“As pessoas são burras, preguiçosas e banais. As emoções delas levam aos erros”
(.Zona de combate (filme))
Amauri Nolasco Sanches Junior
Eu estava vendo uma aula do INEF (Isto Não é Filosofia) é dado momento (porque o professor Vitor Lima estava falando sobre estruturalismo), mostrou uma crítica ao estruturalismo escrita pelo professor Oswaldo Porchat que foi cofundador do curso de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). A questão que o professor Porchat traz neste texto é: “pesquisa em Filosofia ou pesquisa em História da Filosofia?”. E os argumentos dele são bastante interessantes e remontam o ensino “uspiano” de filosofia que não só ele começou contestar quase no final da sua vida, mas muitos outros que começaram a fazer a pergunta que postei do texto. Porque sempre me perguntava o porque que professores de filosofia ensinavam História da Filosofia e não a filosofia e não encontrava respostas - antes de eu fazer o bacharelado e aprender a pesquisar - e no meio do caminho ficava lendo e escutando o velho Olavo de Carvalho (quando falava de filosofia mesmo com tantos erros) com suas críticas que a 70 anos a USP ficha livros e não forma filósofos. As mesmas críticas foram feitas pelo professor Paulo Ghiraldelli Jr (mestrado em Filosofia) sobre os uspianos.
Daí temos que nos perguntar: o que seria filosofia brasileira? Porque ainda - com esmero que é característico do nosso povo - se confunde um filósofo com um intelectual. O intelectual lê um livro e não faz uma reflexão desse livro, ele repete exatamente como o livro está escrito. Por exemplo, acho muito mais acertado chamar Olavo de Carvalho de um intelectual do que um filósofo, porque ele não refletia sobre o livro escrito e sim, repetia tudo ali escrito e nada tem a ver com o filósofo em si. Nem fazia uma crítica daquilo que acreditava (criticar o Papa não vale).
Já um filósofo reflete e questiona (fazendo uma crítica), sobre suas crenças e sobre aquilo que achava ter certeza. Ora, foi muito bom que professores franceses fizessem essa “ponte” entre o que se achava ser filosofia - como se o Brasil não tivesse tido filósofos - e o que é filosofia. Na verdade, poderemos até desconfiar que essa história de estruturalismo era mais como um caminho que professores brasileiros deveriam ir, do que eles devem ir. Esquecemos de nomes como Silvio Romero, Farias Brito etc? Por que esses filósofos não foram contabilizados pelos franceses como nossos filósofos? Antes de tudo, o primeiro filósofo brasileiro - sim, tivemos um primeiro filósofo - era Matias Aires (Ramos da Silva d’Eça, 1705–1770) e não foi considerado pelos franceses como filósofos. A pergunta é: Por que? Por que não estavam alinhados com o estruturalismo?
Todo filósofo é filho do seu tempo e sua cultura. O que aconteceu é fácil de presumir, houve uma eurocentralização da área de filosofia e os brasileiros aceitaram. A nossa velha síndrome de vira-lata. Ficamos revirando o lixo para comer o resto e achamos isso muito bom e satisfatório, mas não é. Teremos que repensar em formar filósofos em potenciais para filosofar nossos problemas, ou problemas trazidos por filmes, novelas, séries e até mesmo, vídeos do YouTube ou podcast. Acho muito chato - como um estudante da USP disse em um grupo de filosofia do Facebook - as pessoas ficarem me julgando por causa dos seus textos dizendo “esse texto não é filosofia”. Qual o critério? Não disse os maiores filósofos? Mas, com todo respeito que tenho por eles - menos para os uspianos que só papagueiam - o blog não é deles e nem estou com vontade de escrever sobre eles. Sou herdeiro de Nietzsche, ou seja, dou risada dos mestres (como está num poema do Gaia Ciência).
Aí entramos em um outro ponto importante. Se pegarmos figuras de Jorge Amado, por exemplo, como Gabriela Cravo e Canela ou Juca Pirama seria filosofar sobre ética brasileira? Se pegarmos novelas clássicas como Roque Santeiro e fazer uma crítica severa sobre, poderemos encontrar elementos como opera nossa cultura? Indo até bastante além, como a filosofia deve ir sempre, podemos constatar que a grande maioria dos brasileiros são preconceituosos porque aprenderam errado sobre aquilo que é público (sociedade) e aquilo que é privado (individual). Escutando um podcast do próprio INEF (chamado A Dois), onde o professor Vitor e a professora Evelyn tem uma conversa mais informal, onde o professor disse que o maior engodo da modernidade é achar que somos indivíduos sem uma sociedade. É verdade. Sem o padeiro não comemos pão. Sem o montador de carro, não temos transporte etc. Por outro lado, como filósofo que sou, pergunto: quem somos nós? Como chegamos àquilo que somos?
Como brasileiro, vivo em uma cultura mesclada com vários elementos, mas tenho valores judaicos-cristãos que fui criado, seja na minha casa, seja na escola onde eu iniciei. Assistia “Xou da Xuxa”, Bozo etc, na adolescência comecei ouvir rock e heavy metal e formei uma áurea crítica começando ler filosofia. E ainda gosto do mesmo tipo de filme que eu gostava, com alguns critérios mais acentuados, porém, não deixo de gostar só porque sou quase um bacharel em filosofia. Isso nem faz sentido. Aí chegamos no curioso caso do erudito burro, e esse burro, não é uma pessoa ignorante e sim aquele que empaca. Ser “inteligente” é ver o pior da humanidade. Ser “inteligente” é alertar todo mundo da dominação da IA. Ser “inteligente” é achar que o outro é infantil e ele o adulto da conversa.
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