quarta-feira, maio 29, 2024

ROMANTIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E SE ESQUECERAM DA ESCOLARIZAÇÃO






 Amauri Nolasco Sanches Júnior

 – Bacharel em filosofia 


<<Não, ela não é uma professora de verdade. Isso é desvio de função, isso é romantizar a miséria, isso é sobrecarregar o professor. Parem de achar que professor tem que cuidar de criança como se a criança fosse dela, pq não é. O professor é pago (muito mal pago) pra alfabetizar e ensinar, não pra cuidar das crianças.>>

Essa é a resposta da minha irmã sobre a notícia que postei no meu stories onde uma professora costura as roupas dos alunos, que, realmente, é um desvio de função. Realmente, as professoras não têm nenhuma obrigação de arrumar roupas de alunos, mesmo porque, se arruma todas as roupas não haverá tempo de dar aulas. Por outro lado, venho sempre dizendo – e o Alexandre Links do Quadrinhos da Sarjeta – que a esquerda parou no discurso do século dezoito e se tem aquela soberba de achar que o povo não sabe o que esta fazendo ou que, o outro lado não tem capacidade de responder a altura. Nessa discussão, o que me incomoda na esquerda é uma tentativa de tutelar o ser humano como se todo mundo não soubesse o que escolhe. 

Logico que concordo com minha irmã, a professora não é a mãe do “alecrim dourado”, isso deveria ser feito pela mãe da criança. Mas vão dizer: “ah Amauri, e se a mãe não tem tempo?”. A resposta é meia obvia: mãe deve arranjar tempo para seu filho, pois a responsabilidade das crianças são dos pais delas e não da professora e ate acho, que nem da avó é. Minha mãe criou três filhos e o mais velho com deficiência (eu no caso) sozinha e ainda, tinha um negócio de costura com sociedade com meu pai que financiava. E ela cuidava das nossas roupas e das nossas lições e até mesmo, nossas amizades. Participava porque era ela a educadora, pois, as professoras tinham o dever de ensinar matérias e a escolas tem o dever de socializar crianças e adolescentes. Educar é um dever dos pais ou tutores. Mas, como se começou essa confusão entre educar e escolarizar?

Podemos dizer que, são essas as principais dimensões de formação do indivíduo, pois, a educação fica no espaço privado (família) e a escolarização fica no espaço público (escola). A problemática – não só na escolarização e educação – a cultura brasileira foi distanciando dessa noção cada vez mais dessas duas dimensões. Se perdeu a essência daquilo que é publico, daquilo que é privado. O que isso quer dizer? O brasileiro, em sua maioria, hoje não sabe mais diferenciar o que é publico e o que é privado por milhares de fatores quem sim, vieram da mídia e temos que falar disso. Mas, a cultura desde minha infância, já se encontrava meio assim quando vizinhas adentravam em nossas casas sem pedir permissão. Ou, as pessoas conheciam uma pessoa ontem, no outro dia estavam na sua casa. Indo muito mais longe, existem músicas altas e sem nenhum respeito social de usar fones, ou ouvir de modo baixo. 

Quando traçamos diferenças significativas dentro do privado e o público, queremos demonstrar uma quebra do direito de individualização da vontade e a deficiência de uma educação que deveria ser eficiente, e uma formação de um cidadão crítico e de repertorio político. E sabemos que os discursos é para confundir mesmo, porque um povo estudado é um povo crítico e nossa cultura odeia o crítico. Quantos governantes ligaram para TVs e rádios, pediam as “cabeças” de quem criticava seus governos? E não fica só os governantes, programas que defendem consumidores também são agredidos, há perseguições (stalkers) de pessoas que não concordam ou criticam aquilo que a pessoa acredita. 

O que vimos? Jovens que não tem a capacidade de acreditar nele mesmo, não tem autocritica e não tem capacidade de entender conceitos. A educação libertaria (de esquerda), falhou no sentido de colocar parâmetros errados segundos estudos de comportamentos. Só que existe uma questão: os traumas só acontecem com crianças cuja os pais foram mal-educados, o vicio continua com o erro. Daí o que fazer? Melhorar a educação para temos uma sociedade melhor ou achar que pobre não deve ser educado adequadamente? Nos resta a dúvida. 


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