domingo, dezembro 22, 2019

Ética de chocolate bolsonarista-olavete



Foto: Reprodução
Crédito/Metrópoles


Por falta de repouso nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto. Assim, pertence às correções necessárias a serem tomadas quanto ao caráter da humanidade fortalecer em grande medida o elemento contemplativo”.
(NIETSCHE, F. Humano, demasiado humano)




O filósofo coreano e professor de filosofia na Alemanha, Byung-Chul Han, diz em algum lugar no seu livro Sociedade do Cansaço que “A sociedade disciplinar ainda está dominada pelo não. Sua negatividade gera loucos e delinquentes. A sociedade do desempenho, ao contrário, produz depressivos e fracassados.”. Han argumenta que a sociedade disciplinar do filósofo Michel Foucault (1926-1984) deu lugar a sociedade do desempenho, pois, no lugar de disciplinar o indivíduo com regras, ele começa a colocar o indivíduo a descobrir a si mesmo. Há uma discussão na filosofia pós-moderna, que começa a questionar a humanidade nessa necessidade de ter exito, ser feliz, saber desfrutar o que se tem de melhor. Ninguém posta num Instagram o que tem de verdade, aliás, estamos numa sociedade que abomina a verdade. As verdades têm que caber na minha ideologia, na minha religião, naquilo que eu tenho que confiar como realidade.
Quando o filósofo grego Sócrates disse que só o conhecimento vai te levar até a verdade, ele está dizendo que com a verdade vai se chegar ao que o ser humano chama de felicidade. Mas, achamos que a felicidade é ter e não ser, porque o inconsciente coletivo já está impregnado em objetivos que não são deles e sim, do outro. Meu objetivo de ser bem-sucedido, não é meu e sim, o objetivo é do outro, porque eu trabalho para o outro, eu penso para o outro e não a mim mesmo. A felicidade socrática — uma quase felicidade metafísica — não tem a ver com qualquer objeto e objetivo fora de si mesmo, mas, tem a ver com o conhecer a si mesmo e saber que a felicidade e ser você mesmo e não colocar uma máscara social. A essência da bondade é descobrir sua própria natureza e não ser o que a sociedade te impõem como certo, uma normalidade do discurso em que temos que ter um herói para acabar com todos os problemas. Não vai. Cada um deveria ser cidadão o bastante e colocar uma solução viável para aquilo que atormenta a sociedade.
Ai que está, se os lulopetistas têm como herói a imagem do ex-presidente Lula, que corrompeu toda máquina estatal possível, o bolsonarista-olavete tem como herói o clã Bolsonaro. Se um montou um mundo ético que não conseguiu sustentar, o outro montou um mundo ético dentro da religião evangélica que graças ao seu filho mais velho, também não está conseguindo se sustentar. Ai entra os dois extremos de uma sociedade que ao mesmo tempo é disciplinar — ao ponto de achar melhor perder seus direitos civis em um regime Militar — e também, é uma sociedade do desempenho (ao ponto de esquecer a ética e as leis, para sustentar o desempenho do seu estabelecimento). E pasmem, existem pessoas (e não são ignorantes) que defendem que acessibilidade foi feito para corromper e ganhar com fiscalização. Mas uma dúvida se faz necessário: que fiscalização? Aonde podemos dizer que existe fiscalização de alguma coisa? Não há. E a ética fica seletiva graças a um tom ideológico que para uma parte antagônica não voltar ao poder, tem-se esconder as falhas do outro lado.
Ideologicamente, os bolsonaristas-olavetes estão bastante voltados dentro da direita, mas, também voltado ao cristianismo. Na minha cabeça, para você ser cristão, você deveria seguir Jesus. E para seguir Jesus tem que seguir seu amor e sua bondade verdadeira, assim, cairmos na bondade socrática platônica. A bondade socrática é a descoberta de si mesmo como uma verdade da sua própria natureza, Jesus diz que somos “deuses” e devemos se voltar para si mesmo e voltar a nossa própria natureza para amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a si mesmo. Mas, como amar o próximo verdadeiramente? Empatia. Se colocar no lugar do outro, imaginar como seria você naquela situação e Jesus sabe da natureza do nosso espirito, sabe na natureza do universo. Ele ser retratado como gay, como vigarista, como maconheiro não faz diferença, mas, a essência da sua mensagem que importa.
O que é uma ética além do caráter? Será que tem a ver com uma cultura que já veio corrompida? A seletividade dessa ética é muito mais do que cultural, ela tem a ver de precisar de ídolos e se agarrar nesses ídolos. Somos um povo agarrado na verdade, mas, não sabemos em que verdade acreditar porque se é avesso a cultura e ao estudo. Sempre se quer alimentar o nosso ego.

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