Uma das inúmeras coisas que preso é a honestidade em
todos os aspectos. A honestidade intelectual tem que ser imprescindível para
sermos livres e porque não, sermos críticos dentro de valores que nos foram
passados e não nossos próprios valores ou outro tipo de valor, que nos foi passado
como ovelhas indo para a tosagem de suas idéias. Sinceramente não vejo aqui
idéias que podemos dizer, serem originais ou serem de espontânea vontade,
coisas de país da America latina. Não vejo nomes como Caetano Veloso, Gilberto
Gil ou outros como intelectuais, mas apenas é o despojo de um tempo que não
existe mais e não vai voltar que foi o militarismo. Não se demarca onde começa
o seu pensamento e onde começa o pensamento do outrem.
Você deve me estar perguntando: ta Amauri, mas onde
você quer chegar? Calma! Eu vou explicar. No ultimo domingo dia 30 de março eu
e meu amor, minha noiva, fomos a Casa das Rosas no centro de São Paulo. Seria
um local onde é exposto varias manifestações culturais (o velho casarão é
herança do tempo que a Avenida Paulista tinha seu “glamour” e não era só um
centro financeiro e comercial e talvez por isso, há esse intuito, trazer arte e
conhecimento). Lá existe um jardim que só encontra rosas e isso, dês quando
tinha seus donos, a casa é conhecida como a Casa das Rosas. Ora, você fica
pensando que se um lugar feito para cultura (arte plásticas, literatura, obras
de arte e etc), só pode ter pessoas que detém um certo conhecimento, um certo esclarecimento.
Nessa ultima vez não foi assim que enxerguei isso, pois numa casa que deveria
prezar pela igualdade e pelo esclarecimento não soube fazer isso e não soube
tratar duas pessoas com deficiência com dignidade e respeito que merecem ter.
Mas temos uma imagem de pessoas ingênuas, pessoas que não sabemos o que falamos
ou pensamos, somos doentes e não precisamos de cultura e conhecimento,
precisamos de compaixão da elite intelectual que pode doar dinheiro, mas não
doa dignidade, não doam respeito, não doam uma educação exemplar. Não deixaram
entrar no evento, não deixaram assistirmos algo que era feito para o
conhecimento, era feito para a arte de libertar o ser humano da sua misera
pequenez. Mas como disse Jesus, um cego não pode guiar outro cego, pessoas que
são condicionadas a uma cultura pobre, mesquinha, uma arcaica cultura que tem
seus valores dos fracos, dos que quiseram inverter as classes nobres para as
classes baixas do espírito humano. A mesquinharia cultural já começa quando são
barradas biografias, barradas musicas piratas, livros e outros meios para
esclarecer o ser humano e tira-lo de sua minoridade. Onde partiu essa ordem de
não deixar entrar? De onde teve a idéia que não poderíamos entrar no evento?
Dos próprios produtores que deveriam ser esclarecidos e não o são, não são
“livres” de qualquer preconceito. Vale lembrar que tanto a aristocracia
nazista, tanto o comando nazista, era feito de homens cultos que eram polidos,
ao mesmo tempo que escutavam sinfonias de Strauss ou Mozart, mandavam matar
cruelmente todos que “achavam” fora do seu Reich.
Se não basta-se esse vergonhoso episodio de
preconceito – além de ficarem incomodados por causa das risadas que dávamos por
estarmos conversando na varanda do casarão – ainda uns desses produtores que
deve ter estudado na USP ou na PUC, falando ao telefone com outro
intelectualóide de produções do tipo “Malhação” confundiu liberdade com transvaloração dos valores morais em querer
mesclar Nietzsche e o cantor Marcelo D2 (ele disse produções dos estúdios do
Wall Disney, mas fiquei tão estarrecido, que essa parte eu descartei). Sério!
Fiquei com medo o que estão fazendo com a elite intelectual nesse pais “a lá
mode” mister Malhação. Todo mundo
sabe que o Marcelo D2 começou sua carreira na banda Planet Hemp (Planeta
Maconha) que era a favor da legalização da maconha e que cantava musicas a
favor das pessoas fumarem seus baseados sem forem presas. Mas há por trás disso
uma ideologia – mesmo a grande massa não esteja vendo – que ainda reflete uma
valorização dos valores que são importantes ao poder. Por quê? Porque não importa muito se a
ideologia é de esquerda ou ideologia é de direita criada na Queda da Bastilha,
mas que sempre há interesse de quem detém o poder sempre quer mante-lo. Nietzsche nunca iria aceitar
esse tipo de mescla porque a liberdade era algo que tinha que vim das
transvaloração dos valores, a destruição de tudo que era tido como sagrado e
humano. O universal tem que ser destruído, porque a mudança se deve de dentro
para fora, um ir além de conceitos que colocam o ser humano a completa
escravidão. Para o filosofo existe a moral escrava, uma moral que colocou tudo
que é inferior (o homem bom é o homem humilde, inofensivo, fácil de enganar), a
moral dos senhores, que só tem deveres com seus semelhantes e assim estar acima
do bem e do mal. O “mau” foi colocado como um sinônimo do medo. Esse medo iria fazer
os fracos, ressentidos, a classe escrava dominar pela ideologia e pelo
pensamento cristão, onde Nietzsche, coloca como platonismo para o povo. Não é
muito diferente do socialismo, da ideologia do rebanho, onde nada diferencia
porque coloca todas as almas em pé de igualdade. O mesmo “ismo” escondido nas
musicas do D2 – que podemos até fazer uma ligação com a esquerda brasileira –
são dos ressentidos que não podem destruir com a força e querem destruir pela
apologia, se esconder atrás de algo para se elevar, algo sintético, algo
artificial dentro da demanda popular dos valores sufocantes. Para Nietzsche,
não havia uma ideologia igualitária, mas algo alem dos valores impostos, algo
além da moral dos escravos.
Marcelo D2 defende a liberdade de usar um
entorpecente, algo que pensa ser a liberdade para fazer a sua vontade, mas é um
incentivo a ficar entorpecido com valores escravos dominam e os políticos,
detectores de toda gama de conhecimento, domine. A dominação começa quando nos
alienamos de um estado, porque você fumar uma maconha, está fugindo do seu
próprio sentimento perante o mundo. O mundo nos frustra e não tentamos superar
essa frustração com meios mais conscientes, porque queremos formas de nos ater
em uma inconsciência que sé o instinto e não pode ser aberta com uso de drogas,
por outro lado, o uso dessas substancias nos anos 60 e 70 do século passado tinha
outra conotação, tinha outro simbolismo e tinha outro momento de ativar o
subconsciente (que se provou perigoso por vários autores). Lógico que podemos
ampliar a discussão dizendo que o cânhamo, tem recomendação medicinal em
algumas doenças, mas a questão levantada é sobre a liberdade, porque no Brasil
a liberdade é atrelada ao moralismo e até ao amoralismo. Para entender
Nietzsche temos que nos perguntar de onde veio a moral, onde veio esses valores
que nos cercam e fazer uma leitura subjetiva da coisa. Vejamos um exemplo
tirado das próprias musicas do cantor, sendo que ele diz “fumar tudo até a
ultima ponta”. A frase certa seria
“continuo fumando até a última ponta” mostrando que se pode apontar que ele,
não iria parar de fumar o seu cigarro de maconha.
Esse “fumar” ele já contem um objeto para um objetivo,
seja ele de se entorpecer que não deixa de ser um direito, mas esse objeto é
externo e é um valor ainda da classe dos fracos porque eles dizem ser “mau” e
quando isso acontece, ainda temos esses valores. Nietzsche diria para olharmos a humanidade em
cima de uma montanha, acima dos preceitos morais que o cristianismo estabeleceu
como verdades absolutas. Aliás, existe uma frase dele que diz que não existem
fatos eternos e nem verdades absolutas, pois as verdades são dissolvidas quando
outras surgem e não existe fatos eternos, porque tudo muda, tudo depende do
devir. Nietzsche era adepto a filosofia de Heráclito, tudo flui, não entramos
na mesma água duas vezes em um rio. Ele gostava dos pré-socráticos, porque não eram
atrelados ao além e deixar a vida, porque a vida deve ser vivida como se
Dionísio bebesse seu vinho e tocasse sua flauta..não, não é essa liberdade que
estamos falando porque o cantor é das classe dos ressentidos, da classe dos que
ainda estão atrelados ao senso comum. O “fumar” é uma subversão dos fracos
porque mostra na crença popular que tenho que rejeitar, tenho que aceitar essa dominação aceitando
seus valores. O “fumar até a ultima ponta” é o intuito cativar o ressentimento
de ser pobre, o ressentimento que levará o pensamento que não vou estudar
porque não quero ser um dominador, mas já é um dominador. Quebrando os valores,
se criam outros valores em cima desses valores e não se elimina, só encobre o
que já é um ressentimento. Por que essa
comparação entre “fumar” e as crenças cristãs vigentes? Porque o ato de “fumar
uma” é um ato de procurar algo para superar uma insignificância que a moral
cristã adjetivou como um comportamento mau, um comportamento perverso que
coloca o ser humano a acabar com seu corpo. Outra coisa, tem aqueles mitos que
essas pessoas não prestam, que essas pessoas não são “direitas” e por ai vai.
Por outro lado, essas pessoas dizem que são renegadas, que são excluídas, que
são marginalizadas, mas o ato lhe colocam a marginalidade dos seus próprios
conceitos. Nietzsche não concordou com isso porque era uma idéia concedida
ainda na idéia e no moralismo cristão, tanto é assim que se fomos analisar, o
socialismo, anarquismo, comunismo e até mesmo a democracia como regimes
igualitários (mesmo o nazismo e o fascismo) tem suas bases totalmente cristãs e
não é a toa, que ataca Kant e Rousseau.
Kant com seu imperativo categórico não é diferente das
premissas cristãs, porque a bondade depende de nosso comportamento, depende do
nosso dizer. Não passa de uma lógica diria Nietzsche, a vida não é para ser
pensada, ela deve ser vivida e a vida que se molda, não é vida porque se
programa, você automatiza essa vida. Tudo que é orgânico é vida, tudo que é
vida é importante, é a solução de sermos livres sem se amarrar em conceitos
morais. Espíritos nobres não precisam de igualdade e sim, sabem quem precisa
sem “muletas” morais para lhe mostrarem, o espírito dos gregos antigos sabiam
dessa regra e tinham essa consciência, porque cada um sabia seu oficio, cada
homem sabia seu lugar. Rousseau colocou que todo mundo poderia ser igual, todas
as propriedades eram humanas e que a democracia era um regime igualitário, onde
a comunidade tinha que ser igual, tinha que ser bom, mas esse bom era o bom dos
ressentidos, dos fracos, mas existe outro “bom”, o bom nobre que se poderia
chamar de guerreiro, forte, justo que é da categoria dos nobres de espírito. A
bondade de Nietzsche é a bondade nobre, a bondade do poderoso que sabe onde
defender, sabe onde estar quem realmente precisa porque não há nele aquele
ressentimento. A democracia nietzschiana seria a democracia nobre, verdadeira,
porque o ser humano conheceu a si e provou a vontade da potencia ao maximo, ele
é nobre porque ele sabe quando falar, sabe o que pensar e sabe como agir. Há um
erro em achar que Nietzsche defendia a aristocracia, mas não era a aristocracia
monetária que ele dizia e sim, a aristocracia do nobre que tem a moral da
nobreza espiritual, a nobreza que faz o ser humano superar as mazelas, a
moralidade dos ressentidos. Ele explica nesse parágrafo:
“Se o oprimido, aquele que sofre, perdesse a crença em seu direito de
desprezar a vontade de potência, sua situação seria de desespero. Para que isso
fosse assim, seria necessário que este gesto fosse essencial à vida e que se
pudesse demonstrar que, na vontade moral, a “vontade de potência” foi apenas
dissimulada, e que esse ódio e esse desprezo nada mais são que manifestações
daquela. O oprimido compreenderia que se encontra no mesmo terreno que o
opressor e que não possui privilégio nem categoria superior sobre este.” (Ibidem. O Niilismo Europeu. p. 7)
A Vontade
da Potencia de Nietzsche é o desprezo de tudo que é fraco e esse parágrafo mostra
que os ressentidos esquecem essa vontade, esquecem que atrás dessa moral dos
escravos, existe uma moral muito mais dinâmica, alegre, forte. No ultimo parágrafo
da sentença, Nietzsche diz: “O oprimido compreenderia que se encontra no mesmo
terreno que o opressor e que não possui privilégio nem categoria superior sobre
este.”. É o que a classe politicamente correta não entende não se tem
nenhum privilégio sobre o nobre porque todos são humanos, todos tem a mesma moral,
mas o nobre faz de sua moral muito mais no foco. Qual o foco? O foco é a moral
nobre, aquela que sabe onde agir e para quem agir, a moral de rebanho, a moral
daqueles que não precisam de nada para lembrá-los. Ainda nossos intelectuais
atrelados na filosofia marxista-rousseauniana, da igualdade de todos os povos
(antropologicamente é provado que cada cultura tem seu viés), ficam atrelados
em mazelas que o justo “seria”, mas o justo não “é”. No próprio universo é
assim, na natureza é assim, a igualdade faz do conceito nobre algo ruim e sai
perolas como o funk carioca que nada mais é que a síntese da moral de rebanho, a
síntese daquilo que chamamos de perversão, mas nada é do que o inverso de uma
moral judaico-cristã e ainda, atrelado nela. Por que? Porque tudo que
combatemos acreditamos, mas tudo que não combatemos não acreditamos porque
desprezamos. Não é a toa que Nietzsche diz no final do prefacio do Anticristo: “Muito
bem! Apenas esses são meus leitores, meus verdadeiros leitores, meus leitores
predestinados: que importância tem o resto? – O resto é somente a humanidade. –
É preciso tornar-se superior à humanidade em poder, em grandeza de alma – em
desprezo...”. O desprezo aquilo que é humano, pouco nobre, pouco a vida orgânica,
pouco o que nos faz os instintos de trazer a verdadeira sina do ser humano.
Portanto, não
se pode fazer essa mescla porque vão tentar misturar água e vinagre, pois, água
e vinagre não se misturam. O D2 e Nietzsche são antônimos.
Amauri Nolasco Sanches Junior - filosofo

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