domingo, junho 16, 2024

PATIFARIA BRASILEIRA

 






Amauri Nolasco Sanches Júnior 



Podemos nos perguntar o que estaria acontecendo nas redes sociais que ninguém agora pode estar não apoiando um lado e se isenta de dar uma opinião de um lado do espectro político. Uma vez, em uma discussão sobre o voto, eu disse que as pessoas têm todo o direito de votar em branco ou votar nulo, acharam um absurdo porque as pessoas tem que tomar um lado. Esquerda e direita eram como se definia, na revolução francesa, quem queria a monarquia e quem queria a república. Hoje sabemos – como nossos “patriotas conservadores fajutos” não deixam a gente esquecer – que a república ganhou e o Macron governa como um lutador (atenção, ironia). Mas, como vimos em vários livros, a Europa e lá fora, o termo esquerda e direita foram superados e agora temos pessoas que pensam muito além desses termos binários. Mesmo que os reacionários ficam idealizando um passado europeu ou americano, que nunca houve e nem iria haver, se a Europa se fechasse para o mundo. 

O pessoal cismou com o Sergio Sacani – o apresentador do canal Space e do Ciência sem Fim – por ele não se posicionar politicamente e que, para a esquerda (principalmente, a esquerda marxista) quem não se posiciona não está engajado. Uma definição pobre para dizer que “temos que te colocar em uma caixinha” para ou te elogiar ou te cancelar. E se fomos bastante rigorosos, no X, se existe um lugar “infernal” esse lugar é nessa rede social. Porém, somos obrigados a explorar outras redes sociais para averiguar que sim, nossa cultura é bastante devastada com o binarismo por causa da nossa herança religiosa (que agora são mais evangélica sem perder a essência católica), e depois por causa da “vontade” quase psicótica, do brasileiro mostrar uma virtude que não tem. Tanto que se você chutar um cachorro vai ficar muito mais na cadeia do que você chutar uma criança na sua frente, porque enfiamos goela abaixo, que um cachorro vale mais que uma criança. E no mais, Sacani tem razão de não se meter nessas patifarias. 

Estou escrevendo esse artigo em um domingo a tarde (dia 16 de junho) e pela manhã tive que falar para o meu pai falar que eu tinha cancelado o ATENDE (van porta a porta da prefeitura de São Paulo) porque o motorista veio. Ora, isso é quase corriqueiro em nosso meio de PCDs e por isso mesmo, eu não tenho nenhuma posição política dentro de nenhum espectro político. Esquerda ou direita só divergem do modo que querem o mundo e dominar a classe mais pobre, porque de resto, todas as pessoas estão muito a vontade para dizer: foda-se. Mesmo porque, nenhuma política mais ideológica vai ajudar de maneira mais efetiva, o trabalhador que carrega o país nas costas. Quando vimos PIB (Produto Interno Bruto) não são os políticos que fazem o “milagre” e sim, a grande parcela que trabalha para sobreviver dentro de uma grande alienação. 

Enquanto os evangélicos querem criminalizar o aborto (mesmo em caso de estupro), várias jovens são estupradas dentro ou fora de suas casas. E outra, isso não são medidas de um conservador de verdade. Primeiro, um conservador tem muito claro, que deve conservar as tradições do lugar onde vive e no Brasil, ser conservador é acreditar no modo monarquista (Bragança de Borbon) e ser católico, pois a tradição brasileira não é evangélica e sim, católica. Depois não existe – em nenhum lugar do planeta Terra – um conservador nos costumes e liberal na economia, porque um conservador não pode ser liberal ao mesmo tempo. Não se trata em comprar um pacotinho de ideias e sair acreditando, se tem que estudar e acreditar no que ali estar. Dane-se o que teu político de estimação disse. e ser conservador é procurar suas origens, seus valores, aquilo que você recebeu como educação tem que ser desvendado. 

Enquanto esses “bocós” estão querendo implantar o mundo igual ‘Os Contos de Aia”, eu estou pesquisando sobre Fagneno Castello onde meus avós nasceram (os Mollos, o lado italiano). Mesmo não sendo 100% conservador – algumas ideias são sim – acho importante saber suas origens e saber de onde você e sua família veio. Sou uma parte calabrês e outra, basco com madrileno, ou seja, sou um completo latino e tenho certeza que as minhas convicções vieram dos valores mais certos que minha mãe e meu pai podem passar. Isso nada tem a ver com religião ou ideologias políticas – que só servem para dominar e guar o rebanho – isso tem a ver em ser convicto com aquilo que você é de verdade, 

É apenas uma reflexão de domingo. 


sexta-feira, junho 14, 2024

MAD MAX E O FIM DO CAPITALISMO


“é mais fácil imaginar o fim do mundo do que imaginar o fim do capitalismo”  

Fredric Jameson e Slavoj Zizek

 

Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

A saga de George Miller intitulada Mad Max – em um mundo pós-apocalíptico com uma estética diesel punk – mostra como a frase que esta acima tem a ver com a discussão da questão entre a saga e a filosofia. Mas a origem do texto tem a ver com um vídeo do professor Felício Molinari no YouTube intitulado “A Filosofia por trás de Mad Max” – que, claro, tem muito pouca visualização – onde ele explica, na visão dele, sobre de um modo filosófico o modo de ver o cenário onde a saga acontece. De um modo bastante filosófico, concordo em alguns pontos (do petróleo e da água), outros eu não concordo (como a visão rasa da história como se não houvesse uma trama por trás do mundo diesel punk da saga).

Outro professor de filosofia, Vitor Lima, nos alertou de tomar cuidado com a questão nietzschiana de que tudo tem que ter uma “entre linha”. Como se qualquer obra tem que ter algo além do que é mostrada. Ora, indo nessa linha, poderemos dizer que a questão da saga tem a ver hora com um mundo entrando em colapso por causa da guerra fria (que há dentro dos primeiros filmes) e na sequência, poderíamos dizer que há uma subsequência que explora outras questões que se valem do mesmo cenário. Muitos dizem que é um cenário anarcocapitalista (desde a Cúpula do Trovão), onde há forte critica no modo que a humanidade tem como objeto da sua construção social o petróleo e depois a água. Porque se fomos bastante rigorosos, no primeiro filme poderia ser que há elementos anarcocapitalistas, mas temos que entender que o colapso de uma sociedade é a guerra. Dai entra tanto a filosofia streampunk como seus derivados.

A questão é: o que causou o colapso humano que Miller coloca no Mad Max2? A crise do petróleo que parou várias coisas importantes do capitalismo, como aviões (com as viagens dos executivos) a geração de energia, o transporte e a estabilidade política. Com o fim do petróleo, o transporte fica a deriva e não há transporte de alimento e bens, com isso vem a escassez e a fome. Os protestos geram cada vez mais, piquetes e revoluções que parariam as fabricas e os recursos públicos iriam mais para exércitos e policiais para estabilizarem as sociedades. Mas, como é mostrado no primeiro filme, mesmo com a segurança sendo privada, não seria o bastante para parar aqueles que querem roubar o combustível. Além disso, o primeiro filme não mostra bem uma sociedade pós-apocalíptica, mas em colapso que pode derivar numa cronologia mais rigorosa como pode ter acontecido antes da guerra nuclear.

Daí temos que refletir muito além do capitalismo, pois, com a guerra nuclear – onde boa parte da humanidade morre ou saem das cidades devastadas – e um mundo desértico e destruído, se passa a valer tudo para sobreviver. Poderemos ver nos filmes que, questões morais se esfacelam junto com a religião, que não é mencionada em nenhum momento da saga. Em um termo nietzschiano: o mundo passa a ser niilista. Ou seja, o que sobreviveram são pessoas animalizadas dentro de um mundo que ainda tem objetos tecnológicos e podem usar as estradas para saquear. Ou são soldados contaminados com a radiação e levados a loucura por traumas pós-guerra, como é mostrado tanto no segundo filme e o último (A Estrada da Fúria).

O terceiro, mesmo sendo do cenário da saga, nunca foi feito diante da questão da saga em si mesma. Miller diz em entrevista, que a ideia da Cúpula do Trovão sempre foi um outro protagonista, o que aconteceu foi pressão do estúdio. Mesmo assim, temos um cenário de um começo de uma sociedade comercial com energia gerada com bosta de porco, gerando metano. Por outro lado, tem jovens vivendo remotamente ao que parece, uma cachoeira, e que seus antepassados que caíram ali em um avião, teriam encontrado. A história que contam para Max: que houve um clarão e o avião tem que pousar porque tudo entrou em colapso e o piloto sai para buscar ajuda e eles pensam que Max é o piloto. Nessa passagem – que é retomada quando eles conseguem ir para a cidade e contam a mesma saga colocando a parte de Max – mostram como lendas e mitos poderiam ser criados para dar ao ser humano uma ponta de esperança.

Voltando ao segundo, Max segue sozinho depois que a sua família morre, mostrando um egoísmo e um niilismo grande. Colocando como um homem utilitarista quando espera que fugitivos capturados sobrevivessem, para porventura, ele trocar um deles por combustível para seu V8. Ele não tenta salvar a mulher de ser violentada e nem morta, pois, o que interessava para ele era só o combustível. E outras posições morais que podem ser vistas em Max, como uma pessoa apática com o mundo que levou seus amores e amigos. Que, poderemos ver no primeiro filme, não esperou morrer. O que nos resta perguntar: como sabe que morreram? Miller deixa essa lacuna que sempre pensei que ao se enganar, ele os encontraria ainda na saga.

O que me levou a escrever esse texto é a ideia de ir mais além do professor Molinari graças a frase no começo do texto: e se não é um fim do mundo e sim, o fim do capitalismo? Porque no primeiro filme – pelos carros é no fim da década de 70 – há uma grande parte de gangs de motoqueiros que assombravam as estradas. Que mostra que não só as sociedades estavam se colapsando, mas o modo capitalista de ser entrando em uma era de trevas. A própria saga mostra que não houve tempo em um desenvolvimento computacional e só há um mundo mecânico usando a técnica como mais realista. O mundo que se colocou como mecânico e cruel, como a crítica heideggeniana da tecné ser usada muito mais do que a moral.

A ideia é bastante simples: o colapso retratado nos filmes não é só um fim do mundo (a realidade que estamos acostumados), mas o fim do sistema capitalista. Com o aumento de gangs de motoqueiros – com o fim de governos e o colapso dos meios de produção pré-guerra – e uma sociedade que esta perdendo a sua estrutura e sua moralidade, mostra a falha capitalista (vulgo burguesa) de manter a coesão social. Ou seja, esse cenário nos mostra uma predominância tecnológica mecânica e a ausência da computação avançada que, poderemos interpretar, como uma critica a dependência social humana na tecnologia na produção em messa, que seria o elemento base do capitalismo.

E como Heidegger entra nessa critica? Ele argumenta que a tecnologia moderna transforma a natureza em um mero recurso para exploração e que chama de Gestell (enquadramento). Acreditava que essa abordagem técnica ao mundo nos afasta de uma relação autêntica com o ser e com a existência. Na saga, essa crítica pode ser vista na forma como a tecnologia é usada para dominar e controlar, em vez de promover o bem-estar humano. E se refletimos um pouco: não é isso que anda acontecendo? O X (ex-Twitter), não é diferente da saga, pois, com as redes sociais, a humanidade está sendo dominada pela tecnologia com opiniões, desejos incontroláveis, luxuria e um niilismo moral como se as pessoas esquecem de ser elas mesmas por likes. Miller acertou o colapso humano, só errou como seria.



terça-feira, junho 11, 2024

RACHADINHA E A JANELA DE OVERTON

 






AMAURI NOLASCO SANCHES JÚNIOR

(BACHAREL DE FILOSOFIA)

 

 

Há uma guerra ideológica e ninguém se deu conta ainda. O outro texto sobre a briga do Roger Moreira (Ultraje a Rigor) e o locutor da Kiss Fm, Marco Antônio Abreu (Titio Marco Antônio), mostrou como narrativas são montadas para desmontar o discurso questionador. As manifestações de 2013 foram esvaziadas graças a doidos que começaram a pedir intervenção militar – como se em 64 foi mesmo o povo que pediu por ela ou foi uma manipulação política dos coronéis – e outras coisas, como confundir a bandeira do Japão com a comunista. Aí fica fácil: “olha lá, um bando de maluco pedindo ditadura em nome da democracia” ou “agora tudo é comunismo”. Na verdade, ninguém sabe o que é o comunismo de verdade, mas, como diz o ditado: “o povo escuta o galo cantar e ele não sabe onde canta”.

Estou lendo o livro “A Janela de Overton” de Glenn Beck onde monstra (de uma forma ficcional) como poderia ser formado a politica e como a opinião pública está sendo sempre moldada. Isso, quem estuda a sociedade, sempre foi usado como arma de alienação para não se vê a verdade. Filósofos sempre foram vistos como pessoas não gratas dentro da política, pois, nós buscamos a verdade seja onde estiver essa verdade. Na verdade, esse romance remonta a teoria idealizada por Joseph Paul Overton onde, segundo a Wikipedia, quando ele descrevia a janela dizia que a viabilidade politica de uma ideia principalmente de ela cair dentro da janela, ao invés de preferencias individuais de políticos. Segundo descreve Overton, sua janela inclui uma gama de políticas consideradas politicamente aceitáveis no clima atual da opinião pública, que um político pode recomendar sem ser considerado excessivamente extremo para obter ou manter cargos públicos.

Ou seja, o conceito demonstra, por exemplo, quais tipos de posições são consideradas aceitáveis dentro de determinada sociedade naquele momento. Remontando dentro desse cenário, se uma figura publica deseja ser benquista pela massa (ou uma grande maioria dela) então suas opiniões devem variar dentro dessa janela. Extrapolar pode significar uma rejeição. É o que o personagem Noah – filho do dono da empresa onde são veiculados as narrativas espalhadas na mídia – disse dado momento em um discurso. Quando vimos um maluco supremacista branco, um reacionário que não gosta de mulher etc, mesmo que esse discurso seja verdadeiro, ela vai ser invalidado por causa do supremacista branco com o discurso: “olha lá, eles são preconceituosos e nazifascistas” por causa desse apoio dessa gente esquisita.

Mesmo assim tem uma outra problemática, muitas vezes teorias da conspiração tem um ar de confirmação das suas próprias crenças. por exemplo, as urnas eletrônicas não tem nenhuma entrada dentro da internet, mas há quem jure que elas foram fraudadas graças ao sistema (leia-se, os três poderes). Existem dois extremos, um que as urnas são fraudadas e que as urnas não foram fraudadas, mas o que se encaixa dentro da janela é que a urna não foi fraudada, porém, o povo foi iludido com a mídia. A meu ver, essa janela teria a ver com a percepção das pessoas sobre as crenças que elas montaram dentro das suas cabeças. Até hoje, Bolsonaro é tido como uma referência de honestidade e uma renovação, mesmo que tenha ficado como deputado federal 28 anos da sua vida (parasitando parasitas do Estado). Do mesmo modo, Lula é ainda o metalúrgico sindicalista que ganhou fama atuando dentro dos sindicatos e fundando o PT. Há um extremo no Bolsonaro e no Lula, que cabe dentro da janela algo aceitável dentro da imagem palatável dos dois.

Como uma teoria de um libertário – Overton não teve tempo de desenvolver ela por ter morrido cedo – poderíamos usar a questão do Kogos como o estereotipo de um libertário que só é mais um nerd reacionário, católico fanático e que se diz anacocapitalista. Não, anarcocapitalistas não podem ser libertários, pois eles são muito mais voltados para o mercado (o modo econômico). Os libertários são mais voltados a filosofia, ética e são liberais clássicos (o que poderíamos chamar de ultraliberais) e defendem o livre mercado. Dentro da política e o Estado, libertário tende a defender uma diminuição com uma educação de autogestão, para a sociedade não precisar mais do Estado e os serviços serem voluntários. Hoje, por exemplo, você pode comandar os bombeiros, amanhã você pode não ser nada ou trabalhar em um negócio próprio. Claro, poderia funcionar sem a dependência humana de ser governado e não se governar.

A dependência do Estado leva a discursos cada vez mais dentro da janela, ou porque a sociedade acha precisar de determinado político para resolver seus problemas, ou porque não entendem nuances de determinado discurso de alienação. Isso nada tem a ver com ignorância. Hitler, por exemplo, persuadiu a maioria de uma sociedade apenas explorando o que as pessoas mais tem medo: a fome e a falta de emprego. E a sociedade alemã da época era bastante leitora, mas, ao que parece, tendiam a serem crédulas de teorias e crenças que vira e mexe, voltam sempre. A Europa, por exemplo, ainda abordam fetos com Sindrome de Down que esta também na janela, pois usa um discurso de liberdade da mulher e no outro lado, usa um discurso capacitista de não aceitação da deficiência e colocando ela como um “sofrimento”. Hitler ao assinar o extermínio de deficiente chorando dizendo que éramos “sofredores eternos”.

Dentro da nossa janela brasileira está a corrupção (rachadinha) que não importa qual é o lado. Tanto André Janones, quanto Flavio Bolsonaro, provam que alguns discursos são tolerados dependendo do espectro político de um dos lados. Porém, lulopetistas e bolsonaristas tem o mesmo modo operante.

segunda-feira, junho 10, 2024

O ROCK IDEOLÓGICO E O ROCKEIRO ‘REAÇA’

 


AMAURI NOLASCO SANCHES JÚNIOR

(BACHAREL EM FILOSOFIA)

 

"O guitarrista Marcos Kleine, da banda Ultraje a Rigor, pediu a demissão do locutor Marco Antonio Abreu após o radialista ter comemorado que sua rádio, a Kiss FM, promovesse o cancelamento do show do grupo musical em sua festa de aniversário. Através de seu perfil no X, Kleine, conhecido por ser bolsonarista, pediu a cabeça do profissional: ‘E aí @Kiss_FM, vão demitir o cara? Ou vão passar pano?’ A extrema-direita, sempre defensora da ‘liberdade de expressão’ não aguenta críticas mesmo.”

(DCM – jornal da extrema esquerda)

 

Muitas pessoas podem perguntar: o rock como manifestação contracultural tem a ver com a filosofia? Como indagador do senso comum diríamos sim, como um serviço de uma pauta ideológica – como no caso de algumas bandas já consagradas – diríamos que não. O rock como a filosofia tem que se livrar do ponto ideológico (discurso político que Marx denuncia no seu tempo) e, desde seu nascimento, ser aquém desse discurso e ir contra tudo que esta ai. Filósofos e rockeiros que tomam uma posição se tornam algo o que eles juram combater, seja de um lado da canalhice politica, seja do outro lado dessa canalhice politica.

A briga do Roger (Ultraje a Rigor) e o locutor Marco Antônio Abreu (Kiss FM) nos diz muito como a discussão politica ficou rasa ao ponto de se chamar o vocalista e líder da banda oitentista, de fascista. Do mesmo modo que bolsonaristas acabaram banalizando o termo “comunista”, o lulopetistas acabaram banalizando o termo “fascista”. Grosso modo, o bolsonarismo, no máximo, tende a ser uma reação ao que esta ai e uma tentativa bem fajuta de reagir a uma suposta revolução (do mesmo modo da suposta revolução de Jango que deu os vinte anos de ditadura militar) e ser um desastre nisso. Porque o clã Bolsonaro é um desastre em tudo, mesmo com seus aliados que não sabem fazer um discurso. Chamar esse “desastre” de extrema-direita é muita vontade imensa de construir narrativas. Ou seja, blogs como o DCM (Diario do Centro do Mundo), é sim uma maquina de fazer narrativas e construir historias muito bem construídas para usar o povo idolatra ou ignorante, como massa de manobra.

Costumo pensar que, como ouvi um vídeo de um professor de filosofia (no qual, não me lembro o nome), que a filosofia rejeita o senso comum não por amor a sabedoria, mas, por ódio desse senso comum. Sócrates usou isso indo contra o senso comum da sua beleza e achando que todos politikons (cidadãos) sabiam das coisas graças aos sofistas (que para mim, eram sim filósofos), e ele provava que não. Platão vai eternizar isso com o mito da caverna, onde aqueles que pensavam saber, só viam a sombra e o homem que saiu dessa caverna, era o que sabia saber só  o que estava na entrada da caverna. Um dos maiores mitos da ultimas décadas por causa do ódio é o vilão Darth Vader que com seu ódio, conquistou uma galáxia inteira. O Coringa com sua raiva de se tornar o que é, se mantem vivo e luta contra o Batman.

O problema não é o “ódio” em si mesmo, mas onde é direcionado esse “ódio”. Como diria Freud, o ódio poderia ser o impulso rumo a uma reação a morte e tudo giraria dentro disso na vida. Os Redpills, por exemplo, tem ódio por mulher porque acham ser rejeitados por elas por não saber lhe dar com elas, a ignorância do outro (a mulher). Do mesmo modo, bolsonaristas tem ódio do comunismo por não entender o comunismo, e o lulopetismo tem ódio do fascismo por não entender ele. O outro não pode decidir aquilo que eu acredito, quem tem que decidir sou eu. Quando o “titio Marco Antônio” chama a banda de “fascista”, ele cooptou o pensamento dos outros que chamar eles de fascistas por causa do apoio do Roger ao Bolsonaro. Isso é contra o rock, onde os outros não podem mandar o que eu digo ou faço. O rock é rebelde.

Roger erra por apoiar Bolsonaro (ou o bolsonarismo) só por ser contra o lulopetismo, porque está sendo incoerente com as letras que já fez no Ultraje. Por que, ser contra alguma coisa, tenho que ser outra? Quando focamos em um lado só, só vamos ser um qualquer como inúmeros fanáticos e alienados. Ai, você está na caverna.

quarta-feira, junho 05, 2024

ESCOLAS MILITARES E A CRISE NA EDUCAÇÃO

 





“É no conhecimento que existe uma chance de libertação”.

(Leandro Karnal)

 

Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

Sem dúvida nenhuma, as pessoas romantizam os militares (como romantizam tudo), porque somos um povo imperialista por sermos latinos. A questão de países latinos – como aconteceu depois que a França teve sua revolução lá – sempre flertaram com o imperialismo como se existisse uma remota esperança de se ter um império unificado tipo romano. Só que para unificar o império, exércitos romanos matavam povos inteiros e escravizavam os que sobreviviam, e faziam todo tipo de barbárie. Mas, mesmo com povos como os romanos, o exército era exercido como uma profissão (como colocou Platão em a República), onde teria um dom e esse dom sempre desembocava em luta para defender Roma.

As escolas não deveriam ficar no meio dessa briga ideológica pelo simples fato delas existirem para ensinarem matérias que vão ser uteis em sociedade, e que, sem dúvida nenhuma – como não teve nenhuma reforma escolar – ficou defasada. Daí, como escrevi em um outro texto sobre educação e escolarização, se confunde educação (que deve ser visto na esfera privada) e a escolarização (na esfera pública), como se a escola tivesse obrigação de educar. É evidente que isso já ficou na nossa cultura por causa, até mesmo, da própria mídia que mistificou a escola como uma grande educadora. E a esquerda por motivos óbvios. Se fomos verificar questões etimológicas da palavra “educação”, o latim “educare” tem uma conotação muito mais moral no sentido de levar a criança para uma certa realidade, no furor das morais sociais sem se prender em morais ideológicas.

A escolarização é o sair da criança no seio da família e viver na sociedade com múltiplos educados com seus própria valores ou crianças que os pais não legaram nenhum valor, só legou a professora essa tarefa. A pergunta que fica é: a professora é detentora dessa tarefa ou houve uma distorção da questão educativa? Essa distorção não foi, exatamente, por causa de um maior conhecimento dessa palavra? É curioso a questão dos termos, porque isso tem a ver em um conjunto de contextos que vão se criando a partir de uma cultura. Por exemplo, o educare romano não tem a ver o que tem a ver com educare moderno (que no português, se tornou educar), pois mostrar a realidade em um contexto romano era mostrar um império e a grandeza de ser um romano. Modernamente, educare tem a ver com colocar a criança dentro da sociedade para ser útil e ser “escrava” em uma moral social. O educare na antiguidade era de meninos e era só para certas classes políticas ou sociais (que hoje chamamos de elite), na era moderna o educare se torna algo para todos porque todos devem produzir para a sociedade. Há um novo modelo de educare não baseado em pertencer a um império, como romano, mas, em ser um modelo social de um poder no corpo do outro pelo discurso moral. Pessoas com deficiência, como eu, sabem disso.

Esse é cerne do problema: um é o corpo (que sempre foi o objeto de dominação humana) e outra é a psique (como modo de convencer o ser humano do seu discurso). O educare surge para demonstrar as crianças, que além da vida e de onde nasceram estava uma realidade além daquilo, o educare moderno vai ser dominado pelo corpo (não que antigamente não era), porque a utilidade era e é, essencial. Uma foi a dominação da sexualidade e seus meios de acontecer através da religiosidade, porque o cristianismo – que nada contêm nos 4 evangelhos dos ensinamentos de Jesus – tendeu em ser uma religião (aqui ponho como uma religiosidade material) que educava o ser humano ensinando que Deus seria um tirano, um maníaco assassino e ciumento e se não fizesse o que a sociedade determinou, era pecado. O “pecado” era uma dominação psique do medo, gerando assim, algo como um medo de atos desconhecidos e que se quebra com a modernidade. O educare moderno vai educar a sexualidade normalizando-a conforme, ainda, as crenças vigentes para agradar comerciantes protestantes que começavam a questionar o catolicismo.

O corpo passa ser um ente corruptível que é frágil – graças ao poder na “carne” – e que vai ser sempre levado ao pecado. A alma, por sua vez, é incorruptível e é uma fagulha da divindade de Deus e vai voltar dormir debaixo do trono de ouro até o juízo final e a luta contra o mal. Bastante parecida com as crenças dos nórdicos, onde Odin em seu castelo chamado Vanhalla, ordena que as Walkirias recolham os guerreiros que morrem nas guerras, a dormirem lá até a guerra com a grande serpente e o crepúsculo dos deuses acontece. O educare dentro da psique é que vão ser arrebatados por seguirem preceitos sociais de moral (muitas vezes, moralismo) em que, a dominação acontece, quando há intenção de “salvar o mundo”.

Vamos ver que o educare que era uma coisa intelectual e poderia inserir (mesmo que este “inserir” era só uma classe social), passa a ser um controle de utilização do corpo como modelo de produção e que o trabalho, que deve ser feito, significa o ser humano. Ser digno era forma perfeita de ser dominado pela religião (ou você era apostata, ou você era pecador e merecia ser queimado) e, ser dominado pela moral vigente, com medo de ser linchado. No Brasil, assim como em outras partes do mundo, se passou 300 anos com o educare religioso, onde os indígenas tinham que ver a realidade do mundo verdadeiro (leia-se, europeu).  Dai podemos indagar: o que é verdadeiro ou não? O que pode ser considerado verdadeiro ou não? Pois, o educare passa a ser um desenvolvido discurso entre as crenças dominantes e as crenças que se rebelam dessas crenças dominantes.

Chegamos a questão da romantização das Forças Armadas graças as crenças “golpistas” de 64 que eles iriam livrar o Brasil do comunismo, onde restaurariam a ordem e empunhariam o progresso. Será que isso seria verdade? porque, em teoria, a questão das Forças Armadas era e é, uma questão de uma ideia errada de forças reguladoras sociais como se fosse uma “polícia política” punindo governos que não se adequam a uma cultura. porém, sabemos muito bem, que as Forças Armadas asseguram nossa soberania de ataques externos (de todo tipo, até extraterrestre) e não podem ser forças políticas, pois, as Forças Armadas não sabem governar e foram um desastre nos 20 anos de ditadura militar. Se fomos bastante rigorosos, as Forças Armadas são uma das muitas instituições do Estado como poder de moderação e guarda. O problema – como toda problemática brasileira – é que, como já disse acima, há crenças que se rebelam das crenças dominantes como uma ideologia para adestrar a psique de uma parte da sociedade. O sistema (como na Matrix do filme), tende a querer se reprogramar para se livrar de possíveis “bugs” que seriam ideias novas.

Como o discurso que o rock é da esquerda (como se a esquerda política fosse roqueira, que sabemos, que são mpbistas), levando a questão de uma forma binaria. O rock em si é contracultura e como tal, tendem a ir contra as forças vigentes que estão ao poder e poderemos ir bem mais longe dizendo que, a esquerda parou nos anos 60 e ali ficou como tudo no Brasil está atrasado (como o Lula querer fazer carro popular que era politica dos anos 70). O educare passa a ser defasado quando a grade de ensino se enche como interesses vigentes da elite empresarial e quando pais darão valores de “escravização” de uma parte da sociedade, a doutrinação esta em não querer críticas. Na essência, nosso povo não gosta de crítica, e por isso, não gosta de um educare crítico e que não reflete sobre a realidade no qual se vive.

segunda-feira, junho 03, 2024

SOMOS ‘HEGEMONIA MARXISTA’?

 



Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

  Como estudantes de filosofia, temos que perguntar,  somos todos “marxistas”? Primeiro, segundo o senso comum hoje (graças o Olavo de Carvalho), os estudantes de filosofia são maconheiros e marxistas revolucionários graças a imagem dos uspianos (ou outras universidades federais). Temos que notar em um estudo bastante rigoroso – como nós que estamos no INEF (Isto não é filosofia) e em outras universidades (como a que eu estudo, a Unicsul) – existem os marxistas (que interpretam as obras de Marx) e os marxianos (que estudam as obras de Marx, mas não seria seus seguidores). Por outro lado, na essência, a filosofia pós-moderna tem 4 pilares: Nietzsche, Freud, Marx e Darwin.

Nietzsche desafiou as noções tradicionais de moralidade e verdade, promovendo a ideia de que não há verdades universais, apenas interpretações individuais. Freud introduziu a ideia do inconsciente e sugeriu que nossos comportamentos e crenças são fortemente influenciados por desejos e medos inconscientes. Marx argumentou que a economia e a luta de classes são as forças motrizes da historia e que a ideologia é usada para justificar e perpetuar desigualdades econômicas. Darwin propôs a teoria da evolução por seleção natural, desafiando as visões tradicionais sobre a origem e a natureza das espécies. Sua teoria tem implicações profundas para nossa compreensão da vida e do lugar dos seres humanos no universo.

Talvez, por sermos uma nação ainda não largou certos paradigmas filosóficos e políticos – por que não, religiosos – ainda se tem a visão de que, quando você comenta demais certos filósofos, concordamos com ele. O mestre da suspeita, segundo Ricoeur, Nietzsche é um dos filósofos que mais li até hoje e gosta de muitas visões dele. Mas, faço também, duras críticas sobre ele quando diz que a culpa do cristianismo e suas barbaridades é de Sócrates e Platão. Vejo nisso, um ponto vago que poderíamos suspeitar que Nietzsche leu rasamente Platão e entendeu nada, porque a teologia protestante (que Nietzsche estudou para ser pastor) não deixou ele ter uma visão mais abstrata de argumentos e não interpretou esses argumentos platônicos. Por isso, a meu ver, norte-americanos são pragmáticos e não sabem abstrair. Muitas pessoas que conheço que tiveram uma educação protestante, ou não sabem ter uma visão mais abstrata e tem dificuldade de interpretar, ou tiveram grandes problemas de ansiedade e bipolaridade.

Por outro lado, Hegel também estudou teologia protestante e não teve grandes problemas de teorizar seguindo a linha abstrata, como se não tivesse esse tipo de problema. Como Kant também não se teve esse problema nos levando a uma questão: o que levou Nietzsche a achar que o cristianismo é culpa de Platão? Alias, se fomos bastante rigorosos, Paulo de Tarso – porque o cristianismo é paulino – é muito mais estoico, do que platônico e soube converter os estoicos primeiramente. Levando a uma outra questão: a culpa seria de Platão ou uma moral vitoriana (da rainha Vitoria da Gran Bretanha) hipócrita? Mas, de tanto lutar contra a metafisica, Nietzsche criou a sua metafisica do “além homem” (assim, como Freud e Marx).

Do mesmo modo, poderemos colocar Marx como um clássico da filosofia – no sentido de ser um filosofo que questionou certos paradigmas da humanidade e colocou em xeque vários conceitos que foram criados ou estavam na humanidade, no advento do capitalismo – e se provou que o ser humano não se dá bem com igualdades. O poder é um outro fator que levou o colapso do socialismo soviético por causa do isolamento da URSS. Há uma sedução muito forte quando o oprimido começa exercer o poder, porque passa de oprimido para opressor. Por outro lado, desejos não podem ser educados e nem todo mundo é igual você. Obrigar uma pessoa querer só o básico para provar que existem ideologias dominantes que induzem os desejos, chega a ser desumano.

Nesse contexto econômico – sem negar, claro, as classes muito bem demarcadas – prefiro a teoria da praxiologia. Por que eu, por exemplo, escolho comer em um restaurante qualquer do que o “meque”? Por que prefiro uma coisa ao invés da outra? Os marxistas vão dizer que é por causa da fetichização do objeto pela propaganda – que eles mesmos fazem – a praxiologia vai dizer que há um movimento individual que chega até a vontade e tem o ato de querer aquilo por você mesmo e não há outro fator. Do mesmo modo que eu e minha noiva não vamos no “meque” e vamos comer em outro lugar, há um movimento muito mais intrínseco de movimento muito além do que meros discursos. Claro, podem dizer: <ah Amauri, você tem consciência>, mas eu e várias pessoas tem esse movimento, nem todo mundo aderi o que a maioria aceita sem questionar.

Ou seja, mesmo que estudamos filosofia – seja lá aonde for – temos que ler tudo. Ainda acho que filósofos deveriam deixar o que acreditam na hora das pesquisas e, com seus conceitos, começa a escrever seus pensamentos dentro da sua reflexão. A filosofia não é um meio para a reflexão, mas ela é a própria reflexão dentro de conceitos e a saída do senso comum.



sábado, junho 01, 2024

BOYCETA E A CULTURA WOKE

 


Termo “boyceta” viralizou na internet depois que o rapper Jupitter Pimentel falou sobre o assunto no podcast "Entre Amigues". (Foto: Reprodução/Redes sociais)


Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

 

Jeager diz na sua obra <<Paideia- o nascimento do espírito grego>> que ETHOS poderia ser definido como o espirito daquela época e tem a ver como o grego via sua realidade. assim, se definiu hoje, que ETHOS poderia ser definido como algo que a cultura e crenças de uma época pode ser definida como totalizante. Segundo a professora Luciene Felix diz:

 

<<segundo o Filósofo Henrique C. De Lima Vaz, todas as coisas são physis (numa tradução ainda insatisfatória: natureza). Nosso modo de ser (modus vivendi, modus operandi) é transformá-la e a isso chamamos ethos (do grego "habitat", hábito, costume, caráter). Sendo nossa conduta construto cultural, é no ethos que se alinhava toda história da humanidade, em constante mudança (novamente Heráclito), sempre em processo de vir-a-ser.>>

(o texto

Depois de analisar a grande polemica da vez do <boyceta>, onde uma transsexual se sente homem com órgão feminino (segundo ele mesmo no podcast, ele se sente uma lésbica meio “bichinha”), e ver como as nomenclaturas vão surgindo de um modo bastante estranho e sem achar se aquilo faz ou não sentido. Dai vamos fazer uma analise sobre o estruturalismo e como Foucault analisa a questão referida. Poderemos dizer, em linhas gerais, o estruturalismo é uma corrente de pensamento que busca identificar as estruturas que sustentam todas as coisas. Ora, segundo a teoria, os fenômenos da vida poderiam ser identificados através de suas inter-relações. Ou seja, o estruturalismo pode analisar as partes e avaliar um tudo.

O pós-estruturalismo – com nomes como Foucault – vai surgir como uma critica ao estruturalismo por causa da sua estruturação de significado dos termos. Ou seja, esse movimento critica o estruturalismo na questão de significado, pois, essa crítica é sobre as estruturas determinantes de um complemento do significado. Porque, enquanto o estruturalismo buscava padrões universais, o pós-estruturalismo enfatizou a contingência, a diferença e a pluralidade. Indo mais além – chegando em Derrida – questionou a estabilidade dos significados e a hierarquia das palavras. Poderemos fazer breve ligação da cultura woke (acorda) dizendo que, os “wokes” também valorizam a diversidade de perspectivas e questiona narrativas dominantes. Ou seja, o Dj Juppiter, poderia se definir como “boyceta” porque o pós-estruturalismo tira as definições universais e as pessoas podem se definir como quiserem.

Mesmo porque, a cultura woke é um movimento ativista que busca conscientizar as pessoas sobre questões sociais, como racismo, desigualdade e discriminação. Eles compartilham com o pós-estruturalismo a preocupação em despertar a sociedade para problemas e promover mudanças. O problema é a radicalização dessa suposta conscientização que “patrulha” coisas que nem ajudam nesse intuito, nem fazem jus com nomes como Michel Foucault em denuncias sobre preconceito e discriminação. A própria esquerda tradicional, digamos assim, não gosta da cultura woke e nem dá crédito como um movimento legitimo.

Qual é o problema? Os nomes das coisas (substantivo comum) e os nomes próprios (substantivo próprio), sempre nos foi ensinado, na gramatica, como algo importante dentro da linguagem. Do mesmo modo, os significados que existem e o porquê eles existem, eles são parâmetros para seguir uma singularidade. Você pode se definir como um cavalo – como muitas pessoas se definem – mas, ao olhar para a pessoa, você vai enxergar um ser humano que tem “vontade” de ser um cavalo. Poderemos ate definir uma outra discussão entre fantasia e realidade que, por muito tempo, você pode ver nos fãs de filmes como Star Wars (criando até estruturas religiosas jedis) e ate mesmo, Star Trek (como uniformes) que simulam um ambiente igual. Talvez, indo além ainda, poderemos colocar a cultura woke como uma estrutura de simulação e simulacro dentro de estruturas do possado que não existem (como o movimento reacionário), pois, colocar um Aquiles negro, por exemplo, não vai conscientizar nada e não vai representar nada. Porque sabemos que Aquiles era branco e grego (podendo ser até loiro).

Poderemos colocar assim, que não é questão de universalizar Aquiles, como vimos do exemplo, mas demarcar aquilo que já se caracterizou. Existe uma diferença de caracterização com o conceito, ou seja, as características são aquilo que se parece e o conceito é aquilo que se explica aquilo que existe. A característica e o conceito, a meu ver, é a realidade em um todo. Outro fator que se deu, não menos importante, foi a questão da pós-modernidade ter colocado tudo em uma grande narrativa. Por exemplo, se você pegar e olhar uma árvore, você está vendo uma narrativa que te colocaram (tecnicamente, você foi condicionado) como fosse uma verdade que aquilo é uma arvora. Dai temos que voltar em Nietzsche e dizer, sem duvida nenhuma, que a frase <não existe fatos eternos e nem verdades absolutas>, ele estava se referindo em verdades morais. Ou melhor, existem verdades que são relativas (verdades subjetivas) e realidades objetivas (objetos concretos).

Mas Nietzsche nunca negou a realidade objetiva, mas negou a verdade moralista de universalizar questões de crenças religiosas (de fé) e de moralismo religioso (moral teológica). Essa diferença entre moral religiosa e moral social levou os “estados laicos” a existirem.

quarta-feira, maio 29, 2024

ROMANTIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E SE ESQUECERAM DA ESCOLARIZAÇÃO






 Amauri Nolasco Sanches Júnior

 – Bacharel em filosofia 


<<Não, ela não é uma professora de verdade. Isso é desvio de função, isso é romantizar a miséria, isso é sobrecarregar o professor. Parem de achar que professor tem que cuidar de criança como se a criança fosse dela, pq não é. O professor é pago (muito mal pago) pra alfabetizar e ensinar, não pra cuidar das crianças.>>

Essa é a resposta da minha irmã sobre a notícia que postei no meu stories onde uma professora costura as roupas dos alunos, que, realmente, é um desvio de função. Realmente, as professoras não têm nenhuma obrigação de arrumar roupas de alunos, mesmo porque, se arruma todas as roupas não haverá tempo de dar aulas. Por outro lado, venho sempre dizendo – e o Alexandre Links do Quadrinhos da Sarjeta – que a esquerda parou no discurso do século dezoito e se tem aquela soberba de achar que o povo não sabe o que esta fazendo ou que, o outro lado não tem capacidade de responder a altura. Nessa discussão, o que me incomoda na esquerda é uma tentativa de tutelar o ser humano como se todo mundo não soubesse o que escolhe. 

Logico que concordo com minha irmã, a professora não é a mãe do “alecrim dourado”, isso deveria ser feito pela mãe da criança. Mas vão dizer: “ah Amauri, e se a mãe não tem tempo?”. A resposta é meia obvia: mãe deve arranjar tempo para seu filho, pois a responsabilidade das crianças são dos pais delas e não da professora e ate acho, que nem da avó é. Minha mãe criou três filhos e o mais velho com deficiência (eu no caso) sozinha e ainda, tinha um negócio de costura com sociedade com meu pai que financiava. E ela cuidava das nossas roupas e das nossas lições e até mesmo, nossas amizades. Participava porque era ela a educadora, pois, as professoras tinham o dever de ensinar matérias e a escolas tem o dever de socializar crianças e adolescentes. Educar é um dever dos pais ou tutores. Mas, como se começou essa confusão entre educar e escolarizar?

Podemos dizer que, são essas as principais dimensões de formação do indivíduo, pois, a educação fica no espaço privado (família) e a escolarização fica no espaço público (escola). A problemática – não só na escolarização e educação – a cultura brasileira foi distanciando dessa noção cada vez mais dessas duas dimensões. Se perdeu a essência daquilo que é publico, daquilo que é privado. O que isso quer dizer? O brasileiro, em sua maioria, hoje não sabe mais diferenciar o que é publico e o que é privado por milhares de fatores quem sim, vieram da mídia e temos que falar disso. Mas, a cultura desde minha infância, já se encontrava meio assim quando vizinhas adentravam em nossas casas sem pedir permissão. Ou, as pessoas conheciam uma pessoa ontem, no outro dia estavam na sua casa. Indo muito mais longe, existem músicas altas e sem nenhum respeito social de usar fones, ou ouvir de modo baixo. 

Quando traçamos diferenças significativas dentro do privado e o público, queremos demonstrar uma quebra do direito de individualização da vontade e a deficiência de uma educação que deveria ser eficiente, e uma formação de um cidadão crítico e de repertorio político. E sabemos que os discursos é para confundir mesmo, porque um povo estudado é um povo crítico e nossa cultura odeia o crítico. Quantos governantes ligaram para TVs e rádios, pediam as “cabeças” de quem criticava seus governos? E não fica só os governantes, programas que defendem consumidores também são agredidos, há perseguições (stalkers) de pessoas que não concordam ou criticam aquilo que a pessoa acredita. 

O que vimos? Jovens que não tem a capacidade de acreditar nele mesmo, não tem autocritica e não tem capacidade de entender conceitos. A educação libertaria (de esquerda), falhou no sentido de colocar parâmetros errados segundos estudos de comportamentos. Só que existe uma questão: os traumas só acontecem com crianças cuja os pais foram mal-educados, o vicio continua com o erro. Daí o que fazer? Melhorar a educação para temos uma sociedade melhor ou achar que pobre não deve ser educado adequadamente? Nos resta a dúvida. 


segunda-feira, maio 27, 2024

O ESTOICISMO DOS COACHs

 


Amauri Nolasco Sanches Júnior 

Bacharel de Filosofia

 

“Tudo é vaidade.”

(Eclesiastes 1-2)

 

Li um artigo da Mirian Goldenberg chamado, <<Como dominar os monstros interiores>> - através de um vídeo do filosofo Paulo Ghiraldelli Jr mostrando supostos erros da escritora e antropóloga – e ela fala da questão da filosofia e o estoicismo como se fosse uma autoajuda para viver bem. Ora, vamos esclarecer uma coisa aqui, nada tenho contra os coachs ou os livros de autoajuda – que para mim, fica claro serem os sofistas de hoje – e até defendo que uma leitura inicial, pode ser sim um exercício de hábito de leitura. Já disse e repito: não sou a favor de uma filosofia não acessível e que eu tenha que ter pares para fazê-la. Em uma análise mais profunda – como uma crítica nos moldes kantianos – há de evoluir o modo de filosofar brasileiro e de analisar melhor obras clássicas não no que achamos, mas achar conceitos que cabem nesse contexto clássico dessas obras.

Por exemplo, a frase que coloquei ali, onde o autor de Eclesiastes – que muitos atribuem ao rei Salomão – diz que “tudo é vaidade”, mas, temos que entender o contexto no que ele disse. O “dizer algo” implica muito na questão das crenças e valores que trazemos dentro de si e tem muito das questões existenciais dentro do próprio estoicismo. Porque não pensar, que o rei Salomão não estaria autoexaminando a si mesmo e dizendo que tudo não passa de uma grande vaidade, mesmo porque, a questão da existência e das coisas que não podemos dominar (mesmo o ser humano tentar com a tecnologia), porque os fatos tem a ver com as circunstancias que ele acontece. Os seres humanos se “envaidecem” com sua ciência ou teologias etc, como se fosse grande descobertas de um animal acima dos outros. Em ter inteligência, os cetáceos e os polvos também têm, porque conseguem comunicar e resolver problemas práticos. E ai? E os animais que conseguem captar sentimentos ou animais que resolvem certas dificuldades?

Coisas para serem refletidas e não jogadas ao vento. Assim como não existe explicações fáceis sobre versículos bíblicos – porque devem ser submetidos a hermenêuticas teológicas – não existem modos de facilitar nem filósofos clássicos e nem escolas filosóficas dentro da questão da existência. Isso que Goldemberg diz ser superação de “monstros interiores”, não tem a ver com a filosofia e nem os filósofos que citou (muito menos os estoicos), mas a descoberta de um modo de ver dentro da perspectiva da realidade que não podemos mudar. Como ela perdeu o pai para o câncer, minha mãe também se foi por causa dele e o que me fez superar foi o modo que eu encarei uma única certeza que temos: a morte. Um filosofo – muito menos um psicólogo – nunca vai dizer que deveríamos superar a falta daqueles que amamos e ser autoanalisado, mas, faria a pergunta: o que é a morte?

Isso mesmo amiguinho...um filósofo não afirmar nada e se afirmar um ponto, não passa de um coach que já tem uma fórmula pronta (como alguns sofistas tinham). Não existe essa de “filosofo fisiológico” (sim, estou refutando o filosofo Pondé), porque afirmações não são de “fisiologia filosófica”, mesmo porque, a filosofia não é fisiológica e sim, mental. O que Goldemberg faz é dar justificativas para seu texto dizendo que viu um vídeo no YouTube citando filósofos que, com certeza, viu um vídeo também. Como os neovikings das redes sociais – com maquiagem e creme no cabelo – os neoestoicos são apenas pessoas que viram a filosofia estoica de forma bem superficial dentro daquilo que entenderam. Como costumo falar, um yoge das redes vão meditar e dizer que devemos focar no agora, mas o Yoga não é uma autoafirmação de querer ser, ou você faz os exercícios e a prática yogue, ou você é apenas “modinha” (como dizem por ai). Aliás, os exercícios são uma parte inicial para chegar à meditação.

Como o Yoga, a Filosofia, não pode ser “pincelada” em um vídeo do YouTube onde só a superfície é checada. E falando em estoicismo, seu fundador Zenão de Citio, depois de um naufrágio de um navio, ele se encontra em Atenas onde se deparou com um livreiro e lendo “Memorabilia” de Xenofonte e se encanta. Aí temos duas situações que hoje não se aguentaria: um naufrágio e um encontro com obra filosófica. Logo depois, perguntou ao livreiro onde poderia encontrar homens como Sócrates, o homem mostrou o cínico Crates de Tebas, que estava passando por ali. Foi discípulo de Crates, mas abandonou o mestre por não se adaptar ao modo cínico. E consultando o Oraculo – sim, filósofos consultavam Oráculos – e perguntando como viver, provavelmente dentro do modo filosófico, o oraculo respondeu “igualar-se aos mortos”. Ele começa a estudar os filósofos antigos e começa a ensinar no Pórtico Pintado (ou Stoá Poikile) de Atenas e assim, se chama estoicos.

Eu queria chegar no “igualar-se aos mortos” que quer dizer o estudo dos clássicos e não olhar superficialmente um item só. Lembramos que Zenão para ensinar teve que aprender e ele se encanta com Sócrates, porque a filosofia como conhecemos começa com Sócrates. Só que nem “uma vida não examinada, não vale ser vivida” ou “conhece-te a ti mesmo” não é uma introspecção, porque os gregos não tinham ideia da subjetividade moderno, eles viam a realidade como um todo (cosmos). Exame da vida  é a felicidade com o todo social e aceitar a realidade, como os estoicos seguiram ao aceitar o destino (amor fati). Não largar o Lexotan, mas aceitar o Lexotan na sua vida. Do mesmo modo, não tirar a dor da gente, mas senti-la com força, para passar rápido. Hoje as pessoas não querem sofrer, não querem sentir dor, não querem ser frustradas ou passar por lutos.  Mas, vamos ter que passar por vários.

domingo, maio 26, 2024

A MORTE DE PCDs E O CAPACITISMO BRASILEIRO (FOUCAULT E DELEUZE)

 



Foucault e Deleuze 


Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

Habib ainda disse que “20% das vendas de carro é para deficiente físico. O governo podia acabar com deficiente físico e você baixa o preço dos carros em cinco por cento. Você pode baixar a carga porque esses aí não pagam imposto e aí todo mundo ia comprar carro mais barato” (PcD, 2024)

(o texto na integra

 

Essa fala do presidente da Jac Motors do Brasil, Sérgio Habib, mostra a problemática brasileira da questão das pessoas com deficiência e como a sociedade vê as várias questões que abordam essa temática. Nesse blog mesmo, trouxe uma verdade que assola a Europa em abortos de crianças que “podem” nascer com Síndrome de Down. Aí podemos lançar a questão: qual o limite da deficiência? Pois, a “humanidade perfeita” tem um viés de eliminação daquilo que chamamos de eugenia. Todos que estudam história – seriamente – sabe que a teoria da eugenia já foi uma ciência, hoje – pelo menos na teoria – esta classificada como pseudociência. Quando Habib diz que “o governo tem que acabar com o deficiente físico”, ele é refém de uma coisa maior que deve ser classificado de discurso dizendo que “deficientes não são uteis”.

Ora, duas questões devem estar claras antes de entrarmos em Foucault e Deleuze: o que seria utilidade e o que seria deficiência? Primeiro, utilidade tem a ver com aquilo que é útil em uma comunidade ou, num modo geral, aquilo que é útil dentro de uma sociedade em um todo. Ou seja, uma pessoa com deficiência só será útil em uma sociedade quando, ou sofre uma reabilitação dentro de um padrão médico, ou quando participa de forma passiva a tutoração de suas escolhas. Exemplo é que quando olhamos todos os serviços destinados para as pessoas com deficiência, há um sentimento de “fazer favor” as pessoas com deficiência. Assim, a utilidade do corpo “diferente” tem o preço de se tornar invisíveis, se tornar algo secundário para os “atores” sociais terem como atuar dentro de uma sociedade.

Agora a deficiência é uma outra problemática, porque tem a ver com as origens do termo dentro da nossa cultura latina (que está no meu livro de 2015). Deficiência tem duas origens, uma é grega e tem a ver com “síndrome” (conjunto de sintomas) tem sua raiz em “syndromos” que significa “o que corre junto”. O termo se forma por “syn” (junto) e “dromos” (corrida). Ora, mesmo que estava ligada indiretamente com a deficiência por causa das classificações – como a Síndrome de Down – a ideia de sintomas tem a ver com a questão de imobilidade que caracteriza uma deficiência. Já a deficiência tem a ver com o termo latino “deficiens” é uma declinação do verbo “deficiere”. Esse verbo significa “desertar”, “revoltar-se” ou “falhar”. A raiz “de” quer dizer fora, e “facere” quer dizer “fazer” ou “realizar”. Assim sendo, o termo deficiência está relacionado a ausência ou disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica.  

A questão seria: qual o conceito de deficiência? ora, podemos dizer que são pessoas que apresentam algumas limitações dentro da sua capacidade (daí o nome capacitismo) de realizar algumas atividades cotidianas devido a diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou psicossociais. Em um modelo médico, historicamente, esse modelo de deficiência enfatizava as limitações individuais e considerava a deficiência como uma condição patológica. Nesse modelo, o foco estava na “cura” ou na minimização dos sintomas. Já no modelo social de deficiência, mais recentemente, se reconhece que as barreiras sociais, atitudinais e ambientais desempenham um papel fundamental na experiencia das pessoas com deficiência.

Agora temos que entender quais os modos de discursos que se pode dizer, levaram Habib dizer para o “governo acabar com os deficientes físicos” para baratear o carro. E não, não tem a ver com o capitalismo ou a “metafisica da esquerda” chamada, neoliberalismo. Tem a ver o que Foucault chamou de governamentalidade e isso tem a ver com relações de poder e como as instituições moldam os indivíduos. Podemos dizer que, a sua noção de “governamentalidade” envolve uma análise das práticas pelas quais o poder é exercido sobre os sujeitos. Ora, Habib como empresário (que, provavelmente, não estudou administração) é escravo do sistema onde a instituição faz um discurso (através da nossa cultura medievalista positivista), que pessoas com deficiência tem o direito, no máximo, em participar do Teleton. Uma mentalidade que nós devêssemos ser tutelados e devem submeter aos membros sociais “uteis”. Ora, a ideia de Foucault era incluir gestão das populações, a regulação dos corpos e a normalização dos corpos e comportamentos.

No contexto da deficiência, poderíamos dizer ou considerar como políticas públicas, as instituições de saúde e as práticas de inclusão ou exclusão podem afetar as pessoas com deficiência. Foucault nos convida a questionar algumas dessas políticas como manifestações do poder, como acontecia um tempo atras quando pedíamos tratamento nos indicavam a AACD como referência. Como se a instituição “governamentalizasse” uma maneira de pensar medicalista onde só ele poderia nos “curar e dizer o que seria uma deficiência. e isso pode moldar as vidas das pessoas com deficiência capacitadas.

Já Deleuze propõe uma filosofia que valoriza a diferença e a multiplicidade, pois, ele rejeitou que houvesse uma identidade fixa e enfatizou a singularidade de cada sujeito. Assim, poderemos trazer no modo do contexto da deficiência, como uma aplicação a filosofia da diferença para questionar as categorizações tradições. Deleuze nos lembra que não devemos reduzir as pessoas com deficiência em uma única definição, como seria logica a capacidade de ver que cada pessoa com deficiência teria uma característica. Ou seja, cada indivíduo teria sua própria singularidade e experiencia.

Ao analisar a frase de Habib, nem tem sentido você dizer que “o governo deveria acabar com o deficiente físico”, porque cada deficiência tem cada caracterização. Daí, qual “deficiente físico” tem que acabar? Todos ou só aqueles que compram carros?



terça-feira, maio 07, 2024

Eugenia cínica transvestida de discurso humanista (Hitler venceu?)




“A história ensina que leis fortes, aplicadas de forma ativa, são fundamentais para proteger os direitos – e as vidas – das pessoas vulneráveis, incluindo os portadores de deficiências”| Foto: BigStock
s.

 <<O importante não é viver, mas viver bem. E viver bem significava, junto com as coisas mais agradáveis ​​da vida, para viver de acordo com seus princípios.>>

Sócrates


Amauri Nolasco Sanches Junior


Nesses dias, eu vi um vídeo do Dr Paulo Liberalesso (neuropediatra e que fala bastante sobre a questão autista) onde ele expôs um problema e uma opinião bastante controversa, sobre o limite da deficiência. Por que o limite da deficiência? Hoje existem leis que em países europeus abordam fetos que têm “tendências” a serem seres humanos com Síndromes de Down, ou outras comorbidades que possam dar a esse ser humano uma deficiência. Muitos depoimentos dentro e fora do mundo virtual mostram que há pessoas que moraram em Portugal, fizeram o exame pré-natal e descobriram tendências de o feto ter essa síndrome ou outras. Mas, não quiseram abordar por causa dos seus princípios que, em muitos casos, tiveram a insistência dos médicos. Daí o Dr Paulo lança uma reflexão bastante interessante, porque para ele a questão da mulher e suas e escolhas e o direito a vida nem estão em jogo e sim, o limite da deficiência e qual a deficiência da vez. E aí ele pergunta: será que nós sabemos realmente o que é a deficiência? Será que uma sociedade sem saber o que é uma deficiência, pode fazer uma escolha?

Se me perguntarem se uma mulher no interior do Brasil (nem das capitais) o que é a deficiência, ela não vai saber o que é deficiência. Primeiro, por causa do mal estudo e a escola fajuta com grades que nada tem de ver com o ensino, depois, deficiência nunca foi uma pauta que desce audiência além do Teleton. Nem a mídia, todas as notícias que envolvem pessoas com deficiência, há uma notinha muito pequena no fundo do jornal. O próprios movimentos de minorias - como LGBTQI+ ou feminista etc - tendem a fechar os olhos com assédios de mulheres com deficiência (onde as feministas não dizem nada), discriminação dos próprios gays que querem o direito de cagar no nosso banheiro porque não querem cagar no banheiro deles. Daí temos que mijar nas calças ou no mictório. Se as próprias minorias não respeitam as pessoas com deficiência, o que dirá os outros membros sociais? 

Mas, a educação europeia é muito superior. Segundo o IA Capilot (Microsoft), no nível superior é de 45% e a idade pré-escolar é de 98% das crianças. Portanto, quando uma pessoa recebe uma notícia que vai ter um filho com alguma síndrome ou outras deficiência, tem várias referências de pesquisar antes de tomar a decisão. E se o médico insiste, tem estudo o bastante para perceber que a questão é política. Diminuindo as deficiências se gastam muito pouco em adaptação e tecnologias que precisamos. Do mesmo modo, as mulheres norte-americanas não são ignorantes e sabem muito bem o que fazem. Dados dizem que as taxas de estudo tendem a ser de mais de 100%. 

Dai começamos a achar que é preconceito e sendo a Alemanha no tempo da Republica de Neymar, um povo leitor e de boa taxa de estudo, tenha eleito o governo nazista. Daí entramos em Platão, porque na obra Teeteto, Sócrates pergunta: “O que é o conhecimento?” e Teeteto repete a frase de Protágoras que diz “o homem é a medida de todas as coisas” que seria um conhecimento subjetivo. Vamos usar Platão e Protágoras nesse caso. A medida de todas as deficiências é o estereótipo que se faz dessas deficiências e não o conhecimento delas, e essas impressões estão também nos médicos que são cientistas (mesmo que se negue isso), e deveria não ter. Ou são mandados a dizer isso, porque não é possível um médico estudar anos e ainda tem impressões subjetivas da deficiência. Como assim? Universidades deveriam dar o conhecimento por conhecimento não impressões subjetivas. 

Dai voltamos a pergunta do Dr Paulo <Será mesmo que realmente sabemos o que seria a deficiência?>, porque conhecer a deficiência e ter uma visão mais positiva delas, se tornam bastante difícil diante de um conhecimento que não tenha. Até acho que pessoas que não queiram por acaso ter filhos com Síndrome de Down (e tem tendência a isso) se esterilizam, pois, vai ter outras tentativas e as outras vão dar a mesma coisa. E aí? Pessoas vão tirar até um perfeitinho? A mim não convence e sim, nesse quesito, Hitler venceu.




terça-feira, abril 30, 2024

Oswaldo Porchat e o Curioso Caso do Erudito Burro

 




“As pessoas são burras, preguiçosas e banais. As emoções delas levam aos erros”

(.Zona de combate (filme))


Amauri Nolasco  Sanches Junior 





Eu estava vendo uma aula do INEF (Isto Não é Filosofia) é dado momento (porque o professor Vitor Lima estava falando sobre estruturalismo), mostrou uma crítica ao estruturalismo escrita pelo professor Oswaldo Porchat que foi cofundador do curso de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). A questão que o professor Porchat traz neste texto é: “pesquisa em Filosofia ou pesquisa em História da Filosofia?”. E os argumentos dele são bastante interessantes e remontam o ensino “uspiano” de filosofia que não só ele começou contestar quase no final da sua vida, mas muitos outros que começaram a fazer a pergunta que postei do texto. Porque sempre me perguntava o porque que professores de filosofia ensinavam História da Filosofia e não a filosofia e não encontrava respostas - antes de eu fazer o bacharelado e aprender a pesquisar - e no meio do caminho ficava lendo e escutando o velho Olavo de Carvalho (quando falava de filosofia mesmo com tantos erros) com suas críticas que a 70 anos a USP ficha livros e não forma filósofos. As mesmas críticas foram feitas pelo professor Paulo Ghiraldelli Jr (mestrado em Filosofia) sobre os uspianos.

Daí temos que nos perguntar: o que seria filosofia brasileira? Porque ainda - com esmero que é característico do nosso povo - se confunde um filósofo com um intelectual. O intelectual lê um livro e não faz uma reflexão desse livro, ele repete exatamente como o livro está escrito. Por exemplo, acho muito mais acertado chamar Olavo de Carvalho de um intelectual do que um filósofo, porque ele não refletia sobre o livro escrito e sim, repetia tudo ali escrito e nada tem a ver com o filósofo em si. Nem fazia uma crítica daquilo que acreditava (criticar o Papa não vale).

Já um filósofo reflete e questiona (fazendo uma crítica), sobre suas crenças e sobre aquilo que achava ter certeza. Ora, foi muito bom que professores franceses fizessem essa “ponte” entre o que se achava ser filosofia - como se o Brasil não tivesse tido filósofos - e o que é filosofia. Na verdade, poderemos até desconfiar que essa história de estruturalismo era mais como um caminho que professores brasileiros deveriam ir, do que eles devem ir. Esquecemos de nomes como Silvio Romero, Farias Brito etc? Por que esses filósofos não foram contabilizados pelos franceses como nossos filósofos? Antes de tudo, o primeiro filósofo brasileiro - sim, tivemos um primeiro filósofo - era Matias Aires (Ramos da Silva d’Eça, 1705–1770) e não foi considerado pelos franceses como filósofos. A pergunta é: Por que? Por que não estavam alinhados com o estruturalismo?

Todo filósofo é filho do seu tempo e sua cultura. O que aconteceu é fácil de presumir, houve uma eurocentralização da área de filosofia e os brasileiros aceitaram. A nossa velha síndrome de vira-lata. Ficamos revirando o lixo para comer o resto e achamos isso muito bom e satisfatório, mas não é. Teremos que repensar em formar filósofos em potenciais para filosofar nossos problemas, ou problemas trazidos por filmes, novelas, séries e até mesmo, vídeos do YouTube ou podcast. Acho muito chato - como um estudante da USP disse em um grupo de filosofia do Facebook - as pessoas ficarem me julgando por causa dos seus textos dizendo “esse texto não é filosofia”. Qual o critério? Não disse os maiores filósofos? Mas, com todo respeito que tenho por eles - menos para os uspianos que só papagueiam - o blog não é deles e nem estou com vontade de escrever sobre eles. Sou herdeiro de Nietzsche, ou seja, dou risada dos mestres (como está num poema do Gaia Ciência).

Aí entramos em um outro ponto importante. Se pegarmos figuras de Jorge Amado, por exemplo, como Gabriela Cravo e Canela ou Juca Pirama seria filosofar sobre ética brasileira? Se pegarmos novelas clássicas como Roque Santeiro e fazer uma crítica severa sobre, poderemos encontrar elementos como opera nossa cultura? Indo até bastante além, como a filosofia deve ir sempre, podemos constatar que a grande maioria dos brasileiros são preconceituosos porque aprenderam errado sobre aquilo que é público (sociedade) e aquilo que é privado (individual). Escutando um podcast do próprio INEF (chamado A Dois), onde o professor Vitor e a professora Evelyn tem uma conversa mais informal, onde o professor disse que o maior engodo da modernidade é achar que somos indivíduos sem uma sociedade. É verdade. Sem o padeiro não comemos pão. Sem o montador de carro, não temos transporte etc. Por outro lado, como filósofo que sou, pergunto: quem somos nós? Como chegamos àquilo que somos?

Como brasileiro, vivo em uma cultura mesclada com vários elementos, mas tenho valores judaicos-cristãos que fui criado, seja na minha casa, seja na escola onde eu iniciei. Assistia “Xou da Xuxa”, Bozo etc, na adolescência comecei ouvir rock e heavy metal e formei uma áurea crítica começando ler filosofia. E ainda gosto do mesmo tipo de filme que eu gostava, com alguns critérios mais acentuados, porém, não deixo de gostar só porque sou quase um bacharel em filosofia. Isso nem faz sentido. Aí chegamos no curioso caso do erudito burro, e esse burro, não é uma pessoa ignorante e sim aquele que empaca. Ser “inteligente” é ver o pior da humanidade. Ser “inteligente” é alertar todo mundo da dominação da IA. Ser “inteligente” é achar que o outro é infantil e ele o adulto da conversa.