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quinta-feira, janeiro 09, 2020

A Filosofia e o Mindset




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Amauri Nolasco Sanches Junior


Todo mundo tem uma coisa para idolatrar, seja o dinheiro, seja personalidades famosas, seja políticos e seja termos da moda. Aqui no Brasil, temos sempre a mania de importar termos e conceitos dos americanos sem se dar conta, que a nossa cultura é de uma maneira e a deles é de outra maneira. Os americanos gostam e adotaram muito a psicologia dentro de várias áreas, para controlar o mercado e outros setores pelo comportamento. Aqui, muito diferente dos americanos que estudam e planejam qualquer coisa que vão fazer (por isso mesmo a psicologia), não se tem o hábito nem de leitura, nem de planejamento de nada, porque a nossa cultura adotou a prática. Só que tem um problema, se gosta de termos e se estuda coisas fáceis que dão prontas as respostas, sem muito fazer pensar. Nosso povo não gosta de pensar. Gosta de fórmulas mágicas e facilidades corporativas. Por isso mesmo, a moda dos coaches tenha entrado tão facilmente dentro do mercado brasileiro, porque a nossa cultura tem imensa facilidade de incorporar “gurus”.
O conceito de mindset é uma mudança da sua mente enquanto uma espécie de mapa do caminho das soluções. O termo tem dois termos em inglês, o mind que quer dizer mente e set, que quer dizer configuração, ou seja, o mindset é uma reconfiguração daquilo que achamos que é o caminho para nossos problemas. Ou, configurar nossa mente para não sair no pensamento do fracasso, do pensamento que vai dar errado e tudo mais que o pessoal acha errado. Esse é o problema. Demonstrar foco naquilo que você está fazendo, é uma coisa e aliás, sempre temos que focar naquilo que queremos construir durante nossa vida. Mas, isso não tem só a ver com nossa própria mente, isso tem a ver com trabalhar no planejamento e isso sim, tem a ver com o risco de dar errado. Acho que duas coisas poderia resolver esse problema: ética de seguir um trabalho focado nas leis, até mesmo, contratar por causa da qualificação e não por causa da sua aparência física. Depois, pensar que não existe caminho fácil, isso requer trabalho, planejamento e estudo. Estudar até mesmo, mudanças de paradigmas de contratação, estudar as mudanças econômicas, estudar o liberalismo e outros conceitos que fazem parte do capitalismo de verdade. Não o que temos no Brasil.
Na filosofia, o mindset é uma incógnita dentro até mesmo, da psicologia. Alguns até dizem que são pseudociências e não deveriam ser espalhadas, porque dão um ar de ciência e não é. Isso me lembra muito Sócrates. Não o jogador — que também tinha ideias interessantes — mas o filósofo. Talvez por ser chamado de sábio pelo Oraculo de Delfos (templo do deus Apolo de Pitiá), Sócrates tenha adotado seu preceito mais caro que ficava na porta do templo, “conheça te a ti mesmo, conhecera o universo e os deuses”. Mas, Sócrates só adotou “conheça te a ti mesmo” como preceito da sua filosofia. Então, saiu perguntando a todos o que sabiam e chegou a conclusão que ele mesmo não sabia de nada, que assumir sua ignorância era a melhor maneira de se conhecer. Concluiu também, que as pessoas diziam coisas que nem elas sabiam que não sabiam, repetiam sem ao menos refletir. Porém, Sócrates dizia que as pessoas eram boas e davam atenção por pura aparência.
Será mesmo que as pessoas pararam para pensar no conceito do mindset? Será que poderíamos configurar nossa mente como um aplicativo qualquer de celular ou de computador? Existem mudanças de comportamento? Talvez. Mas, dizer que você mudar de posição daquilo que pensava e dizer que seria uma reconfiguração, acho exagero. Outro filósofo que entra do debate é Aristóteles, que dizia só poderíamos encontrar a ética, praticando a ética. Ou seja, você aprende alguma coisa e prática aquilo, mas, temos que aprender e para aprendemos, temos que estudar e planejar. Então, ética não seria só um termo que quer dizer condutas sociais aceitas e acertadas (segundo o ponto de vista daquela sociedade), mas, a prática dessas condutas em forma de ação. Assim, podemos dizer, que não basta pensar diferente de modo corporativo se na prática, esse “pensar diferente” não faz parte do modo operante de uma sociedade ou do próprio dono da empresa. Não adianta nada pensar positivo sobre sua empresa (como tudo vai dar certo) e no entanto, a empresa não contrata pessoas com deficiência física que é cadeirante, por causa, que você não quer acessibilizar ela para trabalhadores com deficiência trabalharem lá. Esse “pensamento positivo” acaba sendo seletivo, que é um grande mal dentro da cultura brasileira, porque você quer ganhar e não quer investir. O princípio primordial do capitalismo é o investimento, se o sujeito não investir em tudo que é necessário, ele nunca vai ganhar em produtividade e lucro.
Chegamos dentro do pensamento socrático de se conhecer, de saber se realmente você serve para ter uma visão mais ampla, se você quer mesmo aquilo ou está entrando numa modinha social. A maioria entra na modinha social. As modinhas sociais são o que a massa adota para ser aceitos por uma parcela a que quer participar, como ser de esquerda ou sr de direita, ser religioso ou ser ateu, ser flamengo ou ser palmeiras, sempre achamos que estamos na verdade. Mas, não estamos. O conceito que criamos são só sombras de uma outra realidade. Não vou entrar no mérito metafísico da questão, mas, existem formas de compreender que aquilo que achamos ser a verdade é apenas um conceito fabricado daquilo que se aceita como verdade. Linguagem, pura e simples. Mindset acaba sendo um termo para um conceito que se pensa ser real, por outro lado, configurações mentais não existem, porque somos animais com consciência e sabemos a realidade que nos cerca. Hábitos são mudados conforme o ambiente que se vive e não, uma nova configuração mental. Ou seja, é apenas um termo para explicar nada. Uma psicologia vagabunda que só serve para o coach ganhar dinheiro.
Mas, cuidado! Não podemos comparar os modernos (ou pós-modernos) coaches com os sofistas (que Platão adorava implicar). Os sofistas eram professores pagos para falar sua própria filosofia, os coaches, são pessoas que já pegam conceitos prontos e começam a dar soluções prontas. Por exemplo, “16 hábitos para cagar melhor” são ideias prontas, porque são 16 hábitos para as pessoas cagarem melhor. Já é uma coisa pronta. Não faz ninguém pensar o porquê ela não está cagando, ou porque seu intestino não está funcionando. Por outro lado, vendo tudo isso, vai ficar pior.

sexta-feira, janeiro 03, 2020

Carros movidos a bosta





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Diante destas guerras tolas que os americanos se envolvem, poderiam pensar em inventar carros movidos ao teor orgânico, bosta. Já que mentiram para mim que agora carros voariam, trens iriam ter um sistema de magnetização nos trilhos (em alguns lugares já tem), que moraríamos em prédios cada vez mais altos e mais automatizados — fora pessoas com deficiência andando em exoesqueletos, enxergando graças ao óculos neural — poderíamos pensar em carros movidos a bosta. Na verdade, seria um combustível barato (todos os animais produzem), não acabaria e não precisaríamos matar nada para obter. O petróleo tem um alto teor de poluente e pode aquecer o planeta, o metano é importante, até mesmo, para a manutenção do planeta, mesmo o porquê, várias formas de vida precisam do metano para viver. Bosta em qualquer rio tem, poderíamos tirar a toneladas e recuperar os rios, poderíamos também, fazer um sistema de esgoto que dariam em usinas para tratamento dos dejetos. O petróleo abaixaria muito e não ficaríamos focados ou presos nele.
Todos nós sabemos que o presidente americano Donald Trump tem a cabeça do pessoal que vivia nos anos 60, onde o medo do comunismo pairava o mundo. Governos foram destruídos, pessoas foram mortas, graças a uma paranoia americana de uma dominação comunista. Fora que tanto a geração de energia americana, quanto sua indústria automobilística, são arcaicas o bastante mesmo que desenvolva tecnologia. Eles precisam de petróleo, porque além dos donos das indústrias que vivem dos derivados dele, encherem de grana. Grana sempre é bom e não sou contra — quem é contra é sempre o bonzinho que pensa mudar o mundo e não arruma nem seu próprio quarto — mas, existem alguns limites éticos para se ganharem essa grana. Será que escolher um governo que lhe agrade é ético? Sabemos que os americanos financiaram e promoveram as ditaduras militares dos países sul-americanos — incluindo o Brasil — promoveram ditadores no Oriente Médio por causa do petróleo e o medo comunista (uma potência comunista que nunca existiu).
O capitalismo gerou uma neurose para não acabar, mas, brigava com um inimigo fardado a morrer por ele mesmo (um exemplo bastante claro é a abertura do mercado chinês, que não aconteceu com a União Soviética). Qualquer criança sabe, se não entra dinheiro em um país (leia-se, investimento), esse país e seu mercado está fadado a morrer, porque não gerou o capital de giro. O socialismo/comunismo acha que pode viver com os seus próprios recursos, porém, se você não vender ou fazer qualquer troca, o produto produzido pode gerar uma inflação, porque vai gerar a mais daquilo que se precisa. Ou seja, tem que acabar com o produto de qualquer forma. Mas, pode faltar pelo número dos cidadãos, por isso mesmo, Marx vai defender a perda de 10% da população. Stálin fez isso na Sibéria. Todo socialista/comunista vai dizer que isso é uma lenda capitalista. Por outro lado, temos milhares de imagens que comprovam isso.
O mundo em crise sempre busca uma maneira nostálgica de procurar segurança e um inimigo que não existe. Primeiro, pela nossa cultura maniqueísta (dualista) que vê as leis morais e éticas como o bem ou o mal, porém, o bem pode ser descrito pelo o conhecimento, a capacidade de empatia com o outro e indo além, entender como funciona o mundo. Já o mal, podemos colocar como a ignorância, o não saber como o verdadeiro caminho procede, o preconceito e a indiferença com o outro. Mas, são coisas definidas e não tem nada a ver com o relativismo que assola o mundo de hoje, porque ou você tem o conhecimento, ou não.

quarta-feira, dezembro 25, 2019

Natal Bumbum



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Amauri Nolasco Sanches Junior




Uma das frases do filósofo Luiz Felipe Pondé é que deveríamos seguir religiões de mais de mil anos de tradição. Como eu gosto da doutrina espírita e leio bastante sobre, eu descordei dele por muito tempo. Como filósofo, o discordar de alguma ideia, não quer dizer que o outro é uma porcaria e tudo que ele diz é uma porcaria. Fui entender esse pensamento quando eu comecei a analisar certas coisas que acontecem dentro do natal e não só, mas outras questões éticas que trazem dentro de uma certa cultura. As pessoas ficaram barulhentas e sem graça ao ponto de postarem baladas, fumando narguilé e outras porcarias. Que aliás, o narguilé é uma tradição oriental — me parece, da Índia — que não deveria ser para fumar maconha ou ácidos, mas, água aromática. Estamos criando uma geração de bunda moles que nem sabem o que estão fazendo e acham que são sucesso na internet. Sem conteúdo, você não gera conteúdo e não adianta chorar.
A questão é grave e deveria entrar como saúde pública. Em um canal de YouTube que fala de vida cotidiana chamado Acidez Feminina, a Tati responde algumas duvidas de pessoas que só souberam aonde ir quando eram espermatozoide do pai. Ora, uma dessas cartas dizia que o marido da mulher que escreveu sempre escreve para sua mãe se vai viajar, se vai passear, se vai fazer alguma coisa porque sua mãe exige. Tati disse que a mulher deveria compreender esse tipo coisa e deveria deixar o homem, ser o bebe da mamãe o quanto ele quisesse. Primeiro, que o cara beira aos 38 anos de idade e deveria ter idade o suficiente para dizer a mãe que ela não precisa se preocupar. Segundo, além da nossa sociedade produzir homens bunda moles, bebezões que não sabem nem criar seus próprios filhos, idolatra a família e isso é muito ruim dentro de uma sociedade. Minha mãe sempre nos ensinou — eu e meus irmãos — que devemos amar as pessoas sem ficar “grudadas” nelas, como se fosse, um desapego. Eu que estou numa cadeira de rodas, com certas limitações, minha mãe me empurrou praticamente, para viajar sozinho com os amigos aos 16 anos de idade. Quando eu não queria ir, praticamente, ela dizia algo para que eu fosse. Seu último pedido antes de se for, foi para mim me cuidar e estou me cuidando. A grande lição da minha mãe é que você cria seus filhos para o mundo e não para você mesmo, seu egoismo só vai fazer você criar um belo de um bunda mole que não sabe nem pegar um copo de água sozinho. Gentileza é uma coisa, achar que mães chatas são intocaveis, é bem diferente.
O que tem a ver a Tati com o Pondé? O Pondé nos remetem a tradições milenares onde a formação das crianças eram feitas para melhorar e continuar essas tradições, mesmo o porquê, as crianças eram futuros cidadãos daquela polis. Não interessa o que uma mãe achava, a criança iria se submeter ao agoge espartano, muitas vezes, jovens eram mandados a estudar em outras partes do mundo. Na verdade, a esquerda e mais especificamente, a filósofa Marilena Chauí, não está errada, a família de hoje foi inventada pelo capitalismo. A estabilidade social precisava ser feita para reconstruir as nações logo após a segunda guerra mundial, então, inventaram a família de marca de margarina. Na essência, não existe felicidade plena sem antes nos desapegarmos a certas particularidades que não valem a pena continuar. O apego faz sofrer porque nada é permanente, como dizem, não há caixão duplo. A permanência nos coloca em imaginar que exista algo eterno, porém, mesmo que algo seja eterno ele não pode mudar? Será que existe essa eternidade que coisas ou seres são eternos? Mesmo eu lendo bastante coisa do espiritismo, para mim pelo menos, a eternidade evolui conforme o conhecimento que acumulamos e não acredito em castigo ou karma no sentido popular.
A Tati pensa igual todo mundo — mesmo que seu canal tenha um nome acidez feminina, onde remete que acidez é a desconstrução molecular de algo — onde a família é sagrada e não tem o que discuti. Ora, a questão familiar é uma questão social, uma questão que abrange o futuro humano e como disse, a família como conhecemos, é muito recente. Tanto é, que na era vitoriana, a moda era tirar foto de cadáveres como se eles tivessem vivos. Isso é uma amostra o quanto o desapego era frequente antes da família doriana. O mundo não era tão idealizado e os seres humanos, não criavam seus filhos para lacrarem. Não se criava os filhos para se apegarem a mãe e quando um parente morria, ficar até mesmo, com depressão. Aliás, se confundem tristeza profunda com depressão, que pode por ventura, atrapalhar quem realmente sofre com a doença.
Sabemos muito bem, que o filósofo alemão do final do século dezenove, Nietzsche, tinha razão em achar que a quebra dos verdadeiros valores iria produzir vários ressentidos. O cristianismo é a prova disso, pois, produziu vários ressentidos que destruíram várias tradições antigas por não entender aquilo. Achava que o poder tinha que te dar o pão e que finalmente, lá no paraíso, ele seria alguma coisa. Todo ressentido é um nada. Mesmo que Jesus tenha dito que tudo que ele fazia, todo mundo também pode fazer, mas, Jesus fazia no meio da multidão e ao ar livre, não em templos. Uma das passagens ele diz que se deveria desapegar de tudo e todos para segui-lo, pois, cada homem tem uma missão. Ser cristão não necessariamente, você é seguidor de Jesus. Muitas tradições cristãs vieram de outros povos e do império romano, filosofias diversas, e etc. Então, qual o significado de destruir aqueles que não seguem se a igreja universalizou Jesus ao ponto de colocar outros rituais lá dentro? Será mesmo que somos todos ateus?

domingo, dezembro 22, 2019

Ética de chocolate bolsonarista-olavete



Foto: Reprodução
Crédito/Metrópoles


“Por falta de repouso nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto. Assim, pertence às correções necessárias a serem tomadas quanto ao caráter da humanidade fortalecer em grande medida o elemento contemplativo”.
(NIETSCHE, F. Humano, demasiado humano)




O filósofo coreano e professor de filosofia na Alemanha, Byung-Chul Han, diz em algum lugar no seu livro Sociedade do Cansaço que “A sociedade disciplinar ainda está dominada pelo não. Sua negatividade gera loucos e delinquentes. A sociedade do desempenho, ao contrário, produz depressivos e fracassados.”. Han argumenta que a sociedade disciplinar do filósofo Michel Foucault (1926-1984) deu lugar a sociedade do desempenho, pois, no lugar de disciplinar o indivíduo com regras, ele começa a colocar o indivíduo a descobrir a si mesmo. Há uma discussão na filosofia pós-moderna, que começa a questionar a humanidade nessa necessidade de ter exito, ser feliz, saber desfrutar o que se tem de melhor. Ninguém posta num Instagram o que tem de verdade, aliás, estamos numa sociedade que abomina a verdade. As verdades têm que caber na minha ideologia, na minha religião, naquilo que eu tenho que confiar como realidade.
Quando o filósofo grego Sócrates disse que só o conhecimento vai te levar até a verdade, ele está dizendo que com a verdade vai se chegar ao que o ser humano chama de felicidade. Mas, achamos que a felicidade é ter e não ser, porque o inconsciente coletivo já está impregnado em objetivos que não são deles e sim, do outro. Meu objetivo de ser bem-sucedido, não é meu e sim, o objetivo é do outro, porque eu trabalho para o outro, eu penso para o outro e não a mim mesmo. A felicidade socrática — uma quase felicidade metafísica — não tem a ver com qualquer objeto e objetivo fora de si mesmo, mas, tem a ver com o conhecer a si mesmo e saber que a felicidade e ser você mesmo e não colocar uma máscara social. A essência da bondade é descobrir sua própria natureza e não ser o que a sociedade te impõem como certo, uma normalidade do discurso em que temos que ter um herói para acabar com todos os problemas. Não vai. Cada um deveria ser cidadão o bastante e colocar uma solução viável para aquilo que atormenta a sociedade.
Ai que está, se os lulopetistas têm como herói a imagem do ex-presidente Lula, que corrompeu toda máquina estatal possível, o bolsonarista-olavete tem como herói o clã Bolsonaro. Se um montou um mundo ético que não conseguiu sustentar, o outro montou um mundo ético dentro da religião evangélica que graças ao seu filho mais velho, também não está conseguindo se sustentar. Ai entra os dois extremos de uma sociedade que ao mesmo tempo é disciplinar — ao ponto de achar melhor perder seus direitos civis em um regime Militar — e também, é uma sociedade do desempenho (ao ponto de esquecer a ética e as leis, para sustentar o desempenho do seu estabelecimento). E pasmem, existem pessoas (e não são ignorantes) que defendem que acessibilidade foi feito para corromper e ganhar com fiscalização. Mas uma dúvida se faz necessário: que fiscalização? Aonde podemos dizer que existe fiscalização de alguma coisa? Não há. E a ética fica seletiva graças a um tom ideológico que para uma parte antagônica não voltar ao poder, tem-se esconder as falhas do outro lado.
Ideologicamente, os bolsonaristas-olavetes estão bastante voltados dentro da direita, mas, também voltado ao cristianismo. Na minha cabeça, para você ser cristão, você deveria seguir Jesus. E para seguir Jesus tem que seguir seu amor e sua bondade verdadeira, assim, cairmos na bondade socrática platônica. A bondade socrática é a descoberta de si mesmo como uma verdade da sua própria natureza, Jesus diz que somos “deuses” e devemos se voltar para si mesmo e voltar a nossa própria natureza para amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a si mesmo. Mas, como amar o próximo verdadeiramente? Empatia. Se colocar no lugar do outro, imaginar como seria você naquela situação e Jesus sabe da natureza do nosso espirito, sabe na natureza do universo. Ele ser retratado como gay, como vigarista, como maconheiro não faz diferença, mas, a essência da sua mensagem que importa.
O que é uma ética além do caráter? Será que tem a ver com uma cultura que já veio corrompida? A seletividade dessa ética é muito mais do que cultural, ela tem a ver de precisar de ídolos e se agarrar nesses ídolos. Somos um povo agarrado na verdade, mas, não sabemos em que verdade acreditar porque se é avesso a cultura e ao estudo. Sempre se quer alimentar o nosso ego.

quinta-feira, dezembro 19, 2019

#BrasilReal : fábrica de falar merda chamada Brasil



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“Um dos traços mais notáveis de nossa cultura é que se fale tanta merda.”

(Sobre Falar Merda, Harry Frankfurt)




O que é falar merda? Todos dizem que falar merda é dizer alguma coisa como uma asneira, mas, não é bem assim. Eu entendo que falar merda é falar aquilo que se acha que sabe, porém, não sabe e se pensa ainda saber. E isso não é um problema de agora — no século vinte e um — ele é um problema desde muitos milênios, quando o poder começa a falar merda para dominar e deixar o povo ignorante para falar muito mais merda ainda. Por que? Seria bastante interessante se ter a população na ignorância, para governar e ficar falando aquilo que não sabe. Como Sócrates detectou, que as pessoas achavam que estavam falando coisas que tinham sentido, mas, não tinha a menor lógica você acreditar naquilo. Sócrates percebeu que as pessoas não eram boas de verdade e indo mais além, as pessoas nem sabiam o que era bondade de verdade e só falavam merda.
Platão, que continuou de certa forma, o legado socrático, chegou a conclusão que opinião não é conhecimento. Falar merda não era sinônimo de conhecer alguma coisa, mesmo o porquê, quem fala merda não sabe nem a origem daquilo que está falando. Afinal, Platão viu seu mestre Sócrates sendo morto porque um poeta — se pagaram ele ou não, não interessa — começou a falar merda do filósofo e o povo, que deu razão ao poeta, deram razão a merda falada. Platão chegou a conclusão, que toda aquela merda que o poeta disse que o povo sempre acha que é verdade, são produto de uma essência que chamamos de verdade (arethe), mas, de meras ilusões que as pessoas acreditam e a merda é construída a partir de um chorume maior. Mesmo o porquê, sabemos que a instrução verdadeira não acontece em escolas públicas, mas, por conta própria. Tudo que aprendi ao longo da minha vida, não foi numa escola, foi em livros e pesquisas na internet. Que aliás, existem várias merdas que, por via de muitas dúvidas, devem ser pesquisadas as fontes.
Por que ninguém pesquisa a fonte? Porque a maioria das pessoas continuam ainda achando que sabem, pois, é muito mais cômodo achar verdades que foram prontas para seu conceitos. Nos desiludimos com certo politico, por exemplo, outros teóricos começam a falar merda colocando ideologias que não são dele, não fazem parte nem da ideologia partidária que defende. Mas, para a maioria, aquela verdade é confortável. Como se você fosse um fedelhinho e está confortável em um cobertor sendo acariciado pela mamãe que irá te proteger, mas, a vida não é aquele edredom cheiroso e quentinho, a vida é cobertor velho cheirando bosta das diarreias mentais que a maioria tem. A maioria acha que esse cheiro de bosta é culpa do outro, o outro quer te colocar nesse cobertor cheirando bosta. Mas, você cagou sua vida e não quer assumir. Você acha que sua vida é um talco cheiroso, mas, a sua vida é cheia de maria-fedida (bisorinho que deveria ser o nosso símbolo). A maria-fedida sempre entra no meu quarto e deixa cheiros horrorosos, do mesmo modo, quando entre uma ideia dentro de uma cabeça vazia.
Não estou dizendo que as pessoas não sabem de nada, mesmo o porquê, a capacidade cerebral de todo mundo — pelo menos, a parte racional — é igual. Como Platão disse, uma mera opinião é uma ideia muito rasa daquilo que se acha que sabe, mas, não sabe. Saber é você ler sobre, estudar sobre o assunto, e depois saber o que argumentar. Na verdade, a maioria das pessoas estão em um mundo ilusório e que pensar ser realidade, mas, estão numa ilusão, uma caverna que só existem sombras. Afinal, o que a realidade? Realidade é você estudar 20 anos e aprender o que os outros querem? Realidade é trabalhar para os outros sem questionar? O que é a realidade?



sexta-feira, dezembro 06, 2019

#BrasilReal: o corporativismo da esquerda e as reais necessidades dos brasileiros




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De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Rui Barbosa



O grande problema do Brasil é o espírito corporativista que tem nossa cultura. Numa rápida “googada”, lemos que corporativismo é você defender seu próprio interesses dentro da sua profissão por parte de uma só categoria, ou seja, a maioria das pessoas, não estão preocupadas numa melhora para o país e sim, melhorar apenas um nicho dentro de uma só categoria. Mas não tem só a ver com uma profissão, quando algumas pessoas dizem que estão defendendo a sua família e por isso estão lutando, elas estão sendo corporativistas. Quando um conservador diz que só a sua ideologia tem que prevalecer e as outras não prestam, ele está sendo corporativista. Ora, mais do que a direita, a esquerda tem em sua essência um corporativismo nato e que só defende seu pensamento, define o mundo como tal pensa e acredita ser certo e comete alguns anacronismo básico. Como dizer que Jesus era socialista/comunista, que os gregos eram livres para ser homossexuais e outras sandices. Havia sim homossexualismo no mundo grego, mas, muitos historiadores defendem que nem sempre tinha a relação sexual. Só começou ter a penetração — dai vem a ideia dos coroinhas — com os romanos. 

Quando você descobre essas pequenas coisas, você começa sair de certas caixinhas dentro da nossa sociedade. Porque se começa a entender certos discursos que, quando você adquire certo nível de cultura, você começa a enxergar além daquilo que você mesmo acredita. Mas, o que é defender um ideal sem ser corporativo? Você pode defender a inclusão de pessoas com deficiência, por exemplo, sem só defender a inclusão só de pessoas deficientes e sim, de outros movimentos excluídos. Se só defendermos as pessoas com deficiência, estamos sendo corporativista. Eu fui, por muito tempo, uma pessoa corporativista e não entendia que ao defender as pessoas com deficiência e fazer essa separação, estava nos separando do ser humano. Um dos maiores erros dos marxistas e de Marx, foi pegar a dialética hegeliana e colocar como uma verdade a guerra de classes, sendo que, tanto a classe burguesa e a classe proletariado, são escravas do ESTADO. Essa escravidão é econômica porque o ESTADO tem que se prover em um mundo capitalista e precisa de dinheiro. Como o ESTADO vai sobreviver sem o imposto? Como eles vão construir um discurso sem a ideologia? Essa separação de classes é, justamente, para não haver uma união e os 10% governar. 

Aliás, Hegel foi bastante claro e objetivo (no sentido de haver uma objetividade dentro desse pensamento específico), quando disse que o dono de escravo é muito mais dependente dele do que o próprio escravo. Por isso mesmo, não concebo um deus-rei ou um senhor dos exércitos, porque isso pressupõe uma dependência de Deus do ser humano, e assim, não pode ser onipotente. Então, o ESTADO é dependente do povo, ele não pode existir sem o apoio popular e começa a criar mecanismos para separar as classes e construir uma educação corporativista, onde cada classe ou cada movimento começa a criar questões para criar atritos. Esses atritos são, na verdade, uma garantia de uma não união. 

Aquela briga do deputado Arthur do Val (mamaefalei) com os sindicalistas — que ameaçou ele — é um reflexo do que o próprio ESTADO deseja, essa briga irracional para comandar. A esquerda alimenta esse discurso e a direita cria uma dicotomia para se criar um cenário de quem está certo ou não, dês da Revolução Francesa. Foi deposto o rei (monarquia), mas só se mudou de comando, o ESTADO continua o mesmo. Não há uma verdadeira democracia igual à grega direta, só há democracias representativas e cada vez mais, uma infantilização da humanidade. A dependência total do ESTADO, tem a ver com essa dependência do ESTADO com quem abriga dentro dele.


quinta-feira, dezembro 05, 2019

Olavo de Carvalho não entende de rock e muito menos, de heavy metal


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“Se o rock é ilegal, me enfiem na prisão!”
(Kurt Cobain)



Há dois problemas no Brasil: um é a educação escolar e a outro é a cultura. Somos um povo que não temos o hábito de conversar com os filhos certos assuntos, não temos o hábito de incentivar as crianças a lerem, não temos o hábito de cobrar dos nossos políticos em dar para nossas crianças uma educação de qualidade. Educação de qualidade — a escolar que vai fazer a criança ser cidadão — não é só ensinar os jovens a ser um bom profissional, pois uma universidade de verdade, faria todo esse serviço. Mas, ser um cidadão que amasse seu país de verdade e não ficasse indignado, só porque o dinheiro acabou. Votar em pessoas que, realmente, tenham um pingo de vontade politica e essa vontade politica, não tem nada a ver com a esquerda ou a direita. A esquerda cuida do social, a direita cuida da infraestrutura de um país. Mas, o que dizer de uma agenda moral? Como um governo, preocupado com uma moralidade conservadora, pode se meter na vida do cidadão de uma nação?
Daí, entramos em um outro problema que o Brasil tem. Que cultura podemos definir como brasileira? Esse é um problema com 200 anos no mínimo, pois, nem ao menos nós, conseguimos definir uma cultura para chamar de nossa. Eu, particularmente, acho que a nossa verdadeira cultura é aquilo que procuramos gostar e aquilo que tem como identidade nacional. Definir o samba, talvez, fosse interessante, assim como, o sertanejo raiz. Por outro lado, tem o paradoxo do conservador, pois, se não podemos definir uma cultura nossa como identidade nacional, vamos conservar o que? O catolicismo é italiano (nascido no antigo império romano), o protestantismo é alemão (porque Lutero era alemão), fora que o nosso império sempre foi português com variações entre a Áustria e a França. Então, quais valores temos que conservar, se todos eles são importados pelos nossos antepassados? Fora, que o cristianismo é uma variação do judaísmo e veio do oriente médio.
Não vou falar que não gosto de alguns cantores da MPB (música popular brasileira), mas, eu ouço na maior parte do tempo, rock e metal, porque é o gênero que ajuda a ter uma válvula de escape. Não tem nada a ver de ter ou não revolta e só bandas americanas, mesmo o porquê, as maiorias das bandas que eu ouço são europeias. Então, acho a crítica do Olavo de Carvalho dentro de um aspecto — veja que em todos as postagens dele sobre, são bandas americanas, ou seja, ele nem sabe as verdadeiras nacionalidades — limitado, fica difícil definir o que é que ele está falando. Porque, quem lê sobre o assunto e quem sabe várias biografias de bandas, vai saber, que o cenário do heavy metal é um cenário, em sua maioria, europeu. As únicas mandas clássicas do metal conhecidas americanas, são o Kiss, W.A.S.P, Twisted Sister, Metallica, Megadeth e Slayer. As outras bandas, são entre o cenário inglês e o alemão. Não tem metal só americano, que aliás, o Olavo não sabe, mas, o americano não gosta muito do metal tradicional, ele mistura.
Também o Olavo de Carvalho vai ter se atualizar, pois, do metal que era satânico (como forma de rebeldia) mudou para, muitas bandas, regravarem ou fazerem músicas clássicas. Por exemplo, a banda espanhola Dark Moor, regravou várias músicas clássicas e fizeram letras a partir dessas músicas. Assim como, existem outras bandas que também gravaram outras musicas clássicas, como medievais do cancioneiro folclórico. Como assim o metal emburrece o ser humano como diz Olavo de Carvalho? Aliás, existe até uma banda sueca, o Sabaton, que gravou uma música em homenagem aos pracinhas brasileiros que lutaram na segunda guerra mundial. Se existem banda de heavy metal que ensinam história, que mostram música clássica erudita e mostra canções folclóricas medievais, como esse gênero emburrece? Aliás, se a Dark Moor gravou a musica de Amadeus Mozart, Die Irae, que é uma letra religiosa, como é um gênero satânico? Como inúmeros grupos.
Essa enxurrada de mentecaptos no governo — principalmente, na área de cultura — vai ser sempre culpa da religiosidade exagerada que no Brasil temos. Um outro problema, que o ideólogo do governo esqueceu completamente, que a esquerda (principalmente, a comunista) não gosta de rock, tanto que fizeram um movimento contra a guitarra elétrica. A esquerda mais radica (raiz mesmo), diz que o rock é uma musica burguesa que só traz a inverdade e que não há nada de inteligente no gênero, portanto, somos considerados reacionários (como alguns metaleiros são mesmo). Acho, sinceramente, que Olavo de Carvalho deveria, seriamente, pesquisar outras fontes ou parar de ler paranoias na internet que não condiz a realidade. Portanto, sou um terrabolista, roqueiro, metaleiro e satânico.

sexta-feira, junho 14, 2019

#BrasilReal: A farra do Transporte Acessível aqui em São Paulo


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Amauri Nolasco Sanches Junior
 
Segundo o site da prefeitura da capital paulista, o Censo do IBGE de 2010, constatou que existem 810.010 pessoas com deficiência. Nacionalmente, no mesmo censo, há 15.750.969 de pessoas com deficiência e como tal, não há tantos tratamentos e muitos de nós, não tem nenhum tratamento. As mulheres com deficiência são tratadas como objetos – como mulher já são tratadas, imagina com alguma deficiência – e vira e mexe, podemos ler em algumas manchetes (uma notinha bem pequena na imprensa hipócrita), que muitas delas são estupradas, ou assediadas. Porém, existem pessoas com deficiência que são trancafiadas dentro de casa por não ter acessibilidade, não ter transportes e não ter como se locomover numa cidade como São Paulo. Imagina no interior. 
 
Segundo a empresa que gerencia o transporte na cidade de São Paulo, são liberadas duzentas, mais ou menos, vans do serviço ATENDE+ para eventos de finais de semana. O serviço oferece ao usuario – que geralmente, não consegue transitar na rua – vans adaptadas para o transporte que busca e leva porta em porta. Porém, desde quando o prefeito do PT Fernando Haddad (com o Kassab o serviço ainda obedecia à prefeitura), as vans estão sucateadas e o prefeito eleto João Dória não deu jeito. A frota, pelo que sei, está prevista a renovação apenas quando elas fizerem 10 anos. As pessoas com deficiência fisica trocam de cadeira de rodas a cada 5 anos, porque eles trocam de van a cada 10 anos. E todo o dinheiro que a prefeitura paga para as empresas? A última vez que vi era apenas 14 mil cada van. 400 vans em uso dá uma quantia boa. 
 
Mas para entender a farra do transporte publico acessível em São Paulo, temos que entender que existem três modalidades dentro do serviço. O serviço normal (semana), que leva as pessoas com deficiência para o trabalho, escola, centros de reabilitação e também, levam pessoas que fazem hemodiálise nos hospitais (quando os rins param). Também levam pessoas com transtorno de autismo (tanto no centro de reabilitação, quando nas escolas). Outra modalidade – se tem ainda – é a modalidade de eventual, mas, essa modalidade são pagos taxis, para levarem as pessoas com deficiência uma vez por mês a uma consulta eventual (por isso, chama eventuais). E, logo após o normal, a modalidade que tem o maior uso de vans os eventos. Na verdade, os eventos foram criado para suprir o transporte de pessoas com deficiência que participam de entidades (como a AACD), ONGs e movimentos. Não vou explicar a diferença para o texto não ficar muito longo. Mas, tudo é pago pelo contribuindo. 
 
Dentro da modalidade Eventos se tem dez dias para mandar uma ficha (o coordenador da entidade, ONG ou movimento), marcar o local do evento, horário e o endereço de onde o evento vai ser realizado. Essa modalidade também é usado pelo Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiencia e Mobilidade Reduzida para suas reuniões e para passeios. Só que misteriosamente, alguns eventos contem vans novas, outros não contem. Alguns tem mais vans e outro, menos. Por exemplo, a AACD (a mesma entidade que recebe milhões de doações), pede a cada evento, 17 vans aproximadamente. Existem movimentos que não conseguem. Quando é o evento do Teleton todas vans – novas, de preferencia – vão para ele e nós, ficamos sem os nossos eventos. 
 
Não para por ai. Quando existe a F1 também o ATENDE+ só desloca van para lá e os outros usuários ficam sem nenhum transporte. Mas, podemos ver que políticos ligados ao partido do agora prefeito, Bruno Covas (PSDB), a senadora e na época era deputada, Mara Gabrilli, gostou em dar uma voltinha no ATENDE+ (que nome ridículo, heim Dória?) na Copa de 2014 (que foi a farra do PT). Enquanto, vários usuários não puderam estudar, trabalhar e nada graças ao gerente cabide de emprego do Jaiminho (Haddad), que não é o mesmo que hoje. Temos um gerente bom, mas, a centralização ficou a cargo da SPTrans. 
 
Não para por ai. Segundo a própria SPTrans será liberada 78 vans (claro que são novas) para a Copa América que vai acontecer no Morumbi. Até ai, já acontece no Teleton não falam nada, acontece na F1 e não acontece nada, mas, o jogo de futebol vai acontecer de semana. Segundo a regra dos Eventos nenhum evento é feito em dias de semana, mesmo o porquê. existem pessoas que não podem faltar nenhum dia. Então, porque vai ser deslocado 78 vans para um bando de torcedor cadeirante – que poderia ir de ônibus – sendo que a própria regra do ATENDE+ Eventos, não pode acontecer nenhum evento de semana? É a isonomia? Eu, por exemplo, mandei uma ficha para o dia 20 de junho e não aceitaram, porque errei o dia. Nunca entendi porque tem que ser dez dias. Uma das explicações que deram é a revisão das vans, porém, não há revisão nenhuma. 
 
A prefeitura paga um montante inteiro tanto do combustível dos ônibus a a manutenção e o combustível e a manutenção das vans. Mas, nós sabemos, que é muito mais barato peça usada. Só não colocam peças usadas, quando denunciamos para a gerencia, que poucas vezes fazemos, por não perceber. Muitas vezes, existem a borracha da portas soltas e chegou a cair gente do elevador da van, e muito pior, existem motoristas que a gente tem que ensinar. Como assim? Como eu tenho que ensinar o motorista a amarrar uma cadeira de rodas? Nós cadeirantes, temos esse tipo de serviço e todos nós pagamos. Pagamos para o Teleton usar e você não. 78 vans serem deslocadas para futebol – se 14 mil são pagos por cada uma, imagina quanto o contribuinte paga para neguinho assistir futebol – e usuarios esperando para serem atendidos. Nós andamos com vans velhas, eles andam com vans novas. Esse é o Brasil que não quero.

Fontes: http://www.sptrans.com.br/noticias/sptrans-implanta-linhas-especiais-com-vans-do-atende-para-os-jogos-da-copa-america/

e: http://www.sptrans.com.br/noticias/sptrans-ira-disponibilizar-228-vans-do-atende-para-eventos-neste-final-de-semana/

terça-feira, junho 04, 2019

Quem disse que Neymar Jr é jogador? - aqui está falando o coaching do fracasso









“Derrubar ídolos - isso sim, já faz parte do meu ofício.”
― Friedrich Nietzsche

Amauri Nolasco Sanches Junior

Eu nunca fui fã de futebol e estou pouco me fodendo para qualquer campeonato do mundo inteiro. Quem liga se o Corinthians ganhou ou não? Ou que o Palmeiras ganhou ou perdeu pontos? Detesto quando estou escrevendo, vem um bando de debeis mentais soltarem rojões – como se aquilo fosse fogos – na nossa orelha comemorando o jogador ganhar dinheiro. Também, dês do Santos, nunca achei que o Neymar fosse um jogador excepcional do tipo de Pelé ou de um Mané Garrincha (que eu acho melhor que o Pelé).

Mas, como ele só é um produto da mídia, quero falar da cultura do “machinho” que é muito difundida aqui no Brasil. Primeiro, somos uma cultura em que predomina uma visão cristã, uma visão que os fracassados serão acolhidos pelo Senhor para serem feliz no paraíso. Só para começar, isso não existe, o que existe são fracassados que estão vivos – que não conseguem ler um livro sequer – e existem fracassados mortos que serão espíritos fracassados (você pode acreditar ou não, mas, vai continuar um espírito fracassado). O fracassado é o espírito decadente que renega a vida para projetar uma coisa que pode ou não acontecer, porque o agora ele não é nada. Aliás, o macho alfa, na verdade, é um fracassado que acha que pega todas e tem uma “puta” frustração da sexualidade dele. Deveria ser de boa e arranjar alguém e sossegar o facho. Mesmo o porquê. a traição dá muito trabalho.

A minha questão é muito mais dessa discussão de rede social que leva ao escarnio burro e a miséria intelectual – além de transformar redes sociais como o Twitter uma parece de banheiro publico – que se agarrou na nossa cultura. O que aprendemos com o caso do Neymar Jr? Para começar, ele é um produto de um pai que não deu certo. Em algum momento, alguém ouviu falar no pai do Neymar? Não. No mesmo modo, existem vários pais que queriam ser médico e não conseguindo ser, projeta o filho a ser médico. Vai ser um médico fracassado e pode matar várias pessoas. Assim, com existem pais que nunca tiveram a coragem de ser engenheiro civil, projetam no filho um engenheiros. Prédios caem.

Depois, temos uma cultura do poder, ou seja, quem tem dinheiro ou fama, acaba sendo um mito. Na verdade, o jogador Neymar Jr – não só ele como todo jogador ou ídolo – é um produto de marketing para vender um herói que não existe. Como eu disse, o Neymar não é um excelente jogador (nem ruim), teve só uma propaganda boa. Mas, também, tem o mesmo vicio de qualquer jogador ou ídolo qualquer, se achar o “fodão”. Ele tem que saber que as mulheres vão se aproximar por causa da grana e ainda mais, na nossa cultura, que o poder e a fama é uma “vantagem”. Temos a cultura da vaidade (que seria um pecado, já que vaidade é um pecado capital). O rei Salomão – se foi ele mesmo – escreveu, no Eclesiastes, que tudo é vaidade. Por quê? O ser humano é um animal social, como animal social, é sucessível a sempre ter um status acima do outro por se impor ao outro. Muitos dizem que é culpa da ideologia capitalista, mas, não é.

O comportamento de ter muitas coisas (território) e ter várias fêmeas (mulheres), pode ser vistos com frequência no comportamento dos nossos primos biológicos, chipanzés. O interessante é que quando você tem muito mais estudo e tem muito maia visão crítica, essa necessidade vai ficando cada vez menor e a visão de ter menos e com qualidade, vai ficando cada vez mais frequente. Um homem com estudo sabe que deve ter menos coisas – quanto mais você tem, você gasta mais – e você deve ter uma única mulher e ficar de boa. Se você tiver uma mansão, por exemplo, você vai pagar mais IPTU, mais contas, mais empregados e etc. Se tiver um carro caro, a manutenção vai ser muito mais cara. Uma mulher você cresce com ela, ama só ela, você se dedica a ela. Traição é um erro, não no sentido só ético, mas, no sentido muito mais barato e prático ser fiel. Você tem que esconder. Você tem que vigiar toda hora o celular. Você tem que mentir e bancar a mentira. Pagar para manter outra família escondida. A questão vai além da moral.

Portanto, hoje com o advento da internet, temos ídolos de areia que só no chute, são desfarelados.