sábado, janeiro 13, 2024

Quem é Milce Maria?

 

Os corpos do filho e da mãe foram encontrados com perfurações de marcas de tiro


Os policiais chegaram ao local na noite desta terça-feira (9/1), após vizinhos reclamarem do mal cheiro no local. A investigação acredita que os corpos estavam no apartamento há cerca de três dias. O corpo do filho estava em cima do sofá, o da mãe estava no quarto. 

(Correio Braziliense)


No aplicativo de meditação direcionada - esse é muito bom de yoga - existe uma meditação que pergunta: quem é você? Talvez, se esqueceu dessa pergunta por causa da correria do dia a dia dentro de uma vida cobrada, ressentida de não ter realizado os sonhos. No mundo com suas cobranças de normalização, não só do corpo e também do jeito de ser, as pessoas não querem ter um filho com deficiência e que não possa ser como as outras crianças. Isso é um fato. Ainda mais, quando o mundo de hoje de tantos adjetivos, ser chamada de “mãe atípica” (como se não fosse com todas as mães), ser taxada de diferente e “atipica”. Milce foi a mãe que finalizou a vida e finalizou a vida do filho com TEA (Transtorno do Espectro Autista). 

Mas, o que seria uma “mãe atipica”? No Michaelis está o significado atípico: “Que se afasta do que é típico, comum; anômalo, incomum, inusitado”. Ou seja, quando se vai usar um termo específico, não temos que colocar o que significa em nossas cabeças, e sim pesquisar o que o termo quer dizer. A linguagem enquanto forma de comunicação e meio de expressar um pensamento, também pode passar um estereótipo de condenação daquilo que pode excluir. Quando se começou com “mãe especial”, minha mae odiava ser chamada assim, porque ela dizia que ela não era especial e que só tinha um filho com deficiência. 

Ela estava certa. As mães que criaram seus filhos nos anos 80 tinham que andar de ônibus velho, tinha que carregar seu filho porque só tinha cadeira de rodas vagabundas e de ferro (com a hiperinflação deixada pelos militares, eram muito caras). Não tinha essas conquistas que se foi conquistando, mas, as mães se cansam e não tem culpa do descaso social e político. Falta de empatia é tanta que você não tem nenhum respaldo sobre ter filho com deficiência. 

Mas, eu quero comentar esse parágrafo em específico. Por que? Porque, primeiro, impossível ninguém não ter ouvido dois tiros em um apartamento. Se for assim, estamos, realmente, com uma sociedade que está totalmente alienada da realidade. Ou o pessoal se liga na realidade ou coisa pior, socialmente, vai acontecer com essa mania brasileira de sempre se fechar para si mesmo (só procura os outros só para cuidar da vida dele caso faça algo dito imoral, ou por interesse) e acha que o mundo é uma grande Disneylândia das suas crenças. Na verdade, o brasileiro em si é reacionário por natureza por causa da nossa cultura. 

Segundo, só se importaram porque começou a feder, ou seja, três dias que o rapaz não aparece e ninguém fica espantado. Ou melhor, foda-se. E ainda, querem prestar as últimas homenagens? E a família? 

Será que Foucault tem razão?!


sexta-feira, janeiro 12, 2024

Diário do Centro do Mundo e o feitiche com o Olavo de Carvalho


Diário do c. do Mundo 


 

 Está no site do DCM: <<O “pensamento vivo” do herdeiro de Olavo cheira mal como o cadáver do velho fascista, seu pai espiritual.  Pondé, como Olavo, representa a vulgarização da figura do filósofo e sua escolha oportunista pela indigência mental feita para agradar  gente burra.>>




A única coisa que cheira mal nesse país é a classe política e nisso, sempre concordei com Olavo. Mas todo esse texto - escrito, muito provavelmente por um estagiário - tem um forte cheiro de militante ideológico e odeio todos eles. Sinceramente, eu não gosto de ninguém fanatico por nada, nem de ideologia, nem de religião e muito menos, pelo emburrecimento que o lado ideológico pode levar. E, claro, “agradar gente burra” - que para começar, o não é “gente” e sim, “pessoas” e o estagiário deveria saber - quem agrada é o sujeito que está na presidência e que não leu nenhum livro. Por outro lado, os caras do DCM leram e devem saber muito de filosofia. 

Primeiro, não importa o que o presidente Lula (demonstrou o respeito do cargo, apenas) queira que se acredite: o Hamas entrou em território israelense, matou, estuprou, fez aquela baguncinha básica e foi embora levando um monte de pessoas reféns. O que Israel deveria falar: “Por favor senhores, devolvam as pessoas e vamos sair daqui e voltaremos para a Europa”? Seria o mesmo que dizer que voltaríamos para a Europa e deixamos o Brasil para os indígenas. Concordo que foi errado o que aconteceu, mas, as coisas não são tão simples assim, devem ser colocadas dentro de contextos históricos para não se cometer um anacronismo. Já que a esquerda brasileira - me considero a esquerda de toda política brasileira - sabe muito de filosofia (estudante da USP então), deveria saber sobre o anacronismo. 

Me cansa e me dá um certo sono ler textos como “herdeiro de fulano”, como se em toda a história da filosofia, não estivessem respondendo uns aos outros. Ou apoiar algumas coisas do sujeito. O fato que, como está no livro “Para ler e escrever Textos Filosóficos” de Claudinei Luiz Chitolina, “"a originalidade do filósofo não está no pensar o que ninguém pensou, mas em pensar de uma nova maneira o que já se pensou". Ou seja, o filósofo não precisa ter originalidade e sim, pensar em uma nova maneira o que já foi pensado. E o Pondé - como herdeiro direto do Nelson Rodrigues muito mais do que o Olavo - disse o que é óbvio: Israel não entrou na Faixa de Gaza, não matou e estuprou mulheres palestinas, não matou jovens palestinos em rave. Quer matar todo o ocidente porque acham que a única verdade está no Islã. 

Pessoas com deficiência não sobreviveriam - como sempre não sobreviveram - em um lugar governado por radicais islâmicos. Se não sobreviveram, por que eu, como PCD, deveria me compadecer do Hamas? E no mais - juro que estou quase bacharel em filosofia - o parágrafo <Pondé, como Olavo, representa a vulgarização da figura do filósofo> me parece estranha dentro do que sabemos sobre a filosofia. Daí uma pergunta inevitável: o que seria uma não vulgarização  da “imagem” de um filósofo? O que seria “a figura do filosofo”? Porque sempre se discutiu filosofia e nunca “a figura de um filosofo”. 

Algo para ser “vulgar” é algo que se refere ao que é comum, banal, ou algo que pertence ao povo. Ora, se o Pondé e o Olavo são <representação da vulgarização da figura do filósofo>, que é aquilo que é comum, então os filósofos eram “deuses”? Essa vulgarização é meia complicada porque se vimos toda a história da filosofia - incluindo as prostitutas de Nietzsche - não ia sobrar um. Que eu acho - a única coisa que eu concordo - se somos pessoas que temos uma certa cultura, fazer e falar como todo mundo não deveria ser uma constante. Se não, não adianta estudar.


quinta-feira, janeiro 11, 2024

Quem conhece a Blasting News?




 Comentários:


Caro blaster, o texto continua com uma redação muito confusa e uma série de erros de pontuação, concordância e coesão.



Eu tentei por anos escrever notícias relevantes no Blasting News, mas, ao que parece, eles não querem isso. Querem que as pessoas escrevam notícias bostas sem muita relevância para, exatamente, não ter nenhuma visualização e não pagar. O pior que o Blasting sempre foi tratado como um mero blog, algo não muito relevante dentro das notícias da internet. Mas, ao que parece, as coisas andam más e não há como escrever uma notícia sem antes receber uma notificação. 


***



No primeiro dia de prova da nova temporada do programa Big Brother Brasil (BBB14), uma situação aconteceu que muitos internautas ficaram indignados com o ocorrido. Nesta última segunda-feira (8), havia a prova de resistência, onde a dinâmica era que os participantes ficaram posicionados para apertar um botão. Uma mensagem, em um telão na frente, mostra como esse botão deve ser apertado. Assim o primeiro participante a apertar o botão pode escolher um concorrente para cumprir o desafio e o último participante a apertar o botão também tem que cumprir o desafio de habilidade. 

Ambos ficam no em um tipo de alçapão, caem em uma piscina de bolinhas e logo após tem que ir adiante, cheia de uma gosma e acionar o botão. Quem não conseguir fazer isso, automaticamente, será eliminado. Foi exatamente isso que causou revolta nos internautas, pois, o paratleta Vinicio Rodrigues foi o escolhido e ele tem uma perna mecânica. 

Quem escolheu Vinicio foi Maycon para realizar a tarefa e isso, também gerou a revolta dos internautas e foram muitas críticas. Maycon disse: . "Ele não disse que gosta de correr, agora vai correr", antes da escolha do paratleta. Porém, Vinicius teve que tirar sua prótese da perna por causa que poderia lhe causar uma fratura durante a disputa. 


O capacitismo


. Segundo o site da revista Veja, houve um aumento exponencial da procura do termo capacitismo logo depois da prova onde Vinicius perdeu e não houve, segundo internautas, nenhuma empatia com o brother com deficiência. Segundo seu significado, onde muitas pessoas não entendem, é um preconceito contra pessoas com deficiência (PCD) que vivem na sociedade à margem por causa das “crenças” que eles são incapazes de alguma tarefa ou tratam como seres inferiores. 

Poderíamos dizer que é uma forma de reduzir a pessoa com deficiência. Esse tipo de preconceito ainda é uma das formas de discriminação que ainda é velada e muito pouco é discutida nos meios de debate de minorias, principalmente de uma forma mais enraizada. Não é só uma forma de ofender o sujeito com deficiência, mas, também tem a parte da falta de inclusão e até mesmo, comentários que são considerados inofensivos como “fulano é uma inspiração”


Revolta dos internautas e figuras políticas 


O ponto da discussão foi o fato que a discussão girou em torno de Vinicius que é um participante com deficiência e precisaria de provas mais acessíveis dentro da pauta capacitista. Uma outra discussão foi Maycon ter perguntado para o paratleta, que usa uma perna mecânica, se os outros participantes poderiam chamá-lo de “cotinho” (uma derivação de cotoco). Isso ocorreu, segundo a revista Veja, quando as pessoas estavam se preparando para a prova e Vinícius estava tirando a prótese para não molhar. 

Vários internautas fizeram muitas críticas sobre a acessibilidade das provas nas redes sociais. Uma pessoa disse: "Quem foi que pensou nessa prova do líder sem pensar na inclusão do participante PCD?", mostrando que as provas são inacessíveis para pessoas com deficiência. 

Em seu Instagram, a senadora Mara Gabrilli (PSD), a maior representante na política da pauta PCD,  faz duras críticas ao programa e à emissora Rede Globo de TV. Segundo ela, poderemos acompanhar no BBB14 “mais um grande exemplo de falta de acessibilidade.”. Também poderíamos ver que que não se pensou na prova do programa para todas as pessoas e que, faltou “play” e o paratleta foi prejudicado


BBB14 e o capacitismo - entre as demagogias da AACD e derivados

 



 

A primeira prova do líder no BBB 24 mostra como é importante adotar mudanças significativas para que as Pessoas com Deficiência se sintam verdadeiramente integradas.  


Então, @tvglobo e @boninho, que tal conversarmos mais sobre esse assunto? Estamos disponíveis para falar sobre inclusão!




Que merda é essa que a AACD escreveu no X? Será que esqueceu que além de eu estar no X, ainda sou formado em publicidade e recebo textos do Meio&Mensagem? Eles não devem saber, meu prontuário está no arquivo morto e aquela foto minha de cuequinha também. Lá está as várias operações que o Dr “Carniceiro” fez em mim para correção. Posso até estar sentado, estar dobrando o joelho, mas, meu pé continua virado e eu não estou em pé. Por que? Depois de sair humilhado - com as professoras fazendo “birrinha” porque reclamamos das bpéssimas condições - fiquei outro 7 longos anos não sendo adolescente em uma oficina que não aprendia nada. Parei de andar de andador. Parei de poder falar o que quiser e fazer o que quiser, porque mães lunaticas disseram: “se acontecer alguma coisa (fazer sexo) com a minha filha, eu chamo a policia”. Não podemos ter prazer.

A questão do corpo e do prazer são questões do discurso que domina a normalização e a moralidade dentro da repulsa do corpo não normalizado. Com o discurso positivista (a medicalização) onde o corpo tem que ser consertado - discurso que o capitalismo neoliberal incorporou com bastante ênfase - onde o corpo não normalizado deve ser escondido, visto com desprezo e até, em alguns casos, asco. O asco vira outra coisa quando o ato legítimo de escolha se uma mulher em não querer ter o filho, é convencida quase “a força” em não ter o filho por causa de uma probabilidade da criança ter uma síndrome. Lembrando que, uma probabilidade não é uma certeza, são números que podem ser reais e acontecer, e pode não acontecer. Pessoas com Síndrome de Down não podem nascer, pessoas com paraplegia cometem suicidio assistido por causa das muitas linguagens silenciosas que temos de achar que o corpo não normalizado é um corpo “quebrado”.

A verdade, quase sempre, incomoda. Mas, muitas vezes, ela é imposta em imagens e essas imagens refletem essa mesma linguagem. Dessa vez, o asco se torna deboche quando Maycon disse que "Ele não disse que gosta de correr, agora vai correr…”, duvidando da capacidade do Vinicius Rodrigues (paratleta) de correr, mesmo não tendo a intenção. Daí poderemos aumentar - na filosofia dizemos transcender - essa linguagem debochada, em uma cultura muito posta de achar que as pessoas não querem contratar por causa do corpo. O ministro do trabalho, Luiz Marinho, acredita no lobby empresarial de sempre dizer que não encontra pessoas qualificadas para trabalhar em suas firmas, porque não sabem procurar e nem querem. Verdades tem que ser postas, porque não se escreve a verdade sem ela.

Nem sempre ela é aceita. Cachorrinhos são bem vindos nos shoppings da vida, cadeirantes não. Os seres humanos estão confinados em nichos religiosos com suas crenças e não enxergam que as coisas já estão em um niilismo (negação da vida), onde pessoas param, em vagas de pessoas com deficiência, pessoas comem em mesas separadas para pessoas com deficiência, e isso não é diferente do que a Globo fez, ou que a AACD sempre fez (pelos menos nos anos 80 e 90). A fala de Maycon em colocar um apelido de “cotinho” - derivado de cotoco - só é um reflexo daquilo que se fez como conceito de corpo imperfeito, um apelido, um estereótipo.

Pegamos o exemplo da Leandrinha Du´art que sofre hater (ódio) por ser deficiente e transsexual, onde alem do corpo que tem o ar de asco da sociedade, a rejeicao daquilo que não serve. Não temos o direito ao prazer, ao amor, ao trabalho, ao pensamento por causa de um estereótipo da Bíblia escrita por um outro povo em uma outra cultura e um outro tempo.

domingo, janeiro 07, 2024

Choquei voltou - Por que as pessoas estão emburrecendo?




 

O ator Zé de Abreu disse no X: “Bela bosta. Idiotas não frequentam teatro, não leem livros, não vão a museus. Nuca contamos com gado na plateia. Mesmo porque mugem e atrapalham a peça”



Embora tenha bastante divergências políticas com o ator, temos que reconhecer que em partes ele tem razão. Primeiro, temos que notar - isso eu venho percebendo desde minha tenra infância - que os maiores programas que o brasileiro gostava era bobo e sem a maior cultura. Alguns poderiam dizer (como a esquerda petista sempre diz): “ah, mais isso é a cultura brasileira”. Não, camarada inteligentinho, isso é o que se impõe como cultura brasileira por décadas. Por que temos que alimentar uma cultura que nos coloca no atraso? Eu tenho que gostar de “música de corno” para ser um brasileiro?

Os iluministas tinham um pensamento que com o conhecimento, todas as pessoas iriam se esclarecer e a paz e o progresso aconteceriam. Então, veio a internet com bits (infinitos bits) de informação e não se teve grandes progressos diante da humanidade. O que estamos vendo é pessoas discutindo os mesmos programas bobos da TV, os políticos que colaboram com suas crenças, pregando as suas religiões (até da fofofauna) etc. Daí a pergunta: o que deu errado? Podemos dizer que o problema das crenças (não só as religiosas) tem a ver muito mais com a indução do que com o sentimento, como colocaram os iluministas. Alguns podem perguntar: “ué, mas na defesa daquilo que você acredita, não está o sentimento?”. A resposta é: sim, mas, por algum discurso, essas crenças foram induzidas dentro do que acredita. 

Hume dizia que o problema humano da indução é não perceber diferenciar aquilo que seria bons hábitos dos maus, mesmo o porque, dada a ausência de qualquer diferenciação entre os dois objetivamente. Ou seja,  Hume estava dizendo que a indução seria uma inferência contingente e só poderia levar a uma só conclusão que tem apenas certo grau de probabilidade de ser a correta. Poderemos dizer que, algumas conclusões não se garantem como verdadeiras, mas apenas que há uma possibilidade de serem verdadeiras. Poderemos usar como exemplo uma pessoa correndo na rua, você pode pensar que ela pode estar com pressa, mas não há nenhuma garantia que aquilo seja real. O sujeito pode estar fugindo, pode estar fazendo uma corrida, pode estar em seu ritmo normal. 

A contingência - aliás, somos seres contingentes - é uma possibilidade de você estar errado. Mas, voltando à “vaca fria”, como dizíamos antigamente, muitas coisas da nossa cultura (ou pseudocultura) vem do fato de esquemas ou alguém querer ganhar dinheiro. Afinal, qual o povo melhor a ser governado, um povo que lê e questiona, ou um povo que se idiotiza e quer ver o outro se ferrar? Prova disso? Em 89 se parou de tocar músicas de rock - mequetrefe, mas era rock - para se popularizar o AXÉ Music e a lambada, que muitos pregam como “fazendo parte da nossa cultura", mas não faz. Assim como veio depois o sertanejo (a maioria de Goiás e Mato Grosso) são culturas locais que deveriam ser respeitadas como tal. Mas, não é uma coisa hegemônica como uma “cultura brasileira”. 

Volto a dizer: não estou desdenhando nada, estou mostrando como nossa cultura é induzida por discursos alheios e convencem muito fácil. Não se lê, não se ouve músicas boas, não se sabe ter uma visão crítica. Se gosta porque os outros gostam e quando criticam, a crítica sempre é direcionada por coisas da “moda”. Séries, músicas e filmes podem ser achados facilmente, mas as pessoas querem o mais fácil, ai, sai a merda que saiu no caso da Choquei. 


sexta-feira, janeiro 05, 2024

Padre Lancellotti e a CPI do MBL - SP é culpado?



 O Alexandre Linck (do canal Quadrinhos da Sarjeta) disse no antigo Twitter (agora X): <<O Padre Lancellotti é o maior punk do Brasil. É por isso que a escória paulista tanto o persegue. Aliás, isso é a cara do que há de pior em São Paulo: o gigantesco asco por pobre, preto e nordestino. Mentalidade bandeirante ainda vive. O outro só serve de escravo ou não serve.>>. 

A questão é: nem todo paulista tem asco de pobre, preto e nordestino e vamos falar sério, há uma grande questão freudiana entre outros Estados e São Paulo. Como dizem por aí, falando o portugues bem claro, o Brasil começou em São Vicente que fica em São Paulo. Ou melhor, ficava na província de São Paulo de Piratininga. Se por um lado o Brasil foi descoberto na Bahia - e sua primeira capital foi lá mesmo - foi em São Paulo que o Brasil (ou Ilha de Vera Cruz) começou a ser explorado. Sendo geograficamente viável ou não, existem estudiosos que dizem que a região sudeste foi a melhor a se colonizar (embora que o Brasil sempre foi uma colônia de exploração do que uma expansão de Portugal).

Dito isso, temos que analisar duas coisas: primeiro, que quando o Lincks diz: <<O Padre Lancellotti é o maior punk do Brasil. É por isso que a escória paulista tanto o persegue.>> Ele está exaltando o padre Lancellotti e chamando de “punk”. Quem não conhece o trabalho do padre Lancellotti de dar comida a pobres em situação de miséria? A questão é que existem várias formas de fazer isso e se existe uma “escória” paulista (toda a elite brasileira é rastaquera por alimentar uma aparência que não tem) que não gosta de pobre, preto ou nordestino, pertence a essa parcela rastaquera dentro da elite brasileira. Afinal, a meu ver, quem ganha menos de 10 mil reais, é pobre. Até mesmo, menos a maioria da nossa elite - tirando as famílias tradicionais - são de pessoas que ficaram ricas, sem cultura, sem estudo, sem o menor receio de encher a boca para dizer “não gosto de ler”. Como a grande maioria. Ao contrário da elite estrangeira - que constrói um arcabouço cultural porque gosta daquilo que é belo - a elite brasileira é porca e burra.

Por que eu sei disso? Eu fiz tratamento e estudei na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente, que era “defeituosa”) e desde a morte do fundador da entidade (Dr Renato Bonfim), empresários que eram associados, começaram a ser administradores. Muitas cagadas foram feitas, muitas pessoas prejudicadas e nosso tratamento finalizado sem o menor pudor aos 14 anos. Amigos, eu e minha noiva foram prejudicados por essas atitudes que transformaram uma entidade de reabilitação em uma empresa. O porquê disso? Por que muitas pessoas não tiveram tratamento adequado?

Por eu saber - muito de “pertinho” - como é a elite, segundo o Lincks, <<escória paulista>>, sei que eles são a <<mentalidade bandeirante>>, sei que não é a representação do povo paulista. Pode ser que eu esteja errado. Por outro lado, temos que saber se alguém fica alimentando o pessoal (não estou dizendo que é o padre Lancellotti) que anda assaltando e atormentando pessoas no centro de São Paulo. Nem sempre, quem trafega no centro de São Paulo, é elite e nem tem a <<mentalidade bandeirante>>. E sabemos muito bem, sem medo de errar, que a nossa mente é doida para acomodar e gastar menos energia, se receber comida de graça, vai acomodar. E no mais - não só o PT (Partido dos Trabalhadores) - usa a pobreza e a ignorância dessas pessoas (os coronéis nordestinos são PHDs nisso) para fins eleitorais e não adianta negar. Temos até gabinete do ódio bolsonarista e lulopetista que usa a ignorância.

O resto é só preconceito como o último parágrafo <<O outro só serve de escravo ou não serve>>, pois, isso não é só a <<escória paulista> - volto a dizer que conheço bem - mas, a escória do Brasil inteiro que ainda opera no modo escravocrata.

Apesar de discordar desse tuite, concordo com esse vídeo.

quarta-feira, janeiro 03, 2024

Facebook nazifascista?


Mark Zuckerberg e seus programadores vendo suas postagens 






Fui censurado no Facebook por chamar o brasileiro de hipócrita. Se Jesus tivesse um diálogo com fariseus dentro do Facebook, com toda a certeza, seria censurado. As questões sobre quem deve ou não ser silenciado, tendem a saber se aquilo é ou não colocado como ódio e ódio, segundo o mestre Yoda e filósofos budistas, são a causa de sofrimentos. A realidade dói mais do que se pensa. Mesmo por isso, o Facebook sempre atrapalhou quem vincula notícias - como eu - porque existe um politicamente correto e por um lado cerceia os preconceituosos, por outro lado, fazem restrições muito sérias contra o direito de falar.

Mas, o que quer dizer hipócrita? Hipócrita é um adjetivo e substantivo de dois gêneros (feminino e masculino) que ou é aquele que demonstra uma coisa, quando sente ou pensa, que pode dissimular sua verdadeira personalidade e afeta, quase sempre por motivos interesseiros. Ou por medo de assumir sua verdadeira natureza, qualidade ou sentimentos que não sentem. Ou seja, são fingidos, falsos ou simulados. Isso é discurso de ódio? Será que sendo brasileiro - juro que nasci no Brasil - eu tenho ódio do brasileiro? A critica filosófica (aprendemos isso na universidade e fora da universidade) não é só dizer coisas agradáveis do tipo “autoajuda”, a filosofia e o modo filosófico preza a liberdade e o desprezo aquilo que se chama tirania, seja do modo politico (como ditaduras de direita e de esquerda) e no modo social (linguagem e discurso).

Ainda, a meu ver, filósofos deveriam estar acima de ideologias políticas, religiões, discursos que a maioria gostam porque buscamos a verdade dentro da realidade imposta (condicionada). Os filósofos budistas tem razão, vivemos em uma ilusão muito grande em achar que somos separados da nossa mente, porque somos nossa mente. Somos: mente+corpo-alma. Um conjunto de elementos que sentimos, percebemos e sabemos como é a realidade, mesmo que, muitos elementos da realidade, duvidamos. Já os preconceitos e as discriminações não vão parar por causa da linguagem e nem pela imposição da linguagem errada ou não, daí, tenho que concordar com Foucault: nenhum discurso que venha da grande massa, está sem nenhum interesse. Aliás, sempre lembrando que Foucault era muito mais nietzschiano do que marxiano, que pegou essa noção de Nietzsche.

Nietzsche era o filósofo da desconfiança. Seja em um discurso linguístico - ele era filólogo - seja na moral (leiam a Genealogia da Moral), sempre o ser humano constrói seu arcabouço de conhecimento levando em si algum interesse. Resumindo: todo mundo que comenta ou denuncia nas mídias sociais (trazendo a discussão para hoje) defende posições que lhe foram impostas pelo poder a séculos ou a décadas. O poder - aí é minha visão agora - usa discursos de pensadores não porque concorda com eles, mas, porque interessa a eles. Nietzsche foi cooptado pelos nazistas e quando viram que não era o que eles pensavam, largaram o pensamento dele de lado. Foram muitos anos de estudo de separar o que a irmã dele tinha forjado, e o que ele mesmo tinha escrito de verdade, levando a várias conclusões erradas que Nietzsche compactuava com o antissemitismo nazista (tanto é, que existem alforismas que defendem o povo judeu).

Foucault não quis dizer que se deve identificar o indivíduo através do discurso, mas, desconfiar se aquele discurso realmente é verdade ou é um modo punitivo de controle. Vamos dar o exemplo entre deficiente e pessoa com deficiência - que é minha área - que em um modo linguístico, a ofensa só recai quem ouve. O que diz o senso comum (quero dizer o discurso)? Que uma pessoa que tem um corpo que não está dentro da normalidade é de-eficiente (o “de” quer dizer uma negação), ou seja, ela não se encaixa dentro de um padrão dentro de um mundo capitalista do trabalho - no socialismo e em outros regimes o discurso costuma ser pior - e que não pode ser normalizado. Pessoa com deficiência acaba sendo o mesmo, porque é uma pessoa não eficiente, que não há nenhuma eficiência. Daí vem o discurso do controle, porque não se precisa entender se aquilo é ou não verdade ou o significado, mas, que aquilo é ruim (outro depositivo de controle é o Mito do Sofrimento dos deficientes e a importancia do aborto de fetos com tendencias a sindrimes, ou eutanasia de pessoas com deficiência como é mostrada no filme e no livro “Como eu era antes de você” e outros exemplos).

Como se vê, mudar o discurso (ou o termo) não mudará o fato da cobrança de não ser eficiente segundo a sociedade e as pessoas - usando a religião - podem se ofender. Eu sei da minha eficiência no que faço, pouco me atingem com o fato das pessoas acharem que sou “coitado” ou não eficiente. O problema é a doutrinação ao ponto de uma rede social, como o Facebook, ter em seu algoritmo o termo “hipócrita”, e pior ainda, colocar como “discurso de ódio”.

sábado, março 07, 2020

A Birrinha opositora




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Um pensamento que acabo de ler do Instagram do Leandro Karnal, é que o rebanho odeia aquele que pensa diferente, não por causa da sua opinião, mas, a audácia de querer pensar por si mesmo, coisa que eles não sabem fazer. Exato. Foi assim com Sócrates, Jesus e outros, que ousaram pensar diferente da massa, morreram. Mas, esse ódio não é qualquer ódio, o ódio da grande massa por ousar pensar diferente, sempre é, um ódio da liberdade que aquele goza por não depender de uma aceitação social. A questão é: eu quero ser eu mesmo ou uso uma mascara social para agradar a sociedade? Sócrates foi ele mesmo, teve uma boa morte sem fugir do seu destino. Assim como Jesus, acreditou fortemente, que tudo que dizia era verdade, aceitou o que estava reservado para ele. Tanto Jesus, como Sócrates, talvez, não sabiam de suas mortes, mas, aceitaram seu destino (aqui quero dizer no sentido como as coisas se transcorreram) porque acreditaram em si mesmo e não queriam aceitação de ninguém. Eles negaram toda a opinião da maioria para pensarem por si mesmo.

A questão não é querer o melhor para o Brasil, a questão é quem tem razão nessa história toda. Não interessa se são os lulopetistas, ou os liberais, ou os bolsonaristas-olavettes, os integralistas (que podemos colocar como vaporwaves), a questão sempre parte do princípio, mas ter razão que está certo. A razão começa com os gregos na filosofia (com os naturalistas) com o termo “logos” – que erradamente, se traduziu como palavra graças ao evangelho de João (tem forte influência gnóstica), mas, palavra em grego é lexós – porque a razão dentro da filosofia, tem a ver com um pensamento logico (por isso o termo logos). Ou seja, a questão logica de um pensamento esta acima do sentimentalismo, que só é importante, na questão do relacionamento do outro, já que somos animais gregários. Então, a razão seria um raciocínio que fizesse sentido para quem está explicando e para quem está ouvindo ou lendo. Um algoritmo tem que ter linhas lógicas para que o computador poder ler e executar a tarefa, assim como, as pessoas devem sempre fazer as coisas de ordem lógica para não errarem. Se expressar ou pensar, tem a mesma lógica. No caso do computador, existem a questão dos números binários (0,1) e suas combinações são uma tarefa especifica. A questão é: será a nossa lógica tem a ver com o binarismo da razão? Porque, numa escolha, um computador tem duas opções, mas, nossa consciência tem um número infinito de possibilidades.

Acho, que de alguma forma, os existencialistas (principalmente Sartre), tenha razão de dizer que somos livres para construir aquilo que somos como quisermos e por isso, somos condenados a ser livres. Somos livres para acreditar ou não, nas bravatas dos políticos. Somos livres para escolher nossa religião ou a cor do carro (no meu caso, da minha cadeira de rodas). Mas, antes mesmo de acreditar nessas coisas, temos que filtrar com a duvida outras, negando aquilo que todos acreditam cegamente. Por outro lado, temos que ter cuidado em não confundir ser cético e ser negacionista. O cético duvida numa maneira lógica (ou usando a razão [lógos]), já o negacionista só nega a favor de sua própria crença. A essência do ceticismo é a máxima cartesiana que é “penso, logo existo”, ou seja, posso duvidar a existência de qualquer objeto ou pessoa, mas, eu não posso duvidar da minha própria existência. Não é que temos que duvidar de tudo – mesmo o porquê, se você se jogar em um viaduto vai se estatelar lá em baixo no asfalto. A questão cética não é negar a religião, por exemplo, mas, o porque eu devo acreditar em tal religião. Ai, vários “porquês” aparecem ao longo do processo ate chegar na essência do fato e aí que está a questão existencialista, pois, a construção do ser acontece graças a esses vários “porquês”. A liberdade só acontece a partir da consciência do observado e o objeto observado, sendo total entendido o objetivo do objeto dentro da realidade da consciência que observa. Por isso mesmo, não importa o que fazem com você, mas, o que você mesmo faz o que fazem com você.

Indo adiante, podemos ver que existe o objeto observado que podemos interagir com ele e não podemos interagir com ele. Uma criança não podendo interagir com o objeto da sua vontade (ou porque o pai não compra ou porque a mãe não cede essa vontade), ela começa a chorar e se espernear como se fosse “morrer” se não tiver o objeto do seu desejo. A teimosia de querer tanto esse objeto ao ponto de chorar desse jeito chamamos de “birra”, que como costumava acontecer, deixamos de ter quando ficamos adultos. Acontece, que a nossa sociedade aqui no Brasil, por falta de uma maturidade educacional, ainda fica com “birra”. Se você não concorda com seu politico favorito (que chamamos de minions), ou sua ideologia política, ou sua religião, ele começa a querer ter razão. Para a criança, o objeto de desejo é a vida e querer algo é construir a sua realidade, ela pensa que a realidade dela, é igual dos desenhos ou dos ídolos que ela tenha. Exato. Todo o problema do fanatismo é criar ídolos e nos apegamos a esses ídolos, para criar políticas utópicas, religiões utópicas, ideologias utópicas e se fica nessas utopias. Mas, a realidade é muito além de um ídolo, porque o ídolo é uma construção de outra pessoa com a própria visão dentro dos seus próprios valores.

Quem me lê e quem me conhece sabe, que nesse ponto eu sou nietzschiano e destruir todos os ídolos para, exatamente, aparecer os porquês. Ai você pode questionar: o porque devo seguir tal religião?  O porque deve concordar com tal ideologia? O porque deve seguir tal pensamento? Ser cético é duvidar, ate mesmo, daquilo que achamos ser verdade e não existe verdades absolutas e sim, verdades relativas dentro dos próprios valores. Essas variações podem pautar escolhas e as escolhas não podem ser pautadas dentro do sentimentalismo, ou o pensamento idolatra social.


Amauri Nolasco Sanches Junior

domingo, março 01, 2020

Ser você mesmo num país da 'manadas'



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E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?
E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?
E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.

Mateus 16:13-17

Há muito tempo que venho observado que o nosso povo gosta de agradar os outros e sempre se rendem a religiões vigentes ou não, ou ideologias que nada tem a ver com o que gosta ou que faz. Ora, existe a mentira e a verdade, o que você é como ente que pensa e percebe a realidade e aquele que não é, se transveste de um ser social que não é. Na realidade, nem podemos saber o que é verdade ou que não seja verdade, porque não sabemos qual a natureza da nossa própria natureza do nosso eu (ego). Há um erro muito grave em dizer que o ego que o budismo – em parte os ensinamentos de jesus também – é o eu que emana da natureza da nossa consciência. Não é. O ego que o budismo quer que dissolvemos é o ego falso, o ego que é fabricado com as regras sociais que ao invés de colocar o ser humano no caminho da verdadeira evolução, coloca no caminho onde o poder quer que ele fique. Afinal, será que vale a pena seguir multidões por causa de uma religião ou uma simples ideologia e deixar nossa natureza e a nossa opinião?

Nietzsche – filósofo alemão do século dezenove – dizia que a verdade era uma questão de linguagem, que era apenas um discurso para todos não ficarem brigando um com os outros. Igual a filosofia de Hobbes quando ele dizia que há um contrato, leis e o ESTADO para controlar a natureza humana como seres que estão sempre em conflito. Mas, há um erro grave, se a verdade é só uma questão de linguagem para o poder dominar, então, tudo seria uma subjetividade? Uma maçã, por exemplo, que podemos estar vendo, nada mais é, do que um objeto que estamos vendo e sabemos que se chama maçã. O verdadeiro, aquilo que achamos ser a realidade, nada mais é do que o conceito do objeto (que daremos um nome) e o objetivo (que daremos uma colocação dessa realidade). Portanto, a realidade (como verdade) são os valores que damos ao objeto dando a ele, o objetivo necessário para ele ser real. Quem estuda e gosta de exatas (como lógicos e matemáticos), vão dizer que a verdade é 2+2, mas, se fomos muito além da operação de soma, 4 pode ser varias coisas. 1, 50 + 1,50 dará na mesma forma, 4. A verdade ali se fragmentou em uma outra verdade, porque tanto 2+2, quanto 1,50+1,50, são 4 e a verdade que era única, ficou como duas verdades.

Se, realmente, a verdade seja como Nietzsche colocou como algo que depende de um discurso, a maçã sé um nome vago de um objeto que definimos como maçã. Assim como, 4 seja apenas um algarismo que são valores que demos a varias coisas. Por que não, numa outra galáxia, pode ter seres inteligentes que tem outras mecânicas de contagem? Então, o 4 é um caractere para designar um certo numero de objetos e, afinal, é um meio de linguagem para explicar aquilo. Assim, Nietzsche teria razão que é uma questão de dominação linguística, pois, alguém de um passado remoto imaginou um caractere que designava 4 e esse caractere dominou todo o entendimento do numero quatro. Por outro lado, podemos escrever “neve” ou “snow” e acabara designando o elemento neve como uma realidade. Porque a linguagem acaba sendo algo subjetivo dentro de uma certa ordem cultural, porém, a neve é neve acima do termo designado. Nietzsche, talvez, pensou em termos e uma linguagem mais cotidiana e menos formal ou ate mesmo, uma linguagem religiosa e racional (no sentido de racionalismo), que nos limita a obedecer a certas sentenças que são moralizantes e moralistas.

Ser você mesmo é buscar o nosso ego transcendental de ser você mesmo dentro dos fenômenos da realidade objetiva, sem ser dominado, por uma linguagem dominante. Ou seja, existem certas marcas de dominação social dentro da própria linguagem. Por exemplo, minha mãe nunca ensinou a nós – eu e meus irmãos – pedir “benção” para ela e meu pai (mesmo o porquê, nunca fez questão de nenhuma religião e levar seus filhos para uma), mas, por outro lado, pedia para meus avós. O “pedir benção” é um meio para se educar um filho para a dominação social, porque ele vai aprender a ser domesticado e a seguir a religião dominante. Assim, o “pedir benção” é a expressão clara da opressão social, pois, eu posso não querer “pedir” e vou ser julgado como um desrespeitoso. Mas, o “pedir benção” não é garantia nenhuma de respeito. Ter ou não respeito não tem o mesmo significado de amor, você ama e dentro desse amor já há respeito e consideração e se você precisa de provas desse amor, você está dominando. Não é porque não pedia “benção” para minha mãe, que não respeitava ela (como respeito como espirito). Na verdade, talvez, o “pedir benção” para ela, era apenas palavras que não demonstravam nada e ela não precisava disso para saber do amor e do respeito dos seus filhos. Talvez, Suzana von Richthofen poderia sempre “pedir benção” para seus pais, que não impediu que matasse eles. Portanto, até aqui, Nietzsche tem uma certa razão de desconfiar que certas colocações linguísticas são dominadoras.

Mas, o que seria o mentiroso? Ora, o mentiroso é aquele que usa os termos para definir uma realidade é, sendo que, ela não é. Por exemplo, ele pode dizer que “gosta” de alguém e na verdade, não gostar dessa pessoa, pois, se coloca como uma pessoa que cria uma personalidade que não é dele. Mesmo o porquê, como Nietzsche, também acho que o problema não está na ilusão para o sujeito comum, mas os efeitos negativos que ela pode deixar dentro de uma linguagem. Como no exemplo do mentiroso, ele dizer que “gosta” de certa pessoa e na verdade, ele não “gosta”, não é o problema, porque isso só vai acarretar uma desconfiança nele. O problema é a massificação desse tipo de vicio na linguagem, como se todo mundo “tem que” dizer que gosta, porque começa a ser uma tradição cultural. A massificação da mentira. Essa massificação da mentira é apenas o que Kant colocou em seu imperativo categórico, ou seja, faça de suas atitudes coisas que possam ser universais. Então, quando colocamos que existem questões linguísticas dentro da ética e da moral (embora dicionários e enciclopédias dizem ser a mesma coisa, não são não), dizemos que há um interesse dominador dentro de carapaças moralizadoras. Mas, cuidado, existem certas linguagens que tentam quebrar as amarras de linguagens dominantes, que de certa forma, são também atitudes e uma linguagem dominante do mesmo modo.

Podemos usar o funk carioca como exemplo. Suas musicas tentam quebrar a linguagem dominante da moralidade, mas, cai exatamente, na massificação da mentira. Mesmo o porquê, a essência do funk é sempre questionar a moralidade vigente e a cultura burguesa. A questão é: quando você diz que vai “passar o rodo na novinha” – estou dando um exemplo bem mais leve – você não está incentivando anda mais a questão machista de ser o “macho” da espécie? Não seria invasão do corpo da “novinha”? Aí vamos voltar ao caso do mentiroso, porque a música diz que questiona uma certa opressão, mas, acaba, ao mesmo tempo, oprimindo a “novinha” à ceder ao “machinho” copular e invadir o seu corpo (que é uma propriedade dela). Como a questão religiosa dominante do “pedir benção”, a questão da liberdade é uma questão de questionar os questionamentos de uma massificação linguística de certos nichos que tem uma visão ilusória que estão questionando uma opressão. A liberdade tem o mesmo problema da verdade. Vamos colocar dessa forma: a “novinha” (aquilo que se deseja) esteja apenas ali para dançar e não para outras coisas (sexo?), mas, existe o objeto e o objetivo, o objeto é a “novinha” e o objetivo é “passar o rodo”. Qual a liberdade existe nesse caso? Pode a “novinha” não ter nenhuma escolha a não ser ceder?

Podemos definir como liberdade uma condição de ação e reação dos atos humanos, porque só o ser humano tem a consciência da sua realidade. Sartre – filósofo francês contemporâneo – dizia que o homem nasceu livre, ou seja, existe uma condição de escolha e dessa escolha vai definir o que é ou não. Então, temos duas definições: uma de Nietzsche de linguagem e outra de Sartre ontológica. Mas, todas as duas, desemboca da verdade e na liberdade. Liberdade dois aspectos: primeiro é o aspecto de conhecer quem você mesmo é e isso torna a consciência, de dentro para fora. O eu cogito (que podemos colocar como eu transcendental), se vê primeiro do que a realidade em volta de si e ai sim, se volta ao objeto externo. Ou seja, o ser se encontra como ser, pensante para perceber o outro como objeto e o objetivo desse objeto. Segundo perceber que se eu existo como base de minha própria consciência de uma realidade única e minha (porque até mesmo a consciência é algo individual) e assim, perceber nossa própria existência. Ai começa minha própria filosofia do NÃO (ou como passei a chamar, A Tese do Individualismo Consciente). Pois, quando você nega coisas que você não tem vontade ou nega fazer as vontades alheiras sem ter vontade, você faz escolhas e essas escolhas vão filtrando até chegar a tua verdade construindo a sua realidade. Chegamos ao subjetivismo? Não. Ainda o subjetivismo vai aceitar algumas amarras sociais e vai despertar algumas ilusões daquilo que aceitou como verdade posta, sem ver, que há verdades espontâneas.

Como na passagem que coloquei no começo do texto, Jesus quis saber o que as pessoas diziam dele e Pedro disse o que ele era realmente e Jesus disse que Pedro tinha visto não só a aparência física e sim, o seu verdadeiro eu (ego). Quando somos nós mesmos, não precisamos de religião para religar nós ao divino, nem governos que só alienam e nada nos ajudam, mas, se autogovernamos e percebemos que a liberdade que nos “vendem” é uma liberdade ilusória. Não diferente do filme Matrix.

Amauri Nolasco Sanches Junior




quinta-feira, fevereiro 20, 2020

A brincadeira de rasteirinha: muito mimo e pouca educação




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”O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Immanuel Kant

Data feita, eu fiz uma reflexão com meu Facebook por causa de um fato que envolvia minha sobrinha – que tem autismo – e que vai numa escola regular sem ser especial. Porque minha irmã disse que ela não chora, fica na escola sem a mãe e as outras crianças começam a fazer birra, chorar e querer a mãe. Logico, como vimos no mundo de hoje, as mães criam seus filhos como se fossem reis ou rainhas, e que é muito pior, dão a eles o poder que não devem ter. por que? Quando atingem os pais, eu acho que é a lei do retorno, ou seja, você investiu para seu filho ser assim. O problema é quando ele acha que toda a sociedade tem que lhe servir, começam a fazer coisas que não devem, começam a dizer coisas e fazer coisas que tinham do seu conceito distorcido. A questão é: se o conceito de educação é mostrar a realidade, estamos mostrando a realidade aos jovens ou estamos mostrando uma realidade idealizada?

Tenho meus 43 anos e vi a degeneração da cultura gradualmente, com a mídia que queria ou quer, impor tendências. Nunca achei importante seguir uma tendência, nem mesmo, quando eu era adolescente. Quando todos gostavam de lambada – que aliás, a degeneração cultural começa muito antes com o conjunto porto-riquenho Menudo – eu começava a ouvir Guns N' Roses e gostava de rock. Nunca gostei de seguir nenhuma tendência. Por que? Sempre achei que as tendências eram limitadoras porque elas simplificavam uma ideia e depois massificava como se fosse verdade, como se todo mundo gostasse de tal estilo musical. Mas, a tendência também tem a ver com a ideologia e a religiosidade, que limita do mesmo modo. Se você é comunista não vai ver pontos positivos no liberalismo, assim como um liberal, não vai ver pontos positivos dentro do comunismo. Quem é evangélico, nunca vai ver pontos positivos no espiritismo, muito embora, a maioria dos espiritas vem o espiritismo como um espirito consolador que não vê pontos positivos nas religiões cristãs. Tanto nas ideologias tem pontos positivos, como na religiosidade. As ideologias políticas e as religiões, são apenas um meio para um fim, ou seja, acabam sem apenas um instrumento a chegar num resultado final.  O bem da humanidade e o encontro do divino.

Só que tendência é um modo de alienação, porque para o povo ser anestesiado, tem que dar um tipo de anestesia. A massificação – isso aconteceu nos períodos do socialismo soviético, do nazismo alemão e no fascismo italiano, fora o fascismo ibérico e o Estado Novo por aqui – se anula o individual (neutralizando o indivíduo) para dominar a grande massa pelo prazer de uma ideia que ela gosta. As imagens agradáveis e a música que traz alegria e não traz a realidade (não, o funk não traz a realidade) dentro de uma massa que sofre a realidade e não aceita ela. É mais alegre e gostoso ouvi uma música que mostra o amor, porque achamos o amor gostoso graças a ideia romântica do amor eterno, do amor que não tem brigas e os dois namoram sempre. É mais prazeroso ouvi uma musica que explora o sexo, porque o sexo dará prazer e sempre deu, mas, não traz as consequências. A gravidez é as menores delas, porém, não pouco preocupante. Quem quer ouvir musicas que mostram a realidade ou que nos fazem refletir? Ou que, pelo menos, não são degradantes para o ser humano?

A tendência sempre vai nos amarrar a uma realidade fictícia. As sombras platônicas que são só projeções de pessoas que estão por traz do fogo, sempre construindo essas sombras. A atitude não é nem sair de botinão (o conhecido coturno), camiseta preta, ou shortinho curto e miniblusa, e sim, vem da quebra das próprias tendências. Aí voltamos aquela pergunta: o que será a realidade? Será que a minha realidade tem a ver com a realidade do outro? Eu gosto, particularmente, do método cartesiano do “penso, logo eu existo” (no livro que tenho da editora Cultura (Os Pensadores) tem esse “eu”). Se eu estou pensando e a partir do meu pensamento eu percebo o teclado do meu computador, primeiro eu não posso duvidar da minha existência porque sou aquilo que eu existo para ter essa percepção. Eu posso duvidar de tudo ao meu redor, mas, não posso me duvidar. Se posso duvidar de tudo, então, eu posso fazer a seguinte pergunta: por que eu tenho que seguir a tendência tal? Se sou contra o sistema, por que eu colaboro com a grande mídia gostando das mesmas bandas que aparecem na mídia?

Dai entra a filosofia do NÃO. A grande maioria segue tendências, porque não gosta de ser excluído. Nosso povo, em sua maioria, não gosta de cara feia. Isso demonstra desprezo com a pessoa dele.  Então, ele tende em gostar o que a maioria gosta para não confrontar, ser aceito e muitas vezes, nem gosta daquilo. Por exemplo, muitos sertanejos que cantam a música da tendência, gostam de rock. Mas, eles descobriram um nicho – porque o pai colocou para cantar essas músicas dês de cedo – e ganham dinheiro nesse nicho. Isso é se trair, ou seja, trair o seu ser para ter, que não é diferente, de se prostituir sexualmente. Única diferença é que você ganha dinheiro cantando o que gostam, assim, alimentando essa massificação. Muitas pessoas adotaram serem ecléticas, mas, ser eclético é não gostar de nada. Mesmo o porquê, se você for analisar bastante fundo, você gostar de tudo é um modo de não desagradar ninguém. Ou seja, você relativiza o gosto ao ponto de classificar a massificação como benéfica, mas, o oposto a democracia é a massificação e o coletivismo que destrói o individuo como uma pessoa autônoma.

A minha filosofia do NÃO ou a tese do individualismo consciente, é, totalmente, cartesiana. Por que? Porque tem a ver com o gosto e a vontade que expressa no seu consciente para pensar e analisar a realidade. Quando dissemos que NÃO queremos um cachorro quente e sim, um hambúrguer, estamos expressando o nosso querer projetando a nossa vontade. Entre rock e axé, eu prefiro rock, pois, há elementos peculiares que me fazem querer ouvir rock ao invés de axé. Porem, o gosto da maioria está além daquilo que chamamos de gosto individual, porque é repetida varias musicas ate o publico aceitar aquilo. Ou porque é mais fácil ouvi aquilo, porque são frases curtas e não requer o esforço do pensar.

A cada NÃO que você diz, você chega à essência de uma só realidade e chegando a essência de uma só realidade, você chega a seus valores éticos e morais. Não estou falando de moralismo, pois, o moralismo é uma imposição de um conceito religioso que acaba sendo uma massificação do mesmo modo. Mas, estou falando da verdadeira moral, que degrada e degenera o ser humano deixando-o menos crítico, para não questionar os políticos, quem detém o poder. Por que será que deixaram as escolas sem investimento? Tentam tirar filosofia e sociologia do currículo escolar? Para os jovens serem menos críticos? E nem estou falando de governo (Bolsonaro), mesmo o porquê, quanto o PT viu que estavam questionando muito seu governo, também tentou tirar. A questão sempre envolve o poder e o senso critico e o senso crítico é o NÃO que demos. Porque a negação da realidade de modo critico, fará sempre um ser humano mais inteligente.

A modinha da brincadeira de rasteirinha só é a massificação e a constatação que os jovens não sabem brincar, pois, acham que a vida é um grande videogame. Mas, não é, porque se você se machucou ou se matou, não tem como reiniciar a vida, ela se foi. Mesmo quem acredita na reencarnação, como eu, sabe que a vida é uma só, foi uma oportunidade de aprendizado que tivemos. Portanto, a cada indivíduo resta analisar aquilo que gosta e aquilo que não gosta.


Amauri Nolasco Sanches junior
Publicidade, técnico de informática e filosofo