quinta-feira, janeiro 11, 2024

BBB14 e o capacitismo - entre as demagogias da AACD e derivados

 



 

A primeira prova do líder no BBB 24 mostra como é importante adotar mudanças significativas para que as Pessoas com Deficiência se sintam verdadeiramente integradas.  


Então, @tvglobo e @boninho, que tal conversarmos mais sobre esse assunto? Estamos disponíveis para falar sobre inclusão!




Que merda é essa que a AACD escreveu no X? Será que esqueceu que além de eu estar no X, ainda sou formado em publicidade e recebo textos do Meio&Mensagem? Eles não devem saber, meu prontuário está no arquivo morto e aquela foto minha de cuequinha também. Lá está as várias operações que o Dr “Carniceiro” fez em mim para correção. Posso até estar sentado, estar dobrando o joelho, mas, meu pé continua virado e eu não estou em pé. Por que? Depois de sair humilhado - com as professoras fazendo “birrinha” porque reclamamos das bpéssimas condições - fiquei outro 7 longos anos não sendo adolescente em uma oficina que não aprendia nada. Parei de andar de andador. Parei de poder falar o que quiser e fazer o que quiser, porque mães lunaticas disseram: “se acontecer alguma coisa (fazer sexo) com a minha filha, eu chamo a policia”. Não podemos ter prazer.

A questão do corpo e do prazer são questões do discurso que domina a normalização e a moralidade dentro da repulsa do corpo não normalizado. Com o discurso positivista (a medicalização) onde o corpo tem que ser consertado - discurso que o capitalismo neoliberal incorporou com bastante ênfase - onde o corpo não normalizado deve ser escondido, visto com desprezo e até, em alguns casos, asco. O asco vira outra coisa quando o ato legítimo de escolha se uma mulher em não querer ter o filho, é convencida quase “a força” em não ter o filho por causa de uma probabilidade da criança ter uma síndrome. Lembrando que, uma probabilidade não é uma certeza, são números que podem ser reais e acontecer, e pode não acontecer. Pessoas com Síndrome de Down não podem nascer, pessoas com paraplegia cometem suicidio assistido por causa das muitas linguagens silenciosas que temos de achar que o corpo não normalizado é um corpo “quebrado”.

A verdade, quase sempre, incomoda. Mas, muitas vezes, ela é imposta em imagens e essas imagens refletem essa mesma linguagem. Dessa vez, o asco se torna deboche quando Maycon disse que "Ele não disse que gosta de correr, agora vai correr…”, duvidando da capacidade do Vinicius Rodrigues (paratleta) de correr, mesmo não tendo a intenção. Daí poderemos aumentar - na filosofia dizemos transcender - essa linguagem debochada, em uma cultura muito posta de achar que as pessoas não querem contratar por causa do corpo. O ministro do trabalho, Luiz Marinho, acredita no lobby empresarial de sempre dizer que não encontra pessoas qualificadas para trabalhar em suas firmas, porque não sabem procurar e nem querem. Verdades tem que ser postas, porque não se escreve a verdade sem ela.

Nem sempre ela é aceita. Cachorrinhos são bem vindos nos shoppings da vida, cadeirantes não. Os seres humanos estão confinados em nichos religiosos com suas crenças e não enxergam que as coisas já estão em um niilismo (negação da vida), onde pessoas param, em vagas de pessoas com deficiência, pessoas comem em mesas separadas para pessoas com deficiência, e isso não é diferente do que a Globo fez, ou que a AACD sempre fez (pelos menos nos anos 80 e 90). A fala de Maycon em colocar um apelido de “cotinho” - derivado de cotoco - só é um reflexo daquilo que se fez como conceito de corpo imperfeito, um apelido, um estereótipo.

Pegamos o exemplo da Leandrinha Du´art que sofre hater (ódio) por ser deficiente e transsexual, onde alem do corpo que tem o ar de asco da sociedade, a rejeicao daquilo que não serve. Não temos o direito ao prazer, ao amor, ao trabalho, ao pensamento por causa de um estereótipo da Bíblia escrita por um outro povo em uma outra cultura e um outro tempo.

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