segunda-feira, setembro 08, 2014

Planeta dos humanos – a origem da ilusão.





Imagem do filme, César e seu filho. 




Gostaria de continuar a discussão que comecei com meu texto “Macacos e Homens – ilusões culturais”, porque houve um acréscimo após eu assistir o filme “Planeta dos Macacos – o confronto” que me deu muito mais material para reflexão. No filme, podemos ver que existe um líder que foi modificado geneticamente – não me lembro bem – que idealizou um lugar só para os macacos que foram libertados e foram cobaias por muito tempo. O nome desse líder é César e não seria outro – não li o livro, mas está obvio a escolha do nome – do que o nome de Júlio Caio César o maior general romano que existiu e quando instaurou o império por causa da corrupção da republica, mesmo assassinado injustamente pelos seus inimigos políticos por fazer uma reforma geral em Roma, seu nome deu origem ao imperadores que usaram seu nome. Dai então, todos os imperadores eram chamados de “cesares” e virou um titulo até o fim do império (mesmo com a mudança do cristianismo como religião oficial). Não longe, César do filme, reina diante dos outros com pulso forte e não muito ditador, mas pensa no bem estar na sua comunidade e da sua família. Também tinha uma grande amizade com Koba, seu fiel comandante que foi extremamente judiado quando foi cobaia e talvez nos faça refletir sobre o sentimento animal – que no andar dos dois filmes, é muito questionado – e que o sentimento de ódio e querer se vingar, são partes humanas dentro da origem símia/hominoidea. Mas certamente, Koba se vinga dos humanos por uma questão humana e racional que ele também desenvolveu, porque a 3 macacos que poderiam ter consciência e esses 3 eram César, Koba e uma especie de professor que não me lembro o nome, mas Koba é o segundo nome a liderar.

Koba guarda dentro de si mesmo a questão não resolvida de ser uma cobaia, de ser judiado e de ser subjugado por questões de desenvolvimento de vacinas. No filme também é questionado se esse desenvolvimento de vacinas não criariam novas doenças – que no filme foi criado a gripe símia que dizimou muitos humanos em pouco tempo – e que a ciência pode criar seres que estarão nos mesmos níveis de consciência que nós e pode ser símios como nós somos. Como disse, Koba é um ressentido que guarda dentro de si uma vontade de vingança e com a certeza – mesmo César não dizendo coisas do tipo – que os macacos eram seres superiores e que monstra que tinham consciência. Os lideres e os sábios faziam a sociedade viver tranquilo até humanos quererem usar a hidroelétrica – por causa de uma cidade reconstruída – e começam os confrontos, só que Koba com seu ódio (medo escondido) não confia nos humanos e pega as armas dos humanos na cidade e tenta matar César por dar um voto de confiança aos humanos. Mas Koba usa a regra básica que César coloca na comunidade deles “macacos não matam macacos”, por causa do senso de comunidade que eles tem, e é uma regra a ser seguida. Ora, qual o limite de um ódio infundado de coisas que aconteceram a tanto tempo e qual a origem do ódio? Vamos lembrar – quem assistiu – que Koba começa a mentir e querer tomar o lugar de César e fazer sua vingança para mostrar sua superioridade dele e dos macacos (ele só deixa solto os que apoia ele e mata os que não lhe obedece). Ditadores são assim, são os oprimidos que querem oprimir e tudo é uma analise hegeliana, porque dentro da história do mundo que sempre foi assim. Tanto o filme, quanto o livro (que repito não li), tem uma severa critica social sobre a sociedade humana sua cultura. A critica da historia é um questionamento e uma reflexão se esses sentimentos humanos são realmente sentimentos inatos do nosso lado animal (e consequentemente, um lado dominador e violento), um lado que deveríamos neutralizar por racionalizarmos e enxergarmos nossa realidade (ambientes onde vivemos).

César é o lado humano que nos comenda na senda do que é melhor para nós e os nossos iguais, Koba é o lado animal que vem do nosso medo e consequentemente, com esse medo, vem o ódio de querer não só se libertar, mas dominar. César e Koba é o dois lados de um mesmo ser – racional e não racional – que se confrontam para dominar e para hora trazer a paz, hora trazer a guerra. Isso pode ser verificável em todas as culturas e os zilhões de impérios que existiram – na maioria das vezes eram oprimidos que oprimiram – que foram forjados a custa do medo, do querer não evoluir junto, mas dominar o outro como meio para conseguir dominar e acuar. Talvez, esse lado que temos de oprimir seja restos de um tempo que fomos caça e muitos animais, devoravam os seres humanos. De repente esse lado caçador, seja seguramente um lado nosso que teve que adaptar e dominar, tivemos que dominar e desenvolver rápido nossas habilidades para não sermos mortos. Os oprimidos acabam sendo opressores – essa opressão tem a ver com o desenvolvimento da cadeia evolutiva – que levaram o ser humano ao seu apogeu nessa cadeia evolutiva e tem a ver com nossa capacidade de viver e de ter consciência de tudo que nos rodeia.

Daí fazemos a clássica pergunta filosófica: de onde viemos para termos essa capacidade de criarmos e nos adaptarmos diante de milhares ambientes em todo o planeta? Sim! Porque o César do filme foi geneticamente “produzido” e se transformou em um chipanzé consciente e entende todo o ambiente e as situações que os fatos trazem. Por que, de repente, não somos produto de uma raça alienígena que por algum motivo, acelerou a evolução ou nos deu parte deles? Ou por que não poderemos ser produto de uma raça evoluída que a muito desapareceu ou de repente, saiu de nosso planeta para outro ou até, são povos intraterrestres? Não podemos nunca descartar nada, porque são perguntas que mexem com o que nos temos como realidade, porque muitas delas são forjadas como realidades virtuais. Então entramos numa questão que a anos, e porque não, a seculos nos fazem refletir, o teorema da caverne de Platão que cabe muito bem em nossa discussão. Ele coloca na “boca” do seu mestre Sócrates um teorema assim: existia um povo que nascia dentro de uma caverna sempre acorrentado e vivendo olhando uma parede, essa parede se viam sombras graças a chamas atrás desse povo e somente eram homens carregando caixas, mas as sombras produziam outra realidade. Mas um desses seres humanos se soltou dessas correntes e vai em direção da entrada da caverna, então em um primeiro momento a luz do sol de ofusca a visão, mas num segundo momento essa luz lhe mostra uma outra realidade que não via, era uma realidade que não enxergava e era muito mais ampla. Lembrando que aquela realidade é forjada e essa realidade é natural – Platão talvez, colocou em questão o pensamento analítico e o pensamento sintético – a realidade forjada é fruto da sombra que vimos o que queremos ver e a realidade natural, é aquilo que é o que é. Mas ao retornar para dizer o que viu e libertar os demais eles começam a dar risada e “caçoar” dele, o homem insisti e é morto pelos demais (alguns historiadores e filósofos, dizem que Platão falava exatamente do seu mestre). O que podemos tirar dessa passagem que nos forçara a analisar um conjunto de consciências e indagação dos meios culturais e ideológicos dos nosso tempo?

Se viemos de outra raça avançada, seja extraterrestre ou intraterrestres, então somos produto de uma outra cultura e se somos produto de outra cultura, somos um meio dessa cultura. Ser um meio dessa cultura nos fazem ir atrás dessa cultura evoluindo cada vez mais em torno de procurar uma resposta – talvez a resposta não esteja apenas o que vimos – e sempre entramos em perguntas básicas e extremamente, em torno do espanto filosófico. Só que, diferente dos pensadores gregos e os inúmeros pensadores ao longo da historia humana, estou analisando as coisas muito amplamente. Quando pensamos em existência pensamos no ato da percepção de tudo que está a nossa volta e pesquisas dizem que tudo veio num amontoado de ácidos, poeira estrelar (descobriram que nosso sistema solar está numa bolha de poeira cósmica de uma supernova) e uma explosão que originou o tempo e o espaço. Então houve um ato e esse ato – o primeiro – foi romper algo para libertar algo dentro de uma potencialidade dentro do existir, depois de bilhões de anos, talvez até mais, houve uma nova explosão em uma supernova e mais uma vez se fez o ato de criar o sistema solar, depois houve uma colisão entre planetas e mais uma vez, se criou algo como a lua. Até mesmo o ato e potencialização aristotélica, se criou a vida a partir de ácidos – podem ter vindo de fora ou podem ter tido um processo aqui mesmo – que criou células e essas células deram forma de seres simples a seres complexos, desses seres com inúmeras extinções, se criou a criatura que deu origem ao símios e dos símios ao ser humano. Mas você pode estar perguntando: onde você quer chegar? Ora, se somos símios que de alguma maneira criamos consciência, de outra nos modificamos demais de nossos parentes evolucionário com tanto pouco tempo, então só nos resta indagar se não somos produto de algo além do que chamamos de real. Ainda mais longe: por que temos necessariamente acreditar que somos produto de sorte, como alguns insistem, e por que somos produto do meio da evolução? Porque somos muito diferentes e muito além do que podemos dizer “filhos da Terra”. Dai podemos chegar dentro do que Platão diz dentro do teorema da caverna, toda realidade que pensamos ser um fato, muitas vezes, não é um fato real e sim, um fato ilusório.

Quando o ser humano saiu da caverna, ele se deparou com outra realidade e descobriu que aquela realidade não era a verdadeira, mas também, aquela de fora da caverna é uma extensão da realidade como um todo. Então, podemos concluir que o “cogito” cartesiano só é uma analise do sair da caverna platônico – alguns não vão concordar – porque o ser humano se descobriu e começou a enxergar por si mesmo. Quando o ser humano saiu da caverna ele se espantou com outra realidade e essa outra realidade lhe espantou – como todo mundo que se depara com outra realidade – porque era uma extensão daquela realidade com outro viés dessa realidade. O espanto foi da incerteza que pairou na mente dele que tudo não pode ser determinado, pois essa determinação de um fato concreto era apenas uma ilusão que se cria a partir de símbolos de status social. E para sair das “sombras” de uma realidade construída a partir de ilusões históricas e morais, o primeiro sintoma é o espanto, e não é a toa que Immanuel Kant vai dizer que o primeiro passo do “amor ao saber” é o espanto de não ter uma realidade. É o que trata esse simples teorema, uma simples historia para um simples pensamento, não há certeza da nossa realidade e de tudo que vivemos, mas há a certeza do “eu sou, eu existo” porque se eu estou pensando naquela realidade, então estou percebendo primeiro a minha existência. Santo Agostinho – antes de Descartes que provavelmente pegou carona nesse pensamento – vai dizer que mesmo errando, nós somos, como se não existisse algo perfeito e não existe determinismo de nada que chamamos real, mas eu ainda continuo sendo o que sou. Descartes vai mais longe para provar que o cético – nome dos antigos ateus e que não acreditavam em algum fenômeno mistico – também eram levados a algumas crenças disse a famosa frase “eu penso, logo eu existo” num contexto que se eu penso e sei da minha existência, nenhuma realidade é definida e podemos duvidar de todas as realidades e fatos (mesmo os científicos empíricos) que não são o que são. Se somos a imagem e semelhança de um Ser Divino que pensa, ele é sem ligar para as realidades transitórias e ele sabe que ele mesmo existe. Ou seja, não importa se discutamos se esse Ser existe ou não, por ele mesmo já é um fato ele existir e ele vai existir você acreditando ou não, ele já é um conceito. Se temos que duvidar, temos que duvidar de tudo e o pensamento cartesiano (o nome de Renê Descartes em latim era Renatus Cartesius) nos mostra que não é possível, porque não podemos duvidar de nós mesmos.

Voltando ao filme, podemos ver que César é consciente do que ele é e que não poderia ser, porque ele sabe que sendo macaco tinha suas próprias limitações. Sendo um líder consciente, ele sabia que numa guerra não se teria chance de ganho e só poderia saindo perdendo, pois numa guerra só os “mesmos” saem ilesos e os outros, são mortos e esses mortos só serão números. Koba, cego pelo seu ódio, cria a ideologia que os macacos são superiores e que por serem “pacíficos” - nesse momento fica claro a critica e a contradição – são muito melhores que os humanos e que os humanos devem ser eliminados. Fica claro a critica (não julgadora, mas analítica porque vai afundo na questão) social que vai desembocar dentro das ideologias que “cegam” e os seus adeptos, seguem sem discuti ou perguntar o porque daquilo. As ideologias são apenas a “sombra” platônica, Koba está envolvido em uma realidade dentro da “sombra” que ele vê e não enxerga por causa da sua ilusão ideológica. Vimos isso inúmeras vezes dentro da historia humana e vamos ver muito mais, se o ser humano não enxergar essa ilusão que somos superiores, não somos, somos consciências que estamos aprendendo a nos encontrar e só quando nos encontraremos, encontraremos a razão de tudo. César é o ser consciente, o ser que mostra a verdadeira liderança, o rei filosofo que se vê diante da ideologia e ilusão.

O filme nos mostra nosso lado humano e ao mesmo tempo, nosso lado símio que ainda é latente naqueles que não sabem que podem pensar, e que ainda, estão acorrentados sem enxergar outras realidades. Aqueles que não pensam só existe uma realidade entre muitas...



Amauri Nolasco Sanches Junior

sexta-feira, setembro 05, 2014

Politica e Religião.





Umas das minhas imagens favoritas, 
Jesus em posição de lótus dentro de uma flor de lótus. 






Quando falamos de politica – pelo menos nos meus artigos – estou falando da politica grega e que fez Aristóteles escrever sua maior obra. Politica vem do grego “politikós” que é o “cidadão da polis” porque a arte politica era vivenciada por qualquer cidadão livre e que poderia dar sugestões e participar das discussões do Ágora. Da Revolução Francesa para cá, poucos ficaram a cargo das decisões executivas de uma nação Estado – esse processo começa na idade média e muito antes com o império romano, onde só poucos poderiam ser preparados para governar e a maioria era preparada para produzir – e assim, as Republica (res publica “coisa publica”) foi moldada para serem governada por pessoas da burguesia que eram preparados para isso. A revolução francesa teve grande impacto dentro da politica ocidental, tanto é, que logo depois teve a Libertação dos Estados Unidos da América já como republica e já com uma constituição. Claro que isso foi feito junto com a reforma protestante que muito ajudou para romper varias amarras dentro de um certo proselitismo dentro dos governos absolutistas onde os reis eram apoiados pelos papas dentro dos interesses da igreja católica – hoje em alguns casos e principalmente no Brasil, a coisa se inverteu - porque para o protestantismo, o dinheiro não é pecado porque ser rico faz parte da prosperidade dentro da graça recebida para se viver no mundo. O catolicismo prega que a riqueza é avareza e vaidade e deve ser punido graças a uma passagem de Jesus (Yashua) que diz que é mais fácil um camelo passar num buraco da agulha do que um rico ir ao reino dos céus, que vários historiadores dizem, que varias passagens foram manipuladas para reter e segurar o pessoal na idade media. Verdade ou não, essa são as duas teologias baseadas dentro do que acreditam.

Nisso tudo os sacerdotes protestantes – chamados de pastores – eram muito distantes que são agora, para ter uma ideia, Lutero estudou muito e tudo para chegar a conclusão que a igreja católica fugiu dos seus princípios e João Calvino não seria diferente. Lógico que a religião protestante – aqui nós chamamos de movimento evangélico – tem todo seu pensamento voltado ao cristianismo e si mesmo, não tem interpretações e não tem outra forma de ler a bíblia. Esse pensamento é uma reação contra o pensamento escolástico (a filosofia grega embutida) dentro da igreja cristã e é uma reação de uma interpretação a favor de certos interesses – que hoje também permeia as igrejas evangélicas – em usar isso para beneficio próprio e ao poder politico. Lembramos que no mundo grego, a politica era o cidadão grego participando das decisões da “polis” - tanto é que Aristóteles vai dizer que o homem é um animal politico (zoon politikos) – e hoje, com a herança romana e medieval, poucos detêm o direito de comandar e participar da administração do Estado. Nossa herança é muito mais enraizada – digo nós latinos americanos que viemos da cultura ibérica tanto na parte do absolutismo (só a pouco a Espanha tomou a posição da monarquia legislativa), quanto na religião cristão que era radical nesse período das navegações que culminou a colonização das Américas – no absolutismo e dentro das raízes da fé cristã dentro do catolicismo. Até mesmo religiões que nada tem dentro do catolicismo, acabaram absorvendo muitas características dentro de suas próprias teologias como acontece no protestantismo (vulgo religião evangélica) brasileiro.

A religião foi construída a partir do pensamento e a necessidade humana de estabelecer uma certa ligação ao divino (ad infinitum), a politica foi feita para estabelecer regras para melhor administrar a comunidade onde se vive e separar os direitos e os deveres. O que devemos preocupar – isso é perigoso e se provou um congelamento evolucionário – quando certa religião começa a querer tomar o poder para reprimir e censurar outras ou, censurar escolhas de cada ser humano em nome de uma fê que não é dele. Então aparecem pseudos-pastores – isso está no apocalipse que haveria falsos profetas – que querem manipular de qualquer jeito e de qualquer maneira o seu candidato com pressões usando suas crianças e usando de sua autoridade para defender a sua loucura. É o que acontece com o psicologo pastor Silas Malafaia líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que essa semana mandou 4 mensagem para a candidata Marina Silva (PSB) para voltar atrás na questão do casamento igualitário. Ou seja, a candidata não teve pulso firme em se dizer convicta e compromissada com todos os brasileiros, mudou de ideia em nome de um pensamento dentro da igreja evangélica, que nem de Jesus é e sim, um pensamento de Paulo (Saulo de Tarso) que queria reprimir alguns cultos pagãos para assegurar a fê cristã. Disse que Deus fez macho e fez fêmea para procriar e se unirem sem prevaricações e etc. Como disse, eram pensamentos que nada tinham com a verdadeira religião e sim, reprimir certos ritos e certas atitudes que ele (Paulo), acreditava ser errado e colocava em suas pregações. Seculos depois, Constantino I ordenou que as cartas paulinas fossem colocadas nos cânones dos evangelhos. Então, por que quem se diz cristão (que na sua essência segue Jesus Cristo (iluminado)), segue cartas que nada tem a ver com que ele pregou ou fez? Um budista não segue ensinamentos de cartas de monges, segue aos ensinamentos de Buda, um islâmico, não segue os ensinamentos de cartas de um xeique, eles seguem o Alcorão de Maomé Muhammad. A pior coisa que se faz em uma religião é distorcer o que se é verdadeiro por causa de interesses e é o que acontece dentro da religião jesuitística (não gosto de chamar de cristã por motivos óbvios e nem tem a ver com os jesuítas). Perseguições aos homossexuais, aos que tem outra divindade, e etc, eram condenados por Jesus? Se eram me mostrem dentro onde Jesus prega e não em nenhuma outra carta. O senhor pseudo-pastor não saberia responder a essa pergunta, porque a essa pergunta existe somente uma resposta, não há em nenhuma pregação de Jesus (não de Paulo) que tenha nenhum desses condenados. Muito pelo contrario, existe sim o ensinamento da tolerância através da fê e da ligação com a vontade divina. O sermão da montanha tá lá para mostrar:



Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os Defensores da Paz, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.”
(Mateus, 5:3-12)




Os “bem-aventurado” que Jesus disse, não são só aqueles que só entram em uma igreja e oram – na verdade oram na igreja e falam mal de todo mundo fora dela – os “bem-aventurados” são aqueles que será consolados porque terão aquilo que almejam porque trilharam o caminho do bem. Aventurar é aquele que arrisca, e o “bem-aventurado” é aquele que arrisca ir aonde é o bem, aquilo que é bom para si e para todos em convivência pacifica. E está lá “os humildes de espirito” que nada mais é do que aquele que não julga, aquele que não faz apologia de nada que possa obrigar as pessoas a fazerem o que não querem, e Jesus disse isso, aquele que não julgar e respeitar a vontade do outro será aquele que arriscou na trilha dos bons modos, da verdadeira paz de espirito, o verdadeiro religar com o divino. Como disse acima, não adianta quererem orar e depois sair quebrando santo, sair xingando a mulher porque ela é católica, sair julgando melhores que todo mundo. Os pastores estão iguais aqueles bispos das igrejas primitivas – igual o bispo Cirilo de Alexandria que incitou os “cristãos” a matarem a filosofa e matemática Hipátia por causa do seu neoplatonismo e sua crença aos deuses (e por ser mulher?), foi morta a pedrada e sua carne foi esfolada e queimada (cristãos?) - onde incitavam o ódio e a destruição de templos que não faziam parte de seu escopo de crenças, eles não queriam conquistar fieis, eles queriam e querem impor as suas crenças. De repente por poder, de repente por simples ignorância de não lerem outras coisas (certamente, Jesus não aprovaria isso, pois defendeu a prostituta – que não era Maria de Magdala - que iria ser apedrejada), mas não seguiram nunca a essência do que Jesus ensinou. Seguiram cartas, seguiram regras e ensinamentos secundários, para fundamentar uma moral que era quem escreveu essas cartas, pensava.

E se provou que é perigosa essa relação religião e politica, tanto pela via politica – alienando os fieis – quanto na parte do próprio poder que é uma tentação muito grande. Vamos lembrar quando Jesus em uma das suas meditações no deserto – sim, Jesus meditava – ele teve varias tentações mostradas pelo demônio para desistir de sua missão. Podemos ver esse tipo de tentação enfrentada por todos os mestres espirituais e aqueles que tinham como meta, colocar a humanidade no caminho certo, como o caminho da verdadeira ligação até a expulsão do paraíso (consciência do TODO). A religião é hoje levada a fins errôneos, onde nada está ligando com o divino, apenas está ligando a ignorância ao poder. O próprio Jesus disse ao ser indagado pelo valor de seus impostos – uma das coisas que o levou ser crucificado – para nós darmos de César o que é de César, e o que é de Deus para Deus. O resto? É tudo manipulação, usando cartas....


Amauri Nolasco Sanches Junior

Filosofo/escritor, Formado em Publicidade e Informática, palestrante. 

terça-feira, agosto 12, 2014

“Animus”











Há mistérios que nunca serão desfeitos senão por muita insistência do ser humano e sua capacidade mental e curiosa. No blog da Laura Botelho (aqui) – pesquisadora e palestrante sobre assuntos metafísicos – na postagem do dia 24 de julho, nos mostra a sua opinião sobre o filme italiano “6 giorni sella Terra” a tradução ficaria “6 dias sobre a Terra” porque foi 6 dias que um extraterrestre tomou o corpo de uma herdeira de uma família condessa metade humana e metade extraterrestre por muitos séculos. São coisas para refletimos e causa alguns questionamentos quando a ufologia séria – a séria não descarta uma vinda extraterrestre para manipulação humana e essa manipulação ser um conflito também no meio espiritual – que não foram respondidas e será difícil respondê-las precisamente. Eu sou cético nas questões que dizem que existe um governo secreto que quer controlar a humanidade, pois ainda estamos lhe dando com aspectos dualistas de bem e de mau como a cultura e as religiões tratam. O que acredito que há sim questões que não podemos descartar e nem desprezar, como se deveríamos dar crédito sem um certo ceticismo. 

O nome do artigo não é a toa, “animus” vem do latim e quer dizer “alma pura” e tem a ver um pouco com o filme, pois o pesquisador dizia que essas abduções são por casa de alma (anima) humana e seu desenvolvimento. Acontece que não é diferente quando lemos as escrituras cristãs quando dizem que Lúcifer (Satanás para alguns que quer dizer inimigo), quer provar que ele estava certo e que a raça humana é um erro, sendo que Deus e seus anjos, criaram o homem a sua semelhança. Nas interpretações modernas – sendo muitos séculos e com a descoberta, uma meia comprovação, que evoluímos de outro animal como os primatas – dizem que Satã sempre condenou que o Criador (como se fosse uma energia) desse alma a macacos. Os ufólogos dizem que é uma analogia a essas pesquisas e que na verdade, tanto anjos, quanto demônios, são duas raças alienígenas diferentes. Há muito para e pensar e refletir sobre o caso, pois se irmos muito mais a fundo – isso envolve até a Kaballa – ha mistérios sobre nossa origem que intrigam ainda os maiores biólogos que estudam a área genética. Por que perdemos pelos? Por que razão somos a única especie que consegue falar? São perguntas sem ainda nenhuma resposta. Mas temos uma pista quando alguns pesquisadores encontraram o genes alienígena, o único genes que existe só na raça humana e em nenhum outro animal. Não somos os únicos, claro, a ter consciência, pesquisas mostram que as Orcas e os Golfinhos também provem de uma certa consciência. Se é um mito ou não, o fato é que mesmo essas especies terem consciência, somos os únicos a falar. 

Papagaio tem uma certa memoria para poder imitar certos sons e certas falas, além de ter o formato da língua para poder fazer isso. Mas o ser humano expressa o que ele sente e pensa, sem imitar (se imita é porque foi condicionado para tal sobre o viés dos valores e costumes) e sem fazer o que o outro faz, tem o poder de errar e aprender com esse erro. Isso de repente, despertou o interesses em certas “forças” que não sabemos de onde vem e o porque vem, mas há mistérios que ainda não desvendamos. Na verdade quem se apega muito no “cientificismo” (uma crença fanática pela ciência empírica), são pessoas não incrédula de alguma crença e tem como a ciência como argumento, e sim, tem medo dessas mesmas “forças” que misteriosamente existem nesta realidade ou em outra realidade (uso realidade para me referi as muitas dimensões). Depois que Albert Einstein nos disse que tudo é energia – confirmando alguns pensamentos da filosofia oriental – a física não foi a mesma e poderíamos até que nossa realidade não passa de vibração dessa própria realidade. Para falar da realidade teremos fazer a seguinte pergunta: o que é a realidade? Sera que tudo que vimos é a realidade de fato? Não sabemos e os cientistas que fecham essa questão é porque tendem ao medo de ir muito mais além, não se atualizam e tem medo de pesquisar essa realidade onde nenhum homem esteve. 

Acredito muito no pensamento de Fredrich Nietzsche que diz não haver fatos eternos e nem verdades absolutas, inspirado na filosofia heraclitiana, onde tudo flui e nada permanece no mesmo estado, as verdades e os fatos mudam conforme nossas escolhas. Não é porque existe essas “forças” que o ser humano haverá de não poder escolher o caminho que quiser, nós temos o que hoje fazemos. Não sejamos tão radicais e colocar o pensamento existencialista de Sartre em questão, a existência sem a essência seria como se nós se torna-se maquinas e não teríamos consciência de nossos atos; a existência não procede a essência, ela convive totalmente a essência do ser humano. Sem a alma (anima) não teríamos a capacidade de escolher e nem de progredir em seres conscientes que somos, a essência faz parte da nossa consciência da percepção do ambiente e a percepção de nossa existência, como Descartes disse no seu “cogito”. A mente é muito além do que a razão, a razão (logos) é apenas o ponto onde devemos fazer a reflexão dessas escolhas, mas a mente é muito mais do que mero fato concreto. Buda descobriu isso e disse que tudo está da mente e isso é real, todos os sentimentos possíveis estão na mente. A razão pode nos dar uma ideia que 3+2 é = a 5, mas esquece que 5 também é 2 e meio + 2 e meio que torna a logica mais ou menos, relativa como Einstein mesmo previu em sua teoria. Nada no universo tem uma arquitetura e nem uma determinação, mas também nada vem do nada, tudo vem de uma origem e essa origem é desconhecida ainda. O filosofo da linguagem Wittgenstein, disse que o que não sabemos não podemos dizer, ou seja, o ser humano não pode dizer termos que não pode expressar, tudo tem um termo e tudo se expressa. 

Mas o mesmo filosofo dizia que fazemos o mundo conforme a nossa linguagem e essa linguagem é construída a partir do que podemos expressar. Deus, por exemplo, já existe como termo e se tentam negá-lo, é porque a sua existência já consiste em determinado lugar dentro do coletivo. Não é diferente quando pegamos a teoria platônica do “mundo das ideias”, porque tudo é mera copia daquilo que está originalmente nesse mundo, porque todas as ideias circulam no “éter” e nesse “éter” pode inspirar alguém. Só que não existe só isso nas coisas e sim nos termos, termos esses que o próprios Wittgenstein disse que eram um incógnita dentro da própria filosofia, e que, o mundo não é feitos de coisas e sim de fatos. Agora fica fácil entender que se o mundo num modo linguístico dos termos não é feito de coisas – talvez objetos que damos os nomes – e sim fatos, esses mesmos fatos não são eternos e esses objetos mudam de nomes e o tempo continua relativo. Ou seja, todo termo muda conforme os valores e os costumes envolvidos e esses termos tem o mesmo viés de comunicar o que a pessoa vê. Talvez assim, Platão tenha colocado o “Mundo das Ideias” - essa ideia foi tirada de Parmênides (doxa) como o único caminho do ser humano ao conhecimento e esse conhecimento era essencial para a felicidade (eudaimonia), junto com com a o pensamento socrático da imortalidade da alma e como alcançarmos a virtude com atos corretos que seculos mais tarde, o cristianismo iria se apropriar – como se fosse dimensões diferentes onde vinham as ideias que inventamos os objetos, ou talvez ainda, tenha sido uma maneira de explicar onde vinham os termos apenas. Então quando lemos termos bíblicos ou termos antigos como “Carruagem de Fogo” ou outros, são termos que são usados naquela época onde não se entendiam que existiam motores a propulsão e talvez seres que tivessem uma tecnologia avançada, poderiam ter ela e atravessar o universo e vim pesquisar nosso planeta. O ser humano quer fazer isso, seres conscientes tendem a serem curiosos para aprender e registrar o que aprenderam, faz parte da nossa natureza constante. 

Linguagens e visões, fazem parte da natureza do mundo que fabricamos com termos, termos esses que podem ser modificados. Por isso que muitos pensamentos orientais – primeiramente a filosofia hindu – vão nos dizer que tudo é mera ilusão (maya), porque toda a realidade conhecida é feita dos termos (nomes) que damos a elas. Esses termos são construídos dentro dos valores que predominam na cultura da época – como as linguagens bíblicas e dos muitos livros sagrados que só são linguagens herméticas por causa das inúmeras perseguições – então, tudo muda graças a essas inúmeras linguagens e termos. Por que Aristóteles era a favor da escravidão, por exemplo? Por que sua época era comum ter escravos das nações que iam sendo conquistadas? Então, conceitos e respostas mudam conforme suas premissas, conforme suas ideias.

Quando dissemos e estudamos mitos – há um erro muito grande quando colocamos a filosofia (amor a sabedoria) como destruidora de mitos, porque ela não destrói nada e sim analisa esses mitos – vamos verificar que os mitos tem as características do que queremos expressar. Mas antes disso, muito importante, vamos analisar dentro da ótica psicológica (psique = alma) o que se define um mito. Quando o doutor Freud separou os três itens que controlam nossa mente, usou alguns mitos para descrever o que acontece como o mito de Édipo pelo amor da própria mãe – em querer matar o pai para ficar soberano – e assim se fez o rumo. Além disso, o medico austríaco, separou três bases para se estuda a consciência que é o ego, id e o superego. O ego é o que mostramos aos outros, é a tão aclamada “mascara”, que torna o que somos e fica entre as regras do superego e os desejos do id, então, somos sempre um conflito dentro de nós e isso nos faz seres humano. Só que a parte que disse é a parte material, humana e corporal, mas existe muito mais além que nos fez evoluir e sempre retornar a Terra, nossa alma, nosso espirito que nada mais é, aquilo que somos e é isso que deixa intrigado esses seres que querem descobrir onde está essa essência.

Amauri Nolasco Sanches Junior 

quinta-feira, agosto 07, 2014

Critica a “banalização” Pura










Aristóteles em sua obra Politica (Sobre a Politica no original), nos diz que o homem é um animal politico e porque ele se torna sábio (sophos) quando ele está em sociedade. Lembramos que quando o filósofo de Estagira diz que o ser humano é politico ele não está dizendo em políticos profissionais, mas o “politikon” grego que quer dizer “morador da polis” e como morador da Polis, ser levado a também discutir problemas da polis. Só que o grego se preocupava muito com a finalidade das coisas e não no principio, para o homem moderno o ser humano existe dês de concepção do seus pais com o ato reprodutivo, para o grego, o homem só era homem por causa do aprendizado que recebeu. Para o moderno o principio é importante, o grego o importante era a finalidade que podemos ver em sua arte e que o filosofo Aristóteles vai tomar como base, porque para ele, o homem como morador da polis era capacitado de aprender varias técnicas e varias finalidades. Ao contrario do moderno que derrubou mais ou menos essa tese por outra que diz que o homem consegue ser sábio só quando se isola, Aristóteles demostra que cada vez que o homem se envolve com a polis, ele se torna mais sábio. 

Ora, se somos animais que somos sociáveis e cada vez mais, com a polis, adquirimos sabedoria, como homens pré-históricos, isolados e nômades, descobriram tantas coisas e ficaram cada vez mais sábios? Então, não é que o homem em sociedade fica mais sábio, mas seus erros lhe torna em principio, mais perceptivo com que não pode fazer, superando e aperfeiçoando. Ao longo das eras, foram inúmeras, que o ser humano saiu da caverna e construiu cidades e essas cidades se tornaram reinos e esses reinos se tornaram impérios imensos, o ser humano usava esse principio como o principio para o aperfeiçoamento. Hoje em dia – que é um paradoxo muito estranho, já que estamos na era da informação – não se usa mais e se comete o mesmo erro milhares de vezes e nunca o ser humano aprende, porque o principio básico da racionalidade é sair do erro e entrar no acerto seja na vida afetiva, seja na vida espiritual, seja na vida profissional e até, naquilo que tem vontade. Mas voltamos de novo a um paradoxo, porque o que vai definir como certo e errado é a leitura daquilo que fazemos como conceitos a partir dos valores que recebemos, porque a principio, o ser humano é construído pelos valores sociais recebidos pela própria família. Assim construirmos culturas e e aperfeiçoamos leis a partir dos valores regidos em cada época e isso se faz com a ética (ethos) que nada mais é do que costumes. 

A Critica vem do grego “kritikê” que seria a arte de “julgar, “separar” e “discernir” algo ou alguma situação que fere a moral de algum jeito. Na filosofia moderna – diferente do senso comum que só julga sem discernir o que é certo ou errado – a critica é uma analise sistemática sobre as condições e consequências de um conceito, de uma teoria ou uma disciplina. Um exemplo é a critica ao regime nazifascista que não julga, mas deve ser feita em uma analise sistemática de algo muito mais profundo do que um simples julgamento. A Critica deveria ser uma analise muito mais definida do que argumentar se aquele lado está certo ou aquele lado esta errado e sim, analisar do ponto se é o não é importante para aquele momento. Se queremos criticar o site da UOL, por exemplo, temos que fazer uma analise sistemática ao conteúdo que o site nos trás como informação e não um julgamento fútil que é apenas a “banalização” de uma opinião e do próprio conceito da critica. Então, por que não analisar o conteúdo daquilo e dizer o que pesa sobre o conceito daquilo? Por que não analisar a fala de certo candidato e não o partido no qual pertence? Aliás, a pessoa só usa o partido aqui como suporte eleitoral porque não se pode concorrer sem nenhum, então, não podemos fazer essa analise. 

Vimos muito isso nos comentários de grandes sites, se julga mais pelos valores que somos expostos do que a noticia em si mesmo e que muitas vezes, como diz um tio meu, se ouve o galo cantar e não se sabe onde esse galo está cantando. Ou seja, não se analisa a informação e já se repete essa mesma informação, banalizando a própria informação dada no seguinte momento. Banalizar algo é desgastar a imagem daquilo como sendo algo inútil e que pode ou não ser importante, como a banalização da violência nas grandes cidades, se tornou algo desgastado e normal (que não é). isso ocorre em todos os setores e em tudo que fazemos, devemos ter uma critica para sairmos da minoridade e analisar aquilo a partir do que é o mais importante, se é ou não útil para uma vida mais plena e a procura de elevar-se acima dos princípios básicos que é, evoluir. 

Evoluir para onde e por que? Essa é a questão primordial dentro da filosofia, porque hoje a critica se tornou algo banalizado – certamente banalizaram até a Critica como um julgamento apenas – porque não se analisa as finalidades. Se enxerga muito a importância em se falar em futebol – lembrando que a importância é o surgimento do assunto futebol – mas não se analisa a finalidade que o futebol pode ter na vida de cada ser humano e é essa finalidade que vai tornar o futebol algo de bom ou algo que apenas é um assunto corriqueiro que todo mundo sai falando. Nem sempre o que todo mundo sai falando é o certo de se fazer – ninguém em sua sã consciência, vai escutar determinado tipo de musica por causa de que todo mundo sai por ai ouvindo – mas também o certo e errado depende como os valores agregam em nossas vidas. Muitas pessoas acharam que o tigre não deveria ser sacrificado só por causa dá conduta do pai de querer colocar o menino mais próximo dos animais expondo o menino ao perigo, outros disseram que deveria porque o tigre atacou por maldade (lembrando que maldade e bondade são valores agregados dentro da cultura humana apenas). Immanuel Kant que viveu no final do seculo dezoito, diria que temos que olhar a conduta do pai e fazer uma Critica da sua ação, lembrando que é a analise sistemática de algo ou alguma ação, tendo como base o que levou ele a fazer isso sem olhar que seu filho poderia (como aconteceu) se ferir. 

Mesmo se alguma celebridade que não era muito noticia, por razões obvias que a fama pode trazer e levar esse mesma fama, hoje em dia aparece falando algo que causa polemica. Por que será? A Critica deve ter a profundidade da analise verdadeira e não a analise somente julgadora, porque uma analise julgadora é uma analise dos valores agregados e não uma analise dos fatos ocorridos, são juízos sintéticos que só enxergam o que são contidos em uma certa moral. Quando dissermos que aquela pessoa com deficiência não está apta a trabalhar por causa da sua cadeira de rodas, é uma critica do senso comum e também um juízo sintético, mais popularmente chamado de juízo de valor (como todo preconceito o é). Porque o empregador usa a imagem vitimizada da cultura religiosa das pessoas com deficiência que mesmo se esse empregador ou funcionário do RH não seja religioso, nossa cultura ocidental herdou a imagem religiosa que mil anos dominou nossa cultura – os orientais equilibraram isso, mas é assunto para outro texto – então eles irão julgar não pela finalidade, mas pelo principio que é a cadeira de rodas e a deficiência. Aliás, foi um grande erro levado ao pensamento moderno. 

Só podemos concluir que o pensamento Critico não deve ser levado para o lado dos valores contidos em uma cultura, mas ampliar essa visão analisando o que os gregos faziam, ao invés de olhar o principio, temos que olhar a finalidade e a finalidade é o ideal para uma vida mais ou menos sem cair nas teias da aranha Midiã e as informações manipuladoras. 


Amauri Nolasco Sanches Junior 


Liberdade em Aristóteles e Santo Agostinho




segunda-feira, julho 14, 2014

terça-feira, julho 01, 2014

Marxistas fora da história





Descrição da foto: No lado esquerdo Adolf Hitler com a bandeira com a suástica nazistas atrás dele e no lado direito Karl Marx com a bandeira da foice e o martelo na suas costas e o vermelho faz uma só. 

por Amauri Nolasco Sanches Junior


nesses dias eu estive lendo o caso de uma aluna de direito que acusa um dos professores de assedio ideológico por ser marxista e ele ser liberal e o advogado posta uma asneira contra o feminismo que não tem tamanho. Sobre o movimento feminista – todo seu viés histórico e politico – ainda está sendo estudado por mim e talvez lá para frente irei publicar textos sobre. É estranho os marxistas – aqueles que leram mesmos Karl Marx e assimilaram o que ele dizia – não admitirem que o partido de Adolf Hitler e os seus NAZI sejam um partido de esquerda e isso no nome já se enxerga. Seu nome era Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, o socialista já diz que o partido era de esquerda e o nazismo na época, podem dizer o que quiserem, mas visavam mudanças dentro da politica alemã. Por que estou dizendo isso? Porquê ela se incomodou que o professor disse que o nazismo era de esquerda. (Leia aqui)
O filósofo Karl Marx (1818-1883), estudou direito e era de origem judia onde seu pai era um advogado conselheiro da justiça – carreira que o próprio Marx vai estudar, mas pouco seguiu – e foi casado com filha de um industrial na Alemanha. Mas deixamos sua biografia para quem aprecia escrever elas e entrar em suas teorias que, numa visão mais aprofundada, não está totalmente errada. Que o ser humano é explorado pela força do trabalho e recebe muito menos que vale, isso sem duvida nenhuma, pois muitos não ganham na mesma proporção para comprar um carro que produzem. Isso se chama mais valia – embora muita coisa mudou no mundo que Marx viveu (seculo XIX) e os dias de hoje sendo que quem é bem sucedido é aquele que faz a manutenção de seus conhecimentos diante do que trabalha – onde se ganha muito menos para comprar aquilo que produz. Não concordo com muitas premissas de Marx pelo simples fato de que o marxismo já foi implantado, nos moldes dos que detinham o conhecimento na União Soviética, e não funcionou e não vai funcionar graças ao poder. Mas também, não pode dar certo, pelo simples fato que não há igualdade nem mesmo na natureza – Marx foi muito contrario a teoria de Darwin - onde o leão precisa comer o servo para sobreviver, os animais sociais terem um lider para seguir e outros fatores que se olharmos, será logica demais. Mas na exploração trabalhadora, isso sem duvida, mas temos que nos ater nos dias de hoje que o niilismo – doutrina que há uma negação aquilo que chamamos de metafisica, ou seja, a negação daquilo que sentimos como forma espiritual e a essência de tudo que o ser humano concebe como crença e ideologia – impera como a razão, e não é a razão. A razão é muito mais do que conceber uma realidade como realidade única e sim, a realidade depende de cada realidade que cada um carrega dentro dos valores passados pela sua educação. Isso tem nada a ver com a classe que está inserido e sim, ao que lhe é ensinado.
Percebo que o socialismo comunista cientifico se tornou uma doutrina do “coitadismo” e se lemos honestamente as obras de Marx, não era essa a proposta que tinha em mente e não era tudo que nos é passado. Nem tudo é de ordem social e politica – as classes se modificam conforme a desenvoltura da economia em cada país – e sim, as classes se transformam conforme os valores que cada um enxerga diante ao mundo, não adianta ganhar dinheiro, se não tem um pensamento que amanhã pode faltar ou pode juntar para comprar ainda mais coisas. No mesmo modo podemos dizer das várias formas do socialismo comunista cientifico, pode até se tornar algo bom, mas se deve não ter a revolução em imposição sócio-cultural, mas uma mudança de mentalidade que talvez seja-se algo complementar a doutrina igualitária religiosa cristã. Ora, se analisarmos bem fundo a doutrina socialista comunista cientifica, não é muito diferente da proposta dos cristãos e o que está no novo testamento junto com os ensinamentos de Jesus. Os únicos erros – e são os mais profundos dessa doutrina socialista comunista – é sempre frisar algo externo e não é, a vontade de progredir vem do seu intimo, não pode ser avaliada por “coisas”. As coisas passam, são conseguecias de muito trabalho e dedicação e depende de nós, o governo não pode ser tutor de cada cidadão porque por natureza desse poder, ele é repressor por questões da própria administração e não tem muito a ver com os inúmeros regimes que já se teve. O socialismo comunista cientifico se contrapõem dentro do seu próprio discurso, Marx deu aos seus opositores a melhor arma nos debates que levou o próprio filósofo anarquista Prondhon a ter uma briga feia; se o socialismo comunista visa a igualdade, como sociedades poderiam ser administradas por cooperativas e essas cooperativas sendo administradas esses administradores iria ser detectores do poder a mesma coisa, então não seria uma ditadura do proletariado como vimos na URSS? Nem mesmo Marx sabia como levar sua filosofia ao poder, o que ele formulou foi apenas inúmeras teorias econômicas e sociais que levou muitas pessoas a concordarem com essas teorias.
Os marxistas não usam sua própria filosofia – não que sou totalmente contra sua filosofia, sendo eu, um estudioso e militante nas causas sociais – porque não enxergam suas próprias falhas históricas. Esses erros podem ser vistos em documentários muito fáceis na internet e não precisa ser nenhum catedrático para enxergar que o erro está justamente no materialismo dialético, porque enxerga o ser humano como construtor do mundo onde há uma construção daquilo que fazemos do mundo e seus elementos. Mas se irmos um pouco mais além dessa dialética materialista, cada objeto já estava inserido no mundo muito antes que o ser humano pudesse perceber esse elemento. Podemos perceber uma pedra, essa pedra está lá a milhões de anos sem o homem (ser humano) pudesse perceber diante de suas faculdades sensoriais. Daí construirmos termos que tem a ver com o objeto – construções que muitos filósofos lógicos, como Wittgenstein, vão dizer que são jogos de linguagem – para construirmos uma ideia daquilo que estamos diante da percepção. Daí entramos na fenomenologia – esse termo vem do grego phainesthai, que quer dizer aquilo que se mostra, e logos, que é aquilo que se estuda – que foi escrito por Edmunt Husserl (1859-1939), que visava um estudo aquilo que enxergamos no mundo como fenômeno da consciência. Então, a pedra é apenas a ideia que fazemos da pedra enquanto objeto que enxergamos e temos que designar algum nome para analisar esse objeto. O objeto é apenas um meio para temos a consciência do ambiente onde estamos, porque graças a isso temos a melhor maneira de fazer nossas escolhas.
Sendo nós detectores de nossas escolhas e no próprio socialismo comunista cientifico, tudo é uma decisão social e faz parte da cultura onde estão inseridas, mas isso derruba por terra o próprio socialismo comunista. Por que? Porque temos as nossas próprias escolhas e essas escolhas não podem der feitas por causa de um regime ou por causa de um grupo, tem a ver com nossas percepções subjetivas que vão definir nossa vontade com aquele objeto. Mas podemos sim pensar com o coletivo – o homem como um animal politico – porque vivemos numa sociedade e como sociedade podemos ajudar a ela ser mais justa possível para um convívio harmonioso, mas isso depende da leitura subjetiva das coisas que enxergamos em nossa volta. Isso tem nada a ver com regimes, isso tem a ver com educação familiar.
Mas por que o socialismo erra nos seu materialismo histórico? Quando lemos o nome do partido NAZI, lemos Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou seja, esse “socialismo” é o mesmo socialismo que os marxistas tanto adoram dizer e o “nacional” é o “socialismo” alemão que dá uma identidade em cada país. Como teve o bolchevismo russo, como teve o maoismo chines e o castrismo cubano, o nacional socialismo caracteriza um tipo de socialismo racista (xenofóbico) que caracterizou na época. O nazismo é um socialismo radical xenofóbico – que não está muito longe do que ensina Marx em seus livros, que se para o bem da maioria uma minoria morrer, deveriam ser eliminados – que caracteriza como um regime social que exalta o nacionalismo, hoje os neonazistas transcendem as características  xenofóbicas e a pureza racial, para pregar o nacionalismo radical. Não importa se o cara é umas das etnias que os nazistas rejeitavam, isso não importa, mas a soberania do cidadão daquela país Estado. E não é diferente do que Josef Stalin fez ou Mao Tsé Tung, porque ambos mataram muitas etnias para o bem de uma maioria (sempre escolhida por eles). A característica xenofóbica é devido o nacionalismo radical que rejeita o direito de um estrangeiro morar em seu país, como se esse estrangeiro tirasse as chances de emprego e uma vida melhor, que no fundo, é uma tremenda bobagem porque uma vida digna se faz cada um trabalhando em prol da humanidade. Mas dizer que os nazistas não são de extrema-esquerda, é uma bobagem pior ainda, porque só passaram a matar comunistas quando Stalin declarou guerra a os alemães.

Essa juventude deveria estudar mais para não dizer tanta bobagem, essa aluna – com seus 20 anos – deveria pesquisar mais e não deveria se incomodar com isso que o nazismo foi mesmo de esquerda (os neonazistas são modinha e não devem ser levados a sério), porque no fim o poder em si mesmo é já repressão. Não existe liberdade. 

Leiam mais textos meus:

Deputada "ostentação" e as secretarias adestradas





quarta-feira, junho 18, 2014

Os ghiraldellianos na Terra dos Sonhos Vencidos

Diógenes com sua lanterna procurando a sabedoria 






Por Amauri Nolasco Sanches Junior


Há dentro da filosofia brasileira nomes que só fazem pensamentos exóticos que até tenho medo de mencionar para não dar enfase a esses nomes, mas não dá para ficar calado.  O professor Paulo Ghiraldelli Jr, que tem um modo muito esquisito de discuti filosofia, e se referi aos filósofos prestigiados que contribuíram para o aperfeiçoamento da cultura humana com seu próprio ponto de vista. Ghiraldelli tem prestado grande contribuição para a banalidade da filosofia jogando para o senso comum e para sua tendencia esquerdista (uma forma tosca de esquerda infantilizada), onde os elementos dessa forma é o que ele entende como “ser” filosofo, porque para ele, um verdadeiro filosofo tem que concordar com ele e dar sua premissa diante do que ele dita. Se isso não ocorre, você é chamado de “burro”, de “anta”, como todo “barraqueiro de boteco” chama qualquer um.

Aprendi muito nesses grupos tanto no orkut, como yahoo, como facebook, que a filosofia transcende o senso comum e coloca em questão o pensar, não o pensar como forma de sair por ai voando, pensar que aquilo pode ser ou não verdade. Na maioria das vezes, nos iludimos com situações que são apenas “momentos” que passamos que ainda “achamos” serem verdades, não o são, são ideias passadas numa tradição que nem ao menos sabemos porque existe. A filosofia (amor a sabedoria) deve transpor os mitos e ideologias – são uma vertente desses mitos – para saber sua geologia, saber seu parentesco e quebrar esse mito para entender, explicar o senso comum é alimenta-lo com a banalidade (coisa que o professor Ghiraldelli diz lutar contra) e colocar como uma verdade e isso pode ser, muitas vezes, alimentar um lobo no meio das ovelhas. A filosofia não quebra o mito, ela transforma o mito em algo palpável, algo que possamos entender qual razão ele (o mito) existe. O mito é uma forma de filosofar e sem o mito o ser humano acaba criando neuroses inúmeras, acaba sempre indo a uma realidade que muitas vezes ele não entende e diz coisas que pode sim ser usado pelo poder vigente, o poder que a sociedade elegeu e tomou como seus tutores morais e ideológicos. Daí são criados “ídolos” que nos salvará desse mundo que não entendemos e que graças essa quebra dos mitos, são colocados como a única salvação da humanidade. Esses Ídolos são ora o capitalismo (que criou a ilusão da liberdade), ora o socialismo comunista (que criou a ilusão da igualdade) onde foram criados graças a esquecimento dos mitos.

Ora, não estamos falando em mitos como uma fantasia criada e sim, estamos falando de mitos que uma sociedade cria como explicação para coisas que ela mesma acredita. Esses mitos foram e são importantes para o desenvolvimento e evolução de uma sociedade ou uma cultura, pois esses mitos dão os elementos para essa sociedade e cultura existir. A existência de uma cultura depende como essa cultura se desenvolve e como essa cultura se torna parte dessa sociedade – com suas montagens de uma moral e eticas que são construídas através de seus pormenores – como um desenvolvimento de um feto dentro de um útero, pois a desenvoltura desse feto depende dos nutrientes que ele é alimentado. Não adianta as pessoas se convencerem que o lado da mudança é o esquerdo (como aconteceu na revolução burguesa da França), onde há um pensamento ilusório da igualdade que muitas vezes, vem com ídolos que ainda permeiam o pensamento da maioria. O pensamento do herói que salva o povo da opressão e do abandono, onde se nós seguirmos esse suposto “herói”, seremos libertados de um inimigo imaginário que o poder coloca dentro do seu discurso para exatamente, ter esse poder. Mas, muitas vezes, o oprimido que quer ser esse “herói” acaba sendo o opressor e ao longo da historia temos muitos exemplos, um deles foram os nazistas, os fascistas, os bolcheviques (após Lênin) e etc. Também não adianta se convencerem que o lado conservador é o lado da tradição familiar e religiosa que toda família deve seguir para ser felizes, vendendo a ideia de uma ilusória liberdade (temos liberdade de comprar o que quisermos dês de que tenhamos dinheiro para tal, que seria um tipo de prisão) e a ilusão que com isso a sociedade giraria a economia e despertaria maior investimento na área social. Nunca uma analise filosófica foi tão pobre do que essa, uma analise de quem não subiu ainda a montanha.

Ora, uma analise de verdade acontece dentro das milhares de premissas que ocorrem dentro da história da filosofia e ainda ocorre, que começou de onde viemos e foi parar como falamos e a importância da linguagem no discurso. Mas os antigos, nunca disseram que deveriam acabar com o mito e sim, entende-lo em sua geologia, entendendo onde ele começou e porque motivo existe. Quando Tales de Mileto disse que viemos da água, ele não acabou com o mito da criação do homem pelos deuses que eram complacentes conosco, ele fez entender que se tudo era úmido, então, nós viemos da água porque a água tinha importância para nossa vida. Mas também se repararmos bem aos fragmentos – não teremos nunca certeza se realmente ele quis dizer que tudo vinha da água – podemos remontar nossas atenções no lado simbólico que sempre a filosofia usou para explicar algo ou algum mito. Isso da quebra de mito veio com os iluministas que queriam tirar da Igreja Católica o posto da guardiã do pensamento ocidental, mas na verdade, foi um erro interpretativo. Estão colocaram tudo em volta da razão (logos) e se viciou em se dizer que a filosofia apareceu para destruir o mito. Na verdade, ela interpreta os símbolos que constrói esse mito, que ao invés de destruir o mito do deus Thor da mitologia nortica, por exemplo, ela analisa os elementos que construíram o mito do deus nórtico.


O filosofo Ghiraldelli fez escola e deixou seu legado que se você não concorda do pondo de vista do cidadão, isso é fácil de ver, o cidadão até te bloqueia. Porque não entende que na filosofia não existe um lado, tudo é feito do lado de fora do senso comum e nas variadas culturas se não, não haveríamos amar a sabedoria e procurar nosso objeto do amor. A transvaloração dos valores requer olhar o ser humano e sua cultura fora da cultura, imparcialmente e sem privilegiar um lado e sim transcender qualquer lado, um filosofo é um andarilho procurando a luz da sabedoria. 

domingo, junho 15, 2014

Copa das Coxinhas com catupiry ou com katshup?










Por Amauri Nolasco Sanches Junior


quando comecei a ler filosofia, me deparei com o principio socrático que deveríamos conhecer a si mesmo, porque só descobriríamos quem somos, conhecendo nossa própria natureza. Depois descobri que Sócrates de Atenas, tinha tomado emprestado a frase na entrada do Oráculo de Delfos que honrava o deus Apolo de Piton, que era o deus solar da morte súbita, das curas de doenças e pragas, também era o deus da harmonia, beleza e perfeição que assegurava o equilíbrio e a razão. Mas no Oraculo, chamava a atenção que dizia que quando conhecêssemos a nós mesmos, conheceríamos os deuses e o universo e por isso era tão importante. Conheceríamos nossa parte espiritual (deuses) e nossa parte material da terceira dimensão (universo) que nos fez existir e viver aqui nesse planeta e nesse momento. Depois eu li Heráclito de Éfeso que disse que tudo flui, não entramos na mesma água do rio duas vezes, porque o tempo vai mudando os fatos e os fatos não são eternos e nem as verdades são absolutas como disse Nietzsche muitos séculos após Heraclito, mas baseado nesse mesmo principio. Ora, se tudo flui e nada é absoluto e se nos conhecemos sabemos da nossa força e garra e conhecemos mais coisas que poderíamos conhecer, por que apoiar uma esquerda brasileira que se agarrou em estereótipos e uma direita que se agarrou em verdades absolutas?

Michel Foucault, grande nome da filosofia do século XX, disse que há uma figura dentro da normalidade – aquilo que se enfiou nas culturas ocidentais dês do século dezoito – em que aquilo que entra como aceitável dentro de um programa efetivo dentro de uma sociedade “governável”. É o que alguns vão chamar de sociedade padrão, um controle de comportamento onde o cidadão deve seguir, uma maquina óptica universal de controle humana. Isso se chama Panóptico e foi idealizado no século dezoito para criar uma imagem de ser humano que pudesse serem prisioneiros em delimitações morais e sociais, muitas vezes, levados ao interesses governamentais. Se repararmos bem – isso é uma visão muito acima daquilo que chamamos de direita ou esquerda – todas as ideologias foram formadas com base desse panóptico depois do século dezoito e isso, nenhum indivíduo que estude filosofia de verdade, pode negar. Por que isto? Porque para ser um cidadão respeitado, devemos saber todas as artimanhas de todo tipo para enxergar coisas que a sociedade determina como “certa”. Esse “certo” é sempre determinado com algum interesse daquilo que a sociedade determina diante da imagem que a informação procura mostrar, se mostrar que determinada pessoa não faz e não é o protótipo daquilo que a moral determina, ele é rejeitado como algo fora do normal. Mas essa informação sempre é dada para determinar esse tipo de fronteira entre um e outro e não a nos conhecer como ensinou a sabedoria antiga, porque o modo pós-moderno de pensamento, se conhecer é determinar o ultimo motivo de nossas vidas.

Não pararmos para olharmos nosso interior e olharmos aquela informação com um ar critico, não com um olhar dos valores que carregamos da ética e moral da cultura que vivemos ou pensamos ser verdade, mas com um olhar com que razão aquela informação nos é dada. Dai chegamos a nossa própria visão dos fatos que levaram aquela informação e o porque ela foi disseminada. Tudo nesse momento que vivemos aqui, é transformado em espetáculo porque sempre pende a um dos lados possíveis sendo ou de um lado, ou de outro e a analise sempre fica pobre e desqualificada. Quando falamos em vaias e xingamentos da presidenta Dilma Rousseff, não devem ser analisadas nem como um protesto da direita porque muitas vezes, varias vezes, muitos desses cidadãos votaram nela e ela é presidenta de toda a nação, queiramos ou não. Para entendemos melhor, vamos dizer que os cidadãos não respeitaram nada porque além das ideologias e opiniões, ela é a chefe de Estado e nada vai mudar isso (nas urnas isso deve ser mudado). Por outro lado, sem a menor duvida, é uma ação legitima e democrática, para expressar uma indignação daquilo que se viu em todo o tempo que a Copa foi preparada, onde escolas não foram construídas, hospitais não foram construídos, obras estão inacabadas, sempre visando o populismo flagrado e quase já engendrado na cultura sul americana. Porque nascemos da ganancia europeia e não temos uma cultura solida e ainda herdamos esse panóptico que o filosofo Foucault alertou no seculo passado.

O termo “coxinha” nasce de uma esquerda brasileira cheia de estereótipos infantis – concordo com Frei Beto quando diz que há cidadãos de esquerda e cidadãos esquerdistas, porque o esquerdista sempre é o cara que fica com “apelidos” igual que damos nas escolas e pode sim ser chamado de um discurso de uma sociedade padronizada na cultura esquerdista – que quer dizer (além daquilo que sabemos que eram os guardas que achavam que poderiam comer coxinha de graça), são pessoas que se fecham em uma ideia só, porque a coxinha não tem outro recheio a não ser aquele. Outra característica é que ele se fecha num mundo que acredita ser o que ele pensa ser justo, não o mundo que milhares de pessoas podem sentir outra coisa ou podem pensar outra coisa. Ora, se pensarmos nessa linha de raciocinio, todos tendem a isso e não só o indivíduo que é mimado, que o pai paga tudo, até tem uma certa consciência social, mas não quer perder a “boquinha” e sim, também o indivíduo que tem consciência social, mas inventa estereótipos diversos para desqualificar a discussão. Por isso inventei a designação de coxinha com catupiry (direitista) e a coxinha com katshup (esquerdista), mas tem o mesmo recheio de frango (interesses). Ou seja, os dois lados usam a sociedade padrão – a sociedade disciplinar – para moldar o que está em volga ideologicamente e o que está em voga o interesse onde esse panóptico leva o discurso e para onde a informação deve ir. Tudo isso sempre visando não olharmos dentro de si mesmos e isso, muito claramente, é levado a ser projetado dentro da religião e os meios para colocar o ser humano como servo (a vontade de sempre estar protegido por um pai) de um tutor que vai lhe dizer que você não é capaz de pensar ou agir por si mesmo. O comunismo e as ideologias desse tipo, também visam isso e colocam sempre o povo como um ser dependente do governo, como ele fosse um pai ou ideologias liberais, que você dependem das coisas. Sempre dependemos de algo e nunca vamos fazer algo porque sabemos que somos uma determinada maneira, ou por nossa própria vontade de fazer.

As pessoas sempre tendem a querer tutores como o filosofo Immanuel Kant disse num artigo dele, que as pessoas tem preguiça ou não querem sair da sua menoridade porque sempre querem ser tutorados. A menoridade, nesse caso, não é a idade e sim, o esclarecimento para sair desses tutores morais ou ideológicos. Esse fenômeno se dá no processo da dependência do ser humano – seja homem ou mulher – de um fator que possa tirar ele dessa situação, seja uma imagem divina, seja um herói ou uma ideologia politica, mas tenha um papel determinante em tudo aquilo que vai tira-lo, em tese, de sua pobreza. Por isso muitos ainda acreditam em religiões que prometem rios de coisas, porque a redenção de seus pecados – sempre o pecado é aquilo que a sociedade condena graças ao maquinario moral e cultural do ensino – e não mais, religa nós com seres ou o ser divino como eram as religiões do passado. Muitas delas, se capitalizaram com a promessa que todos vão ter o que querem quando se redimirem de seus pecados. Lembramos que o pecado é a imagem de tudo que o poder não pode enfrentar para dominar, porque se não for iliminada esses fatores, os fatores serão um “entrave”, um virus no corpo são. Por que temos que viver humildes e sempre aceitar as coisas que as pessoas (no caso o sacerdote) nos dizem? O mesmo ocorre dentro das ideologias politicas, você não pode sair do ensinamento que trazem a cartilha, você tem que seguir o estereótipo da esquerda quando quer uma mudança e tem que seguir o estereótipo da direita quando você não quer nenhuma mudança e é conservador. Mas e quando você não esta de acordo nem com as ideias de um ou com as ideias do outro? Muitos dizem serem anacocapitalistas (os libertários são chamados anarcocapitalistas, mas não tem nada a ver porque sua raiz é capitalista democrata), outros dizem ser apartidários, outros dizem serem pessoas que não se encontraram e outros ainda, chamam de coxinha enrustida. Sair da menoridade é olhar acima daquilo que nos é dito – talvez sem querer, o filosofo Nietzsche tenha sintetizado isso em sua filosofia de “olhar o ser humano em cima de uma montanha” - sempre olhando além dos símbolos que nos é ensinado.

Quando se olha acima de ideologias e das diversas religiões que nos cercam, levamos sempre o estereótipo de pessoas que não são serias, pessoas que só querem tumultuar e ficam desmoralizando nossas ideias como se elas não valessem. Mas são apenas imagens que nos querem colocar, porque saímos da realidade vedada daquilo que nos querem colocar como “verdades absolutas”. Não quero acreditar que há um trabalho social serio aqui, porque não adianta ter rendas inúmeras e não ter infraestrutura para usufruir dessa renda, não adianta o povo ter como comprar ou ter luz para usar, se a infraestrutura das hidroelétricas não aguentam. Não adianta meu Estado crescer e não ter água, não ter escolas, não ter hospitais, não ter casas para morar mesmo quando se quer pagar. A infraestrutura faz parte sim de um país e ela é sim social, a criminalidade está ai porque criamos um panóptico perigoso, porque botamos culpa na escolaridade (educação é o que aprendemos no berço), mas é a consciência social que é culpada, porque ensinamos aos jovens que o importante é o MEU. Aquele pai que buscou o filho na manifestação é a prova disso, o filho é MEU, o indivíduo é sustentado por mim e ele pertence a mim e não ao mundo e a ele próprio, porque essa é a ideia da escolaridade governamental, o filho pertence aqueles que os sustenta. Antes do império romano, os filhos já eram criados para serem cidadãos e não algo ou alguma coisa, a coisificação foi alastrada com o império romano. Mas que ficou mais acentuada com o capitalismo onde os burgos tomaram o poder e isso se enxerga muito quando um indivíduo “compra” a ideia da coisificação do individuo, a estatização começando no núcleo familiar. Começa com os pais dizendo ser MEU e depois o Estado dizendo ser NOSSO e não importa muito a ideologia, porque na essência é tudo o mesmo prognóstico. A coxinização não está apenas na direita conservadora que quer dinheiro a todo custo, é também da esquerda infantilizada (esquerdismo), que coloca um modelo que não deu certo como um modelo único e fica inventando termos e estereótipos inúmeros para desqualificar a discussão, porque não querem ver que o que está ai é muito longe do ideal.

Não temos que vaiar ou falar coisas improprias a dona presidenta, temos que não votar nos mesmos, porque ainda, estamos numa democracia. Mas votar não é uma partida de futebol que tem torcida e tudo, mas tem que ter uma consciência social, uma consciência que o indivíduo vai governar pela sociedade inteira de um Estado, cidade ou país. O resto, bem, o resto é só a humanidade.

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