segunda-feira, junho 03, 2024

SOMOS ‘HEGEMONIA MARXISTA’?

 



Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

  Como estudantes de filosofia, temos que perguntar,  somos todos “marxistas”? Primeiro, segundo o senso comum hoje (graças o Olavo de Carvalho), os estudantes de filosofia são maconheiros e marxistas revolucionários graças a imagem dos uspianos (ou outras universidades federais). Temos que notar em um estudo bastante rigoroso – como nós que estamos no INEF (Isto não é filosofia) e em outras universidades (como a que eu estudo, a Unicsul) – existem os marxistas (que interpretam as obras de Marx) e os marxianos (que estudam as obras de Marx, mas não seria seus seguidores). Por outro lado, na essência, a filosofia pós-moderna tem 4 pilares: Nietzsche, Freud, Marx e Darwin.

Nietzsche desafiou as noções tradicionais de moralidade e verdade, promovendo a ideia de que não há verdades universais, apenas interpretações individuais. Freud introduziu a ideia do inconsciente e sugeriu que nossos comportamentos e crenças são fortemente influenciados por desejos e medos inconscientes. Marx argumentou que a economia e a luta de classes são as forças motrizes da historia e que a ideologia é usada para justificar e perpetuar desigualdades econômicas. Darwin propôs a teoria da evolução por seleção natural, desafiando as visões tradicionais sobre a origem e a natureza das espécies. Sua teoria tem implicações profundas para nossa compreensão da vida e do lugar dos seres humanos no universo.

Talvez, por sermos uma nação ainda não largou certos paradigmas filosóficos e políticos – por que não, religiosos – ainda se tem a visão de que, quando você comenta demais certos filósofos, concordamos com ele. O mestre da suspeita, segundo Ricoeur, Nietzsche é um dos filósofos que mais li até hoje e gosta de muitas visões dele. Mas, faço também, duras críticas sobre ele quando diz que a culpa do cristianismo e suas barbaridades é de Sócrates e Platão. Vejo nisso, um ponto vago que poderíamos suspeitar que Nietzsche leu rasamente Platão e entendeu nada, porque a teologia protestante (que Nietzsche estudou para ser pastor) não deixou ele ter uma visão mais abstrata de argumentos e não interpretou esses argumentos platônicos. Por isso, a meu ver, norte-americanos são pragmáticos e não sabem abstrair. Muitas pessoas que conheço que tiveram uma educação protestante, ou não sabem ter uma visão mais abstrata e tem dificuldade de interpretar, ou tiveram grandes problemas de ansiedade e bipolaridade.

Por outro lado, Hegel também estudou teologia protestante e não teve grandes problemas de teorizar seguindo a linha abstrata, como se não tivesse esse tipo de problema. Como Kant também não se teve esse problema nos levando a uma questão: o que levou Nietzsche a achar que o cristianismo é culpa de Platão? Alias, se fomos bastante rigorosos, Paulo de Tarso – porque o cristianismo é paulino – é muito mais estoico, do que platônico e soube converter os estoicos primeiramente. Levando a uma outra questão: a culpa seria de Platão ou uma moral vitoriana (da rainha Vitoria da Gran Bretanha) hipócrita? Mas, de tanto lutar contra a metafisica, Nietzsche criou a sua metafisica do “além homem” (assim, como Freud e Marx).

Do mesmo modo, poderemos colocar Marx como um clássico da filosofia – no sentido de ser um filosofo que questionou certos paradigmas da humanidade e colocou em xeque vários conceitos que foram criados ou estavam na humanidade, no advento do capitalismo – e se provou que o ser humano não se dá bem com igualdades. O poder é um outro fator que levou o colapso do socialismo soviético por causa do isolamento da URSS. Há uma sedução muito forte quando o oprimido começa exercer o poder, porque passa de oprimido para opressor. Por outro lado, desejos não podem ser educados e nem todo mundo é igual você. Obrigar uma pessoa querer só o básico para provar que existem ideologias dominantes que induzem os desejos, chega a ser desumano.

Nesse contexto econômico – sem negar, claro, as classes muito bem demarcadas – prefiro a teoria da praxiologia. Por que eu, por exemplo, escolho comer em um restaurante qualquer do que o “meque”? Por que prefiro uma coisa ao invés da outra? Os marxistas vão dizer que é por causa da fetichização do objeto pela propaganda – que eles mesmos fazem – a praxiologia vai dizer que há um movimento individual que chega até a vontade e tem o ato de querer aquilo por você mesmo e não há outro fator. Do mesmo modo que eu e minha noiva não vamos no “meque” e vamos comer em outro lugar, há um movimento muito mais intrínseco de movimento muito além do que meros discursos. Claro, podem dizer: <ah Amauri, você tem consciência>, mas eu e várias pessoas tem esse movimento, nem todo mundo aderi o que a maioria aceita sem questionar.

Ou seja, mesmo que estudamos filosofia – seja lá aonde for – temos que ler tudo. Ainda acho que filósofos deveriam deixar o que acreditam na hora das pesquisas e, com seus conceitos, começa a escrever seus pensamentos dentro da sua reflexão. A filosofia não é um meio para a reflexão, mas ela é a própria reflexão dentro de conceitos e a saída do senso comum.



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