Amauri Nolasco Sanches Júnior
Como estudantes de filosofia, temos que perguntar, somos
todos “marxistas”? Primeiro, segundo o senso comum hoje (graças o Olavo de
Carvalho), os estudantes de filosofia são maconheiros e marxistas
revolucionários graças a imagem dos uspianos (ou outras universidades federais).
Temos que notar em um estudo bastante rigoroso – como nós que estamos no INEF
(Isto não é filosofia) e em outras universidades (como a que eu estudo, a
Unicsul) – existem os marxistas (que interpretam as obras de Marx) e os
marxianos (que estudam as obras de Marx, mas não seria seus seguidores). Por
outro lado, na essência, a filosofia pós-moderna tem 4 pilares: Nietzsche,
Freud, Marx e Darwin.
Nietzsche
desafiou as noções tradicionais de moralidade e verdade, promovendo a ideia de
que não há verdades universais, apenas interpretações individuais. Freud
introduziu a ideia do inconsciente e sugeriu que nossos comportamentos e
crenças são fortemente influenciados por desejos e medos inconscientes. Marx argumentou
que a economia e a luta de classes são as forças motrizes da historia e que a
ideologia é usada para justificar e perpetuar desigualdades econômicas. Darwin
propôs a teoria da evolução por seleção natural, desafiando as visões
tradicionais sobre a origem e a natureza das espécies. Sua teoria tem
implicações profundas para nossa compreensão da vida e do lugar dos seres
humanos no universo.
Talvez,
por sermos uma nação ainda não largou certos paradigmas filosóficos e políticos
– por que não, religiosos – ainda se tem a visão de que, quando você comenta
demais certos filósofos, concordamos com ele. O mestre da suspeita, segundo Ricoeur,
Nietzsche é um dos filósofos que mais li até hoje e gosta de muitas visões
dele. Mas, faço também, duras críticas sobre ele quando diz que a culpa do
cristianismo e suas barbaridades é de Sócrates e Platão. Vejo nisso, um ponto
vago que poderíamos suspeitar que Nietzsche leu rasamente Platão e entendeu
nada, porque a teologia protestante (que Nietzsche estudou para ser pastor) não
deixou ele ter uma visão mais abstrata de argumentos e não interpretou esses
argumentos platônicos. Por isso, a meu ver, norte-americanos são pragmáticos e
não sabem abstrair. Muitas pessoas que conheço que tiveram uma educação
protestante, ou não sabem ter uma visão mais abstrata e tem dificuldade de
interpretar, ou tiveram grandes problemas de ansiedade e bipolaridade.
Por
outro lado, Hegel também estudou teologia protestante e não teve grandes
problemas de teorizar seguindo a linha abstrata, como se não tivesse esse tipo
de problema. Como Kant também não se teve esse problema nos levando a uma
questão: o que levou Nietzsche a achar que o cristianismo é culpa de Platão?
Alias, se fomos bastante rigorosos, Paulo de Tarso – porque o cristianismo é
paulino – é muito mais estoico, do que platônico e soube converter os estoicos
primeiramente. Levando a uma outra questão: a culpa seria de Platão ou uma
moral vitoriana (da rainha Vitoria da Gran Bretanha) hipócrita? Mas, de tanto lutar
contra a metafisica, Nietzsche criou a sua metafisica do “além homem” (assim, como
Freud e Marx).
Do
mesmo modo, poderemos colocar Marx como um clássico da filosofia – no sentido
de ser um filosofo que questionou certos paradigmas da humanidade e colocou em
xeque vários conceitos que foram criados ou estavam na humanidade, no advento
do capitalismo – e se provou que o ser humano não se dá bem com igualdades. O
poder é um outro fator que levou o colapso do socialismo soviético por causa do
isolamento da URSS. Há uma sedução muito forte quando o oprimido começa exercer
o poder, porque passa de oprimido para opressor. Por outro lado, desejos não
podem ser educados e nem todo mundo é igual você. Obrigar uma pessoa querer só
o básico para provar que existem ideologias dominantes que induzem os desejos,
chega a ser desumano.
Nesse
contexto econômico – sem negar, claro, as classes muito bem demarcadas – prefiro
a teoria da praxiologia. Por que eu, por exemplo, escolho comer em um
restaurante qualquer do que o “meque”? Por que prefiro uma coisa ao invés da
outra? Os marxistas vão dizer que é por causa da fetichização do objeto pela
propaganda – que eles mesmos fazem – a praxiologia vai dizer que há um
movimento individual que chega até a vontade e tem o ato de querer aquilo por
você mesmo e não há outro fator. Do mesmo modo que eu e minha noiva não vamos
no “meque” e vamos comer em outro lugar, há um movimento muito mais intrínseco
de movimento muito além do que meros discursos. Claro, podem dizer: <ah
Amauri, você tem consciência>, mas eu e várias pessoas tem esse movimento,
nem todo mundo aderi o que a maioria aceita sem questionar.
Ou
seja, mesmo que estudamos filosofia – seja lá aonde for – temos que ler tudo. Ainda
acho que filósofos deveriam deixar o que acreditam na hora das pesquisas e, com
seus conceitos, começa a escrever seus pensamentos dentro da sua reflexão. A
filosofia não é um meio para a reflexão, mas ela é a própria reflexão dentro de
conceitos e a saída do senso comum.
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