quinta-feira, fevereiro 22, 2024

Ilha Marajó e a série Cangaço Novo

 



Após viralização da música "Evangelho de fariseus", nomes como Virginia Fonseca, Juliette e Rafa Kalimann usam as redes para abordar assunto

(O Globo



Dias desses eu comecei a ver o seriado brasileiro no Prime (streaming do Amazon) e dá para ter uma ideia bastante ampla sobre o que o povo nordeste. A história se passa em uma cidade do interior do nordeste e que mostra que o rapaz, Ubaldo, um bancário que não estava feliz em São Paulo e descobre que tem uma herança e duas irmãs. Mas, uma das cenas mais significativas do seriado vem em um dos episódios que Delvania (irmã de Ubaldo) tem um ataque de fúria e quis matar o prefeito (filho do coronel senador da região) quando ele abraçou a filha de um dos seus colaboradores. Lá ela não conseguiu, mas depois ela quase levou o prefeito a óbito por causa de um tiro certeiro no pneu. O noivo dela levou um tiro na fuga e morreu. Depois descobrimos que ela e a irmã foram violentadas por esse homem. Quantas meninas estão vivendo essa realidade?

Me parece que a realidade que tanto o brasileiro se baseia é a realidade baseada em sua subjetividade e essa subjetividade se torna universal, se eu gosto de forró, logo todo mundo gosta. Ou seja, o exemplo que eu dei seria como uma frase de uma música “quem não gosta de samba ou é ruim da cabeça ou doente do pé”, assim todo mundo que não gosta de samba ou é “ruim da cabeça” ou é “doente do pé”. Que, aliás, uma música capacitista. A universalização parte para a ofensa, porque ela tem que ser confirmada, todo mundo “tem que” concordar. Como disse em outros textos, isso faz das redes sociais um inferno. 

A realidade vai muito além daquilo que vivemos ou que vimos, aqui existem famílias que são de uma pobreza extrema graças à corrupção e o pensamento patrimonialista escravagista que temos. E não é mentira, pois, quando estava em um movimento prol PCDs, muitas pessoas traziam notícias que pessoas com deficiência eram acorrentadas por causa da “vergonha” que os pais tinham de ter tido um filho assim. Ignorância, fome, morte e violência já passam nosso povo todo dia e a todo momento para nos meter em guerras dos outros, mesmo que essas guerras possam afetar de algum modo nossa economia. A questão é: o problema no nordeste é só de dinheiro para a família? Não. O problema é estrutural e de corrupção extremas. 

Há denuncias que a Ilha de Marajó (CE), vem tendo por muitos anos, a tão denunciada prostituição infantil. Onde crianças muito novinhas vem fazendo atos sexuais em troca de dinheiro, e isso eu ouço a muito tempo e ainda, antigamente, a prostituição sexual (por mulheres) era institucionalizada e até tinha propaganda oficial da EMBRAER. Fora as propagandas de cerveja, as propagandas (em sua maioria) mostrando a mulher brasileira sexualizada e usada como amostra de prazer. Desde quando eu era muito jovem, eu fui cravejado de bundas na televisão.  E aí vem a pergunta: a quem interessa transformar um país em bagunça? 

O problema é que estamos em uma briga ideológica que não ajuda em nada o Brasil, com uma esquerda do século dezenove e uma direita tacanha que nada faz porque nada sabe. Ter vontade política para mudar isso é ter coragem de passar por cima de um sistema que perdura por séculos sem ninguém ligar. 


quarta-feira, fevereiro 21, 2024

O nazicomunista e o palhaço bozolino

 




“É importante lembrar que, em 2010, o Brasil foi o 1º país a reconhecer o Estado palestino. É preciso parar de ser pequeno quando a gente tem de ser grande. O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino, não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, declarou Lula a jornalistas em Adis Abeba, na Etiópia, no domingo (18.fev.2024).


Sabemos que o Estado de Israel foi idealizado pela filosofia sionista e sabemos quem todo povo sabe ou apoia o sionismo. Por outro lado, sabemos que os líderes sionistas não estão em Israel, assim como os líderes do Hamas não estão na Palestina. Talvez, para se falar de algo devemos muito bem, estudar esse algo sem que isso abale como você vai dar sua opinião. Aí vamos explicar que, uma análise muito boa e que não presta em pular para nenhum lado é a análise filosófica cética. Pois, desde quando o mundo é mundo (existe a humanidade) guerras são algo que líderes fazem para convencer o outro a dar o que querem, seja comida que os outros não colherem ou caçaram, há o extermínio. Alguns podem dizer: “ah, é nosso instinto…”. A racionalização de problemas tem levado a humanidade a resolver ou tecnologicamente, ou por resoluções morais que devem frear esses “instintos selvagens”. 

Freud dizia, que talvez, nosso “instinto selvagem” vem sendo controlado pelo id e esse instinto seria o superego. Mas é o ego? Em latim ego seria nosso “eu” e em inglês o self, ou seja, o verdadeiro ego - como dizem os filósofos budistas - é o verdadeiro eu que pode ser mudado conforme as circunstâncias que vivemos. Sim, como Gasset disse, somos nós e nossas circunstâncias, porque vivemos conforme as circunstâncias, mas não somos essa circunstâncias. E a liberdade? No mundo antigo não se refletia sobre a liberdade, porque a liberdade só tinha a conotação de autonomia e assim ficou até a idade média. Na idade moderna (ou modernidade) a liberdade passou a ser um direito e abrange o livre pensar, agir e escolher. Os existencialistas foram muito mais longe (principalmente, Sartre). Ou seja, mesmo que tenhamos nossas escolhas - muitas vezes, questionáveis - temos angústias de receber aquilo que escolhi e teve suas consequências. Religiões, muitas vezes, são a parte emocional e nada tem de espiritualidade, pois, conceber uma espiritualidade não é seguir uma emoção exacerbada. 

E assim a dúvida se cria. Aliás, como li em algum lugar, eu sou devoto da Dúvida e ele eu referencio como modo de caminhar nessa vida, mas o que vi nesse caminhar vi que nem sempre podemos contar com o que escolhemos. Em lugares como o território de Gaza não se tem muita escolha, como quem mora em Israel por ter que morar lá. Como a maioria - tem pessoas que, sim, sabemos podem escolher - não tem escolha em morar em favela e nem gosta. Daí vamos entrar na opinião política polarizada, pois, a esquerda acha que as pessoas (todas) querem combater um suposto imperialismo que não existe. Mesmo porque, os norte-americanos estão perdendo mercado para os asiáticos e isso é um fato. Baniram o TikTok lá por motivos políticos e não  preocupados com jovens, pois, o importante é impor seu mercado dentro do seu próprio território (nada liberal). 

Ora, mas, quem fomentou esse conflito se não há um imperialismo não tão forte americano? Saldar os norte-americanos por idealizar e colocar em prática a democracia moderna, claro, devemos “dar a césar o que é de cesar”. Agora, que a paz mundial depende deles, tenho minhas dúvidas. Como disse Rotthbard, depois que políticos tomaram o poder após o New Deal. o governo esqueceu das suas origens libertárias e seguiram uma agenda conservadora “como nossos pais”, como diz a música. Ora, a história humana anda em círculos, e o conflito ocidente e oriente sempre esteve em voga. Por que? Interesses. Não há nações amigas, há nações que defendem seus interesses. 

Mesmo que a esquerda odeie admitir, mas a frase do presidente foi infeliz e pode sim abrir mão para o impeachment dele. Assim como, Bolsonaro também falou um monte de besteiras e passaram pano também. O  Lula e o Bolsonaro são um retrato do ditado que repetimos em demasia: “futebol, religião e política não se discute” e assim se fez. Quando se começou discutir e se discordar, o brasileiro começou a descobrir que o universo dele que pensava ser universal, não o é. A questão vai ainda muito mais além daquilo que se pensa: o brasileiro universaliza todo pensamento. A mesquinhez do dinheiro e de não aceitar que está errado, levou as redes sociais serem um inferno. Longe de achar bom, mas, aqui morrem muito mais gente e ai?


terça-feira, fevereiro 13, 2024

IVETE SANGALO E BABY DO BRASIL E O CARNAVAL DE NPC






 

 <<<Após a repercussão de uma frase de Baby do Brasil à multidão no carnaval de Salvador, que o Apocalipse deve acontecer entre 5 e 10 anos, e Ivete Sangalo responder que iria "macetar o Apocalipse", a terna musa dos Novos Baianos veio a público desmentir uma possível desavença entre as duas.>>>


(O Globo) 



Segundo O Globo (e outros jornais) Ivete Sangalo e Baby do Brasil (antiga Consuelo), fizeram um encontro histórico dentro do carnaval da Bahia, já um evento cultural, e cantaram uma musica e dado momento a Baby (como pastora) disse que o apocalipse está próximo e que em dez anos irá ter um arrebatamento. Isso é, haverá pessoas escolhidas por Deus em serem levadas a uma espécie de paraíso e haverá alegrias eternas - não diferente de religiões antigas milenares - e isso me lembra muito várias leituras das quais, lembra bastante a  mitologia nórdica. Guerreiros devem ser mortos em batalha para as Valkírias levarem esses guerreiros até Valhalla e ter de dormir até a batalha final onde os deuses (Odin e seus filhos), matarão o dragão que tenta destruir a árvore da vida e do mundo Yggdrasil. Há de estudar a hermenêutica de todas as religiões para entender o que os antigos - que eram perseguidos e mortos por escreverem essas coisas - querem dizer. 

Odin, na tradição esotérica, se diz que era um mago do oriente e que foi parar nos países nórdicos. Se isso aconteceu ou não, não podemos saber e nem se tem como saber, a questão é que nesse Ragnarok (o Apocalipse nordico) tem uma interpretação bastante simples: a parte do guerreiro é a parte política onde você deve morrer pelo seu povo para ficar por um longo período dormindo embaixo no trono de ouro de Odin. Ou seja, há uma recompensa dentro do ato heroico, e como chamamos pessoas que só fazem isso por alguma coisa em troca? Não há como desassociar ao critianismo que dizem que todos que aceitarem o nomes de Jesus irão dormir embaixo do trono de Deus (de ouro) e esperar o juízo final, onde Jesus em seu cavalo junto com os cavaleiros (morte, fome, guerra e luxúria), estabelecerá seu reino. 

Estranho. Porque Jesus cansou em dizer que o seu reino não é deste mundo, mas do outro. Alas espíritas bastante esotéricas (que poucas pessoas se interessam e só vão ler a parte crente com crendices católicas), dizem que Jesus é um tipo de governador da Terra e por isso mesmo, vai ser chamado de “Deus”. Deus caberia em um corpo humano mesmo se ele se dividisse? Ou seja, para quem raciocina nem que um pouco, já vai dizer que o reino de Jesus (nem isso) é espiritual e não material. Por isso mesmo eu digo que são religiões materialistas e não espiritualistas, onde Jesus não deu nada, não dará nada em material. O que dará são coisas espirituais, como a filosofia dará coisas intelectuais e o conhecimento vai longe. Estranhamente, ao perguntar se deveria soltar Barrabás ou Jesus, escolheram Barrabás por causa da sua causa revolucionária enquanto Jesus, era pacifista e não faria nada pelos hebreus/judeus. Ninguém quis ou quer algo espiritual. 

Aí podemos ver uma grande diferença entre a religiosidade que seria algo bastante material, e a espiritualidade que é algo muito além daquilo que pensamos ser verdade. Quando temos conhecimento - menos o professor fã de Joelma - tem mais a capacidade de ser mais seletiva e fazer escolhas mais seletas. 


quinta-feira, fevereiro 08, 2024

EU SOU UM FALACIOSO E ‘PENSO’ CONHECER ARISTÓTELES

 



Nossa esse texto é muito falacioso, usa Aristóteles como se o conhecesse, e usa o termo woke, como se ele mesmo com esses viesses, não fizesse parte!



Recebi esse comentário de um grupo do Telegram sobre o texto que comento sobre o Renan do MBL que disse que não há evidências que Alexandre o Grande era homossexual (ou bissexual). Há um grande problema dentro das questões discutidas em não aceitar críticas daquilo que se acredita, por isso mesmo, eu sou bastante criticado dentro do libertarianismo (que é, grosso modo, um liberalismo clássico e não essa bosta que virou na América Latina), por fazer duras críticas do desvio que virou. Por isso mesmo, pessoas que não sabem escrever e querem ter razão, insistem em dizer que minhas falas são falaciosas. 

Na Wikipédia está: 


O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Designa-se por falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro.[1] Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente incoerente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso.



Aonde eu estou querendo enganar ou que meus argumentos são ou não verdadeiros? Eu disse que no Brasil não existem conservadores de verdade e que só existem reacionários. Isso podemos ver dentro de qualquer movimento de direita que existe dentro do Brasil - como eu digo que o brasileiro faz um combo ideológico - há uma distorção, como a bizarrice entre liberalismo e conservadorismo. Um conservador não pode ser um liberal nem na economia. E existe um outro lado, há nas alas de esquerda também um puritanismo transvestido de feminismo, de anti isso ou anti aquilo, como se na esquerda não tivesse sua ala conservadora também. E repito: concordo com Deleuze que disse que não existe governo de esquerda, porque a esquerda é oposição e quando sobe no governo, se torna situação. Tecnicamente - na lógica do congresso francês revolucionário - a oposição se torna esquerda, automaticamente. Se você não é monarquista, não é católico ou não é liberal progressista, não pode ser considerado conservador no Brasil. Desculpe. 

Outra coisa que não entendi é: o porque eu penso saber do movimento woke ou de Aristóteles, que nem era o foco do texto? Primeiro, sim há um exagero dentro do movimento woke e que tem base do identitarismo da filosofia contemporânea, só que quando Foucault analisa a identidade como forma de controle, ele não diz que devemos ficar com essas identidades e sim, superar elas. Se sou pessoa com deficiência por causa que houve uma nomeação daquilo que “anormal”, isso não quer dizer que eu estarei e começarei a alimentar uma representação que me domina. Daí Foucault vai dizer que devemos transcender essa imagem identitária para não ser mais dominado (bem Nietzsche). Pois, lendo Foucault, não vejo tanta herança filosófica do tempo marxista dele, mas, o traço do materialismo histórico é bem evidente. 

Já Aristóteles - que estudei em exaustão no curso do bacharelado - eu não analisei a fundo, mas, eu sei que foi preceptor de Alexandre e dos filhos de nobres amigos do príncipe. Mas, só disse que muitos poucos filmes ou livros retratam filósofos e no caso de Alexandre, o Grande, não retratam Aristóteles e nem Pirro (ainda no épico filme tem 3 minutos de Aristóteles). A conversa terminou como toda conversa que eu entro termina, “estou vendo sua limitação intelectual”, sendo que quem não explicou o ponto foi o crítico. Por que a falácia? Por que não sei de Aristóteles? Mistério.


terça-feira, fevereiro 06, 2024

MBLismo selvagem - o ‘gayzão da Netflix’



Até o IA sabe história melhor do que o sr MBL


Renan Santos⬛️🟨⬜️

@RenanSantosMBL

Logicamente que fariam Alexandre um gayzão na Netflix… é cada uma…


Eu achava que o Renan dos Santos (MBL) era o mais intelectualizado depois do Kim Kataguiri, mas estou vendo que existem questões muito enraizadas dentro da nossa cultura. Quais? Lembro de uma fala de um vídeo do Alexandre Links (Canal: Quadrinho da Sarjeta) que dizia que não se tem conservadores e sim, reacionários. O Movimento Brasil Livre não gosta do jornalista Pedro Doria (Meio) onde ele diz que temos uma tradição liberal progressista e esse negócio de liberal conservador é coisa de pessoas que não estudaram. Endosso a questão e dizendo que um conservador brasileiro deveria ser (1) catolico por causa da tradição católica dentro da nossa cultura (2) é progressista liberal dentro da tradição política e (3) ser monarquista por causa da nossa tradição monárquica (o golpe militar contra Dom Pedro II veio dos conservadores raízes). 

Com a nova série documental da Netflix do conquistador Alexandre o Grande - que aparece tendo um caso com o seu amigo Hefestião - parece que indignou a cabeça pensante do movimento. O grande pensador mblista, veio com a questão de modo bastante culto dizendo que fizeram de Alexandre Magno um “gayzão da netflix”.. Será que fizeram ou há relatos de que os gregos teriam uma prática de homens mais velhos iniciarem jovens e até se apaixonarem. Não sei onde ele pesquisou (mostrando só uma fonte), mas o fato é que uma pesquisa só não vai mostrar a verdade. E esse pequeno fato de opinião de um seriado nos mostra o quanto o Links tem razão em apontar esse fato do reacionarismo que temos enraizados em nossa cultura, porque o velho é bem mais legal do que o novo. Daí que as falas do Renan não me surpreendem e nem o preconceito enraizado (muitas vezes, não é culpa de quem fala, mas, da cultura que estamos inseridos). 

Daí temos que diferenciar a luta dos exageros woke (que é muito olavista, porém, serve de modo didático), dentro da filosofia identitária vinda de uma representatividade, só que Foucault dizia que tínhamos de superar essa representatividade. Exageraram e deturparam criando o movimento woke. Ou seja, o movimento woke é um movimento comercial dentro de um sistema que já se separava por categoria, não precisava separar por representação. E quem esta dizendo é uma pessoa com deficiência. Não senti nenhuma diferença quando me chamavam de deficiente e pessoa com deficiência, muito pouco se expandiu a luta das pessoas excluídas da sociedade. 

E aí temos que refletir outras questões: por que incomodou tanto o Alexandre o Grande ser homoafetivo? Eu vi e não me senti incomodado porque são fatos que há estudos sérios. O que mais me incomodou foi o fato que nem Aristóteles e nem Pirro foram mencionados, como se a sociedade tivesse raiva dos intelectuais (e tem muita).  Na verdade, nenhuma sociedade foi crítica ao ponto de romper com culturas e pensamentos que prejudicasse a grande maioria, porque a autodependência da questão da infantilidade posta, fariam seres humanos anticríticos e até mesmo, antifilosoficos. Enquanto a filosofia é usada como ponto de racionalização da realidade, a verdade esconde “monstros” que não podem ser descobertos. Afinal, qual o problema da homossexualidade de Alexandre e ele ter conquistado quase o mundo antigo? Qual a questão de normatizar aquilo desnormalizado para agradar alguns? A filosofia não agrada ninguém.


sábado, fevereiro 03, 2024

LULOPETISMO BOLSONARISTA E MBLISMO ANCAP - O TRIBALISMO POLARIZADO



 <<Tribalismo é um conceito no campo da antropologia que se refere a um fenômeno cultural pelo qual os indivíduos criam grupos ou organizações de natureza social com os quais se identificam e reafirmam como parte de algo maior.>>


(O que é tribalismo? Analisando esse fenômeno social)



Eu nunca gostei dessa história de ficar em algumas agremiações, mesmo porque, minha personalidade é forte. Sigo certos códigos de condutas, certas questões éticas e certas ideologias que acho importante. Por isso mesmo, não gosto de fanatismo político ou religioso (embora eu ache que o espiritismo e o budismo algo como doutrinas espirituais, junto com o yoga, claro), porque isso é uma limitação de uma transcendência da própria política. Ai, temos que fazer uma reflexão, o que seria política em sua essência. Por que? As pessoas, em sua maioria, colocam a política como algo dentro da moralidade (nem sempre é), dentro do benefício de si mesmo (o conhecido: política do seu portão). Um vem da religiosidade cristã (moralidade) onde a moral e os bons costumes reforçam uma base moralista do tradicionalismo. O movimento reacionário é tradicionalista porque idealiza um passado que nunca existiu, construindo um imaginário de memórias que não existem e nunca existirão. Partindo do princípio cristão - que tem como teologia, na sua maior parte, filosofias gregas - o reacionarismo vai colocar como prioridade a dita família, onde todos vivem em harmonia. Lembrando que a ideia de família como conhecemos é recente e tem a ver com o capitalismo. 

Já a política do “portão da minha casa” tem raízes de um individualismo que chega a questão de clã mesmo, ou seja, eu vou destinar toda minha luta por causa que o governo não arrumou minha calçada. O grande problema é que o governo (e o Estado como instituição nacional de administração) não pode governar para indivíduos, porque é a administração de uma nação inteira. a própria etimologia de política (politikós) tem a ver com a cidadania como um todo e preocupada com a sociedade. Isso, dentro da filosofia política, faz parte de um pensamento acima do escopo ideológico dentro de um pensamento além de partidos e movimentos. Mesmo porque, a tradição política - a moderna e contemporânea, claro - coloca o Brasil dentro de uma tradição liberal progressista e isso pode ser provado e lido dentro das milhares de pesquisas históricas (será que isso o MBL não gosta do jornalista Pedro Doria?). 

A questão é: porque se gosta tanto de agremiações como nossa cultura? Segundo alguns pesquisadores, têm a ver com a questão tribal da religião como aspecto de agremiar sujeitos a seguirem um propósito e muito mais aqui,  não ter uma autocrítica sempre dizendo: “isso não é hora da critica”. Em um modo geral - é bastante característico - o brasileiro não gosta da crítica, porque acha que não devemos criticar os “deuses” por causa da luta do livramento do mal. Mas o que é o mal? O outro enquanto indivíduo que impede de eu fazer o ato de heroísmo em combater aquele mal, supostamente,  está contaminando. E, também, tem a ver de universalizar aquilo que penso como algo bom e belo. Ser um ser político - transcendendo até Aristóteles - tem a ver com o ceticismo,  ou seja, desconfiar em discursos políticos, populistas e que trará benefícios a curto prazo. Isso tem a ver com a tribalização da política. 

Ora, isso prova como - de algum modo - Foucault teria razão com a teoria da Microfísica do Poder. Ou seja, a ideia de Marx que haveria um mecanismo ideológico que vinha do poder político estatal, faria com que vários preconceitos sejam espalhados e a grande maioria, não perceba a realidade, não faz sentido. Esse discurso vinha de algo muito mais social dentro de guetos (aqui movimentos) que espalharia o discurso e espalharia dentro da cultura. O nazismo, por exemplo, não teria inventado vários preconceitos que usaram contra o que achavam a escória da sociedade. Os judeus eram hostilizados desde a idade média e endossados pelos burgueses que não queriam concorrência. O antissemitismo que se originou em uma guerra comercial, teve o seu ápice no holocausto nazifascista. Não diferente foi outras nações exterminando e difamando para reafirmar suas posições dentro do discurso predominante. Vimos isso em todas as esferas da história humana, como uma difamação aquilo que se origina dentro de um discurso de eu contra o outro. 

Daí se chega entre direita e esquerda, que, grosso modo, só eram divisões de espectros diferentes de opiniões dentro da revolução francesa. Só isso. Isso, também, tem a ver com o real e o ideal. Uma coisa é você querer acreditar em algo - acreditar tem origem no crer - outra coisa, é a realidade real da sociedade onde você vive e isso, só resolve quando você transcende a política do “meu portão”.  Como disse Nietzsche: “ Há mais ídolos do que realidades no mundo”. As ideologias políticas e todas as crenças sao, em sua essência, ídolos que não cabem mais dentro da realidade porque viraram “muletas metafisicas”. São ideias. Contornos de um pensamento contingente que pode ou não acontecer. E, igual a religião, a política ficou cheia dessas “muletas metafísicas” para alcançarem o poder que, mesmo ele, se tornou outra muleta.


quinta-feira, fevereiro 01, 2024

Escravos da TV

 



<<Outro grave defeito que vejo no mundo é a televisão e como ela tem sido usada. É certo que a tv exerce uma

influência poderosa na mente das pessoas. Enquanto permitirmos que a tv seja usada para ganho e

entretenimento perderemos a oportunidade de instruir a humanidade da maneira mais eficaz que já imaginei.>>

(O Livro: Do que o mundo precisa) 




Comprei do meu colega Douglas Martins Vilela um livro que ele escreveu e dei meu primeiro parecer no messenger do Facebook. Uma delas é que não tem como um livro não ter capítulo - mesmo o porque, um leitor não vai ler em um dia só - porque além de separar por tópicos, ainda dará um descanso para o leitor. Depois temos outras questões que abordaremos nesse texto que é: existe filosofia no Brasil? Poderemos dizer que transcendendo o Paradigma Uspiano (da USP) onde uma cultura só pode filosofar se produziu ou analisou obras filosóficas e aí perguntamos: qual o critério? A Universidade de São Paulo, no núcleo de Filosofia, está há 70 anos estudando as obras de grandes filósofos, mas, pode ter criado vários especialistas e não filósofos. Por que? Por que ao escrever essas linhas do livro do meu colega, eu não posso se dominar filósofo como os nossos grandes “mestres” do passado?

Não acredito que o parágrafo do Douglas acima - que qualquer filósofo contemporâneo poderia usar como análise de uma cultura mais recente brasileira - não é diferente de um Foucault ou um Adorno da cultura norte-americana, por exemplo. Daí vem a crítica mais que sensata dos dias de hoje: temos pensadores que podem fazer uma crítica a nossa cultura sem se prender ao outro? Será que Sócrates e Platão se prenderam em outros filósofos? Sabemos que Platão - além de Sócrates - teve contato com os pitagóricos e de Parmênides. Mas, sempre (pelo menos na sua maturidade) fez uma filosofia autoral. Parece que existem várias críticas de vários erros  que ao longo dessa linha, tem acabado inibindo a produção filosófica brasileira. 

Como toda invenção, a TV foi idealizada para levar a educação a várias pessoas e de um modo mais eficaz, sendo até cogitada, como uma escola portátil. Parece que, como os governos tinham o monopólio e as TVs teriam que pedir autorização para operar (a conhecida concessão) foi usada, descaradamente, para agradar os “amigos do rei”. No Brasil como um país estratégico militarmente e que fornece a maior parte da comida mundial, sempre não tivemos “permissão” de ter uma educação de qualidade e sempre a televisão foi usada como forma de alienar. O que meu colega diz como <<Outro grave defeito que vejo no mundo é a televisão e como ela tem sido usada.>> tem muito a ver com o modo onde ela se encaixa dentro do que o povo sempre aceita. Enquanto na França, por exemplo, tinha debates de grandes pensadores, ou nos Estados Unidos grandes talk shows (que o Jô Soares vai trazer para o Brasil), aqui só tinha novela, futebol, humor e programa para vender brinquedos transvestidos de programas infantis. 

Fora programas como Silvio Santos, Chacrinha etc, faziam o “gosto” brasileiro como um mundo paralelo onde faziam o papel de analgesicos (remedio de dor) para vidas que, num contexto medievalista, não teriam novidades. A questão é: o que agregaria tudo isso? O emburrecimento faria parte da cultura escravagista brasileira onde pobre não precisaria estudar? Será que nesse contexto, a USP não caiu no erro de acreditar que não tínhamos nenhuma obra filosófica? A questão é que, por causa da nossa mania do jeitinho e a questão da corrupção, todas as opções de não crescimento e não educação são válidas. O carnaval sempre foi putaria, por que o regime militar tolerou? Grana. Jogos, contrabando, putaria e desprezo por tudo que é belo e bom, sempre foi o lema em uma nação onde a ignorância é preponderante. A meu ver, chamaria de um medievalismo moderno. Mesmo porque, nas periferias as igrejas caça níqueis tomavam por alienação uma parcela ignorante e que era fácil de manipular. Tudo era do “mundo”, ou tudo era o demônio. Ora, com poderosos a solta por aí, o demônio iria aparecer em uma igreja em uma periferia qualquer? 

Como diria Kant, não se ensina filosofia e sim, o filosofar. Douglas filosofa sobre sua realidade porque sua realidade foi construída no momento agora, não no século dezoito ou no séculos atrás, não faz sentido nenhum. Então, o ato de filosofar é um ato livre e não pode ser alvo de regulação


terça-feira, janeiro 30, 2024

Libras em show gera discussões na web




 "Favor prefeitura, retirem essa mulher traduzindo a linguagem de surdo mudos bem na nossa cara????? Pelo amor de Deus tá ferrando o show. Não há surdos e mudos suficientes na cidade pra Ela aparecer em todos tel?es!! Sem noção, sem necessidade e ela atrapalha sim, pq ocupa 1/3 do telao", escreveu a médica sobre o recurso de acessibilidade durante o show da banda Jota Quest neste domingo, 28, em Santos, no litoral de São Paulo. A apresentação na praia do Gonzaga celebrou o aniversário da cidade, que completou 478 anos no último dia 26.” 

(Blog: Viver Sem Limites)



Uma médica reclamou do tradutor de libras em um show já errou em gostar de Jota Quest, pois, uma pessoa que tem o conhecimento universitário ouvi “extremamente fácil”, não aprendeu nada na universidade. Nesse ponto, concordo com Platão, o conhecimento são degraus até a verdade e ao bem que cada um tem dentro das suas capacidades de aprender, assimilar e ter mais apurado gosto de o que é bom e belo. Nada de moralismo, porque algo pode ser erótico e belo, falar dos desejos íntimos e não ser volúvel. Tem várias formas de não ser nojento e escroto (quase voltando às nossas origens primitivas) de falar de forma alegre e sabia. O preconceito nasce da escrotice e da ignorância, e nesse caso, não acredito que uma médica seja ignorante. 

Ter o gosto mais seletivo (sem a massificação como o professor fã de Joelma) é ter a capacidade de escolher o que gosta sem a mídia e sem a grande maioria tende a impor, como tocar nas rádios sem parar (como se, supostamente, essas músicas devessem viralizarem). Isso mostra a facilidade que a maioria do nosso povo pode ser manipulada por causa do seu romantismo de um amor familiar, que na maioria das vezes, não acontece. Das inúmeras idealizações de um passado que nunca existiu. De uma nação que fracassou na educação universitária, pois, se existem universitários preconceituosos, que conhecimentos essas universidades estão oferecendo de curso? Ou não gosta daquilo que faz, só é médica por causa do pai e da mãe que não teve nenhuma coragem de ser o que obrigou a ser. Conheci um médico que era ótimo administrador - queria ser administrador - mas, o pai queria que ele fosse médico e foi um péssimo médico. O brasileiro sempre teve afinidade com o fascismo. Pensa: “ah, estou pagando, você vai ser o que eu quiser” e aí, o resultado é desastroso, uma péssima médica e uma péssima cidadã. Mas, são só hipóteses. 

O ser humano usa as universidades como “trampolim” de profissão e, na maioria das vezes, nem gostam do que fazem porque são pressionados a escolherem no mundo capitalista e imediatista. Daí não podem ter nenhum comportamento universitário se não se identificam com aquilo que cursam, são só escravos de um sistema automatizado que você tem que escolher o curso de prestígio. Por que eu vou deixar de gostar de reality show se eu não sou mais do que ninguém? Por outro lado, ser um universitário faz repensarmos nosso papel na sociedade, um papel de tratar doenças (no caso dos médicos) e seguir o juramento de Hipócrates. Ou seja, aqueles que nasceram com deficiência ou se tornaram deficientes ao longo da vida.  Mais ainda, os universitários seguem leis e sabem a importância de se ter um tradutor de libras (mesmo no show do Jota Quest) para pessoas surdas (não surdo-mudo como ela disse). 

E tem um outro fator: o paradigma uspiano. O paradigma uspiano - que tem a ver com a questão da filosofia, mas a meu ver, tem a ver com a questão universitária de um modo geral - sempre pregou que não poderemos ser estudados porque os grandes sábios eram os escritores e pensadores europeus (ainda são eurocentristas). Ou seja, um trabalho universitário, tem que ser (quase) uma cópia de um escritor renomado europeu, porque não “somos dignos” de pensar e chegarmos às nossas próprias conclusões. Por que se deve se comportar como um universitário se eu não posso ter um pensamento crítico? 

Por não ter um pensamento crítico, os universitários brasileiros não deixam de ser mais um na multidão e não deixam seus preconceitos. Seria a “síndrome de vira-lata” do Nelson Rodrigues, que ele mesmo dizia ser “uma vaidade às avessas”. A meu ver, pode ser uma simples birrinha por causa das mudanças pelo mundo afora. Porém, uma pergunta fica no ar: se todo preconceito e discriminação é crime, por que ela não foi presa? 

É sério, se fosse alguém que dissesse algo racista, algo homofônico, algo de uma chancela mais radical, uma hora dessas essa médica estava em todos os jornais em todo o país. Mas, foi contra pessoas com deficiência (não surdo-mudo, vale lembrar que é surdo apenas) e deve ser tolerado, deve ser amenizado. Afinal, não podemos namorar em paz, não podemos trabalhar (porque temos uma lei de cotas vagabunda), não podemos casar. Porque se tem um pensamento medievo religioso hipócrita, afinal, é só uma médica expressando sua opinião, briga de irmãos que acomete em assédio moral, bricadeirinha de motorista que acontece o assédio sexual. Imposições de família culminam em ataques de ansiedade, acomete a uma doença qualquer psicológica. 

. O nosso problema maior é um segmento inócuo e sem nenhuma vontade de mudar, só se faz vídeo sobre capacitismo iguais a papagaios velhos.


domingo, janeiro 28, 2024

Por que brasileiro não gosta de filosofia?

 



em um grupo de filosofia: “A religião no Brasil é supervalorizada, mas a filosofia, praticamente inexistente e totalmente ignorada pela maioria.”



Essa pergunta tem muito a ver com a questão do outro texto que eu escrevi e, ao mesmo tempo, tem a ver com algo muito mais profundo. Por que? Porque a religião em si, tem a ver com fundamentações teológicas muito mais profundas do que as besteiras que os pastores de esquina ensinam. Sabemos - como disse em um outro texto - que somos moldados pela tradição católica (na verdade, nós latinos, temos a ver com a cultura greco-romana) e por isso, a religião tende a ser devotada. Temos um protestantismo catolico. Temos um espiritismo catolico. Temos a Umbanda, que tem raízes católicas e espíritas e religiões de matrizes africanas. E mesmo assim, a grande maioria segue sem ao menos, estudar seus fundamentos e origens. 

Resta-nos uma análise muito mais inusitada do que as demais: por que, de um modo geral, não se gosta de raciocinar? Bem, não se gosta de raciocinar no Brasil porque somos uma nação que não tem paciência para o planejamento. Casas caem, pontes racham etc, porque sempre há uma pressa e há um “esquema”. A praga da “vantagem” está no nosso vocabulário institucionalizado por causa de uma propaganda de cigarro dos anos 70: a lei de Gerson. Brasileiro tem que gostar da vantagem, pois, ter vantagem naquilo requer malandragem. Mas, e a ética nesse ínterim? A meu ver, a ética só ficou nos adocicados posts do Linkedin, porque ninguém (empresário ou não) respeita as leis que não concordam. Nosso capitalismo da década de 20 do século passado, mostra como o Brasil está atrasado e quer “pagar uma de moderninho”. Gostaríamos muito de sermos anglo-saxões, mas somos latinos. 

Latino não seria nenhum problema, já que os alunos portugueses leem Descartes desde a quinta-série, ou que, aqui nas américas do lado latino,  Lima (capital do Peru) se teve a primeira universidade da América do Sul. Ou, na França (que tem, sim, raízes latinas) saíram inúmeros filósofos, Espanha, Itália e Portugal, igualmente. A Itália (Roma ficava na região do Lácio) foi palco de um império e depois, a criação de uma igreja (ekklesias que poderíamos traduzir como “comunidade”), mas, com heranças inúmeras do mundo grego, foi palco de inúmeros filósofos (mesmo que nada de original tenha sido feito lá). Mesmo dentro da igreja romana, muitos pensamentos filosóficos eram aproveitados como base dentro da teologia, principalmente, em Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino. Ora, quando o Brasil foi colonizado, se colonizou com os jesuítas (Companhia de Jesus que foi fundada pelo basco Inácio de Loyola) e que se fundamentava com a cartilha de Santo Tomás de Aquino, ou seja, o Brasil teria condições de se gostar da filosofia. 

Muitas vezes acho (por não ter certeza), que nessa procura da sua identidade (já que nossos ancestrais esperavam ficar ricos para voltarem para a Europa) acabou construindo um pensamento onde a teoria e a intelectualidade não tem vez. Somos uma sociedade mística. Sendo uma sociedade mística construída em ideais ditos cristaos (com enormes ressalvas com a putaria, com as traições e violências inúmeras). Por outro lado, a maioria das religiões (materialistas) tem matriz na mesquinhez e na vantagem, ou seja, eu sou digno de receber alguma coisa só por ser cristão. Frases como “Jesus me deu”, ou “recebi isso por merecer” demonstra a “vantagem” de ser cristão e poder receber algo de Deus. Por outro lado, o medo que puseram ao raciocínio e leitura (além da espiritualidade) demonstra o quanto somos uma sociedade imediatista. 

Tinha amigos que tinham pais e mães portugueses que diziam que ler após comer ou durante a refeição faria mal, ou que se você ler muito ficaria “louco”.  Ou seja, a leitura não é uma coisa boa, é uma coisa que se você fizer em determinado período, lhe causará mal. Isso demonstra a ignorância e a falta de incentivo de uma boa leitura no café da manhã (muitos homens de negócio leem os jornais cedo no café e nunca ficam mal). Sempre discursos são construídos dentro de certos pensamentos e interesses e reforçados em milhares de obras, seja qual veículo for.  Nossa sociedade comprovaria a questão de Kant a resposta o que é o iluminismo, a grande maioria não quer sair da minoridade porque sao acomodados e tendem a serem vitimistas. Como diria Sartre, o inferno sempre é o outro. 

A resposta à questão “por que se supervaloriza a religião e não a filosofia?” Tem muito a ver com nossa capacidade de entender que viemos de uma sociedade escravagista. Para que o pobre precisa estudar? Por outro lado - voltando à questão do medievo do começo do texto - mesmo nessas sociedades escravagistas como a nossa antigamente, foram construídas a partir de um pensamento medievo. Por que os aldeões precisam estudar? Isso de não estudar, alias, vai ser usado muito por pessoas que não querem ou não tem interesse. E também, se tem a imagem do filósofo como um ser inútil e que só vive pensando. Será mesmo? Será que o filósofo não serve para nada? Ou todas as matérias que usamos - inclusive teologia - não foram construídas a partir de filósofos?


sexta-feira, janeiro 26, 2024

BRASIL: O ANTI INTELECTUALISMO E O CULTO A BURRICE




Infelizmente seu crescimento na atualidade nos trouxe, entre outras coisas, epidemias de doenças extintas, a volta do terraplanismo e um império de notícias falsas e agressões virtuais contra aqueles que “ousarem” discordar.


(Anti-intelectualismo e o diagnóstico do subjetivo)

Sempre me interessei em aprender novas coisas e com a internet, li bastante sobre a história do mundo e a nossa (do Brasil). Mas, como separar aquilo que é pesquisado, estudado e são fatos (o veritas latino onde somos herdeiros) ou não é verídico e é só um “achismo” (doxa)? O “achar alguma coisa” tem a ver de juntar todos seus valores para se fazer um pré-conceito dentro da realidade, ou porque não concorda (é a minha opinião), ou porque quer sustentar suas crenças. Mas há um problema: Platão (que viveu no terceiro século antes de Cristo) sempre dizia que opinião (doxa) não era um conhecimento e podemos complementar, não sei se o filósofo disse isso em seus diálogos, que a opinião sempre é um impulso de defesa daquilo que se acredita como verdade.

Nós dentro da filosofia sempre perguntamos: o que seria a verdade? nossa verdade (do ocidente) vem de três bases: aletheia dos grego quer dizer não-oculto (agora entendemos a caverna de platão), depois vem veritas dos romanos que queria dizer, “relatar um fato”, e emunah que em hebraico quer dizer “a palavra de Deus” que foi realizada. Ou seja, no fundo temos sempre aquela sensação de uma coisa não-oculta que deve ser revelada e que tem que mostrar, realmente, os fatos por causa da promessa de revelar a suposta verdade. Ai que existe uma questão muito tênue entre verdade e realidade, porque verdade são aquilo que podemos ver ou perceber, enquanto a realidade é algo que existe independente da nossa consciência.

Na minha cabeça - pelo menos na minha concepção - não faz muito sentido o termo “pós-verdade”, porque “depois da verdade” vem a questão subjetiva se é o fato (veritas) ou é apenas o “acreditar”. Mas, de onde vem o “acreditar”? O termo “acreditar” tem a ver com crer, e se você crer em algo é porque você tem confiança de outras pessoas, mesmo que esse “acreditar” não tenha nenhuma comprovação (daí nossa origem no veritas). Como comprovar que políticos norte-americanos são “reptilianos”? Como comprovar que existem 13 famílias que podem, supostamente, mandar no mundo? Como comprovar que a Terra é plana? Não existe, de fato, nem mesmo argumentos lógicos e seguros que comprovem que as vacinas fazem mal, que existe um complô (seja lá que turminha) em conquistar o mundo e instalar o império do mal.

E o problema não é só a extrema-direita, tem a ver com a esquerda também que apoia o identitarismo como se fosse a solução. Se só a mulher tiver lugar de fala, como vai se discutir o problema feminino? Se só os deficientes têm lugar de fala, como vai se discutir o problema do capacitismo? Poderemos se estender para todo grupo dos ditos excluídos e marginalizados que são assim, muitas vezes, porque são reforçados para isso. Porque se fez uma aura em torno da favela, em torno de músicas que nada trazem, das besteiras que viram cultura para dizer que o brasileiro tem uma cultura própria. A favela é ruim e é péssimo morar em uma (a esquerda antiga sentiria vergonha da de agora), a música péssima que só tem duplo sentido ou fala de sexo toda hora, ou conteúdos duvidosos e sem sentido nenhum.

A questão do funk carioca fica bem mais estranho na esquerda, porque o funk se torna o que a Escola de Frankfurt chamaria de a Indústria cultural que é a massificação da expressão popular. Quem insiste em colocar como cultural só está reforçando o problema da falta de educação, a falta de uma intelectualização e nem conteúdo.
Vídeo incorporado

domingo, janeiro 21, 2024

O Padre Lancellotti e a máfia da miséria

 


A Arquidiocese de São Paulo está prestes a receber quatro vídeos que mostram o padre Júlio Lancellotti se masturbando para um menor de idade. A veracidade das cenas, gravadas em 26 de fevereiro de 2019, foi atestada por uma nova perícia técnica audiovisual, realizada há poucos dias. Oeste teve acesso a este documento com exclusividade.


(Revista Oeste)


A meu ver, as pessoas não entenderam que existe a espiritualidade e a religiosidade, onde uma é a busca de uma origem a partir de si mesmo e a outra é uma suposta religação com um suposto enviado. e vamos ser sinceros: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo se tornaram religiões materialistas. Não se fala mais em uma espiritualidade genuína como de Sócrates que ao buscar a verdade (que Platão coloca como Sumo-Bem), tomou para si a frase espiritual na entrada do Oráculo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo, conhecerá o universo e os deuses”. Sócrates dizia que um “demo” lhe dizia algo quando ele meditava, ou que, era a missão do deus que lhe tinha dado. O deus Apolo poderia ter sido uma entidade qualquer se passando de deus para lembrar o filósofo da sua missão. 

O nosso maior ícone “religioso” é Jesus de Nazaré (depois puseram o nome de Jesus Cristo [christós] ungido) que se lemos minuciosamente os evangelhos - canônicos ou não - são de ensinamentos espirituais. Todos os versículos que encontramos nos evangelhos são, sem nenhuma exceção, de cunho espiritual. Quando Jesus diz a Pedro Simão que diante dele deixaria uma pedra (que muitos interpretam como  a igreja), simplesmente, com a hermenêutica bíblica, que ele quis dizer seus ensinamentos. Ele não disse que seu reino estaria em grandes catedrais ou garagem alugada com um monte de cadeira, ele disse ekklesias que em grego quer dizer comunidade, reunião. Nem disse para orar gritando e sim, “fechar a porta e orar em silencio”, meditar daquilo que esteja orando, as palavras da verdadeira espiritualidade. No mais, não disse que se deveria obedecer uma liturgia, um ritual e sim mostrar o caminho. 

A espiritualidade nunca pode ser encontrada dentro de prédios ou rituais, e não menos importante, as filosofias orientais tem muito de espiritualidade. Como o dilema grego, “conhece-te a ti mesmo”, o budismo ensina a procurar o divino em nós mesmos. É irrelevante se existe ou não Deus, o que importa é melhorar e  ascender em conhecimento de si mesmo. Mesmo porque, não poderemos saber se algum ser divino existe (no sentido empírico) sem percebermos sutilezas de nós e da realidade. O “conheceis a verdade” não é a verdade do mundo ou de algum conceito político - como foi colocado - mas, conhecer o conceito daquilo que vimos ou interagimos, conhecer a si mesmo. Mas, a turba massificada não sabe conseguir isso e tem medo de verdades mais sutis, verdades que não estão em igrejas católicas ou evangélicas, mas, dentro de nós mesmos.  Por isso mesmo, Jesus ficou calado quando Pilatos perguntou o que seria a verdade (a essência de Jesus era outra e muito mais antiga). 

O que acontece na igreja católica - com alguns casos na igreja evangélica - tem a ver com o conceito materialista que essas religiões se tornaram. Muito mais no catolicismo por uma herança maldita de Roma, onde aprendizes deveriam ter relações sexuais com seus mestres (com os gregos não tinha penetração) e assim - Marques de Sade já denunciava essas praticas - os coroinhas ja eram utilizados para esses fins. Quem estuda nuances dentro da historia do cristinanismo/catolicismo, sabe que a proibição de os padres casarem é uma decisão política e não teológica, a igreja deveria abrir mão dos imóveis e tudo que o padre utilizou em vida para os herdeiros. Por outro lado, a igreja não tinha tantos recursos para sustentar famílias. Lembramos o que disse no texto, os padres estão em uma religião materialista, uma religião (como outras) usadas para fins políticos e esses fins políticos não tem nada a ver com a verdadeira espiritualidade. Jesus deu a deixa: dar a César o que é de César, de Deus o que é de Deus. 




sexta-feira, janeiro 19, 2024

A filosofia e os bêbados






Há uma discussão sobre a origem da filosofia, mas, a meu ver, a filosofia é grega. Poderemos até mesmo discutir a influência de outras culturas dentro da filosofia - como as orientais e as africanas com a egípcia - mas, a filosofia em racionalidade é grega. A extrema-direita quando quer mudar a história chama-se revisionista, mas a esquerda quando quer mudar a história é reparação histórica? Não que a extrema-direita esteja certa - muitos deles ficam no passado que nunca existiu e são chamados de reacionários - mas, mudar a história e aquilo que foi (certo ou errado dentro de uma visão mais humanitária) de fato, não vai apagar as questões consideradas erradas. O fato de a África ser explorada desde muito tempo - desde Roma? - não faz sentido mudar tudo para os africanos se sentirem confortáveis e não vão, vão separar a humanidade e se esquecem que somos uma espécie só. A questão é que só muda o fenótipo de cada região por causa de características climáticas e de ambiente que trazem características únicas

Já no termo “philiasophós” se entende como uma amizade íntima com a sabedoria, pois “philia” queria dizer (ou ainda é) amizade no sentido de um amigo íntimo. E se o termo é grego no sentido de dar um conceito dentro da parte de uma matéria (como conhecimento), então, no sentido restrito, “philiasophós” é aquele que conversa com a sabedoria. Nesse ínterim, não podemos negar que muitas outras regiões do mundo têm suas sabedorias milenares dentro de sua cultura e valores espirituais e culturais se formam. Por isso mesmo, no século dezenove, Nietzsche vai dizer que “Deus está morto” por a humanidade destruir seus valores intrínsecos em nome de um sistema que escraviza e faz muito poucos terem poder e luxo. O aristocrata de Nietzsche não tem a ver do aristocrata das posses, mas, da alma em não ser mais um da multidão (espírito de rebanho).

O pensamento ocidental foi “forjado” com a forja da bigorna da realidade enquanto origem das coisas (pré-socráticas) e a marreta que bate o pensamento é a maiêutica socrática. Se por um lado a ciência discute os pré-socráticos, por outro lado, a filosofia (na parte ética) discute Sócrates, Platão e Aristóteles. E não tem muito o que discutir, porque quem não entendeu a filosofia clássica, dificilmente vai entender a filosofia moderna e pós-moderna. Porque tem a ver com nossas origens e a fermentação, tanto do vinho (feito de uvas) quanto da cerveja (cevada) tem também a ver com nossas origens mais primitivas. Tanto, que não se sabe nem onde ou quem que fez o primeiro vinho ou a primeira cerveja. Mas, não é o mesmo que hoje temos. E sempre a humanidade procurou fugir da realidade objetiva que estamos (como corpos dentro de um período de tempo) para transcender essa realidade e ir para outra com substâncias que alteram os sentidos. Ou como ritual, ou como uma fuga dos problemas que o assolam.

Nesse sentido, faz sentido dizer que a racionalidade existe quando se está em estado alterado? Será que as pessoas ficam mais inteligentes? Talvez, sem medo de erro, estar em estado alterado não pode mostrar a verdade e sim só uma outra percepção da realidade. Daí uma pergunta inevitável: o que é a realidade? É aquilo que percebemos como linguagem (todas as coisas tem um nome) ou a realidade esta além dessa percepção? Talvez - isso está muito inserido na epistemologia e na fenomenologia - a questão entra na cerne do problema da filosofia, porque desde a sua origem (Tales e seu húmido) tem a ver com achar a verdade. Verdade em grego seria “aletheia” que queria dizer não-oculto e aquilo que se desvela dentro daquilo que está escondido, como o ser humano que quebra as correntes e sai da caverna e vê a outra realidade. não com subterfúgios alucinógenos, mas o conhecimento. Portanto, bêbados ou drogados são escravos do mesmo modo de um sistema que explora.

O meme que esta um superman bizarro (como estudante de filosofia), o superman (como mestre em filosofia) e em baixo, ultra-superman (como o amigo bêbado) mostra que um bêbado tivesse mais sabedoria que uma pessoa que estudou e está consciente. Há uma discussão de muitos anos sobre o que seria a consciência e o que faz nós - seres humanos - sermos conscientes da nossa realidade. Ou indutivamente, ou por causa da nossa capacidade racionalizada de perceber as coisas. O “cogito ergo sun” cartesiano é a percepção que a única certeza que temos é nossa consciência, e assim, se não tivermos percepção da nossa consciência de pensar e de percepção. O conhecimento (em um modo de estudo) tem a sutileza de mostrar a elevação de uma percepção muito além daquilo que se quer mostrar. Por isso que digo: se é para pensar ou agir como todo mundo, porque eu faria todo esse percurso de aprendizado.

O conhecimento nos torna muito mais seletivos, sem se importar se está ou não como os outros. O outro só é uma entidade que interage com nossa realidade. E, por outro lado, nossa mãe sempre ensinou: “você não é igual todo mundo”. Por que? No mundo de hoje, ser como “todo mundo” quer dizer ser mais um na multidão, não se esforça em crescer, não se esforça em evoluir, não se esforça em ser o diferencial de um mundo cada vez mais padronizado com pensamentos homogêneos. Ser um bêbado é ser mais um da multidão.

quinta-feira, janeiro 18, 2024

Sócrates não disse ‘só sei que nada sei’




 Em um trecho de Apologia de Sócrates, Platão escreve: “Mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um nadinha mais sábio que ele exatamente em não supor que saiba o que não sei.” (PLATÃO, 1980, p.6).


(Texto: Só sei que nada sei)


Grupos de filosofia de Facebook são pura perda de tempo e de estudo, se quer aprender filosofia faça um bom curso. Se tratando em curso no Brasil - de filosofia piorou - são todos vagabundos e cheios de erros do mais simples ou do mais grosseiro, ainda sim, o caminho universitário é um começo e aprendemos muito em pesquisar. Aprendi a sistematizar meus estudos e pesquisar muito melhor - com ênfase naquilo que quero escrever - e sigo aquele ditado <quem faz a escola é o aluno>, Esse negócio de que filosofia <aprende com a vida>, para mim é coisa de pessoas folgadas. Adoro meu bacharelado e aprendi muitas coisas.

E nesse aprendizado - com o canal INEF (Isto Não é Filosofia) - descobri uma coisa: Sócrates não disse <só sei que nada sei> e pelo que eu pesquisei mais a fundo, realmente não disse. Segundo minhas pesquisas - foram muitas - foram os filósofos romanos que sintetizam o pensamento socrático em uma frase e depois, o cristianismo adotou. A frase <só sei que nada sei> é uma síntese do parágrafo que postei no começo do texto. Por outro lado, algumas pessoas teimam e disseram que ele disse, que é plausível, já que essa crença perdura por muitos anos. E existe um outro problema que quem escreveu a Apologia: Platão estava doente e não estava presente. As únicas fontes de discípulos são Xenofonte e Platão (se teve outros, foram queimados na biblioteca de Alexandria). E escreveram sobre Sócrates.

Há uma grande discussão se Platão estava fugindo (por isso fundou a Academia anos depois como um depósito de todo conhecimento filosófico por terem matado seu mestre), ou se ele estava doente. Acho interessante pesquisar e encontrar textos muito mais “alargados”, porque isso faz com que possamos questionar algumas crenças. Encontrei uma transcrição de um livro do I. F. Stone (1988), O Julgamento de Sócrates - não achei em PDF - onde ele conta que Xenofontes escreveu muito mais sobre Sócrates, realmente, do que Platão. Xenofontes não era da aristocracia ateniense, Platão era. Segundo Stone, Xenofonte teria tido muito mais liberdade de falar e transcrever (fielmente?) do que Platão. Só nisso refuta os “ratos de grupo” que desacreditam que Sócrates só seria um mero personagem, pois, não tem só Platão para se basearem. Mas, será que a Apologia é fiel?

Para defesa de Platão, Xenófanes também não estava no julgamento e morte do mestre e que, mesmo assim, ele foi para Esparta e Platão ficou em Atenas. Alguns biógrafos de Platão - um excelente é Giovanni Reale - defendem que Platão viajou muito depois da morte de Sócrates e que volta e funda sua Academia para, como o mestre, não destruírem o legado como fizeram com o mestre. Como muitos sabem, a filosofia não era bem vista na história da humanidade, em Atenas não era diferente. Nem todos gostavam de filosofia, porque a filosofia tem um ar de racionalidade das crenças vigentes e as ideologias políticas, esta inclusas.

Mas, transcendendo o senso comum, a filosofia não afirma nada e sim, indagar as coisas desde o começo. Mesmo porque, as pessoas são muito mais práticas do que racionais, como o preconceito contra os filósofos que a tradição tem milhares de histórias. Como uma escrava teria rido de Tales de Mileto por ele ter caído em um buraco por tanto pensar ou olhar os céus - estranhamente, tanto a religião quanto a filosofia, sempre foi voltada ao céu em um modo de se ter uma outra realidade - e esse riso (Foucault diria ser uma normalização de conduta que acontece desde esse tempo) teria sido por achar estranho essa conduta de raciocinar e ver que as coisas como conhecemos pode ser uma questão de linguagem e discurso. Há uma discussão muito antiga dentro da filosofia sobre o papel da escolaridade (educação é uma outra coisa mais familiar) dentro de formar e mostrar a realidade para os mais jovens. O que seria a realidade a não ser coisas condicionadas dentro de um discurso?

Mesmo se Sócrates não disse o “só sei que nada sei” - que foi a síntese do parágrafo do começo do texto - temos que pensar que o filósofo não exaltou a humildade no sentido de exaltar a ignorância e sim, não querer saber aquilo que não sabe. Por exemplo, eu não posso dar dicas de coisas medicinais (médicas), pois não sou médico e não posso opinar sem colocar vidas em risco. No mesmo modo, aquilo que você acha que sabe não sabe, mas aquilo que não sabe é a sua ignorância. Por isso mesmo tanto Sócrates quanto Platão, diziam que não existia bem enquanto entidade e sim, conhecimento e o mal, como ignorância.