Termo “boyceta” viralizou na internet depois que o rapper Jupitter Pimentel falou sobre o assunto no podcast "Entre Amigues". (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Amauri Nolasco Sanches Júnior
Jeager
diz na sua obra <<Paideia- o nascimento do espírito grego>> que ETHOS
poderia ser definido como o espirito daquela época e tem a ver como o grego via
sua realidade. assim, se definiu hoje, que ETHOS poderia ser definido como algo
que a cultura e crenças de uma época pode ser definida como totalizante.
Segundo a professora Luciene Felix diz:
<<segundo o Filósofo Henrique C. De Lima Vaz, todas as coisas são physis (numa tradução ainda insatisfatória: natureza). Nosso modo de ser (modus vivendi, modus operandi) é transformá-la e a isso chamamos ethos (do grego "habitat", hábito, costume, caráter). Sendo nossa conduta construto cultural, é no ethos que se alinhava toda história da humanidade, em constante mudança (novamente Heráclito), sempre em processo de vir-a-ser.>>
(o texto)
Depois
de analisar a grande polemica da vez do <boyceta>, onde uma transsexual
se sente homem com órgão feminino (segundo ele mesmo no podcast, ele se sente
uma lésbica meio “bichinha”), e ver como as nomenclaturas vão surgindo de um
modo bastante estranho e sem achar se aquilo faz ou não sentido. Dai vamos
fazer uma analise sobre o estruturalismo e como Foucault analisa a questão
referida. Poderemos dizer, em linhas gerais, o estruturalismo é uma corrente de
pensamento que busca identificar as estruturas que sustentam todas as coisas. Ora,
segundo a teoria, os fenômenos da vida poderiam ser identificados através de
suas inter-relações. Ou seja, o estruturalismo pode analisar as partes e
avaliar um tudo.
O pós-estruturalismo – com nomes como Foucault – vai
surgir como uma critica ao estruturalismo por causa da sua estruturação de
significado dos termos. Ou seja, esse movimento critica o estruturalismo na
questão de significado, pois, essa crítica é sobre as estruturas determinantes
de um complemento do significado. Porque, enquanto o estruturalismo buscava
padrões universais, o pós-estruturalismo enfatizou a contingência, a diferença e
a pluralidade. Indo mais além – chegando em Derrida – questionou a estabilidade
dos significados e a hierarquia das palavras. Poderemos fazer breve ligação da
cultura woke (acorda) dizendo que, os “wokes” também valorizam a diversidade de
perspectivas e questiona narrativas dominantes. Ou seja, o Dj Juppiter, poderia
se definir como “boyceta” porque o pós-estruturalismo tira as definições
universais e as pessoas podem se definir como quiserem.
Mesmo porque, a cultura woke é um movimento ativista que
busca conscientizar as pessoas sobre questões sociais, como racismo,
desigualdade e discriminação. Eles compartilham com o pós-estruturalismo a
preocupação em despertar a sociedade para problemas e promover mudanças. O
problema é a radicalização dessa suposta conscientização que “patrulha” coisas
que nem ajudam nesse intuito, nem fazem jus com nomes como Michel Foucault em
denuncias sobre preconceito e discriminação. A própria esquerda tradicional,
digamos assim, não gosta da cultura woke e nem dá crédito como um movimento
legitimo.
Qual é o problema? Os nomes das coisas (substantivo
comum) e os nomes próprios (substantivo próprio), sempre nos foi ensinado, na
gramatica, como algo importante dentro da linguagem. Do mesmo modo, os
significados que existem e o porquê eles existem, eles são parâmetros para
seguir uma singularidade. Você pode se definir como um cavalo – como muitas
pessoas se definem – mas, ao olhar para a pessoa, você vai enxergar um ser
humano que tem “vontade” de ser um cavalo. Poderemos ate definir uma outra
discussão entre fantasia e realidade que, por muito tempo, você pode ver nos
fãs de filmes como Star Wars (criando até estruturas religiosas jedis) e ate
mesmo, Star Trek (como uniformes) que simulam um ambiente igual. Talvez, indo
além ainda, poderemos colocar a cultura woke como uma estrutura de simulação e
simulacro dentro de estruturas do possado que não existem (como o movimento
reacionário), pois, colocar um Aquiles negro, por exemplo, não vai
conscientizar nada e não vai representar nada. Porque sabemos que Aquiles era
branco e grego (podendo ser até loiro).
Poderemos colocar assim, que não é questão de
universalizar Aquiles, como vimos do exemplo, mas demarcar aquilo que já se
caracterizou. Existe uma diferença de caracterização com o conceito, ou seja, as
características são aquilo que se parece e o conceito é aquilo que se explica
aquilo que existe. A característica e o conceito, a meu ver, é a realidade em
um todo. Outro fator que se deu, não menos importante, foi a questão da
pós-modernidade ter colocado tudo em uma grande narrativa. Por exemplo, se você
pegar e olhar uma árvore, você está vendo uma narrativa que te colocaram
(tecnicamente, você foi condicionado) como fosse uma verdade que aquilo é uma
arvora. Dai temos que voltar em Nietzsche e dizer, sem duvida nenhuma, que a
frase <não existe fatos eternos e nem verdades absolutas>, ele estava se
referindo em verdades morais. Ou melhor, existem verdades que são relativas (verdades
subjetivas) e realidades objetivas (objetos concretos).
Mas Nietzsche nunca negou a realidade objetiva, mas negou
a verdade moralista de universalizar questões de crenças religiosas (de fé) e de
moralismo religioso (moral teológica). Essa diferença entre moral religiosa e
moral social levou os “estados laicos” a existirem.
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