“O bolsonarismo abraçou a "filosofia lua de cristal" cujo lema é "tudo pode ser, só basta acreditar". Assim eles embarcam em tudo que é teoria da conspiração e transformam diálogo entre assessores de Alexandre de Moraes na mesma coisa de Moro (juiz) e Deltan Dallagnol (acusador) combinando como pegar investigados.
A dissonância cognitiva dessa gente é constrangedora.”
(Bruno Barreto/jornalista)
Vendo esse comentário, vi que o brasileiro médio não
tem duas coisas para discutir política. Primeiro, inteligência emocional para
fazer uma análise mais completa da conjuntura, como as denúncias do ministro Alexandre
de Moraes. Se são verdade ou não, investigações vão ou não dizer, mas devemos
se ater em analisar a política numa perspectiva mais cética. Dai entramos na
segunda questão, a visão cética. Para não ser manada, deveríamos discutir política
sem nenhum lado e sem nenhum fanatismo e ir muito além de conjunturas do senso
comum.
O que o jornalista chamou de “filosofia da lua de
cristal” – em referência ao filme da xuxa, Lua de Cristal – que “tudo pode ser,
só basta acreditar”, é o forte idealismo de uma esperança que existe uma ética e
na construção de um conhecimento para se chegar a verdade. Ora, isso posso
chamar de um platonismo vagabundo que o Olavo de Carvalho colocou no
bolsonarismo. Por que vagabundo? Olavo chamava um tipo de literatura de
conhecimento e chamou seu método de “Vida Intelectual” graças a um livro do padre
A.-D. Sertillanges (com prefacio do próprio Olavo). Mas, não é o conhecimento
de Platão, pois, o conhecimento de Platão não era de se fechar naquilo que você
concorda. Muitas vezes, você também lê aquilo que não concorda e assim, constrói
toda a gama de conhecimento para se chegar a verdade. A verdade não pode estar
em um ponto só.
O erro de todo reacionário – todos somos em alguma
medida – é colocar as coisas de um modo simples e isso tem a ver com o modo romântico
(aqui é o romantismo literário e filosófico) em que nossa cultura foi construída.
Só olhar os trabalhos acadêmicos e textos de opinião para saber. Todo reacionário
mais fanatizado (vide o fascismo italiano e o nazismo alemão) tem esse viés romântico,
em sempre preferir uma estética perfeita com traços legíveis, pois, todo fanático
(seja direita ou esquerda) não sabe interpretar e nem colocar como base uma
certa hermenêutica de interpretar aquilo. Por causa, exatamente, na cegueira ideológica
(ou religiosa) daquilo que acredita. Sem ter um certo ceticismo, políticas são implementadas
sem uma análise popular.
Não existe conhecimento sem contradição, afinal, a
filosofa Hannah Arendt disse que a política não é para seus iguais e sim, teria
que ter suas contradições. Se você não exige de si mesmo uma tolerância daquilo
que não concorda – até mesmo como refutação – você não está sabendo de política,
só é mais um.
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