
Conversando
com a mulher que faz limpeza aqui em casa, ela disse que o Moro não
deveria ter ido para a politica. Na sua simplicidade de pessoas do
povo disse o que o povo pensa, porque as pessoas não estão
preocupados com ideologias ou que acontece em universidades. A
maioria não sabe sequer quem foi Paulo Freire, pois, são coisas
desnecessárias para a maioria das pessoas e deveriam ficar no escopo
da biblioteca. O pensamento dela é muito simples, se o ministro
Sérgio Moro tivesse ainda como juiz da Operação Lava Jato, talvez
as questões sobre a corrupção tivessem ficado mais intensas e
pouco politicas ao ponto de ter tantos retrocessos na Operação.
Justiça para a maioria é o cumprimento da lei e ponto, o resto fica
a cargo de politicas positivas que mostram um mundo cor de rosas
cheios de animais fofinhos.
Desde
o século 19, com a moral vitoriana ditando moda, descobrimos com
Freud que, na verdade, somos uma sociedade demagoga e hipócrita.
Eramos uma sociedade bastante reprimida no dever kantiano em sempre
fazer certo para inspirar confiança ao outro, e isso, logicamente,
teve reflexos na religião que do “deus” que queria só que suas
criaturas obedecessem suas normas, teve que abrir mão para inspirar
confiança. Deus hoje em dia, é o “deus” do dever e nele, sem
dúvida nenhuma, se pode ter confiança plena. As pilastras da
sociedade ocidental sempre foram pilastras greco-romanas, aqueles que
seguravam o Parthenon ou os fóruns da vida grega e romana, que
seguravam tetos de granizo. Já seguraram uma pedra de granizo? Já
tentaram segurar uma mesa de granizo? Eram estruturas, completamente,
pesadas e não caiam. No mesmo modo, os heróis gregos não eram
diferentes de mim ou de você, ou seja, eram humanizados e não havia
nada do dever kantiano de salvar as consciências do mundo.
Ora,
herdamos a filosofia e a politica dos gregos, seu maior expoente foi
Aristóteles. Há um erro bastante corriqueiro que é colocar a frase
de Aristóteles como “animal politico”, mas, é um erro de
tradução. Ele disse — ou seus alunos escreveram — “zoo politikon” que quer dizer, “animal social” porque esse
“politikon” era um termo que era antonino de “idiotike”, ou
seja, se o “idiotike” queria dizer uma pessoa egoísta que não
pensava na polis num todo, o “politikon” era o cidadão que
pensava e discutia sobre os problemas da polis. A democracia nasce
exatamente desse intuito, cidadãos que queriam discuti os problemas
da polis, mas, a moderna nos tirou esse direito para darmos uma
espécie de carta de representação. O povo se distanciou do poder
porque o império romano tirou isso da maioria, esqueceram que quem
sustentava o império era a maioria. Ora, será mesmo que isso é uma
democracia?
Na
essência, Dona Ilda quer o que o povo sempre quis, produzir, não
ser roubado (em todos os sentidos) e criar seus filhos com segurança
e educação. A figura do Sérgio Moro não difere com a figura do
ex-ministro do supremo, Joaquim Barbosa, ele só difere que não ter
desistido em punir os corruptos, os que assaltam a nação todos os
dias. Aliás, a corrupção vem do império romano, de tão vasto e
poderoso, corrompeu quase o mundo ocidental inteiro. Herdamos isso
também. Reinos medievais eram corrompidos para consolidar o poder em
meios da igreja e a mesma, coroava aqueles que o Papa — a figura do
imperador — achava melhor como rei e dizia que Deus designou ele
para tal cargo. Cargo esse, que em reinos menores, eram colocados nos
tronos os que continham o maior número de terras possíveis. Dai vem
nossas capitanias hereditárias e os governadores eram aqueles que
tinham a maior extensão de terras, que ainda hoje, assombra a
democracia brasileira. Somos herdeiros de uma cultura Latina, de uma
cultura medieval, de uma cultura que não se modernizou porque sempre
se usou as tradições para dizer que somos conservadores. O problema
é, não temos nenhuma tradição, temos um monte de retalhos de
outras tradições que, na maioria das vezes, somos avessos.
Na
verdade, temos muitas morais que não cabem em um mondo de hoje e o
Brasil, por outro lado, se autossabota. Ou seja, quando as coisas
estão cada vez melhores, se começa a piorar de repente. Ao que
parece, o Brasil não quer se modernizar.
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