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sábado, março 07, 2020

A Birrinha opositora




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Um pensamento que acabo de ler do Instagram do Leandro Karnal, é que o rebanho odeia aquele que pensa diferente, não por causa da sua opinião, mas, a audácia de querer pensar por si mesmo, coisa que eles não sabem fazer. Exato. Foi assim com Sócrates, Jesus e outros, que ousaram pensar diferente da massa, morreram. Mas, esse ódio não é qualquer ódio, o ódio da grande massa por ousar pensar diferente, sempre é, um ódio da liberdade que aquele goza por não depender de uma aceitação social. A questão é: eu quero ser eu mesmo ou uso uma mascara social para agradar a sociedade? Sócrates foi ele mesmo, teve uma boa morte sem fugir do seu destino. Assim como Jesus, acreditou fortemente, que tudo que dizia era verdade, aceitou o que estava reservado para ele. Tanto Jesus, como Sócrates, talvez, não sabiam de suas mortes, mas, aceitaram seu destino (aqui quero dizer no sentido como as coisas se transcorreram) porque acreditaram em si mesmo e não queriam aceitação de ninguém. Eles negaram toda a opinião da maioria para pensarem por si mesmo.

A questão não é querer o melhor para o Brasil, a questão é quem tem razão nessa história toda. Não interessa se são os lulopetistas, ou os liberais, ou os bolsonaristas-olavettes, os integralistas (que podemos colocar como vaporwaves), a questão sempre parte do princípio, mas ter razão que está certo. A razão começa com os gregos na filosofia (com os naturalistas) com o termo “logos” – que erradamente, se traduziu como palavra graças ao evangelho de João (tem forte influência gnóstica), mas, palavra em grego é lexós – porque a razão dentro da filosofia, tem a ver com um pensamento logico (por isso o termo logos). Ou seja, a questão logica de um pensamento esta acima do sentimentalismo, que só é importante, na questão do relacionamento do outro, já que somos animais gregários. Então, a razão seria um raciocínio que fizesse sentido para quem está explicando e para quem está ouvindo ou lendo. Um algoritmo tem que ter linhas lógicas para que o computador poder ler e executar a tarefa, assim como, as pessoas devem sempre fazer as coisas de ordem lógica para não errarem. Se expressar ou pensar, tem a mesma lógica. No caso do computador, existem a questão dos números binários (0,1) e suas combinações são uma tarefa especifica. A questão é: será a nossa lógica tem a ver com o binarismo da razão? Porque, numa escolha, um computador tem duas opções, mas, nossa consciência tem um número infinito de possibilidades.

Acho, que de alguma forma, os existencialistas (principalmente Sartre), tenha razão de dizer que somos livres para construir aquilo que somos como quisermos e por isso, somos condenados a ser livres. Somos livres para acreditar ou não, nas bravatas dos políticos. Somos livres para escolher nossa religião ou a cor do carro (no meu caso, da minha cadeira de rodas). Mas, antes mesmo de acreditar nessas coisas, temos que filtrar com a duvida outras, negando aquilo que todos acreditam cegamente. Por outro lado, temos que ter cuidado em não confundir ser cético e ser negacionista. O cético duvida numa maneira lógica (ou usando a razão [lógos]), já o negacionista só nega a favor de sua própria crença. A essência do ceticismo é a máxima cartesiana que é “penso, logo existo”, ou seja, posso duvidar a existência de qualquer objeto ou pessoa, mas, eu não posso duvidar da minha própria existência. Não é que temos que duvidar de tudo – mesmo o porquê, se você se jogar em um viaduto vai se estatelar lá em baixo no asfalto. A questão cética não é negar a religião, por exemplo, mas, o porque eu devo acreditar em tal religião. Ai, vários “porquês” aparecem ao longo do processo ate chegar na essência do fato e aí que está a questão existencialista, pois, a construção do ser acontece graças a esses vários “porquês”. A liberdade só acontece a partir da consciência do observado e o objeto observado, sendo total entendido o objetivo do objeto dentro da realidade da consciência que observa. Por isso mesmo, não importa o que fazem com você, mas, o que você mesmo faz o que fazem com você.

Indo adiante, podemos ver que existe o objeto observado que podemos interagir com ele e não podemos interagir com ele. Uma criança não podendo interagir com o objeto da sua vontade (ou porque o pai não compra ou porque a mãe não cede essa vontade), ela começa a chorar e se espernear como se fosse “morrer” se não tiver o objeto do seu desejo. A teimosia de querer tanto esse objeto ao ponto de chorar desse jeito chamamos de “birra”, que como costumava acontecer, deixamos de ter quando ficamos adultos. Acontece, que a nossa sociedade aqui no Brasil, por falta de uma maturidade educacional, ainda fica com “birra”. Se você não concorda com seu politico favorito (que chamamos de minions), ou sua ideologia política, ou sua religião, ele começa a querer ter razão. Para a criança, o objeto de desejo é a vida e querer algo é construir a sua realidade, ela pensa que a realidade dela, é igual dos desenhos ou dos ídolos que ela tenha. Exato. Todo o problema do fanatismo é criar ídolos e nos apegamos a esses ídolos, para criar políticas utópicas, religiões utópicas, ideologias utópicas e se fica nessas utopias. Mas, a realidade é muito além de um ídolo, porque o ídolo é uma construção de outra pessoa com a própria visão dentro dos seus próprios valores.

Quem me lê e quem me conhece sabe, que nesse ponto eu sou nietzschiano e destruir todos os ídolos para, exatamente, aparecer os porquês. Ai você pode questionar: o porque devo seguir tal religião?  O porque deve concordar com tal ideologia? O porque deve seguir tal pensamento? Ser cético é duvidar, ate mesmo, daquilo que achamos ser verdade e não existe verdades absolutas e sim, verdades relativas dentro dos próprios valores. Essas variações podem pautar escolhas e as escolhas não podem ser pautadas dentro do sentimentalismo, ou o pensamento idolatra social.


Amauri Nolasco Sanches Junior

quinta-feira, fevereiro 20, 2020

A brincadeira de rasteirinha: muito mimo e pouca educação




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”O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Immanuel Kant

Data feita, eu fiz uma reflexão com meu Facebook por causa de um fato que envolvia minha sobrinha – que tem autismo – e que vai numa escola regular sem ser especial. Porque minha irmã disse que ela não chora, fica na escola sem a mãe e as outras crianças começam a fazer birra, chorar e querer a mãe. Logico, como vimos no mundo de hoje, as mães criam seus filhos como se fossem reis ou rainhas, e que é muito pior, dão a eles o poder que não devem ter. por que? Quando atingem os pais, eu acho que é a lei do retorno, ou seja, você investiu para seu filho ser assim. O problema é quando ele acha que toda a sociedade tem que lhe servir, começam a fazer coisas que não devem, começam a dizer coisas e fazer coisas que tinham do seu conceito distorcido. A questão é: se o conceito de educação é mostrar a realidade, estamos mostrando a realidade aos jovens ou estamos mostrando uma realidade idealizada?

Tenho meus 43 anos e vi a degeneração da cultura gradualmente, com a mídia que queria ou quer, impor tendências. Nunca achei importante seguir uma tendência, nem mesmo, quando eu era adolescente. Quando todos gostavam de lambada – que aliás, a degeneração cultural começa muito antes com o conjunto porto-riquenho Menudo – eu começava a ouvir Guns N' Roses e gostava de rock. Nunca gostei de seguir nenhuma tendência. Por que? Sempre achei que as tendências eram limitadoras porque elas simplificavam uma ideia e depois massificava como se fosse verdade, como se todo mundo gostasse de tal estilo musical. Mas, a tendência também tem a ver com a ideologia e a religiosidade, que limita do mesmo modo. Se você é comunista não vai ver pontos positivos no liberalismo, assim como um liberal, não vai ver pontos positivos dentro do comunismo. Quem é evangélico, nunca vai ver pontos positivos no espiritismo, muito embora, a maioria dos espiritas vem o espiritismo como um espirito consolador que não vê pontos positivos nas religiões cristãs. Tanto nas ideologias tem pontos positivos, como na religiosidade. As ideologias políticas e as religiões, são apenas um meio para um fim, ou seja, acabam sem apenas um instrumento a chegar num resultado final.  O bem da humanidade e o encontro do divino.

Só que tendência é um modo de alienação, porque para o povo ser anestesiado, tem que dar um tipo de anestesia. A massificação – isso aconteceu nos períodos do socialismo soviético, do nazismo alemão e no fascismo italiano, fora o fascismo ibérico e o Estado Novo por aqui – se anula o individual (neutralizando o indivíduo) para dominar a grande massa pelo prazer de uma ideia que ela gosta. As imagens agradáveis e a música que traz alegria e não traz a realidade (não, o funk não traz a realidade) dentro de uma massa que sofre a realidade e não aceita ela. É mais alegre e gostoso ouvi uma música que mostra o amor, porque achamos o amor gostoso graças a ideia romântica do amor eterno, do amor que não tem brigas e os dois namoram sempre. É mais prazeroso ouvi uma musica que explora o sexo, porque o sexo dará prazer e sempre deu, mas, não traz as consequências. A gravidez é as menores delas, porém, não pouco preocupante. Quem quer ouvir musicas que mostram a realidade ou que nos fazem refletir? Ou que, pelo menos, não são degradantes para o ser humano?

A tendência sempre vai nos amarrar a uma realidade fictícia. As sombras platônicas que são só projeções de pessoas que estão por traz do fogo, sempre construindo essas sombras. A atitude não é nem sair de botinão (o conhecido coturno), camiseta preta, ou shortinho curto e miniblusa, e sim, vem da quebra das próprias tendências. Aí voltamos aquela pergunta: o que será a realidade? Será que a minha realidade tem a ver com a realidade do outro? Eu gosto, particularmente, do método cartesiano do “penso, logo eu existo” (no livro que tenho da editora Cultura (Os Pensadores) tem esse “eu”). Se eu estou pensando e a partir do meu pensamento eu percebo o teclado do meu computador, primeiro eu não posso duvidar da minha existência porque sou aquilo que eu existo para ter essa percepção. Eu posso duvidar de tudo ao meu redor, mas, não posso me duvidar. Se posso duvidar de tudo, então, eu posso fazer a seguinte pergunta: por que eu tenho que seguir a tendência tal? Se sou contra o sistema, por que eu colaboro com a grande mídia gostando das mesmas bandas que aparecem na mídia?

Dai entra a filosofia do NÃO. A grande maioria segue tendências, porque não gosta de ser excluído. Nosso povo, em sua maioria, não gosta de cara feia. Isso demonstra desprezo com a pessoa dele.  Então, ele tende em gostar o que a maioria gosta para não confrontar, ser aceito e muitas vezes, nem gosta daquilo. Por exemplo, muitos sertanejos que cantam a música da tendência, gostam de rock. Mas, eles descobriram um nicho – porque o pai colocou para cantar essas músicas dês de cedo – e ganham dinheiro nesse nicho. Isso é se trair, ou seja, trair o seu ser para ter, que não é diferente, de se prostituir sexualmente. Única diferença é que você ganha dinheiro cantando o que gostam, assim, alimentando essa massificação. Muitas pessoas adotaram serem ecléticas, mas, ser eclético é não gostar de nada. Mesmo o porquê, se você for analisar bastante fundo, você gostar de tudo é um modo de não desagradar ninguém. Ou seja, você relativiza o gosto ao ponto de classificar a massificação como benéfica, mas, o oposto a democracia é a massificação e o coletivismo que destrói o individuo como uma pessoa autônoma.

A minha filosofia do NÃO ou a tese do individualismo consciente, é, totalmente, cartesiana. Por que? Porque tem a ver com o gosto e a vontade que expressa no seu consciente para pensar e analisar a realidade. Quando dissemos que NÃO queremos um cachorro quente e sim, um hambúrguer, estamos expressando o nosso querer projetando a nossa vontade. Entre rock e axé, eu prefiro rock, pois, há elementos peculiares que me fazem querer ouvir rock ao invés de axé. Porem, o gosto da maioria está além daquilo que chamamos de gosto individual, porque é repetida varias musicas ate o publico aceitar aquilo. Ou porque é mais fácil ouvi aquilo, porque são frases curtas e não requer o esforço do pensar.

A cada NÃO que você diz, você chega à essência de uma só realidade e chegando a essência de uma só realidade, você chega a seus valores éticos e morais. Não estou falando de moralismo, pois, o moralismo é uma imposição de um conceito religioso que acaba sendo uma massificação do mesmo modo. Mas, estou falando da verdadeira moral, que degrada e degenera o ser humano deixando-o menos crítico, para não questionar os políticos, quem detém o poder. Por que será que deixaram as escolas sem investimento? Tentam tirar filosofia e sociologia do currículo escolar? Para os jovens serem menos críticos? E nem estou falando de governo (Bolsonaro), mesmo o porquê, quanto o PT viu que estavam questionando muito seu governo, também tentou tirar. A questão sempre envolve o poder e o senso critico e o senso crítico é o NÃO que demos. Porque a negação da realidade de modo critico, fará sempre um ser humano mais inteligente.

A modinha da brincadeira de rasteirinha só é a massificação e a constatação que os jovens não sabem brincar, pois, acham que a vida é um grande videogame. Mas, não é, porque se você se machucou ou se matou, não tem como reiniciar a vida, ela se foi. Mesmo quem acredita na reencarnação, como eu, sabe que a vida é uma só, foi uma oportunidade de aprendizado que tivemos. Portanto, a cada indivíduo resta analisar aquilo que gosta e aquilo que não gosta.


Amauri Nolasco Sanches junior
Publicidade, técnico de informática e filosofo

quarta-feira, janeiro 08, 2020

Filósofos não podem criticar o PT




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Amauri Nolasco Sanches Junior

Dias desses na rede social do Linkedin, li uma manchete em um site qualquer que um dos membros da rede postou, que o ministro da economia, Paulo Guedes, queria ter acesso à parte de aposentadoria e pensões para pagar o 13º salário da bolsa família. Só comentei que nada diferente do PT e do PSDB, que tiraram de outro lugar o dinheiro para programas sociais. Quantas vezes lemos que o governo tirava da educação ou da saúde para pagar a bolsa família? Quantas vezes lemos e já foi provado, que um dos destinos do dinheiro tirado das estatais eram para esse tipo de programa social? Não estou defendendo o governo Bolsonaro, só estou dizendo que para mim que sempre li jornais, não há novidade nenhuma. O problema é um usuário dizer que comparar o PT com o governo Bolsonaro era uma desonestidade intelectual imensa e era muito pior por eu ser um filósofo. Em um outro momento, a dona da postagem aparece e pergunta em que mundo eu estou. Em um outro momento, disse que não viu nada disso em 38 anos de visão politica.
Lendo isso uma questão me veio na minha cabeça: por eu ser um filósofo e comparar todos os governo de alguma medida, fazem igual? Por eu ser um filósofo, a minha análise é, exatamente, mais ampla e com mais argumentos do que a maioria. Porque o filósofo é um amante da sabedoria e está a procura do objeto do seu amor, como Psique ficou atrás de Eros e nunca lhe encontrou. Cada caminho para achar essa sabedoria é importante, pois, junto com essa sabedoria está a verdade e não é qualquer verdade, e sim, o verdadeiro LOGOS primordial. Então, um filósofo não pode ficar presos em conceitos determinados ou que o senso comum acha ser a verdade (doxa), mas, aquilo que é em essência primordial. Não importa o que está na modinha, não importa se os outros estão dizendo, as análises devem ser analisadas a partir de um ponto além da paixão (o apego aos ídolos), além das análises superficiais. Sempre falo que o filósofo é uma espécie de arqueólogo das ideias, ele não examina a superfície de tudo e sim, vai examinar as camadas mais fundas para encontrar elementos para aquilo ter surgido. Se o filósofo começa a defender uma única posição, ele não é um filósofo e sim, um simples intelectual que só repete do que lê.
Concordo com Nietzsche na questão da verdade e da mentira. Dizia o filósofo alemão, que tanto a verdade e a mentira, são construções que decorrem de uma vida de rebanho e da linguagem que lhe correspondesse. Ou seja, as verdades e as mentiras sempre dependem daquilo que as pessoas acham ser a realidade, os valores que acreditam e levam sempre a uma vida de rebanho e o ser humano acaba sendo escravo de crenças que o alienam a uma verdade maior. Continua dizendo, que o homem de rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho. Assim, a grande maioria tem que seguir o que a maioria segue para ser aceito, ninguém gosta de ser excluído porque nos ensinaram uma realidade que alguns duvidam — aliás, muito poucos vão além das ideologias e as crenças religiosas — e esses, são excluídos da grande massa.
Os filósofos não tem nenhuma visão única que não pode ser mudada, não pode ser repensada ou analisada de forma diferente da maioria. Mesmo o porquê, um ponto de vista é apenas um ponto , mas, existem vários outros pontos de vista que podem também ser colocados. Verdades únicas são sempre perigosas. Verdades únicas construiram tiranos, foi a alienação social da idade media, é a essência de qualquer fanatismo dentro de qualquer sociedade humana. Seja da direita (fascismo e nazismo), seja de esquerda (socialismo/comunista). Por isso mesmo as democracias são democracias, porque existe uma incerteza dentro dela, existem variedades de ideias e posições e sempre o medo dela sofrer uma ruptura. Então, um filósofo dentro da área politica, deve ter bastante cautela cética das análises e sempre jogar outro ponto de vista além que todo mundo fala e expõem e por causa disso, o filósofo incomoda. Incomoda porque sabem que não corresponde a realidade o que dizem ou acreditam saber, mas, insistem porque querem ter razão. Na Grécia, nos tempos clássicos de Sócrates, chamavam ele de “a mosca de Atenas” por ele incomodar como uma mosca que fica nos rodeando. Tanto é, que ele foi condenado por uma condenação tola e vil, só para se livrar de Sócrates e nada adiantou. Seus alunos continuaram seu legado, Atenas caiu na dominação do reino macedônio, e o nome de Sócrates foi legado por toda a história.
A sociedade gosta do “cobertor quentinho” de ser aceito dentro de qualquer manifestação social. Seja virtual ou não, a vaidade impera e não tem como escapar. Como se fossem tribos, os iguais se articulam entre si e compartilham do mesmo pensamento, seja com um ritmo musical especifico, religião específica ou ideologia específica. Mas será mesmo que elas são a visão da verdadeira realidade? É de se pensar e sair da caixinha social.

sábado, dezembro 28, 2019

Sanctus Dominus — quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov





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As questões ideológicas e religiosas sempre foram muito mais complexas do que o senso comum sequer imagina. E quando a ideologia começa a se misturar com a religião, num português bem claro, só dará merda sempre. O ataque a sede do grupo de humor Porta dos Fundos mostra o quanto a juventude está perdida e sem rumo nenhum, porque você se apresentar como um fascista, mas discursar como um marxista raiz, é de uma imaturidade gigante. A questão é: qual moral devemos seguir sem ao menos, questionar a sua origem? Veja, não devemos confundir questionar com falar mal ou ser contra aquilo, apenas questionar se aquilo é realmente verdade ou mentira, se aquilo levara o ser humano ao conhecer a si mesmo ou apenas, é mais um discurso para dominar a massa. No limiar de tudo, todos esses deveres são marketing para assegurar a predominância de um discurso qualquer.
No caso da representação do Jesus gay do Porta dos Fundos, sempre constatamos que Jesus teve uma imagem mistica muito bem construída nesses dois mil anos de história do cristianismo. Talvez, essa construção da imagem dele enquanto ser que é a incorporação de Deus no mundo — como se Deus devesse se apropriar de um corpo para se fazer presente — seja um discurso sagrado dos milagres que ele teria feito, que lógico, fez dele uma figura mistica. Ora, o budismo (digo o budismo mesmo) não vê Buda como um deus e nem o Islã vê Maomé como deus, porque Deus seria algo muito maior e muito mais longe do que possamos definir em um ser só. Ai entra o romanismo dentro do cristianismo, pois, se algo deve ser adorado, esse algo deve ser transfigurado em uma imagem. Mesmo que várias pessoas tenham múltiplas explicações para isso, o cristianismo não difere dos cultos a deuses da antiguidade e talvez, sincronizou no culto de um homem crucificado, acusado de se titular rei de Israel e blasfemar contra o culto tanto de Roma, como dos judeus. Ou seja, apontou a hipocrisia dos sinédrios da época, em achar que o Templo de Salomão era algum tipo de comércio, que ao passar do tempo, todos ficam como comércio. Isso não quer dizer que eu ache que Jesus não existiu, as ordens morais que ele disse — se disse mesmo — são importantes para uma vida equilibrada e com sentido em ser. Afinal, quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov?
Segundo o novo testamento, Jesus participava de várias festas e comemorações, mostrando que ele era uma pessoa alegre e festiva. Ora, vamos ser sinceros com a fé cristã, mesmo que ele for Deus, ele iria se importar do que um bando de comediante diz dele? Mesmo se ele fosse homossexual, será que sua mensagem mudaria por isso? Claro que não. Racionalmente, podemos dizer que homens no tempo de Jesus (segundo a lei judaica) homens co 30 anos de idade, teriam de ser casados e, pelo grau de cultura que Jesus demonstra, talvez, ele teria que estudar no templo. Vários estudiosos já trabalham com a ideia que Jesus e José era escribas do templo, assim, poderiam circular no mesmo livremente. O que nos remete que Jesus deve ter sido casado — como Buda, Maomé ou Moisés e isso não invalidaria suas mensagens — isso reforça a hipótese, que Maria de Magdala teria sido esposa e discípula de Jesus. Porém, nos resta uma dúvida importante: por que o império romano como todo aquele poder acabando, ter aceitado cultuar um culto de um homem crucificado?
A cruz é um símbolo religioso muito antes da crucificação de Jesus, mesmo em Roma. Aliás, há um erro corriqueiro, que atribui festas incorporadas na religião cristã como deus antigos vindos de fora, mas, o que vimos e o que dizem vários pesquisadores, é que tudo ou a maioria que existe no cristianismo veio dos romanos. Todo o cristianismo é romano. Isso não resta dúvida, quando olhamos os anjos das igrejas e eles estão vestidos como centuriões romanos. Há muitas características que mostram todo o império romano na igreja romana cristã, além, claro, das filosofias gregas influenciando alguns pontos teológicos disso tudo. Muito pouco restou das falas e dos ensinamentos de Jesus, portanto, a figura mistica sempre dominou o que realmente o cristianismo deveria pregar como ensinamento do seu mestre. Portanto, o cristianismo não é o mesmo de seguidor de Jesus.
Ora, afinal, será mesmo que foi Jesus o ofendido ou o cristão se ofendeu? Será que a ofensa é a imagem que se construiu dentro do fanatismo? Tudo isso que eu escrevi não quer dizer que a mensagem de Jesus não seja importante, mas, que tenhamos sempre um filtro daquilo que é, verdadeiramente, sua mensagem e aquilo que não, não é sua mensagem.

segunda-feira, dezembro 23, 2019

Sérgio Moro não deveria ser politico





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Conversando com a mulher que faz limpeza aqui em casa, ela disse que o Moro não deveria ter ido para a politica. Na sua simplicidade de pessoas do povo disse o que o povo pensa, porque as pessoas não estão preocupados com ideologias ou que acontece em universidades. A maioria não sabe sequer quem foi Paulo Freire, pois, são coisas desnecessárias para a maioria das pessoas e deveriam ficar no escopo da biblioteca. O pensamento dela é muito simples, se o ministro Sérgio Moro tivesse ainda como juiz da Operação Lava Jato, talvez as questões sobre a corrupção tivessem ficado mais intensas e pouco politicas ao ponto de ter tantos retrocessos na Operação. Justiça para a maioria é o cumprimento da lei e ponto, o resto fica a cargo de politicas positivas que mostram um mundo cor de rosas cheios de animais fofinhos.
Desde o século 19, com a moral vitoriana ditando moda, descobrimos com Freud que, na verdade, somos uma sociedade demagoga e hipócrita. Eramos uma sociedade bastante reprimida no dever kantiano em sempre fazer certo para inspirar confiança ao outro, e isso, logicamente, teve reflexos na religião que do “deus” que queria só que suas criaturas obedecessem suas normas, teve que abrir mão para inspirar confiança. Deus hoje em dia, é o “deus” do dever e nele, sem dúvida nenhuma, se pode ter confiança plena. As pilastras da sociedade ocidental sempre foram pilastras greco-romanas, aqueles que seguravam o Parthenon ou os fóruns da vida grega e romana, que seguravam tetos de granizo. Já seguraram uma pedra de granizo? Já tentaram segurar uma mesa de granizo? Eram estruturas, completamente, pesadas e não caiam. No mesmo modo, os heróis gregos não eram diferentes de mim ou de você, ou seja, eram humanizados e não havia nada do dever kantiano de salvar as consciências do mundo.
Ora, herdamos a filosofia e a politica dos gregos, seu maior expoente foi Aristóteles. Há um erro bastante corriqueiro que é colocar a frase de Aristóteles como “animal politico”, mas, é um erro de tradução. Ele disse — ou seus alunos escreveram — “zoo politikon” que quer dizer, “animal social” porque esse “politikon” era um termo que era antonino de “idiotike”, ou seja, se o “idiotike” queria dizer uma pessoa egoísta que não pensava na polis num todo, o “politikon” era o cidadão que pensava e discutia sobre os problemas da polis. A democracia nasce exatamente desse intuito, cidadãos que queriam discuti os problemas da polis, mas, a moderna nos tirou esse direito para darmos uma espécie de carta de representação. O povo se distanciou do poder porque o império romano tirou isso da maioria, esqueceram que quem sustentava o império era a maioria. Ora, será mesmo que isso é uma democracia?
Na essência, Dona Ilda quer o que o povo sempre quis, produzir, não ser roubado (em todos os sentidos) e criar seus filhos com segurança e educação. A figura do Sérgio Moro não difere com a figura do ex-ministro do supremo, Joaquim Barbosa, ele só difere que não ter desistido em punir os corruptos, os que assaltam a nação todos os dias. Aliás, a corrupção vem do império romano, de tão vasto e poderoso, corrompeu quase o mundo ocidental inteiro. Herdamos isso também. Reinos medievais eram corrompidos para consolidar o poder em meios da igreja e a mesma, coroava aqueles que o Papa — a figura do imperador — achava melhor como rei e dizia que Deus designou ele para tal cargo. Cargo esse, que em reinos menores, eram colocados nos tronos os que continham o maior número de terras possíveis. Dai vem nossas capitanias hereditárias e os governadores eram aqueles que tinham a maior extensão de terras, que ainda hoje, assombra a democracia brasileira. Somos herdeiros de uma cultura Latina, de uma cultura medieval, de uma cultura que não se modernizou porque sempre se usou as tradições para dizer que somos conservadores. O problema é, não temos nenhuma tradição, temos um monte de retalhos de outras tradições que, na maioria das vezes, somos avessos.
Na verdade, temos muitas morais que não cabem em um mondo de hoje e o Brasil, por outro lado, se autossabota. Ou seja, quando as coisas estão cada vez melhores, se começa a piorar de repente. Ao que parece, o Brasil não quer se modernizar.

sábado, dezembro 21, 2019

Cadeirante com cara de Ursinho Puff e o Chapeleiro Maluco da Havan




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- Gatinho de Cheshire (...) Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?
- Isso depende muito de para onde quer ir - responder o Gato.
- Para mim, acho que tanto faz... - disse a menina.
- Nesse caso, qualquer caminho serve - afirmou o Gato.
- ... contanto que eu chegue a algum lugar - completou Alice, para se explicar melhor.
- Ah, mas com certeza você vai chegar, desde que caminhe bastante.
- Mas eu não quero me meter com gente louca - ressaltou Alice.
- Mas isso é impossível - disse o Gato. - Porque todo mundo é meio louco por aqui. Eu sou. Você também é.
- Como pode saber se sou louca ou não? - disse a menina.
- Mas só pode ser - explicou o Gato. - Ou não teria vindo parar aqui.
Alice achou que isso não provava nada. No entanto, continuou:
- E como você sabe que é louco?
- Para começo de conversa - disse o Gato - um cachorro não é louco. Concorda?
- É, acho que sim - disse Alice.
- Pois bem... - continuou o Gato. - Você sabe que um cachorro rosna quando está bravo e abana o rabo quando está feliz. Mas eu faço o contrário: eu rosno quando estou feliz e abano o rabo quando estou bravo. Portanto, eu sou louco.
(Alice No País das Maravilhas)
 CARROLL, L., Alice no País das Maravilhas, 1865.


Um dos livros de filosofia que mais gostei de ler foi Alice no País das Maravilhas de Lewis Carrol, que conta as aventuras de um mundo doido onde nada tinha lógica e os objetos eram, completamente, vivos e falantes. Na visão da Alice, todo aquele mundo não fazia sentido porque tinha aprendido que as coisas tinham uma ordem lógica, isso também, era pensado na ordem moral. Estava em tempos vitorianos — a moral vitoriana veio da rainha Vitoria, da família perfeita — e muita visão moral, que alguns casos ainda ficou, começa a ser questionada em todas as áreas. Visivelmente, Carrol faz duras críticas a essa educação vitoriana e começa a colocar um mundo que não existe lógica e nem princípios morais que pudessem quer questionados. Mas, o que seria uma moral de verdade? O que seria a própria realidade e a normalidade?
A maioria dos brasileiros idealizam a realidade a partir dos princípios que regem sua religião, rege sua ordem moral. Mas, que ordem moral poderíamos seguir? Mais ou menos, trezentos anos antes de cristo, o filósofo Sócrates já observava que as pessoas eram boas para agradar as outras pessoas, para se passarem de detectoras de conhecimento e sabedoria e a bondade em ajudar o próximo. Sócrates dizia que nada sabia, exatamente, para mostrar que ele com o vasto conhecimento que tinha da alma humana, não sabia de tudo e sabia que não sabia de tudo. O filósofo dizia que a verdadeira bondade é só alcançada quando adquirimos um certo conhecimento e esse conhecimento, faz com que vejamos uma bondade além das ordens morais que regem a sociedade. Platão, por ter uma carga não só da filosofia socrática, mas também, seguiu vários outros filósofos, seguiu nesse caminho do conhecimento e ignorância. Sua ideia da caverna nada mais é do que o conhecimento do homem que saiu dessa caverno e o resto, que continuou a ver as sombras. Mas, por que a maioria continua a querer ver as sombras? O simbologismo das sombras e bastante simples, pois, nem sempre o formato da sombra é do formato do objeto que é projetada a sombra. Podemos até mesmo, manipular o formato dessa sombra.
No livro — talvez, Carrol tenha lido Platão — Alice tinha tirado uma soneca e acordou com a irmã te chamando para tomar um lanche. A realidade é construída a partir daquilo que escondemos em nosso íntimo como valores morais, você pode ser consciente desses valores ou esses valores são ocultos na sua consciência. Sonhos, na maioria das vezes, são aquilo que está lá escondido no seu inconsciente e ninguém — nem mesmo você — sabe que aquilo existe. Aliás, Aristóteles sempre dizia que a ética se pratica e não, se teoriza. Então, quando se votou no Bolsonaro, eu tinha na minha cabeça, que votaram nele para as leis e para cumprir essas leis, mas, o que eu estou vendo é a mesma coisa que sempre eu vi. Um fanatismo exagerado e uma oposição burra e porca que não sabe, nem mesmo, argumentar. Por que Paulo Freire é um energúmeno? Por que é culpa do TV Escola o nosso desempenho escolar? Será que cultura é uma coisa ideológica? Enquanto o mundo se moderniza e se acessibiliza, o Brasil ainda quer viver em uma cultura do século dezenove hipócritas e que não tem nada a ver com o mundo de hoje. O Brasil quer ser um país atrasado.
Mas, sabe o melhor lugar para ver o atraso mental e o atraso do empregado vassalo? Linkedin. Só vejo autoajuda vagabunda e pessoas que acham que entendem de marketing, mas, não leram um Krotter sequer. Só fica lendo artigos de coachings vigaristas, palestras vagabundas e livros que nada trazem de conhecimento e nada vão trazer para uma empresa mais prospera. O Luciano Hang é péssimo de marketing, diz ter lido Olavo de Carvalho e acha que está fazendo uma boa causa trazendo o ursinho puff de cadeira de rodas para o seu vídeo. Um alienado ou um cúmplice? Eis o mistério.

quinta-feira, dezembro 19, 2019

#BrasilReal : fábrica de falar merda chamada Brasil



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“Um dos traços mais notáveis de nossa cultura é que se fale tanta merda.”

(Sobre Falar Merda, Harry Frankfurt)




O que é falar merda? Todos dizem que falar merda é dizer alguma coisa como uma asneira, mas, não é bem assim. Eu entendo que falar merda é falar aquilo que se acha que sabe, porém, não sabe e se pensa ainda saber. E isso não é um problema de agora — no século vinte e um — ele é um problema desde muitos milênios, quando o poder começa a falar merda para dominar e deixar o povo ignorante para falar muito mais merda ainda. Por que? Seria bastante interessante se ter a população na ignorância, para governar e ficar falando aquilo que não sabe. Como Sócrates detectou, que as pessoas achavam que estavam falando coisas que tinham sentido, mas, não tinha a menor lógica você acreditar naquilo. Sócrates percebeu que as pessoas não eram boas de verdade e indo mais além, as pessoas nem sabiam o que era bondade de verdade e só falavam merda.
Platão, que continuou de certa forma, o legado socrático, chegou a conclusão que opinião não é conhecimento. Falar merda não era sinônimo de conhecer alguma coisa, mesmo o porquê, quem fala merda não sabe nem a origem daquilo que está falando. Afinal, Platão viu seu mestre Sócrates sendo morto porque um poeta — se pagaram ele ou não, não interessa — começou a falar merda do filósofo e o povo, que deu razão ao poeta, deram razão a merda falada. Platão chegou a conclusão, que toda aquela merda que o poeta disse que o povo sempre acha que é verdade, são produto de uma essência que chamamos de verdade (arethe), mas, de meras ilusões que as pessoas acreditam e a merda é construída a partir de um chorume maior. Mesmo o porquê, sabemos que a instrução verdadeira não acontece em escolas públicas, mas, por conta própria. Tudo que aprendi ao longo da minha vida, não foi numa escola, foi em livros e pesquisas na internet. Que aliás, existem várias merdas que, por via de muitas dúvidas, devem ser pesquisadas as fontes.
Por que ninguém pesquisa a fonte? Porque a maioria das pessoas continuam ainda achando que sabem, pois, é muito mais cômodo achar verdades que foram prontas para seu conceitos. Nos desiludimos com certo politico, por exemplo, outros teóricos começam a falar merda colocando ideologias que não são dele, não fazem parte nem da ideologia partidária que defende. Mas, para a maioria, aquela verdade é confortável. Como se você fosse um fedelhinho e está confortável em um cobertor sendo acariciado pela mamãe que irá te proteger, mas, a vida não é aquele edredom cheiroso e quentinho, a vida é cobertor velho cheirando bosta das diarreias mentais que a maioria tem. A maioria acha que esse cheiro de bosta é culpa do outro, o outro quer te colocar nesse cobertor cheirando bosta. Mas, você cagou sua vida e não quer assumir. Você acha que sua vida é um talco cheiroso, mas, a sua vida é cheia de maria-fedida (bisorinho que deveria ser o nosso símbolo). A maria-fedida sempre entra no meu quarto e deixa cheiros horrorosos, do mesmo modo, quando entre uma ideia dentro de uma cabeça vazia.
Não estou dizendo que as pessoas não sabem de nada, mesmo o porquê, a capacidade cerebral de todo mundo — pelo menos, a parte racional — é igual. Como Platão disse, uma mera opinião é uma ideia muito rasa daquilo que se acha que sabe, mas, não sabe. Saber é você ler sobre, estudar sobre o assunto, e depois saber o que argumentar. Na verdade, a maioria das pessoas estão em um mundo ilusório e que pensar ser realidade, mas, estão numa ilusão, uma caverna que só existem sombras. Afinal, o que a realidade? Realidade é você estudar 20 anos e aprender o que os outros querem? Realidade é trabalhar para os outros sem questionar? O que é a realidade?



quinta-feira, dezembro 12, 2019

A religião do terraplanistas





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A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia.
Albert Einstein






Na filosofia, nós sempre dissemos que devemos pensar fora da caixinha e por isso mesmo, as pessoas deveriam indagar mais. Mas, é diferente você peguntar “será mesmo que a Terra é redonda? Será mesmo que o homem pisou na lua?” do que afirmar categoricamente “A Terra é Plana” ou “o homem não foi para a lua”. Indagação é filosofia e afirmações são dogmas. Quando vivemos afirmando não estamos pensando fora da caixinha, estamos achando que a nossa moral é melhor do que as várias morais. Porém, algo estranho aconteceu com o fenômeno da internet que potencializou essas afirmações como se fossem verdades, assim, o “será” se torna “é”. não há em nenhum versículo da bíblia que se fala da Terra Plana. As pessoas usam a parte do Apocalipse de João dos quatro cantos do mundo, para afirmar a terra plana. Mas, na época que foram escrito o apocalipse, se tinha o mundo conhecida da Ásia, oriente médio, e o mundo romano (e a áfrica) e não se sabia muito dos gregos, que já desconfiavam da esfericidade da Terra.
Na verdade, esse movimento não só surge no Brasil e sim, é um movimento bastante significativo e tem pessoas famosas e que tem estudo, como se fosse uma religião. Existem várias religiões do tipo que substitui aquilo que é aceito da maioria, até mesmo, para indagar o que se normalizou como verdade. Várias coisas desse tipo viram verdades absolutas, porque nem sempre as pessoas têm um estudo amplo que possa entender que a bíblia é um artigo de fé, e a realidade é outra coisa. A culpa é do próprio cientista que ou acha que o publico leigo tem a mesma carga acadêmica do que a dele ou que é bilíngue igual ele, pois, tudo que não entendemos temos o instinto de rejeitar aquilo. Mas, não há dúvidas — até esse momento — a esfericidade do planeta e não só ele, mas, todos os planetas do sistema solar. Grosso modo, isso não deveria nem estar em discussão, porque são coisas provadas mesmo dentro do próprio planeta e não tem a ver com lentes olho de peixe. Se a Terra fosse Plana, você ia virar para o norte e iriamos ver a estátua da liberdade, iriamos virar para o sul, poderíamos ver Buenos Aires, talvez. Além do mais, há o fenômeno gravitacional que nada mais é, do que a rotação da Terra. Então, o porquê duvidar disso e não duvidar de outras coisas muito mais absurdas do que a esfericidade da Terra ou se o homem foi mesmo para a Lua?
Essa discussão começa desde a Grécia (Hellas) antiga, quando haviam filósofos que acreditavam que a Terra era redonda e que a Terra era plana. Na verdade, os gregos antigos não tinham muito essa concepção que tudo era separado, pois para eles, a ideia do cosmo era uma unidade. Também, eles acreditavam muito em um destino, como se o mundo fosse um filme e o ser humano fosse um personagem. Por isso mesmo, se fala muito que tanto Sócrates, como Platão, tenham quebrado essa imagem do homem dependente do universo e dos deuses. Tanto é, que Platão vai elaborar o teorema da caverna, onde o ser humano está prezo nas crenças e tudo que você segue sem perguntar de onde veio e porque daquilo. Aliás, poderíamos perguntar qual mo motivo essa discussão toma corpo no exato momento e no século 21, onde o ser humano está começando a engatinhar na inteligência artificial? Qual o interesse das religiões vigentes, se alimentar dessas paranoias? Fácil. Uma crença tem que ter um argumento bastante sólido para fazer as pessoas acreditarem, que aquilo seja verdade e só aquilo vai trazer felicidade, pois, as outras coisas só servem para iludir o ser humano. Eles são contra tudo sexualizado, porque se o povo sentir prazer, não haverá religião e nem infelicidade. Porém, o que acontece também, é o exagero de ou ser de 8 ou a 80.
A ideia que a Terra é Redonda começa com Pitágoras, que já começava a dizer que o nosso planeta era esférico. Assim como Aristóteles também dizia da esfera da Terra através da sombra na Lua, que faz sentido se você olhar para a Lua e ver, de repente, a sombra da Europa. Se a Terra fosse plana, todos os continentes eram vistos. Isso até é obvio e não precisava toda essa discussão, porque mesmo na idade media, essa teoria não faria o menor sentido. Ou alguém, ou algumas instituições quisessem segurar fiéis ou seguidores pelo medo, não diferente de hoje. Exato. As crenças surgem pelo medo de alguma coisa e não para religar nós ao divino e sim, o medo do deus-rei que pode castigar ele se ele não obedecer algumas leis. Aliás, essa ideia veio do grego do destino, do mundo como uma estrutura e isso não muda porque já temos uma linha só.
O destino entra no paradoxo do livre arbítrio, como a Terra plana entra em uma crença medieval que acaba deixando uma dúvida se as pessoas querem causar para ter likes e visualizações, ou eles realmente acreditam nisso por pura ignorância. Não há nem sustabilidade da terra plana, os argumentos de que o homem não foi a lua são muito fracos, e outras questões que nem vale a pena mencionar.