“É no conhecimento que
existe uma chance de libertação”.
(Leandro Karnal)
Amauri Nolasco Sanches
Júnior
Sem
dúvida nenhuma, as pessoas romantizam os militares (como romantizam tudo),
porque somos um povo imperialista por sermos latinos. A questão de países
latinos – como aconteceu depois que a França teve sua revolução lá – sempre
flertaram com o imperialismo como se existisse uma remota esperança de se ter
um império unificado tipo romano. Só que para unificar o império, exércitos
romanos matavam povos inteiros e escravizavam os que sobreviviam, e faziam todo
tipo de barbárie. Mas, mesmo com povos como os romanos, o exército era exercido
como uma profissão (como colocou Platão em a República), onde teria um dom e
esse dom sempre desembocava em luta para defender Roma.
As
escolas não deveriam ficar no meio dessa briga ideológica pelo simples fato
delas existirem para ensinarem matérias que vão ser uteis em sociedade, e que,
sem dúvida nenhuma – como não teve nenhuma reforma escolar – ficou defasada. Daí,
como escrevi em um outro texto sobre educação e escolarização, se confunde
educação (que deve ser visto na esfera privada) e a escolarização (na esfera
pública), como se a escola tivesse obrigação de educar. É evidente que isso já
ficou na nossa cultura por causa, até mesmo, da própria mídia que mistificou a
escola como uma grande educadora. E a esquerda por motivos óbvios. Se fomos
verificar questões etimológicas da palavra “educação”, o latim “educare” tem
uma conotação muito mais moral no sentido de levar a criança para uma certa
realidade, no furor das morais sociais sem se prender em morais ideológicas.
A
escolarização é o sair da criança no seio da família e viver na sociedade com
múltiplos educados com seus própria valores ou crianças que os pais não legaram
nenhum valor, só legou a professora essa tarefa. A pergunta que fica é: a
professora é detentora dessa tarefa ou houve uma distorção da questão
educativa? Essa distorção não foi, exatamente, por causa de um maior
conhecimento dessa palavra? É curioso a questão dos termos, porque isso tem a
ver em um conjunto de contextos que vão se criando a partir de uma cultura. Por
exemplo, o educare romano não tem a ver o que tem a ver com educare moderno
(que no português, se tornou educar), pois mostrar a realidade em um contexto
romano era mostrar um império e a grandeza de ser um romano. Modernamente, educare
tem a ver com colocar a criança dentro da sociedade para ser útil e ser
“escrava” em uma moral social. O educare na antiguidade era de meninos e era só
para certas classes políticas ou sociais (que hoje chamamos de elite), na era
moderna o educare se torna algo para todos porque todos devem produzir para a
sociedade. Há um novo modelo de educare não baseado em pertencer a um império,
como romano, mas, em ser um modelo social de um poder no corpo do outro pelo
discurso moral. Pessoas com deficiência, como eu, sabem disso.
Esse
é cerne do problema: um é o corpo (que sempre foi o objeto de dominação humana)
e outra é a psique (como modo de convencer o ser humano do seu discurso). O
educare surge para demonstrar as crianças, que além da vida e de onde nasceram
estava uma realidade além daquilo, o educare moderno vai ser dominado pelo
corpo (não que antigamente não era), porque a utilidade era e é, essencial. Uma
foi a dominação da sexualidade e seus meios de acontecer através da
religiosidade, porque o cristianismo – que nada contêm nos 4 evangelhos dos
ensinamentos de Jesus – tendeu em ser uma religião (aqui ponho como uma
religiosidade material) que educava o ser humano ensinando que Deus seria um
tirano, um maníaco assassino e ciumento e se não fizesse o que a sociedade
determinou, era pecado. O “pecado” era uma dominação psique do medo, gerando
assim, algo como um medo de atos desconhecidos e que se quebra com a
modernidade. O educare moderno vai educar a sexualidade normalizando-a
conforme, ainda, as crenças vigentes para agradar comerciantes protestantes que
começavam a questionar o catolicismo.
O
corpo passa ser um ente corruptível que é frágil – graças ao poder na “carne” –
e que vai ser sempre levado ao pecado. A alma, por sua vez, é incorruptível e é
uma fagulha da divindade de Deus e vai voltar dormir debaixo do trono de ouro
até o juízo final e a luta contra o mal. Bastante parecida com as crenças dos
nórdicos, onde Odin em seu castelo chamado Vanhalla, ordena que as Walkirias recolham
os guerreiros que morrem nas guerras, a dormirem lá até a guerra com a grande
serpente e o crepúsculo dos deuses acontece. O educare dentro da psique é que
vão ser arrebatados por seguirem preceitos sociais de moral (muitas vezes,
moralismo) em que, a dominação acontece, quando há intenção de “salvar o
mundo”.
Vamos
ver que o educare que era uma coisa intelectual e poderia inserir (mesmo que
este “inserir” era só uma classe social), passa a ser um controle de utilização
do corpo como modelo de produção e que o trabalho, que deve ser feito, significa
o ser humano. Ser digno era forma perfeita de ser dominado pela religião (ou
você era apostata, ou você era pecador e merecia ser queimado) e, ser dominado
pela moral vigente, com medo de ser linchado. No Brasil, assim como em outras
partes do mundo, se passou 300 anos com o educare religioso, onde os indígenas
tinham que ver a realidade do mundo verdadeiro (leia-se, europeu). Dai podemos indagar: o que é verdadeiro ou não?
O que pode ser considerado verdadeiro ou não? Pois, o educare passa a ser um
desenvolvido discurso entre as crenças dominantes e as crenças que se rebelam
dessas crenças dominantes.
Chegamos
a questão da romantização das Forças Armadas graças as crenças “golpistas” de
64 que eles iriam livrar o Brasil do comunismo, onde restaurariam a ordem e empunhariam
o progresso. Será que isso seria verdade? porque, em teoria, a questão das
Forças Armadas era e é, uma questão de uma ideia errada de forças reguladoras sociais
como se fosse uma “polícia política” punindo governos que não se adequam a uma
cultura. porém, sabemos muito bem, que as Forças Armadas asseguram nossa
soberania de ataques externos (de todo tipo, até extraterrestre) e não podem ser
forças políticas, pois, as Forças Armadas não sabem governar e foram um
desastre nos 20 anos de ditadura militar. Se fomos bastante rigorosos, as
Forças Armadas são uma das muitas instituições do Estado como poder de moderação
e guarda. O problema – como toda problemática brasileira – é que, como já disse
acima, há crenças que se rebelam das crenças dominantes como uma ideologia para
adestrar a psique de uma parte da sociedade. O sistema (como na Matrix do
filme), tende a querer se reprogramar para se livrar de possíveis “bugs” que
seriam ideias novas.
Como
o discurso que o rock é da esquerda (como se a esquerda política fosse roqueira,
que sabemos, que são mpbistas), levando a questão de uma forma binaria. O rock
em si é contracultura e como tal, tendem a ir contra as forças vigentes que estão
ao poder e poderemos ir bem mais longe dizendo que, a esquerda parou nos anos
60 e ali ficou como tudo no Brasil está atrasado (como o Lula querer fazer
carro popular que era politica dos anos 70). O educare passa a ser defasado
quando a grade de ensino se enche como interesses vigentes da elite empresarial
e quando pais darão valores de “escravização” de uma parte da sociedade, a doutrinação
esta em não querer críticas. Na essência, nosso povo não gosta de crítica, e
por isso, não gosta de um educare crítico e que não reflete sobre a realidade
no qual se vive.
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