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sábado, março 07, 2020

A Birrinha opositora




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Um pensamento que acabo de ler do Instagram do Leandro Karnal, é que o rebanho odeia aquele que pensa diferente, não por causa da sua opinião, mas, a audácia de querer pensar por si mesmo, coisa que eles não sabem fazer. Exato. Foi assim com Sócrates, Jesus e outros, que ousaram pensar diferente da massa, morreram. Mas, esse ódio não é qualquer ódio, o ódio da grande massa por ousar pensar diferente, sempre é, um ódio da liberdade que aquele goza por não depender de uma aceitação social. A questão é: eu quero ser eu mesmo ou uso uma mascara social para agradar a sociedade? Sócrates foi ele mesmo, teve uma boa morte sem fugir do seu destino. Assim como Jesus, acreditou fortemente, que tudo que dizia era verdade, aceitou o que estava reservado para ele. Tanto Jesus, como Sócrates, talvez, não sabiam de suas mortes, mas, aceitaram seu destino (aqui quero dizer no sentido como as coisas se transcorreram) porque acreditaram em si mesmo e não queriam aceitação de ninguém. Eles negaram toda a opinião da maioria para pensarem por si mesmo.

A questão não é querer o melhor para o Brasil, a questão é quem tem razão nessa história toda. Não interessa se são os lulopetistas, ou os liberais, ou os bolsonaristas-olavettes, os integralistas (que podemos colocar como vaporwaves), a questão sempre parte do princípio, mas ter razão que está certo. A razão começa com os gregos na filosofia (com os naturalistas) com o termo “logos” – que erradamente, se traduziu como palavra graças ao evangelho de João (tem forte influência gnóstica), mas, palavra em grego é lexós – porque a razão dentro da filosofia, tem a ver com um pensamento logico (por isso o termo logos). Ou seja, a questão logica de um pensamento esta acima do sentimentalismo, que só é importante, na questão do relacionamento do outro, já que somos animais gregários. Então, a razão seria um raciocínio que fizesse sentido para quem está explicando e para quem está ouvindo ou lendo. Um algoritmo tem que ter linhas lógicas para que o computador poder ler e executar a tarefa, assim como, as pessoas devem sempre fazer as coisas de ordem lógica para não errarem. Se expressar ou pensar, tem a mesma lógica. No caso do computador, existem a questão dos números binários (0,1) e suas combinações são uma tarefa especifica. A questão é: será a nossa lógica tem a ver com o binarismo da razão? Porque, numa escolha, um computador tem duas opções, mas, nossa consciência tem um número infinito de possibilidades.

Acho, que de alguma forma, os existencialistas (principalmente Sartre), tenha razão de dizer que somos livres para construir aquilo que somos como quisermos e por isso, somos condenados a ser livres. Somos livres para acreditar ou não, nas bravatas dos políticos. Somos livres para escolher nossa religião ou a cor do carro (no meu caso, da minha cadeira de rodas). Mas, antes mesmo de acreditar nessas coisas, temos que filtrar com a duvida outras, negando aquilo que todos acreditam cegamente. Por outro lado, temos que ter cuidado em não confundir ser cético e ser negacionista. O cético duvida numa maneira lógica (ou usando a razão [lógos]), já o negacionista só nega a favor de sua própria crença. A essência do ceticismo é a máxima cartesiana que é “penso, logo existo”, ou seja, posso duvidar a existência de qualquer objeto ou pessoa, mas, eu não posso duvidar da minha própria existência. Não é que temos que duvidar de tudo – mesmo o porquê, se você se jogar em um viaduto vai se estatelar lá em baixo no asfalto. A questão cética não é negar a religião, por exemplo, mas, o porque eu devo acreditar em tal religião. Ai, vários “porquês” aparecem ao longo do processo ate chegar na essência do fato e aí que está a questão existencialista, pois, a construção do ser acontece graças a esses vários “porquês”. A liberdade só acontece a partir da consciência do observado e o objeto observado, sendo total entendido o objetivo do objeto dentro da realidade da consciência que observa. Por isso mesmo, não importa o que fazem com você, mas, o que você mesmo faz o que fazem com você.

Indo adiante, podemos ver que existe o objeto observado que podemos interagir com ele e não podemos interagir com ele. Uma criança não podendo interagir com o objeto da sua vontade (ou porque o pai não compra ou porque a mãe não cede essa vontade), ela começa a chorar e se espernear como se fosse “morrer” se não tiver o objeto do seu desejo. A teimosia de querer tanto esse objeto ao ponto de chorar desse jeito chamamos de “birra”, que como costumava acontecer, deixamos de ter quando ficamos adultos. Acontece, que a nossa sociedade aqui no Brasil, por falta de uma maturidade educacional, ainda fica com “birra”. Se você não concorda com seu politico favorito (que chamamos de minions), ou sua ideologia política, ou sua religião, ele começa a querer ter razão. Para a criança, o objeto de desejo é a vida e querer algo é construir a sua realidade, ela pensa que a realidade dela, é igual dos desenhos ou dos ídolos que ela tenha. Exato. Todo o problema do fanatismo é criar ídolos e nos apegamos a esses ídolos, para criar políticas utópicas, religiões utópicas, ideologias utópicas e se fica nessas utopias. Mas, a realidade é muito além de um ídolo, porque o ídolo é uma construção de outra pessoa com a própria visão dentro dos seus próprios valores.

Quem me lê e quem me conhece sabe, que nesse ponto eu sou nietzschiano e destruir todos os ídolos para, exatamente, aparecer os porquês. Ai você pode questionar: o porque devo seguir tal religião?  O porque deve concordar com tal ideologia? O porque deve seguir tal pensamento? Ser cético é duvidar, ate mesmo, daquilo que achamos ser verdade e não existe verdades absolutas e sim, verdades relativas dentro dos próprios valores. Essas variações podem pautar escolhas e as escolhas não podem ser pautadas dentro do sentimentalismo, ou o pensamento idolatra social.


Amauri Nolasco Sanches Junior

sexta-feira, janeiro 10, 2020

Começou o Jihad Cristão no Brasil




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Amauri Nolasco Sanches Junior


Quem estuda geopolítica — de verdade e não esse bando de palpiteiro — que o termo jihad é um dever sagrado de todo islâmico defender o islã o que acreditam ser infiéis. Todas as Guerras Santas que os grupos mais radicais do islamismo se envolvem, tem o jihad como fundamento dos seus ataques ou dos seus atos terroristas que perpetuam no mundo (o 11 de setembro foi um exemplo bem claro). Toda pessoa sensata sabe muito bem, que o fundamentalista daquilo que acredita fundamenta sua crença dentro de bases daquilo que interpreta ser a verdade. Mas, na maioria das vezes, ou são coisas que são ensinadas como lavagem cerebral pelos chefes desses religiões, ou por alguma dependência afetiva que aquilo é seu conforto naquele momento. Muitas vezes, porque não é uma regra, o fanático é aquele que não tem estudo o bastante para analisar certas crenças ao olho da razão e sempre acha que toda a realidade está ali, que todo mundo acredita naquilo que eles acreditam.
A censura do grupo de humor Porta dos Fundos deixa bem claro que Jesus como um gay é imperdoável, que ele pode ser maconheiro, pode ser malandro, pode ser o que for, mas, gay não. Sabemos que muitos são muito mal resolvidos sexualmente, sabemos que outros aprontaram horrores na sua juventude e não tolera ver um espelho daquilo que fizeram. Obvio. Ora, o meu professor de publicidade dizia que o ser humano não ver o que é obvio, porque não se enxerga o que está na sua frente e você não está vendo. Ou seja, se alguém te faz uma ofensa e não te agride ao ponto de te impedir de fazer algo ou te defender, isso não é de maneira nenhuma, um ato de agressão a sua religião. Eu poderia ser espírita e quantas pessoas evangélicas dizem que o espiritismo é coisa do demônio? Pode ou não ofender, mas, o evangélico tem todo o direito de achar que é do demônio, porque assim aprendeu. Assim quer expressar. Não agredindo o espirita, ninguém precisa repreender o evangélico. Do mesmo modo o especial de natal dos Porta dos Fundos, eles não agrediram, eles fizeram duras críticas não a Jesus — porque muitos vieram de lares evangélicos — mas ao próprio cristianismo que se converteu numa religião materialista e não espiritual.
Mas, o que é ser espiritualizado? Não. Não é você escrever a hashtag #namaste e nem saber o que significa (o seu significado é o meu deus que está dentro de mim saúda o teu que está dentro de você), mas, é você começar a se esquecer, dissolver o eu e se conectar com ambiente. Não ache que o Eterno (não gosto do termo Deus, porque ficou algo muito genérico com o termo e começou a ficar bem banal), vai dar um carro, vai dar coisas materiais. Para a verdadeira espiritualidade, a conexão com ele vai muito além do que ter um adesivo “Deus é paz”, ou “foi Deus que me deu” no seu carro, é seguir o que está nos livros sagrados. O ótimo livro espiritual dentro da bíblia — que raramente os pastores pentecostais e neopentecostais lê em seus cultos — é o Eclesiastes que vai fundo na alma. Diz (dizem que foi o rei Salomão que escreveu), que no mundo tudo é vaidade, pois, todo mundo esquece em ficar em silêncio e meditar sobre sua vida. A questão é essa: o que fazemos na questão da nossa própria vaidade? Quando você coloca o adesivo “foi Deus que me deu”, isso é uma vaidade. Quis dizer que o Eterno se importou com você porque você é cristão e assim, você é mais merecedor do que o outro e assim, ganhou o carro. Isso é vaidade. Temos que ter humildade de torcer pelo outro e nunca achar que somos os seres mais privilegiados do universo.
O pastor Caio Fábio disse que acredita em um Jesus que não precisa ser defendido, porque ele morreu na cruz carregando todos os pecados do mundo. Uma reflexão interessante, mesmo o porquê, Jesus lutou contra os fariseus da época, senhores da lei que a aplicava ao seu bel prazer. Defendia nada o que era sagrado. Tanto é, que Jesus expulsou os comerciantes do templo, dizendo que a casa do pai não é comercio. Será que a religião que ele não pediu para fazerem em nome dele, tenha também virado comercio? Será que a reforma de Martinho Lutero tenha caído no ralo por causa do dinheiro? São pontos para se refletir. Mesmo o porquê, quem não tenha pecado, que jogue o primeiro coquetel molotov.

terça-feira, dezembro 31, 2019

A ética dos covardes canalhas



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Amauri Nolasco Sanches Junior


Havia um post no Linkedin — uma rede social que se diz profissional, mas está cheia de autoajuda vagabunda — que mostrava uma matéria de um jornal (todos hipócrita e canalhas) que dizia que o ex-presidente Lula processaria o Dono da Havan por ter contratado um avião com uma faixa dizendo que ele era “cachaceiro”. Respondi que eu achava o Lula um canalha, mas, quem é o Véio da Havan nisso tudo? Vou explicar melhor. O Lula é um canalha porque tem um discurso cínico parecendo que nunca foi presidente, como se no seu governo não havia aumento de preços, como se ele tivesse arrumado o nordeste e tivesse melhorado o país. Não acho que o Lula é um comunista. Aliás, ele nem sabe o que seria o comunismo. Acho que ele quer o poder pelo poder, um psicopata que pensa que o país é o quintal do sindicato que sempre ficou lá.
Luciano Hang (vulgo Véio da Havan) é um empresário fantasiado que tenta fazer marketing da sua loja. Aliás, até hoje eu não sei o que a Havan vende, o porquê ela existe e o porquê tem uma Estatua da Liberdade na entrada. Mas, ele joga na polêmica e começa dizer coisas que não tem nem lógica, como jornalistas não darem sua opinião, ou que piso tatil não serve para nada. Por que jornalistas que dão opinião sobre o Lula ou a corja do PT vale e os que criticam o governo não? O Bolsonaro também erra e tem que apontar o erro, para talvez, ele repensar o caminho que tomou. Mas, ao que parece temos um petismo dentro da direita, um fanatismo chato que em vez de atrair as pessoas para uma discussão mais racional, atrai sempre os idiotas para uma discussão rasa e pobre o bastante para atrair os pseudos-filosofos. Ainda, esses intelectuais que tem livros na livraria custando quase cem reais e ficam pedindo ajuda, aproveitam para atrair seus holofotes para si mesmos.
Ao longo da minha vida, sempre vi aqui no Brasil uma ética seletiva que não pode envolver aquilo que eu acredito, aquilo que eu penso, ou aqueles de que gosto (como amigos e parentes). Também se gosta de rotular as coisas e relativizar aquilo que se acha importante variar. Como já li que Likedin é uma rede social profissional ou que o Facebook é coisa de qualquer um. Redes sociais são ferramentas virtuais para fazerem o que desejarem (com ética, claro), e quem faz ela é os usuários. Claro, que quem usa mais o Linkedin são profissionais que na maioria das vezes, postam autoajuda vagabunda para incentivar profissionais a não desistirem. Como se um meme possa fazer milagres. Sobre a relativização das coisas, nossa cultura é muito disso. Conservadores viram liberais, pentecostais viram judeus (pior ainda, judeus da idade media), rock vira samba, e todo tipo de porcaria se dissolve atrás do que se acredita.
Vou dar dois exemplos bastante emblemáticos. O primeiro exemplo foi um texto — pequeno por sinal — respondendo uma pergunta de um grupo sobre deficiência, que estava perguntando se havia cadeirante que viajava. Disse no meu perfil, que não gostava de viajar de avião porque não gostava de ficar sem comer ou ir ao banheiro, fico muito chato as raias de ser insuportável. Continuando, disse que não ia na casa dos meus parentes porque não eram casas adaptadas para entrar na minha cadeira de rodas. Pronto. Se montou uma atmosfera entre filosofia barata e relativismo explícito sobre inacessibilidade da cidade. Até mesmo, teve a mistica do degrau que tinhamos que superar. Será mesmo que há a mistica do degrau quando o dono da padaria não acessibiliza a padaria? Chegaram a dizer que meus parentes me amavam. Não duvido que eles me amam, mas, a questão é acessibilizar ou não acessibilizar sua própria casa para receber um cadeirante. A ética não pode ser seletiva, porque ou ela abrange tudo, ou aquilo não precisa ser seguido. A ética sempre informa o quanto estamos ou não, relaxados e relapsos a sociedade.
Outro exemplo foi um vídeo. Uma mulher queria saber da sua mãe biológica e entrou em contato e foi ver a mãe biologica, sendo que a mãe que pariu ela dizia no vídeo que não queria nenhum contato, não queria nada da sua filha que deu para a outra. Comentei que a mulher (a mãe que deu a filha) já tinha dito que não queria nada no contato no telefone, por que a filha foi lá? Terminei meu comentário dizendo que pai e mãe é quem cuida, o resto é só ideias românticas baratas. Ora, todos que estudam história sabem que esse amor filial romântico veio muito recentemente, que antigamente as pessoas não se importavam muito com a morte do seu filho (claro, que as vezes, tinham pessoas sensíveis que sentiam sim). A questão sempre vai girar no relativismo da ética de hoje, que escolhe a quem exigir. Por outro lado, a escravidão do dever kantiano faz as pessoas pensarem que a mulher deve amar sua filha e deveria aceitar ela de qualquer jeito (chega a ridículo de rogar pragas e até ter a arrogância de achar que manda nas decisões de Deus), mas, cada um ama aquilo que se tem empatia. Como disse um escritor (não me lembro quem) tudo que amamos, amamos sozinhos.

sábado, dezembro 28, 2019

Sanctus Dominus — quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov





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As questões ideológicas e religiosas sempre foram muito mais complexas do que o senso comum sequer imagina. E quando a ideologia começa a se misturar com a religião, num português bem claro, só dará merda sempre. O ataque a sede do grupo de humor Porta dos Fundos mostra o quanto a juventude está perdida e sem rumo nenhum, porque você se apresentar como um fascista, mas discursar como um marxista raiz, é de uma imaturidade gigante. A questão é: qual moral devemos seguir sem ao menos, questionar a sua origem? Veja, não devemos confundir questionar com falar mal ou ser contra aquilo, apenas questionar se aquilo é realmente verdade ou mentira, se aquilo levara o ser humano ao conhecer a si mesmo ou apenas, é mais um discurso para dominar a massa. No limiar de tudo, todos esses deveres são marketing para assegurar a predominância de um discurso qualquer.
No caso da representação do Jesus gay do Porta dos Fundos, sempre constatamos que Jesus teve uma imagem mistica muito bem construída nesses dois mil anos de história do cristianismo. Talvez, essa construção da imagem dele enquanto ser que é a incorporação de Deus no mundo — como se Deus devesse se apropriar de um corpo para se fazer presente — seja um discurso sagrado dos milagres que ele teria feito, que lógico, fez dele uma figura mistica. Ora, o budismo (digo o budismo mesmo) não vê Buda como um deus e nem o Islã vê Maomé como deus, porque Deus seria algo muito maior e muito mais longe do que possamos definir em um ser só. Ai entra o romanismo dentro do cristianismo, pois, se algo deve ser adorado, esse algo deve ser transfigurado em uma imagem. Mesmo que várias pessoas tenham múltiplas explicações para isso, o cristianismo não difere dos cultos a deuses da antiguidade e talvez, sincronizou no culto de um homem crucificado, acusado de se titular rei de Israel e blasfemar contra o culto tanto de Roma, como dos judeus. Ou seja, apontou a hipocrisia dos sinédrios da época, em achar que o Templo de Salomão era algum tipo de comércio, que ao passar do tempo, todos ficam como comércio. Isso não quer dizer que eu ache que Jesus não existiu, as ordens morais que ele disse — se disse mesmo — são importantes para uma vida equilibrada e com sentido em ser. Afinal, quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov?
Segundo o novo testamento, Jesus participava de várias festas e comemorações, mostrando que ele era uma pessoa alegre e festiva. Ora, vamos ser sinceros com a fé cristã, mesmo que ele for Deus, ele iria se importar do que um bando de comediante diz dele? Mesmo se ele fosse homossexual, será que sua mensagem mudaria por isso? Claro que não. Racionalmente, podemos dizer que homens no tempo de Jesus (segundo a lei judaica) homens co 30 anos de idade, teriam de ser casados e, pelo grau de cultura que Jesus demonstra, talvez, ele teria que estudar no templo. Vários estudiosos já trabalham com a ideia que Jesus e José era escribas do templo, assim, poderiam circular no mesmo livremente. O que nos remete que Jesus deve ter sido casado — como Buda, Maomé ou Moisés e isso não invalidaria suas mensagens — isso reforça a hipótese, que Maria de Magdala teria sido esposa e discípula de Jesus. Porém, nos resta uma dúvida importante: por que o império romano como todo aquele poder acabando, ter aceitado cultuar um culto de um homem crucificado?
A cruz é um símbolo religioso muito antes da crucificação de Jesus, mesmo em Roma. Aliás, há um erro corriqueiro, que atribui festas incorporadas na religião cristã como deus antigos vindos de fora, mas, o que vimos e o que dizem vários pesquisadores, é que tudo ou a maioria que existe no cristianismo veio dos romanos. Todo o cristianismo é romano. Isso não resta dúvida, quando olhamos os anjos das igrejas e eles estão vestidos como centuriões romanos. Há muitas características que mostram todo o império romano na igreja romana cristã, além, claro, das filosofias gregas influenciando alguns pontos teológicos disso tudo. Muito pouco restou das falas e dos ensinamentos de Jesus, portanto, a figura mistica sempre dominou o que realmente o cristianismo deveria pregar como ensinamento do seu mestre. Portanto, o cristianismo não é o mesmo de seguidor de Jesus.
Ora, afinal, será mesmo que foi Jesus o ofendido ou o cristão se ofendeu? Será que a ofensa é a imagem que se construiu dentro do fanatismo? Tudo isso que eu escrevi não quer dizer que a mensagem de Jesus não seja importante, mas, que tenhamos sempre um filtro daquilo que é, verdadeiramente, sua mensagem e aquilo que não, não é sua mensagem.

quarta-feira, dezembro 25, 2019

Natal Bumbum



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Amauri Nolasco Sanches Junior




Uma das frases do filósofo Luiz Felipe Pondé é que deveríamos seguir religiões de mais de mil anos de tradição. Como eu gosto da doutrina espírita e leio bastante sobre, eu descordei dele por muito tempo. Como filósofo, o discordar de alguma ideia, não quer dizer que o outro é uma porcaria e tudo que ele diz é uma porcaria. Fui entender esse pensamento quando eu comecei a analisar certas coisas que acontecem dentro do natal e não só, mas outras questões éticas que trazem dentro de uma certa cultura. As pessoas ficaram barulhentas e sem graça ao ponto de postarem baladas, fumando narguilé e outras porcarias. Que aliás, o narguilé é uma tradição oriental — me parece, da Índia — que não deveria ser para fumar maconha ou ácidos, mas, água aromática. Estamos criando uma geração de bunda moles que nem sabem o que estão fazendo e acham que são sucesso na internet. Sem conteúdo, você não gera conteúdo e não adianta chorar.
A questão é grave e deveria entrar como saúde pública. Em um canal de YouTube que fala de vida cotidiana chamado Acidez Feminina, a Tati responde algumas duvidas de pessoas que só souberam aonde ir quando eram espermatozoide do pai. Ora, uma dessas cartas dizia que o marido da mulher que escreveu sempre escreve para sua mãe se vai viajar, se vai passear, se vai fazer alguma coisa porque sua mãe exige. Tati disse que a mulher deveria compreender esse tipo coisa e deveria deixar o homem, ser o bebe da mamãe o quanto ele quisesse. Primeiro, que o cara beira aos 38 anos de idade e deveria ter idade o suficiente para dizer a mãe que ela não precisa se preocupar. Segundo, além da nossa sociedade produzir homens bunda moles, bebezões que não sabem nem criar seus próprios filhos, idolatra a família e isso é muito ruim dentro de uma sociedade. Minha mãe sempre nos ensinou — eu e meus irmãos — que devemos amar as pessoas sem ficar “grudadas” nelas, como se fosse, um desapego. Eu que estou numa cadeira de rodas, com certas limitações, minha mãe me empurrou praticamente, para viajar sozinho com os amigos aos 16 anos de idade. Quando eu não queria ir, praticamente, ela dizia algo para que eu fosse. Seu último pedido antes de se for, foi para mim me cuidar e estou me cuidando. A grande lição da minha mãe é que você cria seus filhos para o mundo e não para você mesmo, seu egoismo só vai fazer você criar um belo de um bunda mole que não sabe nem pegar um copo de água sozinho. Gentileza é uma coisa, achar que mães chatas são intocaveis, é bem diferente.
O que tem a ver a Tati com o Pondé? O Pondé nos remetem a tradições milenares onde a formação das crianças eram feitas para melhorar e continuar essas tradições, mesmo o porquê, as crianças eram futuros cidadãos daquela polis. Não interessa o que uma mãe achava, a criança iria se submeter ao agoge espartano, muitas vezes, jovens eram mandados a estudar em outras partes do mundo. Na verdade, a esquerda e mais especificamente, a filósofa Marilena Chauí, não está errada, a família de hoje foi inventada pelo capitalismo. A estabilidade social precisava ser feita para reconstruir as nações logo após a segunda guerra mundial, então, inventaram a família de marca de margarina. Na essência, não existe felicidade plena sem antes nos desapegarmos a certas particularidades que não valem a pena continuar. O apego faz sofrer porque nada é permanente, como dizem, não há caixão duplo. A permanência nos coloca em imaginar que exista algo eterno, porém, mesmo que algo seja eterno ele não pode mudar? Será que existe essa eternidade que coisas ou seres são eternos? Mesmo eu lendo bastante coisa do espiritismo, para mim pelo menos, a eternidade evolui conforme o conhecimento que acumulamos e não acredito em castigo ou karma no sentido popular.
A Tati pensa igual todo mundo — mesmo que seu canal tenha um nome acidez feminina, onde remete que acidez é a desconstrução molecular de algo — onde a família é sagrada e não tem o que discuti. Ora, a questão familiar é uma questão social, uma questão que abrange o futuro humano e como disse, a família como conhecemos, é muito recente. Tanto é, que na era vitoriana, a moda era tirar foto de cadáveres como se eles tivessem vivos. Isso é uma amostra o quanto o desapego era frequente antes da família doriana. O mundo não era tão idealizado e os seres humanos, não criavam seus filhos para lacrarem. Não se criava os filhos para se apegarem a mãe e quando um parente morria, ficar até mesmo, com depressão. Aliás, se confundem tristeza profunda com depressão, que pode por ventura, atrapalhar quem realmente sofre com a doença.
Sabemos muito bem, que o filósofo alemão do final do século dezenove, Nietzsche, tinha razão em achar que a quebra dos verdadeiros valores iria produzir vários ressentidos. O cristianismo é a prova disso, pois, produziu vários ressentidos que destruíram várias tradições antigas por não entender aquilo. Achava que o poder tinha que te dar o pão e que finalmente, lá no paraíso, ele seria alguma coisa. Todo ressentido é um nada. Mesmo que Jesus tenha dito que tudo que ele fazia, todo mundo também pode fazer, mas, Jesus fazia no meio da multidão e ao ar livre, não em templos. Uma das passagens ele diz que se deveria desapegar de tudo e todos para segui-lo, pois, cada homem tem uma missão. Ser cristão não necessariamente, você é seguidor de Jesus. Muitas tradições cristãs vieram de outros povos e do império romano, filosofias diversas, e etc. Então, qual o significado de destruir aqueles que não seguem se a igreja universalizou Jesus ao ponto de colocar outros rituais lá dentro? Será mesmo que somos todos ateus?

sábado, dezembro 21, 2019

Cadeirante com cara de Ursinho Puff e o Chapeleiro Maluco da Havan




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- Gatinho de Cheshire (...) Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?
- Isso depende muito de para onde quer ir - responder o Gato.
- Para mim, acho que tanto faz... - disse a menina.
- Nesse caso, qualquer caminho serve - afirmou o Gato.
- ... contanto que eu chegue a algum lugar - completou Alice, para se explicar melhor.
- Ah, mas com certeza você vai chegar, desde que caminhe bastante.
- Mas eu não quero me meter com gente louca - ressaltou Alice.
- Mas isso é impossível - disse o Gato. - Porque todo mundo é meio louco por aqui. Eu sou. Você também é.
- Como pode saber se sou louca ou não? - disse a menina.
- Mas só pode ser - explicou o Gato. - Ou não teria vindo parar aqui.
Alice achou que isso não provava nada. No entanto, continuou:
- E como você sabe que é louco?
- Para começo de conversa - disse o Gato - um cachorro não é louco. Concorda?
- É, acho que sim - disse Alice.
- Pois bem... - continuou o Gato. - Você sabe que um cachorro rosna quando está bravo e abana o rabo quando está feliz. Mas eu faço o contrário: eu rosno quando estou feliz e abano o rabo quando estou bravo. Portanto, eu sou louco.
(Alice No País das Maravilhas)
 CARROLL, L., Alice no País das Maravilhas, 1865.


Um dos livros de filosofia que mais gostei de ler foi Alice no País das Maravilhas de Lewis Carrol, que conta as aventuras de um mundo doido onde nada tinha lógica e os objetos eram, completamente, vivos e falantes. Na visão da Alice, todo aquele mundo não fazia sentido porque tinha aprendido que as coisas tinham uma ordem lógica, isso também, era pensado na ordem moral. Estava em tempos vitorianos — a moral vitoriana veio da rainha Vitoria, da família perfeita — e muita visão moral, que alguns casos ainda ficou, começa a ser questionada em todas as áreas. Visivelmente, Carrol faz duras críticas a essa educação vitoriana e começa a colocar um mundo que não existe lógica e nem princípios morais que pudessem quer questionados. Mas, o que seria uma moral de verdade? O que seria a própria realidade e a normalidade?
A maioria dos brasileiros idealizam a realidade a partir dos princípios que regem sua religião, rege sua ordem moral. Mas, que ordem moral poderíamos seguir? Mais ou menos, trezentos anos antes de cristo, o filósofo Sócrates já observava que as pessoas eram boas para agradar as outras pessoas, para se passarem de detectoras de conhecimento e sabedoria e a bondade em ajudar o próximo. Sócrates dizia que nada sabia, exatamente, para mostrar que ele com o vasto conhecimento que tinha da alma humana, não sabia de tudo e sabia que não sabia de tudo. O filósofo dizia que a verdadeira bondade é só alcançada quando adquirimos um certo conhecimento e esse conhecimento, faz com que vejamos uma bondade além das ordens morais que regem a sociedade. Platão, por ter uma carga não só da filosofia socrática, mas também, seguiu vários outros filósofos, seguiu nesse caminho do conhecimento e ignorância. Sua ideia da caverna nada mais é do que o conhecimento do homem que saiu dessa caverno e o resto, que continuou a ver as sombras. Mas, por que a maioria continua a querer ver as sombras? O simbologismo das sombras e bastante simples, pois, nem sempre o formato da sombra é do formato do objeto que é projetada a sombra. Podemos até mesmo, manipular o formato dessa sombra.
No livro — talvez, Carrol tenha lido Platão — Alice tinha tirado uma soneca e acordou com a irmã te chamando para tomar um lanche. A realidade é construída a partir daquilo que escondemos em nosso íntimo como valores morais, você pode ser consciente desses valores ou esses valores são ocultos na sua consciência. Sonhos, na maioria das vezes, são aquilo que está lá escondido no seu inconsciente e ninguém — nem mesmo você — sabe que aquilo existe. Aliás, Aristóteles sempre dizia que a ética se pratica e não, se teoriza. Então, quando se votou no Bolsonaro, eu tinha na minha cabeça, que votaram nele para as leis e para cumprir essas leis, mas, o que eu estou vendo é a mesma coisa que sempre eu vi. Um fanatismo exagerado e uma oposição burra e porca que não sabe, nem mesmo, argumentar. Por que Paulo Freire é um energúmeno? Por que é culpa do TV Escola o nosso desempenho escolar? Será que cultura é uma coisa ideológica? Enquanto o mundo se moderniza e se acessibiliza, o Brasil ainda quer viver em uma cultura do século dezenove hipócritas e que não tem nada a ver com o mundo de hoje. O Brasil quer ser um país atrasado.
Mas, sabe o melhor lugar para ver o atraso mental e o atraso do empregado vassalo? Linkedin. Só vejo autoajuda vagabunda e pessoas que acham que entendem de marketing, mas, não leram um Krotter sequer. Só fica lendo artigos de coachings vigaristas, palestras vagabundas e livros que nada trazem de conhecimento e nada vão trazer para uma empresa mais prospera. O Luciano Hang é péssimo de marketing, diz ter lido Olavo de Carvalho e acha que está fazendo uma boa causa trazendo o ursinho puff de cadeira de rodas para o seu vídeo. Um alienado ou um cúmplice? Eis o mistério.

quinta-feira, dezembro 19, 2019

#BrasilReal : fábrica de falar merda chamada Brasil



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“Um dos traços mais notáveis de nossa cultura é que se fale tanta merda.”

(Sobre Falar Merda, Harry Frankfurt)




O que é falar merda? Todos dizem que falar merda é dizer alguma coisa como uma asneira, mas, não é bem assim. Eu entendo que falar merda é falar aquilo que se acha que sabe, porém, não sabe e se pensa ainda saber. E isso não é um problema de agora — no século vinte e um — ele é um problema desde muitos milênios, quando o poder começa a falar merda para dominar e deixar o povo ignorante para falar muito mais merda ainda. Por que? Seria bastante interessante se ter a população na ignorância, para governar e ficar falando aquilo que não sabe. Como Sócrates detectou, que as pessoas achavam que estavam falando coisas que tinham sentido, mas, não tinha a menor lógica você acreditar naquilo. Sócrates percebeu que as pessoas não eram boas de verdade e indo mais além, as pessoas nem sabiam o que era bondade de verdade e só falavam merda.
Platão, que continuou de certa forma, o legado socrático, chegou a conclusão que opinião não é conhecimento. Falar merda não era sinônimo de conhecer alguma coisa, mesmo o porquê, quem fala merda não sabe nem a origem daquilo que está falando. Afinal, Platão viu seu mestre Sócrates sendo morto porque um poeta — se pagaram ele ou não, não interessa — começou a falar merda do filósofo e o povo, que deu razão ao poeta, deram razão a merda falada. Platão chegou a conclusão, que toda aquela merda que o poeta disse que o povo sempre acha que é verdade, são produto de uma essência que chamamos de verdade (arethe), mas, de meras ilusões que as pessoas acreditam e a merda é construída a partir de um chorume maior. Mesmo o porquê, sabemos que a instrução verdadeira não acontece em escolas públicas, mas, por conta própria. Tudo que aprendi ao longo da minha vida, não foi numa escola, foi em livros e pesquisas na internet. Que aliás, existem várias merdas que, por via de muitas dúvidas, devem ser pesquisadas as fontes.
Por que ninguém pesquisa a fonte? Porque a maioria das pessoas continuam ainda achando que sabem, pois, é muito mais cômodo achar verdades que foram prontas para seu conceitos. Nos desiludimos com certo politico, por exemplo, outros teóricos começam a falar merda colocando ideologias que não são dele, não fazem parte nem da ideologia partidária que defende. Mas, para a maioria, aquela verdade é confortável. Como se você fosse um fedelhinho e está confortável em um cobertor sendo acariciado pela mamãe que irá te proteger, mas, a vida não é aquele edredom cheiroso e quentinho, a vida é cobertor velho cheirando bosta das diarreias mentais que a maioria tem. A maioria acha que esse cheiro de bosta é culpa do outro, o outro quer te colocar nesse cobertor cheirando bosta. Mas, você cagou sua vida e não quer assumir. Você acha que sua vida é um talco cheiroso, mas, a sua vida é cheia de maria-fedida (bisorinho que deveria ser o nosso símbolo). A maria-fedida sempre entra no meu quarto e deixa cheiros horrorosos, do mesmo modo, quando entre uma ideia dentro de uma cabeça vazia.
Não estou dizendo que as pessoas não sabem de nada, mesmo o porquê, a capacidade cerebral de todo mundo — pelo menos, a parte racional — é igual. Como Platão disse, uma mera opinião é uma ideia muito rasa daquilo que se acha que sabe, mas, não sabe. Saber é você ler sobre, estudar sobre o assunto, e depois saber o que argumentar. Na verdade, a maioria das pessoas estão em um mundo ilusório e que pensar ser realidade, mas, estão numa ilusão, uma caverna que só existem sombras. Afinal, o que a realidade? Realidade é você estudar 20 anos e aprender o que os outros querem? Realidade é trabalhar para os outros sem questionar? O que é a realidade?



quinta-feira, dezembro 12, 2019

A religião do terraplanistas





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A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia.
Albert Einstein






Na filosofia, nós sempre dissemos que devemos pensar fora da caixinha e por isso mesmo, as pessoas deveriam indagar mais. Mas, é diferente você peguntar “será mesmo que a Terra é redonda? Será mesmo que o homem pisou na lua?” do que afirmar categoricamente “A Terra é Plana” ou “o homem não foi para a lua”. Indagação é filosofia e afirmações são dogmas. Quando vivemos afirmando não estamos pensando fora da caixinha, estamos achando que a nossa moral é melhor do que as várias morais. Porém, algo estranho aconteceu com o fenômeno da internet que potencializou essas afirmações como se fossem verdades, assim, o “será” se torna “é”. não há em nenhum versículo da bíblia que se fala da Terra Plana. As pessoas usam a parte do Apocalipse de João dos quatro cantos do mundo, para afirmar a terra plana. Mas, na época que foram escrito o apocalipse, se tinha o mundo conhecida da Ásia, oriente médio, e o mundo romano (e a áfrica) e não se sabia muito dos gregos, que já desconfiavam da esfericidade da Terra.
Na verdade, esse movimento não só surge no Brasil e sim, é um movimento bastante significativo e tem pessoas famosas e que tem estudo, como se fosse uma religião. Existem várias religiões do tipo que substitui aquilo que é aceito da maioria, até mesmo, para indagar o que se normalizou como verdade. Várias coisas desse tipo viram verdades absolutas, porque nem sempre as pessoas têm um estudo amplo que possa entender que a bíblia é um artigo de fé, e a realidade é outra coisa. A culpa é do próprio cientista que ou acha que o publico leigo tem a mesma carga acadêmica do que a dele ou que é bilíngue igual ele, pois, tudo que não entendemos temos o instinto de rejeitar aquilo. Mas, não há dúvidas — até esse momento — a esfericidade do planeta e não só ele, mas, todos os planetas do sistema solar. Grosso modo, isso não deveria nem estar em discussão, porque são coisas provadas mesmo dentro do próprio planeta e não tem a ver com lentes olho de peixe. Se a Terra fosse Plana, você ia virar para o norte e iriamos ver a estátua da liberdade, iriamos virar para o sul, poderíamos ver Buenos Aires, talvez. Além do mais, há o fenômeno gravitacional que nada mais é, do que a rotação da Terra. Então, o porquê duvidar disso e não duvidar de outras coisas muito mais absurdas do que a esfericidade da Terra ou se o homem foi mesmo para a Lua?
Essa discussão começa desde a Grécia (Hellas) antiga, quando haviam filósofos que acreditavam que a Terra era redonda e que a Terra era plana. Na verdade, os gregos antigos não tinham muito essa concepção que tudo era separado, pois para eles, a ideia do cosmo era uma unidade. Também, eles acreditavam muito em um destino, como se o mundo fosse um filme e o ser humano fosse um personagem. Por isso mesmo, se fala muito que tanto Sócrates, como Platão, tenham quebrado essa imagem do homem dependente do universo e dos deuses. Tanto é, que Platão vai elaborar o teorema da caverna, onde o ser humano está prezo nas crenças e tudo que você segue sem perguntar de onde veio e porque daquilo. Aliás, poderíamos perguntar qual mo motivo essa discussão toma corpo no exato momento e no século 21, onde o ser humano está começando a engatinhar na inteligência artificial? Qual o interesse das religiões vigentes, se alimentar dessas paranoias? Fácil. Uma crença tem que ter um argumento bastante sólido para fazer as pessoas acreditarem, que aquilo seja verdade e só aquilo vai trazer felicidade, pois, as outras coisas só servem para iludir o ser humano. Eles são contra tudo sexualizado, porque se o povo sentir prazer, não haverá religião e nem infelicidade. Porém, o que acontece também, é o exagero de ou ser de 8 ou a 80.
A ideia que a Terra é Redonda começa com Pitágoras, que já começava a dizer que o nosso planeta era esférico. Assim como Aristóteles também dizia da esfera da Terra através da sombra na Lua, que faz sentido se você olhar para a Lua e ver, de repente, a sombra da Europa. Se a Terra fosse plana, todos os continentes eram vistos. Isso até é obvio e não precisava toda essa discussão, porque mesmo na idade media, essa teoria não faria o menor sentido. Ou alguém, ou algumas instituições quisessem segurar fiéis ou seguidores pelo medo, não diferente de hoje. Exato. As crenças surgem pelo medo de alguma coisa e não para religar nós ao divino e sim, o medo do deus-rei que pode castigar ele se ele não obedecer algumas leis. Aliás, essa ideia veio do grego do destino, do mundo como uma estrutura e isso não muda porque já temos uma linha só.
O destino entra no paradoxo do livre arbítrio, como a Terra plana entra em uma crença medieval que acaba deixando uma dúvida se as pessoas querem causar para ter likes e visualizações, ou eles realmente acreditam nisso por pura ignorância. Não há nem sustabilidade da terra plana, os argumentos de que o homem não foi a lua são muito fracos, e outras questões que nem vale a pena mencionar.