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sábado, março 07, 2020

A Birrinha opositora




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Um pensamento que acabo de ler do Instagram do Leandro Karnal, é que o rebanho odeia aquele que pensa diferente, não por causa da sua opinião, mas, a audácia de querer pensar por si mesmo, coisa que eles não sabem fazer. Exato. Foi assim com Sócrates, Jesus e outros, que ousaram pensar diferente da massa, morreram. Mas, esse ódio não é qualquer ódio, o ódio da grande massa por ousar pensar diferente, sempre é, um ódio da liberdade que aquele goza por não depender de uma aceitação social. A questão é: eu quero ser eu mesmo ou uso uma mascara social para agradar a sociedade? Sócrates foi ele mesmo, teve uma boa morte sem fugir do seu destino. Assim como Jesus, acreditou fortemente, que tudo que dizia era verdade, aceitou o que estava reservado para ele. Tanto Jesus, como Sócrates, talvez, não sabiam de suas mortes, mas, aceitaram seu destino (aqui quero dizer no sentido como as coisas se transcorreram) porque acreditaram em si mesmo e não queriam aceitação de ninguém. Eles negaram toda a opinião da maioria para pensarem por si mesmo.

A questão não é querer o melhor para o Brasil, a questão é quem tem razão nessa história toda. Não interessa se são os lulopetistas, ou os liberais, ou os bolsonaristas-olavettes, os integralistas (que podemos colocar como vaporwaves), a questão sempre parte do princípio, mas ter razão que está certo. A razão começa com os gregos na filosofia (com os naturalistas) com o termo “logos” – que erradamente, se traduziu como palavra graças ao evangelho de João (tem forte influência gnóstica), mas, palavra em grego é lexós – porque a razão dentro da filosofia, tem a ver com um pensamento logico (por isso o termo logos). Ou seja, a questão logica de um pensamento esta acima do sentimentalismo, que só é importante, na questão do relacionamento do outro, já que somos animais gregários. Então, a razão seria um raciocínio que fizesse sentido para quem está explicando e para quem está ouvindo ou lendo. Um algoritmo tem que ter linhas lógicas para que o computador poder ler e executar a tarefa, assim como, as pessoas devem sempre fazer as coisas de ordem lógica para não errarem. Se expressar ou pensar, tem a mesma lógica. No caso do computador, existem a questão dos números binários (0,1) e suas combinações são uma tarefa especifica. A questão é: será a nossa lógica tem a ver com o binarismo da razão? Porque, numa escolha, um computador tem duas opções, mas, nossa consciência tem um número infinito de possibilidades.

Acho, que de alguma forma, os existencialistas (principalmente Sartre), tenha razão de dizer que somos livres para construir aquilo que somos como quisermos e por isso, somos condenados a ser livres. Somos livres para acreditar ou não, nas bravatas dos políticos. Somos livres para escolher nossa religião ou a cor do carro (no meu caso, da minha cadeira de rodas). Mas, antes mesmo de acreditar nessas coisas, temos que filtrar com a duvida outras, negando aquilo que todos acreditam cegamente. Por outro lado, temos que ter cuidado em não confundir ser cético e ser negacionista. O cético duvida numa maneira lógica (ou usando a razão [lógos]), já o negacionista só nega a favor de sua própria crença. A essência do ceticismo é a máxima cartesiana que é “penso, logo existo”, ou seja, posso duvidar a existência de qualquer objeto ou pessoa, mas, eu não posso duvidar da minha própria existência. Não é que temos que duvidar de tudo – mesmo o porquê, se você se jogar em um viaduto vai se estatelar lá em baixo no asfalto. A questão cética não é negar a religião, por exemplo, mas, o porque eu devo acreditar em tal religião. Ai, vários “porquês” aparecem ao longo do processo ate chegar na essência do fato e aí que está a questão existencialista, pois, a construção do ser acontece graças a esses vários “porquês”. A liberdade só acontece a partir da consciência do observado e o objeto observado, sendo total entendido o objetivo do objeto dentro da realidade da consciência que observa. Por isso mesmo, não importa o que fazem com você, mas, o que você mesmo faz o que fazem com você.

Indo adiante, podemos ver que existe o objeto observado que podemos interagir com ele e não podemos interagir com ele. Uma criança não podendo interagir com o objeto da sua vontade (ou porque o pai não compra ou porque a mãe não cede essa vontade), ela começa a chorar e se espernear como se fosse “morrer” se não tiver o objeto do seu desejo. A teimosia de querer tanto esse objeto ao ponto de chorar desse jeito chamamos de “birra”, que como costumava acontecer, deixamos de ter quando ficamos adultos. Acontece, que a nossa sociedade aqui no Brasil, por falta de uma maturidade educacional, ainda fica com “birra”. Se você não concorda com seu politico favorito (que chamamos de minions), ou sua ideologia política, ou sua religião, ele começa a querer ter razão. Para a criança, o objeto de desejo é a vida e querer algo é construir a sua realidade, ela pensa que a realidade dela, é igual dos desenhos ou dos ídolos que ela tenha. Exato. Todo o problema do fanatismo é criar ídolos e nos apegamos a esses ídolos, para criar políticas utópicas, religiões utópicas, ideologias utópicas e se fica nessas utopias. Mas, a realidade é muito além de um ídolo, porque o ídolo é uma construção de outra pessoa com a própria visão dentro dos seus próprios valores.

Quem me lê e quem me conhece sabe, que nesse ponto eu sou nietzschiano e destruir todos os ídolos para, exatamente, aparecer os porquês. Ai você pode questionar: o porque devo seguir tal religião?  O porque deve concordar com tal ideologia? O porque deve seguir tal pensamento? Ser cético é duvidar, ate mesmo, daquilo que achamos ser verdade e não existe verdades absolutas e sim, verdades relativas dentro dos próprios valores. Essas variações podem pautar escolhas e as escolhas não podem ser pautadas dentro do sentimentalismo, ou o pensamento idolatra social.


Amauri Nolasco Sanches Junior

quinta-feira, fevereiro 20, 2020

A brincadeira de rasteirinha: muito mimo e pouca educação




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”O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Immanuel Kant

Data feita, eu fiz uma reflexão com meu Facebook por causa de um fato que envolvia minha sobrinha – que tem autismo – e que vai numa escola regular sem ser especial. Porque minha irmã disse que ela não chora, fica na escola sem a mãe e as outras crianças começam a fazer birra, chorar e querer a mãe. Logico, como vimos no mundo de hoje, as mães criam seus filhos como se fossem reis ou rainhas, e que é muito pior, dão a eles o poder que não devem ter. por que? Quando atingem os pais, eu acho que é a lei do retorno, ou seja, você investiu para seu filho ser assim. O problema é quando ele acha que toda a sociedade tem que lhe servir, começam a fazer coisas que não devem, começam a dizer coisas e fazer coisas que tinham do seu conceito distorcido. A questão é: se o conceito de educação é mostrar a realidade, estamos mostrando a realidade aos jovens ou estamos mostrando uma realidade idealizada?

Tenho meus 43 anos e vi a degeneração da cultura gradualmente, com a mídia que queria ou quer, impor tendências. Nunca achei importante seguir uma tendência, nem mesmo, quando eu era adolescente. Quando todos gostavam de lambada – que aliás, a degeneração cultural começa muito antes com o conjunto porto-riquenho Menudo – eu começava a ouvir Guns N' Roses e gostava de rock. Nunca gostei de seguir nenhuma tendência. Por que? Sempre achei que as tendências eram limitadoras porque elas simplificavam uma ideia e depois massificava como se fosse verdade, como se todo mundo gostasse de tal estilo musical. Mas, a tendência também tem a ver com a ideologia e a religiosidade, que limita do mesmo modo. Se você é comunista não vai ver pontos positivos no liberalismo, assim como um liberal, não vai ver pontos positivos dentro do comunismo. Quem é evangélico, nunca vai ver pontos positivos no espiritismo, muito embora, a maioria dos espiritas vem o espiritismo como um espirito consolador que não vê pontos positivos nas religiões cristãs. Tanto nas ideologias tem pontos positivos, como na religiosidade. As ideologias políticas e as religiões, são apenas um meio para um fim, ou seja, acabam sem apenas um instrumento a chegar num resultado final.  O bem da humanidade e o encontro do divino.

Só que tendência é um modo de alienação, porque para o povo ser anestesiado, tem que dar um tipo de anestesia. A massificação – isso aconteceu nos períodos do socialismo soviético, do nazismo alemão e no fascismo italiano, fora o fascismo ibérico e o Estado Novo por aqui – se anula o individual (neutralizando o indivíduo) para dominar a grande massa pelo prazer de uma ideia que ela gosta. As imagens agradáveis e a música que traz alegria e não traz a realidade (não, o funk não traz a realidade) dentro de uma massa que sofre a realidade e não aceita ela. É mais alegre e gostoso ouvi uma música que mostra o amor, porque achamos o amor gostoso graças a ideia romântica do amor eterno, do amor que não tem brigas e os dois namoram sempre. É mais prazeroso ouvi uma musica que explora o sexo, porque o sexo dará prazer e sempre deu, mas, não traz as consequências. A gravidez é as menores delas, porém, não pouco preocupante. Quem quer ouvir musicas que mostram a realidade ou que nos fazem refletir? Ou que, pelo menos, não são degradantes para o ser humano?

A tendência sempre vai nos amarrar a uma realidade fictícia. As sombras platônicas que são só projeções de pessoas que estão por traz do fogo, sempre construindo essas sombras. A atitude não é nem sair de botinão (o conhecido coturno), camiseta preta, ou shortinho curto e miniblusa, e sim, vem da quebra das próprias tendências. Aí voltamos aquela pergunta: o que será a realidade? Será que a minha realidade tem a ver com a realidade do outro? Eu gosto, particularmente, do método cartesiano do “penso, logo eu existo” (no livro que tenho da editora Cultura (Os Pensadores) tem esse “eu”). Se eu estou pensando e a partir do meu pensamento eu percebo o teclado do meu computador, primeiro eu não posso duvidar da minha existência porque sou aquilo que eu existo para ter essa percepção. Eu posso duvidar de tudo ao meu redor, mas, não posso me duvidar. Se posso duvidar de tudo, então, eu posso fazer a seguinte pergunta: por que eu tenho que seguir a tendência tal? Se sou contra o sistema, por que eu colaboro com a grande mídia gostando das mesmas bandas que aparecem na mídia?

Dai entra a filosofia do NÃO. A grande maioria segue tendências, porque não gosta de ser excluído. Nosso povo, em sua maioria, não gosta de cara feia. Isso demonstra desprezo com a pessoa dele.  Então, ele tende em gostar o que a maioria gosta para não confrontar, ser aceito e muitas vezes, nem gosta daquilo. Por exemplo, muitos sertanejos que cantam a música da tendência, gostam de rock. Mas, eles descobriram um nicho – porque o pai colocou para cantar essas músicas dês de cedo – e ganham dinheiro nesse nicho. Isso é se trair, ou seja, trair o seu ser para ter, que não é diferente, de se prostituir sexualmente. Única diferença é que você ganha dinheiro cantando o que gostam, assim, alimentando essa massificação. Muitas pessoas adotaram serem ecléticas, mas, ser eclético é não gostar de nada. Mesmo o porquê, se você for analisar bastante fundo, você gostar de tudo é um modo de não desagradar ninguém. Ou seja, você relativiza o gosto ao ponto de classificar a massificação como benéfica, mas, o oposto a democracia é a massificação e o coletivismo que destrói o individuo como uma pessoa autônoma.

A minha filosofia do NÃO ou a tese do individualismo consciente, é, totalmente, cartesiana. Por que? Porque tem a ver com o gosto e a vontade que expressa no seu consciente para pensar e analisar a realidade. Quando dissemos que NÃO queremos um cachorro quente e sim, um hambúrguer, estamos expressando o nosso querer projetando a nossa vontade. Entre rock e axé, eu prefiro rock, pois, há elementos peculiares que me fazem querer ouvir rock ao invés de axé. Porem, o gosto da maioria está além daquilo que chamamos de gosto individual, porque é repetida varias musicas ate o publico aceitar aquilo. Ou porque é mais fácil ouvi aquilo, porque são frases curtas e não requer o esforço do pensar.

A cada NÃO que você diz, você chega à essência de uma só realidade e chegando a essência de uma só realidade, você chega a seus valores éticos e morais. Não estou falando de moralismo, pois, o moralismo é uma imposição de um conceito religioso que acaba sendo uma massificação do mesmo modo. Mas, estou falando da verdadeira moral, que degrada e degenera o ser humano deixando-o menos crítico, para não questionar os políticos, quem detém o poder. Por que será que deixaram as escolas sem investimento? Tentam tirar filosofia e sociologia do currículo escolar? Para os jovens serem menos críticos? E nem estou falando de governo (Bolsonaro), mesmo o porquê, quanto o PT viu que estavam questionando muito seu governo, também tentou tirar. A questão sempre envolve o poder e o senso critico e o senso crítico é o NÃO que demos. Porque a negação da realidade de modo critico, fará sempre um ser humano mais inteligente.

A modinha da brincadeira de rasteirinha só é a massificação e a constatação que os jovens não sabem brincar, pois, acham que a vida é um grande videogame. Mas, não é, porque se você se machucou ou se matou, não tem como reiniciar a vida, ela se foi. Mesmo quem acredita na reencarnação, como eu, sabe que a vida é uma só, foi uma oportunidade de aprendizado que tivemos. Portanto, a cada indivíduo resta analisar aquilo que gosta e aquilo que não gosta.


Amauri Nolasco Sanches junior
Publicidade, técnico de informática e filosofo

quarta-feira, janeiro 08, 2020

Filósofos não podem criticar o PT




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Amauri Nolasco Sanches Junior

Dias desses na rede social do Linkedin, li uma manchete em um site qualquer que um dos membros da rede postou, que o ministro da economia, Paulo Guedes, queria ter acesso à parte de aposentadoria e pensões para pagar o 13º salário da bolsa família. Só comentei que nada diferente do PT e do PSDB, que tiraram de outro lugar o dinheiro para programas sociais. Quantas vezes lemos que o governo tirava da educação ou da saúde para pagar a bolsa família? Quantas vezes lemos e já foi provado, que um dos destinos do dinheiro tirado das estatais eram para esse tipo de programa social? Não estou defendendo o governo Bolsonaro, só estou dizendo que para mim que sempre li jornais, não há novidade nenhuma. O problema é um usuário dizer que comparar o PT com o governo Bolsonaro era uma desonestidade intelectual imensa e era muito pior por eu ser um filósofo. Em um outro momento, a dona da postagem aparece e pergunta em que mundo eu estou. Em um outro momento, disse que não viu nada disso em 38 anos de visão politica.
Lendo isso uma questão me veio na minha cabeça: por eu ser um filósofo e comparar todos os governo de alguma medida, fazem igual? Por eu ser um filósofo, a minha análise é, exatamente, mais ampla e com mais argumentos do que a maioria. Porque o filósofo é um amante da sabedoria e está a procura do objeto do seu amor, como Psique ficou atrás de Eros e nunca lhe encontrou. Cada caminho para achar essa sabedoria é importante, pois, junto com essa sabedoria está a verdade e não é qualquer verdade, e sim, o verdadeiro LOGOS primordial. Então, um filósofo não pode ficar presos em conceitos determinados ou que o senso comum acha ser a verdade (doxa), mas, aquilo que é em essência primordial. Não importa o que está na modinha, não importa se os outros estão dizendo, as análises devem ser analisadas a partir de um ponto além da paixão (o apego aos ídolos), além das análises superficiais. Sempre falo que o filósofo é uma espécie de arqueólogo das ideias, ele não examina a superfície de tudo e sim, vai examinar as camadas mais fundas para encontrar elementos para aquilo ter surgido. Se o filósofo começa a defender uma única posição, ele não é um filósofo e sim, um simples intelectual que só repete do que lê.
Concordo com Nietzsche na questão da verdade e da mentira. Dizia o filósofo alemão, que tanto a verdade e a mentira, são construções que decorrem de uma vida de rebanho e da linguagem que lhe correspondesse. Ou seja, as verdades e as mentiras sempre dependem daquilo que as pessoas acham ser a realidade, os valores que acreditam e levam sempre a uma vida de rebanho e o ser humano acaba sendo escravo de crenças que o alienam a uma verdade maior. Continua dizendo, que o homem de rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho. Assim, a grande maioria tem que seguir o que a maioria segue para ser aceito, ninguém gosta de ser excluído porque nos ensinaram uma realidade que alguns duvidam — aliás, muito poucos vão além das ideologias e as crenças religiosas — e esses, são excluídos da grande massa.
Os filósofos não tem nenhuma visão única que não pode ser mudada, não pode ser repensada ou analisada de forma diferente da maioria. Mesmo o porquê, um ponto de vista é apenas um ponto , mas, existem vários outros pontos de vista que podem também ser colocados. Verdades únicas são sempre perigosas. Verdades únicas construiram tiranos, foi a alienação social da idade media, é a essência de qualquer fanatismo dentro de qualquer sociedade humana. Seja da direita (fascismo e nazismo), seja de esquerda (socialismo/comunista). Por isso mesmo as democracias são democracias, porque existe uma incerteza dentro dela, existem variedades de ideias e posições e sempre o medo dela sofrer uma ruptura. Então, um filósofo dentro da área politica, deve ter bastante cautela cética das análises e sempre jogar outro ponto de vista além que todo mundo fala e expõem e por causa disso, o filósofo incomoda. Incomoda porque sabem que não corresponde a realidade o que dizem ou acreditam saber, mas, insistem porque querem ter razão. Na Grécia, nos tempos clássicos de Sócrates, chamavam ele de “a mosca de Atenas” por ele incomodar como uma mosca que fica nos rodeando. Tanto é, que ele foi condenado por uma condenação tola e vil, só para se livrar de Sócrates e nada adiantou. Seus alunos continuaram seu legado, Atenas caiu na dominação do reino macedônio, e o nome de Sócrates foi legado por toda a história.
A sociedade gosta do “cobertor quentinho” de ser aceito dentro de qualquer manifestação social. Seja virtual ou não, a vaidade impera e não tem como escapar. Como se fossem tribos, os iguais se articulam entre si e compartilham do mesmo pensamento, seja com um ritmo musical especifico, religião específica ou ideologia específica. Mas será mesmo que elas são a visão da verdadeira realidade? É de se pensar e sair da caixinha social.

terça-feira, dezembro 31, 2019

A ética dos covardes canalhas



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Amauri Nolasco Sanches Junior


Havia um post no Linkedin — uma rede social que se diz profissional, mas está cheia de autoajuda vagabunda — que mostrava uma matéria de um jornal (todos hipócrita e canalhas) que dizia que o ex-presidente Lula processaria o Dono da Havan por ter contratado um avião com uma faixa dizendo que ele era “cachaceiro”. Respondi que eu achava o Lula um canalha, mas, quem é o Véio da Havan nisso tudo? Vou explicar melhor. O Lula é um canalha porque tem um discurso cínico parecendo que nunca foi presidente, como se no seu governo não havia aumento de preços, como se ele tivesse arrumado o nordeste e tivesse melhorado o país. Não acho que o Lula é um comunista. Aliás, ele nem sabe o que seria o comunismo. Acho que ele quer o poder pelo poder, um psicopata que pensa que o país é o quintal do sindicato que sempre ficou lá.
Luciano Hang (vulgo Véio da Havan) é um empresário fantasiado que tenta fazer marketing da sua loja. Aliás, até hoje eu não sei o que a Havan vende, o porquê ela existe e o porquê tem uma Estatua da Liberdade na entrada. Mas, ele joga na polêmica e começa dizer coisas que não tem nem lógica, como jornalistas não darem sua opinião, ou que piso tatil não serve para nada. Por que jornalistas que dão opinião sobre o Lula ou a corja do PT vale e os que criticam o governo não? O Bolsonaro também erra e tem que apontar o erro, para talvez, ele repensar o caminho que tomou. Mas, ao que parece temos um petismo dentro da direita, um fanatismo chato que em vez de atrair as pessoas para uma discussão mais racional, atrai sempre os idiotas para uma discussão rasa e pobre o bastante para atrair os pseudos-filosofos. Ainda, esses intelectuais que tem livros na livraria custando quase cem reais e ficam pedindo ajuda, aproveitam para atrair seus holofotes para si mesmos.
Ao longo da minha vida, sempre vi aqui no Brasil uma ética seletiva que não pode envolver aquilo que eu acredito, aquilo que eu penso, ou aqueles de que gosto (como amigos e parentes). Também se gosta de rotular as coisas e relativizar aquilo que se acha importante variar. Como já li que Likedin é uma rede social profissional ou que o Facebook é coisa de qualquer um. Redes sociais são ferramentas virtuais para fazerem o que desejarem (com ética, claro), e quem faz ela é os usuários. Claro, que quem usa mais o Linkedin são profissionais que na maioria das vezes, postam autoajuda vagabunda para incentivar profissionais a não desistirem. Como se um meme possa fazer milagres. Sobre a relativização das coisas, nossa cultura é muito disso. Conservadores viram liberais, pentecostais viram judeus (pior ainda, judeus da idade media), rock vira samba, e todo tipo de porcaria se dissolve atrás do que se acredita.
Vou dar dois exemplos bastante emblemáticos. O primeiro exemplo foi um texto — pequeno por sinal — respondendo uma pergunta de um grupo sobre deficiência, que estava perguntando se havia cadeirante que viajava. Disse no meu perfil, que não gostava de viajar de avião porque não gostava de ficar sem comer ou ir ao banheiro, fico muito chato as raias de ser insuportável. Continuando, disse que não ia na casa dos meus parentes porque não eram casas adaptadas para entrar na minha cadeira de rodas. Pronto. Se montou uma atmosfera entre filosofia barata e relativismo explícito sobre inacessibilidade da cidade. Até mesmo, teve a mistica do degrau que tinhamos que superar. Será mesmo que há a mistica do degrau quando o dono da padaria não acessibiliza a padaria? Chegaram a dizer que meus parentes me amavam. Não duvido que eles me amam, mas, a questão é acessibilizar ou não acessibilizar sua própria casa para receber um cadeirante. A ética não pode ser seletiva, porque ou ela abrange tudo, ou aquilo não precisa ser seguido. A ética sempre informa o quanto estamos ou não, relaxados e relapsos a sociedade.
Outro exemplo foi um vídeo. Uma mulher queria saber da sua mãe biológica e entrou em contato e foi ver a mãe biologica, sendo que a mãe que pariu ela dizia no vídeo que não queria nenhum contato, não queria nada da sua filha que deu para a outra. Comentei que a mulher (a mãe que deu a filha) já tinha dito que não queria nada no contato no telefone, por que a filha foi lá? Terminei meu comentário dizendo que pai e mãe é quem cuida, o resto é só ideias românticas baratas. Ora, todos que estudam história sabem que esse amor filial romântico veio muito recentemente, que antigamente as pessoas não se importavam muito com a morte do seu filho (claro, que as vezes, tinham pessoas sensíveis que sentiam sim). A questão sempre vai girar no relativismo da ética de hoje, que escolhe a quem exigir. Por outro lado, a escravidão do dever kantiano faz as pessoas pensarem que a mulher deve amar sua filha e deveria aceitar ela de qualquer jeito (chega a ridículo de rogar pragas e até ter a arrogância de achar que manda nas decisões de Deus), mas, cada um ama aquilo que se tem empatia. Como disse um escritor (não me lembro quem) tudo que amamos, amamos sozinhos.

segunda-feira, dezembro 30, 2019

Por que pessoas com deficiência não podem namorar?







Amauri Nolasco Sanches Junior


Sempre quando eu vejo a pergunta do título, me vem a cabeça a pergunta clássica de todo grupo de deficientes (que chamo de guetos): “você namoraria uma pessoa com deficiência?”. Parece uma resposta óbvia, mas, tem muita coisa a ser analisada nessa pergunta. Se antigamente eramos comandados por preceitos religiosos, depois ideológicos, hoje somos comandados pelo marketing do bem. O marketing do bem sempre vai nos mostrar que a vida tem que ser mais saudável, que as pessoas devem sempre sorrir e que existe um propósito para tudo. Talvez, objetos tenham algum propósito, mas a vida é o que fazemos dela e, muitas vezes, erramos de não fazer o que queremos por causa do outro. Minha cadeira de roda tem mais propósitos do que uma pessoa que segue tendências, ou seja, se você quer um mundo melhor, você é um nada.
Voltamos a pergunta. Temos uma sociedade movida pela visão de custo e beneficio. Se você acredita que as pessoas amam seus filhos e querem o bem deles, você deve ser um idiota ou um mau-caráter. A maioria investe nos filhos para terem o retorno na velhice, quando os filhos (segundo a sociedade) deveria cuidar dos pais. E quando se tem um filho com deficiência? Será mesmo que essas pessoas pensarão igual? Afinal, os filhos são um investimento que não há um retorno cem por cento, mas, há uma tranquilidade mais tarde. Ai que está, desde muitos milênios se tem seres humanos com deficiência, mas, na antiguidade — mais ou menos, até a modernidade — eramos abandonados, mortos, desaparecíamos ou eramos trancados. Até hoje, crianças com deficiência são enterradas vivas dentro de aldeias indígenas. Claro que nem todos eram mortos, algumas pessoas com deficiência eram oráculos ou druidas, que remontam a visão mistica da deficiência dentro da sociedade. Sim, há uma visão mistica da deficiência. Essa visão, muitas vezes, atrapalha a vida das pessoas com deficiência. Muito antigamente, se considerava deficientes como pessoas misteriosas e muitas outras pessoas, tinham medo por causa desse mistério. Mesmo a ciência explicar as causas, há ainda essa mistica e o medo ancestral de nós.
Depois dessa explicação, imagina uma mulher apresentar um namorado de cadeiras de rodas para sua família. O pai, que tem a visão que o homem deve prover a casa, faz a pergunta clássica: o que ele pode oferecer para você? Ou até mesmo: que loucura é essa? Porque a sociedade tem a deficiência como um tomento para a pessoa , um sofrimento que deve ser dolorido para todos que se envolvem conosco. Mesmo que esse rapaz trabalhe, ganhe razoavelmente bem, nunca vai ser o bastante para a família da moça. Claro que há exceções. Mas a regra é essa. A luta é constante e deve ter bastante amor envolvido, porque quando começa a parecer as questões de ter filhos e ter uma casa só do casal, as coisas começam a ficar piores. Isso é quando a mulher ou o homem — dei o exemplo da mulher, porque sou homem e a maioria dos relatos são de homens — andam e tem um emprego. E quando há um casal de deficientes dentro da relação?
A questão da deficiência é a questão de todo ser humano que a sociedade não aceita como ser humano, ou por ignorância de não conviver conosco, ou por ser canalha o bastante para não perceber que é um nada. Uma pessoa que tem qualquer deficiência, é uma pessoa antes de tudo e deve ter seus direitos preservados junto com seus deveres. Por outro lado, o povo não é tão democrático como pensa os que idealizam uma democracia linda e um mundo melhor. Só dar uma casa, comida, saúde e tranquilidade, o povo vive nos piores regimes possíveis. O século vinte mostrou isso. Então, essa história que o povo ama a liberdade e é condicionado a achar que o outro ser humano não é humano, é mentira. Para uma grande maioria, pessoas com uma cadeira de rodas ou outro aparelho, são pessoas que atrapalham e tem que ser trancadas em um cantinho e só. Quem são essas pessoas que ficam no meio do caminho num shopping ou numa loja qualquer? O caso do Véio da Havan é o mesmo caso de agências de publicidade que não contratam, empresas que não se adéquam, o poder publico que não acessibiliza. Ainda, temos que provar que somos deficientes toda hora para o poder publico.
O amor entre deficientes na nossa sociedade que ainda acha que está na era vitoriana (num surto reacionário), é uma coisa bastante difícil de aceitar. Quando saia com minha noiva, por exemplo, sempre as pessoas perguntavam se eramos irmãos. Essa associação de coletivo (como deficiente namorar deficiente ou irmãos com deficiência), sempre foi formado como um gueto que frequentamos, ou o ideário que as pessoas iguais devem se relacionar. Isso um pouco é culpa das novelas idiotas da TV Globo que alimentam essa visão. Por outro lado, os deficientes alimentam esse tipo de imagem saindo em bando, ou até mesmo, participando de grupos do Facebook que só fala do tema deficiência. Eu sempre não gostei de ficar em grupos que o tema é deficiência, mesmo o porquê, deficientes acham que discussões são brigas.
A humanização da deficiência veio com a desumanização do sentimento. Se somos seres humanos, porque será que não temos sentimentos ou sexualidade? Exato. Vamos ser sincero, você acha que pessoas com deficiência são crianças eternas e não tem nenhum desejo sexual? Acho que quem acha isso são idiotas ou são canalhas o bastante de construir conceitos errados para alimentar seu próprio ego. Já vi homens com deficiência se aproveitarem dessas idiotices e se fazerem de alienados, bolinavam as moças e depois se escondiam atrás da mãe. Há canalhas em todos os lugares e eles se aproveitam dessas narrativas para se esconderem. Deficientes não são diferentes, são pessoas como qualquer ser humano e o caráter dependem dos valores que recebeu. Agora, deficientes sentem tesão, são homossexuais e fazem coisas que nem imaginam que possamos fazer, quanto mais se aceitar isso, melhor.
Na verdade, nossa sociedade tem uma imagem romântica de deficientes como seres indefesos e que não tem a menor ideia do que estão fazendo. Ainda, programas idiotas como o Teleton reforçam essa ideia de dependência de uma instituição ou uma causa que não existe, porque a inclusão são direitos humanos e devem ser cumpridos e pronto. Sendo assim, pessoas com deficiência são humanas e tem sentimentos e querem namorar, o problema que as pessoas têm medo. Costumo repetir o mestre Yoda sempre quando ame falam do medo, pois, o medo gera a raiva, a raiva gera o ódio e o ódio te leva o lado negro da força. A analogia da Força é óbvia, nosso campo vital sempre é aquilo que você é de verdade e quando você se encontra, você pode qualquer coisa. O próprio Yoda diz, ou você faz ou você não faz, não existe tentar. Por outro lado, a ideia do namoro sempre foi controversa aqui, porque ainda ficou aquela vontade de pedir o dote ainda. Ou será se o cadeirante for famoso e ter posses a família vai implicar? Como disse, tudo gira em torno do marketing do bem, o politicamente correto que escondem a canalhice alheia.
Tudo isso começa a gerar neuroses estranhas na família (principalmente, da mulher com deficiência), que acha aquilo bonitinho, porém, acham que as pessoas com deficiência não podem sofrer. Sofrer do que? O sofrimento pode ser silencioso lá no travesseiro antes de dormir, isso pode gerar um desejo de se matar, de não querer viver e assim, muitos desistem da sua vida. As neuroses são tão grandes, que acho importante inventarem personais psiquiatras para essa gente, porque chega as raias do absurdo de acharem que não transamos. Não deixar viajar. Não deixarem ficar sozinhos. Uma humanidade canalha para um mundo tão lindo.

sábado, dezembro 28, 2019

Sanctus Dominus — quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov





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As questões ideológicas e religiosas sempre foram muito mais complexas do que o senso comum sequer imagina. E quando a ideologia começa a se misturar com a religião, num português bem claro, só dará merda sempre. O ataque a sede do grupo de humor Porta dos Fundos mostra o quanto a juventude está perdida e sem rumo nenhum, porque você se apresentar como um fascista, mas discursar como um marxista raiz, é de uma imaturidade gigante. A questão é: qual moral devemos seguir sem ao menos, questionar a sua origem? Veja, não devemos confundir questionar com falar mal ou ser contra aquilo, apenas questionar se aquilo é realmente verdade ou mentira, se aquilo levara o ser humano ao conhecer a si mesmo ou apenas, é mais um discurso para dominar a massa. No limiar de tudo, todos esses deveres são marketing para assegurar a predominância de um discurso qualquer.
No caso da representação do Jesus gay do Porta dos Fundos, sempre constatamos que Jesus teve uma imagem mistica muito bem construída nesses dois mil anos de história do cristianismo. Talvez, essa construção da imagem dele enquanto ser que é a incorporação de Deus no mundo — como se Deus devesse se apropriar de um corpo para se fazer presente — seja um discurso sagrado dos milagres que ele teria feito, que lógico, fez dele uma figura mistica. Ora, o budismo (digo o budismo mesmo) não vê Buda como um deus e nem o Islã vê Maomé como deus, porque Deus seria algo muito maior e muito mais longe do que possamos definir em um ser só. Ai entra o romanismo dentro do cristianismo, pois, se algo deve ser adorado, esse algo deve ser transfigurado em uma imagem. Mesmo que várias pessoas tenham múltiplas explicações para isso, o cristianismo não difere dos cultos a deuses da antiguidade e talvez, sincronizou no culto de um homem crucificado, acusado de se titular rei de Israel e blasfemar contra o culto tanto de Roma, como dos judeus. Ou seja, apontou a hipocrisia dos sinédrios da época, em achar que o Templo de Salomão era algum tipo de comércio, que ao passar do tempo, todos ficam como comércio. Isso não quer dizer que eu ache que Jesus não existiu, as ordens morais que ele disse — se disse mesmo — são importantes para uma vida equilibrada e com sentido em ser. Afinal, quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov?
Segundo o novo testamento, Jesus participava de várias festas e comemorações, mostrando que ele era uma pessoa alegre e festiva. Ora, vamos ser sinceros com a fé cristã, mesmo que ele for Deus, ele iria se importar do que um bando de comediante diz dele? Mesmo se ele fosse homossexual, será que sua mensagem mudaria por isso? Claro que não. Racionalmente, podemos dizer que homens no tempo de Jesus (segundo a lei judaica) homens co 30 anos de idade, teriam de ser casados e, pelo grau de cultura que Jesus demonstra, talvez, ele teria que estudar no templo. Vários estudiosos já trabalham com a ideia que Jesus e José era escribas do templo, assim, poderiam circular no mesmo livremente. O que nos remete que Jesus deve ter sido casado — como Buda, Maomé ou Moisés e isso não invalidaria suas mensagens — isso reforça a hipótese, que Maria de Magdala teria sido esposa e discípula de Jesus. Porém, nos resta uma dúvida importante: por que o império romano como todo aquele poder acabando, ter aceitado cultuar um culto de um homem crucificado?
A cruz é um símbolo religioso muito antes da crucificação de Jesus, mesmo em Roma. Aliás, há um erro corriqueiro, que atribui festas incorporadas na religião cristã como deus antigos vindos de fora, mas, o que vimos e o que dizem vários pesquisadores, é que tudo ou a maioria que existe no cristianismo veio dos romanos. Todo o cristianismo é romano. Isso não resta dúvida, quando olhamos os anjos das igrejas e eles estão vestidos como centuriões romanos. Há muitas características que mostram todo o império romano na igreja romana cristã, além, claro, das filosofias gregas influenciando alguns pontos teológicos disso tudo. Muito pouco restou das falas e dos ensinamentos de Jesus, portanto, a figura mistica sempre dominou o que realmente o cristianismo deveria pregar como ensinamento do seu mestre. Portanto, o cristianismo não é o mesmo de seguidor de Jesus.
Ora, afinal, será mesmo que foi Jesus o ofendido ou o cristão se ofendeu? Será que a ofensa é a imagem que se construiu dentro do fanatismo? Tudo isso que eu escrevi não quer dizer que a mensagem de Jesus não seja importante, mas, que tenhamos sempre um filtro daquilo que é, verdadeiramente, sua mensagem e aquilo que não, não é sua mensagem.

sábado, dezembro 21, 2019

Cadeirante com cara de Ursinho Puff e o Chapeleiro Maluco da Havan




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- Gatinho de Cheshire (...) Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?
- Isso depende muito de para onde quer ir - responder o Gato.
- Para mim, acho que tanto faz... - disse a menina.
- Nesse caso, qualquer caminho serve - afirmou o Gato.
- ... contanto que eu chegue a algum lugar - completou Alice, para se explicar melhor.
- Ah, mas com certeza você vai chegar, desde que caminhe bastante.
- Mas eu não quero me meter com gente louca - ressaltou Alice.
- Mas isso é impossível - disse o Gato. - Porque todo mundo é meio louco por aqui. Eu sou. Você também é.
- Como pode saber se sou louca ou não? - disse a menina.
- Mas só pode ser - explicou o Gato. - Ou não teria vindo parar aqui.
Alice achou que isso não provava nada. No entanto, continuou:
- E como você sabe que é louco?
- Para começo de conversa - disse o Gato - um cachorro não é louco. Concorda?
- É, acho que sim - disse Alice.
- Pois bem... - continuou o Gato. - Você sabe que um cachorro rosna quando está bravo e abana o rabo quando está feliz. Mas eu faço o contrário: eu rosno quando estou feliz e abano o rabo quando estou bravo. Portanto, eu sou louco.
(Alice No País das Maravilhas)
 CARROLL, L., Alice no País das Maravilhas, 1865.


Um dos livros de filosofia que mais gostei de ler foi Alice no País das Maravilhas de Lewis Carrol, que conta as aventuras de um mundo doido onde nada tinha lógica e os objetos eram, completamente, vivos e falantes. Na visão da Alice, todo aquele mundo não fazia sentido porque tinha aprendido que as coisas tinham uma ordem lógica, isso também, era pensado na ordem moral. Estava em tempos vitorianos — a moral vitoriana veio da rainha Vitoria, da família perfeita — e muita visão moral, que alguns casos ainda ficou, começa a ser questionada em todas as áreas. Visivelmente, Carrol faz duras críticas a essa educação vitoriana e começa a colocar um mundo que não existe lógica e nem princípios morais que pudessem quer questionados. Mas, o que seria uma moral de verdade? O que seria a própria realidade e a normalidade?
A maioria dos brasileiros idealizam a realidade a partir dos princípios que regem sua religião, rege sua ordem moral. Mas, que ordem moral poderíamos seguir? Mais ou menos, trezentos anos antes de cristo, o filósofo Sócrates já observava que as pessoas eram boas para agradar as outras pessoas, para se passarem de detectoras de conhecimento e sabedoria e a bondade em ajudar o próximo. Sócrates dizia que nada sabia, exatamente, para mostrar que ele com o vasto conhecimento que tinha da alma humana, não sabia de tudo e sabia que não sabia de tudo. O filósofo dizia que a verdadeira bondade é só alcançada quando adquirimos um certo conhecimento e esse conhecimento, faz com que vejamos uma bondade além das ordens morais que regem a sociedade. Platão, por ter uma carga não só da filosofia socrática, mas também, seguiu vários outros filósofos, seguiu nesse caminho do conhecimento e ignorância. Sua ideia da caverna nada mais é do que o conhecimento do homem que saiu dessa caverno e o resto, que continuou a ver as sombras. Mas, por que a maioria continua a querer ver as sombras? O simbologismo das sombras e bastante simples, pois, nem sempre o formato da sombra é do formato do objeto que é projetada a sombra. Podemos até mesmo, manipular o formato dessa sombra.
No livro — talvez, Carrol tenha lido Platão — Alice tinha tirado uma soneca e acordou com a irmã te chamando para tomar um lanche. A realidade é construída a partir daquilo que escondemos em nosso íntimo como valores morais, você pode ser consciente desses valores ou esses valores são ocultos na sua consciência. Sonhos, na maioria das vezes, são aquilo que está lá escondido no seu inconsciente e ninguém — nem mesmo você — sabe que aquilo existe. Aliás, Aristóteles sempre dizia que a ética se pratica e não, se teoriza. Então, quando se votou no Bolsonaro, eu tinha na minha cabeça, que votaram nele para as leis e para cumprir essas leis, mas, o que eu estou vendo é a mesma coisa que sempre eu vi. Um fanatismo exagerado e uma oposição burra e porca que não sabe, nem mesmo, argumentar. Por que Paulo Freire é um energúmeno? Por que é culpa do TV Escola o nosso desempenho escolar? Será que cultura é uma coisa ideológica? Enquanto o mundo se moderniza e se acessibiliza, o Brasil ainda quer viver em uma cultura do século dezenove hipócritas e que não tem nada a ver com o mundo de hoje. O Brasil quer ser um país atrasado.
Mas, sabe o melhor lugar para ver o atraso mental e o atraso do empregado vassalo? Linkedin. Só vejo autoajuda vagabunda e pessoas que acham que entendem de marketing, mas, não leram um Krotter sequer. Só fica lendo artigos de coachings vigaristas, palestras vagabundas e livros que nada trazem de conhecimento e nada vão trazer para uma empresa mais prospera. O Luciano Hang é péssimo de marketing, diz ter lido Olavo de Carvalho e acha que está fazendo uma boa causa trazendo o ursinho puff de cadeira de rodas para o seu vídeo. Um alienado ou um cúmplice? Eis o mistério.

quinta-feira, dezembro 19, 2019

#BrasilReal : fábrica de falar merda chamada Brasil



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“Um dos traços mais notáveis de nossa cultura é que se fale tanta merda.”

(Sobre Falar Merda, Harry Frankfurt)




O que é falar merda? Todos dizem que falar merda é dizer alguma coisa como uma asneira, mas, não é bem assim. Eu entendo que falar merda é falar aquilo que se acha que sabe, porém, não sabe e se pensa ainda saber. E isso não é um problema de agora — no século vinte e um — ele é um problema desde muitos milênios, quando o poder começa a falar merda para dominar e deixar o povo ignorante para falar muito mais merda ainda. Por que? Seria bastante interessante se ter a população na ignorância, para governar e ficar falando aquilo que não sabe. Como Sócrates detectou, que as pessoas achavam que estavam falando coisas que tinham sentido, mas, não tinha a menor lógica você acreditar naquilo. Sócrates percebeu que as pessoas não eram boas de verdade e indo mais além, as pessoas nem sabiam o que era bondade de verdade e só falavam merda.
Platão, que continuou de certa forma, o legado socrático, chegou a conclusão que opinião não é conhecimento. Falar merda não era sinônimo de conhecer alguma coisa, mesmo o porquê, quem fala merda não sabe nem a origem daquilo que está falando. Afinal, Platão viu seu mestre Sócrates sendo morto porque um poeta — se pagaram ele ou não, não interessa — começou a falar merda do filósofo e o povo, que deu razão ao poeta, deram razão a merda falada. Platão chegou a conclusão, que toda aquela merda que o poeta disse que o povo sempre acha que é verdade, são produto de uma essência que chamamos de verdade (arethe), mas, de meras ilusões que as pessoas acreditam e a merda é construída a partir de um chorume maior. Mesmo o porquê, sabemos que a instrução verdadeira não acontece em escolas públicas, mas, por conta própria. Tudo que aprendi ao longo da minha vida, não foi numa escola, foi em livros e pesquisas na internet. Que aliás, existem várias merdas que, por via de muitas dúvidas, devem ser pesquisadas as fontes.
Por que ninguém pesquisa a fonte? Porque a maioria das pessoas continuam ainda achando que sabem, pois, é muito mais cômodo achar verdades que foram prontas para seu conceitos. Nos desiludimos com certo politico, por exemplo, outros teóricos começam a falar merda colocando ideologias que não são dele, não fazem parte nem da ideologia partidária que defende. Mas, para a maioria, aquela verdade é confortável. Como se você fosse um fedelhinho e está confortável em um cobertor sendo acariciado pela mamãe que irá te proteger, mas, a vida não é aquele edredom cheiroso e quentinho, a vida é cobertor velho cheirando bosta das diarreias mentais que a maioria tem. A maioria acha que esse cheiro de bosta é culpa do outro, o outro quer te colocar nesse cobertor cheirando bosta. Mas, você cagou sua vida e não quer assumir. Você acha que sua vida é um talco cheiroso, mas, a sua vida é cheia de maria-fedida (bisorinho que deveria ser o nosso símbolo). A maria-fedida sempre entra no meu quarto e deixa cheiros horrorosos, do mesmo modo, quando entre uma ideia dentro de uma cabeça vazia.
Não estou dizendo que as pessoas não sabem de nada, mesmo o porquê, a capacidade cerebral de todo mundo — pelo menos, a parte racional — é igual. Como Platão disse, uma mera opinião é uma ideia muito rasa daquilo que se acha que sabe, mas, não sabe. Saber é você ler sobre, estudar sobre o assunto, e depois saber o que argumentar. Na verdade, a maioria das pessoas estão em um mundo ilusório e que pensar ser realidade, mas, estão numa ilusão, uma caverna que só existem sombras. Afinal, o que a realidade? Realidade é você estudar 20 anos e aprender o que os outros querem? Realidade é trabalhar para os outros sem questionar? O que é a realidade?



quinta-feira, dezembro 05, 2019

Olavo de Carvalho não entende de rock e muito menos, de heavy metal


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“Se o rock é ilegal, me enfiem na prisão!”
(Kurt Cobain)



Há dois problemas no Brasil: um é a educação escolar e a outro é a cultura. Somos um povo que não temos o hábito de conversar com os filhos certos assuntos, não temos o hábito de incentivar as crianças a lerem, não temos o hábito de cobrar dos nossos políticos em dar para nossas crianças uma educação de qualidade. Educação de qualidade — a escolar que vai fazer a criança ser cidadão — não é só ensinar os jovens a ser um bom profissional, pois uma universidade de verdade, faria todo esse serviço. Mas, ser um cidadão que amasse seu país de verdade e não ficasse indignado, só porque o dinheiro acabou. Votar em pessoas que, realmente, tenham um pingo de vontade politica e essa vontade politica, não tem nada a ver com a esquerda ou a direita. A esquerda cuida do social, a direita cuida da infraestrutura de um país. Mas, o que dizer de uma agenda moral? Como um governo, preocupado com uma moralidade conservadora, pode se meter na vida do cidadão de uma nação?
Daí, entramos em um outro problema que o Brasil tem. Que cultura podemos definir como brasileira? Esse é um problema com 200 anos no mínimo, pois, nem ao menos nós, conseguimos definir uma cultura para chamar de nossa. Eu, particularmente, acho que a nossa verdadeira cultura é aquilo que procuramos gostar e aquilo que tem como identidade nacional. Definir o samba, talvez, fosse interessante, assim como, o sertanejo raiz. Por outro lado, tem o paradoxo do conservador, pois, se não podemos definir uma cultura nossa como identidade nacional, vamos conservar o que? O catolicismo é italiano (nascido no antigo império romano), o protestantismo é alemão (porque Lutero era alemão), fora que o nosso império sempre foi português com variações entre a Áustria e a França. Então, quais valores temos que conservar, se todos eles são importados pelos nossos antepassados? Fora, que o cristianismo é uma variação do judaísmo e veio do oriente médio.
Não vou falar que não gosto de alguns cantores da MPB (música popular brasileira), mas, eu ouço na maior parte do tempo, rock e metal, porque é o gênero que ajuda a ter uma válvula de escape. Não tem nada a ver de ter ou não revolta e só bandas americanas, mesmo o porquê, as maiorias das bandas que eu ouço são europeias. Então, acho a crítica do Olavo de Carvalho dentro de um aspecto — veja que em todos as postagens dele sobre, são bandas americanas, ou seja, ele nem sabe as verdadeiras nacionalidades — limitado, fica difícil definir o que é que ele está falando. Porque, quem lê sobre o assunto e quem sabe várias biografias de bandas, vai saber, que o cenário do heavy metal é um cenário, em sua maioria, europeu. As únicas mandas clássicas do metal conhecidas americanas, são o Kiss, W.A.S.P, Twisted Sister, Metallica, Megadeth e Slayer. As outras bandas, são entre o cenário inglês e o alemão. Não tem metal só americano, que aliás, o Olavo não sabe, mas, o americano não gosta muito do metal tradicional, ele mistura.
Também o Olavo de Carvalho vai ter se atualizar, pois, do metal que era satânico (como forma de rebeldia) mudou para, muitas bandas, regravarem ou fazerem músicas clássicas. Por exemplo, a banda espanhola Dark Moor, regravou várias músicas clássicas e fizeram letras a partir dessas músicas. Assim como, existem outras bandas que também gravaram outras musicas clássicas, como medievais do cancioneiro folclórico. Como assim o metal emburrece o ser humano como diz Olavo de Carvalho? Aliás, existe até uma banda sueca, o Sabaton, que gravou uma música em homenagem aos pracinhas brasileiros que lutaram na segunda guerra mundial. Se existem banda de heavy metal que ensinam história, que mostram música clássica erudita e mostra canções folclóricas medievais, como esse gênero emburrece? Aliás, se a Dark Moor gravou a musica de Amadeus Mozart, Die Irae, que é uma letra religiosa, como é um gênero satânico? Como inúmeros grupos.
Essa enxurrada de mentecaptos no governo — principalmente, na área de cultura — vai ser sempre culpa da religiosidade exagerada que no Brasil temos. Um outro problema, que o ideólogo do governo esqueceu completamente, que a esquerda (principalmente, a comunista) não gosta de rock, tanto que fizeram um movimento contra a guitarra elétrica. A esquerda mais radica (raiz mesmo), diz que o rock é uma musica burguesa que só traz a inverdade e que não há nada de inteligente no gênero, portanto, somos considerados reacionários (como alguns metaleiros são mesmo). Acho, sinceramente, que Olavo de Carvalho deveria, seriamente, pesquisar outras fontes ou parar de ler paranoias na internet que não condiz a realidade. Portanto, sou um terrabolista, roqueiro, metaleiro e satânico.

sexta-feira, junho 14, 2019

#BrasilReal: A farra do Transporte Acessível aqui em São Paulo


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Amauri Nolasco Sanches Junior
 
Segundo o site da prefeitura da capital paulista, o Censo do IBGE de 2010, constatou que existem 810.010 pessoas com deficiência. Nacionalmente, no mesmo censo, há 15.750.969 de pessoas com deficiência e como tal, não há tantos tratamentos e muitos de nós, não tem nenhum tratamento. As mulheres com deficiência são tratadas como objetos – como mulher já são tratadas, imagina com alguma deficiência – e vira e mexe, podemos ler em algumas manchetes (uma notinha bem pequena na imprensa hipócrita), que muitas delas são estupradas, ou assediadas. Porém, existem pessoas com deficiência que são trancafiadas dentro de casa por não ter acessibilidade, não ter transportes e não ter como se locomover numa cidade como São Paulo. Imagina no interior. 
 
Segundo a empresa que gerencia o transporte na cidade de São Paulo, são liberadas duzentas, mais ou menos, vans do serviço ATENDE+ para eventos de finais de semana. O serviço oferece ao usuario – que geralmente, não consegue transitar na rua – vans adaptadas para o transporte que busca e leva porta em porta. Porém, desde quando o prefeito do PT Fernando Haddad (com o Kassab o serviço ainda obedecia à prefeitura), as vans estão sucateadas e o prefeito eleto João Dória não deu jeito. A frota, pelo que sei, está prevista a renovação apenas quando elas fizerem 10 anos. As pessoas com deficiência fisica trocam de cadeira de rodas a cada 5 anos, porque eles trocam de van a cada 10 anos. E todo o dinheiro que a prefeitura paga para as empresas? A última vez que vi era apenas 14 mil cada van. 400 vans em uso dá uma quantia boa. 
 
Mas para entender a farra do transporte publico acessível em São Paulo, temos que entender que existem três modalidades dentro do serviço. O serviço normal (semana), que leva as pessoas com deficiência para o trabalho, escola, centros de reabilitação e também, levam pessoas que fazem hemodiálise nos hospitais (quando os rins param). Também levam pessoas com transtorno de autismo (tanto no centro de reabilitação, quando nas escolas). Outra modalidade – se tem ainda – é a modalidade de eventual, mas, essa modalidade são pagos taxis, para levarem as pessoas com deficiência uma vez por mês a uma consulta eventual (por isso, chama eventuais). E, logo após o normal, a modalidade que tem o maior uso de vans os eventos. Na verdade, os eventos foram criado para suprir o transporte de pessoas com deficiência que participam de entidades (como a AACD), ONGs e movimentos. Não vou explicar a diferença para o texto não ficar muito longo. Mas, tudo é pago pelo contribuindo. 
 
Dentro da modalidade Eventos se tem dez dias para mandar uma ficha (o coordenador da entidade, ONG ou movimento), marcar o local do evento, horário e o endereço de onde o evento vai ser realizado. Essa modalidade também é usado pelo Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiencia e Mobilidade Reduzida para suas reuniões e para passeios. Só que misteriosamente, alguns eventos contem vans novas, outros não contem. Alguns tem mais vans e outro, menos. Por exemplo, a AACD (a mesma entidade que recebe milhões de doações), pede a cada evento, 17 vans aproximadamente. Existem movimentos que não conseguem. Quando é o evento do Teleton todas vans – novas, de preferencia – vão para ele e nós, ficamos sem os nossos eventos. 
 
Não para por ai. Quando existe a F1 também o ATENDE+ só desloca van para lá e os outros usuários ficam sem nenhum transporte. Mas, podemos ver que políticos ligados ao partido do agora prefeito, Bruno Covas (PSDB), a senadora e na época era deputada, Mara Gabrilli, gostou em dar uma voltinha no ATENDE+ (que nome ridículo, heim Dória?) na Copa de 2014 (que foi a farra do PT). Enquanto, vários usuários não puderam estudar, trabalhar e nada graças ao gerente cabide de emprego do Jaiminho (Haddad), que não é o mesmo que hoje. Temos um gerente bom, mas, a centralização ficou a cargo da SPTrans. 
 
Não para por ai. Segundo a própria SPTrans será liberada 78 vans (claro que são novas) para a Copa América que vai acontecer no Morumbi. Até ai, já acontece no Teleton não falam nada, acontece na F1 e não acontece nada, mas, o jogo de futebol vai acontecer de semana. Segundo a regra dos Eventos nenhum evento é feito em dias de semana, mesmo o porquê. existem pessoas que não podem faltar nenhum dia. Então, porque vai ser deslocado 78 vans para um bando de torcedor cadeirante – que poderia ir de ônibus – sendo que a própria regra do ATENDE+ Eventos, não pode acontecer nenhum evento de semana? É a isonomia? Eu, por exemplo, mandei uma ficha para o dia 20 de junho e não aceitaram, porque errei o dia. Nunca entendi porque tem que ser dez dias. Uma das explicações que deram é a revisão das vans, porém, não há revisão nenhuma. 
 
A prefeitura paga um montante inteiro tanto do combustível dos ônibus a a manutenção e o combustível e a manutenção das vans. Mas, nós sabemos, que é muito mais barato peça usada. Só não colocam peças usadas, quando denunciamos para a gerencia, que poucas vezes fazemos, por não perceber. Muitas vezes, existem a borracha da portas soltas e chegou a cair gente do elevador da van, e muito pior, existem motoristas que a gente tem que ensinar. Como assim? Como eu tenho que ensinar o motorista a amarrar uma cadeira de rodas? Nós cadeirantes, temos esse tipo de serviço e todos nós pagamos. Pagamos para o Teleton usar e você não. 78 vans serem deslocadas para futebol – se 14 mil são pagos por cada uma, imagina quanto o contribuinte paga para neguinho assistir futebol – e usuarios esperando para serem atendidos. Nós andamos com vans velhas, eles andam com vans novas. Esse é o Brasil que não quero.

Fontes: http://www.sptrans.com.br/noticias/sptrans-implanta-linhas-especiais-com-vans-do-atende-para-os-jogos-da-copa-america/

e: http://www.sptrans.com.br/noticias/sptrans-ira-disponibilizar-228-vans-do-atende-para-eventos-neste-final-de-semana/