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| Crédito/Metrópoles |
“Por
falta de repouso nossa civilização caminha para uma nova barbárie.
Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram
tanto. Assim, pertence às correções necessárias a serem tomadas
quanto ao caráter da humanidade fortalecer em grande medida o
elemento contemplativo”.
(NIETSCHE,
F. Humano, demasiado humano)
O
filósofo coreano e professor de filosofia na Alemanha, Byung-Chul
Han, diz em algum lugar no seu livro Sociedade do Cansaço que “A
sociedade disciplinar ainda está dominada pelo não. Sua
negatividade gera loucos e delinquentes. A sociedade do desempenho,
ao contrário, produz depressivos e fracassados.”. Han argumenta
que a sociedade disciplinar do filósofo Michel Foucault (1926-1984)
deu lugar a sociedade do desempenho, pois, no lugar de disciplinar o
indivíduo com regras, ele começa a colocar o indivíduo a descobrir
a si mesmo. Há uma discussão na filosofia pós-moderna, que começa
a questionar a humanidade nessa necessidade de ter exito, ser feliz,
saber desfrutar o que se tem de melhor. Ninguém posta num Instagram
o que tem de verdade, aliás, estamos numa sociedade que abomina a
verdade. As verdades têm que caber na minha ideologia, na minha
religião, naquilo que eu tenho que confiar como realidade.
Quando
o filósofo grego Sócrates disse que só o conhecimento vai te levar
até a verdade, ele está dizendo que com a verdade vai se chegar ao
que o ser humano chama de felicidade. Mas, achamos que a felicidade é
ter e não ser, porque o inconsciente coletivo já está impregnado
em objetivos que não são deles e sim, do outro. Meu objetivo de ser
bem-sucedido, não é meu e sim, o objetivo é do outro, porque eu
trabalho para o outro, eu penso para o outro e não a mim mesmo. A
felicidade socrática — uma quase felicidade metafísica — não
tem a ver com qualquer objeto e objetivo fora de si mesmo, mas, tem a
ver com o conhecer a si mesmo e saber que a felicidade e ser você
mesmo e não colocar uma máscara social. A essência da bondade é
descobrir sua própria natureza e não ser o que a sociedade te
impõem como certo, uma normalidade do discurso em que temos que ter
um herói para acabar com todos os problemas. Não vai. Cada um
deveria ser cidadão o bastante e colocar uma solução viável para
aquilo que atormenta a sociedade.
Ai
que está, se os lulopetistas têm como herói a imagem do
ex-presidente Lula, que corrompeu toda máquina estatal possível, o
bolsonarista-olavete tem como herói o clã Bolsonaro. Se um montou
um mundo ético que não conseguiu sustentar, o outro montou um mundo
ético dentro da religião evangélica que graças ao seu filho mais
velho, também não está conseguindo se sustentar. Ai entra os dois
extremos de uma sociedade que ao mesmo tempo é disciplinar — ao
ponto de achar melhor perder seus direitos civis em um regime Militar
— e também, é uma sociedade do desempenho (ao ponto de esquecer a
ética e as leis, para sustentar o desempenho do seu
estabelecimento). E pasmem, existem pessoas (e não são ignorantes)
que defendem que acessibilidade foi feito para corromper e ganhar com
fiscalização. Mas uma dúvida se faz necessário: que fiscalização?
Aonde podemos dizer que existe fiscalização de alguma coisa? Não
há. E a ética fica seletiva graças a um tom ideológico que para
uma parte antagônica não voltar ao poder, tem-se esconder as falhas
do outro lado.
Ideologicamente,
os bolsonaristas-olavetes estão bastante voltados dentro da direita,
mas, também voltado ao cristianismo. Na minha cabeça, para você
ser cristão, você deveria seguir Jesus. E para seguir Jesus tem que
seguir seu amor e sua bondade verdadeira, assim, cairmos na bondade
socrática platônica. A bondade socrática é a descoberta de si
mesmo como uma verdade da sua própria natureza, Jesus diz que somos
“deuses” e devemos se voltar para si mesmo e voltar a nossa
própria natureza para amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo
como a si mesmo. Mas, como amar o próximo verdadeiramente? Empatia.
Se colocar no lugar do outro, imaginar como seria você naquela
situação e Jesus sabe da natureza do nosso espirito, sabe na
natureza do universo. Ele ser retratado como gay, como vigarista,
como maconheiro não faz diferença, mas, a essência da sua mensagem
que importa.
O
que é uma ética além do caráter? Será que tem a ver com uma
cultura que já veio corrompida? A seletividade dessa ética é muito
mais do que cultural, ela tem a ver de precisar de ídolos e se
agarrar nesses ídolos. Somos um povo agarrado na verdade, mas, não
sabemos em que verdade acreditar porque se é avesso a cultura e ao
estudo. Sempre se quer alimentar o nosso ego.

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