sexta-feira, agosto 16, 2024

DIA DO FILOSOFO NO PAÍS DA INUTILIDADE CULTURAL

 



Por Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

 

Quando comecei meu curso de bacharelado de filosofia, me sentir realizado por ser o curso que sempre quis fazer e nunca fui encorajado em fazer. Primeiro, por viver em uma cultura que não valoriza a intelectualidade e acha isso um modo de ser vagabundo sofisticado, depois, por não achar cursos acessíveis que poderia pagar. No Brasil, com esse monte de putaria e coisas inúteis dentro de qualquer mídia, fomos educados em ver só isso e achar que vídeos sempre serão algo para se entreter. A interação das redes sociais escrita, acaba sendo ofuscada por idolatria religiosa e política.

Sempre fui um sujeito curioso e a filosofia – desde meu primeiro livro de Sócrates da coleção da Folha de 1997 – me fez saber investigar e ser muito mais curioso. Porém, senti que a grande maioria não gosta na intelectualidade quando ao contar o que lia na internet (bem no começo) para meus amigos da AACD em um deposito de deficientes mais velhos, a coordenadora me dizia: “você vai confundir a cabeça deles”. Como assim? Não podia escrever meus pensamentos em um jornalzinho que eu bancava (porque se eu cobrasse mais caro, ninguém comprava), não podia falar o que tinha descoberto, não tinha pessoas que pudessem discutir comigo ideias além do que eu poderia discutir. Não gostava de futebol, não gostava de programas televisivos e não gostava nem das músicas que tocavam (na sua maioria, Roberto Carlos).

Fui procurar fóruns, chats e outros meios de comunicação para discuti e descobri que há uma questão muito forte aqui binaria que, por razões de nosso povo não poder falar de política por muito tempo e nossas escolas vagabundas que não tem matéria nenhuma de senso crítico, foi sempre muito forte na internet. Ou você estava no lado da direita “for in american” olavista e o comunismo lulopetista onde nada era discutido, só tinha meios de interação. Claro, quando tinha uma coisa interessante eu pesquisava, mas, nessas alturas e a ansiedade de discuti o assunto, muitas vezes eu não lia. Piorou com o começo das redes sociais, onde as pessoas não ligavam muito para as fontes. Por que? As pessoas, por causa da sua mediocridade, acham muito mais cômodo gravar vídeos ou gravar áudio (no caso hoje dos podcast).

Na verdade, quando fiz um ano e meio de publicidade (depois terminei em um curso online), minha maior decepção foi a questão dos alunos. Hoje, com a pós-modernidade como aprendi depois, as pessoas não estudam para se educar ou para ter o conhecimento, elas estudam para ter um diploma e trabalharem. Ou seja, com o binarismo do capitalismo liberal verso socialismo comunista, se propagou o discurso que você poderia conhecer aquilo que vai trabalhar e se você não estudar (obter conhecimento) você não vai ser “nada na vida”. Daí ficava me perguntando: por que universitários não tem postura universitária de obter e ter o conhecimento? Não em uma postura elitista, mas, não deveríamos tratar a cultura e os meios de comunicação, como tratamos antes do curso. Você tem o conhecimento da comunicação, sabe como as coisas funcionam e sabe como as coisas funcionam. Cheguei a conclusão que, de um modo ou de outro, a maturidade faz falta. Enquanto as pessoas faziam universidade depois dos 30 anos, agora começam com 17 anos.

Mas há uma última questão: o por que ao fazer medicina um médico é um médico, ao fazer engenharia um engenheiro é um engenheiro e fazendo filosofia um filosofo não pode ser um filosofo? A questão da humildade em deixar claro que não sabemos quase nada da realidade – e não sabemos mesmo – mas isso não significa que não somos filósofos e poderemos dizer que na filosofia, há espaço público. Vendo minha noiva dizer que fiz o curso com vontade, sim, fiz com vontade e sou sim um filosofo.

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