segunda-feira, abril 07, 2014

Os intelectuais presos, escritos para espíritos livres! Entre Nietzsche e Marcelo D2






Uma das inúmeras coisas que preso é a honestidade em todos os aspectos. A honestidade intelectual tem que ser imprescindível para sermos livres e porque não, sermos críticos dentro de valores que nos foram passados e não nossos próprios valores ou outro tipo de valor, que nos foi passado como ovelhas indo para a tosagem de suas idéias. Sinceramente não vejo aqui idéias que podemos dizer, serem originais ou serem de espontânea vontade, coisas de país da America latina. Não vejo nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil ou outros como intelectuais, mas apenas é o despojo de um tempo que não existe mais e não vai voltar que foi o militarismo. Não se demarca onde começa o seu pensamento e onde começa o pensamento do outrem.

Você deve me estar perguntando: ta Amauri, mas onde você quer chegar? Calma! Eu vou explicar. No ultimo domingo dia 30 de março eu e meu amor, minha noiva, fomos a Casa das Rosas no centro de São Paulo. Seria um local onde é exposto varias manifestações culturais (o velho casarão é herança do tempo que a Avenida Paulista tinha seu “glamour” e não era só um centro financeiro e comercial e talvez por isso, há esse intuito, trazer arte e conhecimento). Lá existe um jardim que só encontra rosas e isso, dês quando tinha seus donos, a casa é conhecida como a Casa das Rosas. Ora, você fica pensando que se um lugar feito para cultura (arte plásticas, literatura, obras de arte e etc), só pode ter pessoas que detém um certo conhecimento, um certo esclarecimento. Nessa ultima vez não foi assim que enxerguei isso, pois numa casa que deveria prezar pela igualdade e pelo esclarecimento não soube fazer isso e não soube tratar duas pessoas com deficiência com dignidade e respeito que merecem ter. Mas temos uma imagem de pessoas ingênuas, pessoas que não sabemos o que falamos ou pensamos, somos doentes e não precisamos de cultura e conhecimento, precisamos de compaixão da elite intelectual que pode doar dinheiro, mas não doa dignidade, não doam respeito, não doam uma educação exemplar. Não deixaram entrar no evento, não deixaram assistirmos algo que era feito para o conhecimento, era feito para a arte de libertar o ser humano da sua misera pequenez. Mas como disse Jesus, um cego não pode guiar outro cego, pessoas que são condicionadas a uma cultura pobre, mesquinha, uma arcaica cultura que tem seus valores dos fracos, dos que quiseram inverter as classes nobres para as classes baixas do espírito humano. A mesquinharia cultural já começa quando são barradas biografias, barradas musicas piratas, livros e outros meios para esclarecer o ser humano e tira-lo de sua minoridade. Onde partiu essa ordem de não deixar entrar? De onde teve a idéia que não poderíamos entrar no evento? Dos próprios produtores que deveriam ser esclarecidos e não o são, não são “livres” de qualquer preconceito. Vale lembrar que tanto a aristocracia nazista, tanto o comando nazista, era feito de homens cultos que eram polidos, ao mesmo tempo que escutavam sinfonias de Strauss ou Mozart, mandavam matar cruelmente todos que “achavam” fora do seu Reich.

Se não basta-se esse vergonhoso episodio de preconceito – além de ficarem incomodados por causa das risadas que dávamos por estarmos conversando na varanda do casarão – ainda uns desses produtores que deve ter estudado na USP ou na PUC, falando ao telefone com outro intelectualóide de produções do tipo “Malhação” confundiu liberdade com  transvaloração dos valores morais em querer mesclar Nietzsche e o cantor Marcelo D2 (ele disse produções dos estúdios do Wall Disney, mas fiquei tão estarrecido, que essa parte eu descartei). Sério! Fiquei com medo o que estão fazendo com a elite intelectual nesse pais “a lá mode” mister Malhação. Todo mundo sabe que o Marcelo D2 começou sua carreira na banda Planet Hemp (Planeta Maconha) que era a favor da legalização da maconha e que cantava musicas a favor das pessoas fumarem seus baseados sem forem presas. Mas há por trás disso uma ideologia – mesmo a grande massa não esteja vendo – que ainda reflete uma valorização dos valores que são importantes ao poder.  Por quê? Porque não importa muito se a ideologia é de esquerda ou ideologia é de direita criada na Queda da Bastilha, mas que sempre há interesse de quem detém o poder sempre  quer mante-lo. Nietzsche nunca iria aceitar esse tipo de mescla porque a liberdade era algo que tinha que vim das transvaloração dos valores, a destruição de tudo que era tido como sagrado e humano. O universal tem que ser destruído, porque a mudança se deve de dentro para fora, um ir além de conceitos que colocam o ser humano a completa escravidão. Para o filosofo existe a moral escrava, uma moral que colocou tudo que é inferior (o homem bom é o homem humilde, inofensivo, fácil de enganar), a moral dos senhores, que só tem deveres com seus semelhantes e assim estar acima do bem e do mal. O “mau” foi colocado como um sinônimo do medo. Esse medo iria fazer os fracos, ressentidos, a classe escrava dominar pela ideologia e pelo pensamento cristão, onde Nietzsche, coloca como platonismo para o povo. Não é muito diferente do socialismo, da ideologia do rebanho, onde nada diferencia porque coloca todas as almas em pé de igualdade. O mesmo “ismo” escondido nas musicas do D2 – que podemos até fazer uma ligação com a esquerda brasileira – são dos ressentidos que não podem destruir com a força e querem destruir pela apologia, se esconder atrás de algo para se elevar, algo sintético, algo artificial dentro da demanda popular dos valores sufocantes. Para Nietzsche, não havia uma ideologia igualitária, mas algo alem dos valores impostos, algo além da moral dos escravos.

Marcelo D2 defende a liberdade de usar um entorpecente, algo que pensa ser a liberdade para fazer a sua vontade, mas é um incentivo a ficar entorpecido com valores escravos dominam e os políticos, detectores de toda gama de conhecimento, domine. A dominação começa quando nos alienamos de um estado, porque você fumar uma maconha, está fugindo do seu próprio sentimento perante o mundo. O mundo nos frustra e não tentamos superar essa frustração com meios mais conscientes, porque queremos formas de nos ater em uma inconsciência que sé o instinto e não pode ser aberta com uso de drogas, por outro lado, o uso dessas substancias nos anos 60 e 70 do século passado tinha outra conotação, tinha outro simbolismo e tinha outro momento de ativar o subconsciente (que se provou perigoso por vários autores). Lógico que podemos ampliar a discussão dizendo que o cânhamo, tem recomendação medicinal em algumas doenças, mas a questão levantada é sobre a liberdade, porque no Brasil a liberdade é atrelada ao moralismo e até ao amoralismo. Para entender Nietzsche temos que nos perguntar de onde veio a moral, onde veio esses valores que nos cercam e fazer uma leitura subjetiva da coisa. Vejamos um exemplo tirado das próprias musicas do cantor, sendo que ele diz “fumar tudo até a ultima ponta”.  A frase certa seria “continuo fumando até a última ponta” mostrando que se pode apontar que ele, não iria parar de fumar o seu cigarro de maconha.

Esse “fumar” ele já contem um objeto para um objetivo, seja ele de se entorpecer que não deixa de ser um direito, mas esse objeto é externo e é um valor ainda da classe dos fracos porque eles dizem ser “mau” e quando isso acontece, ainda temos esses valores.  Nietzsche diria para olharmos a humanidade em cima de uma montanha, acima dos preceitos morais que o cristianismo estabeleceu como verdades absolutas. Aliás, existe uma frase dele que diz que não existem fatos eternos e nem verdades absolutas, pois as verdades são dissolvidas quando outras surgem e não existe fatos eternos, porque tudo muda, tudo depende do devir. Nietzsche era adepto a filosofia de Heráclito, tudo flui, não entramos na mesma água duas vezes em um rio. Ele gostava dos pré-socráticos, porque não eram atrelados ao além e deixar a vida, porque a vida deve ser vivida como se Dionísio bebesse seu vinho e tocasse sua flauta..não, não é essa liberdade que estamos falando porque o cantor é das classe dos ressentidos, da classe dos que ainda estão atrelados ao senso comum. O “fumar” é uma subversão dos fracos porque mostra na crença popular que tenho que rejeitar,  tenho que aceitar essa dominação aceitando seus valores. O “fumar até a ultima ponta” é o intuito cativar o ressentimento de ser pobre, o ressentimento que levará o pensamento que não vou estudar porque não quero ser um dominador, mas já é um dominador. Quebrando os valores, se criam outros valores em cima desses valores e não se elimina, só encobre o que já é um ressentimento.  Por que essa comparação entre “fumar” e as crenças cristãs vigentes? Porque o ato de “fumar uma” é um ato de procurar algo para superar uma insignificância que a moral cristã adjetivou como um comportamento mau, um comportamento perverso que coloca o ser humano a acabar com seu corpo. Outra coisa, tem aqueles mitos que essas pessoas não prestam, que essas pessoas não são “direitas” e por ai vai. Por outro lado, essas pessoas dizem que são renegadas, que são excluídas, que são marginalizadas, mas o ato lhe colocam a marginalidade dos seus próprios conceitos. Nietzsche não concordou com isso porque era uma idéia concedida ainda na idéia e no moralismo cristão, tanto é assim que se fomos analisar, o socialismo, anarquismo, comunismo e até mesmo a democracia como regimes igualitários (mesmo o nazismo e o fascismo) tem suas bases totalmente cristãs e não é a toa, que ataca Kant e Rousseau.  


Kant com seu imperativo categórico não é diferente das premissas cristãs, porque a bondade depende de nosso comportamento, depende do nosso dizer. Não passa de uma lógica diria Nietzsche, a vida não é para ser pensada, ela deve ser vivida e a vida que se molda, não é vida porque se programa, você automatiza essa vida. Tudo que é orgânico é vida, tudo que é vida é importante, é a solução de sermos livres sem se amarrar em conceitos morais. Espíritos nobres não precisam de igualdade e sim, sabem quem precisa sem “muletas” morais para lhe mostrarem, o espírito dos gregos antigos sabiam dessa regra e tinham essa consciência, porque cada um sabia seu oficio, cada homem sabia seu lugar. Rousseau colocou que todo mundo poderia ser igual, todas as propriedades eram humanas e que a democracia era um regime igualitário, onde a comunidade tinha que ser igual, tinha que ser bom, mas esse bom era o bom dos ressentidos, dos fracos, mas existe outro “bom”, o bom nobre que se poderia chamar de guerreiro, forte, justo que é da categoria dos nobres de espírito. A bondade de Nietzsche é a bondade nobre, a bondade do poderoso que sabe onde defender, sabe onde estar quem realmente precisa porque não há nele aquele ressentimento. A democracia nietzschiana seria a democracia nobre, verdadeira, porque o ser humano conheceu a si e provou a vontade da potencia ao maximo, ele é nobre porque ele sabe quando falar, sabe o que pensar e sabe como agir. Há um erro em achar que Nietzsche defendia a aristocracia, mas não era a aristocracia monetária que ele dizia e sim, a aristocracia do nobre que tem a moral da nobreza espiritual, a nobreza que faz o ser humano superar as mazelas, a moralidade dos ressentidos. Ele explica nesse parágrafo:

 “Se o oprimido, aquele que sofre, perdesse a crença em seu direito de desprezar a vontade de potência, sua situação seria de desespero. Para que isso fosse assim, seria necessário que este gesto fosse essencial à vida e que se pudesse demonstrar que, na vontade moral, a “vontade de potência” foi apenas dissimulada, e que esse ódio e esse desprezo nada mais são que manifestações daquela. O oprimido compreenderia que se encontra no mesmo terreno que o opressor e que não possui privilégio nem categoria superior sobre este.” (Ibidem. O Niilismo Europeu. p. 7)


A Vontade da Potencia de Nietzsche é o desprezo de tudo que é fraco e esse parágrafo mostra que os ressentidos esquecem essa vontade, esquecem que atrás dessa moral dos escravos, existe uma moral muito mais dinâmica, alegre, forte. No ultimo parágrafo da sentença, Nietzsche diz: “O oprimido compreenderia que se encontra no mesmo terreno que o opressor e que não possui privilégio nem categoria superior sobre este.”. É o que a classe politicamente correta não entende não se tem nenhum privilégio sobre o nobre porque todos são humanos, todos tem a mesma moral, mas o nobre faz de sua moral muito mais no foco. Qual o foco? O foco é a moral nobre, aquela que sabe onde agir e para quem agir, a moral de rebanho, a moral daqueles que não precisam de nada para lembrá-los. Ainda nossos intelectuais atrelados na filosofia marxista-rousseauniana, da igualdade de todos os povos (antropologicamente é provado que cada cultura tem seu viés), ficam atrelados em mazelas que o justo “seria”, mas o justo não “é”. No próprio universo é assim, na natureza é assim, a igualdade faz do conceito nobre algo ruim e sai perolas como o funk carioca que nada mais é que a síntese da moral de rebanho, a síntese daquilo que chamamos de perversão, mas nada é do que o inverso de uma moral judaico-cristã e ainda, atrelado nela. Por que? Porque tudo que combatemos acreditamos, mas tudo que não combatemos não acreditamos porque desprezamos. Não é a toa que Nietzsche diz no final do prefacio do Anticristo: “Muito bem! Apenas esses são meus leitores, meus verdadeiros leitores, meus leitores predestinados: que importância tem o resto? – O resto é somente a humanidade. – É preciso tornar-se superior à humanidade em poder, em grandeza de alma – em desprezo...”. O desprezo aquilo que é humano, pouco nobre, pouco a vida orgânica, pouco o que nos faz os instintos de trazer a verdadeira sina do ser humano.


Portanto, não se pode fazer essa mescla porque vão tentar misturar água e vinagre, pois, água e vinagre não se misturam. O D2 e Nietzsche são antônimos. 

Amauri Nolasco Sanches Junior - filosofo 



Do Berço Para A Escravidão

Dois mil anos gordos como maníacos
Despojaram nossa sepultura conjunta
Agora que segunda vinda necrófaga volta
Do berço para a escravidão?

Constelações crescentes
Pregam os cintos que açoita o céu
Enquanto a lua amarga de inverno
Ronda a nuvem, olhos mortos
Como a carne instável da mãe
Sob o matricídio de seda

Atenta enquanto ela estava no éden
Onde cada roseira e pomar ela eliminou
Escondeu o assobio de uma serpente libido
Num antigo encontro com a catástrofe
Para ser guardado em breve

Ouvir aquele assobio agora na brisa
Como através dos bosques pilhados do jardim carnal
Uma nova golpes de terror mas dez bilhões de almas
São cegos para ver a madeira podre para as árvores

Esse é um tema para um armagedon melhor
Acordes noturnos varrem os céus
Pandemônio

E para que servem as preces para aquele deus?
Enquanto o diabo late o consenso para o espaço para mijar
Na fé que queima
E no rosto em decomposição
Deste mundo que há muito tempo é um paraíso perdido

Este é o fim de tudo
Ouvir o chora crescente de que uma nova aurora porão

Dança macabra embaixo da luta do zodíaco
Agora estrelas mais brilhantes refletirão no nosso destino
Que natividades doentes serão libertadas quando aquelas luzes queimarem preto?
O lado escuro do espelho sempre jogou nossa maldade de volta

Eu vejo a serpente nos seus olhos
A natureza da besta enquanto as revelações chegam

Nossos gritos alcançarão os anjos
Para que aqueles condenados nas chamas repaguem
Todos os pecadores perdem seu destino no dia do julgamento
Nós devíamos ter partido no calvário
Mas nossos corações como cruzes pesadas guardaram a crença inútil
Salvação, como uma nação prometida
Brilhou uma exigência...

Este é o fim de tudo o que você conheceu
Enterrada como razão derrotada
A morte é estação
Dirija como a neve errante

Paz, uma amante frágil, deixou-nos fantasiando a guerra
De joelhos ou outra maldita praia
Saudando carne nova
Leu, depois rugiu
Para uma cruz corrompida e uma causa sagrada
Que mais será chicoteado para o frenesi?

Este é o fim de tudo
Crie as tragédias
Que o serafim cantará

Velhos adversários
Ao lado da eva
Agora eles estão arranhando de volta
Eu sinto o cheiro do orgasmo deles
Através de vidraças de carne cobertas de teia
Guiados pela morte grisalha
Eles nunca partiram
Sonhando com sodomias
Para impressionar o fracasso humano
Quando nós sangramos nos nossos joelhos

Tablaturas de lei do cascalho
Verão gehennah pavimentada
Quando os impérios caem
E os pesadelos rastejam
Do berço até a escravidão

Esse é o fim de tudo


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