quinta-feira, janeiro 02, 2020

Deixa o Papa Francisco em paz, você faria igual



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Amauri Nolasco Sanches Junior


Nada pior do que o povo demagogo e hipócrita. Duvido se esse povo que crítica o papa não ia fazer a mesma coisa ou muito pior, porque sei muito bem, que esse povo tem orgasmos quando tem sangue. Só olhar os acidentes que acontecem nas estradas ou em qualquer rua, as pessoas diminuem para ver os corpos, o sangue e tudo mais. Lembro que quando os membros da banda Mamonas Assassinas, morreram num acidente aéreo, todo mundo comprou a revista que mostrava fotos deles. Esse papo que o povo gosta de coisas bonitas é mentira, pessoas gostam de sangue, traição e tragédia. As musicas cafonas trágicas, não me deixam mentir. Porém, quem acha que a grande maioria gosta de paz e um mundo cor-de-rosa, ou é um idiota que acredita em mundo melhor, ou é um canalha que usa isso para beneficio próprio.
Eu escrevi as nuances dos fatos AQUI (se você não abrir o link, não vai entender bulufas do que estou falando), por isso aqui minha preocupação é totalmente, moral. Na verdade, se fomos bem no cerne do problema, há um paradoxo politicamente correto. Se por um lado o Papa agrediu a mulher (para mim foi um ato de defesa) dando dois tapas na mão dela, por outro lado, a mulher puxou o braço de um idoso de 83 anos de idade, que pode sim, se considerado uma agressão. Temos aqui uma mulher que levou dois tapas em sua mão por não querer largar Francisco, por outro lado, temos um idoso sendo puxado por uma mulher bem mais jovem do que ele e que, facilmente, poderia deslocar sua clavícula. Aqui o errado sempre é o herói e nunca o bandido, afinal, vilão sofreu na vida e não teve oportunidade de sr nenhum herói. Mas, nesse caso específico, quem é o herói e quem é o bandido? O problema é o maniqueísmo que herdamos e que faz a cultura ocidental sempre ver as coisas entre o bem e o mal. Por outro lado, arrisco dizer que nossa sociedade sempre foi assim, desde muito tempo atrás, muito mais tempo do que o maniqueísmo.
Na própria bíblia há sempre o ato maléfico que é tomado com uma vingança como ato benéfico, como se o ato de matar inocentes se neutralizasse a partir do momento que aquilo fosse um ato divino (ou algo que foi atribuído a Ele). Por outro lado, estamos numa sociedade relativista que não sabe se decidir em nada, se gosta de tudo, segue religiões por modinha (chamo de espiritualidade Feed Food), e nem sabe decidir pela comida que quer comer. Não sabem que se você ouve todas as musicas do universo, você acaba não gostando de nada. Se você segue uma religião porque todo mundo segue ou para pedir algo para você, você não está religando nada ao divino. Essa praga do politicamente correto relativizou tudo, tirou nossa liberdade de dizer as coisas como elas são, tirou a liberdade democrática.
Nessa discussão eu fico com Sócrates e com Platão, que entre o bem e o mal só há, na verdade, o conhecimento e a ignorância. Quanto menos as pessoas conhecer e estudam, muito mais elas acreditam em milagres, porque elas não conhecem o poder que tem, mesmo em alguns casos, tenham pessoas que conhecer e ainda acreditam nesses milagres. Uma vez uma amiga, conversando na van voltando de um lugar, perguntou para mim se uma rosa nascesse em um muro se aquilo seria um milagre. Eu disse que seria uma semente que caiu de um bico de um passarinho ou dos pelos de uma abelha (sim, abelhas tem pelinhos), que encontrou condições de geminar e nasceu a rosa em um muro por causa disse. Anos depois — porque ela era católica — minha amiga me disse que eu tinha abalado a fé dela. A questão é: será que ela não estava com sua fé abalada já com essa pergunta? Ou eu implantei a sementinha questionadora da realidade nela? Talvez sim, talvez não. As universidades trazem um pouco a realidade objetiva nas pessoas e a crença pela crença sempre é abalada. Católicos ou evangélicos começam a questionar algumas coisas quando estudam, ou não. Aqueles que não, são as pessoas que tem certeza do que acreditam.
Meu avô tinha uma fé grande na igreja católica e toda as noites de natal não ia dormir sem ver a missa do galo, minha avó que era evangélica ficava assistindo também, as vezes. Mas, os dois oravam ou rezavam juntos todas as noites juntos, cada um a sua maneira particular. O que eu quero dizer com isso? As pessoas ficam sempre preocupadas no que as outras vão dizer ou que em algum momento, o universo está lhe olhando para saber o que estão fazendo. Mas, o universo está pouco ligando para você. Aliás, existem pessoas que são tão arrogantes, que querem definir o que Deus pensa e o que ele deve fazer com os outros. Já li até mesmo expressões como “meus jesus”, mostrando que a maioria da cristandade se esqueceu do Eclesiastes.

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