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quarta-feira, janeiro 08, 2020

Filósofos não podem criticar o PT




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Amauri Nolasco Sanches Junior

Dias desses na rede social do Linkedin, li uma manchete em um site qualquer que um dos membros da rede postou, que o ministro da economia, Paulo Guedes, queria ter acesso à parte de aposentadoria e pensões para pagar o 13º salário da bolsa família. Só comentei que nada diferente do PT e do PSDB, que tiraram de outro lugar o dinheiro para programas sociais. Quantas vezes lemos que o governo tirava da educação ou da saúde para pagar a bolsa família? Quantas vezes lemos e já foi provado, que um dos destinos do dinheiro tirado das estatais eram para esse tipo de programa social? Não estou defendendo o governo Bolsonaro, só estou dizendo que para mim que sempre li jornais, não há novidade nenhuma. O problema é um usuário dizer que comparar o PT com o governo Bolsonaro era uma desonestidade intelectual imensa e era muito pior por eu ser um filósofo. Em um outro momento, a dona da postagem aparece e pergunta em que mundo eu estou. Em um outro momento, disse que não viu nada disso em 38 anos de visão politica.
Lendo isso uma questão me veio na minha cabeça: por eu ser um filósofo e comparar todos os governo de alguma medida, fazem igual? Por eu ser um filósofo, a minha análise é, exatamente, mais ampla e com mais argumentos do que a maioria. Porque o filósofo é um amante da sabedoria e está a procura do objeto do seu amor, como Psique ficou atrás de Eros e nunca lhe encontrou. Cada caminho para achar essa sabedoria é importante, pois, junto com essa sabedoria está a verdade e não é qualquer verdade, e sim, o verdadeiro LOGOS primordial. Então, um filósofo não pode ficar presos em conceitos determinados ou que o senso comum acha ser a verdade (doxa), mas, aquilo que é em essência primordial. Não importa o que está na modinha, não importa se os outros estão dizendo, as análises devem ser analisadas a partir de um ponto além da paixão (o apego aos ídolos), além das análises superficiais. Sempre falo que o filósofo é uma espécie de arqueólogo das ideias, ele não examina a superfície de tudo e sim, vai examinar as camadas mais fundas para encontrar elementos para aquilo ter surgido. Se o filósofo começa a defender uma única posição, ele não é um filósofo e sim, um simples intelectual que só repete do que lê.
Concordo com Nietzsche na questão da verdade e da mentira. Dizia o filósofo alemão, que tanto a verdade e a mentira, são construções que decorrem de uma vida de rebanho e da linguagem que lhe correspondesse. Ou seja, as verdades e as mentiras sempre dependem daquilo que as pessoas acham ser a realidade, os valores que acreditam e levam sempre a uma vida de rebanho e o ser humano acaba sendo escravo de crenças que o alienam a uma verdade maior. Continua dizendo, que o homem de rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho. Assim, a grande maioria tem que seguir o que a maioria segue para ser aceito, ninguém gosta de ser excluído porque nos ensinaram uma realidade que alguns duvidam — aliás, muito poucos vão além das ideologias e as crenças religiosas — e esses, são excluídos da grande massa.
Os filósofos não tem nenhuma visão única que não pode ser mudada, não pode ser repensada ou analisada de forma diferente da maioria. Mesmo o porquê, um ponto de vista é apenas um ponto , mas, existem vários outros pontos de vista que podem também ser colocados. Verdades únicas são sempre perigosas. Verdades únicas construiram tiranos, foi a alienação social da idade media, é a essência de qualquer fanatismo dentro de qualquer sociedade humana. Seja da direita (fascismo e nazismo), seja de esquerda (socialismo/comunista). Por isso mesmo as democracias são democracias, porque existe uma incerteza dentro dela, existem variedades de ideias e posições e sempre o medo dela sofrer uma ruptura. Então, um filósofo dentro da área politica, deve ter bastante cautela cética das análises e sempre jogar outro ponto de vista além que todo mundo fala e expõem e por causa disso, o filósofo incomoda. Incomoda porque sabem que não corresponde a realidade o que dizem ou acreditam saber, mas, insistem porque querem ter razão. Na Grécia, nos tempos clássicos de Sócrates, chamavam ele de “a mosca de Atenas” por ele incomodar como uma mosca que fica nos rodeando. Tanto é, que ele foi condenado por uma condenação tola e vil, só para se livrar de Sócrates e nada adiantou. Seus alunos continuaram seu legado, Atenas caiu na dominação do reino macedônio, e o nome de Sócrates foi legado por toda a história.
A sociedade gosta do “cobertor quentinho” de ser aceito dentro de qualquer manifestação social. Seja virtual ou não, a vaidade impera e não tem como escapar. Como se fossem tribos, os iguais se articulam entre si e compartilham do mesmo pensamento, seja com um ritmo musical especifico, religião específica ou ideologia específica. Mas será mesmo que elas são a visão da verdadeira realidade? É de se pensar e sair da caixinha social.

sexta-feira, janeiro 03, 2020

Carros movidos a bosta





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Diante destas guerras tolas que os americanos se envolvem, poderiam pensar em inventar carros movidos ao teor orgânico, bosta. Já que mentiram para mim que agora carros voariam, trens iriam ter um sistema de magnetização nos trilhos (em alguns lugares já tem), que moraríamos em prédios cada vez mais altos e mais automatizados — fora pessoas com deficiência andando em exoesqueletos, enxergando graças ao óculos neural — poderíamos pensar em carros movidos a bosta. Na verdade, seria um combustível barato (todos os animais produzem), não acabaria e não precisaríamos matar nada para obter. O petróleo tem um alto teor de poluente e pode aquecer o planeta, o metano é importante, até mesmo, para a manutenção do planeta, mesmo o porquê, várias formas de vida precisam do metano para viver. Bosta em qualquer rio tem, poderíamos tirar a toneladas e recuperar os rios, poderíamos também, fazer um sistema de esgoto que dariam em usinas para tratamento dos dejetos. O petróleo abaixaria muito e não ficaríamos focados ou presos nele.
Todos nós sabemos que o presidente americano Donald Trump tem a cabeça do pessoal que vivia nos anos 60, onde o medo do comunismo pairava o mundo. Governos foram destruídos, pessoas foram mortas, graças a uma paranoia americana de uma dominação comunista. Fora que tanto a geração de energia americana, quanto sua indústria automobilística, são arcaicas o bastante mesmo que desenvolva tecnologia. Eles precisam de petróleo, porque além dos donos das indústrias que vivem dos derivados dele, encherem de grana. Grana sempre é bom e não sou contra — quem é contra é sempre o bonzinho que pensa mudar o mundo e não arruma nem seu próprio quarto — mas, existem alguns limites éticos para se ganharem essa grana. Será que escolher um governo que lhe agrade é ético? Sabemos que os americanos financiaram e promoveram as ditaduras militares dos países sul-americanos — incluindo o Brasil — promoveram ditadores no Oriente Médio por causa do petróleo e o medo comunista (uma potência comunista que nunca existiu).
O capitalismo gerou uma neurose para não acabar, mas, brigava com um inimigo fardado a morrer por ele mesmo (um exemplo bastante claro é a abertura do mercado chinês, que não aconteceu com a União Soviética). Qualquer criança sabe, se não entra dinheiro em um país (leia-se, investimento), esse país e seu mercado está fadado a morrer, porque não gerou o capital de giro. O socialismo/comunismo acha que pode viver com os seus próprios recursos, porém, se você não vender ou fazer qualquer troca, o produto produzido pode gerar uma inflação, porque vai gerar a mais daquilo que se precisa. Ou seja, tem que acabar com o produto de qualquer forma. Mas, pode faltar pelo número dos cidadãos, por isso mesmo, Marx vai defender a perda de 10% da população. Stálin fez isso na Sibéria. Todo socialista/comunista vai dizer que isso é uma lenda capitalista. Por outro lado, temos milhares de imagens que comprovam isso.
O mundo em crise sempre busca uma maneira nostálgica de procurar segurança e um inimigo que não existe. Primeiro, pela nossa cultura maniqueísta (dualista) que vê as leis morais e éticas como o bem ou o mal, porém, o bem pode ser descrito pelo o conhecimento, a capacidade de empatia com o outro e indo além, entender como funciona o mundo. Já o mal, podemos colocar como a ignorância, o não saber como o verdadeiro caminho procede, o preconceito e a indiferença com o outro. Mas, são coisas definidas e não tem nada a ver com o relativismo que assola o mundo de hoje, porque ou você tem o conhecimento, ou não.

segunda-feira, dezembro 30, 2019

Por que pessoas com deficiência não podem namorar?







Amauri Nolasco Sanches Junior


Sempre quando eu vejo a pergunta do título, me vem a cabeça a pergunta clássica de todo grupo de deficientes (que chamo de guetos): “você namoraria uma pessoa com deficiência?”. Parece uma resposta óbvia, mas, tem muita coisa a ser analisada nessa pergunta. Se antigamente eramos comandados por preceitos religiosos, depois ideológicos, hoje somos comandados pelo marketing do bem. O marketing do bem sempre vai nos mostrar que a vida tem que ser mais saudável, que as pessoas devem sempre sorrir e que existe um propósito para tudo. Talvez, objetos tenham algum propósito, mas a vida é o que fazemos dela e, muitas vezes, erramos de não fazer o que queremos por causa do outro. Minha cadeira de roda tem mais propósitos do que uma pessoa que segue tendências, ou seja, se você quer um mundo melhor, você é um nada.
Voltamos a pergunta. Temos uma sociedade movida pela visão de custo e beneficio. Se você acredita que as pessoas amam seus filhos e querem o bem deles, você deve ser um idiota ou um mau-caráter. A maioria investe nos filhos para terem o retorno na velhice, quando os filhos (segundo a sociedade) deveria cuidar dos pais. E quando se tem um filho com deficiência? Será mesmo que essas pessoas pensarão igual? Afinal, os filhos são um investimento que não há um retorno cem por cento, mas, há uma tranquilidade mais tarde. Ai que está, desde muitos milênios se tem seres humanos com deficiência, mas, na antiguidade — mais ou menos, até a modernidade — eramos abandonados, mortos, desaparecíamos ou eramos trancados. Até hoje, crianças com deficiência são enterradas vivas dentro de aldeias indígenas. Claro que nem todos eram mortos, algumas pessoas com deficiência eram oráculos ou druidas, que remontam a visão mistica da deficiência dentro da sociedade. Sim, há uma visão mistica da deficiência. Essa visão, muitas vezes, atrapalha a vida das pessoas com deficiência. Muito antigamente, se considerava deficientes como pessoas misteriosas e muitas outras pessoas, tinham medo por causa desse mistério. Mesmo a ciência explicar as causas, há ainda essa mistica e o medo ancestral de nós.
Depois dessa explicação, imagina uma mulher apresentar um namorado de cadeiras de rodas para sua família. O pai, que tem a visão que o homem deve prover a casa, faz a pergunta clássica: o que ele pode oferecer para você? Ou até mesmo: que loucura é essa? Porque a sociedade tem a deficiência como um tomento para a pessoa , um sofrimento que deve ser dolorido para todos que se envolvem conosco. Mesmo que esse rapaz trabalhe, ganhe razoavelmente bem, nunca vai ser o bastante para a família da moça. Claro que há exceções. Mas a regra é essa. A luta é constante e deve ter bastante amor envolvido, porque quando começa a parecer as questões de ter filhos e ter uma casa só do casal, as coisas começam a ficar piores. Isso é quando a mulher ou o homem — dei o exemplo da mulher, porque sou homem e a maioria dos relatos são de homens — andam e tem um emprego. E quando há um casal de deficientes dentro da relação?
A questão da deficiência é a questão de todo ser humano que a sociedade não aceita como ser humano, ou por ignorância de não conviver conosco, ou por ser canalha o bastante para não perceber que é um nada. Uma pessoa que tem qualquer deficiência, é uma pessoa antes de tudo e deve ter seus direitos preservados junto com seus deveres. Por outro lado, o povo não é tão democrático como pensa os que idealizam uma democracia linda e um mundo melhor. Só dar uma casa, comida, saúde e tranquilidade, o povo vive nos piores regimes possíveis. O século vinte mostrou isso. Então, essa história que o povo ama a liberdade e é condicionado a achar que o outro ser humano não é humano, é mentira. Para uma grande maioria, pessoas com uma cadeira de rodas ou outro aparelho, são pessoas que atrapalham e tem que ser trancadas em um cantinho e só. Quem são essas pessoas que ficam no meio do caminho num shopping ou numa loja qualquer? O caso do Véio da Havan é o mesmo caso de agências de publicidade que não contratam, empresas que não se adéquam, o poder publico que não acessibiliza. Ainda, temos que provar que somos deficientes toda hora para o poder publico.
O amor entre deficientes na nossa sociedade que ainda acha que está na era vitoriana (num surto reacionário), é uma coisa bastante difícil de aceitar. Quando saia com minha noiva, por exemplo, sempre as pessoas perguntavam se eramos irmãos. Essa associação de coletivo (como deficiente namorar deficiente ou irmãos com deficiência), sempre foi formado como um gueto que frequentamos, ou o ideário que as pessoas iguais devem se relacionar. Isso um pouco é culpa das novelas idiotas da TV Globo que alimentam essa visão. Por outro lado, os deficientes alimentam esse tipo de imagem saindo em bando, ou até mesmo, participando de grupos do Facebook que só fala do tema deficiência. Eu sempre não gostei de ficar em grupos que o tema é deficiência, mesmo o porquê, deficientes acham que discussões são brigas.
A humanização da deficiência veio com a desumanização do sentimento. Se somos seres humanos, porque será que não temos sentimentos ou sexualidade? Exato. Vamos ser sincero, você acha que pessoas com deficiência são crianças eternas e não tem nenhum desejo sexual? Acho que quem acha isso são idiotas ou são canalhas o bastante de construir conceitos errados para alimentar seu próprio ego. Já vi homens com deficiência se aproveitarem dessas idiotices e se fazerem de alienados, bolinavam as moças e depois se escondiam atrás da mãe. Há canalhas em todos os lugares e eles se aproveitam dessas narrativas para se esconderem. Deficientes não são diferentes, são pessoas como qualquer ser humano e o caráter dependem dos valores que recebeu. Agora, deficientes sentem tesão, são homossexuais e fazem coisas que nem imaginam que possamos fazer, quanto mais se aceitar isso, melhor.
Na verdade, nossa sociedade tem uma imagem romântica de deficientes como seres indefesos e que não tem a menor ideia do que estão fazendo. Ainda, programas idiotas como o Teleton reforçam essa ideia de dependência de uma instituição ou uma causa que não existe, porque a inclusão são direitos humanos e devem ser cumpridos e pronto. Sendo assim, pessoas com deficiência são humanas e tem sentimentos e querem namorar, o problema que as pessoas têm medo. Costumo repetir o mestre Yoda sempre quando ame falam do medo, pois, o medo gera a raiva, a raiva gera o ódio e o ódio te leva o lado negro da força. A analogia da Força é óbvia, nosso campo vital sempre é aquilo que você é de verdade e quando você se encontra, você pode qualquer coisa. O próprio Yoda diz, ou você faz ou você não faz, não existe tentar. Por outro lado, a ideia do namoro sempre foi controversa aqui, porque ainda ficou aquela vontade de pedir o dote ainda. Ou será se o cadeirante for famoso e ter posses a família vai implicar? Como disse, tudo gira em torno do marketing do bem, o politicamente correto que escondem a canalhice alheia.
Tudo isso começa a gerar neuroses estranhas na família (principalmente, da mulher com deficiência), que acha aquilo bonitinho, porém, acham que as pessoas com deficiência não podem sofrer. Sofrer do que? O sofrimento pode ser silencioso lá no travesseiro antes de dormir, isso pode gerar um desejo de se matar, de não querer viver e assim, muitos desistem da sua vida. As neuroses são tão grandes, que acho importante inventarem personais psiquiatras para essa gente, porque chega as raias do absurdo de acharem que não transamos. Não deixar viajar. Não deixarem ficar sozinhos. Uma humanidade canalha para um mundo tão lindo.

quarta-feira, dezembro 25, 2019

Natal Bumbum



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Amauri Nolasco Sanches Junior




Uma das frases do filósofo Luiz Felipe Pondé é que deveríamos seguir religiões de mais de mil anos de tradição. Como eu gosto da doutrina espírita e leio bastante sobre, eu descordei dele por muito tempo. Como filósofo, o discordar de alguma ideia, não quer dizer que o outro é uma porcaria e tudo que ele diz é uma porcaria. Fui entender esse pensamento quando eu comecei a analisar certas coisas que acontecem dentro do natal e não só, mas outras questões éticas que trazem dentro de uma certa cultura. As pessoas ficaram barulhentas e sem graça ao ponto de postarem baladas, fumando narguilé e outras porcarias. Que aliás, o narguilé é uma tradição oriental — me parece, da Índia — que não deveria ser para fumar maconha ou ácidos, mas, água aromática. Estamos criando uma geração de bunda moles que nem sabem o que estão fazendo e acham que são sucesso na internet. Sem conteúdo, você não gera conteúdo e não adianta chorar.
A questão é grave e deveria entrar como saúde pública. Em um canal de YouTube que fala de vida cotidiana chamado Acidez Feminina, a Tati responde algumas duvidas de pessoas que só souberam aonde ir quando eram espermatozoide do pai. Ora, uma dessas cartas dizia que o marido da mulher que escreveu sempre escreve para sua mãe se vai viajar, se vai passear, se vai fazer alguma coisa porque sua mãe exige. Tati disse que a mulher deveria compreender esse tipo coisa e deveria deixar o homem, ser o bebe da mamãe o quanto ele quisesse. Primeiro, que o cara beira aos 38 anos de idade e deveria ter idade o suficiente para dizer a mãe que ela não precisa se preocupar. Segundo, além da nossa sociedade produzir homens bunda moles, bebezões que não sabem nem criar seus próprios filhos, idolatra a família e isso é muito ruim dentro de uma sociedade. Minha mãe sempre nos ensinou — eu e meus irmãos — que devemos amar as pessoas sem ficar “grudadas” nelas, como se fosse, um desapego. Eu que estou numa cadeira de rodas, com certas limitações, minha mãe me empurrou praticamente, para viajar sozinho com os amigos aos 16 anos de idade. Quando eu não queria ir, praticamente, ela dizia algo para que eu fosse. Seu último pedido antes de se for, foi para mim me cuidar e estou me cuidando. A grande lição da minha mãe é que você cria seus filhos para o mundo e não para você mesmo, seu egoismo só vai fazer você criar um belo de um bunda mole que não sabe nem pegar um copo de água sozinho. Gentileza é uma coisa, achar que mães chatas são intocaveis, é bem diferente.
O que tem a ver a Tati com o Pondé? O Pondé nos remetem a tradições milenares onde a formação das crianças eram feitas para melhorar e continuar essas tradições, mesmo o porquê, as crianças eram futuros cidadãos daquela polis. Não interessa o que uma mãe achava, a criança iria se submeter ao agoge espartano, muitas vezes, jovens eram mandados a estudar em outras partes do mundo. Na verdade, a esquerda e mais especificamente, a filósofa Marilena Chauí, não está errada, a família de hoje foi inventada pelo capitalismo. A estabilidade social precisava ser feita para reconstruir as nações logo após a segunda guerra mundial, então, inventaram a família de marca de margarina. Na essência, não existe felicidade plena sem antes nos desapegarmos a certas particularidades que não valem a pena continuar. O apego faz sofrer porque nada é permanente, como dizem, não há caixão duplo. A permanência nos coloca em imaginar que exista algo eterno, porém, mesmo que algo seja eterno ele não pode mudar? Será que existe essa eternidade que coisas ou seres são eternos? Mesmo eu lendo bastante coisa do espiritismo, para mim pelo menos, a eternidade evolui conforme o conhecimento que acumulamos e não acredito em castigo ou karma no sentido popular.
A Tati pensa igual todo mundo — mesmo que seu canal tenha um nome acidez feminina, onde remete que acidez é a desconstrução molecular de algo — onde a família é sagrada e não tem o que discuti. Ora, a questão familiar é uma questão social, uma questão que abrange o futuro humano e como disse, a família como conhecemos, é muito recente. Tanto é, que na era vitoriana, a moda era tirar foto de cadáveres como se eles tivessem vivos. Isso é uma amostra o quanto o desapego era frequente antes da família doriana. O mundo não era tão idealizado e os seres humanos, não criavam seus filhos para lacrarem. Não se criava os filhos para se apegarem a mãe e quando um parente morria, ficar até mesmo, com depressão. Aliás, se confundem tristeza profunda com depressão, que pode por ventura, atrapalhar quem realmente sofre com a doença.
Sabemos muito bem, que o filósofo alemão do final do século dezenove, Nietzsche, tinha razão em achar que a quebra dos verdadeiros valores iria produzir vários ressentidos. O cristianismo é a prova disso, pois, produziu vários ressentidos que destruíram várias tradições antigas por não entender aquilo. Achava que o poder tinha que te dar o pão e que finalmente, lá no paraíso, ele seria alguma coisa. Todo ressentido é um nada. Mesmo que Jesus tenha dito que tudo que ele fazia, todo mundo também pode fazer, mas, Jesus fazia no meio da multidão e ao ar livre, não em templos. Uma das passagens ele diz que se deveria desapegar de tudo e todos para segui-lo, pois, cada homem tem uma missão. Ser cristão não necessariamente, você é seguidor de Jesus. Muitas tradições cristãs vieram de outros povos e do império romano, filosofias diversas, e etc. Então, qual o significado de destruir aqueles que não seguem se a igreja universalizou Jesus ao ponto de colocar outros rituais lá dentro? Será mesmo que somos todos ateus?

sexta-feira, dezembro 20, 2019

Véio da Havan não gosta de deficientes









Nosso caráter é o resultado da nossa conduta.






Eu não ia falar nada, mas eu não gosto do jeito que esse “empresário” faz seu marketing. Para quem não sabe, além de ser técnico de informática e filósofo da educação, sou um publicitário como um publicitário, acho os vídeos do Luciano Hang — como marketing para a Havan — uma bosta. Soa, completamente, falso e não tem graça nenhuma. E essa análise não é uma análise ideológica não, uma análise, totalmente, técnica. Além dele chamar nós, pessoas com deficiência de doentes no Teleton, agora diz que acessibilidade é burocracia em Chapecó (SC). No vídeo, ele diz que o piso tátil da loja é muito feio e que não deixa sua loja arrumadinha.
Esse culto a ignorância que dura a 16 anos em que um presidente não abre um livro, não tem um curso acadêmico e que não está a parte dos acontecimentos de cada Estado, está causando muitos problemas para as minorias e acessibilidade. Todos nós sabemos que temos uma elite burra, só vê que financiam essa cultura porca que não tem expressividade nenhuma, e nunca na história do Brasil, tece qualquer início de intelectualidade. Nossas universidades formas mentecaptos que não sabem nem de filosofia, não sabem de história do Brasil — nem o rock escapa, pois, teve que uma banda sueca prestar homenagem aos pracinhas da segunda guerra mundial — não sabem escrever e no escopo dos seus funcionários, não sabem ler. Como vamos ter um Brasil descente se nem a elite sabe da história do nosso país? Lá fora, os empresários gostam do seu país, gostam da sua pátria e sempre criam ONGs para ajudar ou fazer trabalhos sociais, nossa cultura é mesquinha e hipócrita.
O Luciano Hang não está sozinho nessa, muitos empresários não querem nem obedecer à lei de cotas. Aquela PL que desobrigava os empresários e contratarem pessoas com deficiência, só é a choradeira dos empresários que acham que nós temos nosso diploma por piedade das universidades. As pessoas da região do Luciano Hang — no sul — a maioria acha que pessoas com deficiência devem ser trancadas nas APAEs, nas AACDs da vida e não estou brincando, vários grupos no Facebook não me fazem mentir. Estamos num país de uma cultura do século dezenove, que não se cabe mais e nem interessa ao país. Enquanto isso, vimos vídeos de bosta, e uma autoajuda vagabunda no Likendin de um empresariado burro é muito podre de marketing.


quinta-feira, dezembro 19, 2019

#BrasilReal : fábrica de falar merda chamada Brasil



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“Um dos traços mais notáveis de nossa cultura é que se fale tanta merda.”

(Sobre Falar Merda, Harry Frankfurt)




O que é falar merda? Todos dizem que falar merda é dizer alguma coisa como uma asneira, mas, não é bem assim. Eu entendo que falar merda é falar aquilo que se acha que sabe, porém, não sabe e se pensa ainda saber. E isso não é um problema de agora — no século vinte e um — ele é um problema desde muitos milênios, quando o poder começa a falar merda para dominar e deixar o povo ignorante para falar muito mais merda ainda. Por que? Seria bastante interessante se ter a população na ignorância, para governar e ficar falando aquilo que não sabe. Como Sócrates detectou, que as pessoas achavam que estavam falando coisas que tinham sentido, mas, não tinha a menor lógica você acreditar naquilo. Sócrates percebeu que as pessoas não eram boas de verdade e indo mais além, as pessoas nem sabiam o que era bondade de verdade e só falavam merda.
Platão, que continuou de certa forma, o legado socrático, chegou a conclusão que opinião não é conhecimento. Falar merda não era sinônimo de conhecer alguma coisa, mesmo o porquê, quem fala merda não sabe nem a origem daquilo que está falando. Afinal, Platão viu seu mestre Sócrates sendo morto porque um poeta — se pagaram ele ou não, não interessa — começou a falar merda do filósofo e o povo, que deu razão ao poeta, deram razão a merda falada. Platão chegou a conclusão, que toda aquela merda que o poeta disse que o povo sempre acha que é verdade, são produto de uma essência que chamamos de verdade (arethe), mas, de meras ilusões que as pessoas acreditam e a merda é construída a partir de um chorume maior. Mesmo o porquê, sabemos que a instrução verdadeira não acontece em escolas públicas, mas, por conta própria. Tudo que aprendi ao longo da minha vida, não foi numa escola, foi em livros e pesquisas na internet. Que aliás, existem várias merdas que, por via de muitas dúvidas, devem ser pesquisadas as fontes.
Por que ninguém pesquisa a fonte? Porque a maioria das pessoas continuam ainda achando que sabem, pois, é muito mais cômodo achar verdades que foram prontas para seu conceitos. Nos desiludimos com certo politico, por exemplo, outros teóricos começam a falar merda colocando ideologias que não são dele, não fazem parte nem da ideologia partidária que defende. Mas, para a maioria, aquela verdade é confortável. Como se você fosse um fedelhinho e está confortável em um cobertor sendo acariciado pela mamãe que irá te proteger, mas, a vida não é aquele edredom cheiroso e quentinho, a vida é cobertor velho cheirando bosta das diarreias mentais que a maioria tem. A maioria acha que esse cheiro de bosta é culpa do outro, o outro quer te colocar nesse cobertor cheirando bosta. Mas, você cagou sua vida e não quer assumir. Você acha que sua vida é um talco cheiroso, mas, a sua vida é cheia de maria-fedida (bisorinho que deveria ser o nosso símbolo). A maria-fedida sempre entra no meu quarto e deixa cheiros horrorosos, do mesmo modo, quando entre uma ideia dentro de uma cabeça vazia.
Não estou dizendo que as pessoas não sabem de nada, mesmo o porquê, a capacidade cerebral de todo mundo — pelo menos, a parte racional — é igual. Como Platão disse, uma mera opinião é uma ideia muito rasa daquilo que se acha que sabe, mas, não sabe. Saber é você ler sobre, estudar sobre o assunto, e depois saber o que argumentar. Na verdade, a maioria das pessoas estão em um mundo ilusório e que pensar ser realidade, mas, estão numa ilusão, uma caverna que só existem sombras. Afinal, o que a realidade? Realidade é você estudar 20 anos e aprender o que os outros querem? Realidade é trabalhar para os outros sem questionar? O que é a realidade?



quinta-feira, dezembro 12, 2019

A religião do terraplanistas





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A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia.
Albert Einstein






Na filosofia, nós sempre dissemos que devemos pensar fora da caixinha e por isso mesmo, as pessoas deveriam indagar mais. Mas, é diferente você peguntar “será mesmo que a Terra é redonda? Será mesmo que o homem pisou na lua?” do que afirmar categoricamente “A Terra é Plana” ou “o homem não foi para a lua”. Indagação é filosofia e afirmações são dogmas. Quando vivemos afirmando não estamos pensando fora da caixinha, estamos achando que a nossa moral é melhor do que as várias morais. Porém, algo estranho aconteceu com o fenômeno da internet que potencializou essas afirmações como se fossem verdades, assim, o “será” se torna “é”. não há em nenhum versículo da bíblia que se fala da Terra Plana. As pessoas usam a parte do Apocalipse de João dos quatro cantos do mundo, para afirmar a terra plana. Mas, na época que foram escrito o apocalipse, se tinha o mundo conhecida da Ásia, oriente médio, e o mundo romano (e a áfrica) e não se sabia muito dos gregos, que já desconfiavam da esfericidade da Terra.
Na verdade, esse movimento não só surge no Brasil e sim, é um movimento bastante significativo e tem pessoas famosas e que tem estudo, como se fosse uma religião. Existem várias religiões do tipo que substitui aquilo que é aceito da maioria, até mesmo, para indagar o que se normalizou como verdade. Várias coisas desse tipo viram verdades absolutas, porque nem sempre as pessoas têm um estudo amplo que possa entender que a bíblia é um artigo de fé, e a realidade é outra coisa. A culpa é do próprio cientista que ou acha que o publico leigo tem a mesma carga acadêmica do que a dele ou que é bilíngue igual ele, pois, tudo que não entendemos temos o instinto de rejeitar aquilo. Mas, não há dúvidas — até esse momento — a esfericidade do planeta e não só ele, mas, todos os planetas do sistema solar. Grosso modo, isso não deveria nem estar em discussão, porque são coisas provadas mesmo dentro do próprio planeta e não tem a ver com lentes olho de peixe. Se a Terra fosse Plana, você ia virar para o norte e iriamos ver a estátua da liberdade, iriamos virar para o sul, poderíamos ver Buenos Aires, talvez. Além do mais, há o fenômeno gravitacional que nada mais é, do que a rotação da Terra. Então, o porquê duvidar disso e não duvidar de outras coisas muito mais absurdas do que a esfericidade da Terra ou se o homem foi mesmo para a Lua?
Essa discussão começa desde a Grécia (Hellas) antiga, quando haviam filósofos que acreditavam que a Terra era redonda e que a Terra era plana. Na verdade, os gregos antigos não tinham muito essa concepção que tudo era separado, pois para eles, a ideia do cosmo era uma unidade. Também, eles acreditavam muito em um destino, como se o mundo fosse um filme e o ser humano fosse um personagem. Por isso mesmo, se fala muito que tanto Sócrates, como Platão, tenham quebrado essa imagem do homem dependente do universo e dos deuses. Tanto é, que Platão vai elaborar o teorema da caverna, onde o ser humano está prezo nas crenças e tudo que você segue sem perguntar de onde veio e porque daquilo. Aliás, poderíamos perguntar qual mo motivo essa discussão toma corpo no exato momento e no século 21, onde o ser humano está começando a engatinhar na inteligência artificial? Qual o interesse das religiões vigentes, se alimentar dessas paranoias? Fácil. Uma crença tem que ter um argumento bastante sólido para fazer as pessoas acreditarem, que aquilo seja verdade e só aquilo vai trazer felicidade, pois, as outras coisas só servem para iludir o ser humano. Eles são contra tudo sexualizado, porque se o povo sentir prazer, não haverá religião e nem infelicidade. Porém, o que acontece também, é o exagero de ou ser de 8 ou a 80.
A ideia que a Terra é Redonda começa com Pitágoras, que já começava a dizer que o nosso planeta era esférico. Assim como Aristóteles também dizia da esfera da Terra através da sombra na Lua, que faz sentido se você olhar para a Lua e ver, de repente, a sombra da Europa. Se a Terra fosse plana, todos os continentes eram vistos. Isso até é obvio e não precisava toda essa discussão, porque mesmo na idade media, essa teoria não faria o menor sentido. Ou alguém, ou algumas instituições quisessem segurar fiéis ou seguidores pelo medo, não diferente de hoje. Exato. As crenças surgem pelo medo de alguma coisa e não para religar nós ao divino e sim, o medo do deus-rei que pode castigar ele se ele não obedecer algumas leis. Aliás, essa ideia veio do grego do destino, do mundo como uma estrutura e isso não muda porque já temos uma linha só.
O destino entra no paradoxo do livre arbítrio, como a Terra plana entra em uma crença medieval que acaba deixando uma dúvida se as pessoas querem causar para ter likes e visualizações, ou eles realmente acreditam nisso por pura ignorância. Não há nem sustabilidade da terra plana, os argumentos de que o homem não foi a lua são muito fracos, e outras questões que nem vale a pena mencionar.