AMAURI NOLASCO SANCHES
JÚNIOR
(BACHAREL EM FILOSOFIA)
"O
guitarrista Marcos Kleine, da banda Ultraje a Rigor, pediu a demissão do
locutor Marco Antonio Abreu após o radialista ter comemorado que sua rádio, a
Kiss FM, promovesse o cancelamento do show do grupo musical em sua festa de
aniversário. Através de seu perfil no X, Kleine, conhecido por ser
bolsonarista, pediu a cabeça do profissional: ‘E aí @Kiss_FM, vão demitir o
cara? Ou vão passar pano?’ A extrema-direita, sempre defensora da ‘liberdade de
expressão’ não aguenta críticas mesmo.”
(DCM
– jornal da extrema esquerda)
Muitas pessoas podem
perguntar: o rock como manifestação contracultural tem a ver com a filosofia? Como
indagador do senso comum diríamos sim, como um serviço de uma pauta ideológica
– como no caso de algumas bandas já consagradas – diríamos que não. O rock como
a filosofia tem que se livrar do ponto ideológico (discurso político que Marx
denuncia no seu tempo) e, desde seu nascimento, ser aquém desse discurso e ir
contra tudo que esta ai. Filósofos e rockeiros que tomam uma posição se tornam algo
o que eles juram combater, seja de um lado da canalhice politica, seja do outro
lado dessa canalhice politica.
A briga do Roger (Ultraje a
Rigor) e o locutor Marco Antônio Abreu (Kiss FM) nos diz muito como a discussão
politica ficou rasa ao ponto de se chamar o vocalista e líder da banda
oitentista, de fascista. Do mesmo modo que bolsonaristas acabaram banalizando o
termo “comunista”, o lulopetistas acabaram banalizando o termo “fascista”. Grosso
modo, o bolsonarismo, no máximo, tende a ser uma reação ao que esta ai e uma
tentativa bem fajuta de reagir a uma suposta revolução (do mesmo modo da
suposta revolução de Jango que deu os vinte anos de ditadura militar) e ser um
desastre nisso. Porque o clã Bolsonaro é um desastre em tudo, mesmo com seus
aliados que não sabem fazer um discurso. Chamar esse “desastre” de
extrema-direita é muita vontade imensa de construir narrativas. Ou seja, blogs
como o DCM (Diario do Centro do Mundo), é sim uma maquina de fazer narrativas e
construir historias muito bem construídas para usar o povo idolatra ou
ignorante, como massa de manobra.
Costumo pensar que, como
ouvi um vídeo de um professor de filosofia (no qual, não me lembro o nome), que
a filosofia rejeita o senso comum não por amor a sabedoria, mas, por ódio desse
senso comum. Sócrates usou isso indo contra o senso comum da sua beleza e
achando que todos politikons (cidadãos) sabiam das coisas graças aos sofistas
(que para mim, eram sim filósofos), e ele provava que não. Platão vai eternizar
isso com o mito da caverna, onde aqueles que pensavam saber, só viam a sombra e
o homem que saiu dessa caverna, era o que sabia saber só o que estava na entrada da caverna. Um dos
maiores mitos da ultimas décadas por causa do ódio é o vilão Darth Vader que
com seu ódio, conquistou uma galáxia inteira. O Coringa com sua raiva de se
tornar o que é, se mantem vivo e luta contra o Batman.
O problema não é o “ódio” em
si mesmo, mas onde é direcionado esse “ódio”. Como diria Freud, o ódio poderia
ser o impulso rumo a uma reação a morte e tudo giraria dentro disso na vida. Os
Redpills, por exemplo, tem ódio por mulher porque acham ser rejeitados por elas
por não saber lhe dar com elas, a ignorância do outro (a mulher). Do mesmo
modo, bolsonaristas tem ódio do comunismo por não entender o comunismo, e o
lulopetismo tem ódio do fascismo por não entender ele. O outro não pode decidir
aquilo que eu acredito, quem tem que decidir sou eu. Quando o “titio Marco
Antônio” chama a banda de “fascista”, ele cooptou o pensamento dos outros que
chamar eles de fascistas por causa do apoio do Roger ao Bolsonaro. Isso é
contra o rock, onde os outros não podem mandar o que eu digo ou faço. O rock é
rebelde.
Roger erra por apoiar
Bolsonaro (ou o bolsonarismo) só por ser contra o lulopetismo, porque está
sendo incoerente com as letras que já fez no Ultraje. Por que, ser contra
alguma coisa, tenho que ser outra? Quando focamos em um lado só, só vamos ser
um qualquer como inúmeros fanáticos e alienados. Ai, você está na caverna.
Um comentário:
Obrigado!
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