terça-feira, novembro 04, 2014

A Terceira via para o ser humano




por Amauri Nolasco Sanches Junior

O que estamos vendo nesse momento é um ódio ingenuo em dois lados, um apoia a instauração de um governo socialista e que dê igualdade para o povo e o outro, que defende uma democracia mais limpa e livre de corrupção e com intervenção militar. O que o brasileiro na sua maioria não está entendendo que no meio dessa “bagunça” toda está milhares de interesses e se esses interesses não forem abalados, nada sera feito porque não interessa nem aos militares (mesmo na ditadura deve ter ocorrido inúmeros casos de corrupção). E há em nossa cultura – luso europeia – uma religiosidade muito mais latente do que um pensamento politico, porque não tivemos uma construção da nossa cultura, dentro de um pensamento politico. Então, o Brasil meio que saiu da idade media após a democratização politica dentro dos idos de 1985 com a vitoria de Tancredo Neves. Há discussões inúmeras sobre o modelo politico, mas na verdade – hipocritamente ou não – somos um povo tradicionalista e não aceitamos mudanças do paradigmas que estamos acostumados a termos na nossa convicção, isso é muito claro, que só a moral salva. Só que não é qualquer moral, tem que ser a moral e o bom costume da igreja que os comunistas comem criancinhas e que o capitalismo é a liberdade irrestrita. Se o capitalismo aliena, o socialismo aliena muito mais.

Há quem diga que o socialismo não veio de Karl Marx (1818-1883), que na verdade o socialismo veio de uma variação do comunismo instaurado por Joseph Stalin (1879-1953) na União Soviética. Que só há dentro do marxismo puro o comunismo que há particularidades pequenas, mas há essas particularidades. O socialismo é uma socialização da economia e as vias de produção, por exemplo, se o sujeito ganha mil reais por mês, esse mesmo sujeito ganhará mil reais por mês a vida inteira e todos ganharão mil reais por mês. A economia inteira gira em torno desses mil reais, por mês, você tem o direito de ter um saco de arroz e um saco de feijão e tem que raciocinar, porque a comida tem que ser socializada por todos. Essa comida é fornecida pelas produções estatais e não podiam ser produzidas por particulares, não pode ter comercio, não pode ter iniciativas privadas, não se pode ter religiões (por isso sacerdotes morrem de medo do socialismo), não pode ter nenhuma coisa que restringe essa socialização econômica. O comunismo é algo muito mais a comunidade de fato, os índios pré-colombianos por exemplo, eram sociedades comunistas (há uma baita confusão nesse requisito), que acabou virando comunalista por causa da deturbação do termo comunista. Então só nos resta ater em uma dinâmica única, o governo não pode e não deve se meter na liberdade do cidadão, porque ele acaba burocratizando os meios para esse meio se tornar “justo” e acaba não sendo, porque cada pessoa pensa o que seus valores o condiciona.

O capitalismo veio junto com a industrialização, essa coisa que o homem sempre foi capitalista é historia fiada. O que não é historia é o meio que ainda hoje o capitalismo usa – que nada mais eram do que os burgueses da idade media que ficavam vendendo coisas em seus burgos e com a revolução francesa, tomaram o poder usando as mesma coisas que os reis e o clero usava com o povo, a alienação – são meios de alienar o povo de sua real intenção, vendendo uma liberdade que não existe, uma igualdade que não existe e uma fraternidade que não existe. Aonde você tem uma liberdade plena? Aonde você tem uma igualdade plena? Aonde você tem uma fraternidade plena? Quando dissemos que temos liberdade estamos falando que temos o direito de temos nossa dinâmica da vontade, somos seres que temos consciência de nosso direito de ir aonde quisermos e o que determina isso é a consciência do objeto e a vontade que resulta a um objetivo. Esse objetivo é sempre para suprir aquilo que a nossa consciência deve colocar como prioritário – são símbolos que tornam aquilo importante – como o desejo de ir ou conter aquilo para o meu bem estar. Acontece que o capitalismo usa esse desejo como meio para suprir um desejo que não existe, a necessidade primordial é ter o que comer, ter o que vestir e ter onde morar. Só que o capitalismo dará pelo meio publicitário, desejos que ele mesmo não precisa, que não necessita em um primeiro momento. O capitalismo diz que você tem toda a liberdade de escolha, mas para ter algo você tem que trabalhar para conseguir aquilo, porque ele convence você, que aquilo trará a liberdade que tanto quer. Só que você fica prezo nesse processo de produção, ganhando o mínimo – que há um deficit do salario que Marx vai chamar de mais-valia que é o ganho que não chega no preço do produto que é produzido e assim, fazendo o trabalhador a trabalhar mais e juntar para comprar aquele produto que produz – e pensando que trabalhando o ser humano exerce o poder de ir e vir, mas que não supri todos os desejos que pensa ser importante e assim, o capitalismo tem sua mão de obra perpetuamente. Que entra também um pouco do que Immanuel Kant no século dezoito vão chamar de comodidade do homem a minoridade, ou seja, é muito confortável para o ser humano ter um tutor moral para botar a culpa.


As pessoas não entenderam uma coisa, não tem nenhum sistema econômico, não tem nenhum sistema politico que queira igualdade, liberdade e fraternidade do ser humano. Na verdade o ser humano é ainda iludido pelo que ele se diz detector de todas as mudanças que ocorrem no mundo, mas ele ainda não entendeu que se o universo quiser – se para ele o ser humano tiver atrapalhando a dinâmica universal como algo a ser evoluído – ele vai extinguir o ser humano e não vai ter jeito. Foi assim na era cambriana, foi assim na era jurássica e vai ser assim, se o ser humano não quiser evoluir, vai ser a próxima especie. Mas acredito que com todas essas coisas acontecendo no mundo, chegamos a um período onde há o ponto critico e se não deixarmos as ilusões, vamos assistir mais uma extinção porque o planeta deve evoluir. Então, na melhor das hipóteses, há uma maneira de evoluir e dar ao homem algo para ampliar a sua consciência, pois a consciência deve ser ampliada. Se somos o meio para parte do mundo evoluir, o que somos e o por que somos? Como poderemos evoluir diante de tanta mediocridade e de tanta comodidade mental em torno de algo que quem deve mudar é você mesmo? O homem tem o poder de mudar as coisas sendo ele um ser racional, podendo falar o que pensa, podendo fazer o que pensa, podendo expressar sua vontade. O que falta ao homem é sair dessa mediocridade que não ajudará a nenhuma mudança se essa mudança não for feita por você mesmo, não tem ideologia, não tem religião, não tem forças nem malignas e nem benignas, mas as atitude do homem com o próprio homem fazem as coisas benignas ou malignas. Se quer mudança busque você, se quer algo, busque você, se quiser ser seja você, porque não é a toa que devemos conhecer a nós mesmos, porque conhecendo a nós mesmos vamos conhecer a única força que importa, a sua vontade. Essa é a única lei. 

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segunda-feira, novembro 03, 2014

A verdade está lá fora


Uma ilustração com Jesus, Buda e Krishna caminhando juntos na porta do caminho para o palácio divino. Que poderíamos colocar, como o caminho para a verdadeira espiritualidade. 






por Amauri Nolasco Sanches Junior.



Eu sempre assistia “Arquivo X” e ficava pensando se aquilo era ou não era verdade, pois há um mistério muito grande dentro do universo e dentro da nossa realidade. Ao longo dos anos que se seguiram, eu li as teorias físicas e teorias de outras civilizações que vinham para a Terra – mas isso aconteceu muito depois com o advento da internet – que até existe uma área nos Estados Unidos que é um mistério, a área 51. Mas para mim é tudo historia de pessoas que ficam alimentando o ser humano com medos afim de dominar, fácil enxergar isso, damos o problema e damos a solução para esse problema. Muitos “equisotéricos” – mistura de exotérico com esquisito – ficam gritando aos 4 ventos de governo oculto, Iluminati e coisa e tal e acredita cegamente em coisas que não existe, o mundo é muito grande para ser dominado. O que existe é o explorador e o explorado, o que temos de ideologias politicas são apenas teorias politicas para dar uma certa esperança ao ser humano, mas em todas essas ideologias, contem o explorado e o explorador. O que devemos fazer é elevar nossa consciência evoluindo e entendermos alguns processos que alteram a nossa vida e de todos a nossa volta, pois entendermos como funciona o meio onde a realidade funciona, onde podemos mudar ou não a realidade de fato.

Muitos sábios que estudaram e filosofaram sobre tudo quiseram entender a realidade, pois nenhum ser humano entende a realidade e sua natureza intima. Muitos irão dizer que a realidade é o que ela é, uma arvore é uma arvore e não tem como ela não ser uma arvore. Mas vamos ir a fundo na questão e até ser muito cético, a realidade poderia ser o que achamos o que ela é e não ser nada o que pensamos ser. Em um outro momento a arvore pode ainda ser uma semente, poderia está crescendo de maneira diferente e até, não existir. Na teoria quântica da realidade, existe muitos mundos no infinito, agora estou escrevendo, mas em outro momento não estou escrevendo, num certo momento estou meditando e por ai vai. A dinâmica do universo é muito estranha para nós, porque já se comprovaram vários fenômenos inexplicáveis que ainda se procura explicação. Esses fenômenos já explicam que a realidade pode não ser a realidade, mas muitas realidades e essas realidades podem ou não ser uma só. A grande explosão (vulgo Big Bang) se criou a realidade que conhecemos, mas conhecer não é entender, para temos o esclarecimento temos que entender. Para a maioria há um conhecimento de tudo, mas a maioria não entende o porque que tudo existe. Posso estar digitando esse texto, posso ter uma ordem dinâmica dos pensamentos que quero passar nesse texto, mas se eu não entender o que estou escrevendo não posso botar ordem nele. Entre a harmonia e o caos está a o conhecimento e o entendimento, porque conhecer não é ter a informação se você não entende aquele conhecimento. Sera que estamos no caminho certo? Sera que o medo é a falta de entendimento de alguns fenômenos? Pode ser ou não, mas existem meios para descobrir a natureza intima desses fenômenos.

O medo tem colocado o ser humano no processo dominador a uns 5 mil anos, inventaram um ser ultra humano que criou tudo e seu inimigo eterno que quer destruir tudo, então a realidade se fez dessa guerra astral. Em um outro momento, inventaram um ser que julga conforme sua vontade e se você não se curva a ele todos irão para um território que fica num domínio de um querubim que se rebelou, depois foi expulso com sua legião de seguidores dessa guerra. Essa guerra astral é para colocar medo nos explorados e assustá-los para serem conformistas, fazerem o que os exploradores quiserem senão irão para o inferno. O que a maioria não quer entender é que não existe nem o paraíso e nem o inferno, mas sim, o estado da consciência que continua porque há leis universais que devem equilibrar a realidade. A consciência infinita que volta a sua fonte – já que tudo é energia – é apenas a existência de infinitas existências que temos, o que existe é uma só energia. Mas de onde vem essa energia? Sera que essa energia é a mesma da criação?

Como disse, a realidade está muito longe de ser desvendada por causa das inúmeras certezas absolutas que as pessoas – muitas delas não deveriam pregar e sim ensinar – dizem ter, que religiões enganam pessoas, que não existem “Deus” ou “deuses”. Mas no fundo do seu intimo sabe que o ser humano nega tudo aquilo que o assusta, aquilo que não entende e tem que ter uma explicação, que muitas vezes, tem que ser simples e objetiva porque deve acalmar seu anseio. Talvez por isso as religiões pentecostais e neopentecostais tenham tantos adeptos, pois seus ensinamentos são objetivos e ensinam que não há mais nada além disso, que toda e qualquer aparição e descoberta é criação do “inimigo” que é satanás, então, há um objetivo do homem em se livrar do pecado. Só. Não há o porque querer entender os fenômenos, pois quem quiser entender os fenômenos ficara “louco” ou na melhor das hipóteses, ficara longe da divindade. Tanto que dizem que as outras religiões estudam muito, que só a bíblia é a verdade. Só que a maioria não entende – por isso o entendimento é importante – que há uma diferença muito grande entre a espiritualidade e a religiosidade. Porque de repente muitas pessoas colocam ser religioso com suas orações e ritos, além de seguir um sacerdote (que seria um tutor espiritual), em ter uma espiritualidade e nada tem a ver, isso até quem se diz ateu, confunde. Religião vem do latim religare que tem a ver com religar o ser humano a força divinas, consciências muito além daquilo que entendermos – se bobear até seres superiores são adorados por religiões – e que construiu nossa realidade. Acontece que se estamos dentro da criação e se somos parte de toda a matéria e energia desse mesmo universo, por que temos que ter uma religação dessas forças criadoras? Dai nesse ponto somos obrigados a olhar em uma perspectiva muito mais abrangente, porque ai está a verdadeira espiritualidade e o porque não devemos esquecer do espirito mesmo se nós viemos de outros seres.

Dai explicaria nossa habilidade de pensar? Explicaria nossa habilidade de não ter pelos? Alguns vão dizer que o nosso lado biológico se adaptou melhor sem os pelos por causa das savanas africanas, mas outros vão defender que o ser humano evoluiu ao mesmo tempo em todos os continentes ao mesmo tempo. Se houve essa evolução então não há explicação para para não ter pelos e então, não há explicação da evolução e não tem explicação que viemos dos símios terráqueos e se por algum motivo viemos, algo muito provavelmente, modificou a linha dessa evolução. Mas o que ocorreu? Eu lembro do seriado quando eu era muito pequeno que se chamava “O Elo Perdido” e mostrava um menino pré-histórico (se não me engano se chama Chaca), e criaturas que não eram humanas e viviam em cavernas (pareciam esses seres que o pessoal diz ser abduzido). Eu achava tudo aquilo estranho, mas como eu era novinho achava nada naquilo. Depois eu fui notando que varias coisas que eu via nas tvs quando era garotinho, eram teorias físicas e até teorias de origem do ser humano. Mas ai existem pessoas que dizem: “ah Amauri, isso é ficção, não existe”. Qual o critério do que existe e não existe? Qual o critério de descartar uma hipótese? Não há que negar que o universo seja infinitamente muito grande para ter certezas tão absolutas, mas podemos dizer que existe um mistério muito maior e muito mais horripilante que pode existir, o eterno retorno. Ali, segundo varias teorias, está o futuro e o passado da humanidade e explico.

Segundo algumas teorias, os chamados extraterrestre que abduzi o ser humano não passam de seres humanos vindo do futuro. Encontraram uma forma de vim ao passado – vejo que são seres muito a frente do futuro – e querem corrigir uma falha genética que ocorreu que não podem mais se reproduzir. Podemos imaginar que de alguma maneira o ser humano clonou ou sei lá, e tirou o poder de reprodução natural e não teríamos o prazer ou até o amor. Ora, o seriado mostra que esses seres ficariam entre os homens pré-históricos para roubar o planeta e dominar, mas não passavam de criaturas medíocres (bem seriados dessa época). Existe outra hipótese, que o governo norte-americano inventou esse tipo de coisa para dispersar o medo de uma guerra nuclear e o mais bizarro, essas supostas abduções nada são do que experiências do próprio governo e que eram maneiras de adquirir material genético sem ao menos criar alarde. Estranhamente, após a guerra fria, há fenômenos – que podem ser sinais para o ser humano entender que existe uma realidade além – mas não há mais abduções como andavam tendo. Talvez, o ser humano não tenha entendido que não são outros seres que vão dar jeito em nosso planeta, mas sim a humanidade e sua capacidade mais do que obvia que é a capacidade do raciocínio. Para raciocinarmos e temos a consciência do ambiente onde estamos – ambiente como comunidade mesmo – devemos entender o que é o ente, o que é que estamos fazendo e o que não estamos fazendo. O ente existe a partir do cogito e é esse cogito que fará com que o ser humano entenda que ele é único, não há igualdade enquanto pensamento, não há guerra de classe se ninguém pensa igual. A própria física derruba isso, porque o tempo é relativo para cada ser em todo universo, porque o universo está além do horizonte das nossas próprias ideologias. Podemos dar dez mil para cada cidadão, cada um vai fazer o que achar que tem que fazer com esse dez mil e existira pessoas que esse dez mil não dará. O ser humano ainda não entendeu que é a posição de sua consciência é o que vale e não a igualdade, porque enquanto o ser humano ainda não perceber que o homem enquanto ser que pensa e sente o ambiente onde vive, pode modificar seu estado e sua realidade. Porque mudar sua realidade é estar consciente da sua existência e se estamos conscientes que só existe a minha existência – indo no mesmo caminho que Descartes pegou para provar a existência de Deus e todo seu principio ativo e único, pois se ele é um ser consciente ele é tem a consciência da sua existência – então estamos conscientes que existimos e se existimos somos a realidade e se somos a realidade somos o principio ativo do mundo. A consciência faz de nós seres que somos levados a nossa vontade – essa vontade se tornara a única realidade que temos – de ir onde pensamos em ir, pois o pensar (cogito) só é ativo se percebemos que temos que interagir conosco e com o ambiente, pois assim, construiremos algo dentro do mundo e da realidade aparente. Por que realidade aparente? Porque tudo é momentâneo e nada pode durar além daquilo que fará – como consciências permanentes – elevar até a realidade ultima que poderemos entender o motivo da existência de tudo.


Isso fica aparente quando olhamos o Gêneses que só é a síntese daquilo que o explorador quer do explorado, ele quer que não tenhamos consciência de si mesmo. Porque o ser humano é só feito para trabalhar e esse trabalho é uma condenação divina, não podemos sair disso porque é uma condenação daquilo que podemos ser em especial e dentro do texto está isso. Elohim diz que se o homem comer o fruto da arvora da vida iria se tornar iguais a eles, então, o homem comeu o fruto e viu a realidade e a realidade é que o homem poderia ver a si mesmo. Sua nudez é a pureza e a pureza foi coberta pela moral, pelo poder que as religiões podem tomar dentro da consciência de cada um do ser humano e não é isso a verdadeira espiritualidade. A espiritualidade não é ser contra as pessoas, mas entender cada um na sua esfera da realidade igual a cada universo que exista ao cosmo. A verdadeira espiritualidade não combate o mal, pois o bem e o mal são medidas que aprendemos a usar e se olharmos dentro da medida, aprenderemos a olhar que cada ser é um universo e se é um universo, é uma realidade. A libertação do homem não é condicionar o ser em uma liberdade onde pensamos ter direito – pois a existência é muito mais do que mera existência – mas sim, libertar o ser humano a uma liberdade espontânea sem amarras ideológicas e sem se apegar em pensamentos tutores minoritários (pegando um kantismo). Dai talvez podemos ter o entendimento daquilo que é além do que estamos acostumados e a frase de John Cárter (diretor e roteirista do Arquivo X e Frigie) tenha sentido, a verdade está lá fora, está no infinito de hipóteses e oportunidades que ainda nem sonhamos em descobrir. De repente, caímos na real e poderemos ver, que não somos os únicos a termos consciência dentro até do próprio planeta Terra – olhando os cetáceos – e que tem uma realidade muito maior acima dessa realidade que nos condicionamos. Somos seres de consciência e sabemos disso, só falta olhar além do horizonte de um infinito condicionado. 



Um conto que tem a ver com o texto: 


O PEREGRINO DOMINIQUE -> UM CONTO

terça-feira, outubro 28, 2014

Karma Yuga






Por Amauri Nolasco Sanches

A Lei do Karma prega que responsabilidade para as ações nasce da pessoa que os comete. Nem bom nem ruim, o karma é neutro, um constante equilíbrio de forças entre nós mesmos e o mundo em que vivemos. É um sistema dinâmico, autoajustável no qual existe um feedback constante de acordo com a maneira com a qual nós aceitamos ou recusamos nossas experiências a cada momento. Nossa reação e atitudes diante da experiência é mais importante que a própria experiência. Pois KARMA significa 'ação'. Literalmente, alguma coisa 'que inicia um movimento 'em algum tempo no passado' tem um efeito em algum outro tempo.”(Lakshmi Lobato)



Lendo esse pensamento da minha amiga Lak Lobato, eu fico pensamento em tudo que anda acontecendo dentro do cenário politico e do próprio ser humano. Há um erro muito grande que o ocidental ainda alimenta graças a religião judaico-cristã – que tem uma leitura literal tanto do livro sagrado dos judeus, o velho testamento, quanto o livro sagrado dos cristãos, o novo testamento – aonde é colocado como um castigo na mesma proporção da saída do homem do paraíso por causa do fruto do conhecimento. Não é nenhum castigo. Na verdade, “karma” é um termo sânscrito que quer dizer “ação” e toda ação há de ter uma causa para aquela ação, porque tudo que fazemos de bom e de ruim, em um outro momento dentro das leis do universo, voltarão para você. Como a minha amiga disse, toda a responsabilidade da ação que todo ser humano comete, em um outro momento, se voltara ao mesmo ser humano como um bumerangue. Não tem nada de castigo, só é o efeito de uma causa. Se matamos alguém, de alguma maneira o universo se deve equilibrar o tempo e a permanência do espaço que não tem mais o indivíduo que está morto, foi arrancado de sua existência. Outro exemplo, para ficar mais fácil, um pendulo de um relógio que os dois lados devem se equilibrar para um não ir além do que o outro e haver um equilíbrio. A bondade espiritual nem sempre é a mesma bondade humana, porque a bondade espiritual é pura e sincera e não trata uns melhores do que os outros.

Yashua (Jesus), vai nos dizer que o reino dos céus são dos “pequeninos” por causa da pureza do pensamento e a ação sincera sem a bondade que quer algo em troca – que o filósofo Sócrates combateu com sua maiêutica – que muitas vezes, não é o que precisamos de fato. Nem sempre o que as pessoas pregam como moral ou como espiritual é realmente uma mensagem pura, porque já está contaminada com os valores morais que recebeu, isso não é vivido muitas vezes, em algumas crianças. Quer pergunta mais sincera do que uma pergunta de um “pequenino”? Yashua não disse diferente da lei do karma, pois tudo aquilo que fizer para o outro, voltará na mesma proporção e não é castigo. Então, poderemos dizer que a liberdade só se faz valer quando temos dentro de nós mesmos serenidade para perceber algumas comunicações, junto com essa serenidade vamos ter dentro de si a consciência que nos mostra a pureza. Pois em outro momento, Yashua nos diz que não devemos dizer para o outro para tirar as travas do seu olho se não tirarmos as nossas, não adianta aceitar sua palavra ou seu ensinamento e não refletir julgando o outro a partir de seus valores que recebeu. Temos varias passagens de cunho espiritual que podemos analisar mais a fundo sobre o karma, mas por hora, ficamos na reflexão como algo a ser percebido e repensado. Como a mais conhecida de todas as passagens que defende a mulher de ser apedrejada e Yashua no final diz “...vá mulher e não peques mais,”. O pecado é o distanciamento de toda a lei karmica que pode ser resumida em um só pensamento, não faça aos outros o que não quer que façam com você, assim toda a ação não consequência em um efeito e vice e versa.

Buda Sidharta Gautama procurou a causa de todo o sofrimento, mas meditando em um rio – assim se conta – ele viu uma tigela flutuar dentro de um encontro de dois rios. Viu que não ia nem de um lado e nem no outro e ai ele pensou no equilíbrio, na vida equilibrada que poderia dar ao seres humanos um equilíbrio e serenidade para não sofrer. O budismo nos diz que o karma é a ação egoica que só pensa em si mesmo – que podemos dizer que é um pensamento de tirar vantagem sempre – e ilusório porque no momento aquilo existe, no outro momento aquilo não existe. Todos os fatos e tudo que existe são passageiros, o que realmente existe, é a ação e o efeito dessa ação como consequência de nossos atos e a ilusão é achar que tudo que fizemos, tudo que passamos, é culpa do outro e nem percebemos que toda a ação deve ter uma reação. Será que a maioria das dificuldades que temos na vida, as doenças que levam a um estado de depressão, um estado de ansiedade não é fruto de nossas próprias ações? Se hoje vivemos em uma ilusão onde o ser humano ainda insiste em dizer que somos condicionados por informações e religiões que enganam – muitas vezes se deixam enganar – são a ação do próprio homem que tem como meta não o desenvolvimento de si, mas a sobrevivência de um mundo que só muda o paradigma politico, no entanto, a essência da ilusão é a mesma. O budismo diz que o karma é somente um evento que existe que foi somente causado pelo primeiro, sendo, que toda causa por ordem e por uma lei irrevogável, tem seu efeito.

Ora, toda ação que acontece dentro do nosso movimento é movido por nossa vontade, porque mesmo que essa vontade seja condicionada pela ilusão, mesmo assim, a ação que levou a nós fazer o que fazemos é pela nossa vontade. Mas tudo é energia – mesmo que não acreditamos em assuntos metafísicos – a física comprova isso em escala universal, porque tudo depende dessa energia e mesmo a minha vontade depende dessa energia. Se agora estou escrevendo esse texto e estou pensando o que irei escrever é energia criada em um campo de ação (karma) e vai resultar em um texto e esse texto uma reflexão (dharma), o dharma é a lei natural e podemos chamar de realidade – não a realidade ilusória que todo ser humano acredita em estar – mas a realidade natural que um dia poderemos conhecer. Dai com o conhecimento e o método (método vem do grego “methodos” que quer dizer caminho) certo, poderemos achar o caminho ao equilíbrio universal e esse equilíbrio universal e a quebra do que o budismo chama de samsara, ou a roda do destino. Curiosamente, o filósofo alemão Nietzsche vai dizer que estamos num eterno retorno, porque tudo que não assumimos que a vida nos desafia, vamos sempre viver aquilo até tomarmos uma atitude. É o que muitos não entenderam, as ações geram conflitos entre o que é e o que se pode ser, só que o que se pode é uma ilusão, porque estar na hipótese e o que foi é apenas o que ficou de lembrança. Então, aquilo é o que ele é hoje, no agora, nesse instante verdadeiro e único. Ao escrever esse texto eu não quero que ele termine, porque estou feliz de escrever esse tema, mas um dia ele tem que acabar e terei que passar pela morte desse momento, esse prazer quando é superado é um sofrimento e se é sofrimento não é o prazer. Talvez essa seja a ilusão, tratar as coisas e os prazeres como se fosse eternos e não são, são momentâneos. A eternidade é a consciência e a responsabilidade de nossos atos.

Então, podemos nos ater em sempre fazer o melhor para progredir sem “muletas” conceituais e sem se apegar ao outrem como um meio, mas se apegamos em nosso próprio meio. Se nasci com deficiência, não foi um castigo porque a própria bíblia dizia que Yashua (Jesus) disse que o “pai” é amor e não castiga ninguém e sim, dá cada um a oportunidade para cada um viver feliz. Μas minha deficiência é decorrente a uma ação de algo que meu espirito assumiu, ou algo que tenha que viver para obter certo aprendizado, porque meu espirito assumiu esse desafio e posso obter muitos aprendizados. A ideia de castigo, tem a ver com a ideia do perfeito, a ideia que só as pessoas perfeitas tem condições da felicidade e esse conceito é um conceito único dentro dos inúmeros que são conceitos ilusórios, porque nem o universo se comporta assim.


O que é certo ou errado? O que é livre e o que não é? São perguntas que devem ser respondidas em nosso coração, pois cada coração é um universo. Cada um faz do universo e seu infinito, assim, construímos nosso próprio karma.   

Essa musica tem a ver com o tema do texto



quinta-feira, outubro 23, 2014

Consciência – queda e ascensão.








Por Amauri Nolasco Sanches Junior.


Nesses dias deu a calhar de assisti o filme “Lucy” que é muito interessante, porque abre a discussão da expansão da consciência e o limite que o ser humano pode ter com essa expansão. Primeiro o filme faz referencia a que chamaram de um achado arqueológico que deram o nome de Lucy, a primeira mulher que teria gerado boa parte da humanidade e o nome é referente a uma musica dos Beatles, “Lucy In The Sky With Diamonds”. Aliás, fica claro que o filme é uma referencia a musica também, porque a tradução diz: “Lucy no céu com diamantes” que é as viagens que se fazia tomando ácidos ou uma viagem entre a queda e a ascensão espiritual. Na verdade – viajando bem na “maionese” que esse texto vai fazer e é uma escolha do leitos ler ou não, por isso já aviso – o filme tem um viés muito mais além do que cientifico, que as pessoas ainda não sabem distinguir e nem poderiam distinguir com nossa cultura positivista iluminista (extremo ceticismo) e conservadora (extremo cristianismo) em não olhar possibilidades. Ninguém aqui está dizendo ser verdade ou mentira, é uma reflexão e devemos criar hipóteses viáveis ou não.

Em minhas pesquisas, li vários textos em português e um pouco em inglês que me fizeram refletir numa coisa, os em inglês não colocaram como verdades absolutas e os de português, já colocaram. Por que acontece isso? Porque o brasileiro lê uma coisa e já coloca como verdade incontestável e não pode, porque a ciência empírica é feita de pesquisas e essas pesquisas não são conclusivas, pode ser que usamos 100% do nosso cérebro, como pode ser que usamos 10%, mas as pesquisas não concluíram nada ainda. Podemos começar com a pergunta: se usamos 100% do nosso cérebro, por que não entendemos ainda a natureza da matéria, por exemplo? Por que temos tanto medo? Por que temos tantas incertezas ainda? Essas questões não são respondidas e se são, são respondidas com bastante superficialidade. E a ciência não se responde com essa superficialidade toda, ela responde com hipóteses que podem validar e pode não validar. Então, vamos a “philosophia” da questão.

Ora, qual a natureza da matéria? A matéria até aonde sabemos, se formou com átomos feitos de partículas produzidas, talvez, da grande explosão primordial (big bang). Mas o mais interessante é que no filme, quando Lucy expande a consciência, ela diz que a única medida confiável e o tempo. E se pensarmos direito, a matéria se forma exatamente no instante que a explosão inicia nosso universo – que pesquisas recentes dizem que podemos ser produto de uma estrela na 4º dimensão – e graças ao tempo, como medida, os átomos se formam e segundo a Teoria da Relatividade, até a gravidade se forma. O tempo corre como um “rio” e o espaço é a expansão das águas, então, a matéria como conhecemos é expandida graças ao tempo. Então, podemos dizer que a medida pode ser o tempo? O medo é fácil detectar sua natureza que vem na incerteza, vamos dizer que não temos certeza de nada, nem que exista seres de outro planetas inteligentes ou não, nem que exista espíritos, existe pesquisas não concluídas. Se não sabemos da onde viemos e para onde vamos, não existe um “porquê” da nossa existência. O cartesianismo nos ensina que podemos duvidar da existência da realidade – como objeto – mas não podemos duvidar que pensamos, não podemos duvidar da nossa existência. O medo é a falta da nossa autoafirmação da realidade objetiva, porque eu sou o que sempre fui no tempo, e serei o que sempre foi minha natureza porque sou fruto desse mesmo tempo. Se eu sou produto desse tempo, outros devem ser e o universo é muito grande e existe varias possibilidades, que não podemos descartar. Já nessa mesma analise há uma discrepância enorme de maneiras de raciocínio, então diante disso podemos concluir e até duvidar se realmente usamos 100% do nosso cérebro.

Como o escritor e filósofo Herculano Pires na obra “ O Ser e a Serenidade” disse que os teólogos tem o mal de tornar os signos (símbolos) em objetos e coloco no ser humano em geral. Ele coloca esses signos como objetos e esses objetos nada são do que símbolos por natureza, porque uma cadeira, por exemplo, só é uma cadeira quando temos vontade de sentar se não, teremos um objeto qualquer ali. Mas voltando, no mesmo livro o filósofo nos faz um belo raciocínio em que Adão é a queda e Cristo é a ascensão. Não nos é a toa o nome do texto e ai está o simbolismo, vamos a “philosophia” da questão. Adão do hebraico “אדם" tem relação tanto com adamá “solo vermelho” ou “barro vermelho”, quanto adom “vermelho” e dam “sangue”. Mas há outras versões e significados como “homem”, “feito de Deus”, “aquele que foi criado” etc. Já Cristo – como titulo a Jesus de Nazaré – vem do grego “khristos” que quer dizer “o ungido” e é uma tradução do hebraico “mashiah” que quer dizer “untar, ungir”. Entre muitos significados, o que cabe aqui do ungir é purificar, a purificação da consciência. Se do ser bruto que sai do estado de ascensão da consciência com o “fruto” da arvore da vida. Mas que “fruto” é esse? Adão como “homem de barro (vermelho)” faz referencia a queda. Aquele que saiu do paraíso (consciência) e que teve que “...comer com o seu próprio suor” (materialismo?). Cristo é o ungido é a purificação (cruz vem do grego “xylom” que significa “arvore” ou “madeira”) e essa purificação é da alma, porque o homem sai da sua consciência elevada (queda) graças ao distanciamento, e ganha com a purificação da consciência (ascensão). A bíblia sagrada que é cristã e judia, nos deu a dica, mas não é a única que nos dá, existem vários livros sagrados que nos tira da zona de conforto existencial – que muitos chamam de alienação – e nos darão outra realidade. Como disse acima, o problema maior, é tornamos algo que são simples símbolos em algo que é objeto.

Fica claro que nossa realidade não passa de mera subjetividade, quando nos deparamos com um infinito de situações e possibilidades que vamos ter dentro do nosso mundo. Lembramos que o próprio Jesus disse não trazer a paz e sim a espada, pois a paz (conformidade) não mudara sua visão diante do mundo e a espada (a ascensão) é o modo que podemos chegar até ao criador. Mas somos criaturas de algo maior ou apenas produto de uma ilusão muito maior que vai além do que chamamos de simulação? Não sabemos, sabemos que a nossa realidade pode não ser o que pensamos que ela seja. Algum tempo atrás tudo podia ser medido e previsto, hoje sabemos que não poderemos prever nada, porque tudo depende da causa que movimentou aquilo ou causou aquele fenômeno. A leitura da nossa consciência como tal, é uma leitura da realidade e se limita aos signos (símbolos) que conhecemos. Então, podemos sim usar todo nosso cérebro, mas não usamos toda a nossa consciência que esta depositada no inconsciente. Muito provável – não tenho um porcentual verdadeiro – aproximadamente temos 10% do consciente (aquilo que percebemos) e temos outros 90% do inconsciente (aquilo que não percebemos, mas fazem de nós o que somos) que ai sim, damos o porcentual de 100%. Então, podemos concluir que os livros de “auto-ajuda” não estão errados, o que acontece é a confusão entre a mente e a consciência. Dai voltamos ao que o filósofo Herculano Pires disse dos teólogos, que transformam símbolos em objetos, porque nem sempre tratamos mente como cérebro, mas uma parte da consciência.

Isso é o que aconteceu, nós estamos expandindo nossas consciências para além do que nossos ancestrais precisavam, sendo ainda mal entendida, entre a mente e a consciência há uma diferença muito grande. A mente é o que o cérebro leia a alma, ou seja, para a alma operar com o corpo, vários sistemas e processos químicos tem que acontecer. A consciência é a alma operando com a intuição, ou seja, a consciência vai além da mente porque a mente só percebe o que “aprendemos” como real, a consciência vai muito além do que “aprendemos”. As vezes, ou sempre, o que aprendemos é o que nos aliena – que Karl Marx vai dizer que o capitalismo faz para melhor dominar seus empregados e Sartre vai dizer que todo alienado é condicionado pela má-fé – porque não é nós e não conhecemos nossos limites e quem realmente somos e sim, o que o outro quer que sejamos. A mente é a mascara social que o sistema nos aprisiona, nos amordaça para nunca termos a consciência. O ser humano perde sua essência quando o meio social te domina, o fruto do pecado é o poder, a alienação que a serpente (o poder e o medo) diz para Eva (vivente) a comer e dar a Adão (o homem do barro vermelho) a comer também. Esqueceram da consciência, que na verdade, ficou na inconsciência. Então, o problema não esta na mente e sim na consciência.

O filme mostra que Lucy transcendeu todo o limite do tempo, ela viaja no tempo porque ela rompeu o bloqueio da mente, ela flui na consciência. Quando flui, ela começa a compreender tudo que está a volta, começa a manipular toda a matéria e quando isso ocorre, ela se torna o TODO. Ela voltou ao paraíso além do tempo e do espaço, porque se tornou parte de algo transcendente e que compreendeu a existência – entrou em estado de consciência onisciente – que os budistas chamam de nirvana e os cristãos chamam de estado de graça. Dai os críticos não entendem porque só enxergam o lado cientifico materialista, porque não vão além, porque o autor funde a ciência com o transcendente. Porque ela compreendeu que aquilo não existe, a matéria não existe, são ondas que podemos compreender e manipular e uma coisa muito interessante acontece, ela vai até a Lucy, onde a humanidade descende. O passado e o futuro se fundem em um só objetivo.


O filme é uma viagem interessante que pode ser o inicio de uma discussão mais ampla e com menos “certezas absolutas”. 


The Beatles Lucy in the Sky with Diamonds (Legendado)



domingo, setembro 21, 2014

“Transcender” digitalmente.






Por Amauri Nolasco Sanches Junior.


O filme “Transcendence: A Revolução” trás uma discussão sobre Inteligencia Artificial  e qual o fundamento da transcendência de uma autoconsciência humana.  O filme trata de um casal de programadores e pesquisadores que pesquisam a inteligencia artificial, mas o único problema é que a inteligencia artificial não teria uma autoconsciência como acontece com o ser humano ( em partes ). Nesse período tem os radicais anti- tecnologia – sempre tem radicais que querem mudar o mundo pela força – que envenenaram o pesquisador Will Caster (Jhonny Depp) com radiação em uma bala, sua esposa então descobre uma pesquisa do seu marido de dar uplaud em consciências de macacos e tenta ela mesma fazer isso com ele e dá certo. Bom, encurtando a historia, ele vira uma inteligencia artificial pesquisando tudo pela internet, curando pessoas, fazendo construções graças a nanotecnologia e claro, o governo não gosta daquilo e se junta com os radicais jogam um vírus que destrói tudo. Um fator foi o medo do desconhecido, outro fator foi se não é meu, não vai ser de mais ninguém e todo o mundo fica sem nenhuma tecnologia ficando um mundo pré-histórico. O governo americano ferra o mundo e deixa ele sem nada. 

Uma ideia que tive é que de repente de um misero ser humano, programador, pesquisador, casado, envolvido em uma pesquisa de inteligencia artificial (no intuito de descobrir onde essas pesquisas dariam), cercado de radicais que querem salvar o mundo daquilo que “acham” que escraviza a humanidade (como se eles não estariam escravizados pela suas próprias ideias) e é claro, o governo que quer controlar esse tipo de pesquisa por motivos óbvios; se torna um tipo de consciência transcendente dentro de um hardware e operando com o software aprende sem a limitação cognitiva corporal, o limite não existe em cálculos e em conhecimento. A historia também entra na discussão da etimologia (estudo do conhecimento) que parte do principio que o limite de qualquer conhecimento é acreditar ou não naquilo, são as emoções que nos fazem seres ainda limitados. Mas o ser humano é um animal que exige muito mais do que raciocínio, o real é medido graças ao medo ou ao que acreditamos e fazemos com os valores que nos regem. Então, não importa muito se o ser humano é ou não um ser que percebe, porque ele além de ter uma consciência daquilo que percebe, ele tem a capacidade de construir a realidade daquilo. Mas estamos falando de transcendência do conhecimento, uma autoconsciência que são perguntadas duas vezes dentro do filme. 

Transcendência vem da filosofia metafisica que a igreja utilizou dentro de sua teologia, que Deus seria um ser que estaria além do tempo e do espaço e transcendia toda a matéria. De alguma maneira, como toda obra literária e cinematográfica, o filme trás essa discussão como base da inteligencia de um homem conter em um computador, a consciência começa a se expandir. O conhecimento sempre leva outro e a consciência sempre se expande dentro da sua capacidade – até dá para discuti a restrição de nosso cérebro aguentar ou não a expansão dessa consciência – mas que ela procura a novas ligações, isso é fato. Será que nossa limitação é nosso próprio cérebro? Há varias teorias sobre isso, também há varias teorias sobre a transcendência – que muitos insistem em só analisar o ponto de vista religioso e não, possivelmente, num ponto de vista também subjetivo e mental – onde o ser vai além da sua capacidade mental, subjetiva e cognitiva da realidade onde estamos condicionados. 

Quando analisamos ou nos perguntamos o que seria a realidade, sempre ficamos a merce de opiniões do tipo que a realidade é tudo que vimos e tocamos. Mas já paramos para analisar que nossa realidade é apenas átomos que dão forma a objetos ou formas de vida? Se batemos em uma mesa, o som que vai vibrar em nossos ouvidos são apenas vibrações dos átomos da minha mão que se chocam nos átomos da mesa. São vibrações que dão a energia o bastante para se vibrarem a ponto de surtir um som e se for muito forte, pode romper a tal ligação, quebrando a mesa. Então, na melhor da hipótese, a realidade é um amontoado de moléculas que vibram e escondem algo muito mais essencial, algo que a fez vibrar e formar tudo que existe ao nosso redor. Ao enxergar isso, em certo sentido, fazemos uma analise transcendendo a realidade que todos acreditam ser real e colocamos a realidade que vai muito além do senso comum. A realidade não passa de energia que dá aos átomos vibrações o  bastante para sermos o que somos – isto quebra um pouco o existencialismo sartreano que diz que a existência procede a essência, porque mesmo numa forma física, somos feito de energia e dentro dessa energia pode conter nossa essência, além da consciência -   e ser o que somos é o proposito da transcendência, quando nos perguntamos o porque dela. Dai “desembocamos das águas cartesianas” ao dizer que se sabemos da essência é porque estamos pensando e sei ou presumo saber, que a consciência humana é sua essência por fazê-lo perceber a sua existência, ou seja, se sei que existo é por causa da minha consciência da minha existência e essa consciência é a prova irrefutável da minha existência enquanto ser consciente. Tanto é: que tenho plena consciência do que estou escrevendo e que esse texto contem, tenho plena consciência do passarinho que esta cantando no meu abacateiro, porque percebo a realidade que esta em minha volta. Mas toda essa percepção tem um limite cognitivo, porque não dá para saber o que acontece fora do perímetro onde estou. Não dá para perceber a televisão na casa do vizinho, posso até perceber por causa do som alto ou imaginar e saber, que ele tem uma televisão, mas não dá para perceber o que ele está assistindo. Há até uma ou algumas teorias que no futuro nós, seres humanos, possamos evoluir o bastante para ter telepatias e até ter um aumento na audição – coisa bem dentro da logica da própria evolução humana dentro dos avanços tecnológicos – mas tudo não passa de especulação (embora acredita até certo ponte ter uma base dentro da biologia e na física) ou, ainda temos a limitação cognitiva e não sabemos que nosso vizinho está assistindo. 

Podemos pegar uma hipótese e colocar uma consciência dentro de um computador com a capacidade para tal – seja qual for a consciência – e ligar ele dentro da rede, será que essa consciência iria se expandir ao ponto de construir outras consciência dentro da virtualidade? Sera que o universo é uma virtualização ( potência ) ou uma pratica ( ato )? São perguntas que vão ao encontro, de repente, dentro das teorias dentro da física que permeiam o meio cientifico e as vezes, existem filmes que nos chamam para essas questões. Porque se o universo é pratica, ou seja, ato de existir, ele é uma realidade por ele mesmo e não pode ser refutado e pode-se até perguntar onde e o porque desse ato. Se o universo seja uma virtualização, ou seja, um potencial objeto a existir, então ele é um pensamento e nós junto com tudo que existe é apenas um pensamento de uma inteligencia maior. Se for um potencial, estamos presos em uma dimensão que tem atos prontos a nos comandar, mas se for ato, somos livres para escolher o que fazer e descobrir o que é o universo.  Só que há a incerteza dentro da física que diz que a realidade e o átomo – essa incerteza está dentro da relatividade geral e dentro da física quântica – e tudo que existe não tem uma certeza de suas leis e como existem, depende do seu observador. Mas tanto uma virtualização ( potência ), quanto a pratica ( ato ), o universo é incerto dentro do ato em si no surgimento – que se fez no big bang – e sua finalidade e como não sabemos sua finalidade ( talvez conter vida inteligente ), não poderemos medir seu fim. De repente também esse começo e fim nos limite em algumas ideias que ainda insistimos como “certezas absolutas”, como se o universo tivesse uma certa obrigação de ter uma finalidade, e talvez, não contem nenhuma que nossa lógica ou nossa percepção limitada possa pensar. A “finalidade ultima” é uma questão teológica e não lógica na essência, prefiro a “fronteira final” que seria uma nova etapa dentro da evolução humana e talvez, um nascimento de uma psicologia transcendente. 

Voltando a questão da consciência dentro de um computador: poderemos até entrar, isso é importante, na questão ética. Sera que essa consciência, com a expansão do conhecimento, teria a mesma ética que o ser humano tem? Porque ele teria todas as vias para chegar a alguma pessoa que não obedecesse ou que quisesse descobrir algo, dai de repente, o modo ético deve ser pensado. Mas há até a questão de se ter ou não o direito de fazer o “upload” dessa consciência, porque não se sabe a reação da consciência dentro dessa maquina. E porque não, de repente, voltarmos a velha discussão sobre a alma humana e se esse “upload” da consciência, não daria certo por causa da alma humana. Há um erro lamentável em querer analisar a alma na filosofia e a alma na religião, que de repente, colocar essa analise muito semelhante e não nos dará o foco que precisamos nesse caso. Mas podemos tentar desmistificar a alma, mas não negando a sua total essência ( não concordo em analisar nada pelo viés de lógica, principalmente, quando se trata de analises metafisicas  ). Se irmos pelo caminho platônico, que naturalmente chegaremos ao seu mestre Sócrates no qual nunca negou, que a alma tem uma substância simples ( não compota ) que não contem matéria ( imaterial ) e que não tem fim, ou seja, imortal. Outros, muitos deles contemporâneos, colocam a alma como um conjunto de sentimentos e sensações que nos fazem humanos. Claro que somos a única espece primata que tem esse tipo de consciência – o porque é motivo de discussão a séculos – então podemos dizer, sem medo de errar, que nossa alma seja sentimentos e sensações que construímos dentro de nossas leituras subjetivas e morais. Não é diferente da religiosa, onde “deus” coloca no primeiro homem ( no caso ocidental, Adão, que vem do hebraico adam que quer dizer “homem” que alguns estudiosos dizem que tem origem em sânscrito “adi-aham” que “adi” significa “primeiro” e “aham” significa “ego”, ou seja, “o primeiro ego” a primeira personalidade) seu sopro ( pneuma ) e ele se tornou humano graças a alma divina. Daí dizemos que somos a imagem e semelhança de Deus – no ponto de sermos uma centelha divina – porque carregamos parte da energia da criação em nós, e isso é dito em muitas religiões e filosofias, porque temos a escolha e a vontade de construir nossa realidade e as potenciais realidades possíveis. Só nos prendemos na nossa incapacidade corporal de entender certos princípios dessa realidade ( possível ou não ), mas pesquisas já nos trazem realidades que não sabíamos que existimos. De repente, com toda essa reflexão, tivermos mesmo chegado na fronteira da ética moral da consciência, pois com ela e através dela, que poderíamos construir inúmeras realidades e se é ético colocá-la ali dentro do computador. 

Se tivemos razão e a alma é como a teoria socrática- platônica que a alma é algo imortal e imaterial, até mesmo nossos sentimentos e sensações, sera que essa consciência não iria rejeitar ficar nesse computador? Sera que somos fortes o bastante para deixar a realidade onde nos encontramos? Na verdade, como se existisse alguma “verdade”,  não sabemos que a realidade é a realidade e nem que alguma realidade exista. Podemos viver em uma simulação, como o “jogo da vida” fabricado a alguns anos, ou podemos ser uma realidade do nosso próprio cérebro e circunstancias que levam a essa realidade. Ou, muito pior, estamos fadados a uma dimensão que leva a essa realidade e leva a sermos o que somos. De repente, como nos dizem as teorias recentes, pode ter em outras dimensões um Amauri que não tem nenhuma deficiência, ou que não esta escrevendo esse texto, ou está em outro ambiente, ou nem exista e está em outra consciência. O fato de sentimos o que estamos sentindo, não explica a existência, porque o que estou sentindo ou pensando é construído dentro dos valores subjetivos que estão em meu ambiente e está em minha memória. E se talvez, num modo ou de outro, nossas fantasias são na verdade, memorias de uma outra Terra que pode ter tido tais criaturas? E se na verdade, somos uma consciência só vivendo em diversas dimensões, que ao dormir sonha estar em outra? Nossas reflexões chegam até o surreal – estou achando esse texto surreal – mas a essência da filosofia não é contestar os mitos? Mitos são só mitologias ou também são imagens fantasiosas da realidade? Poderemos ser um produto de um sonho de uma outra inteligencia, sendo assim, existimos potencialmente e não em um ato. Interessante é que muitas religiões e filosofias orientais chegam a tal contestação e é um pensamento razoável para não se prender em nada – por causa da negação dessa realidade – então não poderíamos se preocupar com a realidade e com as coisas irrelevante. 

Mas o que é relevante ou irrelevante? O que é certo ou errado? As emoções nos comanda ou nossa racionalidade? A consciência é feita de sentimentos ou racionalismo? E uma pergunta que nos intriga a séculos a fio: o que é o ser humano? Se não sabemos o que somos e o principio de nossa realidade, que a evolução não acontece por causa da estagnação humana, como poderemos fazer um “uplaud” da consciência em um computador? Nem mesmo sabemos o que é a consciência e qual o papel para o ser humano dessa consciência, a essência e para que serve ela para   a evolução humana. Poderemos só ter lembranças vazias de algo que são apenas ondas cerebrais – como se guardássemos um filme em um CD – mas não haveriam emoções que colocassem nessas lembranças, valores. Mas por que colocamos valores? Quais os objetivos desses valores? Uns dizem que são culturais, outros que são inatos. Se são culturais, por que modificam? Se são inatos, por que não evoluem esses valores? Serão perguntas que talvez serão respondidas ou não, mas ainda estaremos muito longe dessa “fronteira final” ao encontro de uma consciência única. 

segunda-feira, setembro 15, 2014

Machismo ou molecagem?





Recebi isso de um amigo que acabou deletando:

regras para namorar minha filha:
1 - arrume um emprego.
2 - entenda que eu não gosto de você.
3 - jamais venha a minha casa com a cueca para fora das calças.
4 - não use brincos, percingi ou costure a calça no corpo, tipo; Gustavo lima.
5 - se você
machucá-la eu vou te machucar "muito"
6 - traga ela de volta antes do horário combinado.
7 - faça um plano funerário.
8 - se você mentir para mim eu vou descobrir.
9 - ela é a minha princesa, não sua conquista.
10 - encontros apenas em lugares públicos, se quer um romance leia um livro.
11 - o que você fizer com ela eu farei com você.


Qual deveria ser a cabeça de uma pessoa que escreve um negocio desse? Primeiro o cara faz de tudo com a irmã e a filha dos outros e depois fica escrevendo isso para o hipotético namorado da sua filha, mostrando é claro, um machismo latente de quem realmente não sabe se colocar no lugar do outro. Já passou da hora das pessoas pararem de viver no seculo 19 e acharem isso normal, não é normal, é apenas pessoas que aprendem uma vida muito complicada e que os moços da vila são iguais aos que você foi em sua juventude. Não. Homem não é o “macho” da especie porque até onde eu sei, somos a especie “homo sapiens” e se somos os homens pensantes, porque não paramos para refletir que filhos não são nossa propriedade e não vai mudar se você tiver um rifle nas mãos. Só vai mostrar que seu lado imaturo e inseguro de deixar sua filha gostar e experimentar os momentos legais da vida e se isso te incomoda, desculpa meu amigo, você continua sendo aquele “moleque” que gastava horas dentro de qualquer lugar, só, e tão somente, para dar um “cata” nas filhas dos outros.


Nunca perdi tempo com ciumes da minha irmã, além disso, se tivesse uma filha, avaliava o que realmente vale a pena. 

segunda-feira, setembro 08, 2014

Planeta dos humanos – a origem da ilusão.





Imagem do filme, César e seu filho. 




Gostaria de continuar a discussão que comecei com meu texto “Macacos e Homens – ilusões culturais”, porque houve um acréscimo após eu assistir o filme “Planeta dos Macacos – o confronto” que me deu muito mais material para reflexão. No filme, podemos ver que existe um líder que foi modificado geneticamente – não me lembro bem – que idealizou um lugar só para os macacos que foram libertados e foram cobaias por muito tempo. O nome desse líder é César e não seria outro – não li o livro, mas está obvio a escolha do nome – do que o nome de Júlio Caio César o maior general romano que existiu e quando instaurou o império por causa da corrupção da republica, mesmo assassinado injustamente pelos seus inimigos políticos por fazer uma reforma geral em Roma, seu nome deu origem ao imperadores que usaram seu nome. Dai então, todos os imperadores eram chamados de “cesares” e virou um titulo até o fim do império (mesmo com a mudança do cristianismo como religião oficial). Não longe, César do filme, reina diante dos outros com pulso forte e não muito ditador, mas pensa no bem estar na sua comunidade e da sua família. Também tinha uma grande amizade com Koba, seu fiel comandante que foi extremamente judiado quando foi cobaia e talvez nos faça refletir sobre o sentimento animal – que no andar dos dois filmes, é muito questionado – e que o sentimento de ódio e querer se vingar, são partes humanas dentro da origem símia/hominoidea. Mas certamente, Koba se vinga dos humanos por uma questão humana e racional que ele também desenvolveu, porque a 3 macacos que poderiam ter consciência e esses 3 eram César, Koba e uma especie de professor que não me lembro o nome, mas Koba é o segundo nome a liderar.

Koba guarda dentro de si mesmo a questão não resolvida de ser uma cobaia, de ser judiado e de ser subjugado por questões de desenvolvimento de vacinas. No filme também é questionado se esse desenvolvimento de vacinas não criariam novas doenças – que no filme foi criado a gripe símia que dizimou muitos humanos em pouco tempo – e que a ciência pode criar seres que estarão nos mesmos níveis de consciência que nós e pode ser símios como nós somos. Como disse, Koba é um ressentido que guarda dentro de si uma vontade de vingança e com a certeza – mesmo César não dizendo coisas do tipo – que os macacos eram seres superiores e que monstra que tinham consciência. Os lideres e os sábios faziam a sociedade viver tranquilo até humanos quererem usar a hidroelétrica – por causa de uma cidade reconstruída – e começam os confrontos, só que Koba com seu ódio (medo escondido) não confia nos humanos e pega as armas dos humanos na cidade e tenta matar César por dar um voto de confiança aos humanos. Mas Koba usa a regra básica que César coloca na comunidade deles “macacos não matam macacos”, por causa do senso de comunidade que eles tem, e é uma regra a ser seguida. Ora, qual o limite de um ódio infundado de coisas que aconteceram a tanto tempo e qual a origem do ódio? Vamos lembrar – quem assistiu – que Koba começa a mentir e querer tomar o lugar de César e fazer sua vingança para mostrar sua superioridade dele e dos macacos (ele só deixa solto os que apoia ele e mata os que não lhe obedece). Ditadores são assim, são os oprimidos que querem oprimir e tudo é uma analise hegeliana, porque dentro da história do mundo que sempre foi assim. Tanto o filme, quanto o livro (que repito não li), tem uma severa critica social sobre a sociedade humana sua cultura. A critica da historia é um questionamento e uma reflexão se esses sentimentos humanos são realmente sentimentos inatos do nosso lado animal (e consequentemente, um lado dominador e violento), um lado que deveríamos neutralizar por racionalizarmos e enxergarmos nossa realidade (ambientes onde vivemos).

César é o lado humano que nos comenda na senda do que é melhor para nós e os nossos iguais, Koba é o lado animal que vem do nosso medo e consequentemente, com esse medo, vem o ódio de querer não só se libertar, mas dominar. César e Koba é o dois lados de um mesmo ser – racional e não racional – que se confrontam para dominar e para hora trazer a paz, hora trazer a guerra. Isso pode ser verificável em todas as culturas e os zilhões de impérios que existiram – na maioria das vezes eram oprimidos que oprimiram – que foram forjados a custa do medo, do querer não evoluir junto, mas dominar o outro como meio para conseguir dominar e acuar. Talvez, esse lado que temos de oprimir seja restos de um tempo que fomos caça e muitos animais, devoravam os seres humanos. De repente esse lado caçador, seja seguramente um lado nosso que teve que adaptar e dominar, tivemos que dominar e desenvolver rápido nossas habilidades para não sermos mortos. Os oprimidos acabam sendo opressores – essa opressão tem a ver com o desenvolvimento da cadeia evolutiva – que levaram o ser humano ao seu apogeu nessa cadeia evolutiva e tem a ver com nossa capacidade de viver e de ter consciência de tudo que nos rodeia.

Daí fazemos a clássica pergunta filosófica: de onde viemos para termos essa capacidade de criarmos e nos adaptarmos diante de milhares ambientes em todo o planeta? Sim! Porque o César do filme foi geneticamente “produzido” e se transformou em um chipanzé consciente e entende todo o ambiente e as situações que os fatos trazem. Por que, de repente, não somos produto de uma raça alienígena que por algum motivo, acelerou a evolução ou nos deu parte deles? Ou por que não poderemos ser produto de uma raça evoluída que a muito desapareceu ou de repente, saiu de nosso planeta para outro ou até, são povos intraterrestres? Não podemos nunca descartar nada, porque são perguntas que mexem com o que nos temos como realidade, porque muitas delas são forjadas como realidades virtuais. Então entramos numa questão que a anos, e porque não, a seculos nos fazem refletir, o teorema da caverne de Platão que cabe muito bem em nossa discussão. Ele coloca na “boca” do seu mestre Sócrates um teorema assim: existia um povo que nascia dentro de uma caverna sempre acorrentado e vivendo olhando uma parede, essa parede se viam sombras graças a chamas atrás desse povo e somente eram homens carregando caixas, mas as sombras produziam outra realidade. Mas um desses seres humanos se soltou dessas correntes e vai em direção da entrada da caverna, então em um primeiro momento a luz do sol de ofusca a visão, mas num segundo momento essa luz lhe mostra uma outra realidade que não via, era uma realidade que não enxergava e era muito mais ampla. Lembrando que aquela realidade é forjada e essa realidade é natural – Platão talvez, colocou em questão o pensamento analítico e o pensamento sintético – a realidade forjada é fruto da sombra que vimos o que queremos ver e a realidade natural, é aquilo que é o que é. Mas ao retornar para dizer o que viu e libertar os demais eles começam a dar risada e “caçoar” dele, o homem insisti e é morto pelos demais (alguns historiadores e filósofos, dizem que Platão falava exatamente do seu mestre). O que podemos tirar dessa passagem que nos forçara a analisar um conjunto de consciências e indagação dos meios culturais e ideológicos dos nosso tempo?

Se viemos de outra raça avançada, seja extraterrestre ou intraterrestres, então somos produto de uma outra cultura e se somos produto de outra cultura, somos um meio dessa cultura. Ser um meio dessa cultura nos fazem ir atrás dessa cultura evoluindo cada vez mais em torno de procurar uma resposta – talvez a resposta não esteja apenas o que vimos – e sempre entramos em perguntas básicas e extremamente, em torno do espanto filosófico. Só que, diferente dos pensadores gregos e os inúmeros pensadores ao longo da historia humana, estou analisando as coisas muito amplamente. Quando pensamos em existência pensamos no ato da percepção de tudo que está a nossa volta e pesquisas dizem que tudo veio num amontoado de ácidos, poeira estrelar (descobriram que nosso sistema solar está numa bolha de poeira cósmica de uma supernova) e uma explosão que originou o tempo e o espaço. Então houve um ato e esse ato – o primeiro – foi romper algo para libertar algo dentro de uma potencialidade dentro do existir, depois de bilhões de anos, talvez até mais, houve uma nova explosão em uma supernova e mais uma vez se fez o ato de criar o sistema solar, depois houve uma colisão entre planetas e mais uma vez, se criou algo como a lua. Até mesmo o ato e potencialização aristotélica, se criou a vida a partir de ácidos – podem ter vindo de fora ou podem ter tido um processo aqui mesmo – que criou células e essas células deram forma de seres simples a seres complexos, desses seres com inúmeras extinções, se criou a criatura que deu origem ao símios e dos símios ao ser humano. Mas você pode estar perguntando: onde você quer chegar? Ora, se somos símios que de alguma maneira criamos consciência, de outra nos modificamos demais de nossos parentes evolucionário com tanto pouco tempo, então só nos resta indagar se não somos produto de algo além do que chamamos de real. Ainda mais longe: por que temos necessariamente acreditar que somos produto de sorte, como alguns insistem, e por que somos produto do meio da evolução? Porque somos muito diferentes e muito além do que podemos dizer “filhos da Terra”. Dai podemos chegar dentro do que Platão diz dentro do teorema da caverna, toda realidade que pensamos ser um fato, muitas vezes, não é um fato real e sim, um fato ilusório.

Quando o ser humano saiu da caverna, ele se deparou com outra realidade e descobriu que aquela realidade não era a verdadeira, mas também, aquela de fora da caverna é uma extensão da realidade como um todo. Então, podemos concluir que o “cogito” cartesiano só é uma analise do sair da caverna platônico – alguns não vão concordar – porque o ser humano se descobriu e começou a enxergar por si mesmo. Quando o ser humano saiu da caverna ele se espantou com outra realidade e essa outra realidade lhe espantou – como todo mundo que se depara com outra realidade – porque era uma extensão daquela realidade com outro viés dessa realidade. O espanto foi da incerteza que pairou na mente dele que tudo não pode ser determinado, pois essa determinação de um fato concreto era apenas uma ilusão que se cria a partir de símbolos de status social. E para sair das “sombras” de uma realidade construída a partir de ilusões históricas e morais, o primeiro sintoma é o espanto, e não é a toa que Immanuel Kant vai dizer que o primeiro passo do “amor ao saber” é o espanto de não ter uma realidade. É o que trata esse simples teorema, uma simples historia para um simples pensamento, não há certeza da nossa realidade e de tudo que vivemos, mas há a certeza do “eu sou, eu existo” porque se eu estou pensando naquela realidade, então estou percebendo primeiro a minha existência. Santo Agostinho – antes de Descartes que provavelmente pegou carona nesse pensamento – vai dizer que mesmo errando, nós somos, como se não existisse algo perfeito e não existe determinismo de nada que chamamos real, mas eu ainda continuo sendo o que sou. Descartes vai mais longe para provar que o cético – nome dos antigos ateus e que não acreditavam em algum fenômeno mistico – também eram levados a algumas crenças disse a famosa frase “eu penso, logo eu existo” num contexto que se eu penso e sei da minha existência, nenhuma realidade é definida e podemos duvidar de todas as realidades e fatos (mesmo os científicos empíricos) que não são o que são. Se somos a imagem e semelhança de um Ser Divino que pensa, ele é sem ligar para as realidades transitórias e ele sabe que ele mesmo existe. Ou seja, não importa se discutamos se esse Ser existe ou não, por ele mesmo já é um fato ele existir e ele vai existir você acreditando ou não, ele já é um conceito. Se temos que duvidar, temos que duvidar de tudo e o pensamento cartesiano (o nome de Renê Descartes em latim era Renatus Cartesius) nos mostra que não é possível, porque não podemos duvidar de nós mesmos.

Voltando ao filme, podemos ver que César é consciente do que ele é e que não poderia ser, porque ele sabe que sendo macaco tinha suas próprias limitações. Sendo um líder consciente, ele sabia que numa guerra não se teria chance de ganho e só poderia saindo perdendo, pois numa guerra só os “mesmos” saem ilesos e os outros, são mortos e esses mortos só serão números. Koba, cego pelo seu ódio, cria a ideologia que os macacos são superiores e que por serem “pacíficos” - nesse momento fica claro a critica e a contradição – são muito melhores que os humanos e que os humanos devem ser eliminados. Fica claro a critica (não julgadora, mas analítica porque vai afundo na questão) social que vai desembocar dentro das ideologias que “cegam” e os seus adeptos, seguem sem discuti ou perguntar o porque daquilo. As ideologias são apenas a “sombra” platônica, Koba está envolvido em uma realidade dentro da “sombra” que ele vê e não enxerga por causa da sua ilusão ideológica. Vimos isso inúmeras vezes dentro da historia humana e vamos ver muito mais, se o ser humano não enxergar essa ilusão que somos superiores, não somos, somos consciências que estamos aprendendo a nos encontrar e só quando nos encontraremos, encontraremos a razão de tudo. César é o ser consciente, o ser que mostra a verdadeira liderança, o rei filosofo que se vê diante da ideologia e ilusão.

O filme nos mostra nosso lado humano e ao mesmo tempo, nosso lado símio que ainda é latente naqueles que não sabem que podem pensar, e que ainda, estão acorrentados sem enxergar outras realidades. Aqueles que não pensam só existe uma realidade entre muitas...



Amauri Nolasco Sanches Junior