quarta-feira, janeiro 15, 2020

Na ‘Filosofia Pop’ a Marilena Chauí fica de fora




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Amauri Nolasco Sanches Junior


Estávamos discutindo sobre o artigo do filósofo Luiz Felipe Pondé chamado “A princesa sem sexo” — que o filósofo fala que a Frozen é chata e é mesmo — e apareceu, como aparece em qualquer grupo de filosofia, a expressão “filósofo pop”. Como eu sempre fiquei intrigado com essa expressão, resolvi perguntar: o que seria um filósofo pop? Será que os verdadeiros filósofos são os acadêmicos que escrevem como se o mundo todo fosse da academia? Aliás, como aconteceu com várias filosofias, como aconteceu com vários ensinamentos (como de Jesus e de Buda, por exemplo), a academia também teve suas distorções desde Platão. Acho que Platão odiaria o tipo de academia que se tornou hoje as faculdades e universidades.
Vamos a cerne da questão, porque é importante deixar bastante claro o que pop. Pop é o diminutivo de popular — que Platão chamava de “doxa” — então, tudo que é pop é tudo que o povo conhece e sabe que existe. Madona é pop. Michael Jackson é pop. Iron Maiden é rock. A diferença é que a cultura pop é popular e a maioria aceita, ou não, mas, é conhecida na sua grande maioria. Porém, a expressão “filósofo pop” é uma expressão ao mesmo tempo, irônica e ao mesmo tempo tem os mesmos preconceitos que teve Platão com os sofistas. Platão achava — aliás era uma opinião dele — que o conhecimento deveria ser passado por amor a sabedoria e não em troca de dinheiro, portanto, os sofistas eram mercenários (o que chamamos hoje em dia) porque trocavam seus conhecimentos por alguma quantia. Então, hoje, temos uma escopo enorme de sofistas que dão aula. O próprio Aristóteles, que também não gostava dos sofistas, foi professor do imperador Alexandre Magno (O Grande). Em troca de nada? Só por que o pai dele era médico da família real?
Então, podemos presumir, que a filosofia pop é popular e por ser popular ela perde o cerne da sua existência, ou seja, fazer o ser humano pensar e sair da sua caverna de sombras. Mas, os acadêmicos escrevem muito complicado como se fosse uma seita, quem lê um trabalho ou um livro acadêmico, quase não entende nada. A questão é: para quem escrevem? Para seus pares só? Ai chegamos as várias criticas sobre quatro filósofos daqui: Mario Sérgio Cortella, Clóvis de Barros Filho, Luiz Felipe Pondé e leandro Karnal. Por que só esses quatro filósofos são chamados de “filósofos pop”? Será que tem a ver com a popularidade que eles tem nesses últimos tempos? Talvez, a academia ficou com essa estigma de que tudo que é popular (e não defende um lado ideológico) não pode ser chamado de filosofia, como trabalhos acadêmicos que criam verdadeiros androides que só repetem o que os outros filósofos dizem. Tudo que é original, é pop.
Uma outra questão é: a filósofa Marilena Chauí é famosa, por que ela não é pop? Por que ela não faz críticas ao PT e a esquerda? Aliás, Chauí é uma ativista do PT desde sua fundação, portanto, não é de se estranhar que ele defenda o ex-presidente Lula e outros membros. Além de ser marxista. Ora, para não ser pop não basta ter livros cansativos e de pouco entendimento como uma seita secreta, deve ser marxista e ter uma pauta progressista. É evidente. Não porque defendo a direita — que tem o Olavo de Carvalho com suas paranoias — mas, porque estou refletindo em um julgamento que não passa de uma coisa seletiva. Por quê? Porque se olha em uma visão ideológica e não uma visão racional, sem paixões ou crenças dentro dessa análise. Afinal, crenças não são só pessoas religiosas, mas, pessoas que acreditam cegamente em alguma coisa. Isso inclui as ideologias.
Quando se julga o Pondé, por exemplo, por ter escrito que a Frozen é chata porque congela tudo que está a sua volta, e o chama de filósofo pop, não estão refletindo o texto como um todo. Ele faz, exatamente, o que o povo disse que fez com a Frozen, pois, o que interessa se ela é lésbica ou não em um desenho infantil. Talvez, poderíamos discutir os desenhos dos Estúdios Wall Disney, como chatos e não seguram minha atenção. O que a empresa fez com o Star Wars (que começou com George Lucas tendo surtos de politicamente corretos), foi um crime horrível, robôs de bolinha, bichinhos fofinhos e a linguagem. Começa com “lado sombrio da Força”, porque o “lado negro da Força” ofende, mas, “The Darkside” é o “lado negro da Força”. Isso não quer dizer que estamos chamando todo negro de mal, que os negros são do lado malvado, é um lado escuro de cor negra, cor preta, que é a parte obscura da energia primordial dentro dos seres que a carrega. Nada tem a ver com pessoas de pele negra, que, aliás, merecem muito respeito. E por isso mesmo, tenho uma filosofia seria, filmes dos estúdios Wall Disney, DC e a Marvel não vou ao cinema.
Entre o mundo encantado dos estúdios Wall Disney e o marxismo, não há diferença nenhuma, um mundo belo, igual e que visa sempre a felicidade. Nunca vamos ser felizes.

terça-feira, janeiro 14, 2020

Carlos Bolsonaro acha que é conservador



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Amauri Nolasco Sanches Junior


Uma vez, meu pai, perguntou para serve a filosofia porque estávamos discutindo sobre o governo e ele, que votou no Bolsonaro, estava defendendo o governo. Eu, como um filósofo, defendi uma visão mais crítica e muito mais realista de algumas relações dentro dos ministérios. Mas, tirando as nossas divergências sobre o governo Bolsonaro, acho que meu pai é um conservador de verdade. Porque ele não tem ídolos, ele pode gostar de Beatles, por exemplo, mas, ele pode achar que Lennon era um drogado filho da puta. Ele pode apoiar o Bolsonaro em algumas coisas e em outras, pode fazer críticas e achar que ele deveria ser muito mais radical. Essa visão cética — meu pai não gosta de ler coisas grandes — mostra que meu pai é um conservador de verdade. Não é uma pessoa religiosa porque acha que a maioria vai para a igreja por interesse. Ele apoia a família tradicional, mas, acha que os gays devem ser respeitados e eles deveriam respeitar também. E ele sempre disse e fomos educados assim, você não tem direito nenhum de tocar em uma mulher que não te deu permissão, nem mesmo, se ela tiver pelada no meio da rua.
Por que eu digo isso? Porque o pessoal confunde moralismo com conservadorismo, porque uma visão moral é, completamente, subjetiva a partir de valores que foram construídas suas ideias éticas. Por outro lado, não podemos dizer que só podemos obter valores morais no seio familiar, mas também, em socializações como as religiões. Exato. A diferença de uma pessoa conservadora e uma pessoa que é moralista é que, a pessoa conservadora respeita o individualismo e a liberdade democrática em um respeito multo. A título de exemplo, o modo de pensar do meu pai, que respeita como as pessoas são e respeitou sempre a liberdade dos próprios filhos, em escolher a religião ou ideologia — aliás, meu pai também gosta de alguns pontos da esquerda, mas, vê com cautela mudanças bruscas — sempre falou que deveríamos estudar sempre (ele sempre diz que você não tem que ser bom e sim, ótimo), que você tem que respeitar do mesmo modo que você quer que te respeitem. Mesmo não sendo religioso, adora dizer que os seres humanos deveriam seguir o decálogo de Moisés (aliás, dissemos que são Os Dez Mandamentos, mas, é muito mais do que só dez).
Duas coisas me fizeram escrever sobre o conservadorismo verdadeiro — não o nutella de fundamentalista evangélico sunyta (sim, os radicais não são os xiitas e sim, os sunytas) — são a morte de Róger Scruton e mais uma postagem do Carlos Bolsonaro que deu polêmica. O grande nome do conservadorismo britânico era Scruton, que tinha uma crítica feroz a esquerda mundial. Quando fui ler o último livro dele — em PDF — ele colocou Nietzsche como um filósofo de esquerda, fechei o livro. Não houve filósofo mais elitista do que Nietzsche. Esse paralelo que a esquerda (pelo menos a brasileira) de colocar Nietzsche detector da liberdade e contra o sistema, é de uma estupidez gritante. Aliás, a academia em matéria de filosofia, faz uns paralelos que não tem muito a ver com que os filósofos disseram ou fizeram. Além, claro, não gostar do socialismo que dizia ser uma ideologia para ressentidos, como se fosse uma religião. O Scruton não se atentou é que nem toda mudança é revolucionaria, porque uma hora, culturas e leis começam a ter regras que não servem mais para determinadas épocas e o além homem de Nietzsche, é uma teoria não de revolução e sim, por mudança. Quem conhece história sabe, que sem as mudanças necessárias, o ser humano estava ainda nas savanas como eram nossos ancestrais.
Os seres humanos sempre vão apoiar teorias que colaboram com sua visão de mundo, se um sujeito de esquerda ler Nietzsche, ele vai olhar para sua filosofia como uma quebra do sistema. Se um sujeito lê Nietzsche, vai colocar no rol da meritocracia. Cabe descobrir que Nietzsche achava que o ser humano tinha matado os melhores valores e se corrompido a valores ressentidos, valores que os que se magoam por qualquer coisa. Como ele previu, ficamos uma sociedade niilista que não acredita em nada além daquilo que é ressentido, pobre e primata. Numa passagem interessante, Nietzsche dizia que se você olhar muito para o abismo, o abismo começa olhar para você. Ou seja, você se torna tudo aquilo que você crítica, porque você começa a imitar aquilo que lhe limita, você vê no outro o que você não tem coragem de assumir. Freud dizia isso. Isso até mesmo, é verificável dentro da própria sociedade. Ai chegamos na linguagem, porque toda a realidade tem a ver com a linguagem.
Aristóteles colocou a filosofia cono uma ciência — sim, a filosofia é uma ciência no sentido de conhecimento — teorética, ou seja, a filosofia é uma ciência que usa a imaginação. Porém, na filosofia aristotélica, se divide em três formas de pensamento: primeiro, a filosofia é teorética que tem a ver com a física, matemática e a filosofia primeira (a metafísica); segundo, a filosofia é prática que tem a ver com a ética e a politica; terceiro, a filosofia é poética que tem a ver com a estética e técnica. Claro, que hoje sabemos que a física tem a ver com objetos e não é tão teorética assim e que a tradução de “politikon” não é politica e sim, cidadão. Aristóteles não se importava muito com o problema o que era a vida e sim, o problema do ser. Talvez por isso, tenha se preocupado em questões da ética e questões metafísicas no significado de ontologia. Na abertura da obra Politica, Aristóteles dizia que o ser humano era um animal cívico, porque ele é o único animal que tem a linguagem. Os outros animais têm voz (phoné) e com ela pode expressar dor e também prazer, mas o ser humano pode expressar a palavra (léxico) e com ela, pode expressar aquilo que é bom ou mau, justo e injusto. Mas, o que seria o justo ou o injusto, bom e o mau dentro de uma sociedade?
O bem ou o mau, a justiça e a injustiça, depende da construção dos valores morais da sociedade onde o julgamento está sendo feito. Para os russos ser homossexual é, talvez, uma ofensa a maioria ou, o governo interpretou que na cultura russa, não caberia o homossexualismo. Outros povos enxergam como uma represália, mas, se fomos analisar num contexto histórico, a Eurásia foi colonizada por povos tanto nórdicos, quanto os eslavos e assim, foi construída a cultura da região. No mais, o presidente (leia-se: ditador), Vladimir Putin, era agente da KGB (Polícia do regime socialista soviético) e para os socialistas, o homossexualismo é uma construção burguesa. No mais, os russos são ortodoxos e a ortodoxia é bem rigorosa e tradicional e o povo, que gosta das tradições, são contra. Religiões tem a ver ou fanáticos, com algumas dessas leis, como no mundo islâmico (pelo menos, no mundo fanático), que matam homossexuais, deficientes e tudo que se mostra diferente daquilo que se costuma ser normalizado.
O “bom” em Nietzsche é um sujeito nobre, valoroso, aquilo que na idade media, se chamou de cavalheiro. Ser gentil sem ser fraco, ressentido, e que as pessoas te vejam como uma vítima, que ache que as coisas e as pessoas tem que lhe servir. Por exemplo, que aliás, era uma grande crítica ao cristianismo de Nietzsche — que chamava de platonismo para as massas — você escolheu ser cristão porque quer um mundo justo para você usufruir daquilo que acha que merece. Mas, você sabe que não vai mudar o mundo que vive e acha que um outro mundo metafisico vai ser melhor. O ressentimento de ter feito escolhas erradas e até mesmo, não ter tido as mesmas oportunidades dos que tem alguma coisa, te fazem pensar que eles não entrarão nesse mundo. Esse é o bom fraco de Nietzsche, o bom que acha que o nobre, aquilo que é o real valor da vida (como viver ela em plena harmonia consigo mesmo) e não negar a vida, para ter essa paz de espirito só na outra vida.
Sabemos, porque presumo que meus leitores sejam inteligentes, que os ensinamentos de Jesus eram, totalmente, espirituais e o cristianismo é romano e quem construiu foi o imperador Constantino I de Roma. Portanto, seja católico ou protestante, os desígnios do cristianismo são estoicos, aristotélicos e platônicos, além, claro, dos próprios da cultura romana. Todas as imagens são romanas. A bíblia foi montada pelos romanos. A moral que tanto defendem os conservadores, é a moral medieval romana. Mas, existe a mora de Paulo, uma moral dentro da sua cultura, onde os homossexuais eram chamados de pederasta e era proibido nos países do oriente médio que seguia religiões monoteístas. Então, quando o Carlos Bolsonaro — que acha ser conservador — posta uma foto do Thammy Miranda e o seu filho, ele segue a moral do passado, uma moral de 2 mil anos atrás. Uma moral ressentida por não assumir o que é verdadeiramente, não que seja homossexual, mas, de fazer aquilo que quer. Valo lembrar, que até mesmo na idade media, existiam hipocrisias, padres sendo pedófilos, coroinhas sendo molestados, homossexuais que se escondia nos corredores dos castelos.
O mundo não mudou de lá para cá, onde as pessoas nem sabem direito o que defendem e sabem para entender duas convicções.

sexta-feira, janeiro 10, 2020

Começou o Jihad Cristão no Brasil




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Amauri Nolasco Sanches Junior


Quem estuda geopolítica — de verdade e não esse bando de palpiteiro — que o termo jihad é um dever sagrado de todo islâmico defender o islã o que acreditam ser infiéis. Todas as Guerras Santas que os grupos mais radicais do islamismo se envolvem, tem o jihad como fundamento dos seus ataques ou dos seus atos terroristas que perpetuam no mundo (o 11 de setembro foi um exemplo bem claro). Toda pessoa sensata sabe muito bem, que o fundamentalista daquilo que acredita fundamenta sua crença dentro de bases daquilo que interpreta ser a verdade. Mas, na maioria das vezes, ou são coisas que são ensinadas como lavagem cerebral pelos chefes desses religiões, ou por alguma dependência afetiva que aquilo é seu conforto naquele momento. Muitas vezes, porque não é uma regra, o fanático é aquele que não tem estudo o bastante para analisar certas crenças ao olho da razão e sempre acha que toda a realidade está ali, que todo mundo acredita naquilo que eles acreditam.
A censura do grupo de humor Porta dos Fundos deixa bem claro que Jesus como um gay é imperdoável, que ele pode ser maconheiro, pode ser malandro, pode ser o que for, mas, gay não. Sabemos que muitos são muito mal resolvidos sexualmente, sabemos que outros aprontaram horrores na sua juventude e não tolera ver um espelho daquilo que fizeram. Obvio. Ora, o meu professor de publicidade dizia que o ser humano não ver o que é obvio, porque não se enxerga o que está na sua frente e você não está vendo. Ou seja, se alguém te faz uma ofensa e não te agride ao ponto de te impedir de fazer algo ou te defender, isso não é de maneira nenhuma, um ato de agressão a sua religião. Eu poderia ser espírita e quantas pessoas evangélicas dizem que o espiritismo é coisa do demônio? Pode ou não ofender, mas, o evangélico tem todo o direito de achar que é do demônio, porque assim aprendeu. Assim quer expressar. Não agredindo o espirita, ninguém precisa repreender o evangélico. Do mesmo modo o especial de natal dos Porta dos Fundos, eles não agrediram, eles fizeram duras críticas não a Jesus — porque muitos vieram de lares evangélicos — mas ao próprio cristianismo que se converteu numa religião materialista e não espiritual.
Mas, o que é ser espiritualizado? Não. Não é você escrever a hashtag #namaste e nem saber o que significa (o seu significado é o meu deus que está dentro de mim saúda o teu que está dentro de você), mas, é você começar a se esquecer, dissolver o eu e se conectar com ambiente. Não ache que o Eterno (não gosto do termo Deus, porque ficou algo muito genérico com o termo e começou a ficar bem banal), vai dar um carro, vai dar coisas materiais. Para a verdadeira espiritualidade, a conexão com ele vai muito além do que ter um adesivo “Deus é paz”, ou “foi Deus que me deu” no seu carro, é seguir o que está nos livros sagrados. O ótimo livro espiritual dentro da bíblia — que raramente os pastores pentecostais e neopentecostais lê em seus cultos — é o Eclesiastes que vai fundo na alma. Diz (dizem que foi o rei Salomão que escreveu), que no mundo tudo é vaidade, pois, todo mundo esquece em ficar em silêncio e meditar sobre sua vida. A questão é essa: o que fazemos na questão da nossa própria vaidade? Quando você coloca o adesivo “foi Deus que me deu”, isso é uma vaidade. Quis dizer que o Eterno se importou com você porque você é cristão e assim, você é mais merecedor do que o outro e assim, ganhou o carro. Isso é vaidade. Temos que ter humildade de torcer pelo outro e nunca achar que somos os seres mais privilegiados do universo.
O pastor Caio Fábio disse que acredita em um Jesus que não precisa ser defendido, porque ele morreu na cruz carregando todos os pecados do mundo. Uma reflexão interessante, mesmo o porquê, Jesus lutou contra os fariseus da época, senhores da lei que a aplicava ao seu bel prazer. Defendia nada o que era sagrado. Tanto é, que Jesus expulsou os comerciantes do templo, dizendo que a casa do pai não é comercio. Será que a religião que ele não pediu para fazerem em nome dele, tenha também virado comercio? Será que a reforma de Martinho Lutero tenha caído no ralo por causa do dinheiro? São pontos para se refletir. Mesmo o porquê, quem não tenha pecado, que jogue o primeiro coquetel molotov.

quinta-feira, janeiro 09, 2020

A Filosofia e o Mindset




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Amauri Nolasco Sanches Junior


Todo mundo tem uma coisa para idolatrar, seja o dinheiro, seja personalidades famosas, seja políticos e seja termos da moda. Aqui no Brasil, temos sempre a mania de importar termos e conceitos dos americanos sem se dar conta, que a nossa cultura é de uma maneira e a deles é de outra maneira. Os americanos gostam e adotaram muito a psicologia dentro de várias áreas, para controlar o mercado e outros setores pelo comportamento. Aqui, muito diferente dos americanos que estudam e planejam qualquer coisa que vão fazer (por isso mesmo a psicologia), não se tem o hábito nem de leitura, nem de planejamento de nada, porque a nossa cultura adotou a prática. Só que tem um problema, se gosta de termos e se estuda coisas fáceis que dão prontas as respostas, sem muito fazer pensar. Nosso povo não gosta de pensar. Gosta de fórmulas mágicas e facilidades corporativas. Por isso mesmo, a moda dos coaches tenha entrado tão facilmente dentro do mercado brasileiro, porque a nossa cultura tem imensa facilidade de incorporar “gurus”.
O conceito de mindset é uma mudança da sua mente enquanto uma espécie de mapa do caminho das soluções. O termo tem dois termos em inglês, o mind que quer dizer mente e set, que quer dizer configuração, ou seja, o mindset é uma reconfiguração daquilo que achamos que é o caminho para nossos problemas. Ou, configurar nossa mente para não sair no pensamento do fracasso, do pensamento que vai dar errado e tudo mais que o pessoal acha errado. Esse é o problema. Demonstrar foco naquilo que você está fazendo, é uma coisa e aliás, sempre temos que focar naquilo que queremos construir durante nossa vida. Mas, isso não tem só a ver com nossa própria mente, isso tem a ver com trabalhar no planejamento e isso sim, tem a ver com o risco de dar errado. Acho que duas coisas poderia resolver esse problema: ética de seguir um trabalho focado nas leis, até mesmo, contratar por causa da qualificação e não por causa da sua aparência física. Depois, pensar que não existe caminho fácil, isso requer trabalho, planejamento e estudo. Estudar até mesmo, mudanças de paradigmas de contratação, estudar as mudanças econômicas, estudar o liberalismo e outros conceitos que fazem parte do capitalismo de verdade. Não o que temos no Brasil.
Na filosofia, o mindset é uma incógnita dentro até mesmo, da psicologia. Alguns até dizem que são pseudociências e não deveriam ser espalhadas, porque dão um ar de ciência e não é. Isso me lembra muito Sócrates. Não o jogador — que também tinha ideias interessantes — mas o filósofo. Talvez por ser chamado de sábio pelo Oraculo de Delfos (templo do deus Apolo de Pitiá), Sócrates tenha adotado seu preceito mais caro que ficava na porta do templo, “conheça te a ti mesmo, conhecera o universo e os deuses”. Mas, Sócrates só adotou “conheça te a ti mesmo” como preceito da sua filosofia. Então, saiu perguntando a todos o que sabiam e chegou a conclusão que ele mesmo não sabia de nada, que assumir sua ignorância era a melhor maneira de se conhecer. Concluiu também, que as pessoas diziam coisas que nem elas sabiam que não sabiam, repetiam sem ao menos refletir. Porém, Sócrates dizia que as pessoas eram boas e davam atenção por pura aparência.
Será mesmo que as pessoas pararam para pensar no conceito do mindset? Será que poderíamos configurar nossa mente como um aplicativo qualquer de celular ou de computador? Existem mudanças de comportamento? Talvez. Mas, dizer que você mudar de posição daquilo que pensava e dizer que seria uma reconfiguração, acho exagero. Outro filósofo que entra do debate é Aristóteles, que dizia só poderíamos encontrar a ética, praticando a ética. Ou seja, você aprende alguma coisa e prática aquilo, mas, temos que aprender e para aprendemos, temos que estudar e planejar. Então, ética não seria só um termo que quer dizer condutas sociais aceitas e acertadas (segundo o ponto de vista daquela sociedade), mas, a prática dessas condutas em forma de ação. Assim, podemos dizer, que não basta pensar diferente de modo corporativo se na prática, esse “pensar diferente” não faz parte do modo operante de uma sociedade ou do próprio dono da empresa. Não adianta nada pensar positivo sobre sua empresa (como tudo vai dar certo) e no entanto, a empresa não contrata pessoas com deficiência física que é cadeirante, por causa, que você não quer acessibilizar ela para trabalhadores com deficiência trabalharem lá. Esse “pensamento positivo” acaba sendo seletivo, que é um grande mal dentro da cultura brasileira, porque você quer ganhar e não quer investir. O princípio primordial do capitalismo é o investimento, se o sujeito não investir em tudo que é necessário, ele nunca vai ganhar em produtividade e lucro.
Chegamos dentro do pensamento socrático de se conhecer, de saber se realmente você serve para ter uma visão mais ampla, se você quer mesmo aquilo ou está entrando numa modinha social. A maioria entra na modinha social. As modinhas sociais são o que a massa adota para ser aceitos por uma parcela a que quer participar, como ser de esquerda ou sr de direita, ser religioso ou ser ateu, ser flamengo ou ser palmeiras, sempre achamos que estamos na verdade. Mas, não estamos. O conceito que criamos são só sombras de uma outra realidade. Não vou entrar no mérito metafísico da questão, mas, existem formas de compreender que aquilo que achamos ser a verdade é apenas um conceito fabricado daquilo que se aceita como verdade. Linguagem, pura e simples. Mindset acaba sendo um termo para um conceito que se pensa ser real, por outro lado, configurações mentais não existem, porque somos animais com consciência e sabemos a realidade que nos cerca. Hábitos são mudados conforme o ambiente que se vive e não, uma nova configuração mental. Ou seja, é apenas um termo para explicar nada. Uma psicologia vagabunda que só serve para o coach ganhar dinheiro.
Mas, cuidado! Não podemos comparar os modernos (ou pós-modernos) coaches com os sofistas (que Platão adorava implicar). Os sofistas eram professores pagos para falar sua própria filosofia, os coaches, são pessoas que já pegam conceitos prontos e começam a dar soluções prontas. Por exemplo, “16 hábitos para cagar melhor” são ideias prontas, porque são 16 hábitos para as pessoas cagarem melhor. Já é uma coisa pronta. Não faz ninguém pensar o porquê ela não está cagando, ou porque seu intestino não está funcionando. Por outro lado, vendo tudo isso, vai ficar pior.

quarta-feira, janeiro 08, 2020

Filósofos não podem criticar o PT




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Amauri Nolasco Sanches Junior

Dias desses na rede social do Linkedin, li uma manchete em um site qualquer que um dos membros da rede postou, que o ministro da economia, Paulo Guedes, queria ter acesso à parte de aposentadoria e pensões para pagar o 13º salário da bolsa família. Só comentei que nada diferente do PT e do PSDB, que tiraram de outro lugar o dinheiro para programas sociais. Quantas vezes lemos que o governo tirava da educação ou da saúde para pagar a bolsa família? Quantas vezes lemos e já foi provado, que um dos destinos do dinheiro tirado das estatais eram para esse tipo de programa social? Não estou defendendo o governo Bolsonaro, só estou dizendo que para mim que sempre li jornais, não há novidade nenhuma. O problema é um usuário dizer que comparar o PT com o governo Bolsonaro era uma desonestidade intelectual imensa e era muito pior por eu ser um filósofo. Em um outro momento, a dona da postagem aparece e pergunta em que mundo eu estou. Em um outro momento, disse que não viu nada disso em 38 anos de visão politica.
Lendo isso uma questão me veio na minha cabeça: por eu ser um filósofo e comparar todos os governo de alguma medida, fazem igual? Por eu ser um filósofo, a minha análise é, exatamente, mais ampla e com mais argumentos do que a maioria. Porque o filósofo é um amante da sabedoria e está a procura do objeto do seu amor, como Psique ficou atrás de Eros e nunca lhe encontrou. Cada caminho para achar essa sabedoria é importante, pois, junto com essa sabedoria está a verdade e não é qualquer verdade, e sim, o verdadeiro LOGOS primordial. Então, um filósofo não pode ficar presos em conceitos determinados ou que o senso comum acha ser a verdade (doxa), mas, aquilo que é em essência primordial. Não importa o que está na modinha, não importa se os outros estão dizendo, as análises devem ser analisadas a partir de um ponto além da paixão (o apego aos ídolos), além das análises superficiais. Sempre falo que o filósofo é uma espécie de arqueólogo das ideias, ele não examina a superfície de tudo e sim, vai examinar as camadas mais fundas para encontrar elementos para aquilo ter surgido. Se o filósofo começa a defender uma única posição, ele não é um filósofo e sim, um simples intelectual que só repete do que lê.
Concordo com Nietzsche na questão da verdade e da mentira. Dizia o filósofo alemão, que tanto a verdade e a mentira, são construções que decorrem de uma vida de rebanho e da linguagem que lhe correspondesse. Ou seja, as verdades e as mentiras sempre dependem daquilo que as pessoas acham ser a realidade, os valores que acreditam e levam sempre a uma vida de rebanho e o ser humano acaba sendo escravo de crenças que o alienam a uma verdade maior. Continua dizendo, que o homem de rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho. Assim, a grande maioria tem que seguir o que a maioria segue para ser aceito, ninguém gosta de ser excluído porque nos ensinaram uma realidade que alguns duvidam — aliás, muito poucos vão além das ideologias e as crenças religiosas — e esses, são excluídos da grande massa.
Os filósofos não tem nenhuma visão única que não pode ser mudada, não pode ser repensada ou analisada de forma diferente da maioria. Mesmo o porquê, um ponto de vista é apenas um ponto , mas, existem vários outros pontos de vista que podem também ser colocados. Verdades únicas são sempre perigosas. Verdades únicas construiram tiranos, foi a alienação social da idade media, é a essência de qualquer fanatismo dentro de qualquer sociedade humana. Seja da direita (fascismo e nazismo), seja de esquerda (socialismo/comunista). Por isso mesmo as democracias são democracias, porque existe uma incerteza dentro dela, existem variedades de ideias e posições e sempre o medo dela sofrer uma ruptura. Então, um filósofo dentro da área politica, deve ter bastante cautela cética das análises e sempre jogar outro ponto de vista além que todo mundo fala e expõem e por causa disso, o filósofo incomoda. Incomoda porque sabem que não corresponde a realidade o que dizem ou acreditam saber, mas, insistem porque querem ter razão. Na Grécia, nos tempos clássicos de Sócrates, chamavam ele de “a mosca de Atenas” por ele incomodar como uma mosca que fica nos rodeando. Tanto é, que ele foi condenado por uma condenação tola e vil, só para se livrar de Sócrates e nada adiantou. Seus alunos continuaram seu legado, Atenas caiu na dominação do reino macedônio, e o nome de Sócrates foi legado por toda a história.
A sociedade gosta do “cobertor quentinho” de ser aceito dentro de qualquer manifestação social. Seja virtual ou não, a vaidade impera e não tem como escapar. Como se fossem tribos, os iguais se articulam entre si e compartilham do mesmo pensamento, seja com um ritmo musical especifico, religião específica ou ideologia específica. Mas será mesmo que elas são a visão da verdadeira realidade? É de se pensar e sair da caixinha social.

sexta-feira, janeiro 03, 2020

Carros movidos a bosta





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Diante destas guerras tolas que os americanos se envolvem, poderiam pensar em inventar carros movidos ao teor orgânico, bosta. Já que mentiram para mim que agora carros voariam, trens iriam ter um sistema de magnetização nos trilhos (em alguns lugares já tem), que moraríamos em prédios cada vez mais altos e mais automatizados — fora pessoas com deficiência andando em exoesqueletos, enxergando graças ao óculos neural — poderíamos pensar em carros movidos a bosta. Na verdade, seria um combustível barato (todos os animais produzem), não acabaria e não precisaríamos matar nada para obter. O petróleo tem um alto teor de poluente e pode aquecer o planeta, o metano é importante, até mesmo, para a manutenção do planeta, mesmo o porquê, várias formas de vida precisam do metano para viver. Bosta em qualquer rio tem, poderíamos tirar a toneladas e recuperar os rios, poderíamos também, fazer um sistema de esgoto que dariam em usinas para tratamento dos dejetos. O petróleo abaixaria muito e não ficaríamos focados ou presos nele.
Todos nós sabemos que o presidente americano Donald Trump tem a cabeça do pessoal que vivia nos anos 60, onde o medo do comunismo pairava o mundo. Governos foram destruídos, pessoas foram mortas, graças a uma paranoia americana de uma dominação comunista. Fora que tanto a geração de energia americana, quanto sua indústria automobilística, são arcaicas o bastante mesmo que desenvolva tecnologia. Eles precisam de petróleo, porque além dos donos das indústrias que vivem dos derivados dele, encherem de grana. Grana sempre é bom e não sou contra — quem é contra é sempre o bonzinho que pensa mudar o mundo e não arruma nem seu próprio quarto — mas, existem alguns limites éticos para se ganharem essa grana. Será que escolher um governo que lhe agrade é ético? Sabemos que os americanos financiaram e promoveram as ditaduras militares dos países sul-americanos — incluindo o Brasil — promoveram ditadores no Oriente Médio por causa do petróleo e o medo comunista (uma potência comunista que nunca existiu).
O capitalismo gerou uma neurose para não acabar, mas, brigava com um inimigo fardado a morrer por ele mesmo (um exemplo bastante claro é a abertura do mercado chinês, que não aconteceu com a União Soviética). Qualquer criança sabe, se não entra dinheiro em um país (leia-se, investimento), esse país e seu mercado está fadado a morrer, porque não gerou o capital de giro. O socialismo/comunismo acha que pode viver com os seus próprios recursos, porém, se você não vender ou fazer qualquer troca, o produto produzido pode gerar uma inflação, porque vai gerar a mais daquilo que se precisa. Ou seja, tem que acabar com o produto de qualquer forma. Mas, pode faltar pelo número dos cidadãos, por isso mesmo, Marx vai defender a perda de 10% da população. Stálin fez isso na Sibéria. Todo socialista/comunista vai dizer que isso é uma lenda capitalista. Por outro lado, temos milhares de imagens que comprovam isso.
O mundo em crise sempre busca uma maneira nostálgica de procurar segurança e um inimigo que não existe. Primeiro, pela nossa cultura maniqueísta (dualista) que vê as leis morais e éticas como o bem ou o mal, porém, o bem pode ser descrito pelo o conhecimento, a capacidade de empatia com o outro e indo além, entender como funciona o mundo. Já o mal, podemos colocar como a ignorância, o não saber como o verdadeiro caminho procede, o preconceito e a indiferença com o outro. Mas, são coisas definidas e não tem nada a ver com o relativismo que assola o mundo de hoje, porque ou você tem o conhecimento, ou não.

quinta-feira, janeiro 02, 2020

Deixa o Papa Francisco em paz, você faria igual



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Amauri Nolasco Sanches Junior


Nada pior do que o povo demagogo e hipócrita. Duvido se esse povo que crítica o papa não ia fazer a mesma coisa ou muito pior, porque sei muito bem, que esse povo tem orgasmos quando tem sangue. Só olhar os acidentes que acontecem nas estradas ou em qualquer rua, as pessoas diminuem para ver os corpos, o sangue e tudo mais. Lembro que quando os membros da banda Mamonas Assassinas, morreram num acidente aéreo, todo mundo comprou a revista que mostrava fotos deles. Esse papo que o povo gosta de coisas bonitas é mentira, pessoas gostam de sangue, traição e tragédia. As musicas cafonas trágicas, não me deixam mentir. Porém, quem acha que a grande maioria gosta de paz e um mundo cor-de-rosa, ou é um idiota que acredita em mundo melhor, ou é um canalha que usa isso para beneficio próprio.
Eu escrevi as nuances dos fatos AQUI (se você não abrir o link, não vai entender bulufas do que estou falando), por isso aqui minha preocupação é totalmente, moral. Na verdade, se fomos bem no cerne do problema, há um paradoxo politicamente correto. Se por um lado o Papa agrediu a mulher (para mim foi um ato de defesa) dando dois tapas na mão dela, por outro lado, a mulher puxou o braço de um idoso de 83 anos de idade, que pode sim, se considerado uma agressão. Temos aqui uma mulher que levou dois tapas em sua mão por não querer largar Francisco, por outro lado, temos um idoso sendo puxado por uma mulher bem mais jovem do que ele e que, facilmente, poderia deslocar sua clavícula. Aqui o errado sempre é o herói e nunca o bandido, afinal, vilão sofreu na vida e não teve oportunidade de sr nenhum herói. Mas, nesse caso específico, quem é o herói e quem é o bandido? O problema é o maniqueísmo que herdamos e que faz a cultura ocidental sempre ver as coisas entre o bem e o mal. Por outro lado, arrisco dizer que nossa sociedade sempre foi assim, desde muito tempo atrás, muito mais tempo do que o maniqueísmo.
Na própria bíblia há sempre o ato maléfico que é tomado com uma vingança como ato benéfico, como se o ato de matar inocentes se neutralizasse a partir do momento que aquilo fosse um ato divino (ou algo que foi atribuído a Ele). Por outro lado, estamos numa sociedade relativista que não sabe se decidir em nada, se gosta de tudo, segue religiões por modinha (chamo de espiritualidade Feed Food), e nem sabe decidir pela comida que quer comer. Não sabem que se você ouve todas as musicas do universo, você acaba não gostando de nada. Se você segue uma religião porque todo mundo segue ou para pedir algo para você, você não está religando nada ao divino. Essa praga do politicamente correto relativizou tudo, tirou nossa liberdade de dizer as coisas como elas são, tirou a liberdade democrática.
Nessa discussão eu fico com Sócrates e com Platão, que entre o bem e o mal só há, na verdade, o conhecimento e a ignorância. Quanto menos as pessoas conhecer e estudam, muito mais elas acreditam em milagres, porque elas não conhecem o poder que tem, mesmo em alguns casos, tenham pessoas que conhecer e ainda acreditam nesses milagres. Uma vez uma amiga, conversando na van voltando de um lugar, perguntou para mim se uma rosa nascesse em um muro se aquilo seria um milagre. Eu disse que seria uma semente que caiu de um bico de um passarinho ou dos pelos de uma abelha (sim, abelhas tem pelinhos), que encontrou condições de geminar e nasceu a rosa em um muro por causa disse. Anos depois — porque ela era católica — minha amiga me disse que eu tinha abalado a fé dela. A questão é: será que ela não estava com sua fé abalada já com essa pergunta? Ou eu implantei a sementinha questionadora da realidade nela? Talvez sim, talvez não. As universidades trazem um pouco a realidade objetiva nas pessoas e a crença pela crença sempre é abalada. Católicos ou evangélicos começam a questionar algumas coisas quando estudam, ou não. Aqueles que não, são as pessoas que tem certeza do que acreditam.
Meu avô tinha uma fé grande na igreja católica e toda as noites de natal não ia dormir sem ver a missa do galo, minha avó que era evangélica ficava assistindo também, as vezes. Mas, os dois oravam ou rezavam juntos todas as noites juntos, cada um a sua maneira particular. O que eu quero dizer com isso? As pessoas ficam sempre preocupadas no que as outras vão dizer ou que em algum momento, o universo está lhe olhando para saber o que estão fazendo. Mas, o universo está pouco ligando para você. Aliás, existem pessoas que são tão arrogantes, que querem definir o que Deus pensa e o que ele deve fazer com os outros. Já li até mesmo expressões como “meus jesus”, mostrando que a maioria da cristandade se esqueceu do Eclesiastes.

terça-feira, dezembro 31, 2019

A ética dos covardes canalhas



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Amauri Nolasco Sanches Junior


Havia um post no Linkedin — uma rede social que se diz profissional, mas está cheia de autoajuda vagabunda — que mostrava uma matéria de um jornal (todos hipócrita e canalhas) que dizia que o ex-presidente Lula processaria o Dono da Havan por ter contratado um avião com uma faixa dizendo que ele era “cachaceiro”. Respondi que eu achava o Lula um canalha, mas, quem é o Véio da Havan nisso tudo? Vou explicar melhor. O Lula é um canalha porque tem um discurso cínico parecendo que nunca foi presidente, como se no seu governo não havia aumento de preços, como se ele tivesse arrumado o nordeste e tivesse melhorado o país. Não acho que o Lula é um comunista. Aliás, ele nem sabe o que seria o comunismo. Acho que ele quer o poder pelo poder, um psicopata que pensa que o país é o quintal do sindicato que sempre ficou lá.
Luciano Hang (vulgo Véio da Havan) é um empresário fantasiado que tenta fazer marketing da sua loja. Aliás, até hoje eu não sei o que a Havan vende, o porquê ela existe e o porquê tem uma Estatua da Liberdade na entrada. Mas, ele joga na polêmica e começa dizer coisas que não tem nem lógica, como jornalistas não darem sua opinião, ou que piso tatil não serve para nada. Por que jornalistas que dão opinião sobre o Lula ou a corja do PT vale e os que criticam o governo não? O Bolsonaro também erra e tem que apontar o erro, para talvez, ele repensar o caminho que tomou. Mas, ao que parece temos um petismo dentro da direita, um fanatismo chato que em vez de atrair as pessoas para uma discussão mais racional, atrai sempre os idiotas para uma discussão rasa e pobre o bastante para atrair os pseudos-filosofos. Ainda, esses intelectuais que tem livros na livraria custando quase cem reais e ficam pedindo ajuda, aproveitam para atrair seus holofotes para si mesmos.
Ao longo da minha vida, sempre vi aqui no Brasil uma ética seletiva que não pode envolver aquilo que eu acredito, aquilo que eu penso, ou aqueles de que gosto (como amigos e parentes). Também se gosta de rotular as coisas e relativizar aquilo que se acha importante variar. Como já li que Likedin é uma rede social profissional ou que o Facebook é coisa de qualquer um. Redes sociais são ferramentas virtuais para fazerem o que desejarem (com ética, claro), e quem faz ela é os usuários. Claro, que quem usa mais o Linkedin são profissionais que na maioria das vezes, postam autoajuda vagabunda para incentivar profissionais a não desistirem. Como se um meme possa fazer milagres. Sobre a relativização das coisas, nossa cultura é muito disso. Conservadores viram liberais, pentecostais viram judeus (pior ainda, judeus da idade media), rock vira samba, e todo tipo de porcaria se dissolve atrás do que se acredita.
Vou dar dois exemplos bastante emblemáticos. O primeiro exemplo foi um texto — pequeno por sinal — respondendo uma pergunta de um grupo sobre deficiência, que estava perguntando se havia cadeirante que viajava. Disse no meu perfil, que não gostava de viajar de avião porque não gostava de ficar sem comer ou ir ao banheiro, fico muito chato as raias de ser insuportável. Continuando, disse que não ia na casa dos meus parentes porque não eram casas adaptadas para entrar na minha cadeira de rodas. Pronto. Se montou uma atmosfera entre filosofia barata e relativismo explícito sobre inacessibilidade da cidade. Até mesmo, teve a mistica do degrau que tinhamos que superar. Será mesmo que há a mistica do degrau quando o dono da padaria não acessibiliza a padaria? Chegaram a dizer que meus parentes me amavam. Não duvido que eles me amam, mas, a questão é acessibilizar ou não acessibilizar sua própria casa para receber um cadeirante. A ética não pode ser seletiva, porque ou ela abrange tudo, ou aquilo não precisa ser seguido. A ética sempre informa o quanto estamos ou não, relaxados e relapsos a sociedade.
Outro exemplo foi um vídeo. Uma mulher queria saber da sua mãe biológica e entrou em contato e foi ver a mãe biologica, sendo que a mãe que pariu ela dizia no vídeo que não queria nenhum contato, não queria nada da sua filha que deu para a outra. Comentei que a mulher (a mãe que deu a filha) já tinha dito que não queria nada no contato no telefone, por que a filha foi lá? Terminei meu comentário dizendo que pai e mãe é quem cuida, o resto é só ideias românticas baratas. Ora, todos que estudam história sabem que esse amor filial romântico veio muito recentemente, que antigamente as pessoas não se importavam muito com a morte do seu filho (claro, que as vezes, tinham pessoas sensíveis que sentiam sim). A questão sempre vai girar no relativismo da ética de hoje, que escolhe a quem exigir. Por outro lado, a escravidão do dever kantiano faz as pessoas pensarem que a mulher deve amar sua filha e deveria aceitar ela de qualquer jeito (chega a ridículo de rogar pragas e até ter a arrogância de achar que manda nas decisões de Deus), mas, cada um ama aquilo que se tem empatia. Como disse um escritor (não me lembro quem) tudo que amamos, amamos sozinhos.

segunda-feira, dezembro 30, 2019

Por que pessoas com deficiência não podem namorar?







Amauri Nolasco Sanches Junior


Sempre quando eu vejo a pergunta do título, me vem a cabeça a pergunta clássica de todo grupo de deficientes (que chamo de guetos): “você namoraria uma pessoa com deficiência?”. Parece uma resposta óbvia, mas, tem muita coisa a ser analisada nessa pergunta. Se antigamente eramos comandados por preceitos religiosos, depois ideológicos, hoje somos comandados pelo marketing do bem. O marketing do bem sempre vai nos mostrar que a vida tem que ser mais saudável, que as pessoas devem sempre sorrir e que existe um propósito para tudo. Talvez, objetos tenham algum propósito, mas a vida é o que fazemos dela e, muitas vezes, erramos de não fazer o que queremos por causa do outro. Minha cadeira de roda tem mais propósitos do que uma pessoa que segue tendências, ou seja, se você quer um mundo melhor, você é um nada.
Voltamos a pergunta. Temos uma sociedade movida pela visão de custo e beneficio. Se você acredita que as pessoas amam seus filhos e querem o bem deles, você deve ser um idiota ou um mau-caráter. A maioria investe nos filhos para terem o retorno na velhice, quando os filhos (segundo a sociedade) deveria cuidar dos pais. E quando se tem um filho com deficiência? Será mesmo que essas pessoas pensarão igual? Afinal, os filhos são um investimento que não há um retorno cem por cento, mas, há uma tranquilidade mais tarde. Ai que está, desde muitos milênios se tem seres humanos com deficiência, mas, na antiguidade — mais ou menos, até a modernidade — eramos abandonados, mortos, desaparecíamos ou eramos trancados. Até hoje, crianças com deficiência são enterradas vivas dentro de aldeias indígenas. Claro que nem todos eram mortos, algumas pessoas com deficiência eram oráculos ou druidas, que remontam a visão mistica da deficiência dentro da sociedade. Sim, há uma visão mistica da deficiência. Essa visão, muitas vezes, atrapalha a vida das pessoas com deficiência. Muito antigamente, se considerava deficientes como pessoas misteriosas e muitas outras pessoas, tinham medo por causa desse mistério. Mesmo a ciência explicar as causas, há ainda essa mistica e o medo ancestral de nós.
Depois dessa explicação, imagina uma mulher apresentar um namorado de cadeiras de rodas para sua família. O pai, que tem a visão que o homem deve prover a casa, faz a pergunta clássica: o que ele pode oferecer para você? Ou até mesmo: que loucura é essa? Porque a sociedade tem a deficiência como um tomento para a pessoa , um sofrimento que deve ser dolorido para todos que se envolvem conosco. Mesmo que esse rapaz trabalhe, ganhe razoavelmente bem, nunca vai ser o bastante para a família da moça. Claro que há exceções. Mas a regra é essa. A luta é constante e deve ter bastante amor envolvido, porque quando começa a parecer as questões de ter filhos e ter uma casa só do casal, as coisas começam a ficar piores. Isso é quando a mulher ou o homem — dei o exemplo da mulher, porque sou homem e a maioria dos relatos são de homens — andam e tem um emprego. E quando há um casal de deficientes dentro da relação?
A questão da deficiência é a questão de todo ser humano que a sociedade não aceita como ser humano, ou por ignorância de não conviver conosco, ou por ser canalha o bastante para não perceber que é um nada. Uma pessoa que tem qualquer deficiência, é uma pessoa antes de tudo e deve ter seus direitos preservados junto com seus deveres. Por outro lado, o povo não é tão democrático como pensa os que idealizam uma democracia linda e um mundo melhor. Só dar uma casa, comida, saúde e tranquilidade, o povo vive nos piores regimes possíveis. O século vinte mostrou isso. Então, essa história que o povo ama a liberdade e é condicionado a achar que o outro ser humano não é humano, é mentira. Para uma grande maioria, pessoas com uma cadeira de rodas ou outro aparelho, são pessoas que atrapalham e tem que ser trancadas em um cantinho e só. Quem são essas pessoas que ficam no meio do caminho num shopping ou numa loja qualquer? O caso do Véio da Havan é o mesmo caso de agências de publicidade que não contratam, empresas que não se adéquam, o poder publico que não acessibiliza. Ainda, temos que provar que somos deficientes toda hora para o poder publico.
O amor entre deficientes na nossa sociedade que ainda acha que está na era vitoriana (num surto reacionário), é uma coisa bastante difícil de aceitar. Quando saia com minha noiva, por exemplo, sempre as pessoas perguntavam se eramos irmãos. Essa associação de coletivo (como deficiente namorar deficiente ou irmãos com deficiência), sempre foi formado como um gueto que frequentamos, ou o ideário que as pessoas iguais devem se relacionar. Isso um pouco é culpa das novelas idiotas da TV Globo que alimentam essa visão. Por outro lado, os deficientes alimentam esse tipo de imagem saindo em bando, ou até mesmo, participando de grupos do Facebook que só fala do tema deficiência. Eu sempre não gostei de ficar em grupos que o tema é deficiência, mesmo o porquê, deficientes acham que discussões são brigas.
A humanização da deficiência veio com a desumanização do sentimento. Se somos seres humanos, porque será que não temos sentimentos ou sexualidade? Exato. Vamos ser sincero, você acha que pessoas com deficiência são crianças eternas e não tem nenhum desejo sexual? Acho que quem acha isso são idiotas ou são canalhas o bastante de construir conceitos errados para alimentar seu próprio ego. Já vi homens com deficiência se aproveitarem dessas idiotices e se fazerem de alienados, bolinavam as moças e depois se escondiam atrás da mãe. Há canalhas em todos os lugares e eles se aproveitam dessas narrativas para se esconderem. Deficientes não são diferentes, são pessoas como qualquer ser humano e o caráter dependem dos valores que recebeu. Agora, deficientes sentem tesão, são homossexuais e fazem coisas que nem imaginam que possamos fazer, quanto mais se aceitar isso, melhor.
Na verdade, nossa sociedade tem uma imagem romântica de deficientes como seres indefesos e que não tem a menor ideia do que estão fazendo. Ainda, programas idiotas como o Teleton reforçam essa ideia de dependência de uma instituição ou uma causa que não existe, porque a inclusão são direitos humanos e devem ser cumpridos e pronto. Sendo assim, pessoas com deficiência são humanas e tem sentimentos e querem namorar, o problema que as pessoas têm medo. Costumo repetir o mestre Yoda sempre quando ame falam do medo, pois, o medo gera a raiva, a raiva gera o ódio e o ódio te leva o lado negro da força. A analogia da Força é óbvia, nosso campo vital sempre é aquilo que você é de verdade e quando você se encontra, você pode qualquer coisa. O próprio Yoda diz, ou você faz ou você não faz, não existe tentar. Por outro lado, a ideia do namoro sempre foi controversa aqui, porque ainda ficou aquela vontade de pedir o dote ainda. Ou será se o cadeirante for famoso e ter posses a família vai implicar? Como disse, tudo gira em torno do marketing do bem, o politicamente correto que escondem a canalhice alheia.
Tudo isso começa a gerar neuroses estranhas na família (principalmente, da mulher com deficiência), que acha aquilo bonitinho, porém, acham que as pessoas com deficiência não podem sofrer. Sofrer do que? O sofrimento pode ser silencioso lá no travesseiro antes de dormir, isso pode gerar um desejo de se matar, de não querer viver e assim, muitos desistem da sua vida. As neuroses são tão grandes, que acho importante inventarem personais psiquiatras para essa gente, porque chega as raias do absurdo de acharem que não transamos. Não deixar viajar. Não deixarem ficar sozinhos. Uma humanidade canalha para um mundo tão lindo.

sábado, dezembro 28, 2019

Sanctus Dominus — quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov





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As questões ideológicas e religiosas sempre foram muito mais complexas do que o senso comum sequer imagina. E quando a ideologia começa a se misturar com a religião, num português bem claro, só dará merda sempre. O ataque a sede do grupo de humor Porta dos Fundos mostra o quanto a juventude está perdida e sem rumo nenhum, porque você se apresentar como um fascista, mas discursar como um marxista raiz, é de uma imaturidade gigante. A questão é: qual moral devemos seguir sem ao menos, questionar a sua origem? Veja, não devemos confundir questionar com falar mal ou ser contra aquilo, apenas questionar se aquilo é realmente verdade ou mentira, se aquilo levara o ser humano ao conhecer a si mesmo ou apenas, é mais um discurso para dominar a massa. No limiar de tudo, todos esses deveres são marketing para assegurar a predominância de um discurso qualquer.
No caso da representação do Jesus gay do Porta dos Fundos, sempre constatamos que Jesus teve uma imagem mistica muito bem construída nesses dois mil anos de história do cristianismo. Talvez, essa construção da imagem dele enquanto ser que é a incorporação de Deus no mundo — como se Deus devesse se apropriar de um corpo para se fazer presente — seja um discurso sagrado dos milagres que ele teria feito, que lógico, fez dele uma figura mistica. Ora, o budismo (digo o budismo mesmo) não vê Buda como um deus e nem o Islã vê Maomé como deus, porque Deus seria algo muito maior e muito mais longe do que possamos definir em um ser só. Ai entra o romanismo dentro do cristianismo, pois, se algo deve ser adorado, esse algo deve ser transfigurado em uma imagem. Mesmo que várias pessoas tenham múltiplas explicações para isso, o cristianismo não difere dos cultos a deuses da antiguidade e talvez, sincronizou no culto de um homem crucificado, acusado de se titular rei de Israel e blasfemar contra o culto tanto de Roma, como dos judeus. Ou seja, apontou a hipocrisia dos sinédrios da época, em achar que o Templo de Salomão era algum tipo de comércio, que ao passar do tempo, todos ficam como comércio. Isso não quer dizer que eu ache que Jesus não existiu, as ordens morais que ele disse — se disse mesmo — são importantes para uma vida equilibrada e com sentido em ser. Afinal, quem não tem pecado que atire o primeiro coquetel molotov?
Segundo o novo testamento, Jesus participava de várias festas e comemorações, mostrando que ele era uma pessoa alegre e festiva. Ora, vamos ser sinceros com a fé cristã, mesmo que ele for Deus, ele iria se importar do que um bando de comediante diz dele? Mesmo se ele fosse homossexual, será que sua mensagem mudaria por isso? Claro que não. Racionalmente, podemos dizer que homens no tempo de Jesus (segundo a lei judaica) homens co 30 anos de idade, teriam de ser casados e, pelo grau de cultura que Jesus demonstra, talvez, ele teria que estudar no templo. Vários estudiosos já trabalham com a ideia que Jesus e José era escribas do templo, assim, poderiam circular no mesmo livremente. O que nos remete que Jesus deve ter sido casado — como Buda, Maomé ou Moisés e isso não invalidaria suas mensagens — isso reforça a hipótese, que Maria de Magdala teria sido esposa e discípula de Jesus. Porém, nos resta uma dúvida importante: por que o império romano como todo aquele poder acabando, ter aceitado cultuar um culto de um homem crucificado?
A cruz é um símbolo religioso muito antes da crucificação de Jesus, mesmo em Roma. Aliás, há um erro corriqueiro, que atribui festas incorporadas na religião cristã como deus antigos vindos de fora, mas, o que vimos e o que dizem vários pesquisadores, é que tudo ou a maioria que existe no cristianismo veio dos romanos. Todo o cristianismo é romano. Isso não resta dúvida, quando olhamos os anjos das igrejas e eles estão vestidos como centuriões romanos. Há muitas características que mostram todo o império romano na igreja romana cristã, além, claro, das filosofias gregas influenciando alguns pontos teológicos disso tudo. Muito pouco restou das falas e dos ensinamentos de Jesus, portanto, a figura mistica sempre dominou o que realmente o cristianismo deveria pregar como ensinamento do seu mestre. Portanto, o cristianismo não é o mesmo de seguidor de Jesus.
Ora, afinal, será mesmo que foi Jesus o ofendido ou o cristão se ofendeu? Será que a ofensa é a imagem que se construiu dentro do fanatismo? Tudo isso que eu escrevi não quer dizer que a mensagem de Jesus não seja importante, mas, que tenhamos sempre um filtro daquilo que é, verdadeiramente, sua mensagem e aquilo que não, não é sua mensagem.

quarta-feira, dezembro 25, 2019

Natal Bumbum



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Amauri Nolasco Sanches Junior




Uma das frases do filósofo Luiz Felipe Pondé é que deveríamos seguir religiões de mais de mil anos de tradição. Como eu gosto da doutrina espírita e leio bastante sobre, eu descordei dele por muito tempo. Como filósofo, o discordar de alguma ideia, não quer dizer que o outro é uma porcaria e tudo que ele diz é uma porcaria. Fui entender esse pensamento quando eu comecei a analisar certas coisas que acontecem dentro do natal e não só, mas outras questões éticas que trazem dentro de uma certa cultura. As pessoas ficaram barulhentas e sem graça ao ponto de postarem baladas, fumando narguilé e outras porcarias. Que aliás, o narguilé é uma tradição oriental — me parece, da Índia — que não deveria ser para fumar maconha ou ácidos, mas, água aromática. Estamos criando uma geração de bunda moles que nem sabem o que estão fazendo e acham que são sucesso na internet. Sem conteúdo, você não gera conteúdo e não adianta chorar.
A questão é grave e deveria entrar como saúde pública. Em um canal de YouTube que fala de vida cotidiana chamado Acidez Feminina, a Tati responde algumas duvidas de pessoas que só souberam aonde ir quando eram espermatozoide do pai. Ora, uma dessas cartas dizia que o marido da mulher que escreveu sempre escreve para sua mãe se vai viajar, se vai passear, se vai fazer alguma coisa porque sua mãe exige. Tati disse que a mulher deveria compreender esse tipo coisa e deveria deixar o homem, ser o bebe da mamãe o quanto ele quisesse. Primeiro, que o cara beira aos 38 anos de idade e deveria ter idade o suficiente para dizer a mãe que ela não precisa se preocupar. Segundo, além da nossa sociedade produzir homens bunda moles, bebezões que não sabem nem criar seus próprios filhos, idolatra a família e isso é muito ruim dentro de uma sociedade. Minha mãe sempre nos ensinou — eu e meus irmãos — que devemos amar as pessoas sem ficar “grudadas” nelas, como se fosse, um desapego. Eu que estou numa cadeira de rodas, com certas limitações, minha mãe me empurrou praticamente, para viajar sozinho com os amigos aos 16 anos de idade. Quando eu não queria ir, praticamente, ela dizia algo para que eu fosse. Seu último pedido antes de se for, foi para mim me cuidar e estou me cuidando. A grande lição da minha mãe é que você cria seus filhos para o mundo e não para você mesmo, seu egoismo só vai fazer você criar um belo de um bunda mole que não sabe nem pegar um copo de água sozinho. Gentileza é uma coisa, achar que mães chatas são intocaveis, é bem diferente.
O que tem a ver a Tati com o Pondé? O Pondé nos remetem a tradições milenares onde a formação das crianças eram feitas para melhorar e continuar essas tradições, mesmo o porquê, as crianças eram futuros cidadãos daquela polis. Não interessa o que uma mãe achava, a criança iria se submeter ao agoge espartano, muitas vezes, jovens eram mandados a estudar em outras partes do mundo. Na verdade, a esquerda e mais especificamente, a filósofa Marilena Chauí, não está errada, a família de hoje foi inventada pelo capitalismo. A estabilidade social precisava ser feita para reconstruir as nações logo após a segunda guerra mundial, então, inventaram a família de marca de margarina. Na essência, não existe felicidade plena sem antes nos desapegarmos a certas particularidades que não valem a pena continuar. O apego faz sofrer porque nada é permanente, como dizem, não há caixão duplo. A permanência nos coloca em imaginar que exista algo eterno, porém, mesmo que algo seja eterno ele não pode mudar? Será que existe essa eternidade que coisas ou seres são eternos? Mesmo eu lendo bastante coisa do espiritismo, para mim pelo menos, a eternidade evolui conforme o conhecimento que acumulamos e não acredito em castigo ou karma no sentido popular.
A Tati pensa igual todo mundo — mesmo que seu canal tenha um nome acidez feminina, onde remete que acidez é a desconstrução molecular de algo — onde a família é sagrada e não tem o que discuti. Ora, a questão familiar é uma questão social, uma questão que abrange o futuro humano e como disse, a família como conhecemos, é muito recente. Tanto é, que na era vitoriana, a moda era tirar foto de cadáveres como se eles tivessem vivos. Isso é uma amostra o quanto o desapego era frequente antes da família doriana. O mundo não era tão idealizado e os seres humanos, não criavam seus filhos para lacrarem. Não se criava os filhos para se apegarem a mãe e quando um parente morria, ficar até mesmo, com depressão. Aliás, se confundem tristeza profunda com depressão, que pode por ventura, atrapalhar quem realmente sofre com a doença.
Sabemos muito bem, que o filósofo alemão do final do século dezenove, Nietzsche, tinha razão em achar que a quebra dos verdadeiros valores iria produzir vários ressentidos. O cristianismo é a prova disso, pois, produziu vários ressentidos que destruíram várias tradições antigas por não entender aquilo. Achava que o poder tinha que te dar o pão e que finalmente, lá no paraíso, ele seria alguma coisa. Todo ressentido é um nada. Mesmo que Jesus tenha dito que tudo que ele fazia, todo mundo também pode fazer, mas, Jesus fazia no meio da multidão e ao ar livre, não em templos. Uma das passagens ele diz que se deveria desapegar de tudo e todos para segui-lo, pois, cada homem tem uma missão. Ser cristão não necessariamente, você é seguidor de Jesus. Muitas tradições cristãs vieram de outros povos e do império romano, filosofias diversas, e etc. Então, qual o significado de destruir aqueles que não seguem se a igreja universalizou Jesus ao ponto de colocar outros rituais lá dentro? Será mesmo que somos todos ateus?