
Amauri Nolasco Sanches Junior
Nada pior do que o povo demagogo e
hipócrita. Duvido se esse povo que crítica o papa não ia fazer a
mesma coisa ou muito pior, porque sei muito bem, que esse povo tem
orgasmos quando tem sangue. Só olhar os acidentes que acontecem nas
estradas ou em qualquer rua, as pessoas diminuem para ver os corpos,
o sangue e tudo mais. Lembro que quando os membros da banda Mamonas
Assassinas, morreram num acidente aéreo, todo mundo comprou a
revista que mostrava fotos deles. Esse papo que o povo gosta de
coisas bonitas é mentira, pessoas gostam de sangue, traição e
tragédia. As musicas cafonas trágicas, não me deixam mentir.
Porém, quem acha que a grande maioria gosta de paz e um mundo
cor-de-rosa, ou é um idiota que acredita em mundo melhor, ou é um
canalha que usa isso para beneficio próprio.
Eu escrevi as nuances dos fatos AQUI
(se você não abrir o link, não vai entender bulufas do que estou
falando), por isso aqui minha preocupação é totalmente, moral. Na
verdade, se fomos bem no cerne do problema, há um paradoxo
politicamente correto. Se por um lado o Papa agrediu a mulher (para
mim foi um ato de defesa) dando dois tapas na mão dela, por outro
lado, a mulher puxou o braço de um idoso de 83 anos de idade, que
pode sim, se considerado uma agressão. Temos aqui uma mulher que
levou dois tapas em sua mão por não querer largar Francisco, por
outro lado, temos um idoso sendo puxado por uma mulher bem mais jovem
do que ele e que, facilmente, poderia deslocar sua clavícula. Aqui o
errado sempre é o herói e nunca o bandido, afinal, vilão sofreu
na vida e não teve oportunidade de sr nenhum herói. Mas, nesse caso
específico, quem é o herói e quem é o bandido? O problema é o
maniqueísmo que herdamos e que faz a cultura ocidental sempre ver as
coisas entre o bem e o mal. Por outro lado, arrisco dizer que nossa
sociedade sempre foi assim, desde muito tempo atrás, muito mais
tempo do que o maniqueísmo.
Na própria bíblia há sempre o ato
maléfico que é tomado com uma vingança como ato benéfico, como se
o ato de matar inocentes se neutralizasse a partir do momento que
aquilo fosse um ato divino (ou algo que foi atribuído a Ele). Por
outro lado, estamos numa sociedade relativista que não sabe se
decidir em nada, se gosta de tudo, segue religiões por modinha
(chamo de espiritualidade Feed Food), e nem sabe decidir pela comida
que quer comer. Não sabem que se você ouve todas as musicas do
universo, você acaba não gostando de nada. Se você segue uma
religião porque todo mundo segue ou para pedir algo para você, você
não está religando nada ao divino. Essa praga do politicamente
correto relativizou tudo, tirou nossa liberdade de dizer as coisas
como elas são, tirou a liberdade democrática.
Nessa discussão eu fico com
Sócrates e com Platão, que entre o bem e o mal só há, na verdade,
o conhecimento e a ignorância. Quanto menos as pessoas conhecer e
estudam, muito mais elas acreditam em milagres, porque elas não
conhecem o poder que tem, mesmo em alguns casos, tenham pessoas que
conhecer e ainda acreditam nesses milagres. Uma vez uma amiga,
conversando na van voltando de um lugar, perguntou para mim se uma
rosa nascesse em um muro se aquilo seria um milagre. Eu disse que
seria uma semente que caiu de um bico de um passarinho ou dos pelos
de uma abelha (sim, abelhas tem pelinhos), que encontrou condições
de geminar e nasceu a rosa em um muro por causa disse. Anos depois —
porque ela era católica — minha amiga me disse que eu tinha
abalado a fé dela. A questão é: será que ela não estava com sua
fé abalada já com essa pergunta? Ou eu implantei a sementinha
questionadora da realidade nela? Talvez sim, talvez não. As
universidades trazem um pouco a realidade objetiva nas pessoas e a
crença pela crença sempre é abalada. Católicos ou evangélicos
começam a questionar algumas coisas quando estudam, ou não. Aqueles
que não, são as pessoas que tem certeza do que acreditam.
Meu avô tinha uma fé grande na
igreja católica e toda as noites de natal não ia dormir sem ver a
missa do galo, minha avó que era evangélica ficava assistindo
também, as vezes. Mas, os dois oravam ou rezavam juntos todas as
noites juntos, cada um a sua maneira particular. O que eu quero dizer
com isso? As pessoas ficam sempre preocupadas no que as outras vão
dizer ou que em algum momento, o universo está lhe olhando para
saber o que estão fazendo. Mas, o universo está pouco ligando para
você. Aliás, existem pessoas que são tão arrogantes, que querem
definir o que Deus pensa e o que ele deve fazer com os outros. Já li
até mesmo expressões como “meus jesus”, mostrando que a maioria
da cristandade se esqueceu do Eclesiastes.
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