sexta-feira, janeiro 12, 2024

Diário do Centro do Mundo e o feitiche com o Olavo de Carvalho


Diário do c. do Mundo 


 

 Está no site do DCM: <<O “pensamento vivo” do herdeiro de Olavo cheira mal como o cadáver do velho fascista, seu pai espiritual.  Pondé, como Olavo, representa a vulgarização da figura do filósofo e sua escolha oportunista pela indigência mental feita para agradar  gente burra.>>




A única coisa que cheira mal nesse país é a classe política e nisso, sempre concordei com Olavo. Mas todo esse texto - escrito, muito provavelmente por um estagiário - tem um forte cheiro de militante ideológico e odeio todos eles. Sinceramente, eu não gosto de ninguém fanatico por nada, nem de ideologia, nem de religião e muito menos, pelo emburrecimento que o lado ideológico pode levar. E, claro, “agradar gente burra” - que para começar, o não é “gente” e sim, “pessoas” e o estagiário deveria saber - quem agrada é o sujeito que está na presidência e que não leu nenhum livro. Por outro lado, os caras do DCM leram e devem saber muito de filosofia. 

Primeiro, não importa o que o presidente Lula (demonstrou o respeito do cargo, apenas) queira que se acredite: o Hamas entrou em território israelense, matou, estuprou, fez aquela baguncinha básica e foi embora levando um monte de pessoas reféns. O que Israel deveria falar: “Por favor senhores, devolvam as pessoas e vamos sair daqui e voltaremos para a Europa”? Seria o mesmo que dizer que voltaríamos para a Europa e deixamos o Brasil para os indígenas. Concordo que foi errado o que aconteceu, mas, as coisas não são tão simples assim, devem ser colocadas dentro de contextos históricos para não se cometer um anacronismo. Já que a esquerda brasileira - me considero a esquerda de toda política brasileira - sabe muito de filosofia (estudante da USP então), deveria saber sobre o anacronismo. 

Me cansa e me dá um certo sono ler textos como “herdeiro de fulano”, como se em toda a história da filosofia, não estivessem respondendo uns aos outros. Ou apoiar algumas coisas do sujeito. O fato que, como está no livro “Para ler e escrever Textos Filosóficos” de Claudinei Luiz Chitolina, “"a originalidade do filósofo não está no pensar o que ninguém pensou, mas em pensar de uma nova maneira o que já se pensou". Ou seja, o filósofo não precisa ter originalidade e sim, pensar em uma nova maneira o que já foi pensado. E o Pondé - como herdeiro direto do Nelson Rodrigues muito mais do que o Olavo - disse o que é óbvio: Israel não entrou na Faixa de Gaza, não matou e estuprou mulheres palestinas, não matou jovens palestinos em rave. Quer matar todo o ocidente porque acham que a única verdade está no Islã. 

Pessoas com deficiência não sobreviveriam - como sempre não sobreviveram - em um lugar governado por radicais islâmicos. Se não sobreviveram, por que eu, como PCD, deveria me compadecer do Hamas? E no mais - juro que estou quase bacharel em filosofia - o parágrafo <Pondé, como Olavo, representa a vulgarização da figura do filósofo> me parece estranha dentro do que sabemos sobre a filosofia. Daí uma pergunta inevitável: o que seria uma não vulgarização  da “imagem” de um filósofo? O que seria “a figura do filosofo”? Porque sempre se discutiu filosofia e nunca “a figura de um filosofo”. 

Algo para ser “vulgar” é algo que se refere ao que é comum, banal, ou algo que pertence ao povo. Ora, se o Pondé e o Olavo são <representação da vulgarização da figura do filósofo>, que é aquilo que é comum, então os filósofos eram “deuses”? Essa vulgarização é meia complicada porque se vimos toda a história da filosofia - incluindo as prostitutas de Nietzsche - não ia sobrar um. Que eu acho - a única coisa que eu concordo - se somos pessoas que temos uma certa cultura, fazer e falar como todo mundo não deveria ser uma constante. Se não, não adianta estudar.


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