligentes que tem outras mecânicas de contagem? Então, o 4 é um caractere para designar um certo numero de objetos e, afinal, é um meio de linguagem para explicar aquilo. Assim, Nietzsche teria razão que é uma questão de dominação linguística, pois, alguém de um passado remoto imaginou um caractere que designava 4 e esse caractere dominou todo o entendimento do numero quatro. Por outro lado, podemos escrever “neve” ou “snow” e acabara designando o elemento neve como uma realidade. Porque a linguagem acaba sendo algo subjetivo dentro de uma certa ordem cultural, porém, a neve é neve acima do termo designado. Nietzsche, talvez, pensou em termos e uma linguagem mais cotidiana e menos formal ou ate mesmo, uma linguagem religiosa e racional (no sentido de racionalismo), que nos limita a obedecer a certas sentenças que são moralizantes e moralistas.

Ser você mesmo é buscar o nosso ego transcendental de ser você mesmo dentro dos fenômenos da realidade objetiva, sem ser dominado, por uma linguagem dominante. Ou seja, existem certas marcas de dominação social dentro da própria linguagem. Por exemplo, minha mãe nunca ensinou a nós – eu e meus irmãos – pedir “benção” para ela e meu pai (mesmo o porquê, nunca fez questão de nenhuma religião e levar seus filhos para uma), mas, por outro lado, pedia para meus avós. O “pedir benção” é um meio para se educar um filho para a dominação social, porque ele vai aprender a ser domesticado e a seguir a religião dominante. Assim, o “pedir benção” é a expressão clara da opressão social, pois, eu posso não querer “pedir” e vou ser julgado como um desrespeitoso. Mas, o “pedir benção” não é garantia nenhuma de respeito. Ter ou não respeito não tem o mesmo significado de amor, você ama e dentro desse amor já há respeito e consideração e se você precisa de provas desse amor, você está dominando. Não é porque não pedia “benção” para minha mãe, que não respeitava ela (como respeito como espirito). Na verdade, talvez, o “pedir benção” para ela, era apenas palavras que não demonstravam nada e ela não precisava disso para saber do amor e do respeito dos seus filhos. Talvez, Suzana von Richthofen poderia sempre “pedir benção” para seus pais, que não impediu que matasse eles. Portanto, até aqui, Nietzsche tem uma certa razão de desconfiar que certas colocações linguísticas são dominadoras.

Mas, o que seria o mentiroso? Ora, o mentiroso é aquele que usa os termos para definir uma realidade é, sendo que, ela não é. Por exemplo, ele pode dizer que “gosta” de alguém e na verdade, não gostar dessa pessoa, pois, se coloca como uma pessoa que cria uma personalidade que não é dele. Mesmo o porquê, como Nietzsche, também acho que o problema não está na ilusão para o sujeito comum, mas os efeitos negativos que ela pode deixar dentro de uma linguagem. Como no exemplo do mentiroso, ele dizer que “gosta” de certa pessoa e na verdade, ele não “gosta”, não é o problema, porque isso só vai acarretar uma desconfiança nele. O problema é a massificação desse tipo de vicio na linguagem, como se todo mundo “tem que” dizer que gosta, porque começa a ser uma tradição cultural. A massificação da mentira. Essa massificação da mentira é apenas o que Kant colocou em seu imperativo categórico, ou seja, faça de suas atitudes coisas que possam ser universais. Então, quando colocamos que existem questões linguísticas dentro da ética e da moral (embora dicionários e enciclopédias dizem ser a mesma coisa, não são não), dizemos que há um interesse dominador dentro de carapaças moralizadoras. Mas, cuidado, existem certas linguagens que tentam quebrar as amarras de linguagens dominantes, que de certa forma, são também atitudes e uma linguagem dominante do mesmo modo.

Podemos usar o funk carioca como exemplo. Suas musicas tentam quebrar a linguagem dominante da moralidade, mas, cai exatamente, na massificação da mentira. Mesmo o porquê, a essência do funk é sempre questionar a moralidade vigente e a cultura burguesa. A questão é: quando você diz que vai “passar o rodo na novinha” – estou dando um exemplo bem mais leve – você não está incentivando anda mais a questão machista de ser o “macho” da espécie? Não seria invasão do corpo da “novinha”? Aí vamos voltar ao caso do mentiroso, porque a música diz que questiona uma certa opressão, mas, acaba, ao mesmo tempo, oprimindo a “novinha” à ceder ao “machinho” copular e invadir o seu corpo (que é uma propriedade dela). Como a questão religiosa dominante do “pedir benção”, a questão da liberdade é uma questão de questionar os questionamentos de uma massificação linguística de certos nichos que tem uma visão ilusória que estão questionando uma opressão. A liberdade tem o mesmo problema da verdade. Vamos colocar dessa forma: a “novinha” (aquilo que se deseja) esteja apenas ali para dançar e não para outras coisas (sexo?), mas, existe o objeto e o objetivo, o objeto é a “novinha” e o objetivo é “passar o rodo”. Qual a liberdade existe nesse caso? Pode a “novinha” não ter nenhuma escolha a não ser ceder?

Podemos definir como liberdade uma condição de ação e reação dos atos humanos, porque só o ser humano tem a consciência da sua realidade. Sartre – filósofo francês contemporâneo – dizia que o homem nasceu livre, ou seja, existe uma condição de escolha e dessa escolha vai definir o que é ou não. Então, temos duas definições: uma de Nietzsche de linguagem e outra de Sartre ontológica. Mas, todas as duas, desemboca da verdade e na liberdade. Liberdade dois aspectos: primeiro é o aspecto de conhecer quem você mesmo é e isso torna a consciência, de dentro para fora. O eu cogito (que podemos colocar como eu transcendental), se vê primeiro do que a realidade em volta de si e ai sim, se volta ao objeto externo. Ou seja, o ser se encontra como ser, pensante para perceber o outro como objeto e o objetivo desse objeto. Segundo perceber que se eu existo como base de minha própria consciência de uma realidade única e minha (porque até mesmo a consciência é algo individual) e assim, perceber nossa própria existência. Ai começa minha própria filosofia do NÃO (ou como passei a chamar, A Tese do Individualismo Consciente). Pois, quando você nega coisas que você não tem vontade ou nega fazer as vontades alheiras sem ter vontade, você faz escolhas e essas escolhas vão filtrando até chegar a tua verdade construindo a sua realidade. Chegamos ao subjetivismo? Não. Ainda o subjetivismo vai aceitar algumas amarras sociais e vai despertar algumas ilusões daquilo que aceitou como verdade posta, sem ver, que há verdades espontâneas.

Como na passagem que coloquei no começo do texto, Jesus quis saber o que as pessoas diziam dele e Pedro disse o que ele era realmente e Jesus disse que Pedro tinha visto não só a aparência física e sim, o seu verdadeiro eu (ego). Quando somos nós mesmos, não precisamos de religião para religar nós ao divino, nem governos que só alienam e nada nos ajudam, mas, se autogovernamos e percebemos que a liberdade que nos “vendem” é uma liberdade ilusória. Não diferente do filme Matrix.

Amauri Nolasco Sanches Junior




quarta-feira, janeiro 22, 2020

Quando abro o Twitter, eu lembro da minha quarta série na AACD





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Amauri Nolasco Sanches Junior


Quando temos uma opinião, nós usamos só o achismo e não temos o hábito de ficar pesquisando para encontrar o assunto, ler e tirar suas conclusões. Kant — filósofo do século dezoito — já dizia que a maioria estava na minoridade, por pura acomodação. Esse é o ponto: as pessoas são acomodadas de pensar e ler sobre o assunto, ou até mesmo, abrir um livro para estudar o assunto ou outro do seu interesse. Dai o nome do meu artigo, porque quando somos crianças — pré-adolescentes — sempre levamos nossas discussões ao patamar de querer ter razão. Ai que chegamos no problema, se não se lê e não se saiu da adolescência, temos redes sociais tóxicas.
O que é um ambiente tóxico? Um ambiente fanático, onde as pessoas não tem dialogo e a maioria não quer ler o outro em suas respostas, são ambientes tóxicos e podem mexer com seu intelecto. Já faz um bom tempo, venho aderindo a filosofia de algumas pessoas de entrar muito pouco nas redes sociais, porque existem coisas inaceitáveis. Dois pensamentos me vem na cabeça, um do filósofo italiano Umberto Eco e o outro, Edmund Baumam. Eco disse que a internet abriu as porcas para os imbecis por causa de um pensamento bastante simples, porque essas coisas estavam confinadas em um grupo de pessoas nas periferias. Eu sei, porque eu sempre morei nas periferias e o vocabulario é muito parecido. As pessoas sabem de uma forma superficial — ainda mais no Brasil que o ensino é fraco — e acham que tudo aquilo que elas entenderam, são o que há de verdade e a verdade é muito complexa. De uma forma imanente (do mundo) ou de forma transcendente (do espiritual). E assim, quando Pôncio Pilatos pergunta para Jesus o que é a verdade, Jesus se cala como se a verdade fosse algo de cada pessoa.
Ora, o filósofo por definição é o amante da sabedoria, mas, ele tem que achar a verdadeira sabedoria e para isso, tem que encontrar meios de alcançar o seu objetivo. A questão sempre rodeia entre a verdade e a sabedoria, porque a sabedoria é o norte para encontrar a verdade, porém, para achar a sabedoria temos que ter conhecimento. Mas, o conhecimento por si mesmo, não é o bastante para ater o encontro da sabedoria, a filtragem desse conhecimento é importante. Sabemos que a chamada “Peneira de Sócrates” não é de Sócrates, mas, faz um resumo muito fiel da filosofia socrática. Se aquilo é verdade, se aquilo é bom e aquilo é necessário. Vamos pegar a biografia da Anitta como exemplo, como se aquilo é fato. Porque, para valorizar um artista, você começa a inventar mitos sobre ele. Aconteceu isso com Jesus, por exemplo, como aconteceu com outras figuras da história do mundo e temos que tomar cuidado com isso. Isso vai gerar uma bondade no nível de ser algo a ser seguido e para ser feliz lendo? Porque pode gerar uma pressão tão grande, que pode gerar uma ansiedade e pode gerar uma depressão, gerando o suicídio (desistência da vida). Porque nem todo mundo consegue ser cantor e consegue gravar em uma grande gravadora. E tem a necessidade de saber da vida da Anitta, não vai agregar nada.
O conhecimento, nesse caso, não vai trazer nenhuma sabedoria, no máximo, uma informação sobre uma pessoa famosa. É o que acontece nas redes sociais, não é importante se um governante cheira cocaína ou maconha, mas, o que ele fez dentro daquilo que ele faz no setor publico. Não interessa se a pessoa é gorda ou deficiente e sim, o caráter de fazer ou não fazer algo que prejudica o outro de alguma maneira. Há, pessoas com deficiência mal-caráter, existem pessoas gordas com mal-caráter, o que vale é descobrir a hipocrisia e assim, você chega a sabedoria. Porque você chega a verdade e a essência daquilo.
Falar a verdade do que a maioria dos evangélicos de não seguir verdadeiramente o cristianismo, não é falar mal do protestantismo como um todo. A busca da essência tem que ser uma busca cirúrgica, porque mexe com várias formas de ser hipócrita e pessoas que nem sabem do que estão seguindo. A maioria nem sabe o que é comunismo, nem conservadorismo ou ser liberal, porque muito poucos lê sobre. O comunismo foi demonizado por causa dos seguidores do filósofo Olavo de Carvalho — trágico e paranoico — que diz que há um plano de uma dominação comunista. Do mesmo modo, um liberal é um liberal, um conservador é um conservador. Porque o liberalismo não é só uma filosofia econômica e sim, de comportamento cultural. Assim como o conservadorismo não é só na parte da moral. Então, como fazer? Será que não é um moralismo transvestido de conservadorismo?
É só uma reflexão.

quarta-feira, janeiro 15, 2020

Na ‘Filosofia Pop’ a Marilena Chauí fica de fora




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Amauri Nolasco Sanches Junior


Estávamos discutindo sobre o artigo do filósofo Luiz Felipe Pondé chamado “A princesa sem sexo” — que o filósofo fala que a Frozen é chata e é mesmo — e apareceu, como aparece em qualquer grupo de filosofia, a expressão “filósofo pop”. Como eu sempre fiquei intrigado com essa expressão, resolvi perguntar: o que seria um filósofo pop? Será que os verdadeiros filósofos são os acadêmicos que escrevem como se o mundo todo fosse da academia? Aliás, como aconteceu com várias filosofias, como aconteceu com vários ensinamentos (como de Jesus e de Buda, por exemplo), a academia também teve suas distorções desde Platão. Acho que Platão odiaria o tipo de academia que se tornou hoje as faculdades e universidades.
Vamos a cerne da questão, porque é importante deixar bastante claro o que pop. Pop é o diminutivo de popular — que Platão chamava de “doxa” — então, tudo que é pop é tudo que o povo conhece e sabe que existe. Madona é pop. Michael Jackson é pop. Iron Maiden é rock. A diferença é que a cultura pop é popular e a maioria aceita, ou não, mas, é conhecida na sua grande maioria. Porém, a expressão “filósofo pop” é uma expressão ao mesmo tempo, irônica e ao mesmo tempo tem os mesmos preconceitos que teve Platão com os sofistas. Platão achava — aliás era uma opinião dele — que o conhecimento deveria ser passado por amor a sabedoria e não em troca de dinheiro, portanto, os sofistas eram mercenários (o que chamamos hoje em dia) porque trocavam seus conhecimentos por alguma quantia. Então, hoje, temos uma escopo enorme de sofistas que dão aula. O próprio Aristóteles, que também não gostava dos sofistas, foi professor do imperador Alexandre Magno (O Grande). Em troca de nada? Só por que o pai dele era médico da família real?
Então, podemos presumir, que a filosofia pop é popular e por ser popular ela perde o cerne da sua existência, ou seja, fazer o ser humano pensar e sair da sua caverna de sombras. Mas, os acadêmicos escrevem muito complicado como se fosse uma seita, quem lê um trabalho ou um livro acadêmico, quase não entende nada. A questão é: para quem escrevem? Para seus pares só? Ai chegamos as várias criticas sobre quatro filósofos daqui: Mario Sérgio Cortella, Clóvis de Barros Filho, Luiz Felipe Pondé e leandro Karnal. Por que só esses quatro filósofos são chamados de “filósofos pop”? Será que tem a ver com a popularidade que eles tem nesses últimos tempos? Talvez, a academia ficou com essa estigma de que tudo que é popular (e não defende um lado ideológico) não pode ser chamado de filosofia, como trabalhos acadêmicos que criam verdadeiros androides que só repetem o que os outros filósofos dizem. Tudo que é original, é pop.
Uma outra questão é: a filósofa Marilena Chauí é famosa, por que ela não é pop? Por que ela não faz críticas ao PT e a esquerda? Aliás, Chauí é uma ativista do PT desde sua fundação, portanto, não é de se estranhar que ele defenda o ex-presidente Lula e outros membros. Além de ser marxista. Ora, para não ser pop não basta ter livros cansativos e de pouco entendimento como uma seita secreta, deve ser marxista e ter uma pauta progressista. É evidente. Não porque defendo a direita — que tem o Olavo de Carvalho com suas paranoias — mas, porque estou refletindo em um julgamento que não passa de uma coisa seletiva. Por quê? Porque se olha em uma visão ideológica e não uma visão racional, sem paixões ou crenças dentro dessa análise. Afinal, crenças não são só pessoas religiosas, mas, pessoas que acreditam cegamente em alguma coisa. Isso inclui as ideologias.
Quando se julga o Pondé, por exemplo, por ter escrito que a Frozen é chata porque congela tudo que está a sua volta, e o chama de filósofo pop, não estão refletindo o texto como um todo. Ele faz, exatamente, o que o povo disse que fez com a Frozen, pois, o que interessa se ela é lésbica ou não em um desenho infantil. Talvez, poderíamos discutir os desenhos dos Estúdios Wall Disney, como chatos e não seguram minha atenção. O que a empresa fez com o Star Wars (que começou com George Lucas tendo surtos de politicamente corretos), foi um crime horrível, robôs de bolinha, bichinhos fofinhos e a linguagem. Começa com “lado sombrio da Força”, porque o “lado negro da Força” ofende, mas, “The Darkside” é o “lado negro da Força”. Isso não quer dizer que estamos chamando todo negro de mal, que os negros são do lado malvado, é um lado escuro de cor negra, cor preta, que é a parte obscura da energia primordial dentro dos seres que a carrega. Nada tem a ver com pessoas de pele negra, que, aliás, merecem muito respeito. E por isso mesmo, tenho uma filosofia seria, filmes dos estúdios Wall Disney, DC e a Marvel não vou ao cinema.
Entre o mundo encantado dos estúdios Wall Disney e o marxismo, não há diferença nenhuma, um mundo belo, igual e que visa sempre a felicidade. Nunca vamos ser felizes.

sexta-feira, janeiro 10, 2020

Começou o Jihad Cristão no Brasil




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Amauri Nolasco Sanches Junior


Quem estuda geopolítica — de verdade e não esse bando de palpiteiro — que o termo jihad é um dever sagrado de todo islâmico defender o islã o que acreditam ser infiéis. Todas as Guerras Santas que os grupos mais radicais do islamismo se envolvem, tem o jihad como fundamento dos seus ataques ou dos seus atos terroristas que perpetuam no mundo (o 11 de setembro foi um exemplo bem claro). Toda pessoa sensata sabe muito bem, que o fundamentalista daquilo que acredita fundamenta sua crença dentro de bases daquilo que interpreta ser a verdade. Mas, na maioria das vezes, ou são coisas que são ensinadas como lavagem cerebral pelos chefes desses religiões, ou por alguma dependência afetiva que aquilo é seu conforto naquele momento. Muitas vezes, porque não é uma regra, o fanático é aquele que não tem estudo o bastante para analisar certas crenças ao olho da razão e sempre acha que toda a realidade está ali, que todo mundo acredita naquilo que eles acreditam.
A censura do grupo de humor Porta dos Fundos deixa bem claro que Jesus como um gay é imperdoável, que ele pode ser maconheiro, pode ser malandro, pode ser o que for, mas, gay não. Sabemos que muitos são muito mal resolvidos sexualmente, sabemos que outros aprontaram horrores na sua juventude e não tolera ver um espelho daquilo que fizeram. Obvio. Ora, o meu professor de publicidade dizia que o ser humano não ver o que é obvio, porque não se enxerga o que está na sua frente e você não está vendo. Ou seja, se alguém te faz uma ofensa e não te agride ao ponto de te impedir de fazer algo ou te defender, isso não é de maneira nenhuma, um ato de agressão a sua religião. Eu poderia ser espírita e quantas pessoas evangélicas dizem que o espiritismo é coisa do demônio? Pode ou não ofender, mas, o evangélico tem todo o direito de achar que é do demônio, porque assim aprendeu. Assim quer expressar. Não agredindo o espirita, ninguém precisa repreender o evangélico. Do mesmo modo o especial de natal dos Porta dos Fundos, eles não agrediram, eles fizeram duras críticas não a Jesus — porque muitos vieram de lares evangélicos — mas ao próprio cristianismo que se converteu numa religião materialista e não espiritual.
Mas, o que é ser espiritualizado? Não. Não é você escrever a hashtag #namaste e nem saber o que significa (o seu significado é o meu deus que está dentro de mim saúda o teu que está dentro de você), mas, é você começar a se esquecer, dissolver o eu e se conectar com ambiente. Não ache que o Eterno (não gosto do termo Deus, porque ficou algo muito genérico com o termo e começou a ficar bem banal), vai dar um carro, vai dar coisas materiais. Para a verdadeira espiritualidade, a conexão com ele vai muito além do que ter um adesivo “Deus é paz”, ou “foi Deus que me deu” no seu carro, é seguir o que está nos livros sagrados. O ótimo livro espiritual dentro da bíblia — que raramente os pastores pentecostais e neopentecostais lê em seus cultos — é o Eclesiastes que vai fundo na alma. Diz (dizem que foi o rei Salomão que escreveu), que no mundo tudo é vaidade, pois, todo mundo esquece em ficar em silêncio e meditar sobre sua vida. A questão é essa: o que fazemos na questão da nossa própria vaidade? Quando você coloca o adesivo “foi Deus que me deu”, isso é uma vaidade. Quis dizer que o Eterno se importou com você porque você é cristão e assim, você é mais merecedor do que o outro e assim, ganhou o carro. Isso é vaidade. Temos que ter humildade de torcer pelo outro e nunca achar que somos os seres mais privilegiados do universo.
O pastor Caio Fábio disse que acredita em um Jesus que não precisa ser defendido, porque ele morreu na cruz carregando todos os pecados do mundo. Uma reflexão interessante, mesmo o porquê, Jesus lutou contra os fariseus da época, senhores da lei que a aplicava ao seu bel prazer. Defendia nada o que era sagrado. Tanto é, que Jesus expulsou os comerciantes do templo, dizendo que a casa do pai não é comercio. Será que a religião que ele não pediu para fazerem em nome dele, tenha também virado comercio? Será que a reforma de Martinho Lutero tenha caído no ralo por causa do dinheiro? São pontos para se refletir. Mesmo o porquê, quem não tenha pecado, que jogue o primeiro coquetel molotov.

quinta-feira, janeiro 09, 2020

A Filosofia e o Mindset




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Amauri Nolasco Sanches Junior


Todo mundo tem uma coisa para idolatrar, seja o dinheiro, seja personalidades famosas, seja políticos e seja termos da moda. Aqui no Brasil, temos sempre a mania de importar termos e conceitos dos americanos sem se dar conta, que a nossa cultura é de uma maneira e a deles é de outra maneira. Os americanos gostam e adotaram muito a psicologia dentro de várias áreas, para controlar o mercado e outros setores pelo comportamento. Aqui, muito diferente dos americanos que estudam e planejam qualquer coisa que vão fazer (por isso mesmo a psicologia), não se tem o hábito nem de leitura, nem de planejamento de nada, porque a nossa cultura adotou a prática. Só que tem um problema, se gosta de termos e se estuda coisas fáceis que dão prontas as respostas, sem muito fazer pensar. Nosso povo não gosta de pensar. Gosta de fórmulas mágicas e facilidades corporativas. Por isso mesmo, a moda dos coaches tenha entrado tão facilmente dentro do mercado brasileiro, porque a nossa cultura tem imensa facilidade de incorporar “gurus”.
O conceito de mindset é uma mudança da sua mente enquanto uma espécie de mapa do caminho das soluções. O termo tem dois termos em inglês, o mind que quer dizer mente e set, que quer dizer configuração, ou seja, o mindset é uma reconfiguração daquilo que achamos que é o caminho para nossos problemas. Ou, configurar nossa mente para não sair no pensamento do fracasso, do pensamento que vai dar errado e tudo mais que o pessoal acha errado. Esse é o problema. Demonstrar foco naquilo que você está fazendo, é uma coisa e aliás, sempre temos que focar naquilo que queremos construir durante nossa vida. Mas, isso não tem só a ver com nossa própria mente, isso tem a ver com trabalhar no planejamento e isso sim, tem a ver com o risco de dar errado. Acho que duas coisas poderia resolver esse problema: ética de seguir um trabalho focado nas leis, até mesmo, contratar por causa da qualificação e não por causa da sua aparência física. Depois, pensar que não existe caminho fácil, isso requer trabalho, planejamento e estudo. Estudar até mesmo, mudanças de paradigmas de contratação, estudar as mudanças econômicas, estudar o liberalismo e outros conceitos que fazem parte do capitalismo de verdade. Não o que temos no Brasil.
Na filosofia, o mindset é uma incógnita dentro até mesmo, da psicologia. Alguns até dizem que são pseudociências e não deveriam ser espalhadas, porque dão um ar de ciência e não é. Isso me lembra muito Sócrates. Não o jogador — que também tinha ideias interessantes — mas o filósofo. Talvez por ser chamado de sábio pelo Oraculo de Delfos (templo do deus Apolo de Pitiá), Sócrates tenha adotado seu preceito mais caro que ficava na porta do templo, “conheça te a ti mesmo, conhecera o universo e os deuses”. Mas, Sócrates só adotou “conheça te a ti mesmo” como preceito da sua filosofia. Então, saiu perguntando a todos o que sabiam e chegou a conclusão que ele mesmo não sabia de nada, que assumir sua ignorância era a melhor maneira de se conhecer. Concluiu também, que as pessoas diziam coisas que nem elas sabiam que não sabiam, repetiam sem ao menos refletir. Porém, Sócrates dizia que as pessoas eram boas e davam atenção por pura aparência.
Será mesmo que as pessoas pararam para pensar no conceito do mindset? Será que poderíamos configurar nossa mente como um aplicativo qualquer de celular ou de computador? Existem mudanças de comportamento? Talvez. Mas, dizer que você mudar de posição daquilo que pensava e dizer que seria uma reconfiguração, acho exagero. Outro filósofo que entra do debate é Aristóteles, que dizia só poderíamos encontrar a ética, praticando a ética. Ou seja, você aprende alguma coisa e prática aquilo, mas, temos que aprender e para aprendemos, temos que estudar e planejar. Então, ética não seria só um termo que quer dizer condutas sociais aceitas e acertadas (segundo o ponto de vista daquela sociedade), mas, a prática dessas condutas em forma de ação. Assim, podemos dizer, que não basta pensar diferente de modo corporativo se na prática, esse “pensar diferente” não faz parte do modo operante de uma sociedade ou do próprio dono da empresa. Não adianta nada pensar positivo sobre sua empresa (como tudo vai dar certo) e no entanto, a empresa não contrata pessoas com deficiência física que é cadeirante, por causa, que você não quer acessibilizar ela para trabalhadores com deficiência trabalharem lá. Esse “pensamento positivo” acaba sendo seletivo, que é um grande mal dentro da cultura brasileira, porque você quer ganhar e não quer investir. O princípio primordial do capitalismo é o investimento, se o sujeito não investir em tudo que é necessário, ele nunca vai ganhar em produtividade e lucro.
Chegamos dentro do pensamento socrático de se conhecer, de saber se realmente você serve para ter uma visão mais ampla, se você quer mesmo aquilo ou está entrando numa modinha social. A maioria entra na modinha social. As modinhas sociais são o que a massa adota para ser aceitos por uma parcela a que quer participar, como ser de esquerda ou sr de direita, ser religioso ou ser ateu, ser flamengo ou ser palmeiras, sempre achamos que estamos na verdade. Mas, não estamos. O conceito que criamos são só sombras de uma outra realidade. Não vou entrar no mérito metafísico da questão, mas, existem formas de compreender que aquilo que achamos ser a verdade é apenas um conceito fabricado daquilo que se aceita como verdade. Linguagem, pura e simples. Mindset acaba sendo um termo para um conceito que se pensa ser real, por outro lado, configurações mentais não existem, porque somos animais com consciência e sabemos a realidade que nos cerca. Hábitos são mudados conforme o ambiente que se vive e não, uma nova configuração mental. Ou seja, é apenas um termo para explicar nada. Uma psicologia vagabunda que só serve para o coach ganhar dinheiro.
Mas, cuidado! Não podemos comparar os modernos (ou pós-modernos) coaches com os sofistas (que Platão adorava implicar). Os sofistas eram professores pagos para falar sua própria filosofia, os coaches, são pessoas que já pegam conceitos prontos e começam a dar soluções prontas. Por exemplo, “16 hábitos para cagar melhor” são ideias prontas, porque são 16 hábitos para as pessoas cagarem melhor. Já é uma coisa pronta. Não faz ninguém pensar o porquê ela não está cagando, ou porque seu intestino não está funcionando. Por outro lado, vendo tudo isso, vai ficar pior.

quarta-feira, janeiro 08, 2020

Filósofos não podem criticar o PT




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Amauri Nolasco Sanches Junior

Dias desses na rede social do Linkedin, li uma manchete em um site qualquer que um dos membros da rede postou, que o ministro da economia, Paulo Guedes, queria ter acesso à parte de aposentadoria e pensões para pagar o 13º salário da bolsa família. Só comentei que nada diferente do PT e do PSDB, que tiraram de outro lugar o dinheiro para programas sociais. Quantas vezes lemos que o governo tirava da educação ou da saúde para pagar a bolsa família? Quantas vezes lemos e já foi provado, que um dos destinos do dinheiro tirado das estatais eram para esse tipo de programa social? Não estou defendendo o governo Bolsonaro, só estou dizendo que para mim que sempre li jornais, não há novidade nenhuma. O problema é um usuário dizer que comparar o PT com o governo Bolsonaro era uma desonestidade intelectual imensa e era muito pior por eu ser um filósofo. Em um outro momento, a dona da postagem aparece e pergunta em que mundo eu estou. Em um outro momento, disse que não viu nada disso em 38 anos de visão politica.
Lendo isso uma questão me veio na minha cabeça: por eu ser um filósofo e comparar todos os governo de alguma medida, fazem igual? Por eu ser um filósofo, a minha análise é, exatamente, mais ampla e com mais argumentos do que a maioria. Porque o filósofo é um amante da sabedoria e está a procura do objeto do seu amor, como Psique ficou atrás de Eros e nunca lhe encontrou. Cada caminho para achar essa sabedoria é importante, pois, junto com essa sabedoria está a verdade e não é qualquer verdade, e sim, o verdadeiro LOGOS primordial. Então, um filósofo não pode ficar presos em conceitos determinados ou que o senso comum acha ser a verdade (doxa), mas, aquilo que é em essência primordial. Não importa o que está na modinha, não importa se os outros estão dizendo, as análises devem ser analisadas a partir de um ponto além da paixão (o apego aos ídolos), além das análises superficiais. Sempre falo que o filósofo é uma espécie de arqueólogo das ideias, ele não examina a superfície de tudo e sim, vai examinar as camadas mais fundas para encontrar elementos para aquilo ter surgido. Se o filósofo começa a defender uma única posição, ele não é um filósofo e sim, um simples intelectual que só repete do que lê.
Concordo com Nietzsche na questão da verdade e da mentira. Dizia o filósofo alemão, que tanto a verdade e a mentira, são construções que decorrem de uma vida de rebanho e da linguagem que lhe correspondesse. Ou seja, as verdades e as mentiras sempre dependem daquilo que as pessoas acham ser a realidade, os valores que acreditam e levam sempre a uma vida de rebanho e o ser humano acaba sendo escravo de crenças que o alienam a uma verdade maior. Continua dizendo, que o homem de rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho. Assim, a grande maioria tem que seguir o que a maioria segue para ser aceito, ninguém gosta de ser excluído porque nos ensinaram uma realidade que alguns duvidam — aliás, muito poucos vão além das ideologias e as crenças religiosas — e esses, são excluídos da grande massa.
Os filósofos não tem nenhuma visão única que não pode ser mudada, não pode ser repensada ou analisada de forma diferente da maioria. Mesmo o porquê, um ponto de vista é apenas um ponto , mas, existem vários outros pontos de vista que podem também ser colocados. Verdades únicas são sempre perigosas. Verdades únicas construiram tiranos, foi a alienação social da idade media, é a essência de qualquer fanatismo dentro de qualquer sociedade humana. Seja da direita (fascismo e nazismo), seja de esquerda (socialismo/comunista). Por isso mesmo as democracias são democracias, porque existe uma incerteza dentro dela, existem variedades de ideias e posições e sempre o medo dela sofrer uma ruptura. Então, um filósofo dentro da área politica, deve ter bastante cautela cética das análises e sempre jogar outro ponto de vista além que todo mundo fala e expõem e por causa disso, o filósofo incomoda. Incomoda porque sabem que não corresponde a realidade o que dizem ou acreditam saber, mas, insistem porque querem ter razão. Na Grécia, nos tempos clássicos de Sócrates, chamavam ele de “a mosca de Atenas” por ele incomodar como uma mosca que fica nos rodeando. Tanto é, que ele foi condenado por uma condenação tola e vil, só para se livrar de Sócrates e nada adiantou. Seus alunos continuaram seu legado, Atenas caiu na dominação do reino macedônio, e o nome de Sócrates foi legado por toda a história.
A sociedade gosta do “cobertor quentinho” de ser aceito dentro de qualquer manifestação social. Seja virtual ou não, a vaidade impera e não tem como escapar. Como se fossem tribos, os iguais se articulam entre si e compartilham do mesmo pensamento, seja com um ritmo musical especifico, religião específica ou ideologia específica. Mas será mesmo que elas são a visão da verdadeira realidade? É de se pensar e sair da caixinha social.

sexta-feira, janeiro 03, 2020

Carros movidos a bosta





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Diante destas guerras tolas que os americanos se envolvem, poderiam pensar em inventar carros movidos ao teor orgânico, bosta. Já que mentiram para mim que agora carros voariam, trens iriam ter um sistema de magnetização nos trilhos (em alguns lugares já tem), que moraríamos em prédios cada vez mais altos e mais automatizados — fora pessoas com deficiência andando em exoesqueletos, enxergando graças ao óculos neural — poderíamos pensar em carros movidos a bosta. Na verdade, seria um combustível barato (todos os animais produzem), não acabaria e não precisaríamos matar nada para obter. O petróleo tem um alto teor de poluente e pode aquecer o planeta, o metano é importante, até mesmo, para a manutenção do planeta, mesmo o porquê, várias formas de vida precisam do metano para viver. Bosta em qualquer rio tem, poderíamos tirar a toneladas e recuperar os rios, poderíamos também, fazer um sistema de esgoto que dariam em usinas para tratamento dos dejetos. O petróleo abaixaria muito e não ficaríamos focados ou presos nele.
Todos nós sabemos que o presidente americano Donald Trump tem a cabeça do pessoal que vivia nos anos 60, onde o medo do comunismo pairava o mundo. Governos foram destruídos, pessoas foram mortas, graças a uma paranoia americana de uma dominação comunista. Fora que tanto a geração de energia americana, quanto sua indústria automobilística, são arcaicas o bastante mesmo que desenvolva tecnologia. Eles precisam de petróleo, porque além dos donos das indústrias que vivem dos derivados dele, encherem de grana. Grana sempre é bom e não sou contra — quem é contra é sempre o bonzinho que pensa mudar o mundo e não arruma nem seu próprio quarto — mas, existem alguns limites éticos para se ganharem essa grana. Será que escolher um governo que lhe agrade é ético? Sabemos que os americanos financiaram e promoveram as ditaduras militares dos países sul-americanos — incluindo o Brasil — promoveram ditadores no Oriente Médio por causa do petróleo e o medo comunista (uma potência comunista que nunca existiu).
O capitalismo gerou uma neurose para não acabar, mas, brigava com um inimigo fardado a morrer por ele mesmo (um exemplo bastante claro é a abertura do mercado chinês, que não aconteceu com a União Soviética). Qualquer criança sabe, se não entra dinheiro em um país (leia-se, investimento), esse país e seu mercado está fadado a morrer, porque não gerou o capital de giro. O socialismo/comunismo acha que pode viver com os seus próprios recursos, porém, se você não vender ou fazer qualquer troca, o produto produzido pode gerar uma inflação, porque vai gerar a mais daquilo que se precisa. Ou seja, tem que acabar com o produto de qualquer forma. Mas, pode faltar pelo número dos cidadãos, por isso mesmo, Marx vai defender a perda de 10% da população. Stálin fez isso na Sibéria. Todo socialista/comunista vai dizer que isso é uma lenda capitalista. Por outro lado, temos milhares de imagens que comprovam isso.
O mundo em crise sempre busca uma maneira nostálgica de procurar segurança e um inimigo que não existe. Primeiro, pela nossa cultura maniqueísta (dualista) que vê as leis morais e éticas como o bem ou o mal, porém, o bem pode ser descrito pelo o conhecimento, a capacidade de empatia com o outro e indo além, entender como funciona o mundo. Já o mal, podemos colocar como a ignorância, o não saber como o verdadeiro caminho procede, o preconceito e a indiferença com o outro. Mas, são coisas definidas e não tem nada a ver com o relativismo que assola o mundo de hoje, porque ou você tem o conhecimento, ou não.

segunda-feira, dezembro 30, 2019

Por que pessoas com deficiência não podem namorar?







Amauri Nolasco Sanches Junior


Sempre quando eu vejo a pergunta do título, me vem a cabeça a pergunta clássica de todo grupo de deficientes (que chamo de guetos): “você namoraria uma pessoa com deficiência?”. Parece uma resposta óbvia, mas, tem muita coisa a ser analisada nessa pergunta. Se antigamente eramos comandados por preceitos religiosos, depois ideológicos, hoje somos comandados pelo marketing do bem. O marketing do bem sempre vai nos mostrar que a vida tem que ser mais saudável, que as pessoas devem sempre sorrir e que existe um propósito para tudo. Talvez, objetos tenham algum propósito, mas a vida é o que fazemos dela e, muitas vezes, erramos de não fazer o que queremos por causa do outro. Minha cadeira de roda tem mais propósitos do que uma pessoa que segue tendências, ou seja, se você quer um mundo melhor, você é um nada.
Voltamos a pergunta. Temos uma sociedade movida pela visão de custo e beneficio. Se você acredita que as pessoas amam seus filhos e querem o bem deles, você deve ser um idiota ou um mau-caráter. A maioria investe nos filhos para terem o retorno na velhice, quando os filhos (segundo a sociedade) deveria cuidar dos pais. E quando se tem um filho com deficiência? Será mesmo que essas pessoas pensarão igual? Afinal, os filhos são um investimento que não há um retorno cem por cento, mas, há uma tranquilidade mais tarde. Ai que está, desde muitos milênios se tem seres humanos com deficiência, mas, na antiguidade — mais ou menos, até a modernidade — eramos abandonados, mortos, desaparecíamos ou eramos trancados. Até hoje, crianças com deficiência são enterradas vivas dentro de aldeias indígenas. Claro que nem todos eram mortos, algumas pessoas com deficiência eram oráculos ou druidas, que remontam a visão mistica da deficiência dentro da sociedade. Sim, há uma visão mistica da deficiência. Essa visão, muitas vezes, atrapalha a vida das pessoas com deficiência. Muito antigamente, se considerava deficientes como pessoas misteriosas e muitas outras pessoas, tinham medo por causa desse mistério. Mesmo a ciência explicar as causas, há ainda essa mistica e o medo ancestral de nós.
Depois dessa explicação, imagina uma mulher apresentar um namorado de cadeiras de rodas para sua família. O pai, que tem a visão que o homem deve prover a casa, faz a pergunta clássica: o que ele pode oferecer para você? Ou até mesmo: que loucura é essa? Porque a sociedade tem a deficiência como um tomento para a pessoa , um sofrimento que deve ser dolorido para todos que se envolvem conosco. Mesmo que esse rapaz trabalhe, ganhe razoavelmente bem, nunca vai ser o bastante para a família da moça. Claro que há exceções. Mas a regra é essa. A luta é constante e deve ter bastante amor envolvido, porque quando começa a parecer as questões de ter filhos e ter uma casa só do casal, as coisas começam a ficar piores. Isso é quando a mulher ou o homem — dei o exemplo da mulher, porque sou homem e a maioria dos relatos são de homens — andam e tem um emprego. E quando há um casal de deficientes dentro da relação?
A questão da deficiência é a questão de todo ser humano que a sociedade não aceita como ser humano, ou por ignorância de não conviver conosco, ou por ser canalha o bastante para não perceber que é um nada. Uma pessoa que tem qualquer deficiência, é uma pessoa antes de tudo e deve ter seus direitos preservados junto com seus deveres. Por outro lado, o povo não é tão democrático como pensa os que idealizam uma democracia linda e um mundo melhor. Só dar uma casa, comida, saúde e tranquilidade, o povo vive nos piores regimes possíveis. O século vinte mostrou isso. Então, essa história que o povo ama a liberdade e é condicionado a achar que o outro ser humano não é humano, é mentira. Para uma grande maioria, pessoas com uma cadeira de rodas ou outro aparelho, são pessoas que atrapalham e tem que ser trancadas em um cantinho e só. Quem são essas pessoas que ficam no meio do caminho num shopping ou numa loja qualquer? O caso do Véio da Havan é o mesmo caso de agências de publicidade que não contratam, empresas que não se adéquam, o poder publico que não acessibiliza. Ainda, temos que provar que somos deficientes toda hora para o poder publico.
O amor entre deficientes na nossa sociedade que ainda acha que está na era vitoriana (num surto reacionário), é uma coisa bastante difícil de aceitar. Quando saia com minha noiva, por exemplo, sempre as pessoas perguntavam se eramos irmãos. Essa associação de coletivo (como deficiente namorar deficiente ou irmãos com deficiência), sempre foi formado como um gueto que frequentamos, ou o ideário que as pessoas iguais devem se relacionar. Isso um pouco é culpa das novelas idiotas da TV Globo que alimentam essa visão. Por outro lado, os deficientes alimentam esse tipo de imagem saindo em bando, ou até mesmo, participando de grupos do Facebook que só fala do tema deficiência. Eu sempre não gostei de ficar em grupos que o tema é deficiência, mesmo o porquê, deficientes acham que discussões são brigas.
A humanização da deficiência veio com a desumanização do sentimento. Se somos seres humanos, porque será que não temos sentimentos ou sexualidade? Exato. Vamos ser sincero, você acha que pessoas com deficiência são crianças eternas e não tem nenhum desejo sexual? Acho que quem acha isso são idiotas ou são canalhas o bastante de construir conceitos errados para alimentar seu próprio ego. Já vi homens com deficiência se aproveitarem dessas idiotices e se fazerem de alienados, bolinavam as moças e depois se escondiam atrás da mãe. Há canalhas em todos os lugares e eles se aproveitam dessas narrativas para se esconderem. Deficientes não são diferentes, são pessoas como qualquer ser humano e o caráter dependem dos valores que recebeu. Agora, deficientes sentem tesão, são homossexuais e fazem coisas que nem imaginam que possamos fazer, quanto mais se aceitar isso, melhor.
Na verdade, nossa sociedade tem uma imagem romântica de deficientes como seres indefesos e que não tem a menor ideia do que estão fazendo. Ainda, programas idiotas como o Teleton reforçam essa ideia de dependência de uma instituição ou uma causa que não existe, porque a inclusão são direitos humanos e devem ser cumpridos e pronto. Sendo assim, pessoas com deficiência são humanas e tem sentimentos e querem namorar, o problema que as pessoas têm medo. Costumo repetir o mestre Yoda sempre quando ame falam do medo, pois, o medo gera a raiva, a raiva gera o ódio e o ódio te leva o lado negro da força. A analogia da Força é óbvia, nosso campo vital sempre é aquilo que você é de verdade e quando você se encontra, você pode qualquer coisa. O próprio Yoda diz, ou você faz ou você não faz, não existe tentar. Por outro lado, a ideia do namoro sempre foi controversa aqui, porque ainda ficou aquela vontade de pedir o dote ainda. Ou será se o cadeirante for famoso e ter posses a família vai implicar? Como disse, tudo gira em torno do marketing do bem, o politicamente correto que escondem a canalhice alheia.
Tudo isso começa a gerar neuroses estranhas na família (principalmente, da mulher com deficiência), que acha aquilo bonitinho, porém, acham que as pessoas com deficiência não podem sofrer. Sofrer do que? O sofrimento pode ser silencioso lá no travesseiro antes de dormir, isso pode gerar um desejo de se matar, de não querer viver e assim, muitos desistem da sua vida. As neuroses são tão grandes, que acho importante inventarem personais psiquiatras para essa gente, porque chega as raias do absurdo de acharem que não transamos. Não deixar viajar. Não deixarem ficar sozinhos. Uma humanidade canalha para um mundo tão lindo.

sábado, dezembro 28, 2019

Sanctus Dominus — quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov





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As questões ideológicas e religiosas sempre foram muito mais complexas do que o senso comum sequer imagina. E quando a ideologia começa a se misturar com a religião, num português bem claro, só dará merda sempre. O ataque a sede do grupo de humor Porta dos Fundos mostra o quanto a juventude está perdida e sem rumo nenhum, porque você se apresentar como um fascista, mas discursar como um marxista raiz, é de uma imaturidade gigante. A questão é: qual moral devemos seguir sem ao menos, questionar a sua origem? Veja, não devemos confundir questionar com falar mal ou ser contra aquilo, apenas questionar se aquilo é realmente verdade ou mentira, se aquilo levara o ser humano ao conhecer a si mesmo ou apenas, é mais um discurso para dominar a massa. No limiar de tudo, todos esses deveres são marketing para assegurar a predominância de um discurso qualquer.
No caso da representação do Jesus gay do Porta dos Fundos, sempre constatamos que Jesus teve uma imagem mistica muito bem construída nesses dois mil anos de história do cristianismo. Talvez, essa construção da imagem dele enquanto ser que é a incorporação de Deus no mundo — como se Deus devesse se apropriar de um corpo para se fazer presente — seja um discurso sagrado dos milagres que ele teria feito, que lógico, fez dele uma figura mistica. Ora, o budismo (digo o budismo mesmo) não vê Buda como um deus e nem o Islã vê Maomé como deus, porque Deus seria algo muito maior e muito mais longe do que possamos definir em um ser só. Ai entra o romanismo dentro do cristianismo, pois, se algo deve ser adorado, esse algo deve ser transfigurado em uma imagem. Mesmo que várias pessoas tenham múltiplas explicações para isso, o cristianismo não difere dos cultos a deuses da antiguidade e talvez, sincronizou no culto de um homem crucificado, acusado de se titular rei de Israel e blasfemar contra o culto tanto de Roma, como dos judeus. Ou seja, apontou a hipocrisia dos sinédrios da época, em achar que o Templo de Salomão era algum tipo de comércio, que ao passar do tempo, todos ficam como comércio. Isso não quer dizer que eu ache que Jesus não existiu, as ordens morais que ele disse — se disse mesmo — são importantes para uma vida equilibrada e com sentido em ser. Afinal, quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov?
Segundo o novo testamento, Jesus participava de várias festas e comemorações, mostrando que ele era uma pessoa alegre e festiva. Ora, vamos ser sinceros com a fé cristã, mesmo que ele for Deus, ele iria se importar do que um bando de comediante diz dele? Mesmo se ele fosse homossexual, será que sua mensagem mudaria por isso? Claro que não. Racionalmente, podemos dizer que homens no tempo de Jesus (segundo a lei judaica) homens co 30 anos de idade, teriam de ser casados e, pelo grau de cultura que Jesus demonstra, talvez, ele teria que estudar no templo. Vários estudiosos já trabalham com a ideia que Jesus e José era escribas do templo, assim, poderiam circular no mesmo livremente. O que nos remete que Jesus deve ter sido casado — como Buda, Maomé ou Moisés e isso não invalidaria suas mensagens — isso reforça a hipótese, que Maria de Magdala teria sido esposa e discípula de Jesus. Porém, nos resta uma dúvida importante: por que o império romano como todo aquele poder acabando, ter aceitado cultuar um culto de um homem crucificado?
A cruz é um símbolo religioso muito antes da crucificação de Jesus, mesmo em Roma. Aliás, há um erro corriqueiro, que atribui festas incorporadas na religião cristã como deus antigos vindos de fora, mas, o que vimos e o que dizem vários pesquisadores, é que tudo ou a maioria que existe no cristianismo veio dos romanos. Todo o cristianismo é romano. Isso não resta dúvida, quando olhamos os anjos das igrejas e eles estão vestidos como centuriões romanos. Há muitas características que mostram todo o império romano na igreja romana cristã, além, claro, das filosofias gregas influenciando alguns pontos teológicos disso tudo. Muito pouco restou das falas e dos ensinamentos de Jesus, portanto, a figura mistica sempre dominou o que realmente o cristianismo deveria pregar como ensinamento do seu mestre. Portanto, o cristianismo não é o mesmo de seguidor de Jesus.
Ora, afinal, será mesmo que foi Jesus o ofendido ou o cristão se ofendeu? Será que a ofensa é a imagem que se construiu dentro do fanatismo? Tudo isso que eu escrevi não quer dizer que a mensagem de Jesus não seja importante, mas, que tenhamos sempre um filtro daquilo que é, verdadeiramente, sua mensagem e aquilo que não, não é sua mensagem.