sexta-feira, maio 31, 2019

Estudos informam: autistas são tratados com água sanitária e mulheres com deficiência estão sendo esterilizadas


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O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo.
(Friedrich Nietzsche)

Amauri Nolasco Sanches Junior

Não basta ter pessoas que dão cloro para crianças autistas iludidos por canalhas (que querem ganhar dinheiro em cima da dor alheira), mas, tem que mutilar e arrancar das mulheres com deficiência, seus úteros. No último dia 27 de maio, o blog Vencer Limites – escrito por Luiz Alexandre Souza Ventura – que faz uma denúncia, que mulheres com deficiência são obrigadas a fazerem abordo (crime no Brasil, ainda). A Psicóloga e integrante do Conselho Nacional de Saúde e do coletivo feminista Helen Keller de mulheres com deficiência, Vitoria Bernardes, disse ao blog, que a mulher permanece ainda, na invisibilidade, o que impede de construir mais politicas publicas muito mais abrangentes e com a participação efetiva para determinar com elas vão funcionar. Na ultima terça-feira, dia 28 de maio (2019), foi celebrada o Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.

No evento, Vitória disse que o corpo da mulher com deficiência não é entendido como fosse capaz para reprodução. Mesmo o porquê, a Vitória ficou tetraplégica após sofrer uma lesão medular, por isso mesmo, ela pode entender o que acontece com a mulher com deficiência. Ela disse que não concorda que a função da mulher com deficiência seja restrita só na maternidade, mas mesmo quando a gravidez não traz nenhum risco a mulher com deficiência, é comum o médico indicar um aborto, porque o corpo da mulher com deficiência e suas limitações não são aptos a cuidar de uma vida (no caso, do bebe). Não é só isso, segundo ela, há uma politica de esterilização das mulheres com deficiência e até laqueadura sem o consentimento da mulher. Mas, o corpo é da própria mulher com deficiência.

Eu sou um grande defensor que o corpo de cada pessoa é uma propriedade da pessoa, e não é porque ela tem alguma deficiência, que esse corpo não é seu. Muito pelo contrario, acho que muitos familiares protegem demais as pessoas com deficiência e eles se acham confortáveis dentro desse mundo encantado, um tipo de “deficientelandia” que é um mundo dos sonhos. Pessoas com deficiência não lê. Não sabem escrever direito. Não sabem pesquisar no Google. Não querem ler um livro. Não procurar coisas que vão somar na sua vida. Se não fazem nada por eles, se não fazem nada para evoluírem, porque raios querem namorar e fazer sexo? Por que as pessoas primeiramente, procuram os direitos que lhe cabem – os deveres estão embutidos – depois cobram dos outros o que deve ser cobrado? Se você não tem um amor-próprio, não terá ninguém que vai fazer isso por você.

Por outro lado, não podemos esquecer que estamos num país construído por uma cultura medieval (absolutista e católica cristã) e que, não s moderniza por causa de um momento atravancado e que não há modernização. Lá fora, as pessoas com deficiência vivem como outras pessoas, arranjando empregos em agências, arranjando namoradas em agências de encontro, e enfim, tem uma vida como todo mundo tem. Isso se chama, modernidade. Acontece, que temos uma cultura do século dezenove e não quer mais sair dessa cultura, não que sair da monarquia, não quer sair da limitação de um pensamento atrasado. Nós, pessoas com deficiência, somos tratados como eramos tratados na antiguidade – mortos em Esparta ou largados ao relento para animais nos comer – ou tratados como na Idade Media, onde eramos internados em casas de caridade por causa da “benevolência” cristã.

Mas, a modernidade também – com sua ciência – nos taxou de loucos, taxou de pessoas que não tinham utilidade nenhuma. No século passado – o século vinte – com os regimes totalitários de direita (nazismo e fascismo) e os regimes totalitários de esquerda (o socialismo bolchevique), eramos mortos como seres inúteis dentro da sociedade de produção. Não muito diferente do capitalismo, que reluta em ainda, nos contratar e nos dar uma chance. As leis de cotas para as minorias – principalmente, para as pessoas com deficiência – são a resposta de mostrar que podemos trabalhar como outras pessoas quaisquer. Porém, vimos uma visão capacitista de uma sociedade que ainda vê as pessoas com deficiência como pessoas que não temos capacidade, não temos competência, somos dependentes de uma visão de ficarmos nas entidades.

Ainda impera a visão capacitista do assistencialismo do Teleton, uma visão de sofrimento (assim como pensava Adolf Hitler que até chorou ao assinar o decreto de eliminação das pessoas com deficiência), um visão de tratar as pessoas com deficiência como qualquer coisa. Somos humano e não abrimos mão disso.

O blog mudou, mas, minha alma está no Resistência (nem esquerda e nem direita)



Resistência



Só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos.”
(Friedrich Nietzsche)


Amauri Nolasco Sanches Junior

Quem me conhece sabe e leu minhas críticas com os governos do PT (leia-se, esquerda), onde nem eles resolveram várias questões da inclusão de pessoas com deficiência e também, dos mais pobres. Qual governo do próprio PT fez alguma reforma agrária? Qual medida efetiva eles fizeram contra os coronéis nordestinos que dominam a seca da região? Eu não vi nenhuma. Mas, isso não é uma defesa do governo atual, porque nunca fui eleitor fiel de alguém, mas, de propostas que possam melhorar o nosso país. O governo do PSL, há milhares de falhas que não podemos fechar os olhos, mas, está apenas no começo e não podemos fazer nenhuma análise mais profunda.

Meu outro blog Residencia – que foi bloqueado por causa desse texto (aqui) pelo Facebook – foi criado em 2015, muito antes dessa esquerda canalha que ficou 13 no poder e não fez nada, usar esse nome como emblema da liberdade. Ora, quem é e quem quer ser resistência ao autoritarismo e ao moralismo, não pode escolher um lado ideológico. Resistência é um ato ou o efeito de resistir ou, é a propriedade de um corpo que reage contra uma ação de um outro corpo. Grosso modo, o ato em resistir é um ato de inibir um outro corpo ao nosso, porém, há um problema, o poder é um corpo só. Tanto a esquerda, como a direita, tem pautas de assegurar esse poder e alimentar cada vez o ESTADO ao domínio das mentes fracas.

Um outro fato que tem a ver comigo é não ter nenhum ídolo ou defender algum politico ou religião – como um bom nietzschiano – porque sei que todo mundo mente ou faz uma imagem de si mesmo de “bonzinho”. Na verdade, todos são hipócritas e não estão sendo verdadeiros nem mesmo, para si. Como disse o Cazuza em uma das músicas dele, mentiras sinceras interessam, ou seja, construirmos imagens sociais para parecerem verdadeiras, mas, não são. As opiniões são conceitos e informações, por outro lado, que não são conhecimento ou tem fundo verdadeiro. São conhecidos como “achismo” ou como dizia Platão, “doxa” que são apenas, sombras de uma realidade que não existe. Por outro lado, o que é realidade? O que seria a verdade?

O termo realidade vem do termo em latim “realitas” que significa coisa, ou seja, no uso mais comum tem o significado “tudo que existe”. Em um outro sentido, mais sutil, o termo pode inclui em tudo que é, seja aquilo que é perceptível ou não, acessível ou é entendido na filosofia, ciência ou qualquer outro sistema de análise. Acontece, que não sabemos o que realidade ou não, porque a realidade pode estar dentro da mente ou fora dela. Por isso mesmo, não podemos chegar a verdadeira realidade? Será que o que vimos são apenas fragmentos da verdade? Ou o que vimos são apenas algoritmos dentro da moral e de toda a cultura, que nos faz pensar que somos livres para escolher um lado? Ou não existe lado? Podemos ser um sonho de uma outra consciência ou podemos ser um produto de um sistema que tem um discurso de dominação?

Um filósofo católico é um intelectual católico, um filósofo espírita é um intelectual espírita, um filósofo protestante é um intelectual protestante – assim podemos colocar direita e esquerda, porque são crenças – porque o filósofo é uma anomalia do sistema. O algoritmo moral falhou nele porque seu sistema roda diferente, roda em uma outra sintonia, numa outra realidade. Mesmo aqueles que usam a ciência empírica, não são filósofos. Filósofo tem uma espiritualidade própria e uma percepção ideológica própria, tem uma outra percepção da realidade. O “tudo que existe” não é isso o que todo mundo percebe.

O que é a verdade? A verdade não tem uma imagem, porque é construída através dos valores obtidos. Mas, por outro lado, a verdade pode ser um ponto de vista. Você pode dizer que um ponto seja a verdade, mas, por outro lado, eu posso dizer que um outro ponto de vista. Jesus Cristo disse que conhecendo a verdade, a verdade nos libertaria. Talvez, não seria diferente do que disse deus Apolo no seu Oraculo em Delfos, pois, conheça a ti mesmo e assim, conhecera os deuses e o universo. Os deuses somos nós? O universo é a realidade? A realidade, na verdade, começa quando compreendemos a nós mesmos. A verdade liberta quando nós se livramos do discurso da maioria – que chamei de algoritmo moral – e começamos a perceber que tudo isso é uma tremenda besteira.

Resistir não é defender uma revolução para tirar um poder e colocar outro, mas, é não esquecer da nossa natureza e de tudo que somos e acreditamos. E na essência de tudo isso, seja quem for que esteja lá, o prejudicado sempre vai ser você. O enganado.

quarta-feira, maio 29, 2019

Facebook e a dominação do algoritmo



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“O algoritmo sabe de mim mais do que eu sei de mim mesmo”





Amauri Nolasco Sanches Junior 


A tese do filósofo Pondé é bem interessante e tem a ver com o Facebook. Tem uma frase famosa do Dr House – quem nunca assistiu a série? — que ele diz que todo mundo mente e não é mentira (sem trocadilho), pois, as pessoas costumam mentir para os outros e alimentar a imagem que construíram de si mesmas. Se, para elas a mentira se sustenta, para o algoritmo não. Se você diz para sua namorada, por exemplo, que gosta de um filme romântico, o algoritmo do Netflix desmente você e diz que você gosta de filme de terror. Se na antiguidade havia o Oraculo de Delfos para jogar na cara, que a maioria dos homens eram burros e o único inteligente, era Sócrates, hoje temos o Google para provar que você não é o que você é. No Facebook você pode mentir e dizer que namora todos ou todas, mas, no Google se você digitar genericamente (que você acha), não vai encontrar nada. 

Algoritmos são linhas lógicas dentro de qualquer realidade – virtual ou não – que existem sequências dinâmicas de ações para uma finalidade. Como cozinhar, como fazer um trabalho ou até mesmo, escrever esse texto. Na programação, um algoritmo são sequências logicas para uma finalidade dentro da funcionalidade do programa ou do site, que no caso do Facebook, a linguagem é PHP. O que faz a leitura é o computador, a grosso modo, dentro dessa sequência e as análises do Facebook são automáticas. Como o Google também é, o YouTube e todas as redes sociais são. Cada uma delas dentro da sua sequência de programação tem hashtags embutidos para trazer o que você gosta. Se você só posta coisas religiosas, só vai ver coisas religiosas, se você postar só coisas sobre a esquerda ou a direita, só vai ver coisas da direita ou esquerda. Isso se chama bolha ideológica que as redes sociais inventaram. Eu não caiu nessa, mesmo o porquê, sou formado em técnico de informática. Se o Facebook me mostra muitas coisas do tipo, eu mudo de foco. 

A um tempo atrás eu vi um vídeo do canal Nerdiologia muito interessante sobre o filme Matrix (quem não assistiu?). O Atila – que é biólogo – disse que o filme dá aquela viajada, porque o corpo humano não seria uma bateria ideal. Isso o porque, o corpo humano gasta mais energia do que acumula essa energia. Mas – diz ele era a ideia inicial dos diretores e foi mudada pela Warner Bros para dar bilheteria – dentro de uma maior lógica seria a Matrix usar o cérebro humano para configurar uma realidade. Seria uma espécie de rede superneural, para iludir o ser humano a uma realidade e viver (as máquinas), dentro do sistema cerebral. Isso porque, o nosso cérebro tem seu próprio software e a Matrix, pegaria e rodaria com o software do cérebro humano, assim, fazendo o ser humano prisioneiro e dominado pelas máquinas. Até mesmo, seria algo mais aproximado do teorema platônico da caverna, onde seres humanos eram aprisionador e só viam a realidade das sombras. 

Eu contei isso para dar um exemplo bem especificado sobre as redes sociais. Na verdade, na minha opinião, as redes de internet estavam começando e claro, se o filme mostrasse uma inteligência artificial dominando o mundo pela mente, todos ficariam com medo da internet. A questão é que as redes sociais levam a massa onde a massa mais tem como conceito dominador, ou para direita, ou para a esquerda e é muito pior, impõem certos conceitos politicamente corretos. Se você chamar um amigo de “viado” dentro do Facebook, você é bloqueado, porque a automatização não sabe diferenciar em ofensa ou não. Como disse a Pitty na música “Admirável Chip Novo” – que é uma alusão ao livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley – sabemos o que eles vão fazer, reinstalar o sistema. Não importa que você segue tal tendência politica ou tal religião, sempre eles vão reinstalar o sistema e vão mudar a configuração. Porém, vão sempre reinstalar o sistema para dominar a grande massa.

Meu artigo “MMS: o remédio assassino que pode derreter o intestino”, foi censurado no Facebook por causa do nome, não houve nenhuma leitura breve. O artigo não fala de violência e sim, fala de uma substância tóxica que pode levar a morte se for ingerido. Dele só é feito alvejantes para braquear as roupas. Porém, as pessoas estão cada vez mais iludidas e politizadas num modo errado, buscando ídolos e buscando o que não interessa. Massa de idiotas.



sábado, maio 25, 2019

Capacitismo: quartéis das cadeiras de rodas e os charlatões do cloro






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Amauri Nolasco Sanches Junior

O Brasil não é um país para principiantes.

Tom Jobim

Estar no Brasil já não é para amadores, parafraseando Tom Jobim, ainda mais quando nós somos pessoas com deficiência. Quando você tem alguma deficiência as pessoas começam a te olhar como uma pessoa a parte da sociedade e isso é ilógico, pois, o silogismo de Aristóteles mostra que logicamente somos humanos. Somos consumidores e como consumidores pagamos impostos. Sim. Podemos ser isentos do imposto de renda – salário não seria renda, numa forma mais radical de pensamento econômico – mas, não somos isentos quando compramos roupas ou outros produtos.
Quando temos uma deficiência física – a auditiva também pode se enquadrar nesse patamar – temos que ter aparelhos para se locomover. As deficiências físicas mais severas são aquelas que precisam de cadeiras de rodas, como a paralisia cerebral (as severas e as que não conseguiram recuperar um pouco de equilíbrio), a paraplegia e a tetraplegia (depende aonde a lesão aconteceu), a paralisia infantil e o mielo (no mesmo caso da paraplegia, depende onde a lesão ocorre). As cadeiras de rodas de vários modelos, a mais fajuta que não dura meia hora custa em torno de R$ 200,00, já uma Ortobrás, Fredoom e etc, custa (a manual) em torno de R$ 1.200,00 ou mais, depende do modelo. Uma motorizada igual à minha – que me foi fornecida através do SUS – uma Compact 13 da Fredoom, custa em torno de R$ 8.345,90 que para a Prefeitura que compra bastante vária o preço (sabemos da história, né?).
Até ai, tudo bem. O problema é depois quando vamos trocar alguma peça que não é barata, um joistick custa em torno de mil reais (isso mesmo, a manutenção é cara). A roda dianteira de uma cadeira igual à minha motorizada custa em torno de R$ 140, 00 reais cada uma e a traseira R$ 250,00 cada uma. A questão é que os mesmos pneus que são das cadeiras motorizadas, são os mesmos de carrinhos industriais (para carregar os produtos do almoxarifado até a loja ou o local de produção), que custam em torno de R50,00 ou sessenta. Acontecem que eles fazem o parafuso único ou o rolamento único, para exatamente, você não comprar peças alternativas. As lojas alegam que os impostos são muito altos, porém, quando você olha os pneus dos carrinhos industriais pagam o mesmo imposto. Onde está a diferença? Misterioso empresas de cadeiras de rodas ficarem dizendo que pagam impostos altos, porém, empresas que usam e vendem a mesma peça vendem mais barato?
Cadeiras de rodas manuais e motorizadas, custam muito caro e muitas vezes, não valem o que custam. Fora que o custo de uma cadeira motorizada, muitas vezes, sai bem mais caro do que um triciclo que custa bem menos (dependendo da marca e de onde você compra). O que percebo é que na maioria das vezes, as pessoas não sabem cobrar ou cobram qualquer valor, pois, é uma necessidade e as pessoas não podem ficar sem uma cadeira de rodas. Outra coisa tem a ver com o segmento que não sabe em que direito devem se apoiar, porque existem prioridades muito mais urgentes do que outras.
Podemos pensar na seguinte pergunta: o que é melhor, você acessibilizar uma calçada ou acessibilizar um aeroporto? O que é melhor, isentar o IPVA de um carro que você só vai andar na rua ou isentar impostos de aparelhos e da cadeira de rodas que só vamos andar se tivermos uma? Pois, se não tiver carro, temos transportes públicos diversos, mas, se não tivemos uma cadeira de rodas, não podemos nem ir ao banheiro. A questão do ESTADO através do SUS ficar disponibilizando esse tipo de aparelhagem, não isenta de lutarmos pelo barateamento das peças e da mesma aparelhagem. Mesmo o porquê. temos extrema necessidade de uso dessa aparelhagem e só poucos fazem aqui no Brasil (por que será, heim?). Mas, em questões de prioridades o segmento das pessoas com deficiência é muito estranho, pois, lutaram muito mais pelas cotas de pessoas com deficiência nas empresas do que lutaram para ter cotas em universidades.
De uma forma bem pratica e direta eu posso dizer que existem muitas pessoas com deficiência dentro do segmento que está envolvido com essas indústrias, são representantes delas e sabem seduzir aqueles que não podem ter cadeira de rodas de 3 mil reais ou mais. Parecer que temos a liberdade de escolher os aparelhos que queremos, os preços que desejamos ou trabalharmos onde queremos. Isso não é verdade. Porque, para começar, as empresas dos “almofadinhas” que se dizem conservadores – que na verdade não deixam de ir a zona e o Brasil é o único país do mundo que dono de puteiro é conservador – nem gostam de contratar cadeirantes e qualquer cadeirante contratado, posso garantir, que não tem curso universitário. Ou, também, tem gente lá indicando o cara.
Esses “paladinos da inclusão” que dizem que nas empresas não existem preconceito e sim, preconceito de incompetência se esquecem que devemos sempre alimentar a simpatia e a empatia por todos que ainda não conseguiram emprego. Afinal, existem vários paraplégicos e tetraplégicos que querem nos ensinar como ser deficiente, sendo que, a deficiência é uma condição para nós os congênitos, muito mais resolvida. Mas, o que esperar deses “paladinos da inclusão” que além de cagarem regras, ainda acham que prioridade é pegar avião e ir para a praia? Nem vou falar em acessibilizar casas de prostituição, pois, acho que quem paga para transar é um mal resolvido com seu “bilau”.
Mas eu não acabei – lembra que o Brasil não é para amadores? —além disso tudo e mais outras coisas, a saúde e a reabilitação no Brasil é péssima. Além das órteses e próteses serem extremamente caras, o SUS disponibiliza dinheiro para esses aparelhos que não são fornecidos e demoram demais para se fornecer. Centro de Reabilitações não sabem construir rampas – como onde eu faço fisioterapia – não sabem que a mulher com deficiência é mulher como as outras e tem que ter ginecologista (como no caso do “depende de nós”). Isso mesmo, se a visão da sociedade era capacitista de nos olharem como coitados ou seres inferiores – existem deficiência que podem ter sido criadas para mutações dentro da evolução humana – ainda vem o Teleton e piora ainda mais a visão capacitista e desumana que impera num país atrasado e incapaz.
Dentro dessa visão existem os charlatões que ficam inventando formulas mágicas e remédios para curarem coisas que não vai ter cura. Eu, dentro do meu ceticismo, não acredito nem em célula-tronco, não quero cadeiras motorizadas que me colocam em pé e não acredito no MMS na cura do autismo.
O MMS – que em português fica algo como “Solução Mineral Milagrosa” - é uma solução aquosa composta de 28% de hipoclorito de sódio, que seria um tóxico químico muito conhecido por causar efeitos fatais de insuficiência renal e é usado para destilar águas. Também, esse produto altamente tóxico, é usado frequentemente em desinfetantes e alvejantes (é o que deixa sua roupa limpa). Está bem claro nas instruções do produto que ele deve ser misturado a uma solução de ácido cítrico, o que vai produzir o dióxido de cloro, seria um potente agente oxidante que é utilizado no tratamento da água.
Várias mães vem utilizando o produto para curar o autismo mesmo com esses alertas, mais ainda, com a jornalista Andréa Werner que fez esse alerta. Ela é mãe do pequeno Teo de 10 anos que tem autismo. Ele disse que várias mães começão a dar esse produto graças a um livro de uma norte-americana, que foi retirado de circulação, que incentivava o produto. Além de muitos deficientes passarem no vexatório de ficarem aguentando muitos pastores querendo curar a sua deficiência, ainda, existem charlatões e indústrias inteiras que querem vender uma cura que não existe. As deficiências – pelo menos a maior parte delas – não existe cura. Aceita que dói menos e vamos cada vez mais, lutar para temos uma vida digna sem curas milagrosas. Assim, vamos ter que matar um leão por dia, mas, a pele desse leão, podemos fazer um casaco bastante gostoso.

terça-feira, abril 05, 2016

O ser em Superman vs Batman (com Spollers)











Para assistir um filme não basta apenas saber da origem nos HQ (História em Quadrinhos), existe toda uma desenvoltura dentro de cada personagem que deve ser analisado numa ótica filosófica (vulgo textão), numa ótica psicológica e uma ótica ontológica. Muitos podem me perguntar: “ué Amauri, ontologia não tem a ver com filosofia? ”. Daí eu respondo: sim, tem a ver. Na verdade, os filósofos existencialistas e os filósofos pós-modernos formaram na base, bases muito solidas ontológicas (o ser que é) para definir a preocupação dentro até do IA (Inteligência Artificial). Mas ainda sim a ontologia nesse caso especifico vai muito além da filosofia, pois o amor (philian), muitas vezes, pela sabedoria esquece o ser em sua maior essência porque enxerga o ser como pressuposto de uma máquina, a existência não tem nenhum significado e as religiões que antes eram metafisicas (tá metá tá phisis, ou seja, “os que está depois da física”), ficaram cada vez mais, materialistas. Daí se comete erros primários dentro até de uma análise de filmes como esse, erros grosseiros que tem a ver com o ser e a ética (ethiké/ethos), como os erros do Nando Moura.

Para começar vamos aos fatos dos dois personagens tem em comum: existem sérios conflitos e traumas que levam Clark Kent e Bruce Wyne procurarem alter egos (o outro eu) para superar essa falta de identidade. Outro aspecto interessante é que os dois firam criados por pais adotivos (Alfred foi um pai para Bruce) e os dois são estereótipos de dupla personalidade muito bem definida que não dará margem a interpretações sobre sua verdadeira personalidade. Personalidade vem de “persona” e eram mascaras que os romanos e gregos usavam nas encenações teatrais, ou seja, cada personalidade é um ser em questão e a essência de todo ser é os valores que se aprendeu. Os valores do Bruce Wyne eram valores completamente, coletivos, pois seu pai mesmo rico, sempre investia na cidade. Mas há traços muito claros da filosofia de Rousseau no Batman (seu alter ego) misturado com filosofias orientais, talvez, herdadas quando estudou com um mestre nas artes marciais. A essência do homem é boa, o sistema que o corrompe, por isso mesmo, ele nunca matou o Coringa ou outro vilão. Mas ele se esconde nas sombras para proteger quem ele ama, o protetor, aquele que tem que fazer justiça, mas tem que proteger os seus. O interessante é que sempre o herói que usa mascara tem sérios conflitos de personalidade, ou proteção excessiva com quem ama. Num outro filme o Batman diz: “(...)usamos máscara para proteger quem nós amamos(...)”, ou seja, ninguém pode saber quem ele namora, que ele tem tal empresa e isso também é uma característica do Superman (Clark Kent). Mas umas das coisas que nuca entendi era o porquê que a diferença de um óculos poderia ocultar a verdadeira identidade do Superman/Kent. Uma hipótese é que ele muda de comportamento, Kent é atrapalhado, bobão, e se faz de ingênuo. Numa outra hipótese e muito mais oculta é que ele pode ter o poder da hipnose, ou seja, ele hipnotiza as pessoas ou pela sua aparecia, ou por causa de algum poder mental.

Outro aspecto é a moral completamente, do imperativo categórico kantiano que consiste em agir com sua máxima tal que ela possa ser usada como lei universal. Não é isso que vimos em suas histórias? Embora Bruce Wyne seja muito mais maquiavélico (os fins justificam os meios) do que o Clark Kent com sua ética de seguir a lei da filosofia socrática, onde em sua essência, nada está acima da justiça verdadeira. Podemos “surfar na maionese” nesse aspecto da justiça verdadeira que só estará nas histórias do Superman. O que é a verdade e o que seria a justiça? A verdade é a realidade dos fatos que alguns, colocam essa mesma realidade como algo inquebrável, pois a verdade é um meio de mostrar uma realidade. Verdade vem do latim VERITAS que por sua vez, veio de VERUS que quer dizer “real ou verdadeiro”, então toda verdade é a realidade, toda a realidade é uma verdade. Eu estar escrevendo esse texto é uma verdade, pois o texto existe e todos que acessam esse blog vão ler e comprovar que ele (o texto) existe. Mas não podemos constatar que a existência do Saci Pererê, por exemplo, seja uma verdade, pois não se tem nenhuma comprovação que existam Sacis por aí a fora.  Mas e se comprovarem que Sacis existem e estão na Amazônia? A verdade muda e se ela muda, junto com ela, a realidade será outra. Nietzsche dizia que não existem fatos eternos e nem verdades absolutas, pois as verdades são mutáveis e já Heráclito, filósofo pré-socrático, já dizia quinhentos anos antes de Cristo, que não existe realidades que não mudam, pois “não pisamos na mesma agua duas vezes”. Einstein só comprovou com a lei da relatividade, que toda realidade é relativa e se é relativa, as verdades ficaram liquidas.

Já justiça veio do latim JUSTITIA que quer dizer “lei, iniquidade, administração da lei” que por sua vez, veio de JUSTUS (correto, justo), que também veio de JUS (lei, correto, direito, legal).  Existe a lei natural e a lei positiva, que dará mais “tempero” ao nosso debate. A Lei Natural é aquela da moral inata dentro da sociedade, como por exemplo, “não mataras” é uma lei moral e, portanto, uma lei de Deus. Reparamos que em todas as histórias do Superman, porque além de conter um explicito imperativo categórico (dar o exemplo), estar bem ciente da sua força supra-humana, está a lei natural de fazer o bem sem quebrar a lei natural do Planeta Terra. Sendo um extraterrestre, seus pais biológicos através de gravações nos cristais que viajaram com ele, disseram que ele não deveria interferir nas leis da Terra, nem as leis naturais, nem as leis positivas (que ficou contraditório quando se soube que talvez, na verdade, ele veio destruir a Terra). No próprio filme (Batman vs Superman), Clark Kent (como Superman), mata o terrorista por causa da Lous Laine. Mas será que ele agiu para um bem particular ou um bem coletivo? A defesa é garantida na lei natural, por exemplo, um servo pode atacar um leão quando for atacado, se matar o leão escapara, se não, vira comida. Mas existe a lei positiva que é imposta pelo ESTADO que analisa os fatos para fazer um julgamento. Portanto, pela lei natural, Superman agiu certo, pela lei positiva do ESTADO, não agiu certo porque o outro era mais fraco e foi uma luta desleal.

Descobrimos que não existe verdade e existe uma justiça que depende muito das circunstâncias que essa justiça é dada. O Batman segue o positivismo da lei (o ESTADO), o Superman a lei natural (a lei moral). Dai dá para entender que o Batman desse filme pelo menos, não foi engando pelo Lex Luthor, o Lex Luthor enganou a lei positiva usando o seu poder monetário para colocar pessoas (a senadora), para enganar a todos e consequentemente, enganar o Batman. Então, não existe lógica para pensar que o Luthor tenha enganado o Batman e sim, enganou todo um sistema ao ponto que quererem lançar uma bomba atômica para matar o Superman. Esse ato utilitarista (doutrina que prega que é melhor matar poucos para um bem maior), do governo não é um ato de engodo diante de uma ameaça só ao ESTADO? O Superman pode impedir uma guerra, pode impedir um ataque ou pode exigir do ESTADO algo mais justo, vimos muito bem isso nos X-Men. Daí nosso debate se torna interessante ao ponto de enxergar que o problema não é Luthor – mesmo o porquê ele só é mais um escravo do sistema – mas o ESTADO que perde seu controle absoluto para o herói, ou seja, o herói demostra que o ESTADO não deu certo e precisa de um herói para salvar o ser humano. E, por outro lado, o ESTADO ficara completamente refém do herói, depende dele, tem medo que o herói destrua ele (o ESTADO), para fazer uma sociedade mais justa, assim como toda política suja, toda oportunidade de destruir o herói é muito bem-vinda. Por que o herói sempre é um “contra lei”? Motivos são óbvios.

Chegamos a “cereja do bolo” do filme e foi o motivo de várias críticas que na minha opinião, foram as mais vazias (coisa obvia se tratando do Nando Moura), quando o Batman está prestes a realmente acabar com o Superman, ele com o pé no pescoço do “homem de aço”, o Superman diz “Martha”. O Batman rapidamente, faz uma retrospectiva de tudo que aconteceu com a sua mãe, pois a mãe de Bruce se chamava Martha, e com uma voz de “Rei Leônidas” que agora virou Seth, diz: “Por que você disse esse nome? ” duas vezes e eis que de repente, aparece Lous Laine e diz: “É a mãe dele!”. É obvio e mais do que obvio que ele olha com rosto de Ben Affreck (ué, vocês não reclamaram na falta de comedia no filme?), e se coloca no lugar do Superman e o “morcegão” esquece seu lado legalista e passa a exercer a lei natural (moral) e vai salvar a mãe do Kent. Isso é o básico, isso é obvio e vai além de qualquer lei positiva que o ESTADO pode construir ou impor, a mãe das pessoas é algo sagrado e o Bruce Wyne sabe disso por perder a sua de modo muito estupido. Isso não é motivo para mudar de ideia e parar e se colocar no lugar dos outros? Nesse caso o Batman mando o ESTADO se fode e foi salvar a mãe do Superman, pois é uma vida e o herói “morcegão” salva vidas e nesse aspecto, na relação do Batman ter mudando de ideia, tem muito a ver com aspecto moral e no HQ não é diferente.

Se você não entra no aspecto do ser e da essência dos personagens sem muito fanatismo – assistir ao filme completamente nu das suas convicções morais e éticas dentro de qualquer coisa – fica aquilo que chamo de transe ideológico que nada tem a ver com os heróis. Sempre vi o herói acima da moral humana e tem a ver sim com a filosofia, tem a ver com o mito e o mito é algo como “se houvesse um ser acima de nós, ele seria como…”, ou seja, não é diferente do “além-do-homem” nietzschiano. Um ser que vê o mundo além da moral e usa a vontade da potência para fazer o que tem vontade de fazer, pois mesmo sendo legalistas, ou naturalistas, tanto Bruce Wyne, como Clark Kent, eles se sentem além do bem e do mal. Afinal, o que é o bem e que é o mal? Aliás, hoje em dia, várias histórias trazem esse conflito, pois o bem e o mal, são relativos e dependem da visão de quem o faz ou recebe.

Esteticamente, o filme é muito mais do Batman do que do Superman (pois Gottam tem uma noite perpetua, ou por ter sérios problemas de combustão de petróleo, ou por ser um mundo em um umbral), não tendo muita história e sim uma leve apresentação para a Liga da Justiça. Agora, a crítica da comedia acho que houve um leve engano, confundiram ironia com comedia e tem ironia sim, tanto que a parte que Luthor apresenta os dois e os dois sabem quem é quem, se você não achou graça, você não entendeu a sutil ironia da história e não leu o HQ. Se você quer rir vai assisti essa “modinha” ridícula de tudo é zumbi que isso sim é comedia, ou vai assisti comédia, pois comédia não pode ser confundida com ironia ou ação. Ou assista o Batman dos anos 60 que fazia corrida de surfe que você ri até “mijar”. Então é isso.


Amauri Nolasco Sanches Jr, 40, escritor. 





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sexta-feira, março 25, 2016

Explicando adjetivos e substantivos no pensamento







Um dos filósofos que mais gosto é o austríaco, Wittgenstein. Ele dizia, que o problema da filosofia era de todo o pensamento era a linguagem, porque todo nosso mundo é construído pela linguagem que dissemos ou nomes que colocamos. Quando falamos que uma maçã é vermelha, nós sabemos que a fruta maçã (portanto um substantivo) é de cor vermelha (que é um adjetivo), então, a maçã ser vermelha é uma figura de linguagem de um objeto que demos um nome e damos uma qualidade. O pensamento de um ser humano é construído dentro da educação que começa dês dos 7 anos de idade, menos que isso, é trabalho perdido. Pois nesse período se começa a construção da linguagem e aos nomes que vai usar a vida inteira. Então, se é construída as associações como da maçã e o vermelho que dará uma ideia o que você vai pedir para o feirante ou olhar e perceber o que está na prateleira no mercado é uma maçã vermelha.

A nossa língua é muito difícil de se aprender, porque existem várias regras e várias palavras com um único significado. Uma hora dessas, meu pai que gosta de escrever no Whattsapp (de maneira correta) perguntou qual a diferença do você com o acento circunflexo e sem, então, eu não soube responder na hora porque ele me pegou de surpresa, então, respondi que não havia diferença. Mas fiquei analisando a questão que tinha um viés interessante e lembrei de duas coisas, que há uma tonalidade nasal que era importante dentro de algumas palavras e que você vem de “vossa senhoria mercê” e transformou em “vossa mercê” até chegar no “você” (alguns teóricos dizem que evoluirá para “vc” que discordo). Esse “cê” acentuado tem a tonalidade de destaque dentro do apontamento onde se apontou o sujeito que se chama, pois quando dissemos “ei você”, estamos apontando alguém que quero falar algo. Esse exemplo é um exemplo para mostrar o quanto devemos estudar para dar sempre respostas objetivas para perguntas objetivas.

Só que temos um vício muito enraizado aqui no Brasil que é colocar um substantivo como se fosse adjetivo ou, transformar adjetivos em substantivos. Por exemplo, dizem os empresários e as instituições governamentais que os deficientes não são qualificados, que é um erro grave, porque qualificar é “dar qualidade de”, ou seja, eu não tenho a “qualidade” de ser publicitário, porque publicitário não é um adjetivo que me dará uma qualidade, mas definir que sou. A publicidade ou ser um publicitário é um substantivo, porque estou dando nome a uma profissão e não uma qualidade que eu tenho, portanto, não tenho a qualidade de ser um publicitário, mas, sou um publicitário. O mesmo acontece com o termo “pessoa com deficiência”, pois a deficiência é um nome de uma disfunção corporal que acomete por várias razões. Então, quando dissermos “pessoa com deficiência” estamos dando um adjetivo a pessoa, mas a pessoa é deficiente e esse termos “deficiência” é um nome de algo concreto dentro de uma limitação da pessoa. Deficiente e “pessoa com deficiência” acaba sendo a mesma coisa.

A inutilidade de termos é muito comum no meio virtual e surgem coisas como “a gente”, “vc”, “vibe” entre outro, que tornam, muitas vezes, o diálogo ou o entendimento, como coisas impossíveis. Não que não pode haver uma evolução no meio de comunicação, ou mudanças na língua escrita, se deve ter uma mudança para abreviar e ficar muito melhor a escrita num modo estético, mas existem coisas que são muito bizarras. Mas existem também muitos termos pejorativos que começam a circular como “petralha” (termo que junta membros do PT com os personagens da Disney, os irmãos Metralha) ou o termo “coxinha” (que é aquele sujeito que se fecha em sua própria opinião sem ouvir outras opiniões), que também se tornam qualidades prós e contra o governo. O que o pessoal fala que são termos pejorativos e que nada acrescentam na discussão, que estão certos, porque você cria uma dicotomia desnecessária para os termos.

  Um adjetivo é uma qualidade que estamos dando a alguma coisa ou a alguém, como no exemplo da maçã que sua qualidade ou aparecia é vermelha, pois sua natureza é ser vermelha. Agora substantivo é o nome que damos aos objetos ou alguém, como maçã (que é um substantivo comum), porque é o nome de uma fruta que tem características únicas e que se chama, maçã. O meu nome é Amauri e todos me conhecem como Amauri ou Junior, pois eu tenho características que sou eu e sou uma pessoa que se chama Amauri, o meu nome é um substantivo próprio porque é algo exclusivo. Um substantivo comum é algo que tem características comuns como uma maçã, mas no próprio, as características são únicas, pois todo mundo não é Amauri, nesse caso, só eu me chamo Amauri. Numa frase isso é algo característico como “O Amauri escreve”, porque “Amauri” é o sujeito e o “escrever” é o predicado. Porque o “escrever” é uma ação que “Amauri” está executando, pois, o ato de escrever coloca o “Amauri” como “aquele que escreve” e aquele que escreve é um escritor, então, o ato não é uma qualidade e sim, um estado. Quem “escreve”? O “Amauri”.

Na filosofia já é muito mais complexo, porque entre na área da lógica e é atribuída a Aristóteles que é o tão conhecido silogismo. Tem toda aquela teorias e termos que nós não decoramos – não decoram mesmo, pois pelo que li até dos professores de filosofia, estamos longe de construir um pensamento filosófico – e não sabemos de onde começar, então, resolvi abreviar. Ora, quando dizemos “Heidegger é filósofo”, estamos nos referindo de uma condição de ser um filósofo, um sujeito que segue o meio filosófico onde faz seu pensamento (daí cai muito diante do “gostar daquilo” e fica algo mais ou menos, subjetivo), mas que não é um estado, mas o ato de pensar. Pois não estamos dizendo que Heidegger estar filósofo e sim, ele é um filósofo do “ser” filósofo, que é um estado em seguir um pensamento, mas não ter uma qualidade. Você não tem uma qualidade de “filósofo”, mas você é um “filósofo” porque você segue (do verbo seguir que é o fenômeno da consciência em ir até algo que a vontade lhe guia), o caminho da filosofia e em tudo que você segue, não é adjetivos e sim, substantivo. Além de substantivo é predicado, pois quem é filósofo? Heidegger.

Agora o problema se torna outro quando colocamos sufixos onde não se devem colocar como “golpismo” ou “petismo”, porque começam a aparecer híbridos muito estranhos. Ou na pior das hipóteses, começam a aparecer adjetivações de substantivos que enchem a discussão de termos pejorativos e ad homine, como “você é fascista” ou “você é comunista” e assim, empobrecendo a discussão. Ora, você dizer “Heidegger é um filósofo” é uma afirmação concreta, como também, você dizer “Heidegger é nazista”, pois é um fato que além dele ser filósofo era seguidor do nazismo. Ele é nazista porque era do partido nazista, apoiava toda a ideologia nazista, acreditava no nazismo. Agora você dizer “a esquerda é comunista” aí é uma afirmação de generalização sem embasamento concreto, assim como, todos que querem que o Partido dos Trabalhadores tenha uma punição é uma “direita fascista” ou um pessoal “bando de golpistas”. Nem toda esquerda é comunista, porque existe a esquerda democrata como o PSDB (cuja a sigla quer dizer Partido da Social Democracia Brasileira que tem o mesmo viés do Partido Democrata norte-americano), existe ainda governo de centro-esquerda como foi do Itamar Franco, que visivelmente, não “fretavam” com o comunismo. Se fomos ver etimologicamente, comunismo, comuna, comunidade, vai logo perceber que vem de comum entre todos, porque todos têm o mesmo intuito, ou seja, tudo que é comum entre as partes se torna algo comunista.  Só que Karl Marx vai usar esse comunismo de comum em várias teses de uma economia social, segundo ele, seria mais justa socialmente e daí forma a teoria Socialista/Comunista. Socialista que vem do social, que não está no poder ou no governo, mas no meio social e assim, se começa socializando os meios da educação para assim haver algo comum, ou seja, comunismo (que não deu certo, por razões subjetivas que com certeza, Marx não contava com isso).

Não podemos dizer também que toda a direita é fascista, pois toda a direita é da democracia conservadora que defende o princípio da propriedade privada e a família tradicional (claro, com uma “pitada” de demagogia e fé cristã, mas que os homens e mulheres, não abrem mão das saidinhas com namorados e namoradas casados ou não). O fascismo vem do italiano fascio que quer dizer feixe e também simboliza uma união, que no caso de Mussolini, união daquilo que ele pregava. Pregava a valorização da cultura italiana, a propriedade e a indústria e a Itália que após a primeira grande guerra mundial, estava destruída e nenhum país queria financiar a reconstrução. Seria mais ou menos, que por causa de uma briga entre vizinhos, explodissem a sua casa por causa que você tomou as dores do vizinho e o vizinho, não quis pagar. Mas isso não justifica o que os fascistas fizeram, muito menos os nazistas, pois a história é quase a mesma.  Aqui no Brasil ninguém é fascista, mesmo o porquê, ninguém acredita que precisamos destruir a democracia para ter um país justo, que claro, respeitando o direito de cada um. Agora, professor de universidade e de filosofia fica com essa de comunista e fascista (até mesmo golpista), é uma ofensa aos fatos que estão acontecendo e que aconteceram no passado, pois o passado pode responder qualquer pretensão de responder o presente.

Dar o “golpe” quer dizer o exército dar o chamado “golpe de Estado”, que os generais descartam veemente e que, por razões obvias, não aconteceu em 64 como contam os livros de história de tendência de apoiar a esquerda. A única razão que posso colocar aqui é que o Congresso aprovou a estrada do exército e depois não conseguiu tirar, hoje sabemos, não existe nenhum perigo comunista, não há nenhum perigo das instituições começarem a entrar em colapso. Então, esse tipo de golpe não terá o Brasil. Agora, se estamos falando de modo eleitoral, se há uma denúncia com questões de corrupção dentro da esfera presidencial e a presidente estava ciente, ela tem que ser impedida sim. Se há crimes do partido dela, tem que ter um afastamento, porque é impossível achar que que ela não sabia, como a oposição também se tiver envolvida, que sejam punidos. Isso não é fascismo, porque o fascismo não entrou em vigor entre golpe (talvez o nazismo, que há controvérsia), e mesmo, ninguém que apoia o impeachment sabe sequer o que é o fascismo e é fascista.

Chamar uma pessoa de comunista ou porque apoia a esquerda ou que veste vermelho (como se o PT tivesse comprado os direitos autorais do vermelho) é colocar o termo “comunista” como um adjetivo, porque o termo “comunista” é um substantivo comum e que dá o nome a aquele que segue a doutrina de Marx. Como sei disso? Só olhar o artigo, a mudança entre gênero acontece ou colocado “a comunista” ou “o comunista”. O mesmo o termo fascista, pois é um substantivo que dará o nome daquele que seguem o fascismo e não vejo dentro daqueles que acreditam em um impedimento (impeachment), que as pessoas em grande maioria querem a derrubada do governo como uma instituição legitima, mas querem a punição por um crime grave que lesou todo o país. Claro, que grande maioria que vai nos protestos (tanto os que apoiam ou os que querem a saída do governo),  nem sabem o que estão fazendo ali e nem sequer contem estudo para isso, pois se tivessem, saberiam essas pequenas coisas. Isso realmente não me assusta, porque o povo sempre foi conduzido  pelos meios de comunicação queiram ou não olham o que repetem, mas os professores universitários começarem a ir para o senso comum, daí é o cumulo. A pergunta é: depois de tudo que escrevi, com tudo que coloquei, há dúvidas que querem colocar a nação em caos total numa guerra ideológica e política, que a maioria não se deu conta? A questão é que temos que ter cuidado, pois o ódio não vem só dos fascistas, o ódio vem de todos os lados. Todos devem defender suas posições políticas e tem esse direito segundo a Constituição, o que não pode é dar atribuições morais dentro do que não existe, pois vão começar sim, agredir pessoas de camiseta vermelha e vão sim, agredir qualquer um que usem cores de partidos diversos e até de preto (os góticos e os rockeiros irão ser chamados de fascistas). Essa dicotomia é perigosa deve ser combatida.

Tanto a esquerda tem o direito de colocar um carro de som na USP ou na PUC, como a direita também tem esse direito, assim é uma democracia e não tem nada a ver com o fascismo, tem a ver de defender uma posição dentro da política. Um povo político faz isso, um povo político devolve o que o oponente dá, um povo político é um povo que debate. Todos têm o direito de defender as posições sem agressões e sem termos pejorativos. Ou não conseguimos isso? É caso de professores reverem melhor o que pensam e pararem de espalhar dicotomias desnecessárias.

Amauri Nolasco Sanches Jr, 40, escritor

Confiram O_Caminho

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Para que serve o Facebook?

credito: Google
                               







Outro dia um colega me perguntou para que servia o Facebook, meio que no impulso disse que era para ganhar dinheiro. Claro, não estava pensando no sujeito comum que posta suas ideias, esse nem sempre as empresas querem, mas o criador do Facebook Mark Zukerburg. Mark reuniu os seus “coleguinhas” numa noite na universidade, na Harvard, para simplesmente, tirar “uma” dos outros alunos da universidade. Não venham “santificar” Mark sobre suas intenções, verdadeiramente, o Facebook no seu propósito era um bulling imenso dentro de uma universidade, para vingar a sua natureza “nerd” e ganhar dinheiro, o resto, é história para fazer filme. Mas era isso que tinha em mente, mas resumi demais e acabei simplificando a relação entre nós e o Facebook, uma relação entre favores e favorecidos.

Sim. Mark ainda acha que foi um grande favor ter inventado uma rede social para trocar fotos, mas quem quer trocar fotos também troca informação e as informações são importantes para a evolução humana. Acontece que o caminho não foi da troca de informações – como tudo que é humano, ainda carecemos de posturas éticas para trocar informações, coisa que não temos – mas de propaganda deslavada onde o mundo inteiro usa. Você vender um sorvete de chocolate é uma informação ou um meio de favorecimento? Você mostrar seus “glúteos” (sendo educadinho) é uma informação ou é um favorecimento de marketing próprio? Não há nada de errado fazer propaganda e como um publicitário, sei que esse tipo de ferramenta ajuda muito esse tipo de trabalho, mas o perigo é quando essas propagandas têm a ver com propagandas ideológicas. Na verdade, não tenho nada contra ninguém mostrar a própria bunda, ou outras partes, não sou contra fazer propaganda de produtos, o que sou contra é a imensa verdade, estamos numa guerra ideológica e ridiculamente, as pessoas chamam de bem ou mal. Daí eu fico com Sócrates de Atenas, se sou a favor do bem, não preciso combater aquilo que não sou a favor, mas fortalecer aquilo que sou a favor e nesse caso, é o bem. Por que sou contra um regime que não existe? Por que sou a favor de um candidato que usa a esperança popular e fica dizendo bobagem? Essas respostas estão na ética e na moral.

Voltamos ao filosofo Sócrates. O filósofo, talvez, teria gostado do Facebook e teria indagado muitas personalidades, tendo misteriosamente, um câncer de repente, ou ter morrido de infarto (sendo calmo como era). O fato que o Facebook não é lugar para pessoas inteligentes e resolvidas, pois não se enganem das fotos com sorriso, das fotos em baladas caras, luxo e conforto, simplesmente, é mera “mascara” daquilo que não se é. Sócrates chegaria a mesma conclusão que chegou a dois mil e quinhentos anos atrás, as pessoas fazem o bem para parecerem bom, dizem coisas inteligentes para dizerem que sabem, mas que nada sabia e o filósofo sabia que nada sabia. Na essência sabemos que não sabemos nada, mas com as redes sociais sempre pousam de “cult” e tem que ter uma opinião. Tem até jovem discutindo com matérias de revista cientifica que mostram avanços a algumas questões que não querem resolver, somos um povo parado no tempo. Ainda acreditamos que existe o comunismo, ainda acreditamos na bíblia literalmente (nem os religiosos de fora acreditam), ainda gostamos de vinil e fita cassete, ainda acreditamos fielmente, que a intervenção de 64 era para caçar os malditos comunistas, ainda acreditamos que Hitler era marxista (tese que Hitler iria bater com a cabeça na parede). Ainda acreditamos em fatos que só existe aqui no Brasil e fico pasmo quando um personagem de videogame brasileiro aparece muito sensual (no caso da mulher), se faz tanto barulho por nada, só é o reflexo das imagens que vão para lá e é isso que é. Temos presidente que parece mais colega de colégio do que presidente da república, sem postura, sem preparo, sem um curso de retorica, sem nem ao menos, saber falar alguma coisa. Isso não é sinal de humildade, é sinal de ignorância e se isso chegou no meio político, pode ter certeza, é bastante preocupante que nem conseguimos eleger um presidente completamente, preparado. De Jose Sarney a Dilma Rousseff, somos a imagem de um povo que congelou em JK, ficamos ainda lá na inauguração de Brasília e pasmem, nem ditadura sabemos fazer.

Daí está nosso ponto ético, só dizemos o que nos convém e o que nos convém sempre tem a ver com os nossos valores aprendidos. Não adianta achar que temos influência da mídia e tudo isso é culpa da Rede Globo (a maior em épocas passadas), ou é culpa das redes sociais, a culpa é das ideologias e sim, dos valores que passamos aos nossos jovens. Nem é essa coisa velha de pessoas ainda paradas nas eras vitorianas do século dezenove, são valores aprendidos sobre ética e a verdadeira moral, pois a ética vai moldar nosso caráter e a moral vai fortalecer nossos costumes. Se pessoas querem mostrar as partes intimas, seu corpo é seu e faça o que quiser, mas que não vire regras a serem seguidas, não vire algo obrigatório. Talvez, matamos valores e tabus para criarmos outros muito mais ditatoriais e sem personalidade, fazemos porque nos dizem que uma pessoa deve fazer e isso é errado, temos escolhas e isso fazem de nós seres racionais. Mas a nossa racionalidade tem a ver com nossa semântica e Wittgenstein tem razão ao dizer: nosso mundo é o que dizemos, é o que os “esquizotericos” falam em moldar o mundo no nosso pensamento. As palavras expressam sempre o que pensamos, mas nem sempre o que se pensa é o escolhemos como um raciocínio daquilo que observamos. Muitas dessas expressões têm uma leitura ideológica, religiosa, e muitas vezes, é algo que não se sabe de onde vem. Se no tempo do “vinil” tinha isso, a inclusão digital ampliou muito mais isto e deixou ressonar em todo canto do mundo, nosso povo acaba sendo piada no estrangeiro. Ou ainda acham que os elogios ao governo são sérios sem nenhuma ironia? Reles ingenuidade popular de acreditar em um mundo melhor e nesse “acreditar” nesse mundo melhor, acabamos criando a geração “mimimi”. Mark é dessa geração, não conheceu a ética e com certeza, não conheceu o mundo prestes a estourar a terceira guerra mundial, não tinha internet, não tinha comunicação global. Mas ainda colocou sua ética da geração mimimi no seu Facebook – por mais que usamos é dele, uma propriedade dele – e bloqueia quem começa a espalhar ideias contra a sua própria ideologia.

Na teoria o Facebook teria o papel de espalhar ainda mais conhecimento – que o Orkut fez majestosamente por um tempo e a Google num erro tático, pois pensou que todos iriam acabar migrando ao Google +, acabou com a única fonte de conhecimento do mundo – mas não o faz, porque o Facebook pegou uma geração que não deseja conhecer. Sócrates iria dizer que todos eram na verdade, um bando de “idiotike” que na Grécia clássica, queria dizer pessoas egoístas que não queriam participar da vida pública, não tem senso social. Na verdade, o termo idiota vem daí um ser humano que se fecha nele mesmo e não enxerga nada além do seu próprio “umbigo”. Quem enxerga e participa da vida pública é o “politikon”, pois ele decide e debate as resoluções na polis e não do quintal da própria casa, tanto é, que Aristóteles vai dizer sua famosa declaração: “zoo politikon”, ou seja, somos animais sociais. Ser político não é ser ligado no cenário executivo do governo ou nos escândalos de corrupção – que existiam também na época de Sócrates – mas ser uma pessoa que tem e sabe o que acontece dentro da sociedade. Aristóteles, que foi aluno de Platão, entendeu as ideias de Sócrates muito mais do que Platão e disse que o homem é um animal “politikon”, ou seja, um animal que se preocupa com a comunidade onde vive. Não é um dos fundamentos dos gregos clássicos? Não foi isso que levou o mundo grego se defender dos persas e Atenas e Esparta se juntarem para isso?

Nas minhas observações concluir que o Facebook é lugar de gente burra – não por ignorância – porque teimam em achar que o seu conceito deve prevalecer. Mas outra coisa concluir que talvez, se Sócrates vivesse em nossos dias concordasse, é que pessoas inteligentes e que tem certa convicção não estão no Facebook e sim, no Twitter. Sim. Muito embora são apenas frases, as pessoas leem mais os sites no twitter, ler não necessariamente, mostra que entendeu o texto e sim, realmente sintetizar o que leu numa frase. Sabedoria tem a ver com a qualidade e nunca, a quantidade do que você leu.  Você quer ser sábio ou quer ser conhecedor?


Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor 


O Site do livro "O Caminho" (aqui)


sábado, fevereiro 13, 2016

A Origem de Tudo




Dias desses eu estava dando uma olhada num dos grupos do Facebook e me deu de cara com mais um religioso que queria provar que suas crenças – que costumam ser sempre a verdade absoluta – trouxe para o grupo uma discussão interessante sobre a origem de tudo e o que fez tudo ter a forma que tem hoje, a realidade não é o que pensamos. Sou uma pessoa que acredito na espiritualidade, mas não descarto as várias teorias cientificas que permeiam os sites e blogs especializados. Tanto as indagações do sujeito religioso me assustaram, quantos muitos textos do blog Universo Racionalista que coloca como “pseudofilosofia”, como se a filosofia tem que ser obrigada a dar um ar cientifico em toda sua estrutura de raciocínio. Já me deixa preocupado quando saem pensamentos como “pseudociência” ou “pseudofilosofia” que dará ao jovem, o mesmo fanatismo que muitas religiões por aí. Mas tentarei responder de uma maneira melhor a pergunta do religioso – porque acabei respondendo de maneira apressada – que talvez responda o que penso desses dois termos que viraram “modinha”.

Zé da Igreja – Qual a origem do primeiro átomo do universo?

Poderíamos responder essa pergunta com um simples: não sei. Mas como temos certos conhecimentos sobre os átomos, podemos seguramente responder que foram os primeiros nêutrons junto com os prótons e também, os elétrons. Mas daí o Zé da Igreja perguntaria: qual a origem dos nêutrons, prótons e elétrons? Responderíamos simplesmente, com as primeiras moléculas. O que os cientistas ainda não conseguiram ensinar – ainda mais com nossa escola medíocre e com a nossa cultura embrurrecedora conservadora – é que o importante não é o átomo, porque o átomo é derivado e não originador, mas as moléculas que assim o fazem, são originadoras. Mas ainda assim, não poderíamos tratar assim uma pergunta tão complexa como essa, porque todos os elementos que conhecemos estavam todos juntos numa singularidade. Mas o que poderia ser uma singularidade? Um ponto. Esse ponto era tão tenso que poderia pensar milhares de toneladas – pensa num número muito grande – porque talvez, tudo tivesse ali. Hoje se trabalha com a hipótese que viemos de um buraco negro e dentro desse buraco negro, segundo teorias da física e astrofísica, há uma singularidade de eventos que pode ter se expandido.

Claro que todos os religiosos vão dizer que tudo vem de Deus e na sua vontade tudo teve um princípio – que segundo o blog Universo Racionalista, isso seria chamado de “pseudofilosofia” só por causa de um filosofo achar que a filosofia tem que ter uma base cientifica – como também não descarto, mas existe critérios para se pensar que Deus pode ter criado mecanismos que governam as leis cósmicas “muito bem, obrigado” por bilhões de anos sem ter que mexer nada. Toda mudança que houve e se houve, foram princípios dentro da evolução de qualquer sistema e em qualquer princípio seja qual for, porque até mesmo dentro de um complexo software, há uma evolução na linguagem que esses softwares são gerados. Mas isso, claro, é muito complexo para mentes fechadas tanto de alguns religiosos fanáticos, quanto alguns ateus militantes que ainda não entenderam esse princípio básico.

Zé da Igreja - Se toda ação tem consequentemente uma reação, como foi formado o primeiro átomo que deu origem ao Big Bang?

Primeiro vamos por partes. O Big Bang não teve um átomo gerador, mas uma singularidade que era muito tensa e por razões que ainda desconhecemos, teve que se expandir. Talvez, a sua intensidade fez a gravidade que estava dentro desse ponto, fazer ele expandir até se tornar o universo que conhecemos. Mas alguns cientistas (físicos e astrofísicos), dizem que não tece o “bang”, ou seja, não houve a explosão tão difundida. Se houve um princípio, se houve de alguma maneira, uma ação de expansão do universo – quando se rompe a singularidade – houve a reação dentro da realidade conhecida que pode ser resumida na ação (karma) e reação (dharma) que tanto os orientais já diziam a cinco mil anos antes de Cristo. Toda a realidade é a realidade que pensamos estar, mas poderemos não estar e isso tudo apenas ser uma galáxia dentro de um buraco negro enorme.

Zé da Igreja - Se Deus não existe, de onde surgiram todos os elementos químicos que deram origem a tudo?

Se Deus existe ou não, isso não mudaria o fato do universo ter vingado ou não, os componentes químicos terem gerado a realidade que vivemos. O princípio cartesiano – que os iluministas numa forma estupida, geraram uma desculpa para gerar um princípio muito contrário ao que Descartes propôs, de negar a crença a partir do cogito, mas o cogito poderia dar uma fé mais racional – que penso e com esse pensamento (cogitam) podemos perceber nossa existência, nessa percepção poderíamos ver a realidade. Mas será que a minha realidade poderia ser igual à do outro? Se todas as coisas fossem criadas, poderíamos ainda sim, formar escolhas? A evolução ou o surgimento do universo a partir de um ponto (singularidade), não prova a existência ou não de Deus, mas prova que há uma origem e essa origem um dia, vamos conhecer.

Só para fazemos uma pseudofilosofia, Deus não pode ser um ente porque não tem uma personalidade, ele é o que é e sua natureza se fecha nele mesmo. No máximo podemos especular o que poderia ser Deus e sua propriedade em ter tido à vontade por ele mesmo, de ter criado o princípio que levou a milhares de singularidades ter originado milhares de universos no cosmos. Então, ele ter uma consciência e perceber por ele mesmo a sua existência, num modo bem especulativo, não quer dizer que o nosso universo entre milhares de universo, seja o universo especial que essa mesma consciência ter feito pessoalmente. Se existem milhares de deuses cuidando desses universos? Se eles se criam a partir de princípios que nem sonhamos? Há muitas possibilidades.

Zé da Igreja -  Se Deus não existe, não há razão para viver. Se Ele não existe, porque então existem princípios morais?

Era o tempo que a razão era algo racional e não uma “muleta” para explicar a sua dependência moral em alguma crença, ideologia ou qualquer “ismo” que exista. Se pessoas precisam de “uma razão de viver” a partir de um ensinamento de qualquer pastor por aí, então, estamos rumando a uma nova idade média e iremos certamente, para a escuridão da ignorância. A existência de uma consciência criadora de todas as coisas deve ser muito mais a razão de se viver sem medo e sem o coração maldoso, do que ao contrário que vimos por aí com as religiões mais separando as pessoas do que juntando, ou seja, o meu “deus” é o verdadeiro e o do outro, é o falso e ele é um “pecador”.

Os princípios morais nada têm a ver com Deus e sim, princípios religiosos humanos. Me parece que há uma confusão entre Deus e Jesus de Nazaré graças a Constantino e seu desejo de transformar a igreja na última salvação do império romano, que no primeiro momento não parece nada, mas no segundo pode ser muita coisa. Jesus foi transformado num deus-homem para satisfazer algumas ambições, porque ele era apenas um espirito que evoluiu muito mais rápido e tinha o poder de aprender as coisas facilmente. Se ele foi para o Egito, se foi para a Índia ou nem tenha existido, não tira a mensagem ética e moral que está dentro de sua mensagem que claro, a igreja se apropriou, destorceu e ainda em algumas partes de uma maneira rasteira, adulterou para responder aos seus interesses escusos.

Vamos a moral. Não confundamos moral com ética, porque há uma grande confusão na nossa língua ainda. Moral vem do latim – língua etrusca-romana – “mos” ou no plural “mores”, que quer dizer “costumes”. A confusão se dá porque os romanos tentaram traduzir a palavra grega “ethos” que queria dizer “caráter” em “mos”, só que para o romano o costume era muito mais importante do que o caráter (talvez herdamos muito esse pensamento). Daí se derivou duas palavras, a moral que é o costume de uma comunidade ou de uma determinada parcela social – como um segmento religioso, por exemplo. Ética quer dizer o caráter de certas características de uma pessoa, um exemplo muito enraizado em nossa sociedade judaico-cristã, é os dez mandamentos. Não cobiçar a mulher do próximo, por exemplo, acaba sendo muito mais ético do que moral, porque tem a ver com o caráter de cada um cobiçar ou não. Mas claro que exigi de bom senso e nesse valor – porque sempre um caráter é feito de valores recebidos – está a moral de termos o costume de não cobiçar essa mulher e assim, a harmonia social prevalecer dentro das regras de uma sociedade inteligente. Mas isso não quer dizer que a moral foi imposta ou passada por Deus, mas é humana e contém muitas falhas que podem – muitas vezes o são – ser burladas com facilidade. Todas as religiões ensinam a viver como irmãos, mas existem as guerras. Todas as religiões pregam que devemos ter compaixão, mas existe a fome, existem pessoas que não tem aonde dormir e nem morar. Todas as religiões pregam que devemos ser justos e não mentir, mas todos os segmentos governamentais mentem ou enganem, roubam o que não é deles, religiões fazem de tudo para pregar o que lhes interessam. Isso é de Deus ou é uma ação humana de seres em evolução? Daí voltamos a ação e reação onde o mundo (nossa realidade) ainda não tem fortes alicerces morais para acabar com esses valores, espíritos voltam para viver as condições dos outros que enganaram, que roubaram e também, aqueles que escravizaram. Mas isso não quer dizer que não tenhamos o dever de querer uma justiça social, porque isso do espirito voltar para viver o que o outro passou, um dia haverá de ter um fim e esse fim é a evolução moral e ética.

Nessa evolução ética e moral, muitas vezes erramos e nesses erros que saem alguns termos interessantes. Na verdade, saltamos numa evolução tecnológica sem precedentes, mas não avançamos no ponto nem moral e muito menos, ético. Vamos aos termos. O que seria um ponto inicial para saber o que é realmente ciência e o que é filosofia? O termo “pseudo” que dizer algo que é falso, que não tem fundamento como tal e alguns etimologistas dizem que o termo veio do grego “pseudein”  e que quer dizer “enganar pelas mentiras”. Mas para se dizer que a ciência é uma pseudociência temos que entender o que o termo quer dizer para construir, por assim dizer, critérios que possamos nos apoiar (isso também acontece dentro da filosofia). Ciência vem do latim “scientia” que quer dizer conhecimento, por sua vez, vem do verbo “scire” que quer dizer “saber” e aí que o negócio fica estreito. Se “pseudo” é “falso” e ciência é conhecimento, qual o critério para dizer que algum pensamento é pseudociência? Chá verde por ser apenas um chá, que por séculos foi um grande remédio para o frio e outros males, não pode ter componentes desconhecidos que fazem emagrecer? Não podemos dizer que um conhecimento seja falso até que esse conhecimento seja demostrado como sendo charlatão, caso contrário, passa a ser um conhecimento ideologizado e de outros interesses. O problema não é o pensamento em si, mas esse pensamento virar uma regra.

O mais preocupante não é os militantes da ciência colocar as curas caseiras como pseudociência (falso conhecimento?), mas cunharem algo do tipo pseudofilosofia. Como poderíamos ter uma falsa amizade ou amor, a sabedoria? Qual o critério para se formar uma pseudofilosofia ou pseudociência? Uma ideia não é o problema, o problema é quando essas ideias viram seitas fanáticas.


Amauri Nolasco Sanches Junior, 39, escritor