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quarta-feira, janeiro 03, 2024

Facebook nazifascista?


Mark Zuckerberg e seus programadores vendo suas postagens 






Fui censurado no Facebook por chamar o brasileiro de hipócrita. Se Jesus tivesse um diálogo com fariseus dentro do Facebook, com toda a certeza, seria censurado. As questões sobre quem deve ou não ser silenciado, tendem a saber se aquilo é ou não colocado como ódio e ódio, segundo o mestre Yoda e filósofos budistas, são a causa de sofrimentos. A realidade dói mais do que se pensa. Mesmo por isso, o Facebook sempre atrapalhou quem vincula notícias - como eu - porque existe um politicamente correto e por um lado cerceia os preconceituosos, por outro lado, fazem restrições muito sérias contra o direito de falar.

Mas, o que quer dizer hipócrita? Hipócrita é um adjetivo e substantivo de dois gêneros (feminino e masculino) que ou é aquele que demonstra uma coisa, quando sente ou pensa, que pode dissimular sua verdadeira personalidade e afeta, quase sempre por motivos interesseiros. Ou por medo de assumir sua verdadeira natureza, qualidade ou sentimentos que não sentem. Ou seja, são fingidos, falsos ou simulados. Isso é discurso de ódio? Será que sendo brasileiro - juro que nasci no Brasil - eu tenho ódio do brasileiro? A critica filosófica (aprendemos isso na universidade e fora da universidade) não é só dizer coisas agradáveis do tipo “autoajuda”, a filosofia e o modo filosófico preza a liberdade e o desprezo aquilo que se chama tirania, seja do modo politico (como ditaduras de direita e de esquerda) e no modo social (linguagem e discurso).

Ainda, a meu ver, filósofos deveriam estar acima de ideologias políticas, religiões, discursos que a maioria gostam porque buscamos a verdade dentro da realidade imposta (condicionada). Os filósofos budistas tem razão, vivemos em uma ilusão muito grande em achar que somos separados da nossa mente, porque somos nossa mente. Somos: mente+corpo-alma. Um conjunto de elementos que sentimos, percebemos e sabemos como é a realidade, mesmo que, muitos elementos da realidade, duvidamos. Já os preconceitos e as discriminações não vão parar por causa da linguagem e nem pela imposição da linguagem errada ou não, daí, tenho que concordar com Foucault: nenhum discurso que venha da grande massa, está sem nenhum interesse. Aliás, sempre lembrando que Foucault era muito mais nietzschiano do que marxiano, que pegou essa noção de Nietzsche.

Nietzsche era o filósofo da desconfiança. Seja em um discurso linguístico - ele era filólogo - seja na moral (leiam a Genealogia da Moral), sempre o ser humano constrói seu arcabouço de conhecimento levando em si algum interesse. Resumindo: todo mundo que comenta ou denuncia nas mídias sociais (trazendo a discussão para hoje) defende posições que lhe foram impostas pelo poder a séculos ou a décadas. O poder - aí é minha visão agora - usa discursos de pensadores não porque concorda com eles, mas, porque interessa a eles. Nietzsche foi cooptado pelos nazistas e quando viram que não era o que eles pensavam, largaram o pensamento dele de lado. Foram muitos anos de estudo de separar o que a irmã dele tinha forjado, e o que ele mesmo tinha escrito de verdade, levando a várias conclusões erradas que Nietzsche compactuava com o antissemitismo nazista (tanto é, que existem alforismas que defendem o povo judeu).

Foucault não quis dizer que se deve identificar o indivíduo através do discurso, mas, desconfiar se aquele discurso realmente é verdade ou é um modo punitivo de controle. Vamos dar o exemplo entre deficiente e pessoa com deficiência - que é minha área - que em um modo linguístico, a ofensa só recai quem ouve. O que diz o senso comum (quero dizer o discurso)? Que uma pessoa que tem um corpo que não está dentro da normalidade é de-eficiente (o “de” quer dizer uma negação), ou seja, ela não se encaixa dentro de um padrão dentro de um mundo capitalista do trabalho - no socialismo e em outros regimes o discurso costuma ser pior - e que não pode ser normalizado. Pessoa com deficiência acaba sendo o mesmo, porque é uma pessoa não eficiente, que não há nenhuma eficiência. Daí vem o discurso do controle, porque não se precisa entender se aquilo é ou não verdade ou o significado, mas, que aquilo é ruim (outro depositivo de controle é o Mito do Sofrimento dos deficientes e a importancia do aborto de fetos com tendencias a sindrimes, ou eutanasia de pessoas com deficiência como é mostrada no filme e no livro “Como eu era antes de você” e outros exemplos).

Como se vê, mudar o discurso (ou o termo) não mudará o fato da cobrança de não ser eficiente segundo a sociedade e as pessoas - usando a religião - podem se ofender. Eu sei da minha eficiência no que faço, pouco me atingem com o fato das pessoas acharem que sou “coitado” ou não eficiente. O problema é a doutrinação ao ponto de uma rede social, como o Facebook, ter em seu algoritmo o termo “hipócrita”, e pior ainda, colocar como “discurso de ódio”.

quarta-feira, janeiro 08, 2020

Filósofos não podem criticar o PT




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Amauri Nolasco Sanches Junior

Dias desses na rede social do Linkedin, li uma manchete em um site qualquer que um dos membros da rede postou, que o ministro da economia, Paulo Guedes, queria ter acesso à parte de aposentadoria e pensões para pagar o 13º salário da bolsa família. Só comentei que nada diferente do PT e do PSDB, que tiraram de outro lugar o dinheiro para programas sociais. Quantas vezes lemos que o governo tirava da educação ou da saúde para pagar a bolsa família? Quantas vezes lemos e já foi provado, que um dos destinos do dinheiro tirado das estatais eram para esse tipo de programa social? Não estou defendendo o governo Bolsonaro, só estou dizendo que para mim que sempre li jornais, não há novidade nenhuma. O problema é um usuário dizer que comparar o PT com o governo Bolsonaro era uma desonestidade intelectual imensa e era muito pior por eu ser um filósofo. Em um outro momento, a dona da postagem aparece e pergunta em que mundo eu estou. Em um outro momento, disse que não viu nada disso em 38 anos de visão politica.
Lendo isso uma questão me veio na minha cabeça: por eu ser um filósofo e comparar todos os governo de alguma medida, fazem igual? Por eu ser um filósofo, a minha análise é, exatamente, mais ampla e com mais argumentos do que a maioria. Porque o filósofo é um amante da sabedoria e está a procura do objeto do seu amor, como Psique ficou atrás de Eros e nunca lhe encontrou. Cada caminho para achar essa sabedoria é importante, pois, junto com essa sabedoria está a verdade e não é qualquer verdade, e sim, o verdadeiro LOGOS primordial. Então, um filósofo não pode ficar presos em conceitos determinados ou que o senso comum acha ser a verdade (doxa), mas, aquilo que é em essência primordial. Não importa o que está na modinha, não importa se os outros estão dizendo, as análises devem ser analisadas a partir de um ponto além da paixão (o apego aos ídolos), além das análises superficiais. Sempre falo que o filósofo é uma espécie de arqueólogo das ideias, ele não examina a superfície de tudo e sim, vai examinar as camadas mais fundas para encontrar elementos para aquilo ter surgido. Se o filósofo começa a defender uma única posição, ele não é um filósofo e sim, um simples intelectual que só repete do que lê.
Concordo com Nietzsche na questão da verdade e da mentira. Dizia o filósofo alemão, que tanto a verdade e a mentira, são construções que decorrem de uma vida de rebanho e da linguagem que lhe correspondesse. Ou seja, as verdades e as mentiras sempre dependem daquilo que as pessoas acham ser a realidade, os valores que acreditam e levam sempre a uma vida de rebanho e o ser humano acaba sendo escravo de crenças que o alienam a uma verdade maior. Continua dizendo, que o homem de rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho. Assim, a grande maioria tem que seguir o que a maioria segue para ser aceito, ninguém gosta de ser excluído porque nos ensinaram uma realidade que alguns duvidam — aliás, muito poucos vão além das ideologias e as crenças religiosas — e esses, são excluídos da grande massa.
Os filósofos não tem nenhuma visão única que não pode ser mudada, não pode ser repensada ou analisada de forma diferente da maioria. Mesmo o porquê, um ponto de vista é apenas um ponto , mas, existem vários outros pontos de vista que podem também ser colocados. Verdades únicas são sempre perigosas. Verdades únicas construiram tiranos, foi a alienação social da idade media, é a essência de qualquer fanatismo dentro de qualquer sociedade humana. Seja da direita (fascismo e nazismo), seja de esquerda (socialismo/comunista). Por isso mesmo as democracias são democracias, porque existe uma incerteza dentro dela, existem variedades de ideias e posições e sempre o medo dela sofrer uma ruptura. Então, um filósofo dentro da área politica, deve ter bastante cautela cética das análises e sempre jogar outro ponto de vista além que todo mundo fala e expõem e por causa disso, o filósofo incomoda. Incomoda porque sabem que não corresponde a realidade o que dizem ou acreditam saber, mas, insistem porque querem ter razão. Na Grécia, nos tempos clássicos de Sócrates, chamavam ele de “a mosca de Atenas” por ele incomodar como uma mosca que fica nos rodeando. Tanto é, que ele foi condenado por uma condenação tola e vil, só para se livrar de Sócrates e nada adiantou. Seus alunos continuaram seu legado, Atenas caiu na dominação do reino macedônio, e o nome de Sócrates foi legado por toda a história.
A sociedade gosta do “cobertor quentinho” de ser aceito dentro de qualquer manifestação social. Seja virtual ou não, a vaidade impera e não tem como escapar. Como se fossem tribos, os iguais se articulam entre si e compartilham do mesmo pensamento, seja com um ritmo musical especifico, religião específica ou ideologia específica. Mas será mesmo que elas são a visão da verdadeira realidade? É de se pensar e sair da caixinha social.

terça-feira, dezembro 31, 2019

A ética dos covardes canalhas



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Amauri Nolasco Sanches Junior


Havia um post no Linkedin — uma rede social que se diz profissional, mas está cheia de autoajuda vagabunda — que mostrava uma matéria de um jornal (todos hipócrita e canalhas) que dizia que o ex-presidente Lula processaria o Dono da Havan por ter contratado um avião com uma faixa dizendo que ele era “cachaceiro”. Respondi que eu achava o Lula um canalha, mas, quem é o Véio da Havan nisso tudo? Vou explicar melhor. O Lula é um canalha porque tem um discurso cínico parecendo que nunca foi presidente, como se no seu governo não havia aumento de preços, como se ele tivesse arrumado o nordeste e tivesse melhorado o país. Não acho que o Lula é um comunista. Aliás, ele nem sabe o que seria o comunismo. Acho que ele quer o poder pelo poder, um psicopata que pensa que o país é o quintal do sindicato que sempre ficou lá.
Luciano Hang (vulgo Véio da Havan) é um empresário fantasiado que tenta fazer marketing da sua loja. Aliás, até hoje eu não sei o que a Havan vende, o porquê ela existe e o porquê tem uma Estatua da Liberdade na entrada. Mas, ele joga na polêmica e começa dizer coisas que não tem nem lógica, como jornalistas não darem sua opinião, ou que piso tatil não serve para nada. Por que jornalistas que dão opinião sobre o Lula ou a corja do PT vale e os que criticam o governo não? O Bolsonaro também erra e tem que apontar o erro, para talvez, ele repensar o caminho que tomou. Mas, ao que parece temos um petismo dentro da direita, um fanatismo chato que em vez de atrair as pessoas para uma discussão mais racional, atrai sempre os idiotas para uma discussão rasa e pobre o bastante para atrair os pseudos-filosofos. Ainda, esses intelectuais que tem livros na livraria custando quase cem reais e ficam pedindo ajuda, aproveitam para atrair seus holofotes para si mesmos.
Ao longo da minha vida, sempre vi aqui no Brasil uma ética seletiva que não pode envolver aquilo que eu acredito, aquilo que eu penso, ou aqueles de que gosto (como amigos e parentes). Também se gosta de rotular as coisas e relativizar aquilo que se acha importante variar. Como já li que Likedin é uma rede social profissional ou que o Facebook é coisa de qualquer um. Redes sociais são ferramentas virtuais para fazerem o que desejarem (com ética, claro), e quem faz ela é os usuários. Claro, que quem usa mais o Linkedin são profissionais que na maioria das vezes, postam autoajuda vagabunda para incentivar profissionais a não desistirem. Como se um meme possa fazer milagres. Sobre a relativização das coisas, nossa cultura é muito disso. Conservadores viram liberais, pentecostais viram judeus (pior ainda, judeus da idade media), rock vira samba, e todo tipo de porcaria se dissolve atrás do que se acredita.
Vou dar dois exemplos bastante emblemáticos. O primeiro exemplo foi um texto — pequeno por sinal — respondendo uma pergunta de um grupo sobre deficiência, que estava perguntando se havia cadeirante que viajava. Disse no meu perfil, que não gostava de viajar de avião porque não gostava de ficar sem comer ou ir ao banheiro, fico muito chato as raias de ser insuportável. Continuando, disse que não ia na casa dos meus parentes porque não eram casas adaptadas para entrar na minha cadeira de rodas. Pronto. Se montou uma atmosfera entre filosofia barata e relativismo explícito sobre inacessibilidade da cidade. Até mesmo, teve a mistica do degrau que tinhamos que superar. Será mesmo que há a mistica do degrau quando o dono da padaria não acessibiliza a padaria? Chegaram a dizer que meus parentes me amavam. Não duvido que eles me amam, mas, a questão é acessibilizar ou não acessibilizar sua própria casa para receber um cadeirante. A ética não pode ser seletiva, porque ou ela abrange tudo, ou aquilo não precisa ser seguido. A ética sempre informa o quanto estamos ou não, relaxados e relapsos a sociedade.
Outro exemplo foi um vídeo. Uma mulher queria saber da sua mãe biológica e entrou em contato e foi ver a mãe biologica, sendo que a mãe que pariu ela dizia no vídeo que não queria nenhum contato, não queria nada da sua filha que deu para a outra. Comentei que a mulher (a mãe que deu a filha) já tinha dito que não queria nada no contato no telefone, por que a filha foi lá? Terminei meu comentário dizendo que pai e mãe é quem cuida, o resto é só ideias românticas baratas. Ora, todos que estudam história sabem que esse amor filial romântico veio muito recentemente, que antigamente as pessoas não se importavam muito com a morte do seu filho (claro, que as vezes, tinham pessoas sensíveis que sentiam sim). A questão sempre vai girar no relativismo da ética de hoje, que escolhe a quem exigir. Por outro lado, a escravidão do dever kantiano faz as pessoas pensarem que a mulher deve amar sua filha e deveria aceitar ela de qualquer jeito (chega a ridículo de rogar pragas e até ter a arrogância de achar que manda nas decisões de Deus), mas, cada um ama aquilo que se tem empatia. Como disse um escritor (não me lembro quem) tudo que amamos, amamos sozinhos.

sábado, dezembro 28, 2019

Sanctus Dominus — quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov





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As questões ideológicas e religiosas sempre foram muito mais complexas do que o senso comum sequer imagina. E quando a ideologia começa a se misturar com a religião, num português bem claro, só dará merda sempre. O ataque a sede do grupo de humor Porta dos Fundos mostra o quanto a juventude está perdida e sem rumo nenhum, porque você se apresentar como um fascista, mas discursar como um marxista raiz, é de uma imaturidade gigante. A questão é: qual moral devemos seguir sem ao menos, questionar a sua origem? Veja, não devemos confundir questionar com falar mal ou ser contra aquilo, apenas questionar se aquilo é realmente verdade ou mentira, se aquilo levara o ser humano ao conhecer a si mesmo ou apenas, é mais um discurso para dominar a massa. No limiar de tudo, todos esses deveres são marketing para assegurar a predominância de um discurso qualquer.
No caso da representação do Jesus gay do Porta dos Fundos, sempre constatamos que Jesus teve uma imagem mistica muito bem construída nesses dois mil anos de história do cristianismo. Talvez, essa construção da imagem dele enquanto ser que é a incorporação de Deus no mundo — como se Deus devesse se apropriar de um corpo para se fazer presente — seja um discurso sagrado dos milagres que ele teria feito, que lógico, fez dele uma figura mistica. Ora, o budismo (digo o budismo mesmo) não vê Buda como um deus e nem o Islã vê Maomé como deus, porque Deus seria algo muito maior e muito mais longe do que possamos definir em um ser só. Ai entra o romanismo dentro do cristianismo, pois, se algo deve ser adorado, esse algo deve ser transfigurado em uma imagem. Mesmo que várias pessoas tenham múltiplas explicações para isso, o cristianismo não difere dos cultos a deuses da antiguidade e talvez, sincronizou no culto de um homem crucificado, acusado de se titular rei de Israel e blasfemar contra o culto tanto de Roma, como dos judeus. Ou seja, apontou a hipocrisia dos sinédrios da época, em achar que o Templo de Salomão era algum tipo de comércio, que ao passar do tempo, todos ficam como comércio. Isso não quer dizer que eu ache que Jesus não existiu, as ordens morais que ele disse — se disse mesmo — são importantes para uma vida equilibrada e com sentido em ser. Afinal, quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov?
Segundo o novo testamento, Jesus participava de várias festas e comemorações, mostrando que ele era uma pessoa alegre e festiva. Ora, vamos ser sinceros com a fé cristã, mesmo que ele for Deus, ele iria se importar do que um bando de comediante diz dele? Mesmo se ele fosse homossexual, será que sua mensagem mudaria por isso? Claro que não. Racionalmente, podemos dizer que homens no tempo de Jesus (segundo a lei judaica) homens co 30 anos de idade, teriam de ser casados e, pelo grau de cultura que Jesus demonstra, talvez, ele teria que estudar no templo. Vários estudiosos já trabalham com a ideia que Jesus e José era escribas do templo, assim, poderiam circular no mesmo livremente. O que nos remete que Jesus deve ter sido casado — como Buda, Maomé ou Moisés e isso não invalidaria suas mensagens — isso reforça a hipótese, que Maria de Magdala teria sido esposa e discípula de Jesus. Porém, nos resta uma dúvida importante: por que o império romano como todo aquele poder acabando, ter aceitado cultuar um culto de um homem crucificado?
A cruz é um símbolo religioso muito antes da crucificação de Jesus, mesmo em Roma. Aliás, há um erro corriqueiro, que atribui festas incorporadas na religião cristã como deus antigos vindos de fora, mas, o que vimos e o que dizem vários pesquisadores, é que tudo ou a maioria que existe no cristianismo veio dos romanos. Todo o cristianismo é romano. Isso não resta dúvida, quando olhamos os anjos das igrejas e eles estão vestidos como centuriões romanos. Há muitas características que mostram todo o império romano na igreja romana cristã, além, claro, das filosofias gregas influenciando alguns pontos teológicos disso tudo. Muito pouco restou das falas e dos ensinamentos de Jesus, portanto, a figura mistica sempre dominou o que realmente o cristianismo deveria pregar como ensinamento do seu mestre. Portanto, o cristianismo não é o mesmo de seguidor de Jesus.
Ora, afinal, será mesmo que foi Jesus o ofendido ou o cristão se ofendeu? Será que a ofensa é a imagem que se construiu dentro do fanatismo? Tudo isso que eu escrevi não quer dizer que a mensagem de Jesus não seja importante, mas, que tenhamos sempre um filtro daquilo que é, verdadeiramente, sua mensagem e aquilo que não, não é sua mensagem.

quinta-feira, dezembro 19, 2019

#BrasilReal : fábrica de falar merda chamada Brasil



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“Um dos traços mais notáveis de nossa cultura é que se fale tanta merda.”

(Sobre Falar Merda, Harry Frankfurt)




O que é falar merda? Todos dizem que falar merda é dizer alguma coisa como uma asneira, mas, não é bem assim. Eu entendo que falar merda é falar aquilo que se acha que sabe, porém, não sabe e se pensa ainda saber. E isso não é um problema de agora — no século vinte e um — ele é um problema desde muitos milênios, quando o poder começa a falar merda para dominar e deixar o povo ignorante para falar muito mais merda ainda. Por que? Seria bastante interessante se ter a população na ignorância, para governar e ficar falando aquilo que não sabe. Como Sócrates detectou, que as pessoas achavam que estavam falando coisas que tinham sentido, mas, não tinha a menor lógica você acreditar naquilo. Sócrates percebeu que as pessoas não eram boas de verdade e indo mais além, as pessoas nem sabiam o que era bondade de verdade e só falavam merda.
Platão, que continuou de certa forma, o legado socrático, chegou a conclusão que opinião não é conhecimento. Falar merda não era sinônimo de conhecer alguma coisa, mesmo o porquê, quem fala merda não sabe nem a origem daquilo que está falando. Afinal, Platão viu seu mestre Sócrates sendo morto porque um poeta — se pagaram ele ou não, não interessa — começou a falar merda do filósofo e o povo, que deu razão ao poeta, deram razão a merda falada. Platão chegou a conclusão, que toda aquela merda que o poeta disse que o povo sempre acha que é verdade, são produto de uma essência que chamamos de verdade (arethe), mas, de meras ilusões que as pessoas acreditam e a merda é construída a partir de um chorume maior. Mesmo o porquê, sabemos que a instrução verdadeira não acontece em escolas públicas, mas, por conta própria. Tudo que aprendi ao longo da minha vida, não foi numa escola, foi em livros e pesquisas na internet. Que aliás, existem várias merdas que, por via de muitas dúvidas, devem ser pesquisadas as fontes.
Por que ninguém pesquisa a fonte? Porque a maioria das pessoas continuam ainda achando que sabem, pois, é muito mais cômodo achar verdades que foram prontas para seu conceitos. Nos desiludimos com certo politico, por exemplo, outros teóricos começam a falar merda colocando ideologias que não são dele, não fazem parte nem da ideologia partidária que defende. Mas, para a maioria, aquela verdade é confortável. Como se você fosse um fedelhinho e está confortável em um cobertor sendo acariciado pela mamãe que irá te proteger, mas, a vida não é aquele edredom cheiroso e quentinho, a vida é cobertor velho cheirando bosta das diarreias mentais que a maioria tem. A maioria acha que esse cheiro de bosta é culpa do outro, o outro quer te colocar nesse cobertor cheirando bosta. Mas, você cagou sua vida e não quer assumir. Você acha que sua vida é um talco cheiroso, mas, a sua vida é cheia de maria-fedida (bisorinho que deveria ser o nosso símbolo). A maria-fedida sempre entra no meu quarto e deixa cheiros horrorosos, do mesmo modo, quando entre uma ideia dentro de uma cabeça vazia.
Não estou dizendo que as pessoas não sabem de nada, mesmo o porquê, a capacidade cerebral de todo mundo — pelo menos, a parte racional — é igual. Como Platão disse, uma mera opinião é uma ideia muito rasa daquilo que se acha que sabe, mas, não sabe. Saber é você ler sobre, estudar sobre o assunto, e depois saber o que argumentar. Na verdade, a maioria das pessoas estão em um mundo ilusório e que pensar ser realidade, mas, estão numa ilusão, uma caverna que só existem sombras. Afinal, o que a realidade? Realidade é você estudar 20 anos e aprender o que os outros querem? Realidade é trabalhar para os outros sem questionar? O que é a realidade?



quinta-feira, dezembro 05, 2019

Olavo de Carvalho não entende de rock e muito menos, de heavy metal


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“Se o rock é ilegal, me enfiem na prisão!”
(Kurt Cobain)



Há dois problemas no Brasil: um é a educação escolar e a outro é a cultura. Somos um povo que não temos o hábito de conversar com os filhos certos assuntos, não temos o hábito de incentivar as crianças a lerem, não temos o hábito de cobrar dos nossos políticos em dar para nossas crianças uma educação de qualidade. Educação de qualidade — a escolar que vai fazer a criança ser cidadão — não é só ensinar os jovens a ser um bom profissional, pois uma universidade de verdade, faria todo esse serviço. Mas, ser um cidadão que amasse seu país de verdade e não ficasse indignado, só porque o dinheiro acabou. Votar em pessoas que, realmente, tenham um pingo de vontade politica e essa vontade politica, não tem nada a ver com a esquerda ou a direita. A esquerda cuida do social, a direita cuida da infraestrutura de um país. Mas, o que dizer de uma agenda moral? Como um governo, preocupado com uma moralidade conservadora, pode se meter na vida do cidadão de uma nação?
Daí, entramos em um outro problema que o Brasil tem. Que cultura podemos definir como brasileira? Esse é um problema com 200 anos no mínimo, pois, nem ao menos nós, conseguimos definir uma cultura para chamar de nossa. Eu, particularmente, acho que a nossa verdadeira cultura é aquilo que procuramos gostar e aquilo que tem como identidade nacional. Definir o samba, talvez, fosse interessante, assim como, o sertanejo raiz. Por outro lado, tem o paradoxo do conservador, pois, se não podemos definir uma cultura nossa como identidade nacional, vamos conservar o que? O catolicismo é italiano (nascido no antigo império romano), o protestantismo é alemão (porque Lutero era alemão), fora que o nosso império sempre foi português com variações entre a Áustria e a França. Então, quais valores temos que conservar, se todos eles são importados pelos nossos antepassados? Fora, que o cristianismo é uma variação do judaísmo e veio do oriente médio.
Não vou falar que não gosto de alguns cantores da MPB (música popular brasileira), mas, eu ouço na maior parte do tempo, rock e metal, porque é o gênero que ajuda a ter uma válvula de escape. Não tem nada a ver de ter ou não revolta e só bandas americanas, mesmo o porquê, as maiorias das bandas que eu ouço são europeias. Então, acho a crítica do Olavo de Carvalho dentro de um aspecto — veja que em todos as postagens dele sobre, são bandas americanas, ou seja, ele nem sabe as verdadeiras nacionalidades — limitado, fica difícil definir o que é que ele está falando. Porque, quem lê sobre o assunto e quem sabe várias biografias de bandas, vai saber, que o cenário do heavy metal é um cenário, em sua maioria, europeu. As únicas mandas clássicas do metal conhecidas americanas, são o Kiss, W.A.S.P, Twisted Sister, Metallica, Megadeth e Slayer. As outras bandas, são entre o cenário inglês e o alemão. Não tem metal só americano, que aliás, o Olavo não sabe, mas, o americano não gosta muito do metal tradicional, ele mistura.
Também o Olavo de Carvalho vai ter se atualizar, pois, do metal que era satânico (como forma de rebeldia) mudou para, muitas bandas, regravarem ou fazerem músicas clássicas. Por exemplo, a banda espanhola Dark Moor, regravou várias músicas clássicas e fizeram letras a partir dessas músicas. Assim como, existem outras bandas que também gravaram outras musicas clássicas, como medievais do cancioneiro folclórico. Como assim o metal emburrece o ser humano como diz Olavo de Carvalho? Aliás, existe até uma banda sueca, o Sabaton, que gravou uma música em homenagem aos pracinhas brasileiros que lutaram na segunda guerra mundial. Se existem banda de heavy metal que ensinam história, que mostram música clássica erudita e mostra canções folclóricas medievais, como esse gênero emburrece? Aliás, se a Dark Moor gravou a musica de Amadeus Mozart, Die Irae, que é uma letra religiosa, como é um gênero satânico? Como inúmeros grupos.
Essa enxurrada de mentecaptos no governo — principalmente, na área de cultura — vai ser sempre culpa da religiosidade exagerada que no Brasil temos. Um outro problema, que o ideólogo do governo esqueceu completamente, que a esquerda (principalmente, a comunista) não gosta de rock, tanto que fizeram um movimento contra a guitarra elétrica. A esquerda mais radica (raiz mesmo), diz que o rock é uma musica burguesa que só traz a inverdade e que não há nada de inteligente no gênero, portanto, somos considerados reacionários (como alguns metaleiros são mesmo). Acho, sinceramente, que Olavo de Carvalho deveria, seriamente, pesquisar outras fontes ou parar de ler paranoias na internet que não condiz a realidade. Portanto, sou um terrabolista, roqueiro, metaleiro e satânico.

sexta-feira, junho 14, 2019

#BrasilReal: A farra do Transporte Acessível aqui em São Paulo


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Amauri Nolasco Sanches Junior
 
Segundo o site da prefeitura da capital paulista, o Censo do IBGE de 2010, constatou que existem 810.010 pessoas com deficiência. Nacionalmente, no mesmo censo, há 15.750.969 de pessoas com deficiência e como tal, não há tantos tratamentos e muitos de nós, não tem nenhum tratamento. As mulheres com deficiência são tratadas como objetos – como mulher já são tratadas, imagina com alguma deficiência – e vira e mexe, podemos ler em algumas manchetes (uma notinha bem pequena na imprensa hipócrita), que muitas delas são estupradas, ou assediadas. Porém, existem pessoas com deficiência que são trancafiadas dentro de casa por não ter acessibilidade, não ter transportes e não ter como se locomover numa cidade como São Paulo. Imagina no interior. 
 
Segundo a empresa que gerencia o transporte na cidade de São Paulo, são liberadas duzentas, mais ou menos, vans do serviço ATENDE+ para eventos de finais de semana. O serviço oferece ao usuario – que geralmente, não consegue transitar na rua – vans adaptadas para o transporte que busca e leva porta em porta. Porém, desde quando o prefeito do PT Fernando Haddad (com o Kassab o serviço ainda obedecia à prefeitura), as vans estão sucateadas e o prefeito eleto João Dória não deu jeito. A frota, pelo que sei, está prevista a renovação apenas quando elas fizerem 10 anos. As pessoas com deficiência fisica trocam de cadeira de rodas a cada 5 anos, porque eles trocam de van a cada 10 anos. E todo o dinheiro que a prefeitura paga para as empresas? A última vez que vi era apenas 14 mil cada van. 400 vans em uso dá uma quantia boa. 
 
Mas para entender a farra do transporte publico acessível em São Paulo, temos que entender que existem três modalidades dentro do serviço. O serviço normal (semana), que leva as pessoas com deficiência para o trabalho, escola, centros de reabilitação e também, levam pessoas que fazem hemodiálise nos hospitais (quando os rins param). Também levam pessoas com transtorno de autismo (tanto no centro de reabilitação, quando nas escolas). Outra modalidade – se tem ainda – é a modalidade de eventual, mas, essa modalidade são pagos taxis, para levarem as pessoas com deficiência uma vez por mês a uma consulta eventual (por isso, chama eventuais). E, logo após o normal, a modalidade que tem o maior uso de vans os eventos. Na verdade, os eventos foram criado para suprir o transporte de pessoas com deficiência que participam de entidades (como a AACD), ONGs e movimentos. Não vou explicar a diferença para o texto não ficar muito longo. Mas, tudo é pago pelo contribuindo. 
 
Dentro da modalidade Eventos se tem dez dias para mandar uma ficha (o coordenador da entidade, ONG ou movimento), marcar o local do evento, horário e o endereço de onde o evento vai ser realizado. Essa modalidade também é usado pelo Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiencia e Mobilidade Reduzida para suas reuniões e para passeios. Só que misteriosamente, alguns eventos contem vans novas, outros não contem. Alguns tem mais vans e outro, menos. Por exemplo, a AACD (a mesma entidade que recebe milhões de doações), pede a cada evento, 17 vans aproximadamente. Existem movimentos que não conseguem. Quando é o evento do Teleton todas vans – novas, de preferencia – vão para ele e nós, ficamos sem os nossos eventos. 
 
Não para por ai. Quando existe a F1 também o ATENDE+ só desloca van para lá e os outros usuários ficam sem nenhum transporte. Mas, podemos ver que políticos ligados ao partido do agora prefeito, Bruno Covas (PSDB), a senadora e na época era deputada, Mara Gabrilli, gostou em dar uma voltinha no ATENDE+ (que nome ridículo, heim Dória?) na Copa de 2014 (que foi a farra do PT). Enquanto, vários usuários não puderam estudar, trabalhar e nada graças ao gerente cabide de emprego do Jaiminho (Haddad), que não é o mesmo que hoje. Temos um gerente bom, mas, a centralização ficou a cargo da SPTrans. 
 
Não para por ai. Segundo a própria SPTrans será liberada 78 vans (claro que são novas) para a Copa América que vai acontecer no Morumbi. Até ai, já acontece no Teleton não falam nada, acontece na F1 e não acontece nada, mas, o jogo de futebol vai acontecer de semana. Segundo a regra dos Eventos nenhum evento é feito em dias de semana, mesmo o porquê. existem pessoas que não podem faltar nenhum dia. Então, porque vai ser deslocado 78 vans para um bando de torcedor cadeirante – que poderia ir de ônibus – sendo que a própria regra do ATENDE+ Eventos, não pode acontecer nenhum evento de semana? É a isonomia? Eu, por exemplo, mandei uma ficha para o dia 20 de junho e não aceitaram, porque errei o dia. Nunca entendi porque tem que ser dez dias. Uma das explicações que deram é a revisão das vans, porém, não há revisão nenhuma. 
 
A prefeitura paga um montante inteiro tanto do combustível dos ônibus a a manutenção e o combustível e a manutenção das vans. Mas, nós sabemos, que é muito mais barato peça usada. Só não colocam peças usadas, quando denunciamos para a gerencia, que poucas vezes fazemos, por não perceber. Muitas vezes, existem a borracha da portas soltas e chegou a cair gente do elevador da van, e muito pior, existem motoristas que a gente tem que ensinar. Como assim? Como eu tenho que ensinar o motorista a amarrar uma cadeira de rodas? Nós cadeirantes, temos esse tipo de serviço e todos nós pagamos. Pagamos para o Teleton usar e você não. 78 vans serem deslocadas para futebol – se 14 mil são pagos por cada uma, imagina quanto o contribuinte paga para neguinho assistir futebol – e usuarios esperando para serem atendidos. Nós andamos com vans velhas, eles andam com vans novas. Esse é o Brasil que não quero.

Fontes: http://www.sptrans.com.br/noticias/sptrans-implanta-linhas-especiais-com-vans-do-atende-para-os-jogos-da-copa-america/

e: http://www.sptrans.com.br/noticias/sptrans-ira-disponibilizar-228-vans-do-atende-para-eventos-neste-final-de-semana/

terça-feira, junho 04, 2019

Quem disse que Neymar Jr é jogador? - aqui está falando o coaching do fracasso









“Derrubar ídolos - isso sim, já faz parte do meu ofício.”
― Friedrich Nietzsche

Amauri Nolasco Sanches Junior

Eu nunca fui fã de futebol e estou pouco me fodendo para qualquer campeonato do mundo inteiro. Quem liga se o Corinthians ganhou ou não? Ou que o Palmeiras ganhou ou perdeu pontos? Detesto quando estou escrevendo, vem um bando de debeis mentais soltarem rojões – como se aquilo fosse fogos – na nossa orelha comemorando o jogador ganhar dinheiro. Também, dês do Santos, nunca achei que o Neymar fosse um jogador excepcional do tipo de Pelé ou de um Mané Garrincha (que eu acho melhor que o Pelé).

Mas, como ele só é um produto da mídia, quero falar da cultura do “machinho” que é muito difundida aqui no Brasil. Primeiro, somos uma cultura em que predomina uma visão cristã, uma visão que os fracassados serão acolhidos pelo Senhor para serem feliz no paraíso. Só para começar, isso não existe, o que existe são fracassados que estão vivos – que não conseguem ler um livro sequer – e existem fracassados mortos que serão espíritos fracassados (você pode acreditar ou não, mas, vai continuar um espírito fracassado). O fracassado é o espírito decadente que renega a vida para projetar uma coisa que pode ou não acontecer, porque o agora ele não é nada. Aliás, o macho alfa, na verdade, é um fracassado que acha que pega todas e tem uma “puta” frustração da sexualidade dele. Deveria ser de boa e arranjar alguém e sossegar o facho. Mesmo o porquê. a traição dá muito trabalho.

A minha questão é muito mais dessa discussão de rede social que leva ao escarnio burro e a miséria intelectual – além de transformar redes sociais como o Twitter uma parece de banheiro publico – que se agarrou na nossa cultura. O que aprendemos com o caso do Neymar Jr? Para começar, ele é um produto de um pai que não deu certo. Em algum momento, alguém ouviu falar no pai do Neymar? Não. No mesmo modo, existem vários pais que queriam ser médico e não conseguindo ser, projeta o filho a ser médico. Vai ser um médico fracassado e pode matar várias pessoas. Assim, com existem pais que nunca tiveram a coragem de ser engenheiro civil, projetam no filho um engenheiros. Prédios caem.

Depois, temos uma cultura do poder, ou seja, quem tem dinheiro ou fama, acaba sendo um mito. Na verdade, o jogador Neymar Jr – não só ele como todo jogador ou ídolo – é um produto de marketing para vender um herói que não existe. Como eu disse, o Neymar não é um excelente jogador (nem ruim), teve só uma propaganda boa. Mas, também, tem o mesmo vicio de qualquer jogador ou ídolo qualquer, se achar o “fodão”. Ele tem que saber que as mulheres vão se aproximar por causa da grana e ainda mais, na nossa cultura, que o poder e a fama é uma “vantagem”. Temos a cultura da vaidade (que seria um pecado, já que vaidade é um pecado capital). O rei Salomão – se foi ele mesmo – escreveu, no Eclesiastes, que tudo é vaidade. Por quê? O ser humano é um animal social, como animal social, é sucessível a sempre ter um status acima do outro por se impor ao outro. Muitos dizem que é culpa da ideologia capitalista, mas, não é.

O comportamento de ter muitas coisas (território) e ter várias fêmeas (mulheres), pode ser vistos com frequência no comportamento dos nossos primos biológicos, chipanzés. O interessante é que quando você tem muito mais estudo e tem muito maia visão crítica, essa necessidade vai ficando cada vez menor e a visão de ter menos e com qualidade, vai ficando cada vez mais frequente. Um homem com estudo sabe que deve ter menos coisas – quanto mais você tem, você gasta mais – e você deve ter uma única mulher e ficar de boa. Se você tiver uma mansão, por exemplo, você vai pagar mais IPTU, mais contas, mais empregados e etc. Se tiver um carro caro, a manutenção vai ser muito mais cara. Uma mulher você cresce com ela, ama só ela, você se dedica a ela. Traição é um erro, não no sentido só ético, mas, no sentido muito mais barato e prático ser fiel. Você tem que esconder. Você tem que vigiar toda hora o celular. Você tem que mentir e bancar a mentira. Pagar para manter outra família escondida. A questão vai além da moral.

Portanto, hoje com o advento da internet, temos ídolos de areia que só no chute, são desfarelados.


sexta-feira, maio 31, 2019

Estudos informam: autistas são tratados com água sanitária e mulheres com deficiência estão sendo esterilizadas


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O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo.
(Friedrich Nietzsche)

Amauri Nolasco Sanches Junior

Não basta ter pessoas que dão cloro para crianças autistas iludidos por canalhas (que querem ganhar dinheiro em cima da dor alheira), mas, tem que mutilar e arrancar das mulheres com deficiência, seus úteros. No último dia 27 de maio, o blog Vencer Limites – escrito por Luiz Alexandre Souza Ventura – que faz uma denúncia, que mulheres com deficiência são obrigadas a fazerem abordo (crime no Brasil, ainda). A Psicóloga e integrante do Conselho Nacional de Saúde e do coletivo feminista Helen Keller de mulheres com deficiência, Vitoria Bernardes, disse ao blog, que a mulher permanece ainda, na invisibilidade, o que impede de construir mais politicas publicas muito mais abrangentes e com a participação efetiva para determinar com elas vão funcionar. Na ultima terça-feira, dia 28 de maio (2019), foi celebrada o Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.

No evento, Vitória disse que o corpo da mulher com deficiência não é entendido como fosse capaz para reprodução. Mesmo o porquê, a Vitória ficou tetraplégica após sofrer uma lesão medular, por isso mesmo, ela pode entender o que acontece com a mulher com deficiência. Ela disse que não concorda que a função da mulher com deficiência seja restrita só na maternidade, mas mesmo quando a gravidez não traz nenhum risco a mulher com deficiência, é comum o médico indicar um aborto, porque o corpo da mulher com deficiência e suas limitações não são aptos a cuidar de uma vida (no caso, do bebe). Não é só isso, segundo ela, há uma politica de esterilização das mulheres com deficiência e até laqueadura sem o consentimento da mulher. Mas, o corpo é da própria mulher com deficiência.

Eu sou um grande defensor que o corpo de cada pessoa é uma propriedade da pessoa, e não é porque ela tem alguma deficiência, que esse corpo não é seu. Muito pelo contrario, acho que muitos familiares protegem demais as pessoas com deficiência e eles se acham confortáveis dentro desse mundo encantado, um tipo de “deficientelandia” que é um mundo dos sonhos. Pessoas com deficiência não lê. Não sabem escrever direito. Não sabem pesquisar no Google. Não querem ler um livro. Não procurar coisas que vão somar na sua vida. Se não fazem nada por eles, se não fazem nada para evoluírem, porque raios querem namorar e fazer sexo? Por que as pessoas primeiramente, procuram os direitos que lhe cabem – os deveres estão embutidos – depois cobram dos outros o que deve ser cobrado? Se você não tem um amor-próprio, não terá ninguém que vai fazer isso por você.

Por outro lado, não podemos esquecer que estamos num país construído por uma cultura medieval (absolutista e católica cristã) e que, não s moderniza por causa de um momento atravancado e que não há modernização. Lá fora, as pessoas com deficiência vivem como outras pessoas, arranjando empregos em agências, arranjando namoradas em agências de encontro, e enfim, tem uma vida como todo mundo tem. Isso se chama, modernidade. Acontece, que temos uma cultura do século dezenove e não quer mais sair dessa cultura, não que sair da monarquia, não quer sair da limitação de um pensamento atrasado. Nós, pessoas com deficiência, somos tratados como eramos tratados na antiguidade – mortos em Esparta ou largados ao relento para animais nos comer – ou tratados como na Idade Media, onde eramos internados em casas de caridade por causa da “benevolência” cristã.

Mas, a modernidade também – com sua ciência – nos taxou de loucos, taxou de pessoas que não tinham utilidade nenhuma. No século passado – o século vinte – com os regimes totalitários de direita (nazismo e fascismo) e os regimes totalitários de esquerda (o socialismo bolchevique), eramos mortos como seres inúteis dentro da sociedade de produção. Não muito diferente do capitalismo, que reluta em ainda, nos contratar e nos dar uma chance. As leis de cotas para as minorias – principalmente, para as pessoas com deficiência – são a resposta de mostrar que podemos trabalhar como outras pessoas quaisquer. Porém, vimos uma visão capacitista de uma sociedade que ainda vê as pessoas com deficiência como pessoas que não temos capacidade, não temos competência, somos dependentes de uma visão de ficarmos nas entidades.

Ainda impera a visão capacitista do assistencialismo do Teleton, uma visão de sofrimento (assim como pensava Adolf Hitler que até chorou ao assinar o decreto de eliminação das pessoas com deficiência), um visão de tratar as pessoas com deficiência como qualquer coisa. Somos humano e não abrimos mão disso.