domingo, junho 16, 2024

PATIFARIA BRASILEIRA

 






Amauri Nolasco Sanches Júnior 



Podemos nos perguntar o que estaria acontecendo nas redes sociais que ninguém agora pode estar não apoiando um lado e se isenta de dar uma opinião de um lado do espectro político. Uma vez, em uma discussão sobre o voto, eu disse que as pessoas têm todo o direito de votar em branco ou votar nulo, acharam um absurdo porque as pessoas tem que tomar um lado. Esquerda e direita eram como se definia, na revolução francesa, quem queria a monarquia e quem queria a república. Hoje sabemos – como nossos “patriotas conservadores fajutos” não deixam a gente esquecer – que a república ganhou e o Macron governa como um lutador (atenção, ironia). Mas, como vimos em vários livros, a Europa e lá fora, o termo esquerda e direita foram superados e agora temos pessoas que pensam muito além desses termos binários. Mesmo que os reacionários ficam idealizando um passado europeu ou americano, que nunca houve e nem iria haver, se a Europa se fechasse para o mundo. 

O pessoal cismou com o Sergio Sacani – o apresentador do canal Space e do Ciência sem Fim – por ele não se posicionar politicamente e que, para a esquerda (principalmente, a esquerda marxista) quem não se posiciona não está engajado. Uma definição pobre para dizer que “temos que te colocar em uma caixinha” para ou te elogiar ou te cancelar. E se fomos bastante rigorosos, no X, se existe um lugar “infernal” esse lugar é nessa rede social. Porém, somos obrigados a explorar outras redes sociais para averiguar que sim, nossa cultura é bastante devastada com o binarismo por causa da nossa herança religiosa (que agora são mais evangélica sem perder a essência católica), e depois por causa da “vontade” quase psicótica, do brasileiro mostrar uma virtude que não tem. Tanto que se você chutar um cachorro vai ficar muito mais na cadeia do que você chutar uma criança na sua frente, porque enfiamos goela abaixo, que um cachorro vale mais que uma criança. E no mais, Sacani tem razão de não se meter nessas patifarias. 

Estou escrevendo esse artigo em um domingo a tarde (dia 16 de junho) e pela manhã tive que falar para o meu pai falar que eu tinha cancelado o ATENDE (van porta a porta da prefeitura de São Paulo) porque o motorista veio. Ora, isso é quase corriqueiro em nosso meio de PCDs e por isso mesmo, eu não tenho nenhuma posição política dentro de nenhum espectro político. Esquerda ou direita só divergem do modo que querem o mundo e dominar a classe mais pobre, porque de resto, todas as pessoas estão muito a vontade para dizer: foda-se. Mesmo porque, nenhuma política mais ideológica vai ajudar de maneira mais efetiva, o trabalhador que carrega o país nas costas. Quando vimos PIB (Produto Interno Bruto) não são os políticos que fazem o “milagre” e sim, a grande parcela que trabalha para sobreviver dentro de uma grande alienação. 

Enquanto os evangélicos querem criminalizar o aborto (mesmo em caso de estupro), várias jovens são estupradas dentro ou fora de suas casas. E outra, isso não são medidas de um conservador de verdade. Primeiro, um conservador tem muito claro, que deve conservar as tradições do lugar onde vive e no Brasil, ser conservador é acreditar no modo monarquista (Bragança de Borbon) e ser católico, pois a tradição brasileira não é evangélica e sim, católica. Depois não existe – em nenhum lugar do planeta Terra – um conservador nos costumes e liberal na economia, porque um conservador não pode ser liberal ao mesmo tempo. Não se trata em comprar um pacotinho de ideias e sair acreditando, se tem que estudar e acreditar no que ali estar. Dane-se o que teu político de estimação disse. e ser conservador é procurar suas origens, seus valores, aquilo que você recebeu como educação tem que ser desvendado. 

Enquanto esses “bocós” estão querendo implantar o mundo igual ‘Os Contos de Aia”, eu estou pesquisando sobre Fagneno Castello onde meus avós nasceram (os Mollos, o lado italiano). Mesmo não sendo 100% conservador – algumas ideias são sim – acho importante saber suas origens e saber de onde você e sua família veio. Sou uma parte calabrês e outra, basco com madrileno, ou seja, sou um completo latino e tenho certeza que as minhas convicções vieram dos valores mais certos que minha mãe e meu pai podem passar. Isso nada tem a ver com religião ou ideologias políticas – que só servem para dominar e guar o rebanho – isso tem a ver em ser convicto com aquilo que você é de verdade, 

É apenas uma reflexão de domingo. 


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