terça-feira, junho 11, 2024

RACHADINHA E A JANELA DE OVERTON

 






AMAURI NOLASCO SANCHES JÚNIOR

(BACHAREL DE FILOSOFIA)

 

 

Há uma guerra ideológica e ninguém se deu conta ainda. O outro texto sobre a briga do Roger Moreira (Ultraje a Rigor) e o locutor da Kiss Fm, Marco Antônio Abreu (Titio Marco Antônio), mostrou como narrativas são montadas para desmontar o discurso questionador. As manifestações de 2013 foram esvaziadas graças a doidos que começaram a pedir intervenção militar – como se em 64 foi mesmo o povo que pediu por ela ou foi uma manipulação política dos coronéis – e outras coisas, como confundir a bandeira do Japão com a comunista. Aí fica fácil: “olha lá, um bando de maluco pedindo ditadura em nome da democracia” ou “agora tudo é comunismo”. Na verdade, ninguém sabe o que é o comunismo de verdade, mas, como diz o ditado: “o povo escuta o galo cantar e ele não sabe onde canta”.

Estou lendo o livro “A Janela de Overton” de Glenn Beck onde monstra (de uma forma ficcional) como poderia ser formado a politica e como a opinião pública está sendo sempre moldada. Isso, quem estuda a sociedade, sempre foi usado como arma de alienação para não se vê a verdade. Filósofos sempre foram vistos como pessoas não gratas dentro da política, pois, nós buscamos a verdade seja onde estiver essa verdade. Na verdade, esse romance remonta a teoria idealizada por Joseph Paul Overton onde, segundo a Wikipedia, quando ele descrevia a janela dizia que a viabilidade politica de uma ideia principalmente de ela cair dentro da janela, ao invés de preferencias individuais de políticos. Segundo descreve Overton, sua janela inclui uma gama de políticas consideradas politicamente aceitáveis no clima atual da opinião pública, que um político pode recomendar sem ser considerado excessivamente extremo para obter ou manter cargos públicos.

Ou seja, o conceito demonstra, por exemplo, quais tipos de posições são consideradas aceitáveis dentro de determinada sociedade naquele momento. Remontando dentro desse cenário, se uma figura publica deseja ser benquista pela massa (ou uma grande maioria dela) então suas opiniões devem variar dentro dessa janela. Extrapolar pode significar uma rejeição. É o que o personagem Noah – filho do dono da empresa onde são veiculados as narrativas espalhadas na mídia – disse dado momento em um discurso. Quando vimos um maluco supremacista branco, um reacionário que não gosta de mulher etc, mesmo que esse discurso seja verdadeiro, ela vai ser invalidado por causa do supremacista branco com o discurso: “olha lá, eles são preconceituosos e nazifascistas” por causa desse apoio dessa gente esquisita.

Mesmo assim tem uma outra problemática, muitas vezes teorias da conspiração tem um ar de confirmação das suas próprias crenças. por exemplo, as urnas eletrônicas não tem nenhuma entrada dentro da internet, mas há quem jure que elas foram fraudadas graças ao sistema (leia-se, os três poderes). Existem dois extremos, um que as urnas são fraudadas e que as urnas não foram fraudadas, mas o que se encaixa dentro da janela é que a urna não foi fraudada, porém, o povo foi iludido com a mídia. A meu ver, essa janela teria a ver com a percepção das pessoas sobre as crenças que elas montaram dentro das suas cabeças. Até hoje, Bolsonaro é tido como uma referência de honestidade e uma renovação, mesmo que tenha ficado como deputado federal 28 anos da sua vida (parasitando parasitas do Estado). Do mesmo modo, Lula é ainda o metalúrgico sindicalista que ganhou fama atuando dentro dos sindicatos e fundando o PT. Há um extremo no Bolsonaro e no Lula, que cabe dentro da janela algo aceitável dentro da imagem palatável dos dois.

Como uma teoria de um libertário – Overton não teve tempo de desenvolver ela por ter morrido cedo – poderíamos usar a questão do Kogos como o estereotipo de um libertário que só é mais um nerd reacionário, católico fanático e que se diz anacocapitalista. Não, anarcocapitalistas não podem ser libertários, pois eles são muito mais voltados para o mercado (o modo econômico). Os libertários são mais voltados a filosofia, ética e são liberais clássicos (o que poderíamos chamar de ultraliberais) e defendem o livre mercado. Dentro da política e o Estado, libertário tende a defender uma diminuição com uma educação de autogestão, para a sociedade não precisar mais do Estado e os serviços serem voluntários. Hoje, por exemplo, você pode comandar os bombeiros, amanhã você pode não ser nada ou trabalhar em um negócio próprio. Claro, poderia funcionar sem a dependência humana de ser governado e não se governar.

A dependência do Estado leva a discursos cada vez mais dentro da janela, ou porque a sociedade acha precisar de determinado político para resolver seus problemas, ou porque não entendem nuances de determinado discurso de alienação. Isso nada tem a ver com ignorância. Hitler, por exemplo, persuadiu a maioria de uma sociedade apenas explorando o que as pessoas mais tem medo: a fome e a falta de emprego. E a sociedade alemã da época era bastante leitora, mas, ao que parece, tendiam a serem crédulas de teorias e crenças que vira e mexe, voltam sempre. A Europa, por exemplo, ainda abordam fetos com Sindrome de Down que esta também na janela, pois usa um discurso de liberdade da mulher e no outro lado, usa um discurso capacitista de não aceitação da deficiência e colocando ela como um “sofrimento”. Hitler ao assinar o extermínio de deficiente chorando dizendo que éramos “sofredores eternos”.

Dentro da nossa janela brasileira está a corrupção (rachadinha) que não importa qual é o lado. Tanto André Janones, quanto Flavio Bolsonaro, provam que alguns discursos são tolerados dependendo do espectro político de um dos lados. Porém, lulopetistas e bolsonaristas tem o mesmo modo operante.

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