segunda-feira, dezembro 23, 2019

Sérgio Moro não deveria ser politico





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Conversando com a mulher que faz limpeza aqui em casa, ela disse que o Moro não deveria ter ido para a politica. Na sua simplicidade de pessoas do povo disse o que o povo pensa, porque as pessoas não estão preocupados com ideologias ou que acontece em universidades. A maioria não sabe sequer quem foi Paulo Freire, pois, são coisas desnecessárias para a maioria das pessoas e deveriam ficar no escopo da biblioteca. O pensamento dela é muito simples, se o ministro Sérgio Moro tivesse ainda como juiz da Operação Lava Jato, talvez as questões sobre a corrupção tivessem ficado mais intensas e pouco politicas ao ponto de ter tantos retrocessos na Operação. Justiça para a maioria é o cumprimento da lei e ponto, o resto fica a cargo de politicas positivas que mostram um mundo cor de rosas cheios de animais fofinhos.
Desde o século 19, com a moral vitoriana ditando moda, descobrimos com Freud que, na verdade, somos uma sociedade demagoga e hipócrita. Eramos uma sociedade bastante reprimida no dever kantiano em sempre fazer certo para inspirar confiança ao outro, e isso, logicamente, teve reflexos na religião que do “deus” que queria só que suas criaturas obedecessem suas normas, teve que abrir mão para inspirar confiança. Deus hoje em dia, é o “deus” do dever e nele, sem dúvida nenhuma, se pode ter confiança plena. As pilastras da sociedade ocidental sempre foram pilastras greco-romanas, aqueles que seguravam o Parthenon ou os fóruns da vida grega e romana, que seguravam tetos de granizo. Já seguraram uma pedra de granizo? Já tentaram segurar uma mesa de granizo? Eram estruturas, completamente, pesadas e não caiam. No mesmo modo, os heróis gregos não eram diferentes de mim ou de você, ou seja, eram humanizados e não havia nada do dever kantiano de salvar as consciências do mundo.
Ora, herdamos a filosofia e a politica dos gregos, seu maior expoente foi Aristóteles. Há um erro bastante corriqueiro que é colocar a frase de Aristóteles como “animal politico”, mas, é um erro de tradução. Ele disse — ou seus alunos escreveram — “zoo politikon” que quer dizer, “animal social” porque esse “politikon” era um termo que era antonino de “idiotike”, ou seja, se o “idiotike” queria dizer uma pessoa egoísta que não pensava na polis num todo, o “politikon” era o cidadão que pensava e discutia sobre os problemas da polis. A democracia nasce exatamente desse intuito, cidadãos que queriam discuti os problemas da polis, mas, a moderna nos tirou esse direito para darmos uma espécie de carta de representação. O povo se distanciou do poder porque o império romano tirou isso da maioria, esqueceram que quem sustentava o império era a maioria. Ora, será mesmo que isso é uma democracia?
Na essência, Dona Ilda quer o que o povo sempre quis, produzir, não ser roubado (em todos os sentidos) e criar seus filhos com segurança e educação. A figura do Sérgio Moro não difere com a figura do ex-ministro do supremo, Joaquim Barbosa, ele só difere que não ter desistido em punir os corruptos, os que assaltam a nação todos os dias. Aliás, a corrupção vem do império romano, de tão vasto e poderoso, corrompeu quase o mundo ocidental inteiro. Herdamos isso também. Reinos medievais eram corrompidos para consolidar o poder em meios da igreja e a mesma, coroava aqueles que o Papa — a figura do imperador — achava melhor como rei e dizia que Deus designou ele para tal cargo. Cargo esse, que em reinos menores, eram colocados nos tronos os que continham o maior número de terras possíveis. Dai vem nossas capitanias hereditárias e os governadores eram aqueles que tinham a maior extensão de terras, que ainda hoje, assombra a democracia brasileira. Somos herdeiros de uma cultura Latina, de uma cultura medieval, de uma cultura que não se modernizou porque sempre se usou as tradições para dizer que somos conservadores. O problema é, não temos nenhuma tradição, temos um monte de retalhos de outras tradições que, na maioria das vezes, somos avessos.
Na verdade, temos muitas morais que não cabem em um mondo de hoje e o Brasil, por outro lado, se autossabota. Ou seja, quando as coisas estão cada vez melhores, se começa a piorar de repente. Ao que parece, o Brasil não quer se modernizar.

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