
Amauri Nolasco Sanches Junior
Uma das frases do filósofo Luiz Felipe
Pondé é que deveríamos seguir religiões de mais de mil anos de
tradição. Como eu gosto da doutrina espírita e leio bastante
sobre, eu descordei dele por muito tempo. Como filósofo, o discordar
de alguma ideia, não quer dizer que o outro é uma porcaria e tudo
que ele diz é uma porcaria. Fui entender esse pensamento quando eu
comecei a analisar certas coisas que acontecem dentro do natal e não
só, mas outras questões éticas que trazem dentro de uma certa
cultura. As pessoas ficaram barulhentas e sem graça ao ponto de
postarem baladas, fumando narguilé e outras porcarias. Que aliás, o
narguilé é uma tradição oriental — me parece, da Índia — que
não deveria ser para fumar maconha ou ácidos, mas, água
aromática. Estamos criando uma geração de bunda moles que nem
sabem o que estão fazendo e acham que são sucesso na internet. Sem
conteúdo, você não gera conteúdo e não adianta chorar.
A questão é grave e deveria entrar como
saúde
pública. Em um canal de YouTube que fala de vida cotidiana chamado
Acidez Feminina, a Tati responde algumas duvidas de pessoas que só
souberam aonde ir quando eram espermatozoide do pai. Ora, uma dessas
cartas dizia que o marido da mulher que escreveu sempre escreve para
sua mãe se vai viajar, se vai passear, se vai fazer alguma coisa
porque sua mãe exige. Tati disse que a mulher deveria compreender
esse tipo coisa e deveria deixar o homem, ser o bebe da mamãe o
quanto ele quisesse. Primeiro, que o cara beira aos 38 anos de idade
e deveria ter idade o suficiente para dizer a mãe que ela não
precisa se preocupar. Segundo, além da nossa sociedade produzir
homens bunda moles, bebezões que não sabem nem criar seus próprios
filhos, idolatra a família e isso é muito ruim dentro de uma
sociedade. Minha mãe sempre nos ensinou — eu e meus irmãos —
que devemos amar as pessoas sem ficar “grudadas” nelas, como se
fosse, um desapego. Eu que estou numa cadeira de rodas, com certas
limitações, minha mãe me empurrou praticamente, para viajar
sozinho com os amigos aos 16 anos de idade. Quando eu não queria ir,
praticamente, ela dizia algo para que eu fosse. Seu último pedido
antes de se for, foi para mim me cuidar e estou me cuidando. A
grande lição da minha mãe é que você cria seus filhos para o
mundo e não para você mesmo, seu egoismo só vai fazer você criar
um belo de um bunda mole que não sabe nem pegar um copo de água
sozinho. Gentileza é uma coisa, achar que mães chatas são
intocaveis, é bem diferente.
O que tem a ver a Tati com o Pondé? O
Pondé nos remetem a tradições milenares onde a formação das
crianças eram feitas para melhorar e continuar essas tradições,
mesmo o porquê, as crianças eram futuros cidadãos daquela polis.
Não interessa o que uma mãe achava, a criança iria se submeter ao
agoge espartano, muitas vezes, jovens eram mandados a estudar em
outras partes do mundo. Na verdade, a esquerda e mais
especificamente, a filósofa Marilena Chauí, não está errada, a
família de hoje foi inventada pelo capitalismo. A estabilidade
social precisava ser feita para reconstruir as nações logo após a
segunda guerra mundial, então, inventaram a família de marca de
margarina. Na essência, não existe felicidade plena sem antes nos
desapegarmos a certas particularidades que não valem a pena
continuar. O apego faz sofrer porque nada é permanente, como dizem,
não há caixão duplo. A permanência nos coloca em imaginar que
exista algo eterno, porém, mesmo que algo seja eterno ele não pode
mudar? Será que existe essa eternidade que coisas ou seres são
eternos? Mesmo eu lendo bastante coisa do espiritismo, para mim pelo
menos, a eternidade evolui conforme o conhecimento que acumulamos e
não acredito em castigo ou karma no sentido popular.
A Tati pensa igual todo mundo — mesmo
que seu canal tenha um nome acidez feminina, onde remete que acidez é
a desconstrução molecular de algo — onde a família é sagrada e
não tem o que discuti. Ora, a questão familiar é uma questão
social, uma questão que abrange o futuro humano e como disse, a
família como conhecemos, é muito recente. Tanto é, que na era
vitoriana, a moda era tirar foto de cadáveres como se eles tivessem
vivos. Isso é uma amostra o quanto o desapego era frequente antes da
família doriana. O mundo não era tão idealizado e os seres
humanos, não criavam seus filhos para lacrarem. Não se criava os
filhos para se apegarem a mãe e quando um parente morria, ficar até
mesmo, com depressão. Aliás, se confundem tristeza profunda com
depressão, que pode por ventura, atrapalhar quem realmente sofre com
a doença.
Sabemos muito bem, que o filósofo alemão
do final do século dezenove, Nietzsche, tinha razão em achar que a
quebra dos verdadeiros valores iria produzir vários ressentidos. O
cristianismo é a prova disso, pois, produziu vários ressentidos que
destruíram várias tradições antigas por não entender aquilo.
Achava que o poder tinha que te dar o pão e que finalmente, lá no
paraíso, ele seria alguma coisa. Todo ressentido é um nada. Mesmo
que Jesus tenha dito que tudo que ele fazia, todo mundo também pode
fazer, mas, Jesus fazia no meio da multidão e ao ar livre, não em
templos. Uma das passagens ele diz que se deveria desapegar de tudo e
todos para segui-lo, pois, cada homem tem uma missão. Ser cristão
não necessariamente, você é seguidor de Jesus. Muitas tradições
cristãs vieram de outros povos e do império romano, filosofias
diversas, e etc. Então, qual o significado de destruir aqueles que
não seguem se a igreja universalizou Jesus ao ponto de colocar
outros rituais lá dentro? Será mesmo que somos todos ateus?
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